A discussão da semana na seara cultural girou em torno dos cachês milionários pagos aos artistas nacionais em detrimento ao atraso dos pagamentos aos músicos locais. Aos primeiros, o adiantamento antes dos shows. Aos locais, a desculpa do atraso pelo monstro burocrático. O assunto ganhou mídia. Este Diário publicou duas ou três matérias a respeito com informações inéditas de valores de shows e cancelamentos de apresentações.
O Verão de Todos (Governo do Estado) custou aos erários públicos R$ 1,5 milhão. O programado Festival de Verão (Prefeitura) foi cancelado para evitar mais celeumas após o polêmico pagamento do cachê de R$ 221 mil ao padre Fábio de Melo. E não foi só o Festival de Verão. Artista nacionais como Diogo Nogueira, Netinho e a Orquestra Contemporânea de Olinda também foram descartados para o Carnaval 2010.
Qual a razão? A pressão dos artistas e da mídia surtiu efeito? O Verão de Todos talvez tenha se mantido porque o convênio com a ABIH foi assinado em dezembro. Mas cabe a pergunta: o poder público paga artistas nacionais para atrair turistas (durante o veraneio) e o público, em solenidades oficiais. Músicos locais, comprovadamente, são pouco atrativos. Ou seja: falta prestígio não só do poder público, mas também do potiguar com seus valores.
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