Posto abaixo o editorial que fiz para a última edição da Revista Palumbo, a de outubro. E já convido o leitor à compra da edição número 11. A estimativa é de que próxima semana ela esteja nas bancas. Depois coloco aqui as matérias de destaque da revista. Adianto apenas o balanço da Flipipa, matéria sobre o padre Ibiapina (que teria influenciado padre Cícero Romão), por Filipe Mamede, e o resgate da história do jornal A Ordem, em texto primoroso de Albimar Furtado. O resto é surpresa. E das boas!
Carta do Editor
A vanguarda produtiva difere do falso vanguardismo assimilado pela indústria cultural. A cultura de massa virou perfume de boutique e botecos. Já domina o plano social, político e até religioso – vide campanha eleitoral. Embora reconheça o aroma docemente dissimulado dessa indústria na arte e na comunicação, não é assunto de nosso interesse. Preferimos o “desvio de norma”, para lembrar a expressão de Viktor Chklósvski quando se referiu à verdadeira vanguarda – um movimento de intervenção, estruturado sob uma sociedade crítica.
A quebra de paradigmas em uma “terra em transe” cria novas estéticas, ou extra-estéticas. E nela cabem diferentes formas de criação legitimadas pelo idealismo, mesmo que burguês. A estética é refúgio de idealismo, já disse o ensaísta Moacy Cirne. Que seja. A poesia concreta e experimental comprova o contraditório e a vocação contracultural e vanguardista da estética. Esse desvirtuamento provocado pela estética da vanguarda recai no mundo artístico-intelectual ou se insere na vida e no corpo do indivíduo.
Esta edição da Palumbo está repleta dessas pessoas pouco afeitas ao racionalismo tecnicista e autoras de novas conceituações humanísticas. Gente que um dia caminhou neste encruzilhamento de códigos vanguardistas e modificou o seu tempo ou seu próprio ser. Tanto faz. A matriz construtiva dessa estrada difere de gênero, época e abrangência. Mas todos eles ultrapassaram formalismos, preceitos e promoveram os tais desvios. Se não ao cânone estético, mas à norma social.
Interessante a percepção de que uns construíram movimentos sociais, enquanto outros promoveram revoluções incríveis na alma. E ambos integram o vasto campo da vanguarda. Ou o que dizer de Nísia Floresta e seus tantos adjetivos classificatórios, cada qual arcabouços de lutas, coragens e idealismos antes adormecidos na cama macia da história – uma história, ressalte-se, contada por homens. Nísia abriu fendas na parede de chumbo machista e libertou índios do preconceito cego. Criou uma revolução possível às mulheres e alforrias aos negros.
Jussara Queiroz pertence ao mundo sempre imaginário da contracultura – um mundo próximo do idealismo anárquico de Hebert Marcuse, principiado na beleza e na liberdade. De alma inquieta, Jussara fez do cinema a sua poesia. Foi silenciada pelos voos inesperados do mundo-realidade: um mundo sem sonhos e ilusões, nunca pensado pelo professor hedonista Timothy Leary. Mas os olhos da cineasta ainda miram o mar e colorem as águas de cores psicodélicas quando quer, quando tenta fazer da vida uma imitação da arte libertária.
Da liberdade também buscou o jornalista Jomar Morais. E mergulhou nas funduras abissais da alma para encontrar um remédio caro e sem referência genérica: a paz interior. Entre estantes de livros e uma vila pesqueira perdida nas entrelinhas do tempo, o pesquisador Francisco Fernandes Marinho guarda a história na esperança de abrir milhares de mundos aos aventureiros literários. Longe do mar, a socióloga Tereza Aranha transporta a seca das lembranças infantis às desilusões políticas. E cada um deles faz do seu universo particular um mundo de galáxias. Assim também é a Palumbo: dos muros baixos da província ao pedestal da vanguarda produtiva.
FIART no Centro de Convenções, Stand SPVARN
Coordenação da Presidente SPVARN, escritora poeta Adélia Costa, sentada ao
lado do escritor Alexsandro Al...
Há 6 dias
Nenhum comentário:
Postar um comentário