Antes pudesse ler com a mesma voracidade com que me chegam livros. O jeito é empilhar na estante, presentear ou folhear por cima.
Um desses livros esquecidos é o do poeta Ronne Grey, chamado Verbo Solto, lançado de forma independente. Lembro que no Dia da Poesia esse livro me foi entregue. Na correria do dia, não pude publicar nada a respeito.
Agora está aqui, estendido. E se poesia boa é aquela que desperta algum tipo de sentimento em você, o Verbo Solto do cara é pouco convencional e de boa qualidade. Poesia mal comportada, como classificou o poeta Cefas Carvalho na orelha. Foge do agrado das poesias românticas. É coisa escrachada, como nas palavras abaixo:
Ejaculação
Sob que máscara
Aparecerá esse palhaço?
Em riso, engoliu o próprio
Vômito.
Sufocando, gritou:
Poeta que pariu!
Versos ejaculam.
O óbvio não.
Poesia delira, delira...
No desfecho do livro, alguns poetas convidados. Entre eles, João Gualberto:
Gorjeios
Só o sábio sabiá compreende
Os meus gorjeios, "oh, amor, me aqueça".
Venho ao solar do amor, você acende
A luz de uma ilusão em nossas cabeças.
Você acena, mechama, apareça.
Apareço, sua ausência surpreende.
Dedilho o chorinho "Não me esqueça".
Quem esquece o amor, o amor ofende.
Ai, breves ollhares você me lança
Ai, corpóreos pudores da nudez
Ai, as lágrimas da desesperança.
Palavra e poesia, envellhecidas,
A colher versos e a salvar de vez
O sonho de amor em nossas vidas.
HORÁRIO NOBRE DA LEITURA
1ª DIREC SEEC RN
ESCRITORA CONVIDADA JANIA SOUZA
Revela talentos das artes
Foram três horários de auditório lotado com estud...
Há 8 horas
Gracias...
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