Por Gabriela Olivar
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F. Francisco. Fugaz. Falta de medo. Fome de verdade e justiça. Fortaleza. Uma fortaleza destruída pela covardia, pela pistolagem, seja lá composta por políticos, traficantes ou bandidos quaisquer. F. Gomes podia não ter uma escrita perfeita e o sotaque que o brasileiro gosta de ouvir dos repórteres, mas como jornalista que foi, tinha suas preocupações pautadas na sociedade, nos reais problemas que a atingem e na falta de vergonha do setor público ao lidar com temas como a violência e a segurança pública da forma mais corrupta possível.
F. sofria ameaças, mas não tinha medo. Sentava na calçada todos os dias, como de costume no interior e até ainda em alguns bairros da capital. Sentar na calçada é sentir o vento, sentir o vizinho, sentir a vida e ser parte dela. Ser normal, ser gente, ser família e não ter qualquer medo da exposição. Senta na calçada quem nada teme, quem tem a cabeça erguida. F. era um dos Franciscos que fazia a mesma coisa todas as noites. Com a diferença de ter sido alguém que não calou e usou o jornalismo como instrumento de transformação. Faltou freio? Talvez! Mas e o que é o jornalismo, na prática, se não a cobrança diária daquilo que o poder público finge esquecer enquanto obrigações?
O tráfico tomando conta de uma cidade aconchegante e especial como Caicó é revoltante. E o sentimento de F. Gomes era de indignação, de contestação e de reação frente a uma rede de marginais composta por gente de todas as classes sociais e profissionais.
Ouvi algumas pessoas dizerem que ele podia ter se resguardado mais. Não discordo. Mas não seria ele. Um conhecedor das mazelas e denunciante do crime organizado há tanto tempo sabia onde estava pisando. Mas o seu ideal foi mais forte. E influenciou no trabalho da polícia muitas vezes. Um dos principais delegados do estado, Maurílio Pinto, disse que recebia ligações dele com informações e intuições importantes. Ora. F. Gomes não guardou para si a vivência e experiência que tinha. Ao contrário de muitos jornalistas que só se preocupam em escrever e serem lidos para e por outros jornalistas, Francisco redigia e falava à massa e, da mesma forma, com autoridades. E era respeitado.
Fica aqui a minha tristeza, a indignação. O luto por uma morte que representa, além da dor da perda de uma grande figura, a tentativa de cerceamento à atividade jornalísitca, sobretudo investigativa e policial. Esse assassinato preocupa pais e tias de jornalistas, preocupa profissionais comprometidos com a apuração dos fatos. E deixa feliz o diabo, vestido de traficante, político ou simplesmente patrão.
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