Suspeito que a visão de qualquer romântico acerca de Paris seja a de uma cidade nascida e perfeita para o amor, onde o universo conspira a favor dos encontros casuais. A quem falta encontrar seu grande amor, a impressão primeira é de que, após tanta procura sem sucesso, a cara metade só pode estar escondida em algum café parisiense.
Pois sugiro ao amigo leitor visitar a Sala 4 do Cinemark e assistir Paris, Te amo (2006), dentro da programação semanal do Cinecult, às 15h. Serão exibidos 18 curtas em que o tema é unicamente o amor, mesmo aquele que poderia ter sido e não foi; o que já existiu e hoje vive de espasmos ou o amor entre pais e filhos.
Em uma visão mais aprofundada do filme, o espectador verá uma obra-prima – arrisco dizer – que retrata uma Paris não como a Cidade Luz ou a capital dos cenários inspiradores de poetas. Talvez, a Paris melancólica do flaneur. Talvez. O que vi foi uma capital onde o amor, os encontros e carências se igualam a tantos outros recantos. Um amor igual ao meu e ao seu.
Claro que a Paris de Truffaut não some de repente na poeira do tempo. Com alguma atenção maior, se verá os pombos, as expressões melancólicas, mas esperançosas do tal encontro com a cara metade e também a Paris do apartheid social, evidente em um dos curtas exibidos. E cada curta estabelece rápida conexão com o espectador – como deve ser – embora uns sejam mais triviais que outros.
É um filme de detalhes e de muita poesia. Os autores conseguiram retratar a alma e a realidade da Paris contemporânea. Não só a do café das tardes de Hemingway. É uma Paris mais próxima dos pobres românticos desaventurosos. E muito desse retrato se deve aos diretores estrangeiros, responsáveis pelo longa. É uma visão curiosa que nos leva a descobrir novos ângulos ainda inexplorados da cidade.
Um dos curtas que compõem o filme é dirigido pelos brasileiros Walter Sales e Daniela Thomas. É um dos melhores. Mas pra este blogueiro, o curta que encerra o longa é o mais interessante e característico da capital francesa. É também da linha do flaneur melancólico. É a essência do fascínio que Paris exerce em cada um: a do amor perfeito.
A personagem é uma caipira norte-americana, gorda e solteira há mais de 11 anos. Deixa-se entrever que ela está ali para encontrar um grande amor. Ela é tragada pela atmosfera da cidade. Sua expressão é triste. Ela visita parques, ruelas, vê casais, famílias, velhos e percebe que o amor é universal e pode ser encontrado em qualquer parte. A diferença, é que ali em Paris, ele está na alma e nos olhos de cada pessoa.
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Há um dia
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