Estive há pouco com a pesquisadora Leide Câmara. Impressiona o acervo garimpado por ela. Temos a certeza do quanto a música potiguar é rica. Ganhei o livro de A Bossa Nova de Hianto de Almeida e mais do que isso, ganhei informações preciosas da nossa música. Alguma coisa sai amanhã no Diário de Natal. E a respeito de Hianto, teve um tal de Chico Anysio que também recebeu o livro e enviou o seguinte e-mail para Leide Câmara, transcrito na íntegra:
"Parabéns sinceros e intensos pelo seu esplendoroso trabalho de pesquisa e organizção da obra deste macauense da gota serena, cabra que era um poço de talento e de quem tive a honra de ser parceiro em mais de 30 canções. Seu livro foi o melhor presente que eu recebi nos últimos dez anos. Com toda a certeza. Vou tentar armar uma entrevista sobre o seu livro com o Jô, levando um cantor que possa cantar um pedacinho de algumas músicas, principalmente as do Ewaldo Ruy (Vento vadio e Memórias) que considero as melhores. Por favor me mande um livro com uma dedicatória para o Jô".
Chico Anysio
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Leide Câmara é uma pesquisadora abnegada e compromissada com a memória da música potiguar. O epíteto de ”trabalhar em silêncio” atribuído aos naturais de Minas Gerais se aplica muito bem a esta norte-rio-grandense de Patu que em 2001 lançou o Dicionário da Música do Rio Grande do Norte", um trabalho de fôlego e refinada garimpagem musical.
ResponderExcluirNo Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira consta um verbete que revela – para muitos potiguares incautos – a dedicação e militância cultural de Leide Câmara:
“Coordenou o Festival de Artes de Natal em 1988. Sócia fundadora da Associação Nordestina de Arte-Educadores. Fundadora da Federação dos Arte-Educadores do Brasil. Representante da FAEB no Conselho Latino americano de Educação através da arte. Coordenou o projeto Zé Menininho, apresentando música e poesia nos bairros de Natal. Em 2001 lançou o Dicionário da Música do Rio Grande do Norte", trabalho iniciado em 1996 e que resultou no mais completa catalogação da música potiguar. Foram acatalogados cerca de 160 Cds e 500 Lps, além de compactos e outros objetos, como fotos, revistas e partituras. No mesmo ano participou do encontro nacional de pesquisadores realizado na UERJ no Rio de Janeiro, promovido pela fundação MIS”.
E agora ela “mata a pau” com o livro “A Bossa Nova de Hianto de Almeida”, merecendo os elogios de “um tal do Chico Anysio” (sic Sérgio Vilar) com a indicação segura de uma entrevista no “Programa do Jô”.
Para mim, Leide Câmara desafia a “maldição cascudiana” de que “natal não consagra e nem desconsagra ninguém”. Ela vai mais além e tenta neutralizar um “oráculo” muito mais fatídico, pinçado de um dos discursos de Aluizio Alves (anos 1960), que compara a capital do RN aos “pardais chineses que devoram seus filhos”.
Parabéns, Leide.
Graco Medeiros
P.S: não tenho conhecimento se realmente os “pardais chineses” devoram seus filhotes, mas como imagem retórica de um orador político como Aluizio, conservo tal comparação ainda na memória. Com a palavra final algum zoólogo / ornitólogo especializado no "Nyctidromus albicollis" (bacurau).
Há aí uma pequena confusão. O que Aluízio diz no discurso é algo mais ou menos assim : "O ódio, como os pardais chineses que as crianças alçavam ao vôo para que cansassem, também cansará". Não é uma comparação com Natal. A frase é quase isso que aí está. Mas o sentido é exatamente este. Ele começa o discurso dizendo: "Vim para ficar, vim para lutar, vim para vencer. Aos que dizem que a caminhada é longa, respondo: mais uma razão para dar o primeiro passo. O mar que nos separa, gigante e tenebroso, é uma gota dágua". Aí ele se refere ao ódio e usa a imagem dos pardais chineses. Abraço de François Silvestre.
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