O maior folclorista vivo do Brasil completou 83 anos semana passada. Deífilo Gurgel é a metáfora do que buscou nos últimos 40 anos. A simplicidade dos gestos, o apego às tradições e a riqueza cultural lembram muito a cultura popular – norte da vida deste poeta, ao lado da companheira Zoraide e dos nove filhos.
A imprensa desdenhou da data. É assim também com a cultura popular, sempre pormenorizada, esquecida. Ao telefone, parabenizei o mestre, perguntei das novidades. Ele perguntou se eu não faria uma entrevista com ele. Gelei. O espaço do jornal estava preenchido e o tempo era curto para elaborar matéria para outro dia. É sempre assim também com a imprensa: pressa, espaço curto ao que realmente interessa...
Em outro contato, Deífilo disse sonhar com um projeto idealizado há anos: um espaço dedicado à cultura popular chamado Xico Santeiro. Escrevi sobre isso aqui. Passado o tempo, o sonho do folclorista se esvaiu, como as utopias de outras épocas. O pedido desta vez foi bem menor, e ainda assim, rejeitado: apenas a publicação de um livro.
Deífilo pede aos gestores da cultura como um favor a publicação de um livro indispensável às pesquisas do romanceiro potiguar. Foram 10 anos de pesquisa documental inédita e presencial, sobretudo de personagens mortos durante esse intervalo. Um deles, o segundo maior mamulengueiro potiguar, Zé Relampo. E como afirmou Cascudo, “Deífilo não floreia, escreve o que vê”.
* Texto principal da coluna Diário do Tempo, publicada no último domingo no DN
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