Reli a matéria que fiz sobre suicídio publicada no último Poti e uma resposta da psicóloga Elza Dutra chamou-me mais atenção agora. Ela comentou da ditadura da felicidade pregada hoje. Pra mim é uma coisa extremamente chata essa busca desenfreada por algo inexistente.
Não sou eu, não é ela nem Schopenhauer apenas quem acredita na inexistência da felicidade. Todos, no fundo, sabem que ela não existe plenamente e ficam nessa neura inútil. A psicóloga cita como causas incentivadoras dessa ditadura a publicidade capitalista de consumo. É aquele velho papo torpe sobre alienação que todos já conhecem.
De cá de meu apErtamento, curto mais o tédio. Não é de todo ruim quando tudo mais é pressa. Guardo a felicidade na estante, junto com filmes e livros. É a parte boa daqui. Aliás, chuva e tédio pedem filmes. É o que tem preenchido meu tempo nos últimos dias.
Tenho seguido algumas dicas de Alex de Souza. Quando escrevi aqui alguns esculachos sobre o diretor Martin Scorsese, Alex jogou quatro pedras em mim. Realmente não achei muita coisa em O Aviador, Cassino, Os Bons Companheiros ou mesmo Os Infiltrados. Tinha ficado emputecido com a merda do filme O Novo Mundo. Pensei que fosse de Scorsese também, mas Alex alertou que ele foi apenas o produtor.
Enfim, tinha mesmo uma birra com o diretor. Mas não tive como desviar das pedras de Alex. O jeito foi acatar suas recomendações. Assisti Taxi Driver e fiquei maravilhado. Touro Indomável vi só um pedaço, até o sono, e já deu para perceber outra obra prima. Ambos com Robert de Niro e exibidos na década de 70.
Parece mesmo que o diretor é inverso à regra do vinho: passa o tempo e o velho piora. Nenhuma produção nova de Scorsese se compara com esses filmes. E olha que ainda falta ver um monte, inclusive No Direction Home e The Last Waltz, sobre o rock, e que fiquei mais propenso a assistir. Mas o primeiro está compilado em dois DVDs e o preço é salgado. Resolvi esperar.
Outros filmes que assisti nos últimos dias foram Sangue Negro, Morte em Veneza (de Luchino Visconti), Sonata de Outono (com Ingmar Bergman) e outro que me arrependi de ter assistido sóbrio: Não Estou Lá, de Todd Haynes. O filme é inspirado na vida e na música de Bob Dylan. É totalmente chapado. Acho que se eu tomasse cinco garrafas de cerveja e conhecesse mais da obra de Dylan eu gostaria ainda mais.
Todos os filmes estão agora guardados na estante. Os assisti junto com a tal da felicidade. Foi companhia agradável por umas duas horas. De volta ao tédio, curto agora a insônia. A tristeza permanece na cadeira de balanço. Sempre a me fitar com seu olhar envelhecido. É que a tristeza não descansa nunca. Quando assisto filme, ela vai à varanda mirar a chuva.
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