sexta-feira, 6 de junho de 2008

Atrações confirmadas do Mada

O festival mais aclamado da música independente potiguar, Música Alimento da Alma (Mada) começa a montar suas atrações. Em entrevista ao site disruptores.com, a produtora do evento, Ana Lira, insinuou ou praticamente confirmou Lobão como uma das atrações principais. Ana Lira também adiantou que virá uma banda gringa velhaca, mas muito conhecida e uma outra, londrina, com menos de dois anos de formação.

Além de Lobão, o Rappa e Pato Fu também foram confirmados. Há cogitações de que o Sepultura virá, para tocar junto com o Rappa. Seria para rememorar bons momentos e comemorar os 10 anos do Mada. No site do jornalista pernambucano Bruno Nogueira (popup.mus.br), tem a notícia de que as bandas natalenses Bandine (com repertório do rock inglês), Barbie Kill e a adolescente de 15 anos, Malu Magalhães, também vão tocar no Mada.

O Mada, para fugir das chuvas que atrapalharam edições anteriores do festival, que acontecia em março (salvo engano) este ano foi transferido para os dias 14 e 16 de agosto. E acabou por jogar o Festival DoSol, também marcado para agosto, para os primeiros dias de novembro. Que não venha o NXZero. Os pedidos na comunidade do orkut dedicado ao Mada são muitos. Acho que não combina com a proposta do evento.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Da injustiça com Dudé

Dudé é aquele típico artista esquecido. Antes a injustiça com ele recaísse apenas na confusão que o deixou preso por dois anos na João Chaves. O show dele ontem no Teatro de Cultura Popular foi muito bom. Não tinha 30 pessoas. Acredito que mais da metade era da família.

O compositor contou muitas histórias, a maioria de muita luta, com aquele jeito tímido e as reminiscências de menino matuto de Caraúbas. No meio de tudo isso, as composições que escreveu para cada momento, algumas de muita poesia e que mereciam melhor reconhecimento.

As duas poesias de Deífilo Gurgel – Pilão e Enchente – musicadas por Dudé ficaram sensacionais. E geralmente não cai bem essa história de musicar poesia. Guardo comigo o Cd com as músicas de Drummond musicadas por Belchior e acho que a melodia não valorizou a obra de Drummond.

Os jornais até fizeram sua parte e divulgaram o show. A senha estava num preço razoável, a 10 reais (inteira). O local é convidativo, aconchegante, ideal para um show intimista. Não choveu. Desconfio que o público de Dudé não seja o mesmo do sertanejo Leonardo. Enfim, o que faltou?

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Buraco da Catita

Só agora li matéria escrita pelo jornalista Aléxis Peixoto sobre o lançamento da programação cultural do espaço Buraco da Catita. A quem não conhece, está situado em ponto charmoso, entre becos da Ribeira.

Grandes músicos da cidade estão escalados para montar alguns dia da semana com música de qualidade. A programação preenche as terças, quintas e sábados.

Vibro mesmo com idéias do tipo. O músico e idealizador do projeto, Camilo Lemos, apostou em um espaço escondido, meio underground, mas perfumado pelo chorinho e rodas se samba. Deu certo. E sempre com projetos e experimentos novos.

Fui por duas vezes ao local. É a pedida após o sino do pé na bunda do Bardallos, do produtor cultural Lula Balmont, tocar. O Bardallos fica no Centro.

Agora o Buraco da Catita oferece diversão quase diária. Na terça, às 20h, tem o projeto Duos e Solos. Na estréia, Neemias Lopes e Paulo Sarkis, saxofonista e baixista da Mad Dogs, respectivamente.

Às quintas-feiras, fica acordada a presença da Orquestra Cia. do Frevo para ensaios abertos ao público. Sempre às 19h. No sábado, a partir das 14h, feijoada, mesa de samba e cerveja despreocupada. Dia de semana é bronca.

Angel

Assisti ontem ao filme Angel, na sessão de arte do Cinemark. Não estranhem, estou de férias e as tardes são de praxe tediosas. Esperava um filme razoável, pouca gente no cinema e muito barulho. De fato ocorreu tudo isso.

Embora razoável, Angel é aquele filme bem cuidado ao extremo. Enxuto como um livro de García Márquez. Muito belo também em diálogos. Nem tanto pela estória, que aí, sim, é bem razoável. Mas pelas encenações, cenários e interpretações primorosas.

E o roteiro, amigo leitor, no todo se resume ao que tanto já escrevi por aqui: viver é melhor que sonhar. Não vou me estender. Os dois ou três que acompanham este espaço empoeirado sabem do que falo. O filme exibe uma versão bacana e bem montada para retratar isso.

O filme funciona como uma espécie de conto. A atmosfera gira em torno do vislumbre quase ensandecido, lunático da protagonista – uma jovem escritora. Embora essa loucura seja mais escancarada na protagonista, o espectador mais atento percebe nos personagens as mesmas frustrações e solidões, de forma camuflada.

O filme é adaptação de um romance de Elizabeth Taylor. Fiquei curioso para ver outros trabalhos do diretor francês François Ozon. Gosto quando se percebe fácil a mão do diretor em cada cena. Um deles, Swimming Pool, é muito bem recomendado.

Vale uma ida ao Cinemark. A sessão começa às 15h, por apenas R$ 4 (inteira).

terça-feira, 3 de junho de 2008

Rock in Rio em 2014. Revolução?

Isso mesmo. Uma nova edição do festival de música que revolucionou a cena roqueira no Brasil nos anos 80 tem data marcada para acontecer. Segundo o mesmo organizador das três edições anteriores, Roberto Medina, em depoimento à Agência Efe, o Rock in Rio 2014 significará uma revolução.

Duvido. E questiono. Revolução de quê? Musical? De comportamento? Acho exagero. Já não cabe revoluções do tipo no mundo-hoje. O ano de 1968 terminou, sim. E foi recheado dessas mudanças. E tudo ficou registrado ali. Ainda usufruímos de tudo. E não ganhamos mais nada.

Em sua primeira edição, naquele emblemático ano de 1985, aí sim, o Rock in Rio revolucionou. O Brasil vivia a abertura política, a tragédia nacional com a morte de Tancredo. O Ulisses Guimarães ainda pisava em terra firme e tinha uns tais de Menudos proclamando “Não se reprima”. E a galera aproveitava a liberdade para soltar o grito.

O Rock in Rio foi o palco desse grito contido. Pôde-se ver jovens ensandecidos, mesmo com a inflação estratosférica. E não era lá uma juventude de propaganda de refrigerantes, como o Medina pensava. O produtor deu de cara com um monte de suburbanos, com cabelos compridos e sebentos, camisas pretas azedas: eram os metaleiros.

Esses caras foram pra bagunçar mesmo. Retrataram a juventude sem ideologia. Já não eram os jovens politizados de 1968. Quando as bandas falavam em democracia ou o slogan Muda Brasil, os metaleiros jogavam tudo no palco. Vários ou quase todos os artistas foram verdadeiras vítimas de objetos arremessados.

Era gente que saía de uma ditadura e continuava antidemocrática. Mas acho que aprendemos. E aprendemos tanto que hoje sequer levantamos o dedo pra nada. Não vai ser um festival de rock a mudar esse comportamento. A edição de 2001 já foi uma porcaria. Das atrações principais foi o Guns n Roses, prometendo ascendência quando estava ainda mais em decadência.

Quais seriam as grandes atrações para os próximos anos? E se fosse este ano? O evento vai ocorrer em Lisboa e sabem quais atrações? Verdadeiros dinossauros do rock, como Metallica, Bob Dylan, The Police e Neil Young. Por aqui, é capaz do Medina ressuscitar a Blitz ou lançar a volta do New Kids on The Block. Calma, calma. Essa foi phoda..rs

Mais uma tentativa de Salles

Depois de filmes fantásticos, premiados até pelo gosto da vovozinha e ainda sem o Oscar, Walter Salles inicia mais uma empreitada em busca do prêmio. O cineasta retomará um velho projeto de Francis Ford Coppola: vai adaptar o romance maior de Jack Kerouac, On the Road.

Segundo a agência Ansa, o livro, que em 1957 marcou o início da literatura beatnik nos Estados Unidos e é um dos títulos importantes do século 20, foi adaptado por Salles com a colaboração de José Rivera e será produzido pela francesa Pathé.

Para ambientar-se no mundo de Kerouac, Salles está terminando um documentário sobre a viagem feita pelo protagonista do livro, Sal Paradise, pelas estradas norte-americanas.

O último filme de Salles, Linha de Passe, co-dirigido com Daniela Thomas, acaba de ser premiado no Festival de Cannes com a Palma de Ouro para a atriz brasileira Sandra Corvelon.

Saudades da Redinha

Se a insônia e a vontade de escrever por compulsão deixarem, esquartejo minhas saudades da Redinha ainda hoje. É saudade que dói. Não me imagino sem os olhares daquele mar. Talvez um minuto antes de morrer, precise vê-lo. Ou sentir o cheiro da ginga e escutar a voz sofrida de dona Francisca: “Vai com Deus, meu fi. Estamos sempre aqui”.

É do escritor e jornalista Franklin Jorge estas palavras, de uma Redinha de ontem, mas ainda viva no tempo: “No céu encurvado e polido da Redinha, o seio da lua em quarto-crescente, saltando de um sutiã de nuvens. Embaixo, o mar onanista”.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Dudé Viana no TCP

A Fundação José Augusto acertou no convite ao músico Dudé Viana para um show e contação de causos no Teatro de Cultura Popular nesta quarta-feira. Dudé há muito é discriminado em sua terra por carregar o sobrenome da família Benevides Carneiro, estigmatizado por protagonizar alguns célebres casos de polícia no RN, a lembrar Waldetário Carneiro.

Dudé é homem de biografia bonita. Aos 10 anos tocava gaita e iniciou no violão. Já gostava de poesia e começou a musicar os textos. Em pouco tempo era compositor. Começou a carreira em 1972. Veio de Caraúbas para tocar na Praia do Meio, único palco de Natal à época. Antes disso havia perdido o emprego de cobrador de ônibus. Tentou carreira no eixo Rio-São Paulo.

Também desejoso de ser ator, chegou a escrever o musical infantil “O Sol, o vento e a chuva”, no Rio de Janeiro. Em 18 de maio de 1982, o roubo de milhões que seriam destinados ao pagamento dos trabalhadores rurais mudaria a vida de Dudé Viana. O assalto ocorreu no trecho entre Caraúbas e Olho D’Água dos Borges. Foi dos crimes mais populares da história policial potiguar.

O principal suspeito, José da Silva, o Dedé, foi morto em tiroteio com a polícia. Uma investigação mal feita pela polícia confundiu Dedé com Dudé. Na época, Dudé morava no Rio, cantava e atuava. Foram dois anos de cárcere e mais 15 anos para ser decretado inocente pela Justiça Federal.

Dudé escreveu um livro para contar a história: A Saga dos Benevides Carneiro. Além de um mapa genealógico da família, há também uma história de pistoleiros e rixas entre famílias no interior.

Por causa de alguns, a família inteira é discriminada. Tanto que pouco se houve falar de Dudé na cidade. O velho Crispa resgatou o carinha. E acho que vale uma ida ao TCP quarta-feira. A entrada é R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Começa às 20h.

Nova Papangu!

Preocupados com a onda de dengue que assola o Brasil, os Papangus alertam, na chamada da nova capa, para “O vilão das Arábias” em terras potiguares. A matéria é assinada pela jornalista Leilane Andrade.

O caso da chapuletada no lombo do senador José Agripino desferida pela ministra Dilma Roussef, assunto por demais badalado no mês de maio, é “amenizado” nas páginas da revista, a ponto do “Galego do Alecrim” receber o Troféu Papangu do mês.

Em Autores & Obras, o bibliófilo Carlos Meireles resenha o novo livro “Mortos não jogam xadrez”, do poeta cearense Francisco Carvalho. Em Conto, o professor Clauder Arcanjo presenteia o leitor com um belo escrito intitulado “Chocalho”. “Deixei de fumar”, está em Crônica, de autoria do médico José Wellington. Em “Artigo”, o jovem escriba Carlos Fialho apresenta “O candidato que diz a verdade”.

A professora apodiense Rokátia Kleania traz detalhes sobre a criação da AEL — primeira Academia Estudantil de Letras do RN. O espaço “Turismo”, que divulga as potencialidades turísticas da terra de Poti, o jornalista Jotta Paiva foca o município de Martins, transformada na capital da motocicleta, de 6 a 8 de junho.

Em Talento Potiguar, Ana Emília Fernandes destaca “Zé Saldanha, o cordelista mais velho do Brasil”. Espaço merecido já numa edição da Preá. Em “Foco Potiguar”, onde são apresentados trabalhos fotográficos, a Revista mostra belas imagens do fotógrafo natalense Everaldo Leocádio.

Com fotos de Hugo Macedo, Alexandro Gurgel entrevistou para este número o poeta e presidente da Fundação José Augusto, Joaquim Crispiniano Neto. Crispiniano nesse bate-papo discorre sobre os rumos de sua gestão à frente da FJA, entre outros temas.

Sempre procurando aprimorar e elevar o nível editorial, os papangunistas Alexandro Gurgel, Túlio Ratto, Damião Nobre, Yasmine Lemos, David Leite, Antonio Capistrano, Cefas Carvalho, Carlos Meireles e Raildon Lucena dão as boas-vindas ao escritor Affonso Romano de Sant’Anna, que inaugura a coluna “Escrevivendo”. O mais novo Papangu provará aos leitores que não há mais centro e periferia. Em sua estréia, Affonso destaca “Cansei de 1968”.

E, para finalizar, com gostinho de quero mais, as belas poesias de João de Deus, Maria Rizolete Fernandes, Miriam Carrilho, Francisco Carvalho, Ana Luiza Burlamaqui da Penha, Lilia Souza e Anchella Monte.

domingo, 1 de junho de 2008

Erros no novo Indiana Jones

Não vi o filme. Mas li esta crítica e achei um absurdo um filme com recordes de bilheteria, tão proclamado e de um diretor tão tarimbado apresentar erros tão grosseiros. Uma prova da baboseira hollwoodiana. A fonte do texto – publicado no site vermelho.gov.br – é a AFP:

Os espectadores de "Indiana Jones e o reino da caveira de cristal" se surpreendem quando se diz no filme que Pancho Villa, herói da Revolução Mexicana, e seus amigos falavam quechua, o idioma dos antigos peruanos. "É uma barbaridade", disse o diretor da Biblioteca Nacional do Peru, Hugo Neyra.

Na saída das salas, os cinéfilos peruanos também expressam sua indignação com a trilha sonora. As aventuras de Indiana se passam no Peru, mas a música é, estranhamente, típica do México. Soma-se a isso o fato de que existam guerreiros maias falando quechua, em plena selva peruana, região supostamente cercada de areia movediça, com insaciáveis formigas que devoram humanos, e enormes cataratas que, na verdade, estão no Havaí.

Para completar a seqüência de absurdos, a pirâmide de Chichen Itzá, que no mundo real fica no México, na telona aparece no meio da Amazônia peruana.

O historiador Manuel Burga, ex-reitor da Universidade de San Marcos, a mais antiga da América, comentou que, embora se trate de um filme de ficção, faltou assessoria aos criadores do personagem, Steven Spielberg e George Lucas.

"Há muitos dados incorretos, embora seja uma ficção. Isso será prejudicial para muita gente que não conhece o nosso país, pois mostra um cenário peruano que não é real. Não é possível que se confunda a Amazônia com a selva de Yucatán, no México", reclamou Burga.

Para o diretor da Biblioteca Nacional do Peru, Hugo Neyra, muitos americanos e europeus, medianamente informados, vão se dar conta de que é "uma aberração" misturar as culturas maia e inca. "Eles sabem que Machu Picchu fica em Cuzco e Chichen Itzá, no México", afirmou.

O historiador Teodoro Hampe comentou que, no imaginário do americano comum, há um esquema, segundo o qual tudo que está além das fronteiras para o sul é a mesma coisa. "Para eles, dá no mesmo: México, Guatemala, Bolívia, ou Peru", completou. Outra confusão é que a cidade de Nasca, na costa sul do Peru, aparece, no filme, em Cuzco, no meio dos Andes do sul peruano.

A lista de reclamações continua, já que a trama insiste em uma idéia bastante difundida no exterior e rejeitada pela comunidade científica internacional de que a civilização andina é produto da visita de extraterrestres. Quase no final do filme, um disco voador emerge das profundezas de um palácio de ouro.

A mensagem subliminar parece ser a de que as conquistas das civilizações surgidas na América Latina são fruto de forças sobrenaturais, e não da capacidade de seus próprios habitantes.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Novo blog em breve

São pouquíssimos os intelectuais deste Rio Grande de Poti a postarem em blogues. Quando há, pouco se dedicam. Pelo menos a escreverem suas obras ou textos mais primorosos. Pois eis que um dos grandes avisa que lança o seu na primeira semana de agosto.

E a julgar pelo conhecimento cultural e político de Franklin Jorge, os temas serão os mais variados e aprofundados possíveis. A princípio a idéia é postar enquetes e publicações de séries de matérias sobre temas específicos.

Segundo o escritor e jornalista, o blogue antecede um projeto ainda maior de um site. Em um dos dois, tenho certeza, o autor publicará dezenas de livros seus já escritos, prontinhos, e sem patrocínio para publicação. Uma riqueza imensa e gratuita ao leitor.

Passarei a dica a Franklin do site do jornalista Tácito Costa e sua recente idéia de montar uma estante literária com obras de autores locais gratuitas ao leitor. Idéia genial que julgo um precedente a uma evolução ainda longínqua de transferência de obras para internet.

Sem outros meios para viabilizar sua obra, Franklin avisa: “Vou me dedicar exclusivamente à internet”. A mídia a qual o próprio escritor foi um dos pioneiros no Estado, quando publicou, em 2000, a revista eletrônica Navegos.com.

Exposição Desejo em Nalva Café

Exposição Desejo é uma novidade para quem conhece o trabalho de Andrea Ebert. Nesta exposição o espectador verá novas formas de olhar e sentir. Andrea trabalhou com caixas coloridas de acrílico, vinil e vidro. Brinca com cores e limites, contextos lúdicos e formas simples. Parece um trabalho bacana.

O nome “Desejo” instiga a pensar o que esta palavra significa. Formas de corpos desenham paredes e caixas flutuam no espaço. Objetos de vidro fazem o olhar confundir o que é real e o que é desejo. Para conferir é só passar no espaço Nalva Melo Café Salão, na Ribeira, um lugar mais que perfeito para esta instalação.

Andrea é paulistana, mora há 12 anos em Natal, consciente de como a cidade afetou o trabalho que faz hoje em dia, principalmente no sentido de torná-lo mais colorido. “A luz do Nordeste é muito mais intensa e isto faz bastante diferença”, lembra Andrea.

As ilustrações de Andrea são feitas de vários materiais: de papel especial para aquarela a papel de embalagens, tintas, caneta esferográfica e uso de passamanarias e tecidos usados em colagens.

Gosta de afirmar que ultrapassou o eixo Rio-São Paulo, e que não importa mais o lugar onde vive “meu trabalho pertence ao do mundo”.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Festival DoSol recebe patrocínio

O 5 º Festival DoSol tem data marcada para acontecer: dias 1 e 2 de novembro. Os últimos eventos foram realizados no mês de agosto. Devido à mudança de datas do MADA para o mesmo mês, Mr Foca resolveu transferir também os dias do Festival.

A boa notícia é que a edição deste ano conseguiu entrar no edital do Oi Futuro, um dos mais difíceis do país. Um prêmio e tanto para o produtor que tem procurado levantar a cena roqueira que anda meio apagada.

Além da Oi Futuro, o evento conta ainda com apoio da Diginet, Sol e Trama Virtual. Segundo Anderson Foca, o montante dos patrocínios não permite aventuras muito ousadas, mas vai propiciar uma edição novamente bastante honesta e desta vez sem risco de prejuízo.

“Estamos aprontando uma programação bacana e uma ação inédita dentro dos festivais mas isso é assunto para quando tiver mais próximo de novembro”, disse.

Na edição passada foram 46 bandas de vários estados, em mais de 24h de rock em três dias. Tudo sem patrocínio público ou privado. Lógico que deu prejuízo. Mas o produtor encarou como investimento.

Vida longa ao Festival!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Onça em pele de puta

Com o sugestivo nome de O Sonho da Onça é Ter um Casaco de Pele de Puta, o artista português João Pedro Vale traz hoje para a Galeria Leme, em São Paulo, peles de animais imaginários. Quase todas criadas com guardanapos de papel pintado.

Essa exposição abre a velha questão sobre do que é feita a arte contemporânea. Dias atrás um “artista plástico” pendurou um cachorro na parede de uma galeria até morrer para fazer arte. Só se for aquelas de menino-moleque.

O título de abertura da exposição do portuga é bacana, engraçadinha e até instigante. Mas não vi muita coisa nas fotos da obra na internet. Acho que a coisa está se nivelando por baixo. Não bastasse a música e o cinema...

Liberdade de criação está se confundindo com libertinagem. Acho que falta uma escola bacana nestes tempos confusos para estabelecer pelo menos um parâmetro de qualidade e direção a essa galera.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Em viagem pelo tempo

Passo olhos de binóculo pelo espaço do tempo. Passado, presente, futuro – tijolos do castelo das eras. O pretérito, sempre fugidio, alimenta de saudades a alma, mesmo quando de lembranças tão próximas. Parece antítese ao presente na poesia de Drummond. O passado tem também a mania dos fatos. Em sua película, raras são as hipóteses. Há até quem diga: “O passado não passa!”. É que recordações são sempre vivas no porão da memória, amigo leitor. E o presente é uma rotina quase sempre indigesta.

O presente é morador indesejado do cotidiano. O vizinho inconveniente do passado. A realidade alicerçada das recordações e memórias. Não precisa a depressão para sentir o peso da realidade. O presente tem mesmo a cara da vida, da dor. É a possibilidade da ilusão. A oportunidade da pergunta. O presente é a materialização da escolha: bancário ou cigano. Mas a poesia do agora é escrita, necessariamente de mel ou cicuta. Não há alternativa. É coisa do destino. Ora, a morte é a sombra do presente.

O futuro tem a face do infinito. São as linhas tortas de Deus, mas tem também projeto próprio. Por vezes se apresenta tardiamente de muletas e bengalas, em despedida repentina do presente. O futuro é o outono quando se é inverno. É o destino quando tudo são planos. É o concreto dos sonhos fracassados. O futuro é um segredo desvendado. O resultado da dádiva divina e a frustração do fim. São os milhares de anos do amanhã ou o minuto seguinte.

Difícil não é escrutar as molduras do tempo ou caminhar a estrada do presente, amigo leitor. Nem mesmo olhar as marcas abraçadas pelo passado. Vislumbrar um destino seja ele qual for ou pintar de cores alegres e simples esse quadro de tempos é o verdadeiro segredo da vida. Ou será ilusória a idéia de que madrugada e alvorecer são distintos? Quem surgiu primeiro: o antes, o agora ou o depois? Viver o segundo é pisar em qual espaço de tempo?

Certeza tenho apenas a de que o tempo, alheio e surdo aos chamados de socorro, não espera por nada. Então, como viver? Carpe Diem? Não. Aproveitar o momento talvez seja pouco. A vida é pra valer, como dizia Vinícius. E é bom lembrar: as nostalgias também elevam o espírito. São tristezas gostosas de curtir. Quem sabe, então, fazer de um dia a vida inteira? Arriscado. Há também que se planejar o futuro. De hoje e amanhã. Tantas interrogações...

Esquecer o tempo. O compasso da vida. É isso. Viver na inércia dos ventos. Ou no impulso dos desejos. Flutuar sobre nuvens no planeta dos sonhos... São muitas as opções. Mas parecem tão longes... Vamos replicar, então, o lema do Teatro Mágico: “De ontem em diante serei o que sou no instante agora”. E pronto! Mas, quem é você agora?

Por hoje sou o comandante de um saveiro reluzente. Ainda de poita recolhida. De amarras soltas e velas içadas, em preparo para a grande e última pescaria. Velejo ciente dos arrecifes e nevoeiros. Do perigo iminente oculto no mar. Sequer invejo navios mercantes, de rotas tão previstas. Eles transportam cargas pesadas demais para a leveza da vida.

E por hoje, só por hoje quero velejar sem naufrágio repentino. No descansar do último arrebol quero largar a âncora ao mar, recolher meus tresmalhos e varas e degustar peixes fresquinhos entulhados nos samburás. Rodeado da brisa e da tranqüilidade proporcionada pelo esforço dos anos.

Amanhã, somente naquele amanhã inesperado meu coração pertencerá às marés. Nesse momento saberei viver o ontem como o instante agora. E nesse dia, apenas nesse dia, meu coração não mais navegará nos mares da vida. Ele será o próprio mar.