sexta-feira, 30 de maio de 2008

Novo blog em breve

São pouquíssimos os intelectuais deste Rio Grande de Poti a postarem em blogues. Quando há, pouco se dedicam. Pelo menos a escreverem suas obras ou textos mais primorosos. Pois eis que um dos grandes avisa que lança o seu na primeira semana de agosto.

E a julgar pelo conhecimento cultural e político de Franklin Jorge, os temas serão os mais variados e aprofundados possíveis. A princípio a idéia é postar enquetes e publicações de séries de matérias sobre temas específicos.

Segundo o escritor e jornalista, o blogue antecede um projeto ainda maior de um site. Em um dos dois, tenho certeza, o autor publicará dezenas de livros seus já escritos, prontinhos, e sem patrocínio para publicação. Uma riqueza imensa e gratuita ao leitor.

Passarei a dica a Franklin do site do jornalista Tácito Costa e sua recente idéia de montar uma estante literária com obras de autores locais gratuitas ao leitor. Idéia genial que julgo um precedente a uma evolução ainda longínqua de transferência de obras para internet.

Sem outros meios para viabilizar sua obra, Franklin avisa: “Vou me dedicar exclusivamente à internet”. A mídia a qual o próprio escritor foi um dos pioneiros no Estado, quando publicou, em 2000, a revista eletrônica Navegos.com.

Exposição Desejo em Nalva Café

Exposição Desejo é uma novidade para quem conhece o trabalho de Andrea Ebert. Nesta exposição o espectador verá novas formas de olhar e sentir. Andrea trabalhou com caixas coloridas de acrílico, vinil e vidro. Brinca com cores e limites, contextos lúdicos e formas simples. Parece um trabalho bacana.

O nome “Desejo” instiga a pensar o que esta palavra significa. Formas de corpos desenham paredes e caixas flutuam no espaço. Objetos de vidro fazem o olhar confundir o que é real e o que é desejo. Para conferir é só passar no espaço Nalva Melo Café Salão, na Ribeira, um lugar mais que perfeito para esta instalação.

Andrea é paulistana, mora há 12 anos em Natal, consciente de como a cidade afetou o trabalho que faz hoje em dia, principalmente no sentido de torná-lo mais colorido. “A luz do Nordeste é muito mais intensa e isto faz bastante diferença”, lembra Andrea.

As ilustrações de Andrea são feitas de vários materiais: de papel especial para aquarela a papel de embalagens, tintas, caneta esferográfica e uso de passamanarias e tecidos usados em colagens.

Gosta de afirmar que ultrapassou o eixo Rio-São Paulo, e que não importa mais o lugar onde vive “meu trabalho pertence ao do mundo”.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Festival DoSol recebe patrocínio

O 5 º Festival DoSol tem data marcada para acontecer: dias 1 e 2 de novembro. Os últimos eventos foram realizados no mês de agosto. Devido à mudança de datas do MADA para o mesmo mês, Mr Foca resolveu transferir também os dias do Festival.

A boa notícia é que a edição deste ano conseguiu entrar no edital do Oi Futuro, um dos mais difíceis do país. Um prêmio e tanto para o produtor que tem procurado levantar a cena roqueira que anda meio apagada.

Além da Oi Futuro, o evento conta ainda com apoio da Diginet, Sol e Trama Virtual. Segundo Anderson Foca, o montante dos patrocínios não permite aventuras muito ousadas, mas vai propiciar uma edição novamente bastante honesta e desta vez sem risco de prejuízo.

“Estamos aprontando uma programação bacana e uma ação inédita dentro dos festivais mas isso é assunto para quando tiver mais próximo de novembro”, disse.

Na edição passada foram 46 bandas de vários estados, em mais de 24h de rock em três dias. Tudo sem patrocínio público ou privado. Lógico que deu prejuízo. Mas o produtor encarou como investimento.

Vida longa ao Festival!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Onça em pele de puta

Com o sugestivo nome de O Sonho da Onça é Ter um Casaco de Pele de Puta, o artista português João Pedro Vale traz hoje para a Galeria Leme, em São Paulo, peles de animais imaginários. Quase todas criadas com guardanapos de papel pintado.

Essa exposição abre a velha questão sobre do que é feita a arte contemporânea. Dias atrás um “artista plástico” pendurou um cachorro na parede de uma galeria até morrer para fazer arte. Só se for aquelas de menino-moleque.

O título de abertura da exposição do portuga é bacana, engraçadinha e até instigante. Mas não vi muita coisa nas fotos da obra na internet. Acho que a coisa está se nivelando por baixo. Não bastasse a música e o cinema...

Liberdade de criação está se confundindo com libertinagem. Acho que falta uma escola bacana nestes tempos confusos para estabelecer pelo menos um parâmetro de qualidade e direção a essa galera.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Em viagem pelo tempo

Passo olhos de binóculo pelo espaço do tempo. Passado, presente, futuro – tijolos do castelo das eras. O pretérito, sempre fugidio, alimenta de saudades a alma, mesmo quando de lembranças tão próximas. Parece antítese ao presente na poesia de Drummond. O passado tem também a mania dos fatos. Em sua película, raras são as hipóteses. Há até quem diga: “O passado não passa!”. É que recordações são sempre vivas no porão da memória, amigo leitor. E o presente é uma rotina quase sempre indigesta.

O presente é morador indesejado do cotidiano. O vizinho inconveniente do passado. A realidade alicerçada das recordações e memórias. Não precisa a depressão para sentir o peso da realidade. O presente tem mesmo a cara da vida, da dor. É a possibilidade da ilusão. A oportunidade da pergunta. O presente é a materialização da escolha: bancário ou cigano. Mas a poesia do agora é escrita, necessariamente de mel ou cicuta. Não há alternativa. É coisa do destino. Ora, a morte é a sombra do presente.

O futuro tem a face do infinito. São as linhas tortas de Deus, mas tem também projeto próprio. Por vezes se apresenta tardiamente de muletas e bengalas, em despedida repentina do presente. O futuro é o outono quando se é inverno. É o destino quando tudo são planos. É o concreto dos sonhos fracassados. O futuro é um segredo desvendado. O resultado da dádiva divina e a frustração do fim. São os milhares de anos do amanhã ou o minuto seguinte.

Difícil não é escrutar as molduras do tempo ou caminhar a estrada do presente, amigo leitor. Nem mesmo olhar as marcas abraçadas pelo passado. Vislumbrar um destino seja ele qual for ou pintar de cores alegres e simples esse quadro de tempos é o verdadeiro segredo da vida. Ou será ilusória a idéia de que madrugada e alvorecer são distintos? Quem surgiu primeiro: o antes, o agora ou o depois? Viver o segundo é pisar em qual espaço de tempo?

Certeza tenho apenas a de que o tempo, alheio e surdo aos chamados de socorro, não espera por nada. Então, como viver? Carpe Diem? Não. Aproveitar o momento talvez seja pouco. A vida é pra valer, como dizia Vinícius. E é bom lembrar: as nostalgias também elevam o espírito. São tristezas gostosas de curtir. Quem sabe, então, fazer de um dia a vida inteira? Arriscado. Há também que se planejar o futuro. De hoje e amanhã. Tantas interrogações...

Esquecer o tempo. O compasso da vida. É isso. Viver na inércia dos ventos. Ou no impulso dos desejos. Flutuar sobre nuvens no planeta dos sonhos... São muitas as opções. Mas parecem tão longes... Vamos replicar, então, o lema do Teatro Mágico: “De ontem em diante serei o que sou no instante agora”. E pronto! Mas, quem é você agora?

Por hoje sou o comandante de um saveiro reluzente. Ainda de poita recolhida. De amarras soltas e velas içadas, em preparo para a grande e última pescaria. Velejo ciente dos arrecifes e nevoeiros. Do perigo iminente oculto no mar. Sequer invejo navios mercantes, de rotas tão previstas. Eles transportam cargas pesadas demais para a leveza da vida.

E por hoje, só por hoje quero velejar sem naufrágio repentino. No descansar do último arrebol quero largar a âncora ao mar, recolher meus tresmalhos e varas e degustar peixes fresquinhos entulhados nos samburás. Rodeado da brisa e da tranqüilidade proporcionada pelo esforço dos anos.

Amanhã, somente naquele amanhã inesperado meu coração pertencerá às marés. Nesse momento saberei viver o ontem como o instante agora. E nesse dia, apenas nesse dia, meu coração não mais navegará nos mares da vida. Ele será o próprio mar.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Estante literária em blog

O blog Substantivo Plural abre um novo precedente literário nesta província de poucas novidades. O jornalista Tácito Costa expôs uma estante literária com livros de acesso gratuito pela Internet. Os autores são predominantemente locais. Uma forma fantástica e moderna de dar visibilidade ao trabalho.

Quatro livros já figuram na estante. Alguns deles inéditos, como a preciosidade da obra do jornalista Carlos de Souza, intitulada Palimpsesto. São mais de 200 páginas de muito bom gosto. Li umas vinte. A capa é sensacional, produzida por Everton Dantas. Não sei se é o mesmo jornalista que também colocou seu livro de poesia na estante, A Vida é Grátis, creio que também inédito.

Nelson Patriota expôs a biografia da nossa rouxinol potiguar, Glorinha Oliveira: o livro A Estrela Conta (2003). O Nobel escritor português José Saramago pediu licença a Tácito (rs) e também colaborou com a obra A Ilha Desconhecida.

A iniciativa é uma alternativa bacana quando os preços de livros estão um absurdo e até os sebos já comercializam preços equivalentes às livrarias. Muito em breve o jornalista Alex de Souza também publica um livro de contos (salvo engano), de 30 páginas no Substantivo (link ao lado).

Encontrei Alex na última eliminatória do MPBeco e senti firmeza quando ele disse que não vai mais publicar livro. Quem sabe a mania não pega por aqui. A cidade ainda é província. As notícias rodam como um tufão. E o blog é muito prestigiado e acessado: uma ótima vitrine, principalmente aos iniciantes na arte da escriba.

Claro, é quase impossível a idéia replicar a ponto da pirataria, como é visto com os DVDs. Seria uma alternativa barata e logo haveria pressão para as editorias baixarem os preços dos livros. Melhor nem eu me estender nesse aspecto. A discussão é bem diferente se comparado com a indústria fonográfica e posso ser mais uma vez mal interpretado.

Verdade é que o mundo migra mesmo para a Internet. Tenho medo do fim do jornal, do livro. Acho mais romântica a leitura em papel. Mas a realidade parece caminhar sempre para um destino mais chato, frio. Prefiro as flores do jardim à natureza morta. Bom, sei que nunca vou dispensar um livro em tarde de chuva, mas por força da necessidade, quem sabe não publico um livro virtual ou preparo um chá para tomar em frente ao computador?

A boca maldita de Caetano

Caetano Veloso tem mais valia cantando mesmo. Quando abre a boca gera polêmica. E normalmente falando besteira. A última foi em entrevista publicada hoje na Folha. O tropicalista defendeu seu amigo, o ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) – vejam só quem – , que avaliava o governo Lula como o mais corrupto da história devido ao mensalão e depois assumiu um cargo no Planalto.

O cantor lembrou que o ministro é tido como antipático com os jornalistas. Questionado por que o ministro é folclorizado, Caetano respondeu, com a velha mania do contraditório:

“Porque todas as pessoas que tentam coisas importantes para o Brasil sofrem com essa inércia de o Brasil ter sido desimportante, uma espécie de salvo-conduto para cada um cada um se mostrar irresponsável na sua área. As pessoas ficam com medo de assumir responsabilidade. Isso é inconsciente, mas é verdade. Brasileiro adora dizer que o Brasil não presta, que a língua portuguesa é uma porcaria, que todo mundo escreve errado e ninguém reclama. Tudo aqui é desrespeitado. Tudo que aponte para um negócio que crie responsabilidade”.

E o pior ainda estava por vir. Indagado sobre a possibilidade de a sucessão de Lula caminhar para a disputa entre a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o cantor também criticou a esquerda paulista:

“Dilma pelo menos não é de São Paulo, não é da USP. Serra não é propriamente USP, mas essa esquerda paulista já encheu, já deu o que tinha de dar. E é o que Lula é também”.

Talvez ele espere a volta de Celso Pita ou Quércia, ou não.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Da falta de tempo e assunto

Peço desculpas ao amigo leitor pela falta de crônicas neste espaço. A pressa tem me tirado o tempo e o ócio necessário de algumas horas para sentar e escrever. Mesmo as banalidades do cotidiano merecem boa escrita e melhor atenção. É a maneira de se tornarem nobres ou pelo menos conhecidas.

Junho tiro férias. Talvez a inspiração resolva visitar-me novamente. Sinto falta também do mar de Santa Rita. Prometo uma ida, mesmo que rápida, neste fim de semana. De certo trarei novidades daquele pedaço espremido de praia. Já imagino a solidão das catraias nestes dias invernais.

No mais é um fim de semana caseiro de muito trabalho, filmes e livros. Aceito sugestões. Rodrigo Levino prometeu-me o empréstimo não consignado do livro O Demônio do Meio-Dia, de Andrew Solomon – um verdadeiro tratado sobre a depressão. Por hora, tenho relido Crime e Castigo, de Dostoievski.

Dia desses vi um filminho marromeno, mas que mexeu com meus brios: Resgate de um Campeão, com Samuel L. Jackson, em belíssima interpretação, e Josh Hartnett. O segundo encena o papel de um repórter esportivo desesperado por uma grande matéria. Ele descobre um sem-teto (Samuel) que se diz grande campeão de box do passado, conhecido como Bob. Na verdade, o cara era um boxeador bem menos conhecido, contemporâneo ao Bob.

O dito repórter escreve uma matéria sensacional sobre um boxeador campeão do mundo que vive às traças como morador de rua. A matéria sai publicada na capa das principais revistas americanas. Logo alguns descobrem a mentira. E a história é real! Senti-me na pele do sujeito e tive calafrios.

É isso. O leitor mais exigente e carente de assuntos de mais valia pode visitar outros blogs deste portal. Os de futebol estão com boa audiência. Indico o de Fernando Luís. Se não anda tão atualizado, os textos e temas são sempre gostosos de se ler. No mais é um mês de maio interminável, de protestos, futricas políticas e poucas novidades.

Cineclube apresenta projeto Curumim

Notícia bacana. O Cineclube Natal apresenta amanhã a abertura do projeto Cine Curumim, a premiada animação japonesa "A Viagem de Chihiro", do diretor Hayao Miyazaki.. Será às nove horas. O projeto é idealizado em parceria com o SESC e visa a formação de um público infantil com apresentações mensais de filmes que possam, de alguma forma, contribuir para a formação cultural de crianças e adolescentes.

Para inaugurar a sessão, nada melhor do que a indubitável qualidade da animação de Hayao Miyazaki. Animador de alto gabarito, autor de desenhos memoráveis como Meu Vizinho Totoro e O Castelo Animado, Miyazaky é frequentemente citado como o Walt Disney japonês. A Viagem de Chihiro acabou por tornar-se seu longa animado mais conhecido, quebrando as barreiras culturais e sendo sucesso absoluto nos Estados Unidos, que acabou por popularizar o filme no resto do mundo.

Apesar de a história conter elementos tipicamente japoneses, consiste na imortal fábula da criança que se perde e luta para voltar ao lar, nos moldes de João e Maria e Alice no País das Maravilhas. Tal qual a menina Alice, Chihiro deve enfrentar uma série de obstáculos antes de voltar à segurança de sua casa.

Perdidos em uma viagem de mudança, Chihiro e seus pais acabam descobrindo uma misteriosa passagem que os leva até um mundo mágico. É lá que a jovem Chihiro precisará enfrentar uma jornada heróica para salvar seus pais, que foram transformados em porcos pela malvada feiticeira Yubaba. O filme acabou sendo o vencedor do Oscar de Melhor Filme de Animação.

A exibição do filme se dará no auditório do próprio SESC da Avenida Rio Branco. A entrada é franca. Vale a pena uma ida por lá também para conhecer outros projetos desenvolvidos pelo Cineclube, sempre uma alternativa de entretenimento com qualidade na cidade.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Notinhas!

ABIMAEL
O sebista e editor Abimael Silva prepara para essa semana o lançamento de uma edição fac-similar do livro Homens e fatos do Seridó antigo, escrito em 1959 pelo bispo dom Adelino Dantas, de Garanhuns. Segundo Abimael – e amparado na opinião do poeta processo Moacy Cirne - é o melhor e mais completo livro sobre o Seridó. A reprodução sai com 180 páginas e comercializado a R$ 30. Vale a pena cada vintém!

LIVRO
Outra novidade literária é o livro Dias estranhos, do jovem escriba Rodrigo Levino. Essa semana o livro chega da gráfica e tem lançamento previsto para o início de junho, aqui na terrinha, e no final do mesmo mês, em São Paulo. O livro é uma reunião de 30 crônicas. As temáticas giram em torno do cotidiano: estresse, pressa, rotina... Um retrato fiel desses dias cinzentos.

BOSSA NOVA
O jornalista Nicolau Frederico tem pesquisado e escrito vasto material sobre os 50 anos da Bossa Nova. Está tudo publicado em seu blog (http://www.nicolaufrederico.jor.br/). Tem entrevista com cantora do Pato Fu, Fernanda Takai e sobre o CD gravado em homenagem a Nara Leão, além de dezenas de links relacionados ao gênero musical. A revista Bravo já entrou em contato com Nicolau e pediu autorização para publicar parte do material na edição deste mês, também dedicada à Bossa Nova. O jornalista tenta também promover shows com os partícipes da época, como Menescal. Zé Dias bem que podia ajudar...

DOSOL
Aos que criticaram a escolha de Anderson Foca como vencedor do troféu O Poti, na categoria Produtor Cultural, meu recado. O selo do rapaz – DoSol – encampa num novo projeto: uma web rádio. A Rádio Dosol vai ter programação com música de bandas independentes, notícias e podcast. O acesso é via portal (link ao lado). Um banner foi colocado desde de ontem para ouvir a programação diária, no ar entre 9h às 12h e 19h às 22h.

FRANKLIN JORGE
Sem dinheiro para publicação de seus escritos e já com dezenas de livros prontos a espera de edição, o escritor Franklin Jorge vai optar por uma mídia mais democrática: um site. Ainda assim ele tem procurado captar recursos para bancar tudo. A coisa é difícil. E ele disse estar investindo em outros equipamentos para se tornar mais independente em seus negócios. Mas em breve o site estará no ar.

MPBECO
O que se tem ouvido sobre a nova edição do MPBeco é de superação às deficiências dos eventos anteriores, como sonorização e luz. Até a cerveja ficou mais barata, para deleite de quase todos. Os shows de Valéria Oliveira e da banda Rosa de Pedra, de abertura e encerramento no primeiro dia, também foram elogiados. Das críticas, a mesmice da manjada mistura de rock com regionalismo impregnada em várias músicas. E as expectativas frustradas da apresentação de Marcelus Bob e seu Grupo Escolar. Assim não dá pra ser um "possibilista".

domingo, 18 de maio de 2008

De prêmios e premiados

É rara a entrega de premiações gerarem consenso. Quase sempre há questionamentos. Mas um fator é inegável: o reconhecimento do artista, como indicado ou premiado. E o Rio Grande de Poti tem assistido uma gama de artistas potiguares indicados a prêmios aclamados pela mídia nacional e local ou reconhecidos pelo trabalho realizado.

Roberta Sá e Marina Elali concorrem ao Prêmio Tim de Música. A primeira, na categoria Melhor Disco de MPB, com Que belo estranho dia pra se ter alegria. A segunda, como melhor cantora popular. Não bastasse, Khrystal recebe convite para participação no Programa Senhor Brasil, da Tv Cultura de São Paulo, comandado por Rolando Boldrin.

Khrystal embarca hoje para Sampa. Vai cantar duas músicas ao lado de Guinga. Sobre o músico – já com participação no CD Coisa de Preto, da Khystalina – o mestre Hermeto Paschoal disse: Caras como Guinga só nascem a cada 100 anos.

Aqui mesmo nesta terra que começa a contradizer Cascudo e consagrar os seus, o Diário de Natal concedeu 12 premiações na última quinta-feira. Diversas áreas da cultura contempladas. Burburinhos em conversas informais nos bares da cidade, comentários, especulações... São iniciativas que fazem a cultura e os artistas virarem notícia.

Gente como João da Rua venceu na categoria Literatura. Merecidíssimo, mesmo pela pouca biografia, como ele mesmo frisou. Outro destaque merecido foi o reconhecimento ao trabalho de Dionízio do Apodi, na categoria Teatro. Dionízio é o “maestro” do Pessoal do Tarará, grupo de teatro de rua. Acompanhei um dia de apresentação deles em uma comunidade de periferia em Mossoró. E posso atestar: é um trabalho abnegado. Para o próximo ano, largo a sugestão: o pessoal do Escambo, de Janduís.

Comentar da homenagem a Deífilo Gurgel é cair no óbvio. Posso dizer de minhas reclamações desde o primeiro prêmio do esquecimento ao folclorista. Naquela primeira solenidade, Deífilo havia escrito dois importantes livros do nosso folclore e o vencedor foi seu irmão, Tarcísio Gurgel, que recebeu meio sem graça o troféu e comentou, de forma elegante, da bobeira do DN com o irmão. Para o próximo ano, também largo outra dica à direção do jornal: a romanceira Dona Militana, descoberta pelo próprio Deífilo.

A escolha popular, como nas três edições anteriores, contemplou a música. Roberta Sá foi uma boa escolha. Só desconhecia tamanha popularidade. Imaginei um público mais seleto da cantora.

E entre premiados e homenageados, entre feras e feridos, valeu a noite de vivas à cultura potiguar. Soube também que a Fundação José Augusto organiza uma premiação às matérias jornalísticas relacionadas à cultura. Bravo. Ora, também somos gente!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Morre Wander Taffo

Saiu agora a pouco na Folha Online a triste notícia. O cara fez história no rock brasileiro:

O músico e guitarrista Wander Taffo morreu hoje pela manhã em casa, em São Paulo. Segundo familiares, Taffo morreu vítima de uma parada cardiorrespiratória e não tinha histórico de problemas de saúde. O músico faria 54 anos no sábado.

Considerado por publicações internacionais, como a "Guitar Player", um dos expoentes da guitarra no mundo, Taffo era hoje um dos sócios da EM&T (Escola de Música e Tecnologia).
No começo dos anos 80, Taffo estourou com a banda Rádio Táxi, que fez muito sucesso com a música "Eva". Ele também fez parte de grupos como Made in Brazil, Secos & Molhados, Joelho de Porco, Gang 90, além de ter tocado com nomes como Rita Lee e Roberto de Carvalho.

Sua primeira banda foi a banda Memphis, em 1973, quando tocava em bailes. O músico deixou a banda Rádio Táxi em 1986 para um trabalho solo. Chegou a receber o prêmio Sharp de Música na categoria "Revelação Pop Rock Masculino" por um solo gravado em Los Angeles, em 1989. No ano seguinte, Wander foi escolhido pela crítica como o melhor guitarrista do Brasil.

O músico também participava de projetos sociais, como a distribuição de agasalhos e alimentos para moradores de rua do centro de São Paulo. Taffo planejava a volta da banda Rádio Táxi para julho deste ano.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Cineclube - programação

Não fui mais a nenhuma sessão de cinema promovida pelo Cineclube desde o início do ano. Falha minha. Mas a impressão que tenho pelas notícias veiculadas na mídia é que a reunião idealizada pelos cineclubistas para discutir a ausência do público às sessões surtiu efeito.

Claro, a questão é mais complexa do que o argumento de que o programa é aquele do tipo bom e barato. Mas não deixa de ter seu peso. E seguindo essa premissa, segue abaixo a programação diversificada de aniversário promovida pelo Cineclube Natal:

Até sexta-feira o professor Máximo Barro promove curso gratuito “O cinema aprende a falar”, no Sesc da Rio Branco. Horário: 14h30 às 17h30. Vale a pena. O cara é uma sumidade nacional. Já o entrevistei em outra oportunidade.

Também com Máximo Barro, e até quinta-feira, outro curso gratuito: “No tempo das diligências quadro a quadro”. Será na UnP da Nascimento de Castro, das 8h30 às 11h30.

Todos os dias e até sexta-feira a mostra de filmes “O cinema aprende a falar”, no Sesc do Rio Branco. A mostra será aberta ao público, a partir das 18h30.

Apenas nesta sexta-feira será encenado o esquete teatral “O cinema aprende a falar”, também no Sesc da Rio Branco e aberto ao público a partir das 17h30.

No sábado ocorre a 2ª Mostra Cineclubista de Curtas Potiguares (sem restrição de gênero, suporte ou ano de produção). O programa será no Teatro de Cultura Popular (anexo à Fundação José Augusto, no Tirol). A partir das 17h30.

Domingo o Cineclube reserva uma programação surpresa para a comemoração dos três anos de aniversário. Será também no TCP, em Tirol, a partir das 17h30.

É isso.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Música, futebol e política

MATANZA
No programa Família MTV de ontem com o grupo roqueiro Matanza, os bastidores do show deles no Galpão 29 em Natal, com produção de Anderson Foca. Imagens do baixista China pichando os azulejos da parede do camarim com um monte de besteira. Aliás, percebeu-se um total descompasso entre os integrantes da banda. Parece que só o vocalista Jimmy tem miolo na cabeça. E ao contrário da aparência meio grounge, o cara é cheio da grana, não bebe há dois anos e gosta de passear com a sobrinha. Um coração sentimental por trás do jeito rude. Bacana o programa.

DO SOL
Falar em Anderson Foca, o site do selo e rockbar DoSol é dos mais atualizados da mídia roqueira potiguar. Em uma das notícias, Foca aborda a possibilidade de o Dosolrockbar fechar. Desde que se mudou para a Ribeira, o bar se sustenta com recursos próprios. Com mais de mil shows no currículo, o roqueiro tem o projeto de transformar o rock bar em um ponto de cultura do Minc. A idéia é instalar ali workshops, oficinas, etc. Só assim para captar recursos. O velho Crispa parece rejeitar rock. A prosa dele é a cultura popular. Visão radical, claro. O endereço do site é www.dosol.com.br

MÚSICA
A Rádio Universitária (88,9 FM) já não é exclusiva no espaço cedido aos artistas potiguares. A Rádio Cidade (94,3 FM) também tem apostado no que há de melhor na musicalidade potiguar. Artistas da terra como Khrystal, Roberta Sá, Romildo Soares, Luciane Antunes, Valéria Oliveira, entre outros, têm cadeira cativa no novo espaço musical da Rádio, denominado “A Cidade Toca a Cidade”. A programação com os intérpretes e compositores potiguares já está no ar. Para fazer parte da seleção, precisa ter o perfil light da Rádio Cidade e enviar um CD para a Avenida do Sol, 3310 – Candelária. Informações pelo telefone 3231-0094.

GIL
O jornalista Alexandro Gurgel conseguiu o feito de uma entrevista exclusiva com o ministro da Cultura, o tropicalista Gilberto Gil e publicou tudo em seu blog (www.grandeponto.blogspot.com). Vai saber como ele conseguiu. Fato é que o ministro desenvolveu bem suas palavras. Imagino que a entrevista de poucas perguntas tenha durado umas cinco horas, a julgar pelo gaguejar do nobre músico. Da cultura potiguar, Gil disse conhecer apenas o Trio Irakitan e Ademilde Fonseca – “a rainha do chorinho brasileiro”. Uma pena, tão pouco conhecimento dos nossos valores. As perguntas ademais foram sobre os Pontos de Cultura.

BLOGS
Parece que o segredo para audiência em blogs é descer o pau em alguém ou falar de futebol. Pode perceber, amigo leitor, a quantidade de visitas e comentários em blogs do estilo. Uma avaliação pode ser feita no portal DNOnline. Três novos blogs estrearam semana passada por lá para falar de futebol. Os autores são torcedores fanáticos e de boa escrita: Luciano Kleiber e Rubens Lemos Filho, para comentar do América e ABC, respectivamente. Além de Marcos Trindade e os números do futebol. Fábio Pacheco permanece com o Bola Dividia. Eu daqui, continuo com meu Diário do Tempo, a tecer banalidades cotidianas para dois ou três leitores...

AGRIPINO
Está impagável o texto do jornalista Tutty Vasques sobre o senador José Agripino Maia publicado no Estadão. Algumas passagens: “Ainda que o Aurélio o considere ‘verbete inexistente’, agripino, segundo o Houaiss, é adjetivo. Diz-se de parto ‘em que a criança apresenta primeiro as nádegas’. Nada a ver, pelo menos não no sentido figurativo, com a expressão "nascer com o bumbum virado pra lua". Agripino, em linguagem técnica de obstetra, não denota sorte na vida”. E mais: “Agripino, no sentido parlamentar da expressão, também é adjetivo de político que mete os pés pelas mãos”. E pergunta irônico, depois: “Está dando para entender melhor agora o que é Agripino?
”.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Da nova Preá

Li praticamente toda a 19ª edição da Preá e uma particularidade é inegável: o projeto de arte da revista deu um salto substancial e necessário. Ficou moderna, de boa visualização. A nova gráfica também corrigiu os erros grosseiros de soltura de páginas das duas últimas edições, patrocinadas na gestão da professora Isaura Rosado.

O mais importante é que o conteúdo de alto nível da revista também permaneceu. Não achei mais diversificada em temáticas culturais, como havia me adiantado a nova editora da revista, a jornalista Mary Land Brito. E nem poderia. A Preá sempre abrangeu e foi aberta às diversas vertentes da cultura.

Se fosse opinar para um dos lados quanto ao assunto, até apontaria as edições anteriores. Essa nova cedeu muito espaço para gêneros literários. Foram dois contos (um excelente de Alex de Souza e outro de quatro páginas de Carlos Fialho), poesia de Thiago Barbalho e Plínio Sanderson, crônica de Vicente Serejo e Rubens Lemos Filho, artigo de Clauder Arcanjo (uma maravilha, também) e Deth Haak, Anchieta Fernandes e Rizolete Fernandes.

A entrevista foi feita pela editora Mary Land com o atual secretário da Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, o ator Sérgio Mamberti. A entrevista foi bem conduzida. Já fiz uma com Mamberti e sei da dificuldade: o cara fala muito e emendado.

As tradicionais matérias de mapeamento cultural dos municípios potiguares também sofreram mudanças. E para melhor. A idéia de publicar apenas um (em vez de dois municípios) por revista possibilita uma diagramação mais leve e espaçosa. A imagem de abertura de Angicos tomada em duas páginas ficou primorosa. A outra vantagem é que, como são mais trabalhosas, com a retirada de uma cidade a edição pode ser preparada com maior rapidez. E mais uma vez o nome deste blogueiro saiu com dois “L” no Vilar. Sem problema (rs).

Cuba foi evidenciada no ensaio fotográfico de Andréa Gurgel e como temática do filme Mariposa Blanca, em artigo escrito pelo cineasta responsável, Buca Dantas. Teatro e música também foram representados com excelentes textos de Cefas Carvalhos e o sempre bom Carlos Gurgel. João Batista de Moraes Neto escreveu ainda sobre Caetano Veloso. Achei meio despropositado esse espaço. Outra coisa bacana, diferente, foi a matéria sobre cartões postais, de José Correia Torres Neto.

Duas matérias claramente institucionais foram muito pertinentes. A Fundação José Augusto merecia até um espaço bem maior para contar sua história de 45 anos. Achei tímido o texto pequeno do sociólogo Tarcísio Rosas. “Queimou cartucho”, como se diz. Mesmo a outra matéria escrita por Josimey Costa sobre a discussão da TV Universitária ficou mais completa.

As considerações e comentários do editor eram publicados na última página. Agora foram substituídos por quadrinhos de Emanoel Amaral. Não sei se será mantida a idéia. Mary Land também fez seu texto, impresso na segunda página. E não se pode exigir da nova editora a mesma bagagem cultural do antigo editor da revista, o tarimbado Tácito Costa. As avaliações que o jornalista teciam eram mais embasadas.

Feio foram as palavras do diretor geral Crispiniano Neto na primeira página. Posso estar enganado, mas senti pontas de ironia no texto quanto à demora da revista. Jogar a culpa em gestões anteriores ou na burocracia é o pior dos erros. Certo seria reconhecer a incompetência ou falta de criatividade para driblar percalços. Ou faltou vontade?

Alguns trechos: “No fojo da burocracia e do descuido, caiu a Preá há muitos meses. E ficou enganchada no balseiro da força do não fazer que impera no serviço público”. Crispiniano disse que o início de nova licitação foi a culpa pela demora de quase um ano e meio. Ele usou do eufemismo “muitos meses”.

E mais: “Limpo o meio de campo, tínhamos que retomar, mas não por cima de paus e pedras. Uma preá como a nossa, com o conceito que granjeou, não pode ser pegada a dente de cachorro”. Na minha modesta interpretação, o velho Crispa depreciou a qualidade das edições anteriores. Ao final do texto, ele conclui: “Tinha uma pedra no meio do caminho, usamo-la para edificar. Tinha um limão? Por que não fazer uma limonada?”. Ironia pura!

E ainda mentiu sobre o “esfacelamento” da equipe da revista: “Já tinha acontecido a saída de Gustavo Porpino, que passou num concurso da Embrapa, e por último, a saída do editor Tácito Costa, que por força de outros compromissos se afastou da editoria”. Até onde sei, Tácito lutou pela revista até cansar. E a saída do esforçado e competente Gustavo foi sumariamente substituída, sem deixar buracos.

Enfim, o que se esperava era a continuidade em bom estilo. As expectativas foram atendidas. Pelo menos as minhas e de quem tenho conversado a respeito. Se o Crispa parar de falar besteira, se concentrar em seu talento e honestidade, e seguir o que disse no texto – aumentar a tiragem, distribuir em escolas e bancas e torná-la bimestral – continuarei também a apostar na atual gestão da FJA. Parece que a coisa começou a andar agora...