segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Lula x FHC, pelo The Economist


Veja o que "The Economist" publicou:

Situação do Brasil antes e depois.
Nos tempos de FHC
Nos tempos de LULA

Risco Brasil
FHC - 2.700 pontos
Lula - 200 pontos

Salário Mínimo
FHC - 78 dólares
Lula - 210 dólares

Dólar
FHC - Rs$ 3,00
Lula - Rs$ 1,78

Dívida FMI
FHC - Não mexeu
Lula - Pagou

Indústria naval
FHC - Não mexeu
Lula - Reconstruiu

Universidades Federais Novas
FHC - Nenhuma
Lula - 10

Extensões Universitárias
FHC - Nenhuma
Lula - 45

Escolas Técnicas
FHC - Nenhuma
Lula - 214

Valores e Reservas do Tesouro Nacional
FHC - 185 Bilhões de Dólares Negativos
Lula - 160 Bilhões de Dólares Positivos

Créditos para o povo/PIB
FHC - 14%
Lula - 34%

Estradas de Ferro
FHC - Nenhuma
Lula - 3 em andamento

Estradas Rodoviárias
FHC - 90% danificadas
Lula - 70% recuperadas

Industria Automobilística
FHC - Em baixa, 20%
Lula - Em alta, 30%

Crises internacionais
FHC - 4, arrasando o país
Lula - Nenhuma, pelas reservas acumuladas

Cambio
FHC - Fixo, estourando o Tesouro Nacional
Lula - Flutuante: com ligeiras intervenções do Banco Central

Taxas de Juros SELIC
FHC - 27%
Lula - 11%

Mobilidade Social
FHC - 2 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza
Lula - 23 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza

Empregos
FHC - 780 mil
Lula - 11 milhões

Investimentos em infraestrutura
FHC - Nenhum
Lula - 504 Bilhões de reais previstos até 2010

Mercado internacional
FHC - Brasil sem crédito
Lula - Brasil reconhecido como investment grade

Esclarecimento do ministro Juca Ferreira

Quero deixar clara, se ainda não está, a minha relação com a imprensa.

Um contato com jornalistas na semana passada, no Rio de Janeiro, acabou gerando uma situação de evidente desrespeito para comigo. Um dos jornalistas assumiu postura muito diferente da situação de pressão própria do exercício da imprensa, à qual estou acostumado. O que surgiu então, em vez de entrevista, foram acusações reiteradas, embaladas na forma de pergunta – comportamento que até mesmo jornalistas críticos a mim nesse episódio detectaram, reconheceram como descabido e condenaram explicitamente.

Desrespeitado, retruquei. Fui, entretanto, infeliz na minha manifestação. Esta passou a impressão de que eu estava generalizando minha indignação para com a imprensa toda. Deixo claro: não tive qualquer intenção de generalizar, e nem generalizei. Não é esta a opinião que tenho sobre esta instituição. Sei de sua fundamental importância para a consolidação da nossa democracia. Sempre mantive relação franca e respeitosa com os órgãos de comunicação e com os jornalistas. Esta é minha história política.

Reconheço que a resposta – fruto da indignação frente às injustas acusações de que estaria fazendo campanha eleitoral e mau uso do dinheiro público – foi intempestiva. Minha indignação, ainda que legítima, permitiu sua descontextualização. Por isto me penitencio.

Lembro, entretanto, dois fatos que repõem a questão do folder, objeto da polêmica, nos seus devidos eixos: um, que os parlamentares do Congresso Nacional haviam recebido antecipadamente uma cópia do folder; dois, que ele já havia sido distribuído na Câmara, no Dia Nacional da Cultura (5 de novembro), data em que não gerou qualquer tipo de manifestação de descontentamento. Concluindo: o folder foi usado como pretexto para não discutir um projeto que, indiscutivelmente, vai beneficiar milhões de brasileiros – o Vale-Cultura.

(Juca Ferreira, ministro da Cultura)

Semana musical em Macaíba

A prefeitura de Macaíba e a UFRN montaram uma programação musical muito interessante para esta semana. Começa hoje e segue até sexta-feira o 1º Festival de Música da cidade, evento que será realizado no Pax Clube, durante todo o dia. À noite, o festival tem continuidade na Praça da Igreja Matriz com grandes nomes da música potiguar.

A programação do evento conta com oficinas de canto, violão, piano, MPB, Ritmo e Som, percussão, entre outras.

Programação:

Segunda (30/11)
08h30 – Abertura e Credenciamento nas Oficinas
10h00 – Master Class Violão
13h30 – Master Class Violão
16h00 – Oficina de Ritmo e Som
19h30 – Concerto Sax In Bach

Terça (01/12)
08h30 – Oficina de Canto Popular
10h00 – Master Class Madeiras Piano
13h30 – Master Class Madeiras Piano
16h00 – Oficina de Canto Popular
19h30 – Noite da MPB

Quarta (02/12)
08h30 – Oficina de Ritmo e Som
10h00 – Master Class Cordas MPB
13h30 – Master Class Cordas MPB
16h00 – Ensaio
19h30 – Concerto Duo: Manoca e Primata

Quinta (03/12)
08h30 – Ensaio
10h00 – Oficina de Apreciação Musical
13h30 – Oficina de Apreciação Musical
16h00 – Ensaio
19h30 – Concerto Grupo Octovoci

Sexta (04/12)
08h30 – Atividade Socializadora e Gincana com Prêmios
10h00 – Ensaio
13h30 – Ensaio Geral
16h00 – Entrega de Certificados
19h30 – Concerto de Encerramento com Orquestra do Festival

Edgar Alan Poe em quadrinhos


O célebre poema O Corvo (The Raven), do escritor norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849), ganha nova versão em HQ neste ano de 2009, em que se completam 200 anos de nascimento de seu autor. Nesta versão da coleção “Clássicos em quadrinhos”, da Editora Peirópolis, O Corvo renasce das mãos do quadrinista Luciano Irrthum, que expressa sua reverência pela obra imprimindo-lhe o lirismo, a força e a visceralidade de seu traço.

ECAD no Youtube

Notícia bacana pra galera da música: Para conscientizar os usuários de música sobre a importância do pagamento dos direitos autorais, o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) e as Associações de Música que o compõem aderiram ao YouTube para divulgar a campanha "Vozes em Defesa dos Direitos Autorais. E que Vozes!". Nos vídeos, compositores e artistas representantes de diferentes estilos musicais, entre eles Roberto Menescal, Fagner, Augusto Cesar, Sérgio Reis, João Roberto Kelly, Tato e Dorgival Dantas participam, de forma gratuita, em prol da defesa dos direitos autorais musicais. O endereço é: http://www.youtube.com/EcadDireitosAutorais

Criada pela área de marketing do Ecad, com apoio das associações de música, a campanha consiste numa ação de conscientização e esclarecimento ao público com a presença de compositores e artistas que deram seu depoimento sobre a importância de se respeitar os direitos autorais. Esses depoimentos foram gravados e se transformaram em DVD, além de transcritos e impressos em folders. Os 2 mil DVDs produzidos estão sendo distribuídos para um público específico de interesse do Ecad, entre eles, políticos do Congresso Nacional, representantes do Executivo, magistrados, jornalistas, usuários de música e profissionais do meio cultural. O vídeo também está sendo veiculado em palestras ministradas pelo Ecad e em eventos. Esta já é a segunda edição da campanha. A primeira (2007) contou com a participação de Djavan, Fernando Brant, Danilo Caymmi, Leandro Lehart, entre outros autores.

O jornal e o jornalista

Um dos mais conhecidos e respeitados jornalistas brasileiros, Alberto Dines é também autor de uma obra clássica na área da Comunicação. Professor de jornalismo desde os anos 1960, ele discute há décadas o papel da imprensa no desenvolvimento do país. Não é a toa que o seu primeiro livro sobre o tema, publicado em 1974, ocupa lugar privilegiado na bibliografia brasileira de jornalismo.

Além de comemorar 35 anos de publicação do livro, a nona edição de O papel do jornal e a profissão de jornalista (192 p., R$ 48,90), lançamento da Summus Editorial, retoma um debate super atual: a polêmica questão sobre a necessidade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. O lançamento acontece no Rio e em São Paulo, com palestra, sessão de autógrafos e coquetel. Desconheço informações a respeito da chegada do livro por aqui.

"Em apenas um ano, com a ajuda de uma conspiração e de manipulação judicial, acabou-se com uma profissão e com sua história", afirma Dines. Para ele, a decisão do Supremo Tribunal Federal de extinguir a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, bem como a surpreendente constatação de que não se trataria de uma profissão específica e regulamentável, pode ter interrompido o debate na esfera judicial, mas não o encerrou. "Os artigos ajudam a compreender a essência de uma decisão que acabou precipitando um debate indispensável", revela o autor.

Coerente com a opção adotada nas versões anteriores, a nova edição é um registro dos registros. Flagrante de uma evolução. "Para que fosse rigorosamente atualizada deveria ser totalmente refeita e nesse caso perderia a sua condição de retrospectiva", explica o autor. Trata-se, portanto, de uma obra progressiva, que foi sendo atualizada ao longo de nove edições.

Há 35 anos, o contexto era diferente do atual. O mundo enfrentava uma crise de papel, agravada pela alta do petróleo, o que obrigou os jornais a adotar severas medidas de contenção. Além disso, a ditadura militar agonizava e abria-se um espaço para o debate sobre a relação entre a imprensa e a construção de uma sociedade democrática no Brasil. No entanto, os principais temas abordados na primeira edição permanecem. O jornalista fala sobre questões fundamentais para o exercício da profissão, como transparência, consciência profissional e interesse público.

A obra - revista, ampliada e atualizada - reúne informações sobre as três revoluções na comunicação, a TV e o renascimento do jornal diário, os compromissos da imprensa como empresa privada, o jornalista como centro do processo da empresa jornalística, os componentes objetivos e subjetivos da profissão, a responsabilidade e os códigos de ética. O autor aborda também fatos que marcaram o desenvolvimento da imprensa no Brasil, incluindo a censura, a crise do papel e a função do jornal.

O livro traz vários textos originalmente publicados no site "Observatório da Imprensa" - projeto desenvolvido por Dines. Além de captar dados fundamentais do momento histórico, o autor interpreta sistematicamente as variáveis da conjuntura e articula-as com as tendências observadas no movimento da imprensa brasileira. Dessa forma, identifica traços capazes de explicar sua trajetória recente e as projeções perceptíveis. Realiza, assim, um trabalho de cientista do jornalismo. Singular pela sua proposta crítica, a obra é indispensável para as novas gerações de jornalistas.

O autor

Jornalista desde 1952, Alberto Dines foi repórter das revistas Visão e Manchete, editor da Última Hora e do Diário da Noite e criador de Fatos e Fotos. No Jornal do Brasil, ao longo de quase doze anos, deu sequência a uma reforma editorial que marcou o jornalismo brasileiro. Nesse período, editou os "Cadernos de Jornalismo e Comunicação" (1965-1973), experiência pioneira de reflexão sobre mídia. Precursor da função de ombudsman com a coluna "Jornal dos Jornais" (Folha de S.Paulo, 1975-1977), na Folha também foi diretor da sucursal do Rio de Janeiro e colunista político. Dines foi professor de jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), professor-visitante na Universidade de Columbia (Nova York) e um dos criadores, na Unicamp, do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) - onde em 1996 foi desenvolvido o projeto do "Observatório da Imprensa", hoje com edições na TV e no rádio. Organizou a edição fac-similar da coleção do Correio Braziliense, primeiro periódico a circular no Brasil. Foi diretor editorial do Grupo Abril em Portugal, onde viveu entre 1988 e 1995, trabalhando e realizando pesquisas para Vínculos do fogo - Antônio José da Silva, o Judeu, e outras história da Inquisição em Portugal e no Brasil, Tomo I. É autor de livros de ficção, reportagem, história e biografias. Destas, a mais conhecida é Morte no Paraíso, a tragédia de Stefan Zweig, com diversas edições no Brasil e no exterior.

Título: O papel do jornal e a profissão de jornalista
Autor: Alberto Dines
Editora: Summus Editorial
Preço: R$ 48,90
Páginas: 192

João Maria sai do Jornal da Fotografia

O fotógrafo e grande figura João Maria Alves se desligou de projeto como cursos de fotografia, exposição, seminários ou qualquer espécie do gênero que tenha o Jornal da Fotografia como realizador. O Johnny deixei o Jornal da Fotografia pra se dedicar a outros projetos que tinha deixado em segundo plano.

É uma pena. E tomara que o Jornal continue. Outro dia João Maria comentava que as publicidades veiculadas no jornal eram mera troca de favores e praticamente os idealizadores do Jornal pagavam do próprio bolso as edições. Por isso, reafirmo: quem coloca jornal na rua hoje em dia ou é muito idealista e apaixonado ou tem a finalidade de promoção de alguém.

Tuitando com Alex Medeiros

alexmedeiros59 Não percam "A Onda", no vendedor de DVD pirata mais perto da sua casa.

Apenas MICROblog?

A ferramenta Twitter arrebanha pessoas de todas as idades e promove revolução sócio-cultural

Da plantação e colheita dos alimentos a partir dos conhecimentos temporais até o lanche fastfood, o mundo caminha rumo às limitações de tempo, espaço e mastigadas. A matemática da crescente aceitação em massa das modas mais práticas é simples: menos tempo, coisas menores e mais rápidas para serem informadas, degustadas (ou engolidas). No campo antes florido da informação e agora invisível pelos bytes atemporais da internet, as grandes reportagens impressas nos jornalões, concorrem com os textos curtos dos blogs, que perdem espaço para a nova onda: o Twitter – o chamado Microblog. O limite são 140 caracteres para emitir qualquer raciocínio. E cabe a pergunta: é o suficiente?

A resposta vem seguida de outras muitas indagações. Uma delas talvez seja a principal: o que você necessita informar? Para postar o que se faz naquele momento, 140 toques no teclado já provocam perda de tempo suficiente. Muitos utilizam a ferramenta para promoção pessoal ou de sites pessoais. Outros preferem obter informações jornalísticas. Há outras possibilidades como a inserção de links, a publicidade de produtos e a comunicação integrada entre usuários. Esse último recurso ainda é pouco usual. E há teorias explicativas para isso. Em tempos de individualidades decorrentes da citada falta de tempo e insegurança, o voyerismo tem sido prática comportamental crescente.

Para o sociólogo João Evangelista, as novas tecnologias de informação e comunicação permitem a interatividade entre indivíduos cada vez mais isolados e destituídos de vínculos pessoais. Um mundo massificado e crescente, onde o indivíduo está mais confuso ante o bombardeio de informações e se acha mais fácil no seu próprio eu. “O Twitter é revelador desse isolamento. Demonstra a carência em expressar sentimentos e a esperança de ser escutado. É um pouco a manifestação da angústia e solidão contemporânea. Veja que o Twitter funciona como um diário compartilhado de forma comunitária”, opina o cientista social.

Famosos no Twitter
A divisão simplista entre os usuários do Microblog pode ser estipulada entre pessoas famosas e cidadãos comuns. Os primeiros se divertem com milhares de “seguidores”. O jornalista William Bonner (ou @realwbonner), por exemplo, pede dicas para seus curiosos de qual gravata deve usar naquele dia para apresentar o Jornal Nacional. “Eu me divirto muito com essa bobagem que escrevo, e vejo que muitos de vocês também se divertem e se surpreendem”, escreveu em uma das dezenas de “twitadas” em mais de dez horas à frente do computador. Já o cidadão comum é consumidor das veleidades dos famosos e buscam notoriedade entre amigos e visibilidade às suas atividades profissionais.

Há um terceiro grupo em ebulição no Twitter. Talvez seja o responsável pelo posicionamento da ferramenta como a marca do momento no disputado universo virtual. São empresas, instituições e profissionais – sobretudo da mídia e da política – que descobriram o potencial do Twitter como chamariz para blogs e sites onde podem ampliar e aprofundar os conteúdos ou interesses. Isso de forma rápida, prática, de fácil leitura e, dependendo do número de seguidores, de grande amplitude. Na seara local, dois políticos já promoveram entrevistas em tempo real pelo twitter e receberam forte divulgação pela mídia, ainda desacostumada à novidade.

A utilidade do Twitter
O jornalista Tácito Costa compara a utilidade do Microblog ao próprio uso da internet. “Depende muito de quem utiliza. Há sites informativos e outros não. No Twitter é a mesma coisa. Particularmente sigo apenas pessoas que possam me passar informações pertinentes para o meu trabalho profissional; encaro como ferramenta de finalidade meramente jornalística e de divulgação do meu site”. Tácito Costa mantém um dos principais sites voltados à literatura e ao jornalismo cultural da cidade. Segundo ele, ao contrário do que se estima, o Twitter colabora para o aumento de acessos a sites e portais de internet. “Não acho que o vá acabar com os blogues. Veja que muitas postagens são links que remetem a outros sites”.

O jornalista traça um panorama comparativo entre o início dos blogues e o Twitter: ambos começaram como espécies de diários íntimos e, aos poucos, se tornam ferramentas de informação. “Veja que há uma pergunta inicial na página do Twitter que pergunta o que você está fazendo. Ou seja: ele foi projetado para ser um diário. Mas tem tomado outro rumo, diferente, por exemplo, do Orkut, que se mantém como site de relacionamentos de finalidade mais íntima. Os blogues também começaram como diários sentimentais e hoje muitos funcionam como veículos de notícias”. Tácito chama a atenção para a crescente força da mídia Twitter. “Aos poucos se torna mais uma voz democrática a se juntar à mídia tradicional. E isso é bom. São mais vozes a serem ouvidas”.

Novos vocábulos
Assim como a expressão “deletar” causava estranheza há cerca de 15 anos e após algum tempo se tornou verbo da língua portuguesa devido o meteoro do avanço da internet no mundo, o Twitter já inventa das suas e promete inserir novos vocábulos à língua de Camões. Os mais velhos talvez sequer tenham ouvido falar em “tuitar” ou mesmo “retuitar”. Nos tempos das anáguas, “seguidores” tinham outra conotação que não a de acompanhar as “postagens” de amigos e famosos. E devem se atrapalhar com os diminutivos provocados pelo limite de caracteres onde o “que” é “q” e o “também” é “tbm”.

Repercussão midiática
Texto publicado no site Observatório da Imprensa por Gabriel Priolli chama atenção para o poder de difusão do Twitter. Segundo ele, em 13 de outubro, alguém postou logo cedo uma reportagem de TV portuguesa, onde a atriz Maitê Proença era duramente criticada por gracinhas e comentários infelizes que perpetrou, em matéria para o programa Saia Justa, do GNT. O assunto explodiu e as reações negativas aumentaram de tal forma que se tornou imperativo um pedido de desculpas. Às 21:58, o site do GNT divulgou vídeo gravado por Maitê, com suas constrangidas explicações ("O brasileiro é muito brincalhão, a gente brinca com aquilo por que tem afeto..."). Foram menos de 12 horas do início ao auge, para um factóide midiático de alcance internacional.

No plano local, a jornalista Michelle Ferret sugeriu a defenestração de um ocupante de cargo público em Natal em 140 caracteres. A voz da jornalista ganhou mídia em sites, blogues e conversas informais no mesmo dia. Opiniões de intelectuais e cidadãos indignados com as posturas do gestor foram manifestadas livre e democraticamente na internet e jornais impressos e provocaram a “vítima” a emitir explicações à mídia sobre suas declarações. Por outro lado – como frisou Tácito Costa – também serve à finalidade inicial: divulgar frivolidades. E provoca questionamentos alheios, como a do jornalista Mário Ivo: “esse povo do twitter q diz q vai ler antes de dormir, sei não - por q nunca aparece alguém q diz "vou fazer um sexozinho básico" e sono?!”.

* Matéria publicada domingo no Diário de Natal

domingo, 29 de novembro de 2009

Hoje tem Ribeira das Artes


O projeto Ribeira das Artes, uma das poucas ações a movimentar o bairro da Ribeira aos domingos, está de volta hoje a partir das 11h da manhã até 20h. O Ribeira das Artes envolve atividades de lazer e arte durante manhã e tarde de domingo, na praça Augusto Severo/Largo da Ribeira, com atrações gratuitas, oficinas artísticas, shows musicais, dança e um espaço para compras em antiquários, brechós e artesanato potiguar.

A edição deste domingo terá como destaque a exposição potiguar de automóveis de várias épocas, com relíquias pertencentes aos membros do Clube do Carro Antigo. O projeto artesanato itinerante da Sethas (Secretaria do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social) vai estar presente com 11 estandes de artesanatos de artesãos do Estado, com peças de alto nível.

Os sebistas também terão espaço no Ribeira das Artes. Participam o Sebo Cata Livros e o Sebo Torres, com raridades e livros usados. Haverá ainda uma praça de alimentação, com espetinhos, Pastel Petrópolis, Acarajé da Baiana, Café do Teatro, e tenda de suspiros artesanais. Para a garotada, ao lado do Teatro haverá oficinas de arte.

A programação musical começa 16h30, com apresentação do grupo de samba Linha de Passe, e depois Galvão Filho. “O domingo é um dia em que muitas famílias saem juntas, seja para ir à missa ou para almoçar fora. A programação do Ribeira das Artes supre esta carência e ainda é uma alternativa mais agradável e diferente da rotina dos shoppings”, ressalta Hilneth Correia, diretora do TAM.

O projeto Ribeira das Artes terá ainda mais três edições em dezembro, com um bazar natalino nos dias 11, 12 e 13 (sexta a domingo).

sábado, 28 de novembro de 2009

Comentário de Rodrigues Neto

Caros leitores, recebi hoje comentário do presidente da Funcarte, Rodrigues Neto. Está publicado logo abaixo, como também o post a que ele se referia. Coloco os dois à vista de vocês para que comparem e me digam se, por acaso, acusei o presidente de alguma coisa, como ele frisa. Nem que tenho dificuldades em falar com ele. SEquer isso foi comentado. Apenas afirmei que tive a autorização para divulgar o nome da revista Ginga e que talvez ele estivesse desinformado de que o empenho para o pagamento da revista já havia sido feito. Ele mesmo ressaltou que tem dificuldades de comunicação com o antigo gestor. Portanto, Rodrigues, não o acuso. E até peço que leia minha coluna semanal publicada no Diário de Natal deste domingo. Digo lá, entre outras coisas, que a culpa pela ausência da revista este ano foi por falta de dinheiro da prefeitura. Não da Funcarte ou má vontade sua. Disse também que as críticas realmente "depreciativas" têm sido atribuídas muito mais às suas declarações do que às suas ações.

Abraço e conte comigo para elogios e críticas construtivas, isentas e sem "impetuosidades".

Meu post, intitulado De Rodrigues Neto na Tribuna

Sem querer opinar e já opinando: achei muito boa a matéria do colega Isaac Lira na Tribuna do Norte - uma geral da administração da Funcarte este ano, com vários aspectos abordados e sem muito oba-oba. Até acrescento uma observação que me foi dita na última conversa com Rodrigues Neto na quinta-feira: "Tento entrar em contato com César e não consigo. Parece que está fazendo questão de dificultar as coisas". Mas quero corrigir ou destrinchar melhor a situação da revista Ginga, descrita na matéria a partir da voz do novo presidente. Talvez pela dificuldade em falar com o antigo presida, as informações dadas por Rodrigues tenham sido equivocadas.

Ao contrário do que falou, o nome da revista foi divulgado, sim. Não pela Funcarte, mas com autorização da Funcarte. Perguntei a César Revorêdo se eu podia colocar a novidade da escolha do nome em minha coluna no DN. A partir daí, a notícia foi replicada em blogues. Portanto, não foi "boato", como Rodrigues citou. A outra questão: "A revista estava pronta, mas não tínhamos verba para imprimir e distribuir". Bom, me foi pedido um currículo de cinco linhas, como também do editor-assistente, para anexar na documentação para liberação da verba. O empenho da grana já havia sido feito. Assim me foi informado.

No mais, é triste acompanhar neste fim de campeonato de 2009 a mídia estampar em suas manchetes notícias tão desanimadoras. Não é intriga, não é pessoal. Se ouve a fonte primordial do problema e nada de bom é relatado. Que em 2010 tenhamos um papai noel mais alegre. Por hora, como disse Mário Ivo no microblogue, só dá para acreditar nos duendes dos nosso canteiros, abençoados por anjos vermelhos e sob o sol maconheiro.

Comentário de Rodrigues Neto

Caro Sérgio,

não tenho me negado a conversar contigo sobre o lançamento da revista da Funcarte,independente do nome que venha a ter.

Explico, explico e explico... Mas, parece que no desejo em lançá-la de qualquer forma você não faz questão em ouvir e me faz acusações. Quer lançá-la sem saber quando teremos dinheiro para pagar os colaboradores, fotógrafos e todo o expediente.

Desafio:
Quer junto a Capitania assumir as dívidas junto aos fornecedores?
Quer dividir as responsabilidades na hora das cobranças?

Vamos usar o bom senso, vamos ser razuáveis, vamos acalmar os egos, as vaidades "pseudo-intelectuais", vamos ser coerentes e éticos... Apelo Sérgio para sua sensibilidade de um profissional sério e que tem credibilidade junto a categoria, em falar a verdade e acabar com estas especulações um tanto depreciativas a minha pessoa. Mas, se acha que este é o caminho, a forma correta de agir; lamento.

Persista em seus ataques alusivos a mim e adminsitração da funcarte, sem esquecer que o Universo é maior que todos nós e as consequências do "kotodama" são nefastas. Acredite!Você é jovem, talentoso, mas, não se deixe levar pela impetuosidade da emoção efêmera. Do contrário, siga seu caminho, sabendo que sempre contará com o meu respeito.

Abraços.

Rodrigues Neto, (decepcionado)
Presidente da Funcarte

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Zé Dias em Conversa Franca

O produtor Zé Dias, um dos mais ativos e polêmicos defensores da cultura potiguar, é o entrevistado desta segunda-feira, no programa Conversa Franca, da SimTV. Durante a conversa com o jornalista Mauricio Pandolphi, apresentador do programa, Zé Dias fala sem papas na língua e diz que alguns compositores, cantores e músicos locais estão entre os melhores do Nordeste. Mesmo assim segundo ele, a maioria das emissoras de rádio de Natal continua a ignorar nossos artistas, apesar da qualidade e do volume da produção musical potiguar. O Conversa Franca vai ao ar às 12h30.

Gardênia´s Day


Celebrar a alegria e a irreverência. O Gardênia’s Day – a Festa das Flores do Beco da Lama é muito mais uma malhação da vida; uma ironia à seriedade e crueldade das cenas do cotidiano. E a representação metafórica desse encantamento vivo a partir da simplicidade é a figura folclórica de uma das mais populares personagens da cidade: Gardênia Lúcia, toda sorrisos apesar dos muitos pesares. A festa-homenagem acontece amanhã a partir das 16h. Concentração no Bar de Nazaré (Cidade Alta) A organização pede que os participantes estejam vestidos de cores alegres e tragam flores para colorir o Beco de alegria, mesmo que passageira.

Para entender o espírito do evento, as lembranças da primeira edição, ocorrida no ano passado. Gardênia havia sido espancada pelo companheiro. Dias antes da festa, andava pelas ruas do Centro com o olho roxo. A organização, a princípio preocupada em mostrar a figura da homenageada machucada, resolveu escancarar a situação e imprimiu banners e cartazes com a figura de Gardênia com o olho roxo. O episódio do murro levado foi esquecido e Gardênia festejou o dia como se fosse o último e ela a rainha daquelas últimas horas da existência.

Não é difícil encontrar Gardênia perambulando pelas adjacências do Beco da Lama. De longe se percebe o andar de passos miúdos, o rosto arrendondado e a “lapa” de pança proeminente. De perto, a linguagem quase inaudível, confusa. Gardênia – que no batismo se chama Edmílson – é cozinheira e moradora da Cidade Alta há décadas. Integra o hall de personagens folclóricos do Centro Histórico. Partiu daí a idéia da homenagem, a partir da sugestão do artista plástico Franklin Serrão, de prestigiar pessoas que fazem o cotidiano do Beco da Lama. E nada melhor que a primavera e as flores para alegrar a estação das flores de Gardênia.

A festa constará de shows musicais, exposições de fotografias e artes plásticas, performances poéticas e terá ambientação executada pelo artista gráfico Venâncio Pinheiro – o mesmo que fez a decoração do último carnaval natalense. Como principais atrações do evento estão o show dos Chorões Potiguares, seguidos de uma apresentação de músicas românticas internacionais de Mário Henrique, e apresentação da dupla inédita Pavio Curto & Rastilho de Pólvora. A participação especialíssima e também uma forma de homenagem é a performance de Volontê (poeta homenageado pela Capitania das Artes no último Dia da Poesia), além da cantora revelação do carnaval baiano 2009, Priscilla Freire.

Fotografia
A exposição "Primavera" também acontecerá durante o Gardênia's Day, organizada pela Associação Potiguar de Fotografia (Aphoto). Podem participar sócios ou simpatizantes com até três fotos (tamanho 20 x 30) numa cartolina preta (deixando bordas de 5 cm). As fotos devem ser deixadas no Practical Cursos (Rua Laranjeiras, 14, Cidade Alta. Por trás da Igreja do Galo) até o sábado pela manhã.

Fundação da Bamba
Ainda durante o evento, será criada oficialmente a entidade Boêmios Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Bamba). A intenção é de luta pela preservação do Centro Histórico de Natal. Para tanto, um livro coletará dos boêmios sócios fundadores da entidade, assinaturas que endossarão sua Ata de Fundação. O passo seguinte da entidade será a realização de assembléia de associados, para a aprovação de estatutos. A data da assembleia ainda não está marcada. Redigida a Ata de Fundação e eleita uma diretoria provisória de forma democrática e no dia do evento, para um período inicial de seis meses, o Livro tomará as assinaturas. O passo seguinte caberá a essa diretoria provisória, que ficará incumbida de preparar uma minuta de Estatutos e convocar uma assembléia para a aprovação dos mesmos.

Samba
A Bamba se junta à Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Samba) e aos frequentadores e entusiastas do Centro Histórico na tentativa de ressuscitar aqueles chãos boêmios e culturais e resgatar o prestígio e freqüência do Beco da Lama. O próprio Eduardo Alexandre, o Dunga, presidiu a Samba – hoje comandada pelo publicitário e vídeomaker Augusto Lula – por três anos e promoveu festas como Carnabeco (durante o sábado de Carnatal), Cabaré Night Beco, Réveillon do Beco, a Lavagem do Beco, entre outros eventos, além do lançamento do jornal O Beco.

* Parte desta matéria foi publicada nesta sexta-feira no Diário de Natal (foto do amigo Alex Gurgel)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O cinema perto de você


As novas tecnologias têm transformado a forma de ver o mundo. Não só novos conceitos são formados. A estética também recebe a cada dia novas molduras, seja na arte chamada contemporânea ou em novas definições de imagem. E a conceituada sétima arte não podia ficar de fora. O cinema acompanha a evolução da humanidade e o progresso tecnológico desde o século 19. Da apresentação do cinematógrafo pelos irmãos Lumiére, a produção cinematográfica galgou mais de 100 anos de experiências e histórias até alcançar a nova onda: as projeções de filmes com tecnologia tridimensional, o chamado 3D.

A novidade chegou em Natal sem alarde. A própria Rede responsável pela instalação e forte investimento na nova tecnologia preferiu economizar no marketing. Poucos natalenses sabem que há uma sala de cinema 3D no Shopping Midway. E com filme em cartaz desde 6 de novembro: a aventura Os Fantasmas de Scrooge, com Jim Carrey e Gary Oldman no elenco. O curioso é que o longa é uma adaptação de um conto natalino escrito há mais de um século por Charles Dickens. Quase na mesma época em que o cinema botava a cara no mundo. Já foi filmado, inclusive, em preto e branco e hoje recebe a mais avançada tecnologia disponível no mercado.

Outro motivo para a procura ainda tímida da sala 3D da Rede Cinemark é o preço do ingresso. Os valores são acima da média. Variam entre R$ 15 e R$ 22, conforme o dia da semana. Segundo funcionários da Rede (desautorizados a darem opiniões a respeito), a procura tem sido crescente. Diante da falta de propaganda, o “boca-a-boca” tem sido responsável pela divulgação e procura das salas. Segundo a organização do Cinemark em São Paulo, a previsão das próximas estreias, para dezembro, será a ficção Avatar (do diretor James Cameron, o mesmo de Titanic) e o terror Premonição 4.

Apesar do nível tecnológico mais avançado, os óculos ainda são necessários. Em vez das lentes azul e vermelha, uma versão escura para a tela prateada (Silver Screen). As lentes especiais e a distância entre os dois olhos fazem com que vejamos a mesma coisa sob ângulos diferentes. Com base nessas duas imagens vistas por cada olho, o cérebro nos engana e forma uma terceira imagem, proporcionando a profundidade da cena através da terceira dimensão. Essa tecnologia em Real D permite uma melhor noção de profundidade que a anterior. É um novo padrão. A dica é sentar o mais longe possível para a imagem parecer mais real ou “fora da tela”.

O Cinemark reservou a Sala 6 do Midway para o 3D. A capacidade é para 315 pessoas bem acomodadas. O investimento na montagem da projeção em 3D foi de 400 mil. Natal é a segunda cidade do Nordeste e a 40ª do país a receber a nova tecnologia. As salas em 3D estão espalhadas em 21 cidades brasileiras. O Cinemark lançou a primeira sala de cinema em 3D da América do Sul: no Shopping Eldorado, em 2006. Segundo dados da empresa, em 2008, foram cerca de 28 milhões de espectadores para assistir aos filmes brasileiros e estrangeiros, gerando uma receita bruta de cerca de R$ 370 milhões.

E depois do 3D?
A estimativa de especialistas é de que em dez anos o cinema 3D chegue às residências e o cinema precisará dar outro passo à frente. A tendência já experimentada é o IMAX - uma tecnologia que nenhum aparelho de entretenimento doméstico poderá reproduzir. Por motivos simples: as telas são gigantes. Se o cinema é chamado de telona pelas dimensões convencionais de 12 metros por 5 metros, o IMAX tem como padrão telas de 22 metros por 16 metros.

Além do tamanho, o IMAX promete levar o telespectador para dentro do filme. Esse efeito é criado pela combinação da projeção gigante, tela com maior curvatura, sistema de som digital sorround sound mais potente (mais que o dobro de uma sala comum) e ambiente montado de forma geometricamente favorável. O sistema chamado Rolling Loop torna o efeito 3D ainda mais real.

Segundo o site Idgnow, atualmente existem mais de 300 salas IMAX distribuídas em 40 países. Cerca de 60% delas estão nos Estados Unidos. Apenas 40% das salas ficam em shoppings ou centros comerciais. O restante está dentro de museus e centros científicos. No Brasil, a única sala equipada com IMAX foi inaugurada em 16 de janeiro, no Unibanco Arteplex do shopping Bourbon, em São Paulo.

O Unibanco Arteplex informou ao site Idgnow que a taxa de ocupação da sala IMAX se mantém em 90% e representa 50% do faturamento do complexo. O ingresso cobrado é no valor de R$ 30. O orçamento da sala Unibanco IMAX foi de 6 milhões de reais, incluindo equipamentos e a estrutura da sala.

Sala 3D no Cinemark Natal
Segunda, terça e quinta-feira: R$ 17
Quarta-feira: R$ 15
Sexta, sábado, domingo e feriado: R$ 22

* Matéria publicada no último domingo no Diário de Natal

Para lembrar: Cony e Antônio Torres daqui a pouco

Só para lembrar: Os escritores Carlos Heitor Cony e Antonio Torres estarão ‘Conversando sobre o povo brasileiro’ na noite de hoje a partir das 19h30, no hotel Vila do Mar. O evento marca os seis anos do programa televisivo ‘Espaço Cidadão’, apresentado toda segunda-feira, 21h30, na Tv União, canal 22 da Cabo, pelo cientista político Robson Carvalho.

A Erva do Rato estreia nesta sexta


Nesta sexta-feira estreia o drama nacional A Erva do Rato, de Júlio Bressane. O filme entra em cartaz no Cine Cult da Rede Cinemark no Midway. Até 3 de dezembro, às 14h, o espectador poderá assistir ao filme pagando R$ 7 (inteira) e R$ 3,50 (meia) pelo ingresso, em qualquer dia da semana – incluindo sábado, domingo e feriado. O filme funde dois elementos dos contos A Causa Secreta e Um Esqueleto, de Machado de Assis: a relação do homem com a morte e a incompreensível relação que estabelece com os animais. Ele (Selton Mello) e Ela (Alessandra Negrini) caminham por um cemitério à beira-mar. Os pronomes são seus nomes. Ela, professora, com o pai morto há apenas três dias, não tem mais ninguém no mundo. Diante de tal situação, Ele se propõe a cuidar dela enquanto for vivo. Este é o início de uma estranha relação.

Declamações poéticas

A poetisa Marize Castro presenteia seus leitores com alguns poemas de seu último rebento - Lábios-espelhos, lançado na livraria siciliano no início do mês - declamados em boa voz. Para escutar, o link: www.mudernage.com.br

Premiados do 4º Rock Potiguar

Infelizmente também não pude comparecer à festa de premiação do 4º Rock Potiguar. Até concorria como melhor jornalista na cobertura de rock. Meu lamento foi muito mais pelas atrações que perdi do que pela desfeita em, de repente, ser premiado e estar ausente. Tinha lá minhas certezas de alguns vencedores, mais especializados. Pensei em Alexis e Hugo Morais, primeiramente. Depois em Tádzio. Mas eis que me vem a surpresa da colega Ramilla. Parabéns, boy! Para quem não sabe, é a segunda premiação da moça em 2009. A outra foi a segunda colocação no disputado Prêmio Via Livre de Jornalismo. Ademais, outros parabéns à organização do evento e à galera do Calistoga que papou quase tudo.

VENCEDORES – 4º PRÊMIO ROCK POTIGUAR

Melhor site de banda de rock do RN em 2008
www.osbonnies.com.br

Melhor produtor cultural rock do RN em 2008
Anderson Foca

Melhor jornalista cultural rock do RN em 2008
Ramilla de Souza

Melhor produtor musical rock do RN em 2008
Dante Augusto

Melhor Música rock do RN em 2008
Get Together (Calistoga)

Melhor letrista / compositor rock do RN em 2008
Dante (Calistoga)

Melhor CD/EP de banda rock do RN lançado em 2008
Calistoga – “Normal’s People Brigade”

Melhor instrumentista de percussão rocker do RN em 2008
Fernando Gomes (Calistoga)

Melhor instrumentista de cordas rocker do RN em 2008
Henrique Geladeira

Melhor vocalista rock do RN em 2008
Dante Augusto (Calistoga)

Melhor banda rock do interior do RN em 2008
Sertão Sangrento

Revelação musical rock do RN em 2008
Camarones Orquestra Guitarrística

Melhor show de rock realizado no RN em 2008
Torture Squad (Festival Dosol)

Melhor banda rock do RN em 2008
Calistoga

Tuitando com Chico Moreira Guedes

chicomgue Sinal dos tempos: Recebi 1 msg do Unibanco dizendo: "Meditar é preciso:e possível", c/símbolo do OM. Focarei no vazio cósmico de minha conta

Na província de muros baixos


Luzes da ribalta reacenderão amanhã no lançamento do livro Belle Époque na Esquina. O escritor Tarcísio Gurgel resgatou pedaços de uma Natal perdida nos porões da memória; suja pela poeira do tempo. É trabalho minucioso de 400 páginas de reminiscências históricas. Um relato escrito sob o olhar modernista do escritor ao mirar a paisagem da província de muros baixos, que se descortinava aos novos valores estéticos da Belle Époque francesa. O lançamento literário será no charmoso e oportuno jardim do Palácio Potengi, Cidade Alta, a partir das 18h.

O desuso gradativo da ribalta é metáfora. Passada as duas primeiras décadas do século 20, Natal afasta, pouco a pouco, o glamour de uma nova era renascentista eclodida na capital do mundo: Paris. A Belle Époque teve início em fins do século 19. Natal era iluminada por lampiões. Mas veria a chegada de uma nova luz revolucionária de costumes, hábitos e produção intelectual. Um alicerce cultural sintomático de uma cidade desde sempre aberta às novidades do Atlântico e receberia, décadas depois, uma cachoalhada americana na matutice cosmopolita natalense.

A nova estética mundial chega à cidade na velocidade das charretes puxadas a cavalos. É trazida por líderes de oligarquias prósperas. Intelectuais de contato com o mundo fora dos muros da província e com o perfume parisiense já espraiado em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. São jornalistas, escritores e políticos da estirpe de Manoel Dantas, os Albuquerque Maranhão, Juvenal Lamartine, Eloy de Souza e o arquiteto mineiro Herculano Ramos – nosso primeiro Giácomo Palumbo – responsável pela implementação eclética em Natal – pela art noveau – que tomava de assalto as fachadas do mundo.

Esse clima vanguardista e de certa euforia sócio-literária – sobretudo pela classe mais abastada, como o “principado do Tirol”, liderado por Câmara Cascudo – é retratado no livro de Tarcísio Gurgel. O acervo iconográfico também é rico e raro. Assim também são algumas informações, pesquisadas durante cinco anos para a elaboração da tese de doutorado do escritor. A linguagem do livro, embora escorregue em recuos acadêmicos e notas explicativas, é didática e detém ainda o talento ficcionista de quem já escreveu Os de Macatuba (2008).

O despertar da ideia de elaboração da tese de doutorado surgiu da lembrança de ensaios publicados por Tarcísio na década de 80, na então revista literária O Galo, à época editado pelo escritor Nelson Patriota. O fato descrito é a metáfora perfeita do rompimento do conservadorismo vivenciado em Natal até a chegada avassaladora da vanguarda modernista da Belle Époque. O jovem ensaísta Antônio Marinho reivindicava a poesia moderna e criticava o atraso da poética potiguar em relação ao mundo. Basta lembrar que em mais alguns anos, seria promovida a Semana de Arte Moderna de 1922, em Sampa.

O bode expiatório das críticas de Antônio Marinho era (talvez o nosso primeiro) poeta Segundo Wanderley. A ousadia de Marinho recaiu em ensaio publicado também no jornal A Tribuna – o mesmo em que colaborava Segundo Wanderley. Nessa época, lembra Tarcísio, a cidade era tão inexpressiva que o historiador Rocha Pombo registrou um costume da época, ao se perguntar por Natal: “Natal? Não há tal”, era a resposta. “Daí a motivação de filhos bem nascidos, mandados a estudar fora e em contato com as novidades e o ideário político que redundaria na proclamação da República. Eram ideias em fermentação desde a Revolução Francesa”, afirma o autor.

Essa vontade de modernizar e colocar Natal na onda vanguardista da Belle Époque, trazida por jovens idealistas da futura oligarquia da cidade, resultou em surto desenvolvimentista de Natal. “Houve mudanças não só no bom gosto nas relações interpessoais, mas modernização, implementação de atividades sanitárias, criação de novas definições urbanas e de novo bairro: a Cidade Nova, desmembrada em Petrópolis e Tirol, para onde as famílias mais aquinhoadas migraram, além de certa preocupação com a estetização da vida. As pessoas despertaram para esse novo olhar e perderam um pouco o provincianismo”, observa Tarcísio.

Prefácio de Sanderson Negreiros
Além de velejar sobre o mar de uma Natal esquecida, o livro traz ainda participação luxuosa de Giovianni Sérgio (fotografia da quarta capa), colaboração iconográfica do pesquisador Anderson Tavares, orientação do professor Humberto Hermenegildo, e colaboração dos jornalistas Woden Madruga (orelha), Vicente Serejo (posfácil) e Sanderson Negreiros (prefácio).

Este último produziu um texto irretocável a respeito da volta do ex-governador e “príncipe” da Natal parisiense, Alberto Maranhão a Natal. Corriam os anos de 1948 e 1949. Foi encontrado pelo professor Alvamar Furtado em sorveteria na estreita Avenida Duque de Caxias, na Ribeira. Era a imagem “de um velho retrato”, solitário. Sequer acompanhado de algum ex-fiel funcionário, como a atriz decadente do filme Crepúsculo dos Deuses (1950).

Assim, Sanderson descreve Alberto Maranhão, décadas depois do boom renascentista vivido em Natal: “(...) no olhar a paixão de estar só, de não conhecer mais ninguém, senão a de observar na tarde da Ribeira a certeza de que seu tempo áureo havia sucumbido; que o declínio havia permitido que a cidade continuasse no itinerário do seu chão, ainda recoberto de pobreza e falta de traços urbanos novos, e que todo o ciclo de vida para ele havia completado seu destino de estar só e desconhecido”.

Lançamento literário – Belle Époque na Esquina
Autor: Tarcísio Gurgel
Quando: Amanhã, às 19h
Onde: Jardins do Palácio Potengi (Cidade Alta, vizinho à Assembléia Legislativa)
Quanto: R$ 60

* Matéria publicada, em parte, nesta quinta-feira no Diário de Natal

Tuitando com Serguei

sergueirock Fizeram um filme sobre o Lula. Se quiserem fazer um sobre mim, quero que a Amy Winehouse interprete a Janis.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Transar agora é lei

Nova sessão inaugurada neste blog: Dos Tempos que Tinha Tempo. Pois é, ainda sem tempo para minhas, até então, rotineiras crônicas semanais, publicarei aqui, vez ou outra, meus velhos escritos:

Transar agora é lei

Pois é. Parece brincadeira, mas o que nos tempos das anáguas chamavam de “fazer amor”, agora é lei; obrigação prevista no Código Civil Brasileiro. Saiu até em matéria publicada na Folha de São Paulo. A advogada Regina Beatriz Tavares, 44 anos, afirmou que o cônjuge ou o companheiro que se recusar a ter relações sexuais pode ser condenado judicialmente e indenizar o outro. Para a dita advogada – que provável e literalmente deva ter ficado na mão – transar é uma obrigação matrimonial.

A comparação talvez seja impertinente. Normalmente é. Mas minha profissão é a que escolhi por livre espontaneidade. Gosto, trabalho com prazer. É quase orgásmico, às vezes. Claro, se dependesse de mim, faltaria alguns expedientes. O pior é o acordar cedo. Todo dia às 6 da matina. Bom, minha mulher também escolhi sem pressão alguma, e… é por aí. Já imaginou acordar mais cedo pra… “transar”. Sim, porque toda obrigação, por mais prazerosa, torna-se sacrilégio mais das vezes. Quando estagiário é preciso mostrar serviço, mas com alguns anos de profissão a conversa é outra.

Diante da referida lei 15.209, imagino o fim daquele ato sublime durante as madrugadas. Os toques iniciais, sem compromisso; o prazer mútuo, sem preocupação com as horas; os sentimentos à flor da pele; os corpos unidos pelo simples impulso do amor… Mas agora é lei! Se a tal obrigação for executada durante o período matinal, o “companheiro” (o que é isso?) de certo guardará energias para cumprir o dever de marido no dia seguinte. E se a dileta esposa encostar suave em seus cabelos durante a madrugada… “Só amanhã, agora!”.

Sem propósito direto, a lei que substitui o xaveco nas madrugadas ou a rapidinha no elevador da repartição pode também inibir a traição. Claro, qual o marido cinquentão vai arriscar uma escapada estratégica e sem obrigação, para depois encarar mais um dever de casa? Aos jovens atletas sexuais, vale ressaltar: a lei não prevê
“umazinha” por dia. A obrigação é quando a esposa requerer os serviços. Se chegar de cabelo molhado e com um indisfarçável sorriso de Monalisa no rosto, o bolso pode ficar mais pesado. É indenização na certa. E mais vale um dinheiro mal pago que recorrer de uma sentença tão humilhante.

Mas, olhemos por outro lado. A legislação brasileira, das mais avançadas do mundo, pode conseguir pôr fim às dores-de-cabeça repentinas da esposa. Ora, a lei também vale para os homens. Portanto, o anador posto na mesinha de cabeceira da cama agora é o Código Civil Brasileiro, com a fadada lei grafada em cores berrantes. Não é só a mulher que pode ligar para um disque-denúncia contra maridos enfadados ou cobrar orgasmos atrasados na Justiça. Na quarta democracia do mundo, a lei vale para todos. Ou pelos menos para os casados, na dor e na doença; na alegria e na tristeza. Amém.

Tuitando com Carlos Fialho

cfialho O que mais me impressionou na declaração do pres da FUNCARTE é que ele está andando. Eu pensava que o órgão estava parado.

Sumiu R$ 200 mil da Câmara Municipal (?)

O ex-vereador petista Fernando Lucena acabou de afirmar em entrevista ao jornalista Diógenes Dantas, na TV Nominuto, que o presidente da Câmara Municipal de Natal, Dickson Nasser comprou um jardim para a Casa ao valor de R$ 200 mil e ninguém vê jardim na Câmara.

Essas palavras foram ditas em meio a outro assunto questionado por Diógenes e passou em branco pelo jornalista. Mas a denúncia é seríssima. Por muito menos muitos parlamentares foram execrados pela mídia. Acho que o Ministério Público e a imprensa podiam investigar melhor essa denúncia que, claro, pode não passar de engano.

Novo filme de Almodóvar


O longa Abraços Partidos, mais recente produção do cineasta Pedro Almodóvar, entra em cartaz nos cinemas brasileiros no próximo dia 4.

Protagonizado por Penélope Cruz - lógico - o filme traz a atriz como uma mulher - lógico - pela qual dois homens estão loucamente apaixonados: seu marido magnata e um diretor de cinema paralisado por uma cegueira acidental.

Este é o 17º longa do diretor e o primeiro protagonizado por Penélope após vencer o Oscar. Antes de entrar em circuito comercial no Brasil, Abraços Partidos foi exibido na programação da 33ª Mostra Internacional de Cinema de SP.

Penso, logo desisto

O artista plástico Fábio di Ojuara disse muito antes que "toda merda agora é arte". É a cultura fedorenta das mentes e palavras da contemporaneidade.

Diploma de jornalista x Exame de Ordem do advogado

Abaixo, a opinião-protesto do professor e jornalista Francisco Duarte, corroborada pelo blogueiro, e, mais abaixo, o texto de autoria de Werbert Benigno de Oliveira Moura a respeito do tema:

Abaixo o exame de ordem!
Abaixo a exigência do diploma para ser advogado!
Afinal, os iluminados bacharéis em direito do STF já decidiram que para ser jornalista não é preciso formação, e já prenunciaram que para outras profissões também será desnecessário, então por que o mesmo princípio não pode se aplicar à advocacia, ao direito??...
Eu, por exemplo, me acho mais preparado que muitos advogados que, como o autor do texto abaixo, comete erros crassos e agride à gramática sme dó nem piedade!!
Assim, repitamos: abaixo o exame da ordem!! Abaixo a exigência do diploma para ser advogado!!
Eu posso me defender e defender aos outros sem cobrar nada por isso!! Quero esse direito que me é inerente!! Quero esse direito que é inerente à pessoa humana!! Quero o meu direito de eu mesmo me defender, mesmo correndo o risco de me prejudicar!! Se eu me prejudicar, o problema é meu, mas eu quero o meu direito!! Eu quero o meu direito!!

Por Werbert Benigno de Oliveira Moura*

Dia 25 de Outubro de 2009. Data que vai ficar marcada para sempre em minha mente e na mente de muitos colegas bacharéis que, como eu, se submeteram ao Exame da Ordem 2009.2 e optaram por Direito do Trabalho.

Naquele dia ao abrir o caderno da prova, me deparei com aquele nome... “José”. Ao ler a questão, tentei seguir as orientações que os cursinhos pelos quais estudei me ensinaram: “primeiro identifique a peça, depois vá direto para as questões”, disse um professor de um desses cursinhos.

Tentei fazer o que eles me orientaram, mas um magnetismo me atraía para aquela questão... duas horas se passaram e nada, não conseguia decidir se José tinha ou não estabilidade, se já tinha ou não gozado suas férias, se aquele auxílio doença era ou não acidentário ou ainda se provinha de doença decorrente do trabalho.

Uma coisa tinha certeza naquele momento, para qualquer lado que seguisse teria que necessariamente, inventar dados, presumir algo que a questão não identificava e que não trazia com clareza. Não hesitei, vou fazer o melhor para o meu cliente. Optei por inquérito judicial cumulado com consignação em pagamento. Não tinha dúvida, tinha acertado a peça, não poderia ser diferente, José era estável e não poderia ser dispensado de qualquer forma. Afinal, a empresa estava preocupada justamente com a sua rescisão, com baixa na CTPS e conseqüentemente com a mora.

Terminei a prova aos 45 minutos do segundo tempo. Quando saí de sala, comecei a observar alguns colegas afirmando e argumentando: “Era um Inquérito Judicial dizia uma menina que saiu da sala vizinha; outro disse não! Na verdade era uma RT, tava na cara. Aí chegou a terceira e disse que tinha feito ACP... vocês não viram a palavra mora... argumentava”.

Depois daquela cena não raciocinei mais, ninguém sabia dizer ao certo qual a peça mais adequada para aquele problema. Sinceramente, queria descobrir o porquê que eu não poderia acertar um simples problema de uma prova de exame de ordem, prova esta que passei noites estudando para conseguir enfim, exercer a profissão tão sonhada desde os meus 11 anos. Ser advogado.

Passei a noite arrasado. Não consegui comer, assistir televisão, enfim só pensava em “José”. Aí veio a parte mais frustrante; familiares que acreditavam em mim e na minha capacidade, ligaram fazendo perguntas que até hoje não saíram de meus ouvidos: “como foi à prova... já podemos chamá-lo de advogado?”.

Os dias foram passando, a angustia foi aumentando, a casa da justiça não divulgava uma nota sequer sobre o meu problema. Achava que estava só. Buscava auxílio nos blogs especializados sobre o assunto. Não queria acreditar, que a resposta correta, era ACP. Mais aí apareceu uma luz no fim do túnel. Jovens irresignados com a questão começaram a se movimentar, se uniram em prol de uma causa. A esperança naquele momento começou a ressurgir. Assinei o manifesto, meu número foi o 292.

Neste espaço reencontrei não só “José”, mais Alexandre, Vanessinha, Rafaela, Fausto, Aline, J. Tanios, Carol, Thiago... Hoje somos mais de dois mil lutando por uma causa maior, cada um com sua parcela de contribuição: uma conversa com um amigo influente, um pedido de ajuda, um contato com os meios de comunicação. Como lema adotou-se o “vamo q vamo”, assim mesmo, porque nossos encontros são virtuais e além do que estamos treinando para recursos administrativos que não podem ultrapassar os “mil caracteres”.

Já nos taxaram de tudo neste um mês de luta. Burros, egoístas, de pessoas sem qualificação, de bachareizinhos....

De tudo o que ouvi e li o que mais me marcou foi o que um conselheiro da OAB/DF, entrevistado por um advogado especialista em exame de ordem, disse: “OAB não vai anular prova alguma, em que pese algumas solicitações de alguns presidentes de seccionais. A Ordem viu o movimento contra a prova trabalhista como um desafio à legitimidade do Exame e jamais permitirá que sua autoridade seja questionada.”

Data vênia, senhor conselheiro, nós, membros do movimento, em nenhum momento estamos questionando a legitimidade do Exame de Ordem. Estamos sim, lutando para que uma questão mal formulada, seja anulada. Tudo em nome da mais lídima justiça. Simples assim.

Ao ler as palavras daquele conselheiro me lembrei dos anos negros da ditadura, mais precisamente 1968, quando o deputado federal Márcio Moreira Alves, proferiu um discurso, pedindo ao povo brasileiro que se manifestasse, boicotando as festividades do dia 07 de setembro. Naquela época o governo solicitou ao congresso que licenciasse aquele deputado, para que o mesmo fosse processado. Como isto não ocorreu, o governo militar baixou o AI 5, fechando o congresso, tudo isto para não ter a sua “legitimidade e autoridade questionada”.

Uma coisa é certa, não devemos ter este pensamento, pois ele encontra-se em um liame muito próximo do autoritarismo e a história provou quem estava certo. Com certeza não era o governo.

Por fim, estamos aqui na batalha, vencendo nossos próprios medos, lutando por justiça e, crendo que no dia 04 de dezembro de 2009, nove dias antes do AI 5 completar 41 anos, um conselho formado por homens e mulheres da justiça, entenda de uma vez por todas que, o que o movimento pleiteia, é simples, a anulação da questão prático profissional, por entender que “para uma pergunta errada, não existe resposta certa”.

* Bacharel em Direito – Prós graduando em Direito Administrativo e Gestão Pública, atualmente é Presidente da Comissão de Gerenciamento e Execução de Contratos da Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Norte

Defenestração funcarteana

"(Michelle Ferret) Está coberta de razão. Tirem esse camarada o mais cedo possível da cadeira onde ele está fazendo as suas coisas (vôte!). Manifestem-se – aqui mesmo -, façam abaixo-assinado, “trabalho de macumba”, consigam um kit semanal de produtos Avon de graça para Micarla em troca da imediata defenestração desse Rodrigues que está envergonhado Natal. AVANTE, turma!"

Do poeta Fernando Monteiro, no Substantivo Plural de Tácito Costa, engrossando o coro do manifesto a favor da saída de Rodrigues Neto da presidência da Funcarte.

A independência cultural do Mercado


O título acima foge totalmente de assuntos relacionados à bolsa de valores ou sistemas de mercado financeiro. Trata mesmo é da cultura. E quase que independente. Produzida por idealistas, permissionários da crença de que há vida cultural longe dos shoppings. A partir das 14h de hoje, o projeto Quarta Cultural – no Mercado de Petrópolis – mostra pela oitava vez a possibilidade de realização e organização da sociedade civil e da classe artística. E promove mais um evento repleto de atividades culturais femininas. É que o projeto fará homenagem à mulher a partir de uma das nossas divas: a cantora Glorinha Oliveira.

Haverá ainda a performance poética de versos vociferados, por Mariana Flor e seu Esboço Mulher; shows musicais de Luciane Antunes e Lene Macedo; relançamento do livro Escrituras Sangradas, da escritora e poetisa Civone Medeiros; exposição fotográfica de Fábio Pinheiro; instalação poética pelo Coletivo AME, mais a feiras de sebos, artesanato e antiquários tradicionais do Mercado de Petrópolis. Os shows musicais começam a partir das 18h30 e prosseguem até às 22h. As exposições e feiras têm início às 14h. Afora as demais atrações comerciais do mercado, abertas desde a manhã.

Nesta oitava edição, o Quarta Cultural recebeu apoio da prefeitura de Natal. Apesar do nome do projeto, a Fundação responsável pela gerência cultural da cidade sequer levantou a voz. A iniciativa partiu da Secretaria Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico (Seturde). Ainda assim, tímida. Apenas o auxílio nos custos de impressão gráfica e divulgação no metier turístico de Natal. “É um apoio inicial que abre boas perspectivas para o futuro. E o interesse partiu deles, do departamento de eventos da secretaria. Isso serve para medir a diferença de mentalidade da Seturde e da Funcarte”, reclamou Nelson Marques, do Cineclube Natal – um dos permissionários do Mercado.

Falta de apoio
Sem maiores patrocínios financeiros, o Quarta Cultural – que acontece a cada última quarta-feira do mês – sobrevive praticamente do voluntarismo dos artistas e do idealismo dos organizadores. O preço dos cachês é simbólico. Cada artista recebe R$ 50, pagos por dois permissionários. “O valor não é correspondente ao talento dos artistas que se apresentam. Claro, há a divulgação dos artistas na mídia. Mas é pouco. Queremos profissionalizar o evento. Mas sem patrocínio é impossível”, lamenta Nelson Marques.

O cineclubista acha improvável o patrocínio municipal via Funcarte. Segundo ele, outro projeto já foi aprovado na instituição e a verba continua travada. “Aprovamos a ideia de nomear as sete ruas do Mercado com patronos ligados às sete artes nobres da cultura da cidade. Faríamos uma semana de atividades relacionadas à literatura, outra ao cinema, outra às artes plásticas... A Prefeitura patrocinaria apenas os banners, as placas das ruas e a divulgação: um custo estimado em R$ 3 mil. Até agora, nada”. E conclui: “É deprimente a situação por que passa a Capitania”.

Esboço Mulher
Poeta de essência, encantada por palavras, sonoridades e sentidos, Mariana Flor leva ao Mercado de Petrópolis toda sua sensibilidade, recitando poemas de diversos períodos de seu exercício poético, alguns com mais de dez anos, outros recém-chegados, numa seleção panorâmica de sua obra, apresentada hoje a partir das 18h30 no Quarta Cultural.

Sem nenhuma publicação física do seu trabalho, Mariana aposta na reverberação de seus versos pela voz, como sendo o meio ideal para fazer seu imaginário chegar ao público. Para tanto, desenvolve performances que se moldam de acordo com as experiências, e para selar suas intenções, muitas vezes utiliza objetos que ela mesma cria para presentear quem a prestigia.

Não faltará o olho-no-olho, a poesia e os mimos (artefatos que cria) de sua semiótica transcendente, lúdica, profunda e única. Com poemas que traduzem seu universo interior e suas percepções do mundo, Mariana Flor mostra todo o seu amor e fascínio pela existência e pelos versos.

Quarta Cultural do Mercado de Petrópolis
- Onde: Mercado de Petrópolis (próximo à Praça das Flores)
- Data: Hoje
- Programação:
Às 14h: feira de artesanato e antiguidades;
Às 18h30: shows musicais e apresentações culturais

* Matéria publicada hoje no Diário de Natal

Da animação à realidade

O que acontece quando os personagens clássicos das animações de Walt Disney se transportam, à realidade cinza do cotidiano de uma grande cidade como Nova Iorque? O cenário já foi contado no filme Encantada (2007) – um delicioso e moderno conto de fadas voltado ao público infantil. Mas nada como um espetáculo de dança clássica, adaptado a partir da linguagem cinematográfica para embelezar o palco do Teatro Alberto Maranhão com apresentação livre, aberta a crianças e adultos.

Encantada é o nome do 13º espetáculo apresentado pelo Studio Corpo de Baile no mês de novembro como encerramento de suas atividades anuais. Será mais uma vez no TAM, em sessões de quinta a domingo. Na quinta e sexta-feira, sessão única às 19h30. No sábado e domingo, sessões duplas, também às 16h30. Serão mais de 350 bailarinos no palco. Todos eles das companhias da Escola: a Domínio Cia de Dança, o Grupo Clássico, a Trupe de Sapateado, mais as alunas da Escola e mães convidadas.

O enredo conta a estória de Gisele, uma bela princesa banida do mundo mágico e musical por uma rainha malvada até a Nova Yorque dos dias atuais. Logo ela recebe ajuda de Robert, um advogado divorciado por quem se apaixona. Só que Gisele está prometida em casamento para o príncipe Edwart, que decide também deixar o mundo mágico para reencontrar sua amada.

A direção geral do espetáculo é de Anna Thereza Miranda, com roteiro e adaptação de Rubens Barbosa e Charles Sales. Este ano, a apresentação conta com a colaboração do professor e coreógrafo Roosevelt Pimenta, com trabalho concebido especialmente para a abertura. Segundo o roteirista Rubens Barbosa, o espetáculo é moderno e essencialmente musical, com músicas atuais (de Madonna a Frank Sinatra). “É o resultado de um trabalho grandioso, pensado durante meses”, conclui a diretora Anna Thereza.

* Matéria publicada hoje no Diário de Natal

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Homem de Ferro 2


Por Arianne Brogini
No Uol Cinema

E finalmente apareceu mais uma imagem de Homem de Ferro 2. E que imagem! A revista inglesa Empire coloca o Gladiador Dourado na capa de sua próxima edição e promete serviço completo sobre o longa que estreia em 2010.

A história será mais um passo que levará vários personagens do universo Marvel a se unirem no futuro. Quando isso acontecer, Homem de Ferro, Capitão América (com filme em 2011) e Thor (2011 também) vão formar o supertime Os Vingadores. Este longa tem previsão de estreia para 2012 nos EUA.

Homem de Ferro 2 tem novamente Jon Favreau na direção. Robert Downey Jr. retorna como Homem de Ferro/Tony Stark, Mikey Rourke será o vilão Chicoto Negro e Gwyneth Paltrow é de novo Peper Potts. O longa tem data de estreia de 30 de abril de 2010 no Brasil.

Comentário: Tinha ouvido comentários de que Homem de Ferro 2 viria em formato 3D. Deve ter sido engano. Se alguém souber algo relacionado, favor informar.

Roque Santeiro será filmado em 2010

Por Alessandro Giannini
editor de Uol Cinema

Com Lázaro Ramos, Fernanda Torres e Antônio Fagundes encabeçando o elenco, "Roque Santeiro" será rodado entre junho e julho de 2010. E deverá ter a participação especial de Lima Duarte, Aílton Graça e Chico Anysio.

Regina Duarte (viúva Porcina) e Lima Duarte (sinhozinho Malta), em cena da novela "Roque Santeiro"

As informações foram dadas pelo produtor executivo do filme, o alemão Hank Levine, em entrevista exclusiva ao UOL. "Pode ser um pouco antes ou um pouco depois", disse Levine. "Tudo vai depender."

Na verdade, está tudo condicionado à captação de verba para fechar o orçamento, que gira em torno dos R$ 7,5 milhões. Até o momento, foram captados R$ 4,5 milhões, incluindo prêmios de concursos públicos.

Levine disse estar surpreso com a dificuldade de captar dinheiro para um projeto como esse. "Foi um sucesso nacional e as empresas não se interessam, mesmo sabendo que não vão colocar a mão no bolso", disse ele. "De qualquer forma, esse período de fechamento fiscal é quando ficaremos sabendo o que vai acontecer."

Um dos maiores sucessos da televisão brasileira, "Roque Santeiro", de Dias Gomes, nasceu como peça de teatro, "O Berço do Herói", transformou-se em novela na Rede Globo, foi proibida pela censura em 1975 e retomada pela emissora em meados anos 80. Com Lima Duarte, Regina Duarte e José Wilker, foi campeã absoluta de audiência durante o período em que foi exibida.

Na nova versão, Ramos será Roque Santeiro; Fernanda a viúva Porcina e Fagundes o sinhozinho Malta. Lima Duarte, que viveu o fazendeiro rico e corno na primeira versão da novela, fará uma participação como delegado. Aílton Graça será o Beato Salu e, se o personagem for confirmado, Chico Anysio será o cego Jeremias.

"Roque Santeiro" terá direção de Daniel Filho ("Se Eu Fosse Você 2") e roteiro de Aguinaldo Silva ("Prova de Fogo"). E será rodado todo em locações em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Nordeste - onde a história é ambientada.

Do adeus silencioso

Quis segurar o crepúsculo de hoje. Ainda temo a noite, a volta pra casa. A solidão costumeira e solidária hoje é tormenta. Tento esquecer a data tão festejada em anos anteriores: Aniversários comemorados de maneira simples, como foi meu pai. Em 13 de janeiro completa um ano sem ele. Mais triste é a lembrança sem adeus, sem uma palavra sequer. O câncer maldito entregou ao meu pai seu destino mais indesejado. Morreu sem voz, sem lágrimas, sem me ouvir, sem me ver. Talvez um minuto de pressa e veria seu último suspiro. A dor daquela ausência me persegue; é companhia rotineira. Hoje seriam 62 anos vividos. De uma vida que poderia ainda ter sido, restaram mais algumas horas deste dia silencioso, alguns minutos de lágrimas e minha eterna saudade.

Cine Mais Cultura - inscrições abertas

Reclamar é fácil. As inscrições para o Cine Mais Cultura RN estão abertas desde muito tempo e a procura tem sido praticamente nula. O prazo acaba em 1º de dezembro.

Podem participar Associações, Pontos de Cultura, Bibliotecas Comunitárias e Sindicatos.

O Cine Mais Cultura é uma ação do Programa Mais Cultura para promover o acesso da população a obras audiovisuais e apoiar a difusão da produção audiovisual brasileira por meio da exibição não comercial de filmes.

A prioridade é atender localidades rurais e urbanas que não possuem cinema, localizadas nos Territórios da Cidadania e nas periferias dos grandes centros urbanos.

No Rio Grande do Norte, serão selecionados 20 Cines Mais Cultura, com investimento de R$ 300 mil - 66% recursos federais e 33% contrapartida do estado.

Podem participar do edital entidades privadas sem fins lucrativos que desenvolvam ou queiram desenvolver ações de exibição de obras audiovisuais e contribuir para a formação de platéias e o fomento do pensamento crítico, tendo como principal base obras audiovisuais brasileiras.

Os projetos devem ser enviados para o Núcleo de Produção Digital - NPD Natal, Rua Jundiaí, 641, Tirol, Natal (RN), CEP 59020-120.

As iniciativas selecionadas receberão kit com telão (4m x 3m), aparelho DVD player, projetor digital, mesa de som de quatro canais, 4 caixas de som, amplificador, 2 microfones sem fio, 104 DVDs de obras brasileiras do catálogo da Programadora Brasil (filmes de ficção, documentário e animação em curta, média e longa metragens, de todas as épocas, para todos os públicos) à escolha de cada Cine.

Também estão abertas até 4 de dezembro, as inscrições do Edital Cine Mais Cultura Municípios 2009 para Prefeituras com até 20 mil habitantes. Serão contempladas até 150 iniciativas pelo Brasil.

Outras informações www.cinemaiscultura.org.br/ ou com a coordenadora do NPD Natal Mary Land Brito.

Entrevista - Mauro Mendonça


O ator Mauro Mendonça parece o oposto de seu maior personagem: o metódico e pacato Theodoro, o corno do clássico Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976). Desceu do quarto onde está hospedado em hotel cinco estrelas na Via Costeira de Natal em estilo bonachão: bermuda amarela florida, camisa de manga comprida listrada em tons escuros, sandália de rabicho e querendo tomar café da manhã após o horário.
Mauro Mendonça está em Natal a convite do 19º Festival de Cinema de Natal (FestNatal). Será homenageado com o Prêmio Tributo, pelo conjunto da obra. São mais de 50 anos dedicados à profissão. Muito mais uma carreira voltada ao teatro e à televisão do que propriamente ao cinema. Aliás, a sétima arte parece seara pouco conhecida ao ator, partícipe de filmes como Rio, 40 Graus (1955) e Amor, Estranho Amor (o filme censurado da Xuxa, de 1982).
Enquanto degustava, de frente para o mar natalense, o exigido mamão com mel, o ator – personagem de mais de 50 trabalhos em novela – conversou com a reportagem na manhã de ontem.

Mais de 50 anos de carreira. Gostaria de ser lembrado como ator de TV, cinema ou teatro?
Apenas como ator. Em cada filme, peça ou novela vai estar a presença do ator. E espero que você escreva “ator” com letra maiúscula.

Theodoro foi seu grande personagem? Conte segredos de bastidores daquelas filmagens...
Foi, sim. Bom, lembro que (José) Wilker – o protagonista Vadinho – tomou todas num boteco de Salvador. Lá pras tantas, quando estava bêbado, saiu correndo atrás de subir numa lancha. Eu e o produtor, preocupados, corremos atrás dele. Resultado: ele não sofreu nada, mas eu fiquei com os pés cheios de ouriço. Foi preciso um pescador da região tirar com um alfinete esquentado no fogo. Outra foi um produtor novo que chegou lá querendo mudar tudo: o poste, o cenário... Mas você sabe: baiano é devagar. Demoraram tanto que ele foi embora deprimido. Depois até mudaram, mas atrasou tanto que o filme foi concluído no Rio de Janeiro.

Gostaria de ter feito mais cinema?
Fiz pontas no cinema. O primeiro papel de verdade foi em Rio, 40 Graus. Meu sonho sempre foi fazer cinema, mas era uma coisa descontinuada. E sempre fui pragmático quanto a isso. Acho muito pouco romântico passar fome em nome de um ideal. Então, fiz teste para o teatro, depois para tele-teatro e segui esse caminho. Também tive a oportunidade de atuar no cinema em Seara Vermelha, que gostei muito.

Seara Vermelho foi exibido durante o auge do Cinema Novo. Aquele foi o melhor período do cinema brasileiro?
Naquela época era cinema na mão, ideia na cabeça e muita bosta na tela. Os mais talentosos estavam no Cinema Novo, mas tinha muita porcaria, também. A retomada do cinema brasileiro, nos últimos anos, veio com muita gente boa. Hoje se faz cinema sério. O que eu assisti ontem – Tapete Vermelho – foi de impressionar. A Eva Vilma também elogiou o Elvis e Madona...

Quais seus destaques do cinema após a “retomada”?
(pensa). Que me vem à cabeça tem o Cidade de Deus.

E entre os diretores desta nova leva, quais o senhor admira?
Agora, você me pegou. Não sei...

Walter Salles?
Tem o Walter Salles, que fez um filme com a Fernanda, né? Como se chama mesmo?

Qual a contribuição o senhor acha que festivais como esses deixam à cidade?
Prestígio e incentivo ao cinema e ao artista. Natal fica ligada à cultura com festival importante como esse. Deve permanecer.

Já tinha ouvido falar do FestNatal?
Já, sim. Inclusive era doido pra ser convidado.

Quais suas metas profissionais?
Sou imediatista. No momento quero férias. Fiz duas novelas praticamente emendadas. Chega uma hora que a cabeça pede descanso, sem decoreba de textos; quer um marzinho, uma piscininha... Tenho um iatezinho em Angra dos Reis, pescar...

Então o convite veio em boa hora?
Nossa, foi um presente Fico muito grato.

* Matéria publicada nesta terça-feira no Diário de Natal, com uma correção: Escrevi Dona "Beija" e Seus Dois Maridos. Desculpem pelo erro. Passou em branco pelo repórter e pelo editor.

De Rodrigues Neto na Tribuna

Sem querer opinar e já opinando: achei muito boa a matéria do colega Isaac Lira na Tribuna do Norte - uma geral da administração da Funcarte este ano, com vários aspectos abordados e sem muito oba-oba. Até acrescento uma observação que me foi dita na última conversa com Rodrigues Neto na quinta-feira: "Tento entrar em contato com César e não consigo. Parece que está fazendo questão de dificultar as coisas". Mas quero corrigir ou destrinchar melhor a situação da revista Ginga, descrita na matéria a partir da voz do novo presidente. Talvez pela dificuldade em falar com o antigo presida, as informações dadas por Rodrigues tenham sido equivocadas.

Ao contrário do que falou, o nome da revista foi divulgado, sim. Não pela Funcarte, mas com autorização da Funcarte. Perguntei a César Revorêdo se eu podia colocar a novidade da escolha do nome em minha coluna no DN. A partir daí, a notícia foi replicada em blogues. Portanto, não foi "boato", como Rodrigues citou. A outra questão: "A revista estava pronta, mas não tínhamos verba para imprimir e distribuir". Bom, me foi pedido um currículo de cinco linhas, como também do editor-assistente, para anexar na documentação para liberação da verba. O empenho da grana já havia sido feito. Assim me foi informado.

No mais, é triste acompanhar neste fim de campeonato de 2009 a mídia estampar em suas manchetes notícias tão desanimadoras. Não é intriga, não é pessoal. Se ouve a fonte primordial do problema e nada de bom é relatado. Que em 2010 tenhamos um papai noel mais alegre. Por hora, como disse Mário Ivo no microblogue, só dá para acreditar nos duendes dos nosso canteiros, abençoados por anjos vermelhos e sob o sol maconheiro.

Tuitando com Mário Ivo

mario_ivo personagem novo na decoração do natal em gramado, ou gramado em natal: um anão de jardim - p combinar com a frase eu acredito em duendes

Roubaram o som do Festnatal

Entre filmes criticados e elogiados, salas lotadas e jantares pomposos em restaurantes vips de Natal para artistas idem, o Festival de Cinema de Natal pode colocar no currículo o roubo do equipamento de som do evento na noite de ontem. Dois homens fardados chegaram na cara dura para a organização. Informaram serem técnicos, entraram e carregaram. Simples, assim. Como a verba este ano foi gorda: R$ 240 mil (informação exclusiva deste repórter que foi copiado em jornal duplo da cidade), logo o som será reposto.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Penso, logo desisto

Quando se caga e anda para a democracia, se perfuma o autoritarismo, evidencia o capitalismo e provoca o anarquismo.

Tuitando com Viktor Vidal

viktorvidal Máscara. O importante, no twitter, é mostrar a todos que está falando com "fulanão", lendo aquele livro ou que viu aquela peça de teatro.

Fátima Bezerra será tema de enredo carnavalesco

O título acima foi apenas cogitado. Segundo o produtor Marcelo Veni, pelo twitter, a agremiação carnavalesca Imperatriz Alecrinense desejou tematizar o enredo da escola em 2010 com a história da deputada Fátima Bezerra. Orientada por advogados, a parlamentar petista pediu para prorrogar para 2011 devido à eleição. Sou Lulista (não, petista!), mas bem que nosso presida podia ter feito o mesmo. Forçou a barra. E com um filme meia boca, pelo que ouvi falar.

Contra o monopólio da mídia

Por Patrícia Benvenuti

Incentivar o debate sobre o direito à comunicação no país, partindo da denúncia sobre a concentração da mídia. Esse é o objetivo do vídeo "Levante Sua Voz", realizado pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung.

De forma didática, o vídeo desmistifica o conceito de liberdade de expressão no Brasil, revelando que apenas 11 famílias controlam praticamente todas as concessões públicas para emissoras de rádio e televisão. Ao mesmo tempo, revela-se a perseguição às tentativas de furar esse bloqueio midiático, como é o caso das rádios comunitárias que, nos últimos anos, foram fechadas em número recorde.

Para o militante do Intervozes e responsável pelo roteiro, direção e edição de Levante Sua Voz, Pedro Ekman, "o vídeo é uma tentativa de levar um tema com toda a sua profundidade e importância por meio de uma linguagem mais acessível a um público não acostumado aos textos geralmente complexos".

Em entrevista ao Brasil de Fato, Ekman comenta a produção do vídeo, os desafios para construir uma comunicação mais democrática e as expectativas para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que acontecerá entre os dias 14 e 17 de dezembro, em Brasília.

Como surgiu a iniciativa de realizar esse vídeo?
Pedro Ekman: O Intervozes, estudando novas formas de se travar o debate sobre o direito à comunicação, entendeu que uma produção áudio visual cumpriria o papel de ampliar esse tema para um público menos especializado do que o que é atingido pelos textos, livros e estudos disponibilizados pela entidade. O vídeo é uma tentativa de levar um tema com toda a sua profundidade e importância por meio de uma linguagem mais acessível a um público não acostumado aos textos geralmente complexos.

Como se deu a produção?
Inicialmente é importante lembrar que tivemos o suporte de muitos parceiros do movimento social que ajudaram com infraestrutura técnica sem os quais essa produção seria impossível. Como contávamos com pouco dinheiro, tínhamos que pensar um roteiro capaz de descrever a dramática situação da comunicação no Brasil em sua complexidade sem que fosse preciso uma produção dispendiosa. Optamos por um formato inspirado no curta "Ilha das Flores", de Jorge Furtado. Esse formato conta de uma forma bem humorada a dura situação da desigualdade social brasileira. A estrutura se resume a uma narrativa em off e uma sucessão de imagens que se repetem. A locução em off facilita tecnicamente as gravações nas locações e acaba barateando o processo; por out ro lado, a televisão brasileira nos fornece um rico material dos contraexemplos de uma comunicação razoável. Assim, entendemos que o formato do "Ilha das Flores" resolvia a equação "baixo orçamento x conteúdo extenso".

Como está sendo a divulgação e a recepção desse material?
O vídeo foi lançado na internet pelo portal do Observatório do Direito à Comunicação e pode ser visto no YouTube também. Em breve o Intervozes disponibilizará o arquivo para ser baixado em sua página institucional. Importante lembrar que os direitos sobre a obra estão em Criative Commons, possibilitando sua livre reprodução, manipulação e distribuição em atividades não comerciais. Estamos tentando viabilizar cópias em DVD para distribuir para os movimentos sociais parceiros na luta pela democratização do comunicação. A recepção do vídeo tem sido muito boa, em menos de uma semana mais de 1000 internautas assistiram ao vídeo e os comentários registrados no site do Observatório têm sido muito positivos.

Na sua avaliação, quais os desafios para conscientizar a população sobre a existência desses oligopólios de mídia?
O maior desafio talvez seja justamente encontrar meios para furar a muralha de informação que o próprio oligopólio levantou ao seu redor para impedir qualquer crítica ao seu funcionamento. Para isso, acredito que temos que multiplicar os instrumentos de fala contra-hegemônica e encontrar linguagens que dialoguem com o maior número de pessoas possível. Não vamos conseguir vencer um oligopólio que tem inúmeros veículos e que trabalha numa linguagem popular com poucos veículos que insistam em uma linguagem hermética. A multiplicação de meios de comunicação contra hegemônicos não é uma coisa simples por todos os motivos que o vídeo descreve, mas a opção por uma linguagem menos hermética é algo que podemos fazer e é algo que ainda encontra muita resistê ncia, mesmo na esquerda brasileira. Eduardo Galeano escreve sobre isso de forma memorável. Ele diz: "A linguagem hermética nem sempre é o preço inevitável da profundidade". Em alguns casos pode estar simplesmente escondendo uma incapacidade de comunicação, elevando-a à categoria de virtude intelectual. Suspeito que o fastio serve, dessa forma, para bendizer a ordem estabelecida: confirma que o conhecimento é um privilégio das elites. Algo parecido costuma ocorrer, diga-se de passagem, com certa literatura militante dirigida a um público conivente. Parece-me conformista, apesar de toda a sua possível retórica revolucionária, uma linguagem que repete mecanicamente, para os mesmos ouvidos, as mesmas frases pré-fabricadas, os mesmos adjetivos, as mesmas fórmulas declamatórias. Talvez essa literatura de paróquia esteja tão longe da revolução como a pornografia está longe do erotismo."

O vídeo fala muito sobre os meios tradicionais de comunicação e sua influência sobre o imaginário coletivo. Você acredita que as novas ferramentas de comunicação, possibilitadas sobretudo pela internet, podem reverter um pouco desse quadro?
Optamos por nos ater aos veículos que ainda atingem as massas de forma mais concreta, como o rádio e a TV, pois eles, junto com os meios impressos, são o retrato da história de concentração da comunicação no Brasil. Mas sem dúvida a internet em um cenário de convergência tecnológica vai mexer com toda a estrutura do quadro. Principalmente no que diz respeito à oferta de canais para a veiculação de conteúdo, que são extremamente concentrados no rádio e na TV e na internet tendem ao infinito. Contudo, hoje o acesso à banda larga é muito restrito no Brasil. Sem a universalização do acesso de forma gratuita, a internet nunca se tornará a TV.


Qual sua expectativa para a Conferência Nacional de Comunicação? De que forma ela pode ajudar a construir uma comunicação mais democrática?
A Conferência possibilita, pela primeira vez, um debate público que nunca foi feito no Brasil. A comunicação é um tema historicamente inexistente para a sociedade brasileira, sendo percebida como algo natural e imutável. Mesmo os movimentos sociais mais combativos não têm a comunicação como uma de suas pautas centrais e a Conferência joga luz sobre esse assunto. Por outro lado é uma pena que o processo esteja tão prejudicado pelas imposições feitas pelo oligopólio e incorporadas sem qualquer resistência pelo governo. A super representação do setor empresarial e a necessidade de quorum qualificado para a aprovação de qualquer proposta distorcem o sentido de uma conferência, que existe justamente para permitir que a sociedade civil tenha alguma voz, já qu e durante todo o ano ela permanece alijada da arena onde se travam os debates sobre a comunicação, da qual participam Poder Público e os proprietários dos grandes veículos. Além disso, a proibição de eleição de delegados e de votação de propostas nas etapas municipais as esvazia, remetendo toda a disputa para a etapa nacional, o que contraria importante princípio de uma conferência, que é justamente ampliar o debate na sociedade. Um reflexo disso pode ser visto na Conferência Municipal na cidade de São Paulo que aconteceu neste final de semana. Apesar do importante debate realizado, empresários e poder público estiveram ausentes e a conversa circulou apenas entre a sociedade civil sem que o confronto necessário das idéias e dos interesses se desse na prática. Em todo caso, se o processo entorno da Confecom servir para esquentar a pauta e mobilizar o povo em torno desse tema, ela já terá cumprido um grande papel.

Publicado no Brasil de Fato – SP – 19/11/2009

Carlos Heitor Cony e Antônio Torres em Natal

Dois dos maiores escritores do Brasil na atualidade estarão em Natal nesta quinta-feira. Carlos Heitor Cony e Antonio Torres ficarão frente a frente “Conversando sobre o povo brasileiro”, no hotel Vila do Mar, a partir das 19h30. O evento será comandado pelo apresentador do programa televiso Espaço Cidadão, Robson Carvalho.

Tuitando com Alex Medeiros

alexmedeiros59 Tipo assim: se Marcos Aurélio decidisse apoiar o PT, eu deixaria de escrever nos jornais dele.

Falta dinheiro pra cultura (?)

Soube há pouco que a Orquestra Sanfônica Potiguar cobra dívida de R$ 4,5 mil da Fundação José Gugu. A verba é referente à produção do CD da Orquestra. O desabafo do maestro Roberto foi dito ao público durante o último Som da Mata, domingo.

Começo a pensar que o problema das nossas fundações culturais é de falta de dinheiro. Fica difícil fazer alguma coisa, embora a criatividade também esteja em falta.

Acho que no início do ano até publiquei nota em minha coluna no DN de uma reunião entre Wilma e Crispiniano, na FJG. Uma fonte me disse que a governadora reclamou dessa maneira: "Mas Crispiniano, tanto dinheiro que coloco aqui...".

E onde está esse dinheiro? Onze editais estão pendentes de pagamento. O Seis & Meia terminou antes do tempo por contrair dívida. O Poticanto ameaça seguir o mesmo caminho. Não vemos obras de nada. O teto da Casa de Cultura de Macau permanece no chão...

Tudo bem que talvez sejam apenas R$ 6 mil ao mês contraídos da Fortaleza dos Reis Magos e ninguém sabe para onde esse dinheiro vai.

No âmbito da prefeitura, Rodrigues Neto me disse que a Capitania passou o ano engessada. Primeiro pelos problemas judiciais decorrente da denúncia da empresa de Parnamirim, que pagava os salários dos artistas. Depois com a Cooperarte. E, decorrente disso tudo, a dívida trabalhista dos próprios funcionários.

Rodrigues Neto disse ainda que, por conta desses entraves e imprevistos, faltou dinheiro para a promoção de eventos, inclusive o Encontro Natalense de Escritores em dezembro. Foram palavras dele.

Em contrapartida, vemos dinheiro despejado em tudo quanto é coisa sem futuro. Até para os clubes de futebol foram doados milhares de reais que salvariam boa parcela de projetos da nossa estancada cultura.

Sem contar no pagamento de bandas descartáveis para animar o público em festividades do poder público. E antes o lamento fosse pela má qualidade do produto, mas são bandas milionárias que sequer precisam da verba, como precisam centenas de compositores potiguares de qualidade.

Não é falta de grana. Não é incompetência. Muito menos falta de aviso e orientação. É má vontade. Só pode.

Poticanto a perigo

O produtor Nelson Rebouças, do excelente projeto musical Poticanto – Um Canto 100% Potiguar, reclama da dificuldade de repasse de verba e ameaça cancelar o projeto em dezembro, quando teríamos Tânia Alves interpretando Hianto de Almeida e a música de Petrônio Aguiar na voz de Carlos Zens. “Ficamos cabisbaixos com tanta burocracia ou má vontade”, disse. Essa novela a coluna já conhece. A lembrar o Seis e Meia...

* Nota publicada na coluna impressa do DN

Comentário: Nelson e o Poticanto merecem todas as glórias. É dos bons projetos culturais do Estado, não só de Natal nem só da música. São mais de 30 edições inéditas. Tudo gravado. É dos maiores acervos da música potiguar. Um registro histórico importantíssimo que, tivesse maior sensibilidade e menor burocracia, seria melhor aproveitado. Nelson há muito luta pelo lançamento de coletâneas e gravação de DVD com o material. E ainda tem que engolir a dificuldade da verba para a realização das edições rotineiras do projeto.

Primeiro edital pago pela FJG

O Prêmio Núbia Lafayette será o primeiro dos doze editais lançados pela Fundação José Gugu a ser quitado. Até dezembro os 40 músicos contemplados receberão a verba para produzirem seus CDs. A promessa para 2010, portanto, é de muita música potiguar no mercado. Os artistas têm prazo de três meses para a confecção do produto. Em março haverá grande evento de lançamento dos CDs. A FJG dará o plus de 100 CDs gratuitos para os músicos poderem promover seus trabalhos na mídia e entre produtores. É o que garante o coordenador do prêmio, o músico e compositor Babal.

Jânia Souza lança livros nesta segunda


Confissões em fórum íntimo foram derramadas em 119 páginas poéticas. A poetisa Jânia Souza escapou da prisão do silêncio literário de dois anos para lançar dois livros em mesma noite. Fórum Íntimo e Magnólia: a besourinha perfumada, ambos pela Editora Alcance, do Rio Grande do Sul. A noite de lançamento será hoje na Livraria Siciliano, do Midway, a partir das 19h.

O livro Fórum Íntimo é o segundo da poeta, também autora de Rua Descalça (Editora Bagaços, 2007) um debate livre e desregrado entre a consciência racional e sensorial da poeta. São letras do cotidiano. É a busca pela harmonia com o seu Eu interior, sempre revestido de relações sartreanas de existência. “São alegrias e tristezas. Quiçá, verdades e mentiras. O jogo da palavra busca sempre encontrar equilíbrio na consciência”, explica a autora.

Em Magnólia, Jânia Souza encontra o universo infantil das lembranças para arquitetar uma estória alegre, solidária e extremamente lúdia entre o sábio besourinho e o desejo em estreitar laços de amizade para harmonizar a vida no Jardim de Magnólias. E se a pedagogia literária é a mais eficiente para ensinar os sentimentos bons e maus, há também a figura da invejosa da lagartixa Mafalda.

domingo, 22 de novembro de 2009

Musical sobre o cangaço hoje no TAM

Amiguinhos, acontece hoje o musical descrito abaixo, nesse texto que, imagino, deva ter sido publicado na edição de hoje do Diário de Natal. Tenho seis senhas aqui em casa disponíveis a quem se interessar. Moro no Tirol, Rua Apodi, caminho para o TAM. Quem quiser, basta vir pegar (9929-6595). Não avisei antes porque pretendia ir. Mas estou com um balaio de filmes aqui e pretendo ver pelo menos metade hoje.



Um musical sobre o período do cangaço chega a Natal para única apresentação no Teatro Alberto Maranhão neste domingo. O espetáculo Coiteiros é uma adaptação para teatro do romance escrito em 1935 pelo paraibano José Américo de Almeida. Trata-se de um musical ambientado nos longínquos do sertão nordestino, onde um romance juvenil acontece em meio à luta de cangaceiros e senhores exploradores donos da terra, revelando o caos social. A peça fará única apresentação às 20h, com ingressos a R$ 10 e R$ 5 (meia).

O texto é escrito por Altimar Pimentel, Elpídeo Navarro e Pedro Santos. A direção é de Max Almeida. Com bela trilha sonora ao vivo, é impossível não dar destaque para a direção musical de Demétrio Rangel, também presente na cena como uma espécie de narrador que canta a história. A realização é da Cia. Spectrus de Artes Cênicas, do Recife, com produção local de Ronaldo Negromonte. O autor José Américo, que também escreveu A Bagaceira e Boqueirão, soube como poucos interpretar os grandes temas do Nordeste.

Nesse drama que traz a vingança como tônica principal, Roberto, um ex-seminarista, quer vingar a morte do pai, assassinado brutalmente por Sexta-Feira, um antigo proprietário de terras que se sentia extorquido e após o crime, é obrigado a entrar para o cangaço. Dorita, noiva de Roberto, é moça do sertão, mas vive um verdadeiro fogo cruzado: seu pai Vilarim, já rendido às diversas ameaças e preso ao medo de perder a filha, acoita diversas vezes em casa esse mesmo cangaceiro. O encontro dos dois inimigos é quase inevitável.

O eixo central da encenação é o elemento musical. É através do músico/narrador que se desencadeia o processo onde os atores compõem um coro que interferem nas cenas, seja como objeto de cena ou elemento da realidade social, formando verdadeiros quadros impressionistas, embora a música sempre nos alerte para uma possibilidade de transformação. A busca da inquietação produtiva.

Coiteiros – musical
Data e hora: Domingo, às 20h
Onde: Teatro Alberto Maranhão, Ribeira
Quanto: R$ 10 e R$ 5 (meia)
Contato: (81) 9952 7100

* Foto de Jorge Clésios

Tuitando com Moisés de Lima

MoisesdeLima Em Lula, o Filho do Brasil o personagem-título é um tremendo caipora. Também pudera, patrocínio da Souza Cruz.

Resultado do Pratodomundo

Saí antes de começarem os shows do Festival Gastronômico do Beco da Lama e perdi o resultado dos vencedores do chamado Pratodomundo.

Isso mesmo, o nome do Festival do Beco é pomposo, assim como a rua mais metida a besta e charmosa do mundo. Mas eis que a Revista Deguste me salva e coloca o resultado em seu site www.revistadeguste.com

No site tem ainda entrevista com o vencedor e com o presidente da Samba, Augusto Lula, responsável pela organização do evento).

Tomara que os pratos continuem a serem servidos, mesmo durante a semana. Só consegui provar dois.

O resultado:

1º colocado
- Carne de sol norte-rio-grandense (Restaurante Bam Boa)
- Chips de tucunaré (Restaurante Seridó)
Premiação: R$ 500, cada

2º colocado
- Cupim do Beco (Bar de Nazaré)
Premiação: R$ 450

3º colocado
- Prato Fava à Ceiça (Restaurante dos Camarões)
Premiação: R$ 300

Restaurantes participantes do 6º Pratodomundo
. Whiskynão Bar e Restaurante: Cordeiro ao Queijo e Nata
. Bar do Pedrinho: Bode Cabôco
. Bardallo´s Comida & Arte: Paçoca com Banana
. Bar de Nazaré: Cupim ao Beco
. Bamboa Restaurante: Carne de Sol Norte-rio-grandense
. Cozinha Caseira Bar e Restaurante: Cunhão do Beco
. Restaurante Seridó: Lingüiça do Sertão
. Cidade dos Camarões: Fava à Ceiça

sábado, 21 de novembro de 2009

Salão Abraham Palatnick

As inscrições para o 3º Salão Abraham Palatnick de Artes Visuais permanece abertas até sexta-feira. Artistas brasileiros ou estrangeiros que residam no RN, há mais de um ano, poderão inscrever obras nas categorias escultura, pintura, objeto, instalação, arte postal, livro objeto, poéticas visuais,mídias contemporâneas ,arte digital, pintura, fotografia e vídeo-arte. A promoção do evento é da Fundação de Apoio à Pesquisa do Rio Grande do Norte (Fapern).

O evento coordenado pelo artista plástico e diretor da Pinacoteca, Vatenor, visa a difusão, o fomento, a seleção e a premiação da produção artística no campo das artes visuais. Como alusão à obra do artista ppotiguar Abraham Palatnick – precursor da arte cinética –, o Salão se utiliza das novas tecnologias e novas técnicas aplicadas à arte. O objetivo do prêmio é incentivar, reconhecer, divulgar os artistas norte-riograndenses, além de promover, inclusive, o intercâmbio dos artistas participantes e suas obras.

Aos três trabalhos melhor classificados será pago prêmio-aquisição. A obra classificada em primeiro lugar receberá o valor de R$ 3 mil; a segunda classificada receberá R$ 2,5 mil e a terceira, R$ 2 mil. Os demais 17 artistas classificados para a exposição receberão R$ 500, pela participação.

As datas e horários para inscrição são de segunda à sexta-feira, no horário das 9h às 12h e das 14h às 18h, na Pinacoteca do Estado, na Praça Sete de Setembro, Centro. O Regulamento e a Ficha de Inscrição estão disponíveis no link PRÊMIOS, no site da Fapern (www.fapern.rn.gov). O Salão será aberto no dia 17 de dezembro, na Galeria da Biblioteca Câmara Cascudo, permanecendo aberto à visitação até o dia 22 de janeiro de 2010, de segunda a sábado, das 8h30 às 17h30. Contato: 3232-1727 ou pelo e-mail
fapern@rn.gov.br

BNB Cultural despeja 1 milhão na cultura potiguar

O elenfantinho potiguar – que mais se parece com uma formiga de roça – receberá quase R$ 1 milhão totalmente voltado à cultura. O patrocínio é do Programa BNB de Cultura 2010, em parceria com o BNDES. No Rio Grande do Norte foram inscritos 314 projetos e 37 propostas selecionadas. O Estado foi o terceiro em número de projetos selecionados, depois da Paraíba e Bahia.

O Programa apoia a produção e difusão da cultura nordestina, mediante seleção pública de projetos. Foram 16 municípios potiguares contemplados, sendo nove projetos destinados às Artes Cênicas, cinco de Artes Visuais, dois de Audiovisual, cinco de Literatura, sete de Música e nove de Artes Integradas ou Não-Específicas. A lista de projetos selecionados está disponível no portal do BNB (www.bnb.gov.br).

Para a seleção dos projetos culturais, foram considerados critérios de qualidade técnica e/ou artística; atendimento de interesse da comunidade; ações e investimentos dos recursos financeiros voltados prioritariamente a municípios da área de atuação do BNB (região Nordeste e norte dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo), menos providos de atividades culturais; formação ou aperfeiçoamento profissional; viabilidade físico-financeira; condições de sustentabilidade; ineditismo da proposta; e potencialidade de consolidação da imagem do BNB e do BNDES junto à sociedade.

Para analisar os projetos, o Banco formou comissões de avaliação para as seis modalidades artísticas, cada uma composta por cinco especialistas. Quatro potiguares integraram comissões: José Sávio Oliveira de Araújo, na modalidade de Artes Cênicas; o maestro André Muniz, em Música; o sebista-editor Abimael Silva, na comissão de Literatura; e Ana Amélia de Oliveira, em Artes Integradas ou não-Específicas.

Um total de 258 projetos, entre 2.974 inscritos, foi selecionado pelo Programa BNB de Cultura e BNDES. A dotação orçamentária é de R$ 6 milhões (R$ 3 milhões provenientes de cada Banco). Do total de 258 projetos, foram aprovados 51 de Artes Cênicas, 39 de Artes Visuais, 23 de Audiovisual, 35 de Literatura, 57 de Música e 53 de Artes Integradas ou Não-Específicas. Os 258 projetos selecionados procedem de 127 cidades diferentes. Os 2.974 projetos inscritos foram provenientes de 510 cidades de 16 estados brasileiros.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A raspa do tacho no Beco da Lama

Depois de dois fins de semana de muitas degustações, música, boemia, presença de antigos e novos frequentadores do Beco da Lama e o tour anônimo dos jurados pelos restaurantes tradicionais da Cidade Alta, é hora de escolher o Pratodomundo 2009. Amanhã acontece a final do 6º Festival Gastronômico do Beco da Lama, ocasião em que será anunciado o prato vencedor pelo júri gastronômico e popular.

Concorrem os estabelecimentos Whiskynão Bar e Restaurante, Bar do Pedrinho, Bardallo's Comida & Arte, Bar de Nazaré, Cozinha Caseira Bar e Restaurante, Restaurante Seridó e Cidade dos Camarões. Entre os pratos servidos estão cordeiro ao queijo e nata, bode cabôco, paçoca com banana, fava da ceiça, cupim ao beco, cunhão do beco, carne de sol potiguar, e linguiça sertaneja.

O evento é realizado pela Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Samba). E longe dos pratos requintados e produzidos por chefs de renome nacional e internacional, o Pratodomundo é o único festival gastronômico que valoriza a comida típica dos botecos da cidade, ao mesmo tempo em que apóia a revitalização do Centro histórico.

Durante os dois sábados de competição, os botecos e restaurantes receberam um público recorde, divulgação na mídia nacional e a atenção de políticos locais para a revitalização da Cidade Alta. Além da presença de músicos e bandas de destaque da cena local. Na tarde de amanhã, último dia, a festa promete raspar o tacho do caldeirão com muito samba no palco da Gonçalves Ledo. Estarão presentes o grupo Roda de Bambas e mais samba com Isaque Galvão, acompanhado da bateria da agremiação carnavalesca da escola Malandros do Samba.

A sexta edição do Pratodomundo tem o patrocínio do Governo do Estado (através da Emprotur e da Fundação José Augusto), do Sebrae/Agência Cultural. O festival gastronômico conta ainda com o apoio cultural da Prefeitura do Natal através da Funcarte (que cedeu os banheiros químicos), e da Offset Gráfica.

6º Pratodomundo – Festival Gastronômico do Beco da Lama
Data: Sábado
Hora: A partir de 11 horas – Funcionamento dos Restaurantes;
A partir das 16:30 horas – Shows Musicais.
Entrada Franca.
Projeto Samba Social: Doe um quilo de alimento não perecível.

Tuitando com Tácito Costa

tacitocosta O FestNatal é ele próprio um filme de ficção. Trazer Cid Moreira, q/ não está em nenhum filme, mostra surrealismo do evento.

É o mundo todo!


Depois de arrastar milhares de alegres participantes, a organização da Parada Gay leva o evento ao município de São Gonçalo do Amarante neste domingo colorido. O tema, enviado assim mesmo sem pontuação, pode detér várias conotações se posto alguns pontos e vírgulas, dois pontos, etc. Noves fora, o tema é Para o Amor Sexo Não Existe. Aos interessados, a concentração da passeata, digamos, será na Praça Dinarte Mariz, às 15h.

Tuitando com Mário Ivo

mario_ivo esse povo do twitter q diz q vai ler antes de dormir, sei não - por q nunca aparece alguém q diz "vou fazer um sexozinho básico" e sono?!

Volta por Cima da Experiência Apyus


A instituição Banda Cover existe desde que o rock era música do diabo, lá pelos idos do rock billy boogie. Claro, em menor proporção à época. Eram muito mais derivações dos grandes Buddy Holly, Elvis e outros ídolos daquele início rocker. É que nem sempre o trabalho de uma banda cover ainda sem música autoral deseja a mera imitação ou reprodução pura dos originais. A Experiência Apyus é exemplo incontestável. E o quarto CD do grupo Volta Por Cima – lançado hoje no Budda Pub, a partir das 22h – reafirma o argumento.

Longe da repetição dos mesmos arranjos e timbres, Marlos Apyus e companhia vivenciam experimentações sonoras e apresentam um produto original, mesmo releituras de composições da música nacional e mundial. Ou alguém imagina o encaixe de Preciso Me Encontrar, de Cartola, com Stairway do Heaven, do Led Zeppelin? Ao longo das doze faixas do álbum, outras misturas inusitadas como É, de Gonzaguinha, e Smile, de Chaplin. Também na mesma sopa estão Chico Buarque, Beto Barbosa e Survivor, com Eyes of the Tiger – a trilha clássica de Rock Balboa subindo os degraus da vitória.

Ademais, levante a mão os nascidos em berços de ouro ou laureados com patrocínios precoces que nunca viveram a realidade das bandas covers. É raro. A escolha do repertório adequado à proposta do grupo, o amadurecimento musical, a identidade e o público conquistados pela banda advém dos anos de ralação como banda cover, na maioria das vezes. A Experiência Apyus segue a mesma trilha, com o diferencial das releituras ou reinvenções musicais. Contudo, como afirma o próprio Marlos, “não deixa de ser um trabalho despretencioso. Pela simplicidade com que foi gravado e pela informalidade com que foi registrado”. Melhor ainda, quando a moda é o “photoshop da música” para transformar o grotesco em voz afinada e música qualificada.

Experiência Apyus – Volta Por Cima
Onde: Budda Pub (Ponta Negra)
Data e hora: Hoje, às 22h
Contato: 3219-2328

* Matéria publicada nesta sexta-feira no Diário de Natal (foto de Nicholas Gomes)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Lost só em fevereiro


O produtor executivo "Lost", Carlton Cuse, anunciou que a temporada final da série vai estrear nos EUA no dia 2 de fevereiro às 21h. Cuse divulgou a informação em sua página no Twitter. No Brasil, a série é transmitida pelo canal pago AXN e pela Globo. Ainda não há data para a estreia aqui. O cartaz do sexto e último ano da série foi divulgado em outubro. O pôster teria "pistas" sobre a nova temporada que, especula-se, trará de volta alguns dos principais personagens que passaram pelas cinco temporadas anteriores. O site relacionou os personagens que aparecem na imagem: Faraday, Boone, Miles, Michael, Ana Lucia, Charlotte, Shannon, Desmond, Eko, Kate, Jack, Sawyer, Locke, Ben, Sayid, uma mulher loira e jovem que pode ser Libby ou Penny, Sun, Jin, Claire, Hurley, Juliet, Charlie, Frank, Richard, Bernard e Rose (da esq. para direita).

(Informações: Folha Online)

Quem é o fenômeno?

video

É impressionante, entende?.rs

Sobrevida à Revista Ginga

Aos colaboradores e repórteres da Revista Ginga e leitores deste blog, conversei rapidamente hoje com o presidente da Funcarte, Rodrigues Neto. Ele assegurou apenas que há a intenção da prefeitura na publicação. Como a grana do orçamento deste ano já está comprometida, a questão será discutida junto à Secretaria de Comunicação para o empenho da verba. A priori, a data seria durante a realização do Encontro Lusófono de Escritores, no fim de março. Outros detalhes, na coluna impressa de domingo, publicada no DN.

Tuitando com Adriana Amorim

adriana_amorim Comentário atrasado e desnecessário: Ousado o caderno de moda do JH. Daniela Freire ficou bonita, mas poderia ter raspado o suvado, né?!

Tuitando com o Solto na Cidade

Soltonacidade: Buraco da Catita - Macaco Véio e Mandumblá são as atrações de hoje no Buraco da Catita. O som começa às 20h

Metallica no Brasil

Lembra daquela banda contrária aos downloads gratuitos no Napster? Putz, fui longe, hein? Pois bem, o Metallica volta ao Brasil após 10 anos para mega shows da turnê World Magnetic Tour, divulgação de seu último álbum Death Magnetic, lançado em 2008. Com realização da CIE Brasil, a banda norte-americana, que já vendeu mais de 100 milhões de discos e está entre as 10 bandas mais vendidas do planeta, tocará dias 28 de janeiro, no Estádio Zequinha em Porto Alegre, e 30 de janeiro, no Estádio do Morumbi em São Paulo.

Para o show no Morumbi, o valor dos ingressos para a pista é de R$ 250 e para a pista vip é R$ 500. Há a opção de cadeira inferior (R$ 250) e cadeira superior (R$ 300). As arquibancadas do Morumbi também estarão disponíveis nos valores de R$ 150, R$ 170 e R$ 190 (Especial). Para o show no Estádio Zequinha, o valor dos ingressos para a pista/arquibancada é de R$ 120 (1º lote) e R$ 140 (2º lote) e para pista vip é R$ 250. O ingresso para cadeira custará R$ 160.

Emendas à cultura

A Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira quatro emendas de comissão no valor total de R$ 1,425 bilhão ao projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2010.

Na área cultural, a Comissão aprovou a sugestão do Ministério da Cultura de destinar uma emenda no valor de R$ 125 milhões para o Programa Mais Cultura - o programa que disponibiliza equipamentos culturais nas cidades brasileiras, como salas de cinema, bibliotecas e centros culturais.

A defesa da emenda da cultura foi feita pela deputada Fátima Bezerra. Segundo a parlamentar, mais de 90% dos municípios deste país não têm uma sala de cinema nem um espaço cultural. "É um quadro de carência muito grave, e só vamos mudar isso com sustentabilidade orçamentária”, ressaltou.

Roberta Sá no Prêmio Sesi de Música

Roberta Sá estará junto a Ivan Lins, Hamilton de Holanda e Quinteto no show
gratuito de encerramento do Festival SESI Música 2009, nesta sexta-feira. O Festival ocorrerá no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília e será transmitido ao vivo pelo canal da TV Indústria (http://tvindustria.isat.com.br/sesimusica) na internet, das 19h às 23h. O Rio Grande do Norte compete com dois trabalhadores. Os três primeiros colocados ganharão R$ 5 mil, R$ 4 mil e R$ 3 mil, respectivamente.

Entrevista - Anderson Foca

Segue abaixo a entrevista com o produtor musical Anderson Foca e a programação do Festival DoSol - Música Contemporânea - uma espécie de rescaldo do Festival DoSol, com mais bandas locais e som mais diversificado, digamos:

Porque faltou divulgação do ingresso do Festival no Natal em Natal?
Não tinha todas as datas no release deles. Até perguntei se tinham desistido. No café da manhã (de divulgação à imprensa) poderia ter sido incluído. Contatamos a Capitania para confirmar e estamos na mostra. Nosso plano é que esse evento se consiga maior no próximo ano. Tem demanda pra isso. Já conseguimos crescer muito. Talvez 100% do ano passado pra esse. Se a Casa da Ribeira ficar pequena iremos ao Teatro Alberto Maranhão. A ideia é promover sempre em teatro.

A entrada gratuita no evento se dá pelo subsídio do poder público?
As leis de incentivo pedem cotação de ingresso gratuito. Como o Festival DoSol é pago, nossa cota gratuita é o Festival DoSol – Música Contemporânea. Primeiro porque são músicas esquisitas, de vanguarda, menos populares, realmente contemporâneas. Como tem que dar esse retorno exigido pela lei, achamos apropriado esse festival. Dessa forma cumprimos a lei e agregamos valor ao evento.

O Mada mudou de data este ano e quase coincidiu com realização do DoSol. Você acha que prejudica? Vocês pretendem mudar de data próximo ano?
Em dois anos seguidos anunciamos o festival bem antes deles. O Mada começou em maio, depois em agosto e agora em outubro. Mesmo sendo mostras diferentes, seria interessante que fossem em datas mais distantes. Não sei se prejudica. Talvez a mídia fique confusa. Mas não foi a gente que criou essa proximidade e manteremos nossa data. Até tentamos um diálogo ano passado e não rolou. Eles praticamente anunciaram pela imprensa a data deles. Então, quando só um lado quer, fica complicado.

Programação completa:

Hoje
Projeto Trinca (RN)
Visitantes (SP)
Automatics (RN)

Sexta
Eu Serei a Hiena (SP)
Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
A banda e Joseph Tourton (PE)

Sábado
SeuZé (RN)
Experiência Ápyus (RN)
Macaxeira Jazz (RN)

Domingo
Simona Talma (RN)
Tesla Orquestra (RN)
Onoffre (RN)

Festival DoSol – Música Contemporânea
Quando: De hoje a domingo, sempre às 19h
Onde: Casa da Ribeira
Quanto: Entrada gratuita
Atrações: 12 bandas de 3 estados diferentes.

* A matéria completa está publica hoje no Diário de Natal

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Do caos ao Fresno

Tempo é tudo. Um dia de folga e assito Madame Bovary e leio das melhores matérias culturais do ano - a do jornalista Silvio Essinger, na Billboard Brasil. O título é o do post, para retratar os 30 anos do punk.

Desconheço o currículo do jornalista. Só pode ter vivido presencialmente toda a evolução (ou decadência) do punk nessas três décadas para um texto tão seguro e opinativo.

Sempre defendi a opinião do jornalista nos cadernos de cultura. Nada agressivo, delimitador, mas colocações sutis quando se domina o assunto. Nessa matéria há muito disso. Está fantástica.

De certo o cara é jornalista especializado em música. Ou melhor: em punk. É assim em redações afora. Já recebi ligação no DN de assessoria de imprensa de Recife a procura do repórter de música. Até brinquei: disse que eu era o de Artes Plásticas e de onde eu estava só via o de literatura e cinema.

Infelizmente nenhum jornal do Estado investe em seus cadernos culturais. Os repórteres batem o escanteio, cabeceiam e ainda batem o tiro de meta. Ou seja: escreve sobre tudo.

Costumo dizer que repórter de cultura nesse RN sabe pouco sobre muito e muito de nada. Justo porque não consegue se especializar. Ou se consegue, deixa descoberta outra área da qual também precisa cobrir.

Há quem reclame da qualidade de algumas matérias. Com razão, até. A culpa não é do leitor. É difícil compreender que um repórter de um caderno especializado desconheça se Stravinsky é modernista ou neo-classissista.

Isso sem entrar no mérito da falta de tempo para ler, assistir filmes e frequentar eventos culturais. Todo repórter precisa de outro emprego. Ou outros, se pretende um vida simples.

É por isso que invejo mesmo caras como esse tal de Essinger. Deve escrever apenas sobre o que domina, realmente. O resultado: matérias mais interessantes, melhor reconhecimento, maior salário, mais tempo...

Mas falava da matéria do punk. O cara conseguiu traçar um panorama do comportamento juvenil nas últimas três décadas a partir da música, com enforque no punk. E mostrou como a música reflete sua época.

Sem mais desabafos, coloco aí abaixo os parágrafos do texto. Aliás, após a matéria ainda há uma resenha fenomenal do cara, em estilo de artigo:

"É, muitas voltas deu aquele menino de 1979 (o punk) - o que sobrou dele nessas novas bandas talvez sejam as tatuagens, algum cabelo desgrenhado e, quem sabe, um pouco de couro preto. meros recuerdos visuais, ecos de ecos, derivações de derivações - até proque, convenhamos, mesmo a distorção das guitarras hoje é absurdamente limpa, em nada lembra aquele barulho de serra elétrica dos amplificadores podres. Ah, e sabe aquele metalúrgico dos comícios do ABC, onde alguns dos primeiros punks também circulavam? Bom, caso você não tenha se tocado, hoje ele é o presidente do Brasil!

Tudo muda na roda do tempo - ou melhor, quase tudo. Porque aquilo que um garoto de Brasília, fã de Sex Pistols, escreveu naquela época, ah, isso continua aterradoramente atual: "...nas favelas / no Senado / sujeira pra todo lado / ninguém respeita a Constituição / mas todos acreditam no futuro da Nação...". Uma coisa é verdade: se hoje alguém ainda se pergunta que país é esse, o débito é todo com o punk rock e a sua inquietação e insolência - que não respeitaram nem as flores de Geraldo Vandré!"

Das listas de Humberto Eco

Entrevista do semioticista, julgado chatíssimo por muitos estudantes de jornalismo, Humberto Eco, a um carinha chamado Spiegel, que desconheço mas que fez uma belíssima entrevista com o escritor italiano.

Spiegel: Você inclui uma lista simpática feita pelo filósofo francês Roland Barthes em seu novo livro, "A Vertigem das Listas". Ele lista as coisas de que mais gosta e as coisas de que não gosta. Ele adora salada, canela, queijo e especiarias. Ele não gosta de motoqueiros, mulheres com calças compridas, gerânios, morangos e cravo [instrumento musical]. E você?
Eco: Eu seria um tolo se respondesse a isso; estaria me fechando numa definição. Eu era fascinado por Stendhal aos 13 e por Thomas Mann aos 15 e, aos 16, eu adorava Chopin. Então passei a minha vida inteira tentando conhecer o resto. Agora, Chopin está no topo novamente. Se você interage com as coisas em sua vida, tudo muda constantemente. E se nada muda, você é um idiota.

OBS: Trecho dedicado às listas provisórias de Moacy Cirne (portanto, foge da classificação de idiota, segundo o conceito de Eco), e a François Silvestre, que abomina as listas, assim como Humberto Eco.

Da obrigatoriedade democrática

E quem disse que nossa Câmara Municipal não trabalha? Hoje mesmo a vereadora-militar Regina criou a Semana da Cultura e Religiosidade Afro-Ameríndia. O Projeto de Lei foi considerado "um marco referencial de trabalho" da dileta Casa de munícipes.

E pra quê a tal semana? Ora, para as "crianças conhecerem melhor a cultura". Mas, com a graça do Deus ameríndio, as inocentes criancinhas estão desobrigadas a participarem da Semana. Isto porque estamos num país democrático.

E logo abaixo, vem o melhor: o aprendiz de vereador, Maurício Gurgel, também apresentou projeto hoje. Desta vez, para estabelecer a obrigatoriedade da execução do Hino Nacional em todos os eventos esportivos realizados em Natal. Como disse, isso sim é democracia; e patriotismo.

Vídeos de Cartola e Simonal

Dois vídeos fantásticos encontrados no munco mágico do youtube. O primeiro, Cartola, o próprio, com seu nariz afilado e apontado para baixo, entoando Peito Vazio, acompanhado do som de um pandeiro e uma flauta. O segundo mostra Simonal não só como excepcional intérprete, mas excelente animador de auditório.

Cartola - Peito Vazio
http://www.youtube.com/watch?v=53-rCftBn0w&feature=player_embedded

Wilson Simonal - Meu Limão, Meu Limoeiro
http://www.youtube.com/watch?v=qoBkkFTO-Xc&feature=player_embedded

Sueldo Soaress interpreta Cleudo Freire


Um dos músicos mais emblemáticos da Jerimunlândia será homenageado na voz de outro símbolo da musicalidade de uma Natal que ainda estende o tapete vermelho aos velhos dinossauros da música potiguar e espalha pétalas de flores aos novos talentos. Cleudo Freire estará incorporado à voz de Sueldo Soaress hoje no projeto Poticanto – Um Canto 100% Potiguar. O evento acontecerá às 20 horas no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel. A entrada é franca através de senhas/convites antecipados. A primeira edição desta homenagem aconteceu em janeiro de 2008.

Os dois músicos são contemporâneos, herança da boa música produzida nos idos da década de 80 em Natal. Época dos bares Boca da Noite e Cantão, dos festivais de música e vinis. São três décadas passadas de trabalho pela música. Os tijolos da muralha potiguar são enormes. Ainda assim, Sueldo pulou o muro e levou seu suingue de rock balanço pela França, Espanha, Alemanha, Marrocos e Estados Unidos, além de capitais brasileiras. Com três trabalhos lançados no mercado fonográfico, o LP “Tulipa Negra” de 1995, os CDs “Em Primeira Mão” de 2007, e “Trilhas” de 2009.

Cleudo Freire, natalense da gema como Sueldo, estudou guitarra em São Paulo, mas deixou se levar pelas raízes culturais da terra natal. É clara a influência do folclore na música nordestino-pop de Cleudo Freire, sobretudo o Zambê. A diversidade rítmica, cênica e sonora mostra uma música versátil e exibe o talento do artista, também um pesquisador da cultura potiguar. No próprio projeto Poticanto, Cleudo já prestou homenagem ao coquista Chico Antônio, em agosto de 2008. Agora é a vez de ser homenageado na voz de Sueldo Soaress.

Poticanto – Um Canto 100% Potiguar
Quando: Hoje, às 20h
Onde: Teatro de Cultura Popular Chico Daniel (Rua Jundiaí, Tirol)
Entrada gratuita
Contato: 9922.8188 / 9151-7783

* Materinha publicada hoje no DN

OBS: Há umas semanas coloquei meus destaques da música em 2009. Já lembrei de mais um bocado de gente. E o Poticanto - pelas mãos do produtor Nelson Rebouças - é um deles.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Blogueiros devoram jornalistas

O título é meu. O texto é de Julio Daio Borges, o banbanban do site Digestivo Cultural:

"E mais um capítulo da guerra sem fim entre jornalistas e blogueiros teve lugar nas últimas semanas, com o anúncio do Guardian, um dos maiores jornais do Reino Unido (e um dos maiores na internet em língua inglesa), contratando blogueiros para produzir notícias locais a partir de algumas capitais do mundo, não exigindo mais formação, ou mesmo experiência, em jornalismo. Que a internet já vinha dando sucessivos golpes na prática do jornalismo tradicional, ninguém hoje duvida, mas que uma empresa de mídia, com sua fundação ligada a um grande jornal, reforçasse a supremacia dos blogueiros – no métier jornalístico –, ninguém imaginaria. Independente da discussão mesquinha, invariavelmente levada para o lado pessoal, o anúncio é, mesmo que simbolicamente, também um golpe sobre a afirmação de que apenas jornalistas, de papel, sabem fazer “cobertura local” – algo que, até há pouco, era, inclusive, uma justificativa para a manutenção do status quo de redações onde, como notoriamente se sabe, a maioria sequer pisa na rua, passando longas horas na frente do computador, quando não “reprocessando” press releases (para reimprimi-los no dia seguinte). E a iniciativa do Guardian vem a calhar, no Brasil, quando a poeira do fim da exigência de diploma, para a prática de jornalismo, ainda não assentou, com protestos de burocratas da profissão, que fingem não enxergar que podem estar sendo, neste momento, ultrapassados por alguém com um computador e uma conexão à internet... O Guardian vai pagar os blogueiros e uma suspeita de que estaria preparando um portal com notícias locais de grandes cidades, subitamente, está à beira da confirmação. Numa demonstração de sabedoria, a nova empresa de mídia (o “ex-jornal”) deixou de competir com os impressos e se preocupa, atualmente, em garantir uma supremacia na internet (que, há anos, é mais importante que as bancas de jornal). No Brasil, contudo, ainda se lançam novos jornais de papel, e se oferecem velhos jornais a preços à la carte (quando os internautas não os querem nem de graça). Quem sabe, o Guardian ensine aos nossos jornalistas que, no lugar de ficar implicando com a blogosfera (e as mídias sociais), deveriam se aliar aos blogueiros, enquanto é tempo...".

É triste, meus caros. Não recomendem a profissão aos seus filhinhos...

Axé, forró e sertanejo. Uau!

Achei engraçado o release a respeito do reveillon no Barramares, que já trouxe o primeiro show do Los Hermanos nestas plagas justo na virada do ano.

Diz o release que o reveillon 2010 deste ano vem para agradar todos os gostos, com diferentes estilos musicais. E lá vem: o axé do Chicabana, o forró do Garota Safada e ainda os Amigos Sertanejos.

R$ 120 aos interessados. Este blogueiro prefere subir em outro bonde em 2010.

Tuitando com Tutty Vasques

tuttyvasques: O DEM liberou sua bancada para assistir Lula, o Filho do Brasil, com uma ressalva: quem chorar alto no cinema poderá ser expulso do partido!

O Novo inova

Não li tudo. Pra falar a verdade, li pouco. Prestei mais atenção nas colunas, projeto gráfico e jornalistas participantes do Novo Jornal. Gostei do projeto. Ainda é cedo para qualquer pessoa tecer comentários sólidos a partir de uma edição especial. O dia-a-dia dirá mais.

O espaço de Severino Vicente e as crônicas abaixo achei muito bacanas. Algumas pautas também bem interessantes e outras nem tanto. A mancada mesmo foi a manchete de estreia: uma repetição da manchete do Diário de Natal do dia anterior.

O papel é bom, o material humano é quase inquestionável e o projeto gráfico é semelhante à Folha. Um novo jornal, realmente. Boa pedida para o natalense com mania de grandeza, que ainda não assimilou o caderno pequeno - mesmo com todas as fotos coloridas, matérias de maior interesse do cidadão e desprovidas de qualquer viés político.

Amanhã é mais um dia de imprensa, de impresso no plano Palumbo. Ora, quem não notou? A imprensa tem sido a notícia dos últimos dias. Amanhã será de novo. É só esperar. É coisa pra jájá, com o perdão do trocadilho.

Rock potiguar em votação

O Prêmio Rock Potiguar chega à sua quarta edição e já entrou na agenda cultural do RN. É a primeira premiação voltada ao rock no Nordeste brasileiro. Nessa edição que acontece em 2009, serão premiados os melhores de 2008.

São 14 categorias onde os indicados foram escolhidos por juri fechado, formado por produtores, jornalistas e músicos. Os vencedores estão sendo escolhidos por voto popular no site www.rockpotiguar.com.br até o dia 23 de novembro.

A premiação ocorrerá no dia 25 de novembro, a partir das 19 horas na Assembleia Legislativa do RN. O traje é esporte e a entrada é gratuita. O show inicial fica a cargo da Rosa de pedra.

Já na entrega dos troféus, a banda RockPotiguar acompanhará diversos convidados, como Dante e Daniel (Calistoga), Flávio (Sick Life), Juão (AK47), dentre outros, tocando músicas de conterrâneos.

Para fechar, Juninho, da banda Sonic Junior (AL) - aquela multi banda de um carinha só, que mandou ver no Mada -, dará uma canja e receberá o título de Cidadão Rocker Potiguar. O título já foi conferido a nomes como Tico Santa Cruz (Detonautas), Bruno Gouveia (Biquini Cavadão), André Frank (Astronautas) e Franklin Roosevelt (ex- O Surto).

Confira lista de indicados:

Melhor site de banda de rock do RN em 2008

www.seuze.net
www.osbonnies.com.br
www.revolver.zip.net

Melhor produtor cultural rock do RN em 2008

Jomardo Jomas
Anderson Foca
Rafael Cunha

Melhor jornalista cultural rock do RN em 2008

Ramilla de Souza (Correio da Tarde)
Daniela Pacheco (O Jornal de Hoje)
Tadzio Lima (Tribuna do Norte)
Alexis Peixoto (NoMinuto.com)
Sergio Vilar (Diário de Natal)
Alexandre Honório (O Inimigo)
Alex Medeiros (NoMinuto.com)
Hugo Morais (O Inimigo)

Melhor produtor musical rock do RN em 2008

Dante Augusto
Wilberto Amaral
Edu Pinheiro

Melhor Música rock do RN em 2008

Ofendículos (Lunares)
Quase Sempre Perto (Tricor)
Get Together (Calistoga)

Melhor letrista / compositor rock do RN em 2008

Juão (AK47)
Romildo Soares
Dante (Calistoga)

Melhor CD/EP de banda rock do RN lançado em 2008

AK-47 - A Rainha na Terra dos Decapitados
Lunares - Dance! Dance! Dance!
Tricor - Tricor
Os Bonnies - Disco Azul
Vitrola - Continuo a Rodar
Calistoga - Normal People Brigade

Melhor instrumentista de percussão rocker do RN em 2008

Rogério Pitomba
Dado (Fewell)
Fernando Gomes (Calistoga)

Melhor instrumentista de cordas rocker do RN em 2008

Ticiano D'Amore
Edu Gomez
Henrique Geladeira

Melhor vocalista rock do RN em 2008

Samuel Costa (Brand New Hate)
Dante Augusto (Calistoga)
Juão (AK47)

Melhor banda rock do interior do RN em 2008

Alfredo e os Caras
SubGrave
Parole
Catarro
Sick Life
Sertão Sangrento

Revelação musical rock do RN em 2008

Alfredo e os Caras
Brand New Hate
Distro
Tricor
Síntese Modular
Fewell
Camarones Orquestra Guitarrística

Melhor show de rock realizado no RN em 2008

Falcatrua (Mada)
Torture Squad (Festival Dosol)
MQN (Festival Dosol)
Eddie (Galpão 29)
Garage Fuzz (Lançamento Natal Rock Sessions)
Macaco Bong (Lançamento Xubba)

Melhor banda rock do RN em 2008

The Sinks
Camarones Orquestra Guitarrística
Calistoga

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Da Revista Palumbo

Li tudinho da revista. Pulei um ou outro parágrafo enfadonho. Nada demais. E agora desfio o pedido do professor Albimar de uma crítica rigorosa a respeito:

A começar pela capa. Soa charmosa, mas de pouco impacto visual; confusa, até. Já adota um formato moderno de poucas chamadas. Algumas revistas mais modernosas já usam apenas o título, pasmem. Outras, apenas o nome.

O editorial - provavelmente escrito por Osair Vasconcelos, editor geral - resume bem o propósito da publicação. Muito do conteúdo foi falado no lançamento. Osair é sempre bom com as palavras, escritas ou retóricas.

A matéria com a ex-primeira dama Aída Cortez é, sem pestanejar, o melhor da revista. Texto primoroso, objetivo, detalhado e humano. Albimar domina o assunto e o desfia como quer.

Sempre tive a certeza, quando subordinado a Albimar, Osair e Carlos Magno que nunca poderia reclamar: "Então faça melhor", porque eles faziam. Era um saco isso. Mas por trás, havia um respeito, também. O que era um saco, também (rs).

A matéria das Casas de Cultura é claramente paga. E retrata um viés de publicação parciamente atrelada ao poder público. Nem de longe as Casas de Cultura são (ou estão) a maravilha descrita. Que o diga a de Macau, para citar um exemplo rápido.

Artigo interessante o de Carlão a respeito do Twitter. O assunto foi bem propositivo para uma edição de estreia. Idem o texto de Rubinho.

A entrevista com o empresário e produtor João Santana ficou demasiado longa para um assunto batido, exaurido pela mídia. Inclusive a local. Tudo bem, houve revelações inéditas. Mas nada que mudasse os rumos da discussão a respeito de quem foi Simonal.

Na contramão de outras críticas, achei interessante o "momento Caras" da revista. A sessão "10 perguntas a..." é bacana. A entrevistada não ajudou: respostas comportadas. Poderia ser mais polêmica.

A escolha da empresária Tereza Tinôco (minha prima!.rs) também poderia ter ficado mais interessante. Marize Castro alongou o texto. No jargão jornalístico, "encheu linguiça". Lá pelo oitavo parágrafo a entrevistada teve voz.

Uma dica - permita-me - é mudar o papel da sessão fotográfica para o couchê. A fotografia perde qualidade de imagem em papel jornal. Fosse assim, Fernanda Tavares ficaria ainda mais bonita.

A coluna de Vicente Vitoriano ficou fantástica. Sempre lia suas observações no Diário de Natal. Esperava mais uma. Mas ele fez valer uma temática polêmica e um texto mais produzido para uma publicação mensal.

A entrevita com K-Ximbinho feita por Dácio é de quem entende do riscado. Curta, direto ao ponto. Também o artigo de Jorge Galvão, interessantíssimo.

O teatro veio bem representado pelo grupo Facetas, Mutretas e Outras Histórias. A matéria eu já conhecia - foi herdada da pendente Ginga, do amigo Chico Moreira Guedes. Um primor descritivo e de uma sensibilidade ímpar.

Sávio Hackrady, ao contrário de Vicente Vitoriano, entregou um texto com a boa qualidade dos seus artigos semanais, também publicados no DN.

Nas últimas páginas, quatro artigos. O de François Silvestre é digno de recorte, para guardar e ler no futuro. O de Jão Saraiva aborda questão discutida em bastidores e inédita no papel. Cláudia Gazola levanta o tema feminista, sem novidades. E o advogado Roberto Furtado escreveu um rascunho sobre a ditadura e o papel da OAB à época. Ainda busco uma razão para a publicação desse texto.

Mas faço aqui as vezes de advogado do diabo e reconheça a dificuldade de um editor rejeitar o texto enviado, por pura elegância. Sei como é. Aliás, tenho aprendido com a edição da Ginga.

Em resumo: é uma primeira edição aberta ao aprendizado, à melhora. Espero. Erros de datilografia não foram difíceis de encontrar. Coisa besta, mas imperdoável para uma publicação que se pretende no nível de uma Piauí. A começar pelo nome da poeta Marize Castro, escrito com "s".

É uma publicação - como se imaginava antes - com enorme potencial para um projeto mais qualificado. E que valha o preço cobrado. Oito reais é caro, principalmente para a realidade local.

O misto de revista literária recheada com amenidades em momentos voltados à classe dondoca pode ser perigoso. Nem os literatos nem as dondocas podem se interessar, embora sejam públicos consumidores.

Ainda assim, acho cedo para críticas severas ou elogios exagerados. É só um primeiro número. Vamos ver no que dá. Torço pelo sucesso. Sou entusiasta dos projetos impressos. E hoje é dia comemorativo por aí: o plano Palumbo está todo esfuziante. É a província e seus ensaios de metrópole.

De Paul McCartney na Billboard


Da entrevista de uma página com Paul McCartney, dois momentos:

Você está tocando algumas músicas dos Beatles bem quando as remasterizações estão prestes a sair. Isso traz algumas recordações?
Eu sempre toco um pouco do que eu quero e um pouco do que o público quer ouvir. Acho que é interessante quando você tem algum tempo para considerar as coisas. Eu estava conversando com umas pessoas, outra noite num jantar, e elas tinham visto ou ouvido falar sobre o show e começamos a discutir sobre o peso do ponto de vista político, dos Beatles. Assim, muita gente, especialmente na América, vem até mim e diz: "Você mudou minha vida."
Toda essa ideia do peso dos Beatles é incrível. Alguém mencionou o lance da Rússia - a queda da Cortina do Ferro. Esse foi o espírito por trás do rock - por acaso acabamos simbolizando isso, porque tínhamos, possivelmente, mais visibilidade. Não é sempre que esse tipo de coisa tem uma influência global. Tivemos sorte porque estávamos numa época de comunicações globais - TV, discos e rádio estavam ampliando suas fronteiras. Outro dia eu estava fazendo um pouco de ioga e o professor disse: "Eu tenho que agradecer a você aos caras. Eu não estaria fazendo isso se não fossem os Beatles". Cada vez mais eu sinto isso.

Um aspecto do mundo moderno é o fato de os Beatles não terem abraçado o iTunes. Você já pensou nisso? Ou você acha que não ter sua música disponível lá o ajudou?
Isso realmente foi mencionado há alguns anos e todos nós nos comprometemos a reconsiderar. Mas houve um impasse com as pessoas que assumiram a EMI - houve alguns aspectos da coisa toda com os quais ficaram nervosos. Então, estamos apenas esperando. Entretanto, como você diz, é bem interessante, porque praticamente o mesmo tipo de coisa vai acontecer com o Rock Band, você vai poder baixar álbuns. Nós contornamos o impasse, realmente sem intenção. Mas creio que um dia estará tudo no iTunes.

Billboard Brasil - ela chegou!


A revista especializada em música mais famosa e antiga do mundo - a Billboard - lançou seu primeiro número no Brasil. E vem com toda a pompa que caracteriza a marca em seus 116 anos, espalhada em mais de 100 países.

Na capa, nada mais brasileiro: Roberto Carlos. Ainda entrevista com ninguém menos que Mr. Paul McCartney. Também com Quentin Tarantino. Uma matéria meio retrô, meio modernosa a respeito da nova-velha onda dos vinis. Textos opinativos. E mais as famosos paradas exclusivas da Billboard.

Achei legal uma retrospectiva dos 30 anos do punk no Brasil, desde as guitarras sujas do Ratos de Porão, Replicantes, até os refrões afrescalhados do NX Zero. Fiquei curioso pra escutar o trabalho de uma jovem chamada Roberta Campos - pela descrição me parece um folk bem bacana.

Quem procurar, adianto: o preço da revista é R$ 8,90.

Destaques da música potiguar 2009

MÚSICA
Semana passada comentei de literatura. Seguem meus destaques para a música potiguar em 2009, no curto espaço de notas: Na calda do cometa Khrystal, as bandas Rosa de Pedra e Tricor se mostram ao Brasil. Os festivais Mada e DoSol, também. Roberta Sá nunca foi natalense de fato, só de nascimento. Mas brilha, como os talentos femininos genuínos: Valéria Oliveira, Luciane Antunes, Simona Talma, Diana Cravo, Manuela Dac... A música de Cida Airam e Rejane Luna, lá do sul, ainda ecoa por aqui.

MÚSICA 2
DuSouto e seu Malokero High Society: dos grandes lançamentos musicais. O MPBeco mostrou o talento de Júlio Lima e revelou a diversidade musical potiguar. Geraldo Carvalho lançou Um Toque a Mais e zarpou pra Brasília. Antônio Ronaldo assumiu o microfone em Cd elitista, acima da média. Galvão Filho manteve o regionalismo excepcional em Achados e Perdidos. A música instrumental reinou, mesmo com a morte de Tico da Costa. E o Núbia Lafayette foi pago aos 44 do segundo tempo de 2009.

* Trechos da minha coluna publicada no último domingo no DN

OBS: O produtor Anderson Foca comentou mais abaixo que a verba do Núbia Lafayette não havia sido pago até sexta-feira. A informação passada por Babal - coordenador do Prêmio - foi de que estão sendo pagos em parcelas. Alguns artistas receberam e outro ainda não. Até o fim do mês, segundo Babal, todos receberão a verba.

Pequenas mudanças

Os leitores que comentaram abaixo devem ter notado um pequena mudança. Infelizmente precisei adotar um moderador. Basta de divergências. Ano passado permiti comentário de um leitor que denegriu fortemente a imagem do jornalista Franklin Jorge. O resultado foi a mágoa do de Franklin com minha pessoa. Semana passada precisei remover um comentário também pela pura ofensa pessoal. Deste modo, nada como um mediador. E que fique claro que a crítica à obra intelectual de quem for será permitida. Ofensas pessoais serão censuradas.

domingo, 15 de novembro de 2009

República cultural (?)

Segunda quinzena de novembro, Dia da República. Viva (?). A cultura potiguar permanece feudo de políticos ou refém de uma burocracia “nunca vista na história desse país”. Para garantir a lisura na promoção de projetos culturais, o monstro burocrático conduz o processo há mais de 50 instâncias até a aprovação. Depois, outra novela para liberação da grana. A lembrar o Prêmio Núbia Lafayette ou os editais de incentivo cultural.

A quem culpar tal estagnação? O poder público surge como primeira e quase sempre única opção. Detém a parcela maior de culpa. A desorganização e desunião de alguns segmentos artísticos também contribuem. Em Estados vizinhos coletivos promovem projetos independentes. Ou, organizados, conseguem recursos públicos. Em Natown, sequer um protesto de artistas consegue aglomerar indignados. A classe teatral talvez seja a exceção.

A Lei Câmara Cascudo de incentivo à cultura permanece carente de reformulação. Cerca de 80% dos recursos são distribuídos a quatro ou cinco projetos culturais, geralmente de forte apelo midiático e de fácil retorno financeiro às empresas parceiras. De camarote ou nas ruas, artistas ainda esperam o Fundo Municipal de Cultura, já que o estadual sequer é discutido.

A seara mais degradada ainda é a de publicações. Nenhum livro. Apenas uma revista durante um ano. Isso mesmo após a reforma da gráfica Manibu, pela Fundação José Gugu. O turismo cultural prevaleceu e se lança sob perspectivas preocupantes em 2010. A política de editais salvou a pátria cultural da city; barrou a prática do balcão, do pedido de patrocínio à mesa de gabinete. Foi quando o feudo potiguar mais se aproximou de uma verdadeira república cultural.

* Texto publicado em minha coluna impressa no DN neste domingo

sábado, 14 de novembro de 2009

Natal em Natal

Nesta segunda-feira a prefeita apresenta a programação oficial do Natal em Natal para os coleguinhas jornalistas. Será às 8h no Olimpo, da Hermes da Fonseca, óia que coisa chique. De certo será mais espaçoso que o Âncora Caipira, onde foi realizado o café da manhã para apresentar as novidades do FestNatal à esfomeada imprensa (ô catiguria faminta, viu?). Era um apertado só. Juro que estou curioso para saber da nova programação, mesmo com o buraco deixado pelo ENE.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Bacharelado de Cinema na UnP

O documentarista Fábio DeSilva avisa que a UnP criou bacharelado em comunicação social com habilitação em cinema. A grade foi fechada e o vestibular será aplicado já em 2010. Procurei algo na página da UnP (www.unp.br) e nada achei. De qualquer modo é uma novidade bacana. Cursei jornalismo na UnP e paguei a disciplina Cinema. Mas nada como um curso que una a técnica jornalística com o aprofundamento do tema.

Da antropofagia de Lula e Caetano

Por José Celso Martinez Corrêa

Hoje temos pela primeira vez na nossa história um corpo concreto de potencialização da cultura brazyleira: o Ministério da Cultura, e isso seu atual Ministro soube muito bem fazer, um CQD em seu texto.

Por outro lado, meu adorado Poeta Caetano, como sempre, me surpreendeu na sua interpretação de Lula como analfabeto, de fala cafajeste, abrindo seu voto para Marina Silva.

Nós temos muitas vezes interpretações até gêmeas, mas acho caetanamente bonito nestes tempos de invenção da democracia brazyleira, que surjam perspectivas opostas, mesmo dentro deste movimento que acredito que pulsa mais forte que nunca no mundo todo, a Tropicália.

Percebi isso ao prefaciar a tradução em português crioulo = brazyleiro do melhor livro, na minha perspectiva, claro, escrito sobre a Tropicália: Brutality Garden, Jardim Brutalidade, de Chris Dunn, professor de literatura Brazyleira, na Tulane University de New Orleans.

Acho, diferentemente de Caetano, que temos em Lula o primeiro presidente antropófago brazyleiro, aliás Lula é nascido em Caetés, nas regiões onde foi devorado por índios analfabetos o Bispo Sardinha que, segundo o poeta maior da Tropicália, Oswald de Andrade, é a gênese da história do Brazil. Não é o quadro de Pedro Américo com a 1ª Missa a imagem fundadora de nossa nação, mas a da devoração que ninguém ainda conseguiu pintar.

Lula começou por surpreender a todos quando, passando por cima das pressões da política cultural da esquerda ressentida, prometeica, nomeou o Antropófago Gilberto Gil para Ministro da Cultura e Celso Amorim, que era macaca de Emilinha Borba, para o Ministério das Relações Exteriores, Marina Silva para o Meio Ambiente e tanta gente que tem conquistado vitórias, avanços para o Brasil, pelo e xercício de seu poder-phoder humano, mais que humano.

Phoderes que têm de sambar pra driblar a máquina perversa oligárquica, podre, do Estado brasileiro. Um estado oligárquico de fato, dentro de um Estado Republicano ainda não conquistado para a "res pública". Tudo dentro de um futebol democrático admirável de cintura. Lula não pára de carnavalizar, de antropofagiar, pro País não parar de sambar, usando as próprias oligarquias.

Lula tem phala e sabedoria carnavalesca nas artérias, tem dado entrevistas maravilhosas, onde inverte, carnavaliza totalmente o senso comum do rebanho. Por exemplo, quando convoca os jornalistas da Folha de S. Paulo a desobedecer seus editores e ouvir, transmitindo ao vivo a phala do povo. A interpretação da editoria é a do jornal e não a da liberdade do jornalista. Aí , quando liberta o jornalista da submissão ao dono do jornal, é acusado de ser contra a liberdade de expressão. Brilha Maquiavel, quando ace ita aliança com Judas, como Dionísios que casa-se com a própria responsável por seu assassinato como Minotauro, Ariadne. É realmente um transformador do Tabu em Totem e de uma eloquência amor-humor tão bela quanto a do próprio Caetano.

Essa sabedoria filosófica reflete-se na revolução cultural internacional que Lula criou com Celso Amorim e Gil, para a política internacional. O Brasil inaugurou uma política de solidariedade internacional. Não aceita a lógica da vendetta, da ameaça, da retaliação. Propõe o diálogo com todos os diabos, santos, mortais, tendo certa ojeriza pelos filisteus como ele mesmo diz. Adoro ouvir Lula falar, principalmente em direto com o público como num teatro grego. É um de nossos maiores atores. Mais que alfabetizado na batucada da vida, lula é um intérprete dela: a vida, o que é muito mais importante que o letrismo. Quantos eruditos analfabetos não sabem ler os fenômenos da escrita viva do mundo diante de seus o lhos?

Eu abro meu voto para a linha que vem de Getúlio, de Brizola, de Lula: Dilma, apesar de achar que está marcando em não enxergar, nisto se parece com Caetano, a importância do Ministério da Cultura no Governo Lula. Nos 5 dedos da mão em que aponta suas metas, precisa saber mais das coisas, e incluir o binômio Cultura & Educação.

Quanto a Marina Silva, quando eu soube que se diz criacionista, portanto contra a descriminalização do aborto e da pesquisa com células-tronco, pobre de mim, chumbado por um enfarte grave, sonhando com um coração novo, deixei de sequer imaginar votar nela. Fiz até uma cena na Estrela Brasyleira a Vagar - Cacilda!! para uma personagem, de uma atriz jovem contemporânea que quer encarnar Cacilda Becker hoje, defendendo este programa tétrico.

Gosto muito de Dilma, como de Caetano, onde vou além do amar, vou pra Adoração, a Santa adorada dos deuses. Acho a afetividade a categoria política mais importante desta era de mudanças. "Amor Ordem e Progresso." O amor guilhotinado de nossa bandeira virou um lema Carandiru: Ordem e Progresso, só.

Apreendi no livro de Chris Dunn que os americanos chamam esta categoria de laços homossociais, sem conotação direta com o homoerotismo, e sim com o amor a coisas comuns a todos, como a sagração da natureza, a liberdade e a paixão pelo amor energia, santíssima eletricidade. Sinto que nessas duas pessoas de que gosto muito, Caetano e Dilma, as fichas da importância cultural estratégica, concreta, da Arte e da Cultura, do governo Lula, ainda não caíram.

A própria pessoa de Lula é culta, apesar de não gostar, ainda, de ler. Acho que quando tiver férias da Presidência vai dedicar-se a estudar e apreender mais do que já sabe em muitas línguas. Até hoje ele não pisou no Oficina. Desejo muito ter este maravilhoso ator vendo nossos espetáculos. Lula chega à hierarquia máxima do teatro, a que c orresponde ao papa no catolicismo: o palhaço. Tem a extrema sabedoria de saber rir de si mesmo. Lula é um escândalo permanente para a mente moralista do rebanho. Um cultivador da vida, muito sabido, esperto. Não é à toa que Obama o considera o político mais popular do mundo.

Caetano vai de Marina, eu vou de Dilma. Sei que como Lula ela também sente a poesia de Caetano, como todos nós, pois vem tocada pelo valor da criação divina dos brazyleiros. Essa "estasia", Amor-Humor, na Arte, que resulta em sabedoria de viver do brasileiro: Vida de Artista. Não há melhor coisa que exista!

Lula faz política culta e com arte. Sabe que a cultura de sobrevivência do povo brasileiro não é super, é infra estrutura. Caetano sabe disso, é uma imensa raiz antenada no rizoma da cultura atual brazyleira renascente de novo, dentro de nós todos mestiços brazyleiros. Fico grato a Caetano ter me proporcionado expor assim tudo que eu sinto do que estamos vive ndo aqui agora no Brasil, que hoje é um país de poesia de exportação como sonhava Oswald de Andrade, que no Pau Brasil, o livro mais sofisticado, sem igual brazyleiro canta:

"Vício na fala
Pra dizerem milho dizem mio
Pra melhor, dizem mió
Para telha, dizem teia
Para telhado, dizem teiado
E vão fazendo telhado"

SamPã, 6 de novembro, sob o signo de escorpião, sexo da cabeça aos pés, minha Lua de Ariano, evoéros!

Publicado no www.vermelho.org.br

Das listas de François Silvestre

"Vamos fazer uma lista dos dez maiores cretinos do Estado. Das dez maiores mentiras do Estado. Das dez maiores roubalheiras do Estado. Dos dez maiores bocós do estado. E depois uma lista das maiores besteiras da cultura do estado. Quem se habilita?
Abraço de françois, o bocó número um da lista. Por perder tempo lendo listas".

E aí, quem se habilita?

Os 10 filmes da década por Moacy Cirne

Na verdade foram 12 os listados pelo mestre Moacy. Com essa onda de melhores daqui e acolá desconfiei que o homem-lista fizesse a sua. Ponderei quando pensei na dificuldade de Moacy selecionar apenas 10 em uma década. Mais fácil seria nosso poeta seridoense listar os 10 melhores filmes de cada ano da década. Mas eis que o rapaz elaborou a sua (provisória!), publicada no Balaio Porreta e copiado aqui. Esta sim, uma lista de boas dicas cinematográficas. Dos 12 filmes listados, assisti apenas 3. Os dois últimos figuram minha lista. O Homem de Londres também poderia invadir minha seleção sem pedir licença. O resto já engordou minha lista de procura. Esse danado de Arca Russa eu já procurei e não achei.

Segue:

Provisoriamente:
OS MELHORES FILMES DOS ANOS 2000
(até o momento)
segundo a nossa leitura crítico-afetivo-libertinária

1. Uma visita ao Louvre (Straub & Huillet, 2003)
2. A cidade de Sylvia (Guerín, 2007)
3. A inglesa e o duque (Rohmer, 2001)
4. Juventude em marcha (Costa, 2006)
5. Arca russa (Sokúrov, 2002)
6. Amantes constantes (Garrel, 2004)
7. A viagem do balão vermelho (Hou, 2007)
8. O homem de Londres (Tarr, 2007)
9. Bamako (Sissako, 2006)
10. Tropical malady (Weerasethakul, 2004)
11. Dogville (Von Trier, 2003)
12. LavourArcaica (Carvalho, 2001)

Entrevista - Valério Andrade

Entrevista publicada no Diário de Natal de hoje com o promoter do Festival de Cinema de Natal (FestNatal), Valério Andrade. Aqui sai na íntegra e com uma pequena correção: o filme O Signo da Cidade será exibido em 25 de novembro (e não em 26, como saiu no jornal). Como o evento será promovido entre 19 e 26, e a programação colocou dois filmes no dia 25 e nenhum em 26, pensei que o release tinha errado. Também segue abaixo a lista dos artistas nacionais confirmados.

O FestNatal é promovido em um momento de crescimento da produção cinematográfica da cidade?
Coincidentemente tivemos o primeiro longa metragem – Sangue de Barro – agraciado com o prêmio Vidas na Tela pelo júri oficial formado por sete jurados. Até então só havíamos produzido curtas. Isso mostra que temos criatividade, vitalidade e boas perspectivas para o cinema potiguar. O fundamental nisso tudo é patrocínio. Sem isso é impossível fazer cinema.

Esse apoio tem sido dado pelo poder público ou parcerias com a iniciativa privada?
Ainda é incipiente. Ceará e Pernambuco dão muito mais. É um problema para ser corrigido. Talento existe, precisa de estímulo. O FestNatal, por exemplo, vai premiar o melhor curta com premiação de R$ 20 mil, tirado do orçamento do projeto.

Houve dificuldades de captar patrocínio este ano?
Ano passado começamos com a promessa de R$ 300 mil e terminamos com R$ 50 mil. Nem respondo mais quando perguntam. Minha parte é a seleção cinematográfica e presença de artistas. Pra falar a verdade, sou péssimo vendedor.

Qual o critério para a seleção dos oito filmes deste festival?
Não exibimos o que queremos. Para chegar aqui, o filme passar por quatro etapas: a concordância do diretor do filme, autor intelectual da obra; o produtor, responsável pela captação de recursos pro filme; o distribuidor; e o próprio exibidor, que muitas vezes prefere mostrar o filme só após entrar no mercado. Então, o FestNatal não reflete meu gosto pessoal. Procuro maior diversidade temática e artística, que reflitam a criatividade do cinema nacional, que no momento está ótima.

Quais os destaques desta edição?
Dias Amargos é um filme ainda inédito. Madona e Elvis também é novíssimo. Por outro lado também apresentaremos o filme Divã. Não podemos sacrificar o filme porque ele já foi exibido no mercado.

O sucesso da última edição do Goiamum Audiovisual colabora para a produção local e a promoção de eventos cinematográficos como o FestNatal já que forma público?
Quanto mais eventos relacionados ao cinema, melhor para a cidade. A proposta do Goiamum é diferente da do FestNatal. E quem ganha com a diversidade é o público. O cinema oferece um leque muito grande de discussão. E de temáticas, inclusive, como o cinema fantástico, o cinema gay, o cinema ecológico. É um segmento muito rico aberto a diferentes debates.

Artistas confirmados

Chico Anysio
Matheus Natchtergaele
Lima Duarte
Cid Moreira
Marcus Caruso
Elias Gleizer
Mauro Mendonça
Gorete Milagres
Zezé Motta
Rosa Maria Murtinho
Lea Garcia
Isabel Filardis
Irene Ravache
Patrícia Pillar
Mara Leuda Patrício

Filmes selecionados

Dias Amargos (19/11)
Inversão (20/11)
Elvis e Madona (21/11)
Tapete Vermelho (22/11)
Depois Daquele Baile (23/11)
O Grão (24/11)
Divã (25/11)
O Signo da Cidade (25/11)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Lista dos 10 + da década

Depois das trevas vem a luz, já dizia Madonna. As famigeradas listas voltaram. De nada valem, claro. Sequer indicam referências. Ou a opinião de cinéfilos seriam iguais.

Tácito Costa colocou no Substantivo Plural a lista dos 100 melhores filmes dos anos 2000, publicados no New York Times. Dos 30 primeiros só assisti 13. E só um deles aparece na minha lista dos 10 mais, embora também tenha gostado muito do Escafandro e a Borboleta.

Listas são assim: chatas para quem lê e divertidas para quem faz. O colega Fábio Farias publicou os 10 melhores filmes dele na Revista Catorze, baseado na lista do NYT e acrescentou mais dois por fora. A minha foi aleatória. Partiu do gosto pessoal e da lembrança falha.

Afora os filmes - e para ser ainda mais chato - acrescentaria ainda a categoria Diretor da Década: Clint Eastwood. A lembrar: Sobre Meninos e Lobos, Menina de Ouro e Gran Torino. Medalha de prata para Lars Von Trier - Dogville, Dançando no Escuro e O Anticristo. Mr Scorcese ficaria com o bronze, por O Aviador e Os Infiltrados.

1. Gran Torino (2008) - Clint Eastwood
2. Dogville (2003) - Lars Von Trier
3. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001) - Jean-Pierre Jeunet
4. Lavoura Arcaica (2001) - Luiz Fernando Carvalho
5. Dançando no Escuro (2000) - Lars Von Trier
6. Vicky Cristina Barcelona (2008) - Woody Allen
7. Réquiem Para um Sonho (2000) - Darren Aronofsky
8. Pequena Miss Sunchine (2006) - Jonathan Dayton
9. Mar Adentro (2004) - Alejandro Amenábar
10. Boa Noite Boa Sorte (2005) - George Clooney

Pre-estreia de Lula, o Filho do Brasil

Antes os jornalistas deste Rio Grande pudessem sobreviver do salário dos jornais. Fosse assim não precisaria me virar em mais três e estaria na próxima quinta-feira na pré-estreia do filme Lula, o Filho do Brasil. E com a presença do próprio durante a exibição. Será na próxima quinta-feira no Teatro Guararapes, Centro de Convenções de Olinda. No dia seguinte haverá coletiva no Recife Palace Hotel (onde jornalistas ficarão hospedados) com as presenças do diretor, Fábio Barreto, e dos atores Glória Pires, Rui Ricardo Dias, e Juliana Baroni, além dos produtores Luiz Carlos e Paula Barreto, da LC Barreto. Perdi, perdi tudo. E assim caminha a humanidade, sempre na correria.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Novidades da Palumbo

A Revista Palumbo será muito mais do que uma publicação impressa. E desconfie, amigo leitor, de qualquer lançamento do gênero nestes tempos de informação em tempo real. Qual o louco se aventura em um mercado tendenciosamente em baixa ou certamente de pouco lucro? Cabe análises mais profundas em situações do tipo.

Os cinco editores da Palumbo têm projetos mais ambiciosos. A revista talvez seja o carro-chefe. Pode ser. Mas há a intenção de promover seminários, eventos culturais e editoração de livros (já há três no prelo, de autoria do falecido Moacir de Góes). Tudo isso sob a parceria com a iniciativa privada e o poder público.

Para essa gama de atividades, nada mais eficiente do que os cinco envolvidos no projeto: Albimar Furtado, Dácio Galvão, Osair Vasconcelos, Afonso Laurentino e Tarcísio Gurgel. Uma mostra do que virá pode ser vista na noite de lançamento, nesta sexta-feira no auditório da Fiern, a partir das 18h.

Na noite haverá concerto de Paulo Moura e banda, com participação de Gereba e lançamento de dois CDs importantíssimos: K-Ximbinho Sanfonado e K-Ximbinho Duetos. Os CDs saem pela Nação Potiguar, capitaneada por Dácio. A noite contará ainda com a participação dos músicos Carlos Zens, Chico Beethoven, Zé Hilton e Jubileu Filho.

Entre os colaboradores desta primeira edição estão os jornalistas François Silvestre e Rubens Lemos Filho, e o tradutor Chico Moreira Guedes. Haverá também algumas páginas dedicadas a um dos grandes juristas brasileiros. Não me recordo o nome. Um nome também incluso como colaborador promete polêmica. Não posso revelar. Não é daqui e faz das suas letras algumas alquimias.

Até sexta pra quem for.

PEC dos jornalistas aprovada

Em votação simbólica ocorrida na manhã desta quarta-feira a Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 386/09. A FENAJ prossegue com a vigília nacional em defesa da profissão de jornalista e pela aprovação da matéria, agora na CCJC do Senado. A votação na CCJC da Câmara ocorreu através do voto das lideranças das bancadas com presença na Comissão. O único voto contrário foi da bancada do PSDB. A votação é um atestado da constitucionalidade da exigência do diploma e uma garantia de que não existe conflito entre a regulamentação profissional dos jornalistas e o direito à livre expressão, como explica o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade.

Do bondinho à geração paz e amor

Pena as fotos pertencerem a um formato impublicável no blogspot. O material é muito bacana. Quatro imagens estão na edição de hoje do DN. O livro parece muitíssimo interessante.

Natal foi radiografada desde a sua época preto e branco, de cenários ainda mais provincianos, até o colorido psicodélico da década de 70. E nesse carrossel do tempo estão os primeiros bondinhos, o ensaio revolucionário com a Intentona Comunista de 1935, a invasão americana durante a 2ª Grande Guerra, até a fase pop-indignada do yeah, yeah, yeah, provocada pela beatlemania e toda uma mudança de comportamento juvenil, desafogada na geração paz e amor. Esse percurso de seis décadas foi transferido em palavras e fotografias no livro Dos Bondes ao Hippie Drive-In (Editora UFRN, 500 pág, R$ 40). O lançamento será às 19h desta quinta-feira, no Clube de Engenharia (Rádio Amador), no Tirol.

Os irmãos-autores – Carlos e Fred Rossiter – percorreram o período de 1915 até 1975 pelas vivências, recordações e registros documentais e fotográfico do pai João Sizenando Pereira Filho, que morreu com quase um século de vida. O resto partiu do mergulho nas lembranças adolescentes dos irmãos nas revolucionárias décadas de 60 e 70. O trabalho também esteve calcado em pesquisas e entrevistas. Tudo para montar a arquitetura de episódios curiosos e hábitos marcantes da história de Natal como o primeiro bonde, a primeira banda de rock, o primeiro biquíni... E tudo superposto à contextualização histórica do período. “Nossa intenção foi produzir um livro leve, curioso e distinto em relação a outras publicações sobre Natal”, afirmou Fred Rossiter.

Fred e Carlos procuraram amigos distantes 40 anos e até colegas do jardim de infância para arquitetar tijolo a tijolo a montagem de fatos pioneiros da cidade, como a primeira exibição de filme em Natal; a mudança dos bondes puxados a burro aos bondes elétricos; as peripécias da juventude natalense nos anos 1920; a inauguração do Estádio Juvenal Lamartine e do Cais do Porto; a Natal de Djalma Maranhão e os estudantes do Atheneu; a infância e juventude dos autores na Cidade Alta e Petrópolis; os festivais de MPB em Natal; os embalos do ABC; e do surgimento da boate Hippie Drive-In, na então longínqua estrada de Ponta Negra. Tudo dividido em sete capítulos e recheado de crônicas e 400 fotografias raras.

No capítulo Natal Pop, os autores destacam a geração ‘paz e amor’, o primeiro biquíni na cidade... “Era quase um maiô”. Também a Sociedade Cultural Brasil - Estados Unidos (SCBEU), “o primeiro curso de inglês instalado em Natal. À época, os jovens se interessaram pela língua inglesa para entender a músicas dos Beatles. Corria o boato que os diretores da escola eram espiões do FBI em Natal”, lembra Fred. Ainda no capítulo, a primeira banda de rock de Natal, financiada por um irmão Marista: os The Shouters. O título foi influência direta do clássico Twist and Shout, interpretado pelo quarteto de Liverpool. Amiga dos integrantes da banda, a estudante Ivone Lira, “a primeira mulher a possuir uma guitarra em Natal. Hoje ela é dona do restaurante Talher”, segundo Fred.

“Voltamos também aos anos 60, tempo das tanajuras espetadas pelo rabo; dos ‘lacerdinhas’ nos pés de fícus que nos atazanavam os olhos; das séries do Cinema Rex, de Elvis Presley no Rio Grande. Tempo dos ‘aluizistas’, dos ‘dinartistas’, do Programa ‘De pé no chão também se aprende a ler’ e dos nossos maiores temores infantis: a viúva Machado e Maria ‘Mulamanca’”, relata o autor. E recomenda: “Quem conheceu Jerônimo o Herói do Sertão, o Cinema Poti, as tartarugas da Praça Pedro Velho, o Sebo de Cazuza, os bailes no ABC, as ‘Anastomoses’ no América, o ‘Seu Talão vale um Milhão’, a loja de discos de Helisom, os gibis e peladas de rua, a Rita Loura, certamente não deixarão de se emocionar”.

Dos Bondes ao Hippie Drive-In
Data e hora: Quinta-feira, às 19h
Onde: Clube de Engenharia – Rádio Amador (Av. Rodrigues Alves – Tirol)
Quanto: R$ 40
Contatos: Fred Rossiter (fredrossiter@uol.com.br) ou 9401-4550.

Rei Roberto na voz de Claudianna Antunes

A cantora e compositora Claudianna Antunes apresenta amanhã às 20h, no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel o show Claudianna Canta Roberto Carlos. No repertório, escolhido por ela, canções que fizeram história na voz do Rei, como As Curvas da Estrada de Santos, Negro Gato, Detalhes e Preciso Saber Viver. Claudianna será acompanhada pelos músicos Arthur Varela (guitarra), Sérgio Mendonça (baixo), Edinho Estevam (teclado) e Isaac Costa (bateria).

”Sempre gostei do Roberto, mas só em 2007 inclui suas músicas em meu repertório. Ele canta o amor, a paz e Deus e isso me faz ficar próximo dele”, diz a cantora, que iniciou sua carreira em 1986, na TVU. Claudianna também participou do Projeto Seis e Meia, no Teatro Alberto Maranhão, e fez temporadas na Paraíba, onde teve uma composição executada em duas rádios. Nos anos de 2005 e 2006 ganhou dois troféus como destaque no projeto cultural da Assembléia Legislativa do RN.

REPERTÓRIO DO SHOW

01- Nossa canção
02- As curvas da estrada de Santos
03- É preciso saber viver
04- Eu te amo
05- As canções que você fez pra mim
06- Amor perfeito
07- Ninguém vai tirar você de mim
08- E não vou deixar você tão só
09- A guerra dos meninos
10- O quintal do vizinho
11- Não vou ficar
12- Como é grande o meu amor por você
13- Negro gato
14- Detalhes
15- Se você pensa

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Tuitando com Rafinha Bastos

rafinhabastos: O apocalipse chegou e só Madonna será salva. Só ela tem Jesus e luz.

Pela Cidade

O Show intitulado Pela Cidade marcará a estreia do Trio Três da Matina nos palcos natalenses. São três jovens músicos que pretendem oferecer ao público a oportunidade de apreciar uma abordagem de câmara para a música popular potiguar. O Trio Três da Matina é formado por Caio Padilha no violão e voz, Hugo Shin no oboé, voz e escaleta, Igo Rodrigues no violão e guitarra semi-acústica. O show acontece amanhã e quinta-feira.

O repertório do show tenta intercalar os diversos ritmos brasileiros com uma leve abordagem erudita proporcionada principalmente pelo oboé e pelo tipo de execução violonística. Desta vez o show será apreciado na Casa da Ribeira através do projeto Cena Aberta com o valor popular e único de R$ 5.

O Projeto Cena Aberta foi idealizado para dar acesso democrático aos públicos da cidade às apresentações ou eventos de música, dança e teatro em parceria com artistas do Estado. O projeto é um estímulo às apresentações de shows, espetáculos, workshops e seminários e faz parte das iniciativas para o Desenvolvimento Humano da Casa da Ribeira educação & cultura. Esse projeto é realizado graças ao patrocínio da COSERN e do Governo do Estado do RN através da Lei Câmara Cascudo de incentivo à cultura.

Show Pela Cidade
Onde: Casa da Ribeira educação & cultura
Data e hora: Quarta e quinta-feira, às 20h
Quanto: R$ 5 (preço único)
Informações: www.casadaribeira.com.br e 3211.7710

Atração cancelada

O Bar e Petiscaria Seis em Ponto cancelou hoje o show com os cantores da banda cearense Forró do Muído, anteriormente anunciado pelos promotores do evento para esta quarta-feira. Em acordo com os organizadores da festa e em atenção aos moradores próximos ao estabelecimento, a atração foi suspensa e todos agora podem beber e comer em paz. O bom gosto agradece.

Euclidianos e Conselheiristas


O livro "Euclidianos e Conselheiristas: um quarteto de notáveis" (Editora Terceiro Nome, R$ 29) será lançado hoje em São Paulo e registra o debate, realizado em 1986, entre notáveis da cultura brasileira sobre a vida e a obra de Euclides da Cunha - autor do monumental Os sertões. Com trajetórias tão distintas quanto brilhantes, Antonio Houaiss, Franklin de Oliveira, José Calasans e Oswaldo Galotti oferecem aos leitores suas contribuições de inestimável valor aos estudos do grande escritor brasileiro. “Todos eles euclidianos eméritos, de dedicação de vida inteira, defendiam posições no mínimo dessemelhantes, quando não opostas”, explica Walnice Nogueira Galvão, coordenadora do encontro que também contou com a participação de José Carlos Garbuglio e Valentim Facioli.

Desse confronto de ideias nascem afirmações memoráveis: “Quem lê Euclides da Cunha, desde o primeiro momento vê que há dois Brasis: um inclemente, e outro vítima das inclemências”, afirma Antonio Houaiss. Para Franklin de Oliveira, Euclides “compõe Os sertões como um compositor comporia uma sinfonia. Não há coisa fora do lugar. Até aquilo que parece repetição, não é: cumpre uma função artística”. José Calasans vê Antônio Conselheiro como “vítima das contradições do Euclides: o Conselheiro fica preso no que eu chamo ‘a gaiola de ouro de Os sertões’”. Já Oswaldo Galotti ressalta um aspecto da construção da obra: “A linguagem, para Euclides, era a conscientização da realidade. [...] Por isso é que nós dissemos, no início, que Euclides tinha uma determinada genialidade”.

Auto de Natal - primeiros ensaios

Enquanto Clotilde Tavares se recupera da ebulição fervilhante do Festival DoSol e das férias forçadas, os primeiros ensaios para o espetáculo Auto de Natal 2009 são iniciados. Será hoje, às 18h, na Capitania das Artes. Na oportunidade o presidente da Funcarte, Rodrigues Neto, dará as boas vindas ao elenco que está envolvido na produção do espetáculo.

O tema deste ano será Maria, José e o Menino Deus. Foram selecionados 120 artistas. O texto, como se sabe, é do cineasta Edson soares. E a direção do espetáculo ficou mesmo com o competente diretor Henrique Fontes. A coreografia é de Ana Cláudia Viana e Anádria Rassyne. Os ensaios acontecem de segunda a sábado, das 18h às 22h.

Natal recebe Os Apaches de volta

Lembra aquele aforismo de que ladrão que rouba ladrão ganha 100 anos de perdão? É o que pode acontecer se a ideia de uma galera aí der certo. Eles querem resgatar o bom e velho carnaval de rua de Natal e os chamados "blocos de elite". Quem é da época lembra, tinham os "assaltos": quando os integrantes do bloco invadiam a casa de um amigo para brincar, comer e beber. Tudo sadio e divertido.

Um grupo formado por empresários, profissionais liberais, jornalistas, administradores de empresas, quer reviver um dos mais tradicionais blocos da época: Os Apaches. O bloco sairá no sábado, domingo e na terça. Segundo eles, estão previstos dois assaltos por dia. O perigo é na saída serem assaltados de verdade, todos de bucho cheio.

Diversas reuniões já foram feitas e, pelo andar da alegoria, tudo leva a crer que Natal reviverá seus bons tempos. Tomara. A intenção é que as tradições sejam mantidas. E para este jovem mancebo passado dos 30 e curtiu apenas os carnavais antigos da Redinha terão a oportunidade de vivenciar momentos ímpares da nossa história.

Imprensa da Emater em "mudança"

O jornalista Iano Flávio saiu da assessoria de comunicação da Emater/RN e avisou que outras mudanças virão. Isso me cheira a mudança de governo. É o perído de "vendas" à solta. A imprensa comprometida que se segure.

Tuitando com Alex Medeiros

alexmedeiros59: Vou repetir: sou bom em 140, 1.400 ou em 14.000 caracteres. E se já incomodava no jornal, na Web serei cada vez mais desmancha prazer.

Confirmações do Festnatal

O Festival de Cinema de Natal será realizado entre 19 e 26 de novembro, mais uma vez no Moviecom. Depois da dança de patrocínios entre prefeitura e governo do estado em anos anteriores, a 22ª edição conseguiu o apoio das três esferas do poder executivo. O orçamento fechou em R$ 240 mil. O Ministério da Cultura prometeu a maior fatia: R$ 100 mil. A prefeitura bancou R$ 60 mil. E o Governo do Estado financiou – mesmo procurado em cima da hora, na última sexta-feira – R$ 80 mil.

A organização do evento adiantou à coluna alguns nomes nacionais já confirmados: Chico Anysio, Cid Moreira, Zezé Mota, Maria Ceiça e o casal da novela Paraíso: Santinha e Zeca, vividos pelos atores Natália Dill e Eriberto Leão. Os dois receberão também o troféu Estrela do Mar pela votação na enquete de preferência do público para participar do festival. Faltam confirmar Lima Duarte, Irene Ravache, Gorete Milagres e Matheus Natchtergaele (recorri ao google para escrever o nome, confesso).

Sete filmes foram selecionados. Toda a programação será anunciada em café da manhã para imprensa nesta quinta-feira, no Âncora Caipira. Um dos filmes é Tapete Vermelho, elogiado pela crítica e protagonizado por Natchtergaele (agora aprendi). A novidade deste ano será o Festival da Criança, com duas salas de filmes exclusivas à criançada. A coordenação do evento mais uma vez está a cargo de Valério Andrade. O vereador Júlio Protásio ficou responsável pela articulação junto à seara governamental – muito bem sucedida, por sinal.

* Texto publicado na coluna impressa no último domingo no DN

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

João Maia no CQC

Depois de promoverem a imagem cheia de gracinhas dos senadores Garibaldi Filho e José Agripino, o repórter do programa CQC, Danilo Gentile, abordou o deputado João Maia no Congresso. Perguntou pura e simplesmente o que significava TCU. O deputado respondeu que sabia, mas não iria falar, depois ironizou e disse que estudaria o assunto para explicar depois. Sob insistência do repórter, disse que estava atrasado e que pessoas o esperavam no gabinete há meia hora. Pegou mal, muito mal.

A esquerda depois do Muro


Afora o Festival DoSol, que ainda rende, os assuntos do momento na província são a expulsão da loira libidinosa da Uniban e as velinhas de aniversário de 20 anos da queda do muro de Berlim. Como acho o segundo assunto mais interessante, publico o texto abaixo: um editorial do jornal Pátria Latina. Opinião minha: o socialismo real nunca existiu de fato. Nem na URSS, muito menos na ditadura cubana. O mundo nunca esteve preparado para vivenciar a ideologia apregoada por Che Guevara e outros. Por trás do sistema político, o socialismo também prega igualdade, lealdade. Ora, isso é utopia. Como afirmou François Silvestre, ainda somos uma "pré-humanidade". Que o diga a "santa" aluna da Uniban ou seus coleguinhas fascistas.

A Esquerda depois do Muro

A queda do Muro de Berlim marca o fim do período aberto com a Revolução Soviética de 1917 que - para dizê-lo em palavras de Georgy Lukacs - colocou o socialismo como um tema da “atualidade histórica. As lutas revolucionárias, mesmo na atrasada periferia capitalista, passaram a ter o socialismo como objetivo. A passagem do capitalismo à sua fase superior, o imperialismo - segundo a clássica analise de Lenin, confirmada pelas duas guerras mundiais, ambas interimperialistas - constituía uma cadeia mundial que articulava a todas as sociedades existentes. A Revolução Soviética era explicável nessa lógica e se via como possivel "saltar etapas", construir uma revolução anticapitalista dirigida pelo proletariado.

"Revolução socialista ou caricatura de revolução", disse décadas depois o Che, sintetizando o significado da atualidade da revolução socialista. Os grandes debates da esquerda se davam então em torno das estratégias diretamente socialistas ou etapistas, reformistas ou revolucionárias, parlamentares ou insurrecionalistas, mas sempre na direção do socialismo. O tema do poder e da profundidade que deveriam ter as transformações uma vez alcançado esse objetivo, estavam também no centro dessa discussão.

O proceso chileno do comeco dos anos 70 é um claro exemplo desses debates e dilemas. Discutiam-se as vias de construção do socialismo, mas não o objetivo em si, o socialismo - mesmo Allende tendo sido eleito com um terço dos votos e a Unidade Popular ter conseguido aumentar para um máximo de 43% dos votos seu apoio. Ainda assim Allende começou a colocar em prática um programa que pretendia expropriar as 150 maiores corporações instaladas no Chile. Mas como destruir o capitalismo e constuir o socialismo, sem contar com o apoio da grande maioria do país? A esse dilema teve que se enfrentar a esquerda chilena, sem nunca questionar se as condições para a implantação imediata do socialismo estavam dadas.

1989 e suas consequências imediatas - o fim do campo socialista, da URSS e da bipolaridade mundial - fizeram com que o mundo ingressasse em um novo periodo histórico. Terminou a etapa da bipolaridade e o socialismo desapareceu da agenda mundial como "atualidade histórica". A isto se somou a adesao da China a uma economia de mercado e a virada de Cuba para uma situação de defensiva, durante seu "período especial" e, no campo da esquerda, ter como objetivo central a luta antineoliberal.

Esse novo período se caracterizou tambem pela passagem de um ciclo longo expansivo do capitalismo - que Hobsbawn caracterizou como "a era de ouro do capitalismo", do segundo pós guerra à crise de 1973 - a um ciclo longo recessivo e por passar da hegemonía de um modelo regulador (ou keynesiano ou de bem-estar social) a um modelo desregulador, neoliberal. A combinação dessas três viradas - todas de caráter regressivo - fizeram com que a esquerda passasse de um protagonismo essencial a uma situação de defensiva e de perda de iniciativa.

Sua nova cara apareceu com o Fórum Social Mundial, que levantou um lema minimalista, já não mais anticapitalista e socialista, mas simplesmente "Um outro mundo é possível". Não se menciona que mundo será esse, ainda que se possa deduzir que seja antineoliberal, mas não necessariamente anticapitalista. Nesses lemas a referência ao capitalismo desaparece, mesmo se se faz referência direta à mercantilização - "O essencial não tem preço" -, característica essencial das análises de Marx.

Com o muro caiu tambem uma determinada maneira de interpretar o mundo. Na era bipolar havia duas interpretacoes em disputa: uma considerava que a contradição fundamental no mundo contemporâneo era entre capitalismo e socialismo; a outra acreditava que era entre democracia e totalitarismo. Com a vitória do bloco ocidental triunfou tambem sua versão do mundo e a democracia liberal passou a ser sinônimo de democracia, enquanto a economia capitalista se tornou equivalente a economia.

O tamanho da derrota e dos retrocessos para a esquerda foram enormes e, ao mesmo tempo, difíceis de medir concretamente. Basta dizer que a chamada "globalização" se erigiu em alguns dos seus aspectos fundamentais sobre esses reveses. A incorporação ao mercado mundial de territórios que estavam parcial ou totalmente subtraídos dessa órbita, como a China, os países do leste europeu e a Rússia.

As empresas estatais foram maciçamente transferidas para o mercado mediante extensos e acelerados processos de privatização. Recursos naturais como a água foram mercantilizados e passaram a mãos privadas. Os direitos à saúde e à educação foram transformados em bens negociáveis no mercado. Os Estados planificadores foram reduzidos ao Estado mínimo. A abertura dos mercados debilitou as soberanias nacionais. A maior parte dos trabalhadores deixou de ter a segurança dos contratos de trabalho.

Vítimas privilegiadas deste novo período foram a classe trabalhadora e o movimento sindical; o socialismo e as forças de esquerda; o Estado, os partidos e a política; a planificação econômica e as soluções coletivas. O individualismo possessivo, o mercado, o egoísmo, o consumismo, os shopping centers, as grandes marcas, as empresas como símbolo do dinamismo econômico, entre outros valores, passaram a constituir o novo modelo econômico. O neoliberalismo tornou-se dominante não apenas como política de governo, mas como modelo hegemônico, como valores, como forma de vida.

Nesse marco, o que caracteriza a esquerda do século XXI, aquela posterior à queda do Muro? Antes de tudo, ser antineoliberal. O neoliberalismo representa a forma mais desenvolvida do capitalismo, porque promove a seu nível mais alto a mercantilização, a transformação de tudo em mercadoria, a conversão do mundo em um lugar em que tudo tem preço, tudo se vende, tudo se compra. É o modelo hegemônico que articula todo o sistema econômico, político e ideológico do poder mundial. Mas o que significa ser
antineoliberal?

Não somente opor-se e resistir às políticas neoliberais, mas desmercantilizar, afirmar direitos contra a competição do mercado, construir a esfera pública contra a esfera mercantil. Na América Latina é onde a nova esquerda pós-Muro de Berlim mais se desenvolveu. É aqui onde o neoliberalismo nasceu. Aqui os governos dessa tendência mais se multiplicaram e da forma mais radical. Nossa região reagiu frente às graves consequências dessas políticas, elegendo, desde 1998, o maior número de governos progressistas da nossa história. Governos que têm diferenças em suas políticas, mas todos se caracterizam por dois elementos essenciais: todos eles privilegiam os processos de integração regional contra os Tratados de Livre Comércio com os EUA e o privilégio que dão às políticas sociais em contraposição ao privilégio dos ajustes fiscais do neoliberalismo.

Esta nova esquerda, nascida da resistência ao neoliberalismo, tem assim diferenças no seu interior: por um lado estão os governos mais moderados, como os do Brasil, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai, de El Salvador, da Nicarágua; e os mais radicais, como os da Venezuela, da Bolívia, do Equador, de Cuba. Mas todos se colocam como objetivo a superação do neoliberalismo, alguns para construir modelos pós neoliberais, outros para avançar na direção do anticapitalismo e do socialismo. Trata-se de uma esquerda que se deu conta de que não basta resistir, denunciar e protestar - tarefas indispensáveis de quem se opõem a um mundo dominado pelo poder das armas, do dinheiro e do monopólio da palavra -, mas que também é preciso construir o "outro mundo possível", como alternativa concreta, para o que é preciso disputar hegemonia, inovar projetos e vias, se lançar a criar a esquerda do século XXI, para que os reveses tenham sido tropeços e não quedas, e as lições sirvam para avançar em lugar de seguir chorando sobre o Muro caído.

Editorial do Pátria Latina – 9/11/2009

Penso, logo desisto

O homem preso no buraco fundo se desespera quando ainda jogam areia nele. Só depois percebe que a medida que a areia cai, o buraco diminui e ele consegue sair. Mas sair pra junto dos filhos da mãe que jogam areia na gente? Melhor a solidão do buraco.

Com Carito

O danado do Carito é mais do que poemusica. Dom de família, deve ser. Fiquei mais leve depois de ler o texto abaixo. Nada como roubar texto dos outros. Encontrei lá no blog de Mário Ivo. E tem mais por lá:

Lampião só queria ver o mar

A avô de Joane (minha mulher), Dona Maria do Carmo, quando era criança, testemunhou uma passagem de Virgulino Ferreira lá por perto de Mossoró. Ela conta que quando ele passou por perto do sítio onde ela morava tudo se calou: grilo, bicho, vento e as crianças que pararam de chorar e assim não chamaram a atenção de Virgulino Ferreira, o Lampião.

Se você traçar uma reta lá de dentro do sertão em direção ao mar ela vai bater em Ponta do Mel. Vindo lá do rio São Francisco, de Angicos, Alagoas direção Pernambuco, passando por Serra Talhada, seguindo em frente passando por Mossoró... Mas Lampião não passou! Lampião entrou em Mossoró e os mossoroenses expulsaram Lampião com uma chuva de balas.

Por isso que tem gente que diz que Lampião só queria ver o mar! Mas os mossoroenses não deixaram. De vez em quando o mar se cala em Ponta do Mel. Como se ainda estivesse esperando ele chegar. (Carito)

Tuitando com Eduardo Alexandre

Dunga53: O porquê da revolta da Uniban? Homens: Geisy mostrava, mas não dava. Mulheres: os olhos masculinos eram só para ela.

DoSol midiático

Não me recordo nestes meus cinco anos de profissão ou até mais de leitura jornalística um evento com tamanho espaço na mídia. E mídia espontânea, ressalte-se. A última divulgação em massa que me lembro foi o lançamento do livro de crônicas de Rodrigo Levino. O Festival DoSol conseguiu "invadir" os veículos impressos, os noticiários televisivos e spots radiofônicos por dias a fio. A internet sempre foi o veículo de maior devoção e propagação de Mr. Anderson Foca e seu projeto DoSol. No twitter chegou a ficar chato tanto comentário e elogios de tanta gente.

Confesso que sempre me surpreendo com a procura desenfreada pelos ingressos e o aglomerado de milhares de pessoas na Rua Chile nos dois dias de evento. No Mada há várias explicações plausíveis, até pela diversidade de estilos musicais, pelo local, etc. A filosofia do Festival DoSol é rock pauleira. Nunca penso que essa turma seja tão numerosa. E que bom que Natal aglomera dois festivais deste porte, de repercussão nacional. Parabéns a Foca, Ana Morena e companhia. O evento só ratifica o que todos desconfiam: o rock ainda manda!

Lula internacional

O filme Lula - O Filho do Brasil será lançado em janeiro com mais de 500 cópias e já prepara também uma ambiciosa carreira internacional, informa a coluna Mônica Bergamo publicada na Folha desta segunda-feira (9). De acordo com informações da colunista, o produtor do filme, Luiz Carlos Barreto, se reuniu recentemente em Buenos Aires com o milionário argentino Eduardo Constantini Jr., com quem está montando uma empresa para comercializar o filme pela América do Sul. Na Argentina, o longa será lançado com cem cópias em março.

Curtacom começa hoje

A província de tantas cenas e roteiros, onde em cada esquina há poetas e menos jornais, recebe hoje e amanhã a 5ª edição do Festival Universitário de Curtas (Curtacom). O evento será realizado no auditório da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern). Serão exibidos 35 vídeos oriundos das principais universidades do país. O objetivo do Curtacom é divulgar as recentes produções universitárias e promover uma interação entre a sociedade e o mundo acadêmico.

Pouco mais de um mês depois do 3º Goiamum Audiovisual (onde o cinema foi discutido e mostrado por longas três semanas) e às vésperas da 22ª edição do Festival de Cinema de Natal (Festnatal), o Curtacom se consolida com festival de cinema de proposta diferente e encontra seu espaço no calendário cultural natalense. A exibição de vídeos universitários e o intercâmbio com outras universidades é incentivo à prática e evolução do audiovisual potiguar.

Este ano 90 vídeos de instituições de ensino superior se inscreveram, sendo 35 selecionados para concorrer ao Troféu Curtacom nas categorias de ficção, documentário, experimental, videoclipe, animação e júri popular. Durante o evento acontece também a 3ª Mostra Fotográfica Curtacom, que tem como tema Valor da Terra - Valor da Gente.

A programação de hoje tem início às 18h, com a abertura da 3ª Mostra Fotográfica Curtacom. A partir das 19h começam as exibições dos curtas nas categorias animação, experimental e documentário. Amanhã, fechando o 5º Festival Curtacom, serão exibidos os vídeos da categoria de ficção e videoclipe a partir das 19h. A programação completa encontra-se disponível no site www.curtacom.com. A entrada é gratuita.

Lista dos vídeos selecionados:

EXPERIMENTAL

TRICÔ
Denise Leal (UFRN)

O TEMPO
Lorena da Silva Figueiredo (UNB - DF)

SESSÃO DE GALA
Vitor Ali (UFRJ)

A SAUDADE É UM FILME SEM FIM
Rafael de Almeida (UNICAMP - SP)

VIDA LONGA, REVOADA
Igor Augusto Pereira (UFGO)

CURTO CIRCUITO
Rafaela Bernardazzi (UFRN)

NIPON
Rafael Jardim (FTC - BA)

ANIMAÇÃO

BLACKBOARD FIGHTER
Ian Costa (UFCG)

QUAL É A SUA, CARA?
Hib Saib Neto (UVV - ES)

SOMA / CONJUNTO
Rafael Jardim (FTC- BA)

A TERRA A GASTAR
Cássia Itamoto e Celina Kurihara (FAU-USP)

DOCUMENTÁRIO

A BATIDA DA LUA NOVA
Riccardo Migliore (UFCG)

VIDAS NO VERMELHO
John Nascimento e Bárbara Hanna (UNP- RN)

DIFÍCIL ESCOLHA
Mariana Lins (UCB - RJ)

ELAS SÃO QUENS! DRAGSTARS
Jô Fagner (UFRN)

SÉRIE.EM.SÉRIE, HISTÓRIA QUE SE REPETEM
Filipe Cartaxo e Juliana Rangel (UFBA)

NOSSA TERRA, ÁFRICA.
Joanisa Prates (UFRN)

ENQUANTO A JUSTIÇA TARDA
Fabiano Raposo (UFCG)

FICÇÃO

NOVA BANDEIRA PARA A NAÇÃO
Paulo Macedo do Vale (FAAP - SP)

OS ÚLTIMOS MOMENTOS PARA SER O QUE EU QUISER
Lígia Gabarra (FAAP - SP)

ZÔO
Alexandre Nakahara (UNICAMP - SP)

CONFISSÃO
Iuli Gerbase (PUCRS - RS)

MUDO
Thiago Koche (UNISINOS- RS)

LÁGRIMAS DE OGUM
Renan Brandão (RJ)

À MARGEM
Tatyane Macedo de Oliveira (UFRN)

NA LINHA DO HORIZONTE
Thiago Ballvé (ESPM - RS)

DARLUZ
Leandro Goddinho - Universidade Anhembi Morumbi (SP)

EU NÃO SEI ANDAR DE BICICLETA
Diego Florentino (FAP- PR)

VÍDEOCLIPE

DES-IGUAL (Muse)
Hib Saib Neto (UVV- ES)

O GRINGO (Bazar Pamplona)
Bruno Graziano Universidade Metodista (SP)

VIZINHA SUICÍDIO (Velotroz)
Rafael Jardim (FTC - BA)

MARIA ELÉTRICA (Poetas Elétricos)
Joanisa Prates (UFRN)

PONTOS (Jê Reve de Toi)
Nathália Tereza (FAP- PR)

A TABELA DA PUTADA (Cabrito)
Emanuel Grilo (UNP - RN)

ALUGA-SE-VENDE (Móveis Coloniais de Acaju)
Jackeline Salomão (UNB - DF)

5º Festival Universitário de Curtas (Curtacom)
Quando: Hoje e amanhã
Informações: www.curtacom.com
Contato: (84) 9985.1369 / 8819-3156

domingo, 8 de novembro de 2009

Literatura potiguar em 2009

Comentário breve em formato de nota, publica em minha coluna neste domingo no DN:

LIVROS – François Silvestre, Nei Leandro de Castro, Diva Cunha, Marize Castro e Pablo Capistrano protagonizaram excelentes lançamentos literários em um ano rico para o mercado editorial potiguar. E o upgrade na literatura-jerimum se deve ao talento do escritor potiguar e ao trabalho incansável de Abimael Silva, à frente da editora Sebo Vermelho, e agora, o poeta Adriano de Sousa capitaneando a editora Flor de Sal. As fundações culturais do município e do estado dormem o silêncio dos injustos.

LIVROS 2 – Para fechar o ano com belíssimos presentes de Natal, vem mais coisa boa por aí. O professor e escritor Tarcísio Gurgel lança em 27 deste mês, no Jardim do Palácio Potengi (18h), o livro Belle Époque na Esquina. O livro é um apanhado cultural no período da instalação da República no RN até os anos 30. E advinha? Editado com recursos próprios. O material gráfico ficou sob os cuidados de Fernando e Leila Chiriboga, produzido na Gráfica Santa Maria, da Paraíba.

Pratodomundo que gosta de som alto

Visitei o bom e velho Beco da Lama neste sábado para participar do festival de gastronomia Pratodomundo, já em sua sexta edição. Eu, os habituês e os nunca vistos, afora em período de eleição: os políticos, claro.

Só pude provar um dos pratos dos oito bares concorrentes. Foi o lá do Bardallos: um arroz de leite com paçoca com feijão verde e batata frita. Muito gostoso. Também ouvi elogios de quem provou de outros, como o de Nazaré e do Whysknão.

A crítica é outra: depois das 14h30 nenhum dos bares em disputa tinha seus pratos à disposição do cliente. Um casal de amigos, mortos de fome e que nunca tinha ido lá disse que não voltava mais. Exagero à parte, a falha foi mesmo imperdoável.

A outra é uma sugestão que talvez seja particular. Várias mesas foram colocadas em frente ao palco montado para os shows e também em frente a muitos bares. Quem preferiu tomar sua cerveja por ali ficou perturbado com a passagem de som altíssima, impeditiva para qualquer conversa de mesa de bar.

No mais, de parabéns à Samba e aos apoiadores. A seleção de artistas e a organização do entorno ficou primeiríssima. E que venham os dois outros sábados da boa e simples gastronomia becodalamense.

sábado, 7 de novembro de 2009

Penso, logo desisto

Era o Titanic afundando e os músicos firmes na orquestração do desastre irreversível. Vão ser profissionais assim na p#%$*@!

Listrata, na Casa da Ribeira

Achei bem interessante a trama desta peça, encenada na Casa da Ribeira hoje (não disseram o horário). O preçó único é R$ 5:

Representada pela primeira vez em 411 A.C., Lisistrata aborda um dos temas favoritos do autor Aristófanes: a paz. A guerra do Peloponeso continua ceifando vidas, fazendo viúvas, órfãs e mães desconsoladas. É nesse contexto que Lisistrata, uma mulher comum, movida por um desejo de ver seu marido de volta, resolve agir e fazer a diferença. Cansada de esperar, ela reúne as mulheres numa praça e faz o pacto que mudará o rumo de suas vidas. Lisistrata é uma palavra que vem do grego que significa, aquela que dissolve, separa exércitos. Assim como o seu nome, e como os gregos acreditavam, essa mulher estava com o seu destino traçado e foi até as últimas conseqüências para realizar o seu desejo. A força desta mulher nos faz refletir sobre a nossa postura diante dos obstáculos da vida, inspira um sentimento de coletividade e propõe a mudança através das pequenas ações do dia a dia. Afinal, “Até onde você vai pelo seu desejo?”

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Nova esperança para Revista Ginga

Recebi telefonema hoje do gabinete da Funcarte para uma reunião com o presidente Rodrigues Neto para segunda ou terça-feira. O assunto, claro, é a Revista Ginga. Acredito em boas notícias para breve.

Pratodomundo no Beco da Lama


Quando Noé desembarcou seus tripulantes ao fim do dilúvio, os mais boêmios, sedentos por uma “meladinha”, pegaram a tangente e encontraram o Beco da Lama. Desde sempre o reduto mais libertário de Natal recebe intelectuais, pseudos, amantes da cachaça e do papo solto. A partir desde sábado – e pelos próximos dois – aqueles chãos históricos recebem um aroma diferente. É a 6ª edição do Pratodomundo – o festival gastronômico do Beco da Lama.

A hora é a da fome, a partir das 11h. Nesta edição, oito bares e restaurantes participam do evento e disputam a premiação com pratos os mais inusitados e apetitosos: Bar de Nazaré; Bardallos Comida e Arte; Bar do Pedrinho; Cozinha Caseira Bar e Restaurante; Whiskynão Bar e Restaurante; Bamboa Restaurante; Restaurante Seridó; e Cidade dos Camarões. São três fins de semana de farra gastronômica, etílica e musical. Nove atrações musicais estão incluídas no cardápio.

Neste primeiro sábado se apresentam Carcará na Viagem, MC Priguissa e a banda Alphorria. No segundo sábado (14), as bandas Tribunal Zen, Bugs e Rosa de Pedra. No desfecho da farra (21), um sambinha com Roda de Bambas, Isaque Galvão junto com a Bateria da grêmio carnavalesco Malandros do Samba. Os shows musicais começam a partir das 16h ou quando o sol baixar. O palco ficará montado na esquina da Rua Ulisses Caldas com a Vigário Bartolomeu, na lateral do shopping popular da Cidade Alta. A entrada é gratuita e propositiva.

A Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Samba) criou o projeto Samba Social para quem quiser contribuir com o projeto doar um quilo de alimento não perecível, em qualquer um dos três dias de realização do festival gastronômico.

Pratodomundo – 6º Festival Gastronômico do Beco da Lama
Data e hora: Sábado, a partir das 11h
Onde: Beco da Lama e adjacências (Cidade Alta)
Shows: Carcará na Viagem, MC Priguissa e Alphorria
Acesso livre

* Tela ilustrativa de Assis Marinho

Cinema a R$ 2 o dia todo

Galera lisa, oportunidade boa para assistir filmes nacionais a R$ 2, inclusive Besouro, que comentei mais abaixo e paguei R$ 9. O 10º Projeta Brasil Cinemark será realizado nestas segunda-feira. Serão exibidos apenas filmes nacionais em todas as salas da Rede no Midway Mall. São 11 ao total. Os ingressos já podem ser adquiridos através do site www.cinemark.com.br e na bilheteria do complexo.

Programação

Sala 1 – Se Eu Fosse Você 2 (10 anos) - 13h15 - 17h35 - 22h05
Sala 1 – O Contador de Histórias (12 anos) - 10h55 - 15h20 - 19h50
Sala 2 – A Mulher Invisível (14 anos) - 10h30 - 12h40 - 15h00 - 17h20 - 19h40 - 21h50
Sala 3 – Jean Charles (14 anos) - 16h00 - 18h00 - 20h00 - 22h00
Sala 3 – O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes (livre) - 10h20 - 12h10 - 14h00
Sala 4 – A Mulher do Meu Amigo (14 anos) - 13h30 - 17h25 - 21h30
Sala 4 – O Menino da Porteira (12 anos) - 11h15 - 15h25 - 19h25
Sala 5 – Besouro (14 anos) - 10h25 - 12h25 - 14h30 - 16h30 - 18h30 - 20h30 - 22h30
Sala 6 – Os Normais 2 (14 anos) - 10h40 - 12h30 - 14h20 - 16h05 - 17h45 - 19h35 - 21h25
Sala 7 – Divã (14 anos) - 13h05 - 17h00 - 21h00
Sala 7 – Surf Adventures 2 (livre) - 11h05 - 15h05 - 19h05

Cine Sesi Cultural em São Miguel

O Cine Sesi Cultural permanece de hoje a domingo no município de São Miguel com a apresentação de três longas-metragem ao ar livre para a população: “Se eu fosse você 2”, estrelado por Toni Ramos e Glória Pires, “Tapete Vermelho” e “A Era do gelo 3”. Além dos curtas “Até o Sol Raiar”, “Câmara Viajante” e “Vida Maria”. Como cinema combina com pipoca, durante as exibições, também tem distribuição gratuita de pipoca.

As projeções acontecem a partir das 18h30, em área cedida ao Sesi, em acordo com a prefeitura do Município. Os filmes serão apresentados em tela de 12m x 5m com um projetor de 35 mm. O som possui três vias de 2 mil watts e projetor Hi-Light Xenon de 2 mil watts; além de cinemascope, o que permite boa visualização e audição a uma distância de 25 metros. Tudo isso garante o elevado padrão de qualidade técnica e de conteúdo das projeções.

Entrevista - Pablo Capistrano


O que faz de alguém um filósofo? A pergunta é instigante e a entrevista a seguir, também. Não basta a busca pela verdade para a conceituação de filósofo. Um historiador também procura fatos. Também é muito pouco o deslumbramento com particularidades cotidianas, como sugere o clássico O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, ou toda criança seria um filósofo em potencial. Talvez o filósofo seja aquele em busca de uma verdade ou uma teoria explicativa de algum fato. Quem deseja mergulhar neste mundo fantástico da filosofia e usa-la como a melhor arma para se defender dos perigos do dia-a-dia, o filósofo Pablo Capistrano lança amanhã o livro Simples Filosofia (Rocco, 175 pág, R$ 24,50) na livraria Siciliano, no Midway, a partir das 16h.

O jornalismo é necessário às ciências para tornar fácil a leitura de temas científicos. A filosofia se vale da crônica com este propósito?
A filosofia tem um contato íntimo com a literatura. Parmênides escreveu uma poesia para falar do Ser; Sêneca e Epicuro foram mestres no gênero epistolar; Kierkegaard escreveu diários; Sartre e Camus usaram o formato do romance para expandir a filosofia existencialista; Agostinho e Descartes escreveram biografias e por aí vai. Eu optei por usar a Crônica, um gênero muito forte no Brasil, como suporte para a filosofia. Acho que nesse sentido a literatura é a melhor ferramenta para aproximar o leitor. Ela é quem dá o tempero ao texto.

Você já disse em entrevista à Revista Catorze que a Rocco busca livros vendáveis. Pequenas Catástrofes e Simples Filosofia são livros comerciais a partir de qual pressuposto?
Acho que hoje há um certo apelo comercial na filosofia. Há a curiosidade de um público que cresceu sem saber o que era a filosofia (você sabe, essa coisa da ditadura ter retirado a disciplina do ensino médio fez um estrago grande). Acho que de certa maneira há um público cansado de auto-ajuda e de literatura de baixo nível. Sinto que tanto o Pequenas Catástrofes quanto o Simples Filosofia tocam esse público, porque de uma maneira ou de outra eles falam sobre filosofia de um modo literário.

Muitas das metáforas usadas no livro para melhor compreensão das teorias filosóficas se amparam na música. Ela consegue estreitar essa compreensão entre arte, filosofia e razão?
Cara, eu acho que a música é a forma superior de pensamento. Soa algo meio pitagórico isso, não é? Mas eu penso assim. Sinto que quando minha linguagem fraqueja, quando minhas palavras não conseguem alcançar a velocidade do meu pensamento (e isso me acomete vez em quando), a música me retira dessa zona nebulosa e me oferece um escape. Acho que quando o conceito topa, só a música salva. Falando dessa forma, arte, razão e filosofia se encontram facilmente no espírito da música.

O processo de elaboração dos textos parte de alumbramentos cotidianos ou de leituras filosóficas que despertam paralelos com atividades do dia-a-dia?
Alguns têm essa pegada da inspiração. Alguns surgem de situações bem pontuais, como por exemplo o que eu falo do suicídio do Correia (um amigo da UFRN). Ali tem algo de emoção e comoção, mas boa parte desses textos foram bem pensados. A Pop Filosofia (sessão dominical publicada em O Poti) deu trabalho de fazer porque eu tinha que pesquisar, estudar, pensar sobre um modo de falar, sobre o que dizer de cada filósofo e sobre como tratar um tema filosófico de uma maneira criativa. E o pior é que tinha que ser em sequência, porque tinha a linha cronológica que aparecia semanalmente. Sabe como é: tem um lance de folhetim nessa história. Foi foda velho; pior do que escrever um romance.

Como diz o filósofo Heráclito, “tudo flui”. Até quando Simples Filosofia permanecerá atual?
Sinceramente eu não tenho muito ideia da permanência dos meus textos. A filosofia dificilmente deixa de ser atual. Pense em Platão, escrevendo a República uns três séculos antes de cristo. Uma vez um aluno meu do curso de Direito perguntou se uma edição da República (de Platão) de 1990 estava desatualizada (livro de Direito é diferente, desatualiza todo ano). Eu disse: “tem erro não. velho. Pode comprar uma edição de III séculos antes de cristo no sebo que dá na mesma”. (risos).

Um livro que aborda a necessária filosofia de forma mais didática, afim de estimular o gosto para o tema, até que ponto difere de um livro de auto-ajuda?
A grande maioria dos textos de auto-ajuda são chupados de textos filosóficos clássicos, especialmente os que se preocuparam mais com a ética. Auto-ajuda é diluição filosófica, uma espécie de cópia pós-moderna das escolas de filosofia helenística. Até Ética a Nicômaco, por exemplo, se fosse escrito hoje seria encaixado em uma estante de auto ajuda, porque o que Aritóteles estava fazendo era um manual de eudiomonia (felicidade), um livro que ensinava como agir para ser feliz, quer coisa mais auto ajuda do que essa? A questão é que entre ler a cópia e o original é melhor ir ao original. Para quê ler essa diluição contemporanea se há os originais antigos, bem melhores. meu livro é de História da Filosofia, ou seja, eu falo sobre os originais, para que o público possa saber que tem coisa melhor do que Paulo Coelho e Dan Brown.

Houve algum cuidado minucioso nas colocações opinativas em cada crônica ou todo o conteúdo é fruto de estudos de teorias filosóficas?
Pensei um bocado, mas em filosofia não há consenso. Sabe, eu ando meio heideggeriano esses dias. Boa parte das minhas interpretações dos filósofos segue uma linha que tem a ver com a história da cultura contada por Heidegger. Por isso quem tem um conhecimento mais aprofundado em filosofia pode questionar muito das minhas interpretações, porque pode ler a história da filosofia a partir de outro enfoque ou pensar em um filósofo a partir de uma outra linha de interpretação. Isso é inevitável. Se eu me perturbase com isso não teria escrito as crônicas. Então eu escolhi a minha leitura e fui em frente.

Como de praxe, a filosofia bota o dedo onde poucos são chamados, como na religião. Em "O retorno da fé" você aborda o tema pelas ideias de Kierkegaard e diz que "ainda há lugar para a fé no século 19". E hoje?
Hoje a fé é o grande ponto a ser discutido. Vivemos uma época muito semelhante ao século 17. Uma época de guerras de religião, de intolerância latente. Então a filosofia tem mais do que nunca essa tarefa: de pensar a fé.

Não como autor do livro ou cronista, mas como filósofo: qual a revolução possível aos dias de hoje?
Acho que Estou ficando careta. Hoje a revolução é o retorno.


* Entrevista publicada no Diário de Natal desta sexta-feira

- Foto roubada do site www.disruptores.com.br

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Besouro


Assisti agora há pouco Besouro. Fui com um misto de entusiasmo e cautela. Pratiquei capoeira por oito anos até o jornalismo me devorar. Sinto uma saudade enorme. A precaução quanto ao filme foi o orçamento: R$ 10 milhas. É muita grana. E quando a esmola é grande, o cinéfilo desconfia.

A figura de Besouro Mangangá, como é conhecido na capoeira, é quase lendária. E o filme conseguiu preservar essa imagem de forma satisfatória. Os efeitos de voos que lembram o péssimo O Tigre e o Dragão, a relação dele com o candomblé e a pecha de homem de corpo fechado colaboraram para que esse estigma permanecesse.

A crítica recai na exploração minguada da história de Besouro. Quando houve foi por meio de narração. Me soa uma preguiçosa intervenção de quem não conseguiu encaixar no enredo, no diálogo. Mas o pior foi ver a capoeira daquele início de século totalmente desvirtuada. Os toques de berimbau não existem na capoeira. Uma única vez foi respeitado um toque verdadeiro de capoeira: quando o Quero-Quero jogou para o coronel assistir.

Parece regra: filme de orçamentos gordos desbancam para o blockbuster. Houvesse um mínimo de pesquisa evitariam o erro grosseiro. O próprio protagonista é professor de capoeira. Saberia explicar. Poderiam ter explorado mais a capoeira angola, mais difundida à época. A capoeira jogada no filme é a regional, criada somente em 1928 por mestre Bimba.

Ainda assim, é um filme instigante, com lances de câmara ousados, fotografia respeitável e roteiro paupérrimo. Muito mais um filme útil para que o Brasil conheça mais da história da capoeira e de Besouro Mangangá. E não poderia ser diferente. O diretor, João Daniel Tikhomiroff, coleciona bons filmes publicitários.

Lábios-espelhos de Marize Castro


Noite de poesia vermelha hoje na Siciliano do Midway. As tonalidades podem variar conforme a abstração de cada leitor. O escarlate sedutor seria bem empregado. Aquele vermelho dos jambos escuríssimos, rimariam com as cores sombrias da solidão. Também um toque rosado, de feminilidade, desde que bem universal. É que os rios de Marize Castro passeiam entre essas margens tonificadas pela poética-palavra. Lábios-espelhos (Editora Una, 100 pág) será lançado às 18h30 de hoje para público de qualquer cor, desde que aberto à compreensão das mais variadas matizes sentimentais.

A poesia de Marize Castro em Lábios-espelhos é cortante; desperta suspiros, alívios, sustos a cada frase ou palavra-síntese. A leitura é tensa, agridoce. A sensualidade está embutida como toucinho em osso e ameniza a angústia prazerosa da leitura. A ânsia é pelo desfecho, como quem espera o fim de um suspense de Hitchcock. E a cada conclusão, um corte navalhado de difícil cicatrização. Ou como se curar desta Finitude, em jogo licenciado da poesia com a primeira pessoa? “Despeço-me de mim:/ não mais existem o latido mais íntimo e grave,/ a senha mais rara, a alegria primordial/ e última”.

A extrema lascividade da poética de Marize Castro escapam do furor da poesia erótica, presente no trabalho de Lívio Oliveira e Nei Leandro de Castro, por exemplo. É sensualidade discreta, de segundo plano. E como tal, mais instigante, provocativa, como uma moça de beleza tímida a ponto de desabrochar-se. A sedução se esconde entre retoques de extrema solidão, descrença no mundo e amparo no Divino. E o recado é direto. De uma página ou uma frase, como na poesia intitulada Deidade: “Revejo crianças azuis nas redes do infinito”. Ou em Silente: “Sinto urgência em dizer: calo”.

O resumo sintetizado (sem redundância) das palavras percorre 25 anos. Desde que Marize Castro publicou o livro Marrons Crepons Marfins e passou a colecionar elogios Brasil afora. O poeta e crítico Moacir Amâncio comparou a obra de Marize no Caderno 2, do jornal Estado de São Paulo, à de poetisas vencedoras do Prêmio Jabuti de Literatura, como Adélia Prado. No currículo da poetisa, ainda retratos de épocas laureadas de publicações culturais, quando foi editora da revista O Galo. Quem melhor se define é a própria: “Escuto o tempo./ Sou toda urgência./ Toda terra./ Escamada por dentro/ e por fora./ Preciso do antigo:/ do que se transformou em céu/ e se fez floresta.”.

Lábios-espelhos

Espere-me lá fora.
Ainda não estou pronta.

Esqueci meu colar de estrelas
meu kimono
minha zori
meus adereços de gueixa.

Minha língua te recompensará.
Ela (esfomeada) saciará tua fome.
Ela (sedenta) te levará ao leito
Mais próximo.
Ela (saliva e cristal) revelará o enforcado
- seu destino, seu nome.

Espere-me lá fora.
Aqui há um naufrágio púrpura,
um rio de mel que corre entre lábios-espelhos.
Dele, sou filha.

(Marize Castro)

Conhecidos os vencedores do Prêmio Jabuti

Abaixo os dois principais vencedores do mais importante prêmio literário do país, o Jabuti, anunciados na noite desta quarta-feira em cerimônica realizada na Sala São Paulo:

Melhor Livro do Ano de Ficção: Manual da Paixão Solitária, de Moacyr Scliar (Cia. das Letras)

Melhor Livro do Ano de Não-Ficção: Monteiro Lobato: Livro a Livro, de Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini (Editora Unesp / Imprensa Oficial).

Ao todo são 21 categorias. O resultado completo pode ser visto AQUI. Mas entrei agora pela manhã e ainda não estava disponibilizado. Agora, esse Moacir Scliar é papãozinho de Jabuti danado, viu?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A respeito da Revista Ginga

Iria enviar um imeio a cada repórter e colaborador da revista cultural Ginga para explicar as intenções da nova administração da Funcarte com o projeto. Acontece que a publicação é um bem cultural de interesse do natalense. Acho plausível repassar as informações dadas pelo adjunto da Capitania, Gustavo Wanderley, publicamente.

Segundo Gustavo, a prioridade da nova gestão é o pagamento de três meses da folha salarial da instituição. Todos os projetos culturais pendentes estão em análise. Foi verificado que muitos, como a própria revista, foram elaborados sem abertura de processo administrativo e tudo será refeito.

Uma fonte havia me informado que o presidente Rodrigues Neto teria dito que mudaria o nome e o editor da publicação. Segundo Gustavo, o "boato" não procede. A intenção do presdiente é manter todos os projetos. Espero que sim. Não por mim, mas por uma equipe de cerca de 20 pessoas que já trabalhou nela e alguns que continuarão em atividade para finalizar o projeto, como o editor e os diagramadores.

Também levemos em conta o respeito às fontes entrevistadas, além dos custos financeiro e de tempo dispensados, não só da Funcarte, como dos próprios repórteres e colaboradores. Alguns elaboraram matérias de 10 laudas. Seria uma total falta de ética, respeito e responsabilidade eliminar um projeto praticamente pronto.

No entanto, a data marcada para a publicação - 26 de novembro - foi reaprazada. Gustavo preferiu não agendar nada. Dezembro, janeiro... Não sei. E nem ele. Vai depender de verba e dos entraves burocráticos. Ou seja: vai demorar.

Por isso quero deixar repórteres, colunista e colaboradores à vontade para venderem seus textos como desejarem. O cenário atual é o relatado acima. Quem preferir esperar, acreditar no projeto, paciência. Quem preferir outro meio, tudo bem. Irei substituir os textos conforme a desistência do repórter.

A única matéria proibida de "venda livre" é a minha, conforme combinado com meu entrevistado: François Silvestre. O próprio contista Pedro Lucas já se antecipou e publicou seu conto no blog de Jairo Lima. Um dos repórteres já afirmou que irá aproveitar em um jornal impresso. Outro colaborador, Chico Guedes, talvez procure outra publicação...

Lamento por vocês e por mim o adiamento, sem a certeza desejada de que realmente será publicada. Minha opinião é de que sai. Acredito nisso. A esperança - o ópio do brasileiro - é a última que morre. Temos o exemplo do texto do Auto de Natal, sumariamente substituído. Ninguém me garante - nem mesmo Gustavo - que o mesmo poderá se repetir. Só resta esperar.

Revista Palumbo no twitter

A mais nova publicação destas plagas já mostra a cara mesmo antes do lançamento, marcado para 13 deste novembro, na Fiern. É a Revista Palumbo já no twitter. Acredito em um projeto moderno e sustentável, a julgar pela visão jornalística, literária e empresarial dos cinco editores. E também pelo conteúdo e colaboradores já confirmados. Sei de uma boa fatia de quem estará no projeto. E o bolo vem recheado.

Beach Boys no Brasil

Depois da celebração dos 40 anos de Woodstock e dos 40 anos do Abbey Road (dos Beatles), eis que os "garotos" do Beach Boys confirmaram show em Sampa neste 2 de dezembro, no Credicard Hall. E pra quê? Para comemorar os 40 anos do lendário e psicodélico LP Pet Sound. E mais: por um precinho até camarada: R$ 40 a meia entrada.

Penso, logo desisto

Engraçado como alguns lagartos, ao virarem borboletas, esquecem que um dia estiveram em casulos e acham os outros lagartos horríveis. A ética é escassa mesmo entre animais.

Orquestra Contemporânea de Olinda no Grammy

A Band transmite nesta quinta-feira o Grammy Latino a partir das 22h. Afora os medalhões da nossa música, concorre na categoria Música Regional, a Orquestra Contemporânea de Olinda, que esteve nos últimos dias aqui em Natal pelas mãos de produtora Cida Campello, no fechamento da Cientec. De cá, provinciano "quisó" eu, me visto de pernambuquinho nordestino feito Lenine, feito Silvério Pessoa e torço pelos caras.

Penso, logo desisto

Sempre escutei que os bons jornalistas deviam estar empregados nos jornais. Nestes tempos cybernets e cyberpunks ainda é assim?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Tuitando com Adriana Amorim

adriana_amorim: Dia 13/11, Osair Vasconcelos, Albimar Furtado, Afonso Lauretino, Tarcísio Gurgel e Dácio Galvão lançam a PALUMBO. Local: Fiern, às 19h.

Um ano de Pôr-do-Sol no Potengi


Lembro bem quando conversei com o produtor William Collier no corredor do TCP para saber novidades do projeto Seis & Meia e ele, cansado do que todo mundo já sabe - a falta de verba para o projeto - disse que tinha montada uma ideia de novo projeto cultural. Pois nesta quarta-feira o projeto Pôr-do-Sol no Potengi completa um ano.

Todas as terças, quartas e quintas-feiras o Iate Clube do Natal assiste um dos mais belos espetáculos da natureza. Mais de 15 mil pessoas entre natalenses e turistas, já assistiram a contemplação poética do fim do dia e resgate da história de Natal ao mesmo tempo.

Royal Cinema (Tonheca Dantas), Praieira (Othoniel Meneses), Ranchinho de Paia (Chico Elion) e a Ave Maria de Gounod acolhem os natalenses e turistas. Em pleno Deck do Iate, o Rio Potengi, tema de inúmeros poemas, inspiração dos amantes e recanto de muitos amores, hoje é um cenário de um projeto cultural de sucesso, sem interferência do poder público.

O Projeto Pôr-do-Sol do Potengi é realizado com artistas locais (Luís Dantas, Isaque Galvão, Mariana, Mestre Estevam, Fernando Towar, Galvão Filho, Bob Mota e Itanildo), a partir das 17h, reverenciando a cultura e a natureza potiguar. E essa semana, em especial, o Projeto estará comemorando o seu aniversário com grandes atrações.

*foto pinçada do site www.natalonline.com

Filmes sobre holocausto

Quando pensei que meu limite para assistir filmes sobre holocausto havia se esgotado, me vem um feriado e assisto dois. E o pior: bem interessantes.

O primeiro, muito mais pela emoção, apesar de bom filme. É do diretor Marc Herman. Chama-se O Menino do Pijama Listrado. Mostra os horrores do campo de concentração pela visão de um menino de oito anos. É daqueles filmes que machucam a alma.

O segundo merece destaque: Os Falsários. É equivalente ao comentado A Vida dos Outros. E também é alemão, do diretor Stefan Ruzowitzky, com excelente atuação de Karl Markovics. Nem sabia, mas venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2008.

Os Falsários evita mostrar os horrores do holocausto e provoca uma reflexão a respeito da ética muito bacana. E o melhor: não mostra a resposta ao final do filme, como de costume. Fico puto quando isso acontece: parecem querer impor uma verdade absoluta. Isso quando a explicação não é demasiado didática, o que é pior.

Se alguém ainda tem paciência para o tema, esses dois filmes são belas dicas. Lembrei agora de um que François Silvestre havia me indicado, mas esqueci o nome. Nem sei se ainda tenho em minhas anotações. Depois eu lembro...

Mal humor e tristeza afiam inteligência

As pessoas mal-humoradas possuem uma inteligência mais afiada segundo um estudo realizado por um cientista australiano e publicado na última edição da revista científica Australasian Science, informou hoje a rádio ABC.

"A tristeza e o mau humor melhoram a capacidade de julgar os outros e também aumentam a memória", assegura o professor Joseph Forgas, da Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney.

O mau humor melhora a atenção e proporciona prudência, segundo o artigo

"Enquanto um estado de ânimo positivo facilita a criatividade, a flexibilidade e a cooperação, o mau humor melhora a atenção e facilita um pensamento mais prudente", explica o artigo.

"Nossa pesquisa sugere que a tristeza melhora as estratégias para processar a informação em situações difíceis", acrescenta.

Forgas ressaltou que as pessoas com um estado de ânimo mais decaído possuem maior capacidade de argumentar suas opiniões por escrito, pelo que concluiu que "não é bom estar sempre de bom humor".

A pesquisa consistiu em uma série de experimentos nos quais se manipulava o estado de encorajamento dos participantes por meio de filmes e lembranças positivas ou negativas.

(Da agência EFE)

A coisa vai piorar

As primeiras ondas de um tsunami começam a desaguar na costa natalense ainda essa semana. A boca miúda já prejudicou este blogueiro sobremaneira de um mês pra cá e talvez ainda renda outros lamentos. Cautela é sempre bom. Amanhã é bem possível adianto as novidades com a confirmação oficial. A princípio, os meus pêsames.

De Ivan Cabral



Do chargista Ivan Cabral para um Dia de Finados prolongado...

Tuitando com Raíssa Tâmisa

"o auto de natal nunca foi o melhor auto do estado; foi o mais midiático. Sempre falei isso. Mas esse ano tô com dó dele!"

No Bar de Ferreirinha...

Parece que a presença do diretor geral da Fundação José Gugu pelo Bar de Ferreirinha neste domingo foi pouco amistosa. O texto a seguir foi postado no blog do bar durante a festa de lançamento do livro homônimo, escrito pelo jornalista Roberto Fontes em parceria com Pituleira. Agora, advogando para o diabo, devo dizer: convite para frequentar buteco é artigo descartável, ninguém pode ser penetra. E se o bar fecha portas aos casais ainda apaixonados barra um bloco carnavalesco inteiro que costuma desfilar pelos becos de lama da Cidade Alta. Se o nobre gestor foi descortez, indelicado ou outro adjetivo que o valha, que se abra o berreiro. Mas, sejam mais coniventes com os manicacas. Pedido de... amigo.

Vejam aí:

"O Presidente da Fundação José Augusto, um tal de Crispiniano Neto, chegou na festa do lançamento do livro dos 50 anos do Bar de Ferreirinha por volta das 14 horas.

Primeiro: chegou de PENETRA, pois não foi convidado.

Segundo: foi recepcionado elegantemente por Pituleira, mesmo sendo PENETRA.

Terceiro: dois minutos após sua chegada, foi embora alegando que estava muito quente.

Queremos dizer ao Sr.Crispiniano que qualquer lugar que ele fosse em Caicó naquele horário a temperatura estaria acima de 35 graus.

Ele com aquela cara de maracujá amassado provou que não conhece o estado a quem presta seus péssimos serviços.

Na saída ele provou que não poderia nunca ter ido ali.

Na tentativa de justificar disse que por ele ficaria, mas uma senhora, que possivelmente era sua esposa, não queria ficar.

Companheiro: MANICACA não pode frequentar o Bar de Ferreirinha.

Mas, nós até entendemos sua surpresa com o tempo quente em Caicó: é que ele nasceu em Mossoró, cidade que é considerada o pólo norte do RN.

Agora entendemos porque a cultura do estado é uma MERDA.

Seu Crispiniano, a partir de hoje o senhor não pode mais ir no Bar de Ferreirinha: lá faz muito calor e o senhor está BARRADO.

No mais, desejamos felicidades pra o senhor e seus aspones.

E para encerrar esse papo furado, VÁ CAGAR.

Em tempo: os esquimós gostam muito do senhor...".

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Vatenor pontilhado de cajus


Ainda é início da estação veraneio e os cajus já se assanham em vermelhos flamejantes nas dunas da província. Divide paisagens e cartões-postais com o tapete verde do mar e o marfim das areias. Nas telas de um dos mais renomados artistas plásticos de Natal, o caju é emblema da cidade tropical, quase sempre superposto ao mar tão seu, tão Vatenor. A moldura é cenário quase bandeira da capital litorânea. Os quadros quase derretem tamanho o calor. E se o clima é tropicaliente, as curvas desnudas de mulheres morenas ou os contornos plásticos das dunas exalam a sensualidade e as cores da estação.

Vatenor é autenticidade pintada; é identidade paisagística própria, de um mundo criado e vivenciado. Se a arte imita a vida o inverso também vale. A Natal de cajus cromáticos, dunas e pomares à beira-mar é a vida da cidade e o inconsciente artístico do artista. É a representação máxima da obra de Vatenor em 35 anos de pincel e vida dedicada às aventuras plásticas visuais. Essa trajetória estará decodificada em exposição sob o título quase sinestésico de Luz – Cor – Cajus. São telas iniciadas em 1974, quando o fuzileiro naval carioca trocou o chumbo cinzento das pólvoras e armas pelas cores efervescentes do verão.

Nesta quinta-feira – beirando o fim-de-semana sempre mais colorido – ocorre a vernissage da exposição na galeria da Fundação Capitania das Artes, a partir das 19h30. A visitação ficará aberta ao público potiguarino e tropicalistas de segunda à sexta-feira, das 9h às 18h. Como afirma o crítico de artes e artista plástico César Romero, o compromisso de Vatenor nestes 35 anos de ofício foi pintar. “Longe de teorizações inférteis, celebra seu torrão. Sua postura foi sempre o fazer e seus desdobramentos. A tela branca, desafiante, estimula seu olhar, que de simples e exato, comove a alma. Convence de forma poderosa sua raiz nordestina e original”.

A carreira de Vatenor enfrentou cruzadas de além-mar, passeou pelos cafés parisienses, cheirou o aroma da modernidade nova iorquina, viajou ao baixo Leblon carioca, sugou cenas, sentimentos e impressões artísticas das gerações de 70 e 80 até desaguar de vez no leito do Potengi em 1996. “Participei de várias exposições coletivas e vários salões. Realizei 27 exposições individuais, no Brasil e no exterior, com texto de apresentação de alguns críticos e várias personalidades do Mitier Artístico”, comenta. E Vatenor mata a desconfiança e mostra as palavras-poesias de poetas e críticos de arte como o arquiteto das palavras, João Cabral de Melo Neto:

“Vatenor, sem essa malícia sábia do pintor primitivo, pinta e repinta seus objetos, mais interessado que está em arranjá-los em novas composições do que em procurar introduzir novas anedotas. Por isso, essa lufada de ar fresco que nos sopra de seus quadros nos faz descansar das pesquisas incansáveis de sempre-vanguarda e também da falsa ingenuidade dos modernos pintores primitivos, que antes se chamavam ‘pintores de domingo’ mas que hoje são pintores ‘em tempo integral’, administrando sabiamente de seus ‘ateliers’ as fábricas de suas falsas ingenuidade em série”.

Outros renomados do tal metier das artes no Brasil, como o escritor, jornalista e crítico de arte Walmir Ayala, ou o cineasta e escritor Luiz Carlos Lacerda também entraram no jogo colorido de Vatenor e teceram apresentações pontilhadas do multicolorido da poesia. Mas foi o escritor e presidente de honra da Associação Brasileira de Críticos de Arte, Geraldo Edson de Andrade quem atesta e pergunta: “Vaternor é pintor naif com muitas qualidades. Tem o privilégio de morar em Natal, uma das nossas cidades mais bonitas, e é de suas belezas naturais que extrai os motivos para a sua pintura. E quais são esses motivos de Vatenor?”.

A resposta, o próprio Gerardo respondeu nas linhas sequentes. Mas cabe ao público captar fragmentos de percepções e olhares sobre a arte. Sem análises teóricas “inférteis”, como citou João Cabral. A subjetividade das formas e cores pode trair o espectador aparentemente mais preciso. Basta o contemplar. Sem racionalidade. E com desejos de mar, cajus e contornos desnudos.

Exposição: Luz – Cor – Cajus
Quem: Vatenor de Oliveira
Quando: Vernissage neste quinta-feira
Hora: 19h30
Onde: Galeria da Funcarte (Av. Câmara Cascudo, Centro)

* Matéria publicada nesta segunda-feira no Diário de Natal

O preço justo da cultura

Por Gadys Ferraz Magalhães

O preço justo de um livro, na opinião da população brasileira, seria, em média, de R$ 20, conforme aponta a segunda edição da pesquisa "Perfil do Consumo de Cultura do Brasileiro", realizada pela Fecomércio-RJ em parceria com a Ipsos Public Affairs.

O valor é o mesmo atribuído o ano passado e o mais alto entre os produtos culturais apresentados pelo levantamento, como é possível verificar na tabela a seguir:

Livro - R$ 20
Show de música - R$ 16
Peça e espetáculo teatral - R$ 15
Espetáculo de dança - R$ 14
DVD - R$ 13
Exposição de arte - R$ 12
Cinema - R$ 9
Cd - R$ 9

Ainda de acordo com o estudo da Fecomércio-RJ, no geral, os valores atribuídos pelas mulheres são mais altos do que os atribuídos pelos homens. Enquanto eles acham justo pagar R$ 20 por um livro ou R$ 13 para ir a um espetáculo de dança, por exemplo, elas aceitariam pagar R$ 21 e R$ 15 pelos mesmos produtos, respectivamente.

Por idade, os valores mais altos foram atribuídos, em média, pelas pessoas entre 35 e 44 anos e os mais baixos por aqueles que têm 60 anos ou mais. Para se ter uma ideia, para o primeiro grupo, um livro deveria custar R$ 25; um CD, R$ 11; e um DVD, R$ 14. Já para os mais velhos os preços destes produtos deveriam ser os seguintes: livros (R$ 17), CD (R$ 9) e DVD (R$ 14).

domingo, 1 de novembro de 2009

Nova Funcarte

Minha coluna publicada no Diário de Natal neste domingo:

A relação entre cultura e turismo tão ressaltada pelo novo presidente da Funcarte foi motivo de críticas severas da mídia opinativa. Mas é bom frisar: cultura e turismo diferem de turismo cultural. Se houver o distanciamento impeditivo da “carnatalização” da cultura de eventos ou dos interesses econômicos pode ser ponto positivo. Mas as declarações do presidente Rodrigues Neto preocupam. A “tendência ao grupo párafoclórico” ou a preocupação latente com as quadrilhas estilizadas evidenciam uma visão cultural distorcida. O vice-presidente Gustavo Wanderley pode equilibrar a balança norteado no princípio da gestão cultural democrática. Ainda assim falta (ou faltará) na Funcarte sabedores da cultura no seu sentido largo, antropológico, que permita a continuidade histórica das manifestações tradicionais.

Pessoas como o responsável pelos projetos culturais da Funcarte, Josenilton Tavares e o antropólogo Francimário Vito, do setor de patrimônio histórico ajudariam, mas serão demitidos junto à experiente equipe montada na gestão César Revorêdo. O artista plástico mostrou pouco e não criou nada. Tentou. E muito. Boa vontade de sobra. Esbarrou na burocracia e na falta de recursos diante da má vontade política municipal. Revorêdo manteve o apoio ao Goiamum Audiovisual, promoveu um bonito carnaval com metade do orçamento e um São João organizado. Também entregou o Encontro de Escritores montado - fugiu à sua competência a transferência do evento para março. Demorou seis meses para iniciar a elaboração da revista cultural, mas iria entregar pronta em novembro. O gestor saiu antes, de forma melancólica e imerecida. Esperemos, agora, a estandardização da cultura ou uma política afinada entre cultura e turismo.


Franklin Jorge – “A propósito, assumiu o cargo o jornalista Rodrigues Neto, que desde o principio considerei o mais adequado de quantos foram cogitados quando da formação e anúncio do secretariado da prefeita”, disse o escritor em seu blog após xingar César Revorêdo.

François Silvestre – “O negócio é vender cultura para turista, pergunto. Quanto custa meio quilo de poesia, trezentos gramas de prosa, meio metro de pintura, dez decibéis de barulho, uma cuia de tragédia, duas garrafas de performance e um dedal de vergonha?", perguntou o escritor em meu blog.

Twitter – “Acho que o pior não é a politização da Funcarte, mas a PontaNegrização”, disse o jornalista Alex de Souza no microblog a despeito da preocupação do jornalista Tácito Costa quanto às declarações de Rodrigues Neto em entrevista ao Diário de Natal.

Cinema – O CineSesc montou programação de cinema para novembro e começa nesta quarta-feira com o primeiro clássico brasileiro do gênero no século 21: Lavoura Arcaica. Será às 12h no Sesc da Cidade Alta. As sessões nas segundas, quartas e sextas-feiras do mês.


ÍCONE INSTRUMENTAL
Um dos pioneiros da música instrumental deste Rio Grande morreu esta semana aos 95 anos. Manuel Germano Sobrinho, conhecido como Mané de Elias gravou discos que viraram marcos da cultura musical potiguar. Mané de Elias era natural de Santa Cruz do Inharé. Foi pai de Chiquinha do Acordeon e avô do excelente músico Kiko Chagas, tocou no programa do Chacrinha e foi amigo do Lua Gonzaga. E como o pai do rei do baião, era mestre da sanfona de oito baixos.

9º DO CQC
Marcelo Tas, o jornalista âncora do programa mais comentado dos últimos meses – o CQC – declarou à Folha Online que fatalmente precisará do reforço de mais um integrante para cobrir as eleições presidenciais e a Copa de 2010. A quista do jornalismo praticado no país ou nos programas da TV Aberta, o CQC tem se mostrado excelente alternativa, ao lado do Altas Horas e Roda Viva. Pena o Provocações, com Antônio Abujamra ter acabado.


Bar de Ferreirinha
É hoje o lançamento do livro Bar de Ferreirinha – talvez o buteco mais antigo deste Rio Grande. São 50 anos de vida etílica e causos os mais inusitados. Caicó está em festa. O autor da obra – mais um registro fotográfico – também promete uma festa literária na capital da província. Duvido que seja na Siciliano. O sábado de Sebo Vermelho seria boa pedida. Abimael Silva, responsável pela edição, acolherá o autor Roberto Fontes de braços abertos e cervejas na mão. E com Moacy Cirne já propondo um brinde.

De Gesto, Cascudo

Por Daniel Dantas, no SP de Tácito Costa:

"Fui à estreia. E chorei.

E tenho muito orgulho de minha esposa fazer parte do projeto ArteAção, apesar de ter se afastado em função da gestação de Alice!

Tenho orgulho de minha cidade que tem – porém não valoriza – a Casa da Ribeira.

Espero que Gustavo contribua para que a política cultural de Natal não seja só eventos (e turismo), como deixou claro Rodrigues Neto".