Os três candidatos à frente nas pesquisas responderam qual a política cultural de seu governo
O período de estiagem do setor cultural potiguar clama por chuvas torrenciais. Após período de relativa pujança com a criação de autos natalinos, da Revista Preá, da publicação de livros, premiações literárias, construção do Teatro de Cultura Popular e dezenas de Casas de Cultura, o Rio Grande do Norte mergulhou em um deserto cultural nos últimos anos. A Fundação José Augusto se tornou a última instância do orçamento governamental. Foram palavras do titular da instituição, Crispiniano Neto, a este Diário: “Quando o orçamento aperta, o primeiro lugar de onde se retira recurso para compensar perdas é a cultura”.
O orçamento anual da FJA, previsto no Orçamento Geral do Estado, soma aproximadamente R$ 22 milhões. Mais de R$ 18 milhões são gastos com pagamento de pessoal. São 500 funcionários lotados na instituição. A título de comparação, na Fundação municipal – cujo orçamento é de R$ 11 milhões, fixado no Plano Plurianual – são menos de 5. E a máquina obesa da cultura estadual padece a espera da dieta necessária à saúde do setor, à celeridade buscada nos processos travados pelo monstro burocrático ou pela falta de recurso.
Diferente da saúde e educação, a cultura desconhece percentuais fixos de investimento previstos em Lei Federal. Permanece o pires na mão, à mercê da boa vontade dos governantes. E além das esmolas e sobras de orçamento, o potiguar assiste ainda a prática da política de pão e circo em praças que um dia – época de Castro Alves – foram do povo. Hoje, praças, ruas, museus, bibliotecas, teatros e palcos são tomados pelo descaso, pelo descompromisso com a classe artística e com o contribuinte ávido pela boa cultura, seja ela de massa ou a chamada cultura erudita.
Para informar o cidadão e a classe artística, o Diário de Natal enviou aos três candidatos ao Governo do Estado mais bem posicionados em todas as pesquisas de opinião divulgadas, a pergunta: “Qual a política cultural adotada pelo seu governo caso vença a eleição?”. Ficou estabelecido tamanho máximo de dez linhas para cada candidato. Um resumo com os principais pontos do plano de governo para o setor. Nenhum comentou a respeito da política de editais, adotada na atual gestão e tendência no país.
A seguir, por ordem de envio, a resposta de cada futuro funcionário do contribuinte:
Propostas
Carlos Eduardo Alves
“É lastimável a forma como a Cultura vem sendo tratada pelos gestores de nosso Estado. Eu, quando prefeito de Natal, dei prioridade a essa área. A minha administração foi a que mais editou livros. Promovi shows gratuitos com artistas de renome nacional, valorizei os artistas locais, criei a Escola de Teatro, incentivei a produção audiovisual, construí o Museu Djalma Maranhão, realizei o maior evento de literatura dos últimos tempos. Como governador, eu vou planejar a cultura através da criação do Plano Estadual de Cultura elaborado com participação popular. Vou resgatar a Fundação José Augusto, retirando-a da atual paralisia, ampliar o orçamento para a Cultura, garantir a plena atividade das Casas de Cultura, promover eventos gratuitos, construir bibliotecas, museus e criar uma rede estadual de cinema, entre muitos outros pontos”.
Rosalba Ciarlini
“Estabelecer um Fundo de Apoio à Cultura para financiamento das atividades culturais. Vamos ampliar, consolidar e reconhecer como profissionalizante cursos de música, teatro e artes visuais. Promover a interiorização de escolas de arte em cidades pólo abrindo campo de trabalho para profissionais já formados na capital e criando uma “cultura” de produção e consumo de arte. Serão apoiadas realizações de eventos, festivais, autos, estabelecendo um calendário anual de eventos. A cultura terá papel fundamental na construção do plano turístico do RN. Vamos implementar o programa Natal - Capital Internacional do Folclore e transformar a capital num pólo de cultura popular. O governo terá programa permanente de valorização de espaços culturais como museus, bibliotecas, casas de cultura e espaços a serem criados, tornando-os ambiente de convivência cultural”.
Iberê Ferreira de Souza
“Vamos estruturar um sistema estadual de Cultura que promova a valorização dos bens culturais, históricos e arquitetônicos com a implantação de espaços sócio-culturais para a população, promovendo a valorização da cultura potiguar, com a participação progressiva dos municípios, estimulando práticas participativas na sua gestão e fomentando a programação permanente nas Casas de Cultura com cursos, exposições e apresentações artísticas. Vamos otimizar os recursos que temos para promover ações articuladas entre Educação e Cultura, utilizando toda a rede de que dispomos hoje (escolas, bibliotecas, auditórios, teatros, espaços de convivência) como canal para levar arte, entretenimento e conhecimento para todos os recantos do Rio Grande do Norte”.
* Matéria publicada domingo no Diário de Natal
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