sábado, 30 de agosto de 2008

Cheiro de brisa

Sinto cheiro de brisa marítima. Se cores a pintassem, seria esverdeado escuro. Da cor dos mares de minha ilusão de menino. Deve ser a saudade da praia-refúgio. De minha varanda, salgada pelo tempo. Talvez amanhã eu a reencontre. Estará colorida pelas cores indecisas de setembro. A prefiro perfumada pelo cinza invernal, em dias de frio. Parece mais minha. Os dias de setembro são transitórios, sem graça. Mas há uma vontade de fugir da redoma da metrópole. Esquecer a silhueta da cidade e provar o gosto da praia. E por algum instante esquecer o real. Viver é melhor que sonhar, sim. Ma há que se viver de ilusões. Pascal acreditava que se sonhássemos 12 horas ao dia seríamos metade sonho e metade realidade, sem distinguir qual das duas partes seria a verdadeira. Eu acataria minhas divagações. Sobretudo as que provoco numa rede de varanda: sonhos de navegante.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Elogios e alfinetadas

Do escritor e jornalista Franklin Jorge, em seu blog, sobre a obra do artista plástico Fernando Galvão: “Qualquer aficcionado logo percebe, diante dos frutos da sua arte, que não é o caju de Vatenor que emblematiza Natal, mas a metrópole aerodinâmica e planetária engendrada pela astúcia estética de Fernando Galvão. Em sua aliciante utopia, o artista celebra a capacidade de inventar e construir que engrandece o homem e o distingue dos irracionais. E, ao fazê-lo – com a autenticidade de sua arte --, imprime sua marca e afirma-se, ao lado de artistas como Vicente Vitoriano, Fernando Gurgel, Marcelus Bob e Jota Medeiros, um dos mais talentosos e jovens representantes das artes visuais no Rio Grande do Norte”. Palavras de quem sabe criticar e elogiar, quando merecido.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Tempo para mim

Comprei mesmo a “bíblia” produzida por Otto Maria Carpeaux. Foda-se se o livro tem milhares de páginas e falta-me tempo para terminar um pequeno retrato da vida humana de 200 páginas escritas por Dostoievski, iniciada a leitura há meses. Quero ler toda a história da literatura ocidental. É mais fácil viver da ilusão. Foda-se se eu tenho matérias atrasadas, compromissos pendentes e expedientes nos três turnos do dia. Quero ser eu mesmo de vez em quando. Já não encontro aquele leitor de outrora, que lia até andando na calçada em direção à parada de ônibus. O verdadeiro compêndio de Carpeaux é a antítese do meu estresse e do meu liseu. São 200 pratas já pagas na compra da materialização de minha liberdade ilusória. E daí? Ela chegará pelo correio. Sem pressa. O tempo ilude quem se aplica ao instante presente. Sigamos. Que venham os leões de amanhã.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Da (A)Fundação José Augusto

Recebo, via imeio, informações de uma leitora que acompanhou o “pugilato” - como classificou os jornalistas Moisés de Lima e Alex de Souza -, entre este blogueiro e o diretor geral da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto. Revoltada, ela começa assim: “Depois que li sua resposta ao Sr. Imortal, Dr. Poeta de Lula, Joaquim Crispiniano Neto, onde achei nota mil, irei te passar todas as informações para derrubar o papangu truculento do PT, que anda fazendo todo tipo de aberrações na cultura desse estado”. E pelas informações contidas, amigo leitor, é alguém que conhece bem a administração do cordelista. O resto são cenas para os próximos posts...

Café com Vento e Araruna

O quarteto Café com Vento será atração de mais uma edição da Assembléia Cultural – projeto de iniciativa da Assembléia Legislativa, a partir das 18h. O bacana nesta apresentação, em particular, é a presença do Grupo Araruna. Talvez seja a primeira aparição do Grupo após a morte de seu mentor, o Mestre Cornélio Campina. O evento ocorre no plenarinho da Assembléia, na Cidade Alta. A entrada é gratuita até a lotação.

Música para meus ouvidos

O presidente Lula sancionou ontem projeto de lei, aprovado na semana passada pela Câmara dos Deputados, que torna obrigatório o ensino de música dentro da área de artes em todas as escolas do país. A Casa Civil informou que Lula vetou o artigo que previa que os professores tivessem formação específica na área. O texto da lei deve ser publicado na edição de hoje do Diário Oficial da União. O Ministério da Educação tem posicionamento favorável à proposta. A lei vale para os ensinos fundamental e médio, mas as definições sobre em quantos anos o ensino de música será ministrado e com que periodicidade vão caber aos conselhos estaduais e municipais de Educação, em parceria com os governos locais. Aí é que o bicho pega. Vamos ver como fica por aqui. Também foi sancionado há meses a obrigatoriedade das disciplinas de sociologia e filosofia. Basta uma visita rápida às escolas públicas e verão que nem o português é ensinado direito.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Mercado de Petrópolis e dos sebos

O título é hipotético e necessário. Um dos pontos mais charmosos da cidade permanece esquecido pela população. A vocação aos atrativos culturais do Mercado de Petrópolis tem sofrido da escassez de incentivos e mídia. O sebista e poeta Jairo Lima – quase um Dom Quixote sem Sancho Pança – tem procurado outros sebistas experientes para migrarem para o Mercado, na tentativa de salvar o espaço. A Fundação Capitania das Artes tem promovido eventos culturais mensais. É pouco. A idéia de Jairo é mais consistente e, de certo, levantaria o movimento no local quando da montagem de uma grande feira de sebos. E, a partir daí, organizar eventos culturais, como lançamento de livros, feiras literárias, recitais... As possibilidades são muitas.

O próprio Sebo Kriterion, do poeta, tem reunido intelectuais da cidade aos sábados, para degustar uma feijoada e discutir assuntos variados. Jairo mantém ainda sessões de cinema durante a semana, além, claro, de um acervo literário de mais de três mil livros. A iniciativa poderia ser replicada. O custo de aluguel dos boxes é baixíssimo. São 60 reais anuais para os maiores espaços. O sebo Catalivros, dos pioneiros Jácio e Vera, aderiram ao chamado de Jairo e já iniciaram reforma para a mudança. O Mercado tem infra-estrutura invejável. Banheiros, limpeza e disponibilidade de boxes. Visitei o Mercado sexta-feira, por volta das 12h, e a maioria estava fechada. Alguns permissionários não aparecem há mais de seis anos.

O ideal é que sebistas compromissados viessem. Outra sugestão seria transferir a sofrida Casa do Cordel, hoje na Gonçalves Ledo, no Centro, para lá. O cordelista Abaeté tem reclamado das chuvas e infiltrações do local, que antes do despejo estava hospedado no antigo prédio da TVU. Se a prefeitura quer, realmente, transformar o Mercado num pólo cultural, deveria acionar não só a Funcarte, mas também a Semsur e resolver o problema dos permissionários para viabilizar a chegada de comerciantes compromissados com a vida cultural do Mercado.

Oswald de Andrade nas escolas

Olhe só que idéia bacana e de fácil adoção em qualquer gestão pública com vontade de difundir cultura: estréia hoje documentário sobre a vida e a obra de Oswald de Andrade ao som da Nação Zumbi. A animação relaciona a vida do autor com o livro Memórias Sentimentais de João Miramar, marco da literatura modernista no país, e dá continuidade ao projeto de apoio a professores e alunos.

A segunda animação da série Animadas Letras Paulistas, criada pelo site LivroClip – iniciativa que transforma obras literárias em ferramentas educativas – é lançada hoje. Dessa vez, as polêmicas da vida e obra de Oswald de Andrade são o tema do documentário de cinco minutos, que deve ser distribuído em formato DVD às escolas públicas do Estado de São Paulo.

O LivroClip vem ao som da música Blunt Of Judah, da Nação Zumbi e tem uma página especial com conteúdo exclusivo que traz dicas de como utilizar a obra em sala de aula. Que maravilha de idéia. Um instrumento moderno, atrativo e de fácil manuseio aos alunos. Seria interessante alguém repassar a idéia para Dácio e o carrancudo da FJA. De repente haja sensibilidade para tal.

Este projeto foi selecionado entre as cinco melhores iniciativas do módulo “difusão da literatura”, do Programa de Ação Cultural do Governo de São Paulo. Para completar a seleção de LivoClips inspirados em autores brasileiros, a coleção completa com Mário de Andrade, Monteiro Lobato, Menotti del Picchia, Raduan Nassar, Haroldo de Campos e Hilda Hilst.

Sonhos de poeta

Ao receber o título de Cidadão Natalense da Câmara Municipal (proposta do vereador Hermano Morais) na semana passada e dentro de sua humildade característica, o pai de nove filhos, também conhecido como DeíFilhos Gurgel, não só enalteceu a figura do mestre Cornélio Campina, descoberto por ele, como rendeu homenagem à sua esposa, dona Zoraide: “Você, que nasceu para ser princesa de castelos encantados, se contentou em ser a pastora dos meus sonhos de poeta”.

sábado, 23 de agosto de 2008

Da gestão municipal de cultura

As palavras do produtor cultural Zé Dias, que seguem abaixo, refletem mais do que o trabalho competente da Fundação Capitania das Artes e da atenção que o prefeito Carlos Eduardo dispensa à cultura. Mesmo com equívocos, como a velha mania da política do pão e circo, materializada no pagamento de shows milionários, esta gestão é das mais compromissadas com a cultura que pude presenciar. Muito se deve, claro, aos conhecimentos do presidente da Funcarte, Dácio Galvão.

A inauguração do Museu da Cultura Djalma Maranhão coroa esta administração com uma grande obra. Falta ainda o Museu da Cidade. Temos ainda as edições em qualidade ascendente da revista Brouhaha e um calendário cultural - que mesmo com algumas correções ou aprimoramentos a serem feitos - contempla diferentes vertentes culturais. A lembrar o Goiamum Audiovisual, O Encontro Natalense de Escritores, a programação do Natal em Natal, o Som da Mata, o Fest Natal e muitos outros. Isso se chama compromisso, competência, vontade. Palavras que eu ainda procuro na Fundação José Augusto.

Abaixo, as palavras de Zé Dias:

"Depois do Parque da Cidade, onde já esta sendo desenvolvido um ProjetoCultural, a Prefeitura de Natal, através da ótima gestão da Capitania das Artes, inaugurou nesta sexta-feira o MUSEU DE CULTURA POPULAR, ajudando a melhorar a cena cultural desta cidade. Falo isto, porque para criticar é só dá um empurrão, agora negar o que de bom se oferece a Natal, não soma. Golaço do Prefeito, de Dacio e Djalma Maranhão assinaria embaixo esta COISA BOA para nossa cidade.

PS: Em época de eleição, é bom vermos estas coisas e refletirmos sobre quem tem coragem de fazer esse tipo de obra".

Zé Dias
Produtor Cultural

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Papangu nas bancas

A troca de farpas entre a prefeita mossoroense Fafá Rosado e o pessoal da Papangu não impediu o lançamento de mais uma edição da revista. Segundo os editores, a prefeita acionou a Justiça e pediu cifras que “trincaria” até mesmo publicações brasileiras de grande porte. A chamada de capa é “Pra lá de Bagdá...”.

O jornalista Alexandro Gurgel entrevistou o Capitão das artes natalenses, Dácio Galvão. O presidente da Capitania das Artes fala, entre outras coisas, sobre a efervescência cultural da cidade do Natal. Alexandro que também traz para a seção Especial o município de Caicó.
Nas comemorações dos oitenta anos do poeta H. Dobal, o bibliófilo Carlos Meireles, na seção Autores & Obras, resolveu cantar, valendo-se da telúrica arte do mestre, um réquiem de versos.

O jornalista e escritor Mário Gerson assina o Conto Os Gatos de Madame M; Na Crônica do mês, Antônio Alvino explica por que Andar se Aprende Andando. Nos Céus de Portalegre é o artigo assinado pelo jornalista Jotta Paiva. Em Foco Potiguar, as belas Paisagens litorâneas, de Clóvis Tinoco.

Em mês do foclore, Deífilo Gurgel é o personagem do Talento Potiguar - matéria que leva a assinatura do escritor Clauder Arcanjo. O Exu Desmancha Tudo foi o ganhador do Troféu Papangu do mês - um juiz poderoso que desfaz o que outros juízes sentenciam.
Haja sensibilidade nas duas páginas dedicadas à poesia: Elaine Vincenzi Silveira, Maria Nogueira Machado Arcanjo, Maria Rizolete Fernandes, Francisco Carvalho, Clauder Arcanjo e Luiz Otávio Oliani.

Os papangunistas Affonso Romano de Sant’Anna, Raildon Lucena, David Leite, Cefas Carvalho, Damião Nobre, Yasmine Lemos, Antonio Capistrano e Túlio Ratto dão continuidade a esse trabalho reconhecido e aclamado pela mídia como um dos melhores instrumentos culturais do Nordeste e, tranqüilos e calmos, rindo das investidas daqueles que querem “ressuscitar”, a todo custo, o coronelismo em terras potiguares.

Veríssimo relembra Caymmi

Luís Fernando Veríssimo relembra instantes de outrora com Dorival Caymmi, falecido semana passada. O texto foi publicado no Estado de São Paulo:

Lembrança remotíssima do Dorival Caymmi: ele na nossa casa. Naquela época, pré-televisão, pré-cadeias de rádio, os artistas viajavam e faziam programas nas rádios locais. Ele foi nos visitar depois de um programa numa rádio de Porto Alegre. Levou o violão e cantou. Lembro de alguém que o tinha ouvido no rádio comentar: ele tem a cara da voz.

Aquela cara não podia ter outra voz, aquela voz não podia ter outra cara. Nunca ouvi voz parecida - até conhecer outro baiano, o João Ubaldo Ribeiro. A voz do João Ubaldo é plágio da voz do Caymmi. Agora o João Ubaldo tem um dever para com a nação: falar, falar mais do que fala, e até cantar de vez em quando, pra gente ter a ilusão de que ainda é o Caymmi.

Lembrança não tão remota (só 44 anos) do Dorival Caymmi: Lucia e eu num sítio em Araras emprestado ao jovem casal para sua lua-de-mel pelo escritor Vianna Moog. Na eletrola, durante toda a nossa estada, rodou um long-play do Caymmi. Faixa mais repetida: Dora. A rainha do frevo e do maracatu. Que contém uma daquelas frases musicais do compositor guardadas no arquivo especial das grandes frases musicais que cada um tem no peito.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Ao bronze, Brasil!

O jornalista Ailton Medeiros descobriu um blog de humor finíssimo. É o Blog Bronze Brasil. A linha dos textos é em tom de ressalva à medalha de bronze. Ironia pura! Vejam:

“Perder da Argentina nunca é bom, poderia dizer um torcedor mais fanático. Mas isso é uma opinião do calor do momento, incorreta. Retruco e digo que perder para a Argentina quando estamos armando uma armadilha é ótimo.

Com uma atuação convincente, o Brasil deixou os argentinos fazerem 3 a 0 ao natural e partirem para a final, onde certamente perderão da Nigéria e amargarão a prata.Por outro lado, os comandados de Dunga estarão no jogo que realmente vale muito – a decisão do terceiro lugar.

Nosso técnico mostrou controle do time em todos os momentos, inclusive forçando a expulsão de Lucas e Thiago Neves, quando a equipe esboçava uma reação.Nosso adversário será a Bélgica, que espertamente tomou 4 da Nigéria. Já vencemos eles na primeira fase e temos a obrigação, como país do futebol, de repetir a atuação.Como disse Walter Casagrande na copa de 2002: ‘que venham os bélgicos’.”

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Patrimônio Vivo

Uma das propostas mais bacanas provindas da Assembléia Legislativa, de autoria do deputado Fernando Mineiro, foi sancionada hoje pela governadora Wilma de Faria. É a Lei que institui o Patrimônio Vivo do RN. A idéia é preservar as manifestações socioculturais existentes no estado e incentivar a transmissão dos conhecimentos e das habilidades de pessoa natural do grupo com significativa importância para a cultura tradicional e popular deste Rio Grande de Poti. Agora sancionada, o próximo passo é instaurar uma comissão para elaborar o edital para seleção destes patrimônios vivos. Por ano serão investidos R$ 70 mil divididos por cinco registros, sendo dois para pessoas naturais e três para pessoas jurídicas de direito privado. Tem muita gente a ser lembrada. Mestre Cornélio foi antes, infelizmente.

Museu Djalma Maranhão

O esperado Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão será inaugurado depois de amanhã, no espaço da antiga rodoviária, na Ribeira. Durante o evento, iniciado a partir das 8h, será lançado o livro O Reinado de Baltazar, do folclorista Deífilo Gurgel, já com o selo do Museu. Serão expostas obras de artistas e artesãos das mais diversas regiões do Estado. O Museu vai contar com uma grande galeria de aproximadamente 350 metros quadrados. Uma gama variada de peças artísticas, desde mamulengos a esculturas em granito, estará exposta permanentemente no espaço. Haverá ainda um ambiente reservado para exposições temporárias, de modo que outros artistas também terão oportunidade de divulgar seus trabalhos.

O Museu, além de preservar e difundir a cultura e a arte do nosso estado, inova ao unir as formas virtual e tradicional de se expor: um enorme acervo contento 200 horas de conteúdo virtual aliado ao acervo materializado, cujo conteúdo é de cerca de 1.500 peças. As subdivisões do Museu possibilitam ainda espaços para os autos e danças como pastoril e fandango. É sem dúvida uma grandiosa obra encabeçada pela Funcarte. A ser lembrada em outras gestões. Aproveito o ensejo para ressaltar o empenho da prefeitura e principalmente dos proprietários dos boxes do Mercado de Petrópolis em transformar aquele espaço num ponto de encontro da cultura local. Enquanto isso, na Fundação José Augusto...