sexta-feira, 11 de julho de 2008

Lei Seca

Frase encontrada em uma Brasília, que vi agora no blog de Alexandro Gurgel (Grande Ponto): "Se Lula pode dirigir Brasília bêbado, por que eu não posso?"

Pura maldade...

Operação Impacto faz aniversário

Está acontecendo agora uma comemoração diferente, para não dizer irreverente, mas que deveria provocar lágrimas, em frente à Câmara Municipal. A Operação Impacto completa um ano hoje. Claro, a comemoração é em tom de protesto, organizado pelo Fórum Natal Cidade Sustentável. Será oferecido bolo de aniversário aos vereadores e tudo. E é bom lembrar, vários dos edis envolvidos na Operação Impacto são novamente candidatos – e já aparecem nas pesquisas! Cada povo tem mesmo o... Ah! Deixa pra lá. Não adianta mesmo...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Levino e o Jovens Escribas

Em meio às matérias de promoção do lançamento do último livro de crônicas – Dias Estranhos – do escritor Rodrigo Levino na mídia impressa de Natal há algumas semanas, um detalhe passou batido por muitos ou não gerou a notícia merecida. Em uma linha qualquer, ele comentou de sua saída do selo Jovens Escribas, do qual foi um dos mentores e conseguiu produzir seu primeiro livro, mesmo que com recursos próprios. Perguntei, e Levino respondeu:


Qual o motivo de sua saída do Jovens Escribas?
Rodrigo Levino: Desde o inicio do grupo eu nunca fui o que se podia chamar de mais atuante. Claro, participei de todas as ações como o lançamento dos livros em São Paulo, o Digiscritos, que foi um projeto bacana de reunir em CD textos de varios autores que faziam ou fazem parte da lista de discussão do grupo. Mas no geral sempre mantive algumas discordâncias, como por exemplo, o uso da lei de incentivo – mesmo reconhecendo que foi importante para o pontapé inicial (do meu livro não, Aos Pedaços eu banquei integralmente). Há um outro lado que é desconfortável falar até porque nunca foi discutido livremente dentro do grupo, que diz respeito ao projeto editorial em si. Os livros são bonitos, o projeto agrega mídia espontânea por se tratar de jovens, literatura etc. Mas no fim das contas, como escritores, até que ponto somos relevantes? O quanto somos importantes? O quanto a nossa obra se sustenta fora da análise da juventude, do projeto em grupo? São questionamentos que a medida que fiz pessoalmente, fui me afastando um tanto mais do grupo, até sair. Mas sem nenhum problema pessoal, longe disso.

2. Você achava que a imagem da mídia com relação a vocês era preconceituosa e via o selo como uma jogada de marketing mais do que como um projeto literário relevante?
Não preconceituosa, mas creio que houve esse questionamento no início que deixou de ser respondido pelo grupo, uma oportunidade de mostrar, não apenas declarando, mas com o conteúdo dos livros, que não se trata de uma jogada de marketing. Há um erro, ao meu ver que é na gênese: jovens. É um termo passageiro que quatro anos depois não se aplica sequer às nossas vidas. Já quase não o somos. Não posso dizer que foi preconceituosa, porque até hoje o grupo é bem aceito quando precisa divulgar alguma coisa. Mas acho que, para a própria auto-critica do projeto, padecemos do mal que padecem todos os autores locais: falta de critica especializada. Que parâmetro nós temos? A opinião dos amigos? Foi justamente por não ter esse projeto ideal, e se o tivesse nao saber se seria aceito - o que poderia soar pretencioso, afinal seria eu sozinho defendendo uma tese particular - que deixei o grupo. E pelo motivo de procurar quem banque as minhas publicações, esse também é primordial.

Como você gostaria de ver o selo e como ele está hoje?
Foi justamente por não ter esse projeto ideal, e se o tivesse nao saber se seria aceito - o que poderia soar pretencioso, afinal seria eu sozinho defendendo uma tese particular - que deixei o grupo. E pelo motivo de procurar quem banque as minhas publicações, esse também é primordial.

Um Dia Muito Especial

A arte imita a vida, de uma forma muito mais poética, é verdade. Se domingo tem festas de lançamento de candidatura petista na província já perfumada pelo odor da política, o Cineclube Natal exibe, também no domingo e a partir das 17h, um dos filmes mais tocantes do cineasta Ettore Scola: Um Dia Muito Especial (1977), com Marcello Mastroianni e Shophia Loren no elenco e que tem a política como pano de fundo. Todos estão convidados para a exibição no Teatro de Cultura Popular (anexo à Fundação José Augusto, no Tirol). A entrada custa R$ 2,00 (dois reais) para os não sócios.

SINOPSE: A estória se passa em Roma, no dia 6 de maio de 1938. Benito Mussolini e Adolf Hitler se encontram para selar a união política que, no ano seguinte, levaria o mundo à 2ª Guerra Mundial. Praticamente toda a população vai ver este acontecimento, inclusive o marido fascista de Antonietta (Sophia Loren), uma solitária dona de casa que conhece acidentalmente Gabrielle (Marcello Mastroianni), seu vizinho, quando seu pássaro de estimação foge e ela o encontra pousado na janela do vizinho. Antonietta nunca falara com Gabrielle, que tinha sido demitido recentemente da rádio onde trabalhava por ser homossexual. Ela, por sua vez, era uma esposa infeliz e insegura pelo fato de não ter uma formação profissional. Gradativamente os dois desenvolvem um tipo muito especial de amizade.Como bem lembra a rapaziada do Cineclube, o filme não se propõe a tecer somente um comentário social da homossexualidade de Grabrielle, ao contrário do que se poderia esperar. “Ettore Scola é muito hábil em não pintar o radialista como uma vítima da vida, mas sim daquela circunstância específica, qual seja, a consolidação do fascismo na Itália e consequente perseguição política e ideológica”. O filme trata, primordialmente, do encontro de Gabrielle e Antonietta, dois vizinhos aparentemente tão distintos, não cuidando o roteiro em destacar suas diferenças como indivíduos sociais, mas sim as suas semelhanças como seres humanos. Antonietta, a típica dona de casa italiana, também é "prisioneira" de uma ordem social, mesmo que não tenha total consciência disso.

Por conta do talento dos protagonistas e da orquestração delicada de Scola, a intimidade e o cenário fascista (o rádio não deixa esquecer que estamos em dia de festa do Duce) dialogam o tempo todo. A combinação do rigor político do período e da alma insondável dos personagens revela mundos em faísca permanente. Scola costuma ser relegado a uma espécie de diretor "menor" do grande cinema italiano, mas em Um Dia Muito Especial, ele se equipara aos mestres.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Resgate de Ingrid virará filme

Está no site Vermelho (link ao lado): "O cineasta colombiano Simon Brand está se unindo a produtores em Hollywood e em seu país para levar ao cinema a história do resgate, na semana passada, de Ingrid Betancourt e 14 outros reféns na Colômbia. Brand — cujos créditos incluem o suspense policial Os Desconhecidos (2006) e o filme colombiano de maior bilheteria da história, o drama romântico Paraíso Travel, é um dos vários cineastas dentro e fora de Hollywood que disputam os direitos de fazer um filme sobre a missão de resgate".

Cinesta de Hollywood... É capaz de colocarem a tropa americana como responsável ou grandes incentivadores da missão. É bom as atrizes escolhidas começarem um regime brabo de emagrecimento, para depois gravarem as cenas pós-resgate, mais gordinha e sorridente.

Novo espaço cultural

O diretor da Pinacoteca do Estado, Vatenor, apresenta a partir de hoje a Exposição Céu, Mar e Cajus, no Espaço Cultural Agência Sebrae. Esse é mais um espaço cultural inaugurado, justo com a mostra de Vatenor. Tomara que o Natal Shopping invista mais em iniciativas como essa, voltadas para a cultura. Penso que será bom para ambos os segmentos, a exemplo do restaurante Maturi, também com espaço aberto às artes plásticas.

A exposição de Vatenor conta com 25 trabalhos inéditos, todos dentro do universo dos cajus, dunas e mar, predominante na arte deste artista plástico. Em 1988, João Cabral de Melo Neto fez a seguinte referência sobre o artista plástico: “Vatenor pinta: e embora pinte sempre a mesma coisa, o caju, o cajueiro, as dunas de areia branca e o mar sem ilhas de sua região natal, está de todo alheio à combinação de fragmentos de formas anteriores ou à mutilação, num só, dos vários elementos que constituem a pintura.”

terça-feira, 8 de julho de 2008

Teatrinho de bosta

De Alex de Souza, sobre a trupe do Teatro Mágico, em sua coluna hospedada no portal Nominuto: “Muito mais interessante devia ser o nosso Teatro Mágico, aquele idealizado por Véscio Lisboa na Natal dos anos 70. Esse outro é só um pastiche de outro circo musical, aquele montado por Oswaldo Montenegro até um dia desses. Imitação barata de um chato é dose”.

No último texto de sua coluna, Alex critica ferozmente a apresentação do Teatro Mágico em Natal, muito pela estúpida atitude deferida ao grupo Os Poetas Elétricos, mencionada em meu último post. Segundo Alex, testemunhas ouviram do produtor do TM, Daniel Pereira, a frase: “Sabia que não deveria ter vindo tocar nessa merda”.

São opiniões e fatos que corroboram com o que eu disse. As “aparições” dessa rapaziada em Natal foram desastrosas. Concordo ainda com Alex que um ingresso cobrado a R$ 75 deixa a banda muito longe da classificação de alternativa. Discordo apenas da frase inicial do jornalista: “(...) acho esse tal de Teatro Mágico uma boa bosta”.

Felizmente ou infelizmente, a música deles é excelente, diferente, original, inteligente e de qualidade. Talvez por isso, o tal compositor Fernando Anitelli se ache a bala que matou Kennedy. Que seja. Não serei eu a vítima a pagar R$ 75 para assistir a arrogância no picadeiro. Já que eles disponibilizam as músicas pela internet, farei uso da ferramenta, sem danos aos meus bolsos ou aos meus nervos.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Teatro mágico e controverso

Ninguém defendeu tanto a música e a ideologia da trupe de O Teatro Mágico do que este blogueiro. Talvez eu tenha sido o primeiro. De certo, um dos mais insistentes por acreditar no trabalho dessa galera. Mas é no mínimo estranho que nas três vezes que o grupo agendou shows em Natal tenha havido problemas.

Na primeira vez, o show ocorreu. Eu compareci. Foi um tumulto horrível na entrada. A apresentação foi muito aquém do esperado. Talvez uma dezena deles no palco, quando o comum é mais de 20. Pareceu-me um show sem vontade, apesar da vibração e entusiasmo do público.

Na segunda vez, o show foi cancelado. A assessoria do TM culpou a organização local. E esta retrucou. E agora, no último show ocorrido sábado – a preços exorbitantes para a realidade local (R$ 75), – mais um problema. Com a palavra, a banda que abriria o espetáculo, Os Poetas Elétricos:


“O objetivo dessa carta aberta ao público é explicar o motivo pelo qual não nos apresentamos nesse último dia 05 de julho de 2008, referente à abertura do show dO Teatro Mágico em Natal, no Auditório do Centro de Convenções. Por respeito ao público, aos nossos fãs, amigos, e à imprensa, achamos que devemos dar essa satisfação. Antes de tudo, gostaríamos de ressaltar que não temos nada contra O Teatro Mágico (grupo pelo qual temos muito respeito). Infelizmente não chegamos a ver o espetáculo do grupo, nem conhecer ou trocar idéias com os seus integrantes, o que poderia ter sido bem interessante.

Na verdade a noite tinha tudo para ser interessante e mágica também para nós. O lugar, a dimensão do evento, uma possível interatividade com o grupo principal, etc. Infelizmente partiram da própria produção dO Teatro Mágico os motivos que impossibilitaram nossa apresentação.

Chegamos ao auditório do Centro de Convenções às 10h30min da manhã, e quando pudemos iniciar nossa passagem de som em torno de 1 hora da tarde fomos interrompidos pela produção dO Teatro Mágico que pediu para que parássemos e saíssemos do palco, pois eles precisavam passar o som deles e nós estávamos atrasando esse trabalho. Voltamos mais tarde para passar o som, às 16h30min, mas a organização dO Teatro Mágico não saiu mais do palco até praticamente às 19 horas (mesmo todos sabendo que o evento estava marcado para começar às 18 horas, que havia uma banda para fazer a abertura e que a mesma ainda não havia passado o som, e que o respeitável público já se acumulava inquieto lá fora, visivelmente irritado com o atraso).

Para completar, quando finalmente pudemos subir no palco para passar o som (1 hora depois do horário que o show havia sido marcado para iniciar), não pudemos simplesmente virar um pouco uma caixa de retorno para que o guitarrista Edu Gómez pudesse escutar sua guitarra. O lugar dessa caixa de retorno estava devidamente marcado e ela poderia voltar perfeitamente para o seu devido lugar depois do nosso show, afinal tudo estava sendo acompanhado por um técnico de som competente. Mas o pessoal da produção dO Teatro Mágico foi radical na proibição desse pequeno gesto.

Se esse raciocínio deles tivesse fundamento não haveria MADA, DoSol, nenhum festival, nenhum evento com mais de uma banda dividindo o mesmo palco. O pior de tudo foi a forma como fomos tratados pelo Sr. Daniel Pereira (responsável pelo som e representante do Teatro Mágico). O Sr. Daniel Pereira foi altamente arrogante, mal educado, grosso, estúpido, desrespeitoso, preconceituoso, mesquinho, e não só conosco. Entre outras coisas nos colocou (acompanhado da produtora do grupo): que nós estávamos querendo mexer em todo o palco (!), que a luz era uma droga, que o som era uma porcaria, que o lugar não prestava, e que ele já sabia que seria uma merda vir fazer esse show em Natal. Fomos praticamente ignorados todo o tempo por ele, e a impressão que ficou é que ele realmente não queria que nós abríssemos o show.

Enfim, já não bastasse o atraso imenso, já não bastasse não termos passado o som, se quiséssemos fazer o show não podíamos mexer em nada, sequer virar um pouco essa caixa de retorno (que era a única coisa que queríamos fazer). Que teríamos que nos adaptar. Senão não haveria show dO Teatro Mágico. Então longe de nós estragarmos a festa da atração principal e do público ávido para ver a trupe de São Paulo. Ao mesmo tempo também não podíamos estragar nosso próprio show, onde não havia nenhuma condição e mais nenhum clima para ser realizado. Afinal, também temos nosso próprio show, temos nossa dignidade, nosso auto-respeito, e nosso respeito para com o público.

Decidimos nos retirar para deixar a festa principal acontecer. Que por sinal, aconteceu com o sucesso esperado. Nossos agradecimentos a outro Daniel, o Daniel Cavalcanti Campos, da produção local que gentilmente nos convidou para fazer o show de abertura. E parabéns ao grupo pelo seu Teatro Mágico. Infelizmente não foi o mesmo teatro do Sr. Daniel Pereira: um teatro sem nenhuma magia, um teatro feio, muito feio.

Depois soubemos que a produtora do grupo reconheceu para a produção local que o técnico Daniel Pereira tinha exagerado.. Mas já era tarde. Bem tarde. Ou melhor, bem noite: já estávamos longe, chorando o vinho derramado, fazendo o titânico dever de casa da anti-escola de atitude-rock que também veio lá da terra da garoa: "não vou me adaptar"...”.

Os (In)tocáveis

Comentário rápido e enfático, em busca de respostas: assisti ontem ao filme Os Intocáveis (1987), de Brian De Palma. Na capa do DVD, a informação: “O melhor gângster desde O Poderoso Chefão”.

O título é famoso. Os atores, idem. O diretor é de renome e o filme é uma porcaria. De Palma parece querer misturar suspense (com algumas pitadas mal chupadas de Hitchcock) para produzir um filmeco demasiado hollywoodiano. As cenas de tiroteio – célebres no cinema – parecem aqueles festins americanos.

Que o diretor permaneça nos policiais e a produtora sequer ouse tocar no nome de O Poderoso Chefão na capa dos DVDs.

Muito mais Ajuste Final (1990), dos irmãos Coen (os mesmos diretores do último vencedor do Oscar, Onde os Fracos Não Têm Vez). Este sim, um senhor filme de gângster. Ou mesmo o mais recente O Gângster, com Denzel Washington e Russel Croww, também bonzinho.

Vou procurar Vestida Para Matar para ver se engulo algo melhor do diretor. Dália Negra, pra mim, foi outra bobeira.

sábado, 5 de julho de 2008

Natal Canibal

Abaixo a letra da canção vencedora da terceira edição do MPBeco. Música de Moisés de Lima e Graco Medeiros. Tive o privilégio de escutar bem antes da apresentação no festival, ainda em Santa Rita, na minha casa de praia. Voz e violão... e algumas cervejas. Na oportunidade eu avisei: essa música é sensacional. Quem quiser o arquivo em mp3 da música tocada no MPBeco, entre em contato com Moisés pelo email moises@diariodenatal.com.br

NATAL CANIBAL

A índia que dançava nua
Chamando o colonizador,
Passou turista bem passado,
Depois Cascudo divagou.

A turma vinda de além-mar
Em Touros quando lá chegou,
Mandou fazer hotel, pousada,
Lavar dinheiro em bangalô.

No tempo da segunda guerra
Toda Parnamirim queimou,
Surgiu assim a base aérea,
Foguete Natal já se lançou!

A ponte do Forte-Redinha
Erguida sobre o Potengi,
Namora as duas metades,
As duas filhas de Poti.

A caravela abriu as velas,
Um gringo carregou meu bem,
Danei-me para Ponta Negra,
Peguei a mulher dele também.

Por isso que eu toco rock,
Por isso que eu canto blues,
Sou do Rio Grande do Norte,
Miami já não me seduz!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

De Guimarães Rosa

Meio atrasado presto minhas homenagens ao centenário de nascimento e à genialidade de Guimarães Rosa com um trecho do livro Estas Estórias, do qual li boa parte em viagem à Pau dos Ferros. Faz parte de uma entrevista-retrato com o vaqueiro Mariano. As palavras de Mariano descrevem o trabalho do vaqueiro em tanger o gado em meio a um grande incêndio no campo:

“ (...) Corremos, corremos. Até os bois ajudavam, num modo de estarem entendendo. Agora o fogo estava pro meu ombro. Nós íamos beiradeando aquele paredão desumano, vermelho e amarelo, e enfumaçado, que corria também, querendo vir mais do que a gente: como que nem com uma porção de pernas, esticando uma porção de braço. O bafejo do calor era tão danisco, que eu às vezes passava mão p’lo meu corpo, pensando que já estava também pegando fogo. Suor pingava de mim, feito gordura de churrasco. O capim, a macega velha, fica tão duro e rediço, que é um bambu fino, a gente e estorvando nele. E aquilo vinha que vinha, estralhaçando e estalando: pé-pé-pé-pé-pé!...”.

Nome Próprio

O novo longa-metragem de Murilo Salles – Nome Próprio – tem sua pré-estréia em Natal marcada para esta terça-feira, às 10h30, no Moviecom, Praia Shopping. A sessão será aberta aos jornalistas e convidados. O filme é uma livre adaptação cinematográfica dos livros Máquina de Pinball e Vida de Gato, de Clarah Averbuck, e de textos publicados em seu blog pessoal na internet. Clarah é hoje um grande talento que migrou do boom de blogs da internet brasileira para a literatura. Aos 27 anos já tem três livros publicados. Nome Próprio conta a história de uma jovem mulher que dedica a vida à sua paixão: escrever. Camila (Leandra Leal) é intensa, complexa e corajosa. Para ela, o que interessa é construir uma trajetória como ato de afirmação. Sua vida é sua narrativa. Construir uma existência complexa o suficiente para se escrever sobre ela. Nome Próprio é o olhar sobre uma personagem feminina que encara abismos e, disso, retira a força que necessita para existir. Para Camila, a vida floresce das cicatrizes de seu processo de entrega absoluta e vertiginosa. Parece-me deveras interessante. Darei meus “pulos” para comparecer. Espero que seja uma boa surpresa entre os pífios lançamentos cinematográficos deste ano.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Política cultural

Do jornalista Tácito Costa, em seu blog Substantivo Plural:

“Desenvolver uma política cultural de vergonha ou algo próximo disso é tão simples e pode custar tão pouco financeiramente que não me conformo porque isso não é feito. Principalmente quando vejo o desperdício de dinheiro com os megas shows e eventos, tão comuns em Natal e Mossoró (copiado por cidade menores – em São José de Mipibu, somente um show da festa de São João custou mais de R$ 200 mil). Claro que os governantes sabem muito bem que esses shows e eventos não representam política cultural nenhuma. No entanto, investem nisso como forma de se beneficiarem politicamente. Fazem populismo com o nosso dinheiro. Se acham que passarão à história com esse tipo de promoção “cultural” estão completamente enganados.

No caso de Natal, o que se comenta é que o prefeito impõe esses eventos faustosos ao presidente da Funcart Dácio Galvão. É uma tese verossímil. Eu que conheço um pouco como as coisas funcionam numa fundação cultural porque fui assessor de imprensa da Fundação José Augusto, sei que um presidente de uma fundação como a Funcart ou a FJA só faz alguma coisa se o chefe do executivo tiver interesse. Geralmente essas fundações não têm orçamento, na maioria das administrações ficam marginalizadas, e sempre dependem da boa vontade do governante da ocasião.

Fico imaginando quanto projeto interessante poderia ser feito com apenas uns 10% a 20% do que é gasto nesses eventos. Tipo oficinas de teatro, vídeo, fotografia, dança, literatura e música nos bairros, nas escolas, bibliotecas móveis, com contações de histórias, exibições de filmes, incentivo à criação de blogs literários... São tantas as possibilidades... E todas de baixo custo. Vai que é por isso, baixo custo, que não são implantadas. Qual a dificuldade de se implementar projetos como esses ou mesmo que tenham essa filosofia? Projetos que além de despertar as pessoas para a arte, também geraria platéia e apuraria o gosto. Por que querer inventar a roda? Mas é o que vemos todo dia. Como agora, com a criação desses onze prêmios pela Fundação José Augusto, com os quais a instituição entrou para o Guiness Book, o que não é pouca coisa, convenhamos”.

Nota do editor: As palavras de Tácito são precisas e certeiras. E oportunas quando o momento é eleitoral e o segundo semestre adentra, repleto de datas comemorativas. Pra mim, é (ou era?) um momento, também, de maior credulidade na política cultural praticada em Natal e no Estado. Cansei de criticar a inércia da Fundação José Augusto e os seis meses de “arrumação da casa” que perduraram por mais de um ano. Parece-me, as coisas começaram a andar, embora a Preá tenha empancado feito burro-mulo de novo. E há muito elogio a gestão de Dácio Galvão à frente da Capitania das Artes. Infelizmente, como bem ressaltou Tácito, ele tem que engolir estes shows promocionais caríssimos que nada acrescentam à cultura local. O livro mais recente de François Silvestre - As Alças de Agave - retrata bem essa relação de imposição de governante para gestor cultural. No mais é lamentar essa política de faz-de-conta, de pão-e-circo e hipocrisia.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

De encontros e pessoas

O jornalista Osair Vasconcelos, diretor-geral do Diário de Natal, lança na outra quinta-feira (10) o livro Encontros Passageiros com Pessoas Permanentes. Será às 18h, na Capitania das Artes. Se fosse uma mera coletânea de crônicas sequer teceria comentários, embora eu lembre de algumas sensacionais publicadas aos domingos, em O Poti. Mais do que isso é uma seleção de entrevistas, reportagens e perfis escritos pelo jornalista ao longo de décadas. E posso atestar: poucos sabem entrevistar como Osair. Menos ainda sabem descrever o entrevistado como ele. Espero que esteja no livro uma visita sua à Cascudo. Quando pesquisei sobre outro assunto vi essa matéria e comentei com ele, que logo pediu para guardar. Pena as suas participações no Memória Viva como entrevistador ficarem restritas à tela. Também assisti algumas memoráveis. Acho que vale a pena o livro, sobretudo aos da área.

Juízo

Assisti segunda-feira o documentário Juízo, na sessão Cinecult do Cinemark. Aquela de horário ingrato, às 15h. Foi meu programa de fim de férias. A cineasta Maria Augusta Ramos registrou o processo entre a prisão de adolescentes infratores até o julgamento. Os personagens são intérpretes (não-atores) que viveram situações semelhantes aos dos acusados. Isso porque a legislação brasileira proíbe a exibição de crianças e adolescentes em tais situações. As histórias, essas são reais.

A princípio pensei em algo no estilo Cidade dos Homens. Não é. Traz um aspecto diferente e, de certo modo, interessante. Nada que muitos não saibam. Nada de muito novo. Achei meio amador; um filme fácil de produzir. Uma câmara posta para gravar os depoimentos, sem cortes. Algumas imagens no Centro de Internação e mais nada. Um filme sem emoção. Sem diálogos ou imagens criativos. Um filme aparentemente sem pesquisa aprofundada – nada perto de Ônibus 174, por exemplo – e que retrata, no todo, o despreparo da truncada justiça brasileira no trato do assunto.

O filme da cineasta que já produziu coisa parecida com o filme Justiça, fica em cartaz até a quinta-feira ao preço de R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia).