segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A imortal Praieira de Eduardo Medeiros


São 100 anos de vida. E nesse novelo secular de tempo, a trilha sonora é a mesma da cidade de Natal: "Praieira dos meus amores/ Encanto do meu olhar...". E lá se vão seis estrofes poéticas e uma melodia lúgubre, síntese de uma província praiana de serenatas ao luar; de uma época romântica de modinhas e violões chorados. A Serenata do Pescador - a imortalizada Praieira - virou hino oficial da capital potiguar e lembrança primeira de dona Iracema Medeiros, nascida em 18 de janeiro de 1911, primogênita do compositor Eduardo Medeiros e resistência viva da memória musical da cidade.

Os olhos cansados escondem a memória prodigiosa. A audição já é pouca. Mas basta um mirar de olhos, uma leitura labial e Dona Iracema reserva lembranças no colchão macio do cotidiano. A maioria exalta o pai famoso à época, instrumentista e compositor de talento reconhecido naquelas décadas de Belle Époque natalense. Eduardo Medeiros musicou 365 canções. Vivia da música. cantava em bailes e serenatas. O violão e o clarinete eram inseparáveis, mesmo em casa quando se recolhia para musicar poemas e letras de poetas da cidade. "Mamãe costurava e preparava cocada, arroz doce e sequilho que uns meninos vendiam nos tabuleiros, nas ruas. Éramos pobres, mas não passávamos dificuldades".

A reputação de Eduardo Medeiros atraiu o "príncipe plebeu" e a parceria imortal. O poeta Othoniel Menezes compunha a Serenata do Pescador em 1922 durante uma confraternização com amigos, regado e bebidas, em um bar no Passo da Pátria. A intenção era homenagear pescadores natalenses regressos de um raid ao Rio de Janeiro. O texto foi concluído ali mesmo, na mesa do bar. Segundo o pesquisador Cláudio Galvão, a composição foi mostrada, dias depois, ao amigo José Bezerra Júnior, que sugeriu o nome de Eduardo Medeiros para musicar tão belo texto.

Aos 11 anos, Dona Iracema recorda o pai absorto na composição. "Ele acordou durante a noite com aquela evocação. Pegou o violão, sentou-se, pegou a letra da Praieira e colocou-a a frente.No outro dia, pela manhã, ele tocou pra mim. Aprendi rápido. Era tão bonita... Fui a primeira pessoa a ouvir e cantar a música", se orgulha a filha - uma das 18 de Eduardo Medeiros. Dona Iracema é a primogênita e único descendente vivo do primeiro casamento, com Esmeraldina da Silva Medeiros. Foram 16 filhos e a morte aos 36 anos decorrente de parto.

O casal morou na rua do Areal, nas Rocas até 1922, seguindo depois à casa número 13 da rua Pereira Simões, onde Medeiros viveu até seus últimos dias. Com a morte da mãe, Iracema ajudou o pai, por dois anos, a criar os irmãos, até novo casamento. Iracema, então com 19 anos, não aceitou bem a mudança, até que João Telles da Motta, um comerciante viúvo da vizinhança, lhe pediu a mão em casamento. Eduardo Medeiros morreria 31 anos depois, em 20 de junho de 1961, um dia antes de completar 75 anos. Em 1962, o prefeito Djalma Maranhão homenageou o músico com exposição de três objetos inseparáveis: o violão, o clarinete e seu chapéu.

Escritos e partituras perdidas
Dona Iracema lamenta a perda de escritos e partituras do pai. Quando fala no assunto até expressa sofreguidão. Também reclama os dias de chuva dominicais, quando não pode caminhar a pé os 200 metros que separam a residência onde mora, no bairro do Alecrim, da Igreja. Mesmo aos 100 anos, a filha de Eduardo Medeiros é dedicada à vida cristã. Ela, o esposo e missionários americanos fundaram a Missão Evangélica Pentecostal do Alecrim, em 1949. Desde essa data dedica boa fatia da vida à causa evangélica.

Não fugiu à tradição da família e em tempos passados "arranhava" algumas notas ao violão. Os pais, irmãos e filhos de Eduardo Medeiros eram quase todos músicos. "Nos reuníamos na sala para tocar e cantar, depois da ceia", recorda. A filha mais velha de Dona Iracema, Lucy de Medeiros, 80, complementa: "Meu avô tanto tocava quanto solava. Foi até professor do filho de Cascudo, Fernando". Mas a vaidosa Iracema ressalta: "O negócio dele era mesmo musicar poema". E não à toa foi parceiro musical de alguns dos maiores literatos da cidade, a exemplo de Auta de Sousa, Palmyra Wanderley, Tonheca Dantas (compositor de Royal Cinema), e outros".

Além dos choros, valsas e modinhas, Eduardo Medeiros também compôs música sacra, como o Hino da Irmandade dos Passos, feito m homenagem aos 100 anos da congregação. Foi mestre durante muito tempo da Banda Café Filho, segundo Leide Câmara, em seu Dicionário da Música do Rio Grande do Norte. Para a pesquisadora, a despreocupação de Eduardo Medeiros em registrar suas composições no papel foi influência da tradição oral do período, o que dificultou o trabalho de Cláudio Galvão, que encontrou 19 delas, inseridas no livro A Modinha Norte-rio-grandense - relíquias de um compositor pouco lembrado e uma filha resistente em manter viva a melódica Praieira.

* Publicado domingo no Diário de Natal
- Foto: Fábio Cortez

Diretor de 300 e Watchmen dirigirá novo Super Man


O ator Henry Cavill vai interpretar o Super-Homem no novo filme do herói, dirigido por Zack Snyder e produzido pela Warner. O britânico ficou conhecido por dar vida ao personagem Charles Brandon na série The Tudors. APO ator Henry Cavill"O Super-Homem é o herói mais conhecido e venerado de todos os tempos. É uma honra fazer parte desta produção e participar diretamente do seu retorno às telonas", afirmou Snyder, que já dirigiu filmes como 300 e Watchmen.

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Leitura e escola

por Gianton Danton
no Digestivo Cultural

Certa vez eu lecionava um curso de histórias em quadrinhos para crianças e perguntei a elas qual era a diferença entre um gibi e um livro. Eu esperava que elas apontassem a ilustração como diferença, pois é possível publicar um livros sem desenhos, mas não é possível o mesmo com uma HQ. A resposta surpreendeu-me: "O livro é chato; história em quadrinhos é divertida".

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A relevância dos blogs para a poesia contemporânea

por Lau Siqueira
no site Cronópios

Conforme N. Katherine Hayles, no livro Literatura eletrônica - novos horizontes para o literário, "a literatura do século XXI é computacional". Isso já diz muito acerca das reflexões que pretendo neste artigo. Afinal, até mesmo os livros impressos são elaborados e revisados virtualmente. Talvez comece aí a desmistificação da importância do livro impresso neste tempo de velocidades virtuais. Houve uma inversão de valores para que se pudesse compreender alguns instrumentos de mídia virtual e a sua devida importância para a literatura.

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Projeto da árvore de natal nunca teve patrocínio

Sem querer contrariar os ditos do assessor de imprensa da Funcarte, ou a informação que ele colheu e repassou, mas uma fonte demasiado segura me informa que em nenhum momento a Capitania firmou contrato com a Nestlê para pagamento dos artistas participantes do projeto da árvore de natal. Pior: o dinheiro sequer foi empenhado.

Quer descobrir melhor o assunto? Você, amigo músico, peça o número do processo de pagamento lá na Funcarte. Nunca foi aberto; não existe. Teoricamente, não pode ser pago. Segundo a fonte, o projeto das árvores nunca teve patrocínio. O Cortejo de Natal, teve. Embora não tenha sido pago ainda, a Petrobras cumprirá o acordo.

A fonte não afirmou com certeza, mas ao que tudo indica, o dinheiro do pagamento estará incluso no orçamento do carnaval. Ou seja, a estimativa para a grana sair no início da segunda quinzena de fevereiro - data para a definição do orçamento anual da prefeitura - deve demorar ainda mais.

Tentarei mais detalhes amanhã.

5ª Bachiana de Villa Lobos - interpretação potiguar

Mesmo com minha coluna cortada em três pedaços, ofereço um momento de relax para esta segunda-feira modorrenta. É um vídeo do concerto do grupo UFRN Cellos com a cantora lírica Alzeny Nelo, no Festival de Poços de Caldas. Interpretação da 5ª Bachiana do moço Villa Lobos. A mais bela ária do rapaz. E para quem desconhece, Alzeny Nelo é potiguar.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Nicolelis cria o futuro que a ficção científica sonhou

por Nelson Patriota
no Substantivo Plural

O otimismo que Nicolelis exibe lembra um pouco o estilo dos homens de ciência da América, para os quais tudo ainda é possível, ao contrário do que pensam seus “céticos” colegas europeus, para muitos dos quais a ciência, como tudo mais neste mundo, tem seus limites. E estes já chegaram ou estão chegando, e nada há que se possa fazer sobre disso.

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Cinema 3D no Moviecom

Expansão do 3D em Natal

Sem alardes a Rede Moviecom estreou a segunda sala de cinema 3D de Natal, no Praia Shopping. Foi na última sexta-feira. A procura pela animação As Aventuras de Sammy ainda é tímida. A pouca divulgação se deveu à pressa pela estreia, "um pedido antigo", segundo o gerente de marketing da rede, Marco Antônio Carvalho. De fato. Os transtornos pela fila exagerada causada a cada estreia cinematográfica em 3D no Cinemark pediam a divisão da demanda. O equipamento é de última geração, conforme exigência da nova tecnologia que reaqueceu o movimento nas salas de cinema, ainda prejudicado pelo fenômeno da pirataria.

Em seis anos o número de locadoras de vídeo caiu quase 95% em Natal. As sete sobreviventes do naufrágio da legalidade frente aos "piratex" nadam contra a maré e se agarram a outros serviços para manter o comércio. O cenário é claro: a ilegalidade venceu o comércio legal. O mercado da pirataria - travestido de informal ou problema social - forçou a falência de cerca de 130 videolocadoras na cidade na última década. E embora pareça tendência o crescimento dessa prática criminosa, o surgimento de tecnologias como o blue ray e o 3D prometem inviabilizar a cópia pirata e reacendem a esperança de velhos comerciantes do ramo e das redes de cinema.

"A modernidade exige uma sala em 3D em pelo menos uma sala do complexo de cinema. O investimento é alto e o retorno é de longo prazo, mas o público exige. É a tendência, a nova forma de se fazer cinema, uma realidade inevitável", pontua Marco Antônio Carvalho. Embora o custo para montagem do novo equipamento no complexo localizado no Praia Shopping tenha atingido a cifra de R$ 1 milhão, o gerente de Marketing adianta que a meta é de uma segunda sala ainda este ano ou para 2012 (confira a programação dos cinemas e valores de ingressos na página 22).

De fato, as novas tecnologias têm transformado a forma de ver o mundo. Não só novos conceitos são formados. A estética também recebe a cada dia novas molduras, seja na arte chamada contemporânea ou em novas definições de imagem. E a conceituada sétima arte não podia ficar de fora. O cinema acompanha a evolução da humanidade e o progresso tecnológico desde o século 19. Desde a apresentação do cinematógrafo pelos irmãos Lumiére, a produção cinematográfica galgou mais de 100 anos de experiências e histórias até alcançar a nova onda: as projeções de filmes com tecnologia tridimensional, o chamado 3D.

Opiniões
Mesmo o que parece uma onda sem volta, um dos mais conceituados críticos de cinema do país, o ensaísta Moacy Cirne se mantém incrédulo quanto à empolgação ainda considerada imediatista. "A tecnologia 3D não diz nada se o filme for ruim. A qualidade de um bom roteiro, uma boa direção independe do avanço técnico. Acho cedo apontar o 3D como avanço". Para Moacy, o cinema falado, inaugurado em 1927 com o filme O Cantor de Jazz (dirigido por Alan Crosland) se mantém como o maior avanço da centenária história cinematográfica. “Foi uma mudança radical sentida até hoje”, complementa.

Moacy fala com conhecimento de causa. Assistiu ao filme em 3D, Alice no País das Maravilhas. “Ainda vi esse porque gostava da história (escrita por Lewis Carroll no século 19), e também gostava do diretor (Tim Burton). Mas saí frustrado”. A opinião do jornalista e ex-professor de Cinema, Tácito Costa, o 3D é válido. “Só acrescenta, sem prejuízo à produção cinematográfica”. E pondera: “Agora, não é a salvação do cinema; nenhuma panacéia. Não faz de um filme bom nem resolverá problema de falta de público”. Para Tácito, o 3D ainda está associado aos filmes blockbusters, que naturalmente já atraem mais público.

E o que vem depois?
A estimativa de especialistas é de que em dez anos o cinema 3D chegue às residências e o cinema precisará dar outro passo à frente. A tendência já experimentada é o IMAX - uma tecnologia que nenhum aparelho de entretenimento doméstico poderá reproduzir. Por motivos simples: as telas são gigantes. O IMAX tem como padrão telas de 22 metros por 16 metros. Além do tamanho, o IMAX promete levar o telespectador para dentro do filme. Esse efeito é criado pela combinação da projeção gigante, tela com maior curvatura, sistema de som digital com o dobro de potência de uma sala comum e ambiente montado de forma geometricamente favorável. O sistema chamado Rolling Loop torna o efeito 3D ainda mais real.

Segundo o site Idgnow, atualmente existem mais de 300 salas IMAX distribuídas em 40 países. Cerca de 60% delas estão nos Estados Unidos. Apenas 40% das salas ficam em shoppings ou centros comerciais. O restante está dentro de museus e centros científicos. No Brasil, a única sala equipada com IMAX foi inaugurada em 16 de janeiro de 2009, no Unibanco Arteplex do shopping Bourbon, em São Paulo. O Unibanco Arteplex informou ao site Idgnow que a taxa de ocupação da sala IMAX se mantém em 90% e representa 50% do faturamento do complexo. O ingresso cobrado é no valor de R$ 30. O orçamento da sala Unibanco IMAX foi de 6 milhões de reais, incluindo equipamentos e a estrutura da sala.

* Matéria publicada hoje no Diário de Natal

sábado, 29 de janeiro de 2011

Júlio Lima se despede de Natal



Hoje é dia de despedida. E se o movimento Baixo de Natal ironizou a necessidade dos artistas partirem em debandada da cidade por falta de prestígio e espaço, dessa vez a partida é real. Um dos maiores intérpretes da música potiguar, multi-instrumentista e compositor de quase 400 canções se despede de Natal com show hoje no Castelo Pub. Júlio Lima tentará carreira no Rio Grande do Sul - uma fuga da cidade que insiste em olhar para o Atlântico sem saber qual o chão que pisa.

O nome do show se chama Sol Novo. São novos ares, novos palcos longe da Cidade do Sol onde o sol não nasce pra todos. Começa às 22h. Participam da despedida a Orquestra Boca Seca, a banda Organos, Esso Alencar, Letto entre outros convidados partícipes de uma história longa na música potiguar. São mais de dez. "Esse show marca o fim de uma era e o começo de outra por isso mesmo o repertório vai ser um apanhado de todo o trabalho autoral que realizei até hoje na cidade".

No set list, canções de um repertório vasto que compôs um dos melhores álbuns de 2009 e emplacou a canção Há sempre música com o segundo lugar na categoria Melhor Composição e vitória à performance de Júlio como o Melhor Intérprete, na quarta edição do Festival MPBeco. O CD produzido de forma independente traz músicas já conhecidas do público como Enlatado, Coagulado, Canudos (inspirado no clássico Os Sertões, de Euclides da Cunha) e a canção-título.

A viagem também foi incentivada pelo convite do ex-produtor Eduardo Marques, agora em terras gaúchas. "Ele está divulgando meu trabalho por lá e diante de uma boa aceitação do trabalho, me fez o convite para começar a circulação do meu CD. Achei o RS uma proposta interessante. Muita gente fala que meu som é para o Sul, apesar de cosmopolita como o de vários potiguares que conheço". E sentencia: "Esse negócio de rótulo é muito forte dentro de nossa terra e só atrapalha, como também a guerra dos egos que acorrenta os pés do elefante".

As oportunidades do Sul também abrem brechas para a ponte aérea direta com São Paulo, onde há amigos potiguares do músico na mesma lida e busca por melhor espaço. "Acho Natal o novo pólo da música brasileira. Digo isso sem medo, observando o trabalho de gente como Valéria Oliveira, Khrystal, Rosa de Pedra, Camarones Orquestra Guitarrística, etc. A qualquer hora vai explodir, acontecer. Era o que pregávamos no nosso slogan do Mpsol: 'O Big bang do elefante, vários corpos artísticos num pequeno espaço tende a explodir'".

E os gaúchos se preparem para a explosão. A energia vocal de Júlio parece libertar músicas aprisionadas há séculos. É pura potência afinada à virtuose instrumental de guitarras, batuques e grooves. Sua coleção de músicas foge ao rótulo conceitual. Parte do regionalismo e alcança o patamar cosmopolita de letras e ritmos universais.

Da influência erudita ao rock
Júlio Lima construiu uma carreira sólida na música potiguar. Integrou bandas lendárias como Alcatéia Maldita e liderou o movimento musical MPSol. Para retratar melhor a versatilidade como musicista e compositor, basta lembrar a participação nas bandas The Skareggae, Velvet Blues e Delta 9, e no período como contrabaixista na Orquestra Jovem de Natal.

Apesar das visitações aos campos floridos da música, é no rock onde o músico está mais afinado. A voz rouca, grave e visceral é encaixe perfeito ao som distorcido da guitarra. A influência musical foi iniciada pelo pai, o baixista e membro fundador da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte e ainda cantor de uma das grandes instituições musicais do Estado, o Coral Canto do Povo. O nome dele é Carlos Alberto de Lima, o Carlão.

Mesmo sob influências do canto regional ou da música erudita, o aprendizado musical de Júlio Lima não o distanciou do gênero endeusado por nove a cada dez normais. O virtuosismo na execução da guitarra ou do contrabaixo aliado aos dons vocais naturais projetam Júlio ao rock. Não houve escapatória. Naquele início da década de 80 era essa a pedida dos jovens com algo a dizer, a mostrar e protestar.

A música que abre o novo CD mostra que Júlio Lima não perdeu a pegada iniciada naqueles anos de consumo. Em O Muro, ele canta com a mesma força presente na canção: "Caldo de cana/ Menina bacana/ O sol na pestana/ Mais uma semana na vida// Surfo nos problemas com os meus dilemas/ Quero ter consciência/ Pra poder evoluir// Mantenho a fé/ Que é o que me ergue/ Quando inevitavelmente arrebento/ com a minha cara no muro".

Essa é a atmosfera da música de Júlio Lima: cargas sentimentais carregadas, temáticas universais, frases cortantes e esperanças desencorajadas retratando com alguma fidelidade o cinza nebuloso dos tempos atuais. Há também toques de comicidade, como no samba Pária ou na sátira Sauron Dançou. A mostra mais fiel de Júlio Lima e metáfora de sua trajetória é a reconhecida Há sempre música, onde "há sempre timbres colorindo o espaço sonorode um pensamento".

Show Sol Novo – despedida de Júlio Lima
Participação: Orquestra Boca Seca, Organos e outros
Onde: Castelo Pub (Rota do Sol, em frente ao estádio do ABC)
Data e hora: hoje, às 22h
Ingresso: R$ 10 (no local)

* Publicado hoje no Diário de Natal
- Foto: Deyse Areias

"Somos uma teia auto-organizada"

A Maria Fro colocou o vídeo com mais da metade da palestra do neurocientista Miguel Nicolelis (1h11) em seu blog. Tudo foi transmitido ao vivo via tuitcam. Quedas ocorreram em função do congestionamento de tuiters na sala. A duração total da palestra foi de cerca de 2h30. Aos de fora - porque a repercussão em Natal foi extramamente satisfatória- o evento foi promovido pela secção natalense dos Blogueiros Progressistas, na Livraria Siciliano:

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Com Dudé Viana

Valdetário Carneiro sob outro prisma

As famílias Fernandes e Carneiro brigaram durante 12 anos sem desconfiarem de que pertenciam à mesma árvore genealógica. Mortes, personagens e fatos marcantes da crônica policial potiguar surgiram deste conflito iniciado em Caraúbas e destrinchado no livro A Saga Benevides Carneiro (edição independente, 218 pág., R$ 25). O vida do autor também conta uma saga: a de um compositor acusado de crime e inocentado por unanimidade após quase dois anos aprisionado na João Chaves. Dudé Viana conta em detalhes o “caso dos 94 milhões”. O assalto praticado por dois primos de Dudé em nada mudaria sua vida não fosse um outro partícipe: Dedé, o qual a polícia confundiu os nomes e prendeu o inocente.

A raíz genealógica da família Benevides Carneiro se assemelha à de outras centenas de árvores genealógicas formadas no Brasil a partir da chegada de portugueses, espanhóis, e outras nacionalidades e etnias. Dudé Viana, membro da família Carneiro, pesquisou durante uma década as origens da família e de seus principais personagens. E elucida no livro fatos distorcidos pelas páginas policiais dos noticiários. Além da própria injustiça sofrida, relata também os fatos que levaram o primo Valdetário Carneiro – figura conhecida na crônica policial – ao submundo do crime a partir de uma acusação injusta do qual, ao contrário de Dudé, não conseguiu superar.

A narrativa do livro mostra o Valdetário mecânico e amante das artes, fã de Raul Seixas, de Che Guevara e artesão na fabricação de caminhões de brinquedo, diferente do criminoso insano retratado na imprensa. Sonhava representar Che Guevara no teatro. Em foto documental no livro, ele incorpora Tiradentes, o mártir da independência do Brasil, na Escola onde estudava em Caraúbas. “Ele sempre falava de música e teatro dramático. ‘Eu gosto de rir... adoro comédia, mas o drama tem um quê na minha vida, que não sei explicar’”, lembra Dudé, em uma das conversas com Valdetário.

Em 1991, Valdetário e Galego foram presos acusados no roubo de um carro Pampa, sem nunca terem furtado nada. Os dois foram amarrados e colocados numa caminhonete, quando foi realizada verdadeira passeata pelas ruas de Carúbas mostrando a “nova dupla de ladrões da família Benevides Carneiro”. Foram condenados a 7 anos e 6 meses de cárcere. Fugiram em menos de dois anos. Valdetário foi encontrado e preso novamente. Quando reatava a profissão de mecânico fora da cadeia, foi novamente acusado de roubo em Mossoró. Ele próprio investigou o caso, descobriu os assaltantes e a acusação oriunda de um amigo da família Benevides. O fato revoltou Valdetário e o jogou na vida do crime. “Assaltava para manter a estrutura bélica e a síntese da sobrevivência”. Praticamente todos os crimes na região passaram a ser atribuídos a ele.

Dudé: período atrás das grades

Com Dudé foi diferente. E o livro, mesmo sem o propósito, traça essa comparação. Merecia livro à parte: A Saga de Dudé Viana. A infância pobre e a adolescência difícil em Caraúbas, ou a fase adulta de lutas diárias entre Natal e Rio de Janeiro, sempre em prol da carreira musical assistiram uma sina imerecida, em 10 de janeiro de 1983. Dudé se arrumava para levar à Rede Globo 12 canções para concorrer no Festival MPB-Schell. “Só pensava nisto e no sonho de uma premiação ou mesmo só o fato de aparecer na televisão em rede nacional. Estaria de bom tamanho para quem nasceu nas caatingas do RN, bebeu água barrenta, comeu fruta de xique-xique, ovos de passarinho e pirão de pedra”, relata.

No portão da casa da prima, onde estava hospedado, dois homens da Polícia Federal. “Um deles se antecipa e me pergunta: ‘Você é José da Silva, Dedé?’. Respondi: “Sou José Filho (Dudé)’”. Mesmo assim Dudé foi levado à Delegacia. E a truculência débil dos policiais forçaram a prisão sem provas nem confissões, mesmo com testemunhas contrárias. Foi um ano, dez meses e 13 dias aprisionado. “Quando saí acrescente o Viana Ramalho ao meu nome”. O Ramalho é sobrenome da família paterna. “Preferi o Ramalho porque tem sete letras: o número do juri que absolveu por unanimidade nas duas vezes em que foi julgado”.

Dudé conta no livro detalhes do caso, da vida na prisão João Chaves e da vida difícil pós-prisão. Hoje Dudé ainda trava lutas diárias para sobreviver da música. Pensa em comprar carro para transportar 50 livros de uma vez. O livro A Saga Benevides Carneiro, mesmo aprovado no Programa Djalma Maranhão, não conseguiu patrocínio privado. Esteve entre os mais vendidos na livraria Siciliano. Com seu Papo-Show, onde mescla música e causos engraçados e trágicos de sua vida, se apresenta em diversos palcos do RN ou outros estados, a exemplo do Amapá, onde lançará CD em breve. Se chamará O Andarilho das Canções – batismo do escritor Tarcísio Gurgel ao amigo Dudé, longe da pecha de pistoleiro empregada pela polícia.

Livro – A Saga Benevides Carneiro
Autor: Dudé Viana
Edição independente
Preço: R$ 25
À venda: Livraria Siciliano (Midway e West Shopping-Mossoró) e Potylivros
Contato: 8835-0871 (Dudé Viana)

* Matéria publicada ontem no Diário de Natal

OBS: Palavras de Dudé, via e-mail: "Olá, Adriana e Sérgio, muito obrigado mesmo pela matéria que já chegou me abrindo espaço... Hoje recebi muitas ligações... Já me rendeu um programa de rádio p/ amanhã e dois de televisão na segunda-feira, e estou negociando uma noite de autógrafo do livro com show musical em Caicó. Tudo graças a matéria de hoje".

Do otimismo progressista de Nicolelis


Poucas dezenas de privilegiados assistiram a palestra do neurocientista Miguel Nicolelis agora há pouco no calourento auditório da Livraria Siciliano do Midway. Iniciativa de blogueiros progressistas e mais afeitos à produtividade do que à polêmica.

Palestra interativa, informal, bem humorada, produtiva e, sobretudo, otimista. A mensagem deixada pelo cientista foi, em suma, a do otimismo. Por momentos lembrei da teoria do Kaos, de Jorge Mautner - um vislumbre de esplendor magnífico aos terráqueos.

Nicolelis é alguém que acredita no futuro, na humanidade. Colo uma frase dele citada lá, fora desse contexto: "O problema da juventude de hoje é a falta de utopia". Pois é. Eis o problema. Eis o porquê do meu otimismo-defunto.

Mesmo uma juventude morta em sua descrença, o neurocientista lembrou o ativismo político eclodido no Egito. Penso ser caso pontual e motivado por situação quase insustentável. É diferente, ou único. Enfim... Invejo esse otimismo.

Nicolelis tem motivos para o otimismo exarcebado. Ele mostra, através da ciência, a possibilidade dessa utopia perdida. Penso que resida aí a revolução possível aos nossos dias.

Outro ponto norteador da palestra foi a identidade em tempos de coletividade, ou "teia social", como cita. Para Nicolelis, a convergência global cresce e toma poder.

Os fatores desse crescimento citados foram todos positivos. O principal ponto levantado talvez tenha sido a quebra do monopólio da comunicação pela grande mídia - ele citou o exemplo da última eleição quando a "blogosfera venceu a imprensa tendenciosa".

Gostaria de perguntar do individualismo crescente causado pela tal teia social; as relações interpessoais prejudicadas e o consequente crescimento da solidão, da depressão, e doenças similares. Sim, doenças!

Nicolelis mostrou desapego total a títulos, prêmios e até reconhecimentos ao seu trabalho. Seu foco é a construção da ciência favorável ao social, ao futuro da juventude, do progresso científico direcionado à saúde e educação. É o que lhe importa.

Um exemplo prático: ele afirmou preferir a pavimentação de 50 metros da rua onde está fincado o seu instituto científico, em Macaíba, ao Prêmio Nobel.

A necessidade da revolução educacional em todos os níveis, a interface máquina-cérebro, os limites da ciência; alusões à falência do modelo neoliberal; inúmeras reclamações da falta de apoio governamental à ciência; e diversas metáforas futebolísticas ao melhor estilo Lula, também foram alguns levantes da palestra.

Escrevi este post sem meu bloco de anotações. Pincei algumas frases do discurso inicial de Nicolelis. Muita frase exemplar, solta sem esforço e para guardar na caixola da memória. Deixo para a matéria do DN. Sairá na segunda-feira.

Agradeço o convite para mediação, desculpo qualquer equívoco e sugiro outras discussões, debates, de forma regular, "progressista".

* Foto: Canindé Soares

Nicolelis e os "blogueiros sujos"

por Tácito Costa
no Substantivo Plural

Uma conversa descontraída sobre temas e questões chaves para a ciência, a educação e o Brasil, talvez esse seja a síntese mais aproximada do que rolou no auditório da livraria e que foi transmitido pelo twitter.

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

De Khrystal no Rio de Janeiro

por Zé Dias
via e-mail

Como levo o nome de chato por ser vibrador com a carreira de Khrystal, eis a prestação de contas destes dias: A gravação do Programa de Ademilde Fonseca com o músico RICARDO SILVEIRA e o comando de Tarik de Souza, terminou com o Jornalista Tarik afirmando: MAGNIFICO, tendo LIS ROSA como testemunho. Contatos e mais contatos, E chegamos ao dia da PARTICIPAÇÃO de KHRYSTAL, no baile do ORLANDIVO, ela dividindo a homenagem com MAURICIO MAESTRO, integrante do BOCA LIVRE. Além de Lis Rosa, PAULO CESAR MEDEIROS, ex. Secretário de Administração do estado do RN na plateia, deixa um recado por escrito para mim que estava em outro compromisso profissional: Zé, KHRYSTAL esteve MARAVILHOSA. Ontem, foi belo no Dragão do Mar, no ROCK CORDEL, hoje faremos um Bar excepicional, chamado ACERVO IMAGINARIO e amanhã, iremos para GUARAMIRANGA. É a luta. Quando me referi acima ao COMPROMISSO PROFISSIONAL a que fui, queria dizer que fui assistir ao show instrumental de RICARDO SILVEIRA no Bar LAPINHA. resultado do show: ROMÁRIO NA ÁREA. Impecável, Soberano, e com permissão de LUCINHA LIRA, LINDO, LINDO, LINDO.

Grato
Zé Dias

PS: Depois do Carnaval, onde fara um média de 08 shows, KHRYSTAL estara cantando na EMBAIXADA DO BRASIL em ASSUNÇÃO DO PARAGUAI, juntamente com mais seis artistas brasileiros de vertentes diversas da música popular do Brasil

Natal fora da Copa de 2014

por Sergio Rangel
publicado no site de Alex Medeiros

A Fifa já prepara um pacote pós-Carnaval para os organizadores da Copa de 2014. Quase seis meses depois da sua última visita oficial ao país, o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, terá uma agenda cheia de reuniões decisivas depois de assistir aos desfiles das escolas de samba do Carnaval carioca no início de março.

Baseado no Rio, Valcke pode excluir Natal do Mundial e vai cobrar pressa dos governos na reforma dos aeroportos. Ele também fechará detalhes do sorteio das eliminatórias e exigirá uma posição oficial dos dirigentes do Corinthians e do governo paulista sobre a construção do estádio de Itaquera.

aqui

Do blogueiro: Não entro no mérito da necessidade de demolições ou a produtividade da Arena das Dunas. Tenho minha opinião formada e respeito a dos outros. Revoltante é um governo - municipal e estadual - deixar passar um investimento milionário por pura incompetência. A única cidade entre 12! Lamento a mancha no currículo do secretário Fernando Fernandes. Este sim, comprometido, competente. Mas incapaz de driblar o desleixo alheio.

Os melhores filmes de 2010

por Carlos Alberto Mattos
no site Críticos

A lista dos 10 melhores do ano – eclética como o grupo de associados – inclui grandes sucessos populares como o brasileiro Tropa de Elite 2, o argentino O Segredo dos seus Olhos e o anglo-americano Kick-Ass – Quebrando Tudo. E também obras de diretores há muito consagrados como Bellocchio, Scorsese, Polanski e Woody Allen. Todos estarão em breve numa mostra no CCBB-Rio. São eles, em ordem de votação:

1. A Fita Branca, de Michael Haneke
2. Tropa de Elite 2, de José Padilha
3. Vencer, de Marco Bellocchio
4. Mother, de Bong Joon-Ho
5. Um Homem Sério, de Joel e Ethan Coen
6. O Segredo dos seus Olhos, de Juan José Campanella
7. O Escritor Fantasma, de Roman Polanski
8. A Ilha do Medo, de Martin Scorsese
9. Tudo Pode Dar Certo, de Woody Allen
10. Kick-Ass – Quebrando Tudo, de Matthew Vaughn

aqui

Da entrevista de Fernando Monteiro

por Jairo Lima
em comentário no Papo Furado

Talvez este tenha sido este texto o que mais sublinhei, com as tarjas amarelas tão conhecidos dos leitores deste site. Minha vontade era sublinhar tudo, e, se não o fiz, foi porque isto implicaria, destacando tudo, em não destacar nada. Se esta entrevista de FM fosse um manifesto, eu seria, com certeza, um dos primeiros subscritores. Porque não penso assim de hoje. Já escrevi, respondendo a um amigo que me perguntava o que era um Intelectual-de-Shopping, que este termo definia não quem eventualmente frequentava shoppings mas, sim, os "artistas" que se exibiam em suas suas prateleiras. FM não está à venda, não aceita a embalagem mercadológica das editoras, não se submete aos mitos - ou à episteme dos foucaulnianos de plantão. FM é intelectual e faz arte.

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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A cultura no centro do debate

por Pablo C. Claudino
na Revista Cult

Acostumada ao obscurantismo a que estava relegada no Brasil, a cultura passou, nos últimos anos, a ser protagonista de políticas públicas no país. Esteve no centro de debates acalorados, alguns deles colocando grandes amigos em lados opostos, como aconteceu com o ex-ministro Gilberto Gil e Caetano Veloso. Foi um período em que se passou a produção cultural a limpo. E, durante todo esse tempo, um personagem esteve firme com sua lança quixotesca na defesa da democratização da cultura: o atual ministro da Cultura, Juca Ferreira.

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Mercado e consumo na indústria fonográfica

Gostei da visão desse cara. Necessariamente discordo. Mas merece consideração. Em suma, a entrevista trata dessa relação de mercado e consumo. Assunto manjado, é verdade. Mas sempre bom colocar em voga para novas discussões. Creio na importância da discussão porque trata também de cidadania. Imagine você acompanhado do seu filho de 12 anos, em praça pública, na inauguração de algum equipamento de lazer em sua cidade. A prefeitura convida um desses forrós chulos e vocalista faz alusão ao alcoolismo, chama você de rapariga ou corno, cachaceiro, etc. Essa realidade precisa ser mudada. E o cara aí comenta a respeito.

"Temos muita cultura com potencial para mesclar ao fator comercial"

Quem nasceu primeiro: o mercado ou o consumo? De certo, a resposta é mais simples do que o eterno mistério entre o ovo e a galinha. Mas as novas composições forrozeiras levantam a questão. A banda potiguar Forró Salgado tem no vocalista Wyry Paiva um pesquisador do assunto e dos novos ritmos do gênero. Licenciado em Letras e Artes pela UERN, o artista expõe opiniões pouco divulgadas no meio forrozeiro, e confessa: “Quem frequenta o forró hoje é o playboy e a patricinha. Para inserção no mercado tem de se cantar a realidade burguesa”. A banda – já com cinco CDs e um DVD – encerra hoje a programação no Cirquinho de Pirangi, junto às veterenas Cavalo de Pau e Mastruz com Leite.

Entrevista – Wyry Paiva

Qual a inovação impressa no trabalho de vocês?
O RN tem força política inferior a outros estados nordestinos. E não quero que o meio em que vivo sofra da mesma inferioridade. Tenho pesquisado essa identidade potiguar. Temos muita cultura com potencial para mesclar ao fator comercial. O côco zambê, por exemplo, mesclado ao reggaetown, de fora. Em junho pretendemos lançar novo CD já com esse estilo definido e mesclado ao forró – estilo mais lucrativo, porque também temos de pensar no lucro. Então, tenho pesquisado esses ritmos inseridos no universo do forró para garantir contratos e mostrar inovação.

Sua formação acadêmica de licenciatura em Letras e Artes pela UERN contribui na elaboração das composições da banda?
Sim. Faço questão de 70% do repertório ser autoral da banda. No DVD foi de 80%. Mas nem sempre o que queremos é o que o público quer. Escrevo a música que o povo quer ouvir. A forma de tocar é que é do nosso jeito.

E o que o povo quer ouvir?
O povo quer ouvir o mais volátil. O refrão tem de ser pequeno, fácil de aprender porque o tempo de sobrevida das músicas hoje é curto. Dura um máximo de três meses. Às vezes produzem coisas patéticas; às vezes, legais.

É o retrato da modernidade veloz...
Tudo é muito efêmero, hoje. É como a coisa do “ficar”. Você fica com uma garota hoje e amanhã quer outra – acho um bom comparativo com a realidade do forró hoje em dia.

Os forrós eletrônicos trazem alusões ao sexo, ao alcoolismo ou ao comportamento desvirtuado para uma juventude sadia e educada. O maior sucesso de vocês se chama Rei da Farra. De que trata a música?
Faz alusão ao que o jovem da classe média é ou tem vontade de ser: um cara endinheirado, com carrão cheio de mulheres turbinadas e muito uísque. É a visão do playboy. Não é desvirtuamento. Dessa forma encaixamos o trabalho da banda ao que o mercado pede. Imagina uma banda de forró com músicas didáticas? Espero que o mercado vença essa barreira. Eu nunca bebi, nunca usei drogas e nem entrei em cabaré.

Mastruz com Leite e Cavalo de Pau ainda cantam o amor, as coisas do sertão, a vida do vaqueiro. Essa toada não tem mais mercado?
Não temos mais grande êxodo rural. O nordestino não vive mais tão aperriado. E os pobres não vão mais à festa. O forró vem do for all (para todos). Não é mais assim. Luiz Gonzaga trouxe o forró do sertão à metrópole. As bandas de baile iniciaram o forró eletrônico em festas, vencendo a barreira do que era considerado brega, música de pobre. Isso até surgir o Mastruz com Leite, que montou rádio e estúdio e popularizou de vez o estilo no meio social. E quem vai hoje à festa é o playboy, a patricinha ou quem quer ser aceito por esse grupo social. Então, cantamos essa realidade burguesa, mesmo que talvez utópica.

Primeiro se muda o público...
E depois o mercado. O pai de hoje foi aquele que ouviu música de qualidade, se formou em condições piores, conquistou status e oferece hoje ao filho melhores condições, uma realidade diferente da que viveu. Então, cabe aos pais também mostrar música qualificada em casa: o que ele ouvia no passado.

* Publicado hoje no Diário de Natal

Funcarte planeja ações para 2011 e 2012

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A Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), vinculada a Prefeitura Municipal do Natal, realizou na tarde de ontem (26) a reunião de avaliação de 2010 e elaboração do plano de atividades para 2011/2012. A reunião foi conduzida pelo presidente da Fundação Cultural Capitania das Artes, Rodrigues Neto, e reuniu diretores de departamentos, chefes de setores e núcleos, além de coordenadores de projetos, com o objetivo de avaliar as atividades desenvolvidas pela Fundação no ano de 2010, apresentação dos relatórios, e elaboração do planejamento 2011/2012 dos diversos setores.

A reunião definiu também a implantação das metas para 2011, dentro dos seguintes enfoques: proatividade, integração dos setores e quebra de paradigmas. A Funcarte se antecipa as demais secretarias na elaboração do relatório de atividades, atendendo assim determinação do prefeito em exercício, Paulinho Freire.

Em sua explanação o presidente Rodrigues Neto destacou os principais eventos promovidos pela Funcarte, em 2010. O carnaval, que contou com seis pólos em toda cidade. O I Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, que reuniu em nossa capital os principais nomes da literatura dos países de língua portuguesa. O São João e a 24ª edição do Festival de Quadrilha Junina.

“Tivemos um ano de 2010 dos mais produtivos em termos de cultura para nossa cidade, e graças à determinação da prefeita Micarla de Sousa e abnegação dos que fazem a Fucarte, conseguimos realizar um evento, que segundo pesquisa obteve 89% de provação. Evento esse que foi realizado com recursos da iniciativa provada que acreditou e comprou a idéia. O Natal em Natal, com a realização de uma programação de cerca de dois meses, de 11 de novembro de 2010, a 6 de janeiro de 2011, sem dúvida o principal de nosso calendário”, comemorou Rodrigues Neto.

Do blogueiro: Planejamento talvez seja a principal ação a ser implantada na Funcarte ou na cultura potiguar. É inadmissível mais atrasos de pagamento. É humilhante aos artistas e extremamente desgastante à imagem da instituição - sobretudo com a contribuição das redes sociais à grita generalizada de artistas cansados do descompromisso. O novo teste será feito no carnaval. Os custos são altos e envolvem o sempre tumultuado pagamento das agremiações carnavalescas. Não entendi o que texto citou como "quebra de paradigmas". Espero que seja esse tradicional desleixo - desta e outras gestões - com o cachê dos artistas.

Museu do Vaqueiro ganha parceria do BNB

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O Banco do Nordeste anuncia patrocínio para implantação do Museu do Vaqueiro, que reunirá cerca de mil peças sobre a cultura sertaneja. A iniciativa é do engenheiro agrônomo Marcos Lopes, idealizador de ações como o Forró da Lua e a Pega do Boi do Mato, realizados na fazenda Bonfim, em São José do Mipibu.

Com consultoria do produtor cultural Dácio Galvão e do museólogo Hélio de Oliveira, o projeto terá apoio da instituição financeira no valor de R$ 85 mil, o que permitirá a formatação do plano museológico, bem como restauração e acondicionamento do acervo já existente. Também serão oferecidas à comunidade oficinas de acordeom e indumentária e acessórios em couro.

Marcos Lopes explica que o Museu foi projetado para ocupar uma área de 510 metros quadrados da fazenda Bonfim, que tem área total de seis hectares, incluindo uma reserva de Mata Atlântica preservada. O espaço enfocará o vaqueiro como figura central, destacando-se sua destreza e valentia. Serão retratadas ainda as atividades geradoras das riquezas econômicas e culturais características do ciclo do couro no Rio Grande do Norte, que começou no final do século XVI e se estendeu até o século XVII.

Segundo ele, a intenção é resgatar e preservar a influência da atividade pastoril na formação do povo nordestino e norte-rio-grandense. “Criamos uma entidade sem fins lucrativos denominada ‘Fundação Cultural Museu do Vaqueiro’, que irá gerir as ações desse projeto. Avaliamos o apoio do BNB como um importante pontapé inicial para implantarmos o espaço do modo como foi projetado. Inclusive, continuamos à procura de parceiros que tenham interesse em apoiar esse tipo de iniciativa”, diz Marcos Lopes.

O Gepeto potiguar nas lentes de Canindé Soares

Esse Canindé Soares é um frexado, mesmo. Olha aí o que o cara fez com os bonecos de Marcus Baby: AQUI

Gleison Túlio no Taverna


Rock puro. Sem parafernalhas eletrônicas, caras e bocas ou estrutura de mega show. Rock se curte em ambiente pequeno. E o mineiro Gleison Túlio traz a Natal a bagagem musical que o credencia a “one man band”, adaptando os sons dos instrumentos básicos do rock – baixo, guitarra e bateria – ao seu violão percussivo.

O artista inicia amanhã uma temporada de apresentações no Taverna Pub, em Ponta Negra. Os shows ocorrem de quinta a sábado a partir das 22h, sempre antecedendo o concerto das bandas locais For Sale (amanhã), Os Grogs (sexta) e Banda Diamente (sábado), com repertórios de blues, rock e pop, respectivamente.

O estilo versátil do músico permite uma mostra de canções autorais diversas e repletas de ironia, bom humor e guitarras distorcidas, até covers personificados pelo estilo do artista, a exemplo de Come as you are (Nirvana) ou Hey Joe (Jimmy Hendrix). A voz rouca, os arranjos diferenciados e os solos de harmônica são destaques à parte.

No eixo de mídia nacional, Gleyson já realizou vários trabalhos, dentre eles duas músicas em trilhas de novelas da Rede Globo (Uga- Uga 2000 e Cobras e Lagartos 2006), apresentações em programas de TV (vídeo show ao vivo 2000) peças de teatro e conta várias apresentações ao lado de grandes nomes da música atual, tais como: Blitz, Pato Fu, 14 Bis, Marcelo D2, Barão Vermelho, Titãs, Lobão, entre outros. Foi também finalista de festivais de música.

O músico integrou várias bandas, dentre elas: Somba, Chá de Lírion, primo Johnny, Falcatrua (na qual gravou o disco Vou Com Gás, com direção de Nelson Motta e produção de John Ulhôa, do Pato Fu). Atualmente é guitarrista da banda Powertrio, ao lado de Glauco Mendes (Tianastácia) e Danilo Guimarães (Falcatrua).

Em 2009 se apresentou no Beatleweek Festival (em Liverpool, na Inglaterra) sendo um dos destaques do evento e já convidado para a edição 2010. Posteriormente se apresentou na Dinamarca, Portugal e Itália (ao lado do DJ Rick Marilli).

Show - Gleison Túlio
Local: Taverna Pub, Ponta Negra
Horário: 22h
Datas:
Quinta Blues (com a banda For Sale)
Sexta Rock (com a banda Os Grogs)
Sábado Pop (com a Banda Diamante)
Informações: 3236-3696

Banda Independente da Ribeira ensaia hoje

Mestre Ciro Pedroza recomenda: hoje tem festa de celebração da parceria entre a Banda Independente da Ribeira e Central Ribeira Botequim. A partir das 20h acontece o show de apresentação de músicas do CD da Banda e lançamento da camiseta 2011. É a primeira mão de confetes do carnaval natalense. Informações e entrevistas: Haroldo Maranhão (84) 3611 2672 / 9984 2120.

E desconhecia a existência dessa Central Ribeira Botequim. Ainda não fui no Clube da Ribeira... É reconfortante assistir o crescimento da Ribeira, com novas casas, novas apostas. Tem muita gente por trás disso. Desde Paulo Ubarana, o próprio Haroldo Maranhão, o gás dado pelo Buraco da Catita, ao trabalho articulado do Centro Dosol e Casa da Ribeira.

A vida boêmia em Natal - 1939/1940

por Elísio Augusto de Medeiros e Silva
em Natal de Ontem

Por volta de 1939, início da II Guerra Mundial, os cabarés mais famosos de Natal situavam-se na Ribeira. Bastante freqüentados, eram muito populares, fazendo parte integrante da vida boêmia da cidade, que se iniciava depois das 9 horas da noite, quando as famílias já tinham se recolhido.

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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A luta pela superação do neoliberalismo

por Emir Sader
(via @tetebezerra13)

O certo é que ser de esquerda hoje é de lutar contra o neoliberalismo, não apenas resistindo a ele, mas sobretudo construindo alternativas a este modelo, alternativas que projetem para além do capitalismo. O neoliberalismo promove um brutal processo de mercantilização das coisas e das relações sociais. Tudo passa a ter preço, tudo pode ser compra e vendido, tudo é reduzido a mercadoria, em um processo que tem no shopping center sua utopia.

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Movidos a vapor

por Bruno Moreschi
na Revista Piauí

O termo steampunk surgiu na década de 1980, quando os escritores americanos Bruce Sterling e William Gibson lançaram livros de ficção científica ambientados no século XIX. Durante uma entrevista, quando lhe perguntaram se havia criado um novo subgênero literário, Sterling concordou e, de brincadeira, juntou as palavras steam (“vapor”) e punk (referência, no caso, ao cyberpunk, uma vertente nostálgica da ficção científica) – era assim que definia sua escrita.

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No cinema, a história de um crime de 20 trilhões de dólares

por Marco Aurélio Weissheimer
em Carta Maior

Como causar uma quebradeira de 20 trilhões de dólares, por meio de uma farra de negócios especulativos, e cobrar a conta de milhões de pobres mortais que não participaram da festa? O documentário Inside Job (“Trabalho interno”, em português) responde essa pergunta mostrando o comportamento criminoso de agentes políticos e econômicos que conduziu à crise econômica mundial de 2008.

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Crispiniano responde a Isaura

Pessoas, façam uma pipoca doce, abram uma lata de coca-cola e comecem a ler a resposta de Crispiniano Neto a Isaura Rosado. O rapaz poupou eufemismos e desceu a lenha. o texto figurou em sua coluna, no jornal O Mossoroense e foi pinçado por Tácito. Leia AQUI.

Novo Diário do Tempo

Amigos leitores, a atualização hoje foi pouca decorrente de várias atribuições e uma delas foi o primeiro passo para reformulação desse sítio. O mesmo nobre rapaz responsável pelo site Substantivo Plural, de Tácito Costa, elaborará o novo layout do Diário do Tempo. Em fevereiro deverá estar pronto. Virá mais funcional e mais narcisista, já que reclamaram das minhas fotos sempre de costas. O espaço para colaborações será facilitado e acredito na redução dos comentários maldosos pela exigência da identificação. Por hora, continuemos com meu cabeção aí acima. E deixa eu voltar ao fechamento da Palumbo 11, que também virá por aí nesses dias.

Cachês relativos ao projeto da árvore de natal, só em fevereiro

O cachê dos artistas partícipes dos shows no palco montado no entorno das árvores de natal em Mirassol e Panatis só será pago na segunda quinzena de fevereiro. O atraso decorreu de desistência “de última hora” da multinacional Nestlê no patrocínio do evento, segundo informação repassada pela assessoria de imprensa da Fundação Capitania das Artes. Os motivos da desistência não foram esclarecidos.

A prefeitura de Natal precisa esperar a abertura do Orçamento Anual para o exercício de 2011 e cobrir os R$ 133 mil relativo aos investimentos no projeto iniciado em 7 de dezembro e finalizado em 6 de janeiro. Segundo a assessoria, a previsão para abertura do Orçamento de 2011 é 14 de fevereiro. Só após a abertura a prefeitura fará o repasse à Funcarte para o pagamento dos artistas.

Na manhã de ontem o presidente da Funcarte, Rodrigues Neto, esteve reunido com o prefeito em exercício, Paulinho Freire. Informação extra-oficial informa que há chance de a verba sair já da reunião para evitar mais reclamações generalizadas de artistas via Twitter, iniciada no último fim de semana. Entre artistas e demais envolvidos no projeto, cerca de 300 pessoas esperam pagamento.

O cachê dos artistas foi negociado de forma individual. Os valores variam entre R$ 800 e R$ 3 mil, para duas apresentações: nas árvores de Mirassol e Área de Lazer do Panatis. Após contornar mais esse atraso de cachês, a Funcarte estuda projeto para continuidade da programação musical das árvores para o resto do ano. A assessoria da Funcarte também informou que outros patrocinadores ainda não pagaram, mas que os valores já têm outras destinações.

O cachê relativo aos participantes do Cortejo Natalino também faltam serem pagos. O motivo também foi ocasionado pelo atraso do repasse da Petrobras, segundo informação que uma das artistas colheu junto à Funcarte. A assessoria do órgão disse que, ao contrário da Nestlê, as outras patrocinadoras cumprirão os contratos firmados para o Natal em Natal.

Sai a lista dos indicados ao Prêmio Shell de São Paulo

No Estadão

A Shell anunciou nesta segunda-feira a lista dos indicados da 23ª edição do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo, que vai premiar peças que estrearam no segundo semestre de 2010. Os espetáculos As Três Velhas e Vida foram os campeões de indicações (três cada).

Confira a lista dos finalistas AQUI:

Continuação de Avatar em 2014 e 2015

O diretor James Cameron confirmou as datas de lançamento das duas sequências do filme "Avatar", maior bilheteria de todos os tempos. Segundo contou ao site da "Entertainment Weekly", os filmes chegarão às telas no Natal de 2014 e de 2015, respectivamente.

A desmoralização dos prêmios literários no Brasil

por Julio Daio Borges
no Digestivo Cultural

Foi o Piauí Herald quem prometeu instituir um prêmio para todos os não-premiados do nosso cinema. Apesar dos “festivais” de cinema pululando a cada cidadezinha, a Piauí brincava com o fato de ser quase impossível encontrar um filme brasileiro não-premiado. Ainda que não haja tantas “festas” literárias quanto festivais de cinema, a premiação excessiva da literatura contemporânea nos conduz a uma conclusão parecida...

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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Aos pássaros livres

por Augusto Lula
em comentário no Substantivo Plural

O mundo ainda não se resume somente a internet. Ainda existem textos em papel e filmes no cinema e no DVD e conversas não virtuais. Bom você dizer o que está lendo e vendo e conversando. Também tenho uma pilha de coisas pra ler, escrever, conversar etc. É hora de lembrar Mallarmé:

A carne é triste, sim, e eu li todos os livros.
Fugir! Fugir! Sinto que os pássaros são livres,
Ébrios de se entregar à espuma e aos céus imensos.
Nada, nem os jardins dentro do olhar suspensos,
Impede o coração de submergir no mar
Ó noites! nem a luz deserta a iluminar
Este papel vazio com seu branco anseio,
Nem a jovem mulher que preme o filho ao seio.
Eu partirei! Vapor a balouçar nas vagas,
Ergue âncora em prol das mais estranhas plagas!

Um Tédio, desolado por cruéis silêncios,
Ainda crê no derradeiro adeus dos lenços!
E é possível que os mastros, entre as ondas más,
Rompam-se ao vento sobre os náufragos, sem mas-
Tros, sem mastros, nem ilhas férteis, a vogar…
Mas, ó meu peito, ouve a canção que vem do mar!

"Mordomia" de políticos na Suécia

Imagine aqui, Garibaldi lavando roupa, com aquela agilidade peculiar. Wilma varrendo a casa, com toda a garra da guerreira. Ou o Zé Agripino, passando roupa com a desenvoltura dos seus discursos. Ah, mundo utópico!

Como um pássaro que fareja ilhas poéticas


por Carlos Gurgel

o underground potiguar perde um dos seus principais nomes. faleceu bianor paulino, poeta que escrevia sobre a vida de quem sobrevive na terra/guerra. nunca fui muito próximo a ele, mas sempre acompanhava sua poesia e seus textos solares. uma vez, na casa que morei, na romualdo galvão, ele foi me visitar, acompanhado de jota medeiros e seus sonhos. parecia, com aquela sua voz barítona, um czar rodeado de medalhas e prêmios. depois, sumiu, como um pássaro que sempre fareja portos e ilhas poéticas.

com ele, vai a experiência de uma vida dedicada a um folhetim de experiências pelos labirintos da cidade dos Reis, onde, audazmente, costumizava incompreensões e chistes.

assim, frequentemente constata-se um infortúnio enorme, quando um artista que pulsa na aldeia alternativa, se vai.

quando poderemos mudar isso?

lá, no céu que escolheu, Bianor dedilha modinhas tropicalistas e a fartura de um cáos criativo.

Poeta Bianor Paulino faleceu

O poeta e professor Bianor Paulino faleceu. A notícia me foi dada agora há pouco pelo presidente da Samba, Augusto Lula, via e-mail. Bianor era ilustre frequentador do Beco da Lama. Formado em Letras e Filosofia, seu nome figura em antologias poéticas e crônicas nos jornais da cidade. Tem intimidade com a poesia visual, com o poema processo. Nunca troquei palavra com o professor. Mas pelos elogios, pareceu ser uma grande figura humana. E esse mês de janeiro está estranho, muito estranho.

Saiu a lista do Framboesa de Ouro

Já saiu a lista dos indicados ao Framboesa de Ouro, que relembra o que de pior aconteceu no cinema no ano passado. A novidade para esse ano é a categoria "Pior Uso do 3D". Entre os indicados, Eclipse, O Último Mestre do Ar, Sex and the City 2, entre outros.

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A quem servem os teatros potiguares?

Natal é cidade estranha. Construída sob dunas, aqui nada se sustenta. É o que supõe a atriz Quitéria Kelly. E não é pra menos. Se Khrystal lota grandes teatros em outros estados, na Natal de poetas em cada esquina e jornais em cada beco, ela não se arrisca em show solo no Teatro Alberto Maranhão. É prejuízo na certa, mesmo com ingressos populares. Esse desprestígio com a cena local é quase antropológico. Merece estudo aprofundado, ainda inédito - uma análise além das superficiais reclamações do espaço dito elitizado no Teatro Riachuelo aos artistas locais.

Nenhum potiguar lotou o TAM com show solo e ingresso pago. Dessa maneira, o principal teatro público do Rio Grande do Norte fica inviável ao artista local. A matemática é simples: a pauta mínima do TAM custa R$ 700. Ingressos a R$ 20 e R$ 10 (meia) chegam a uma média de R$ 15. Se preenchidos os 600 assentos, renderiam R$ 9 mil. O valor seria razoável para pagamento de cachê do cantor, dos músicos da banda, da pauta do teatro, produção, equipamento de som e luz, e divulgação. O problema é: não lota. E o que seria razoável se torna inviável.

Que dizer, então, de um teatro privado e luxuoso? A pauta mínima do Teatro Riachuelo é R$ 8 mil. É o valor necessário para cobrir custos de equipamento de primeiro mundo e artistas à altura, ou pelo menos com popularidade suficiente para lotar o teatro e viabilizar o show, com lucro - por maior ou menor que seja - para produtores, realizadores e artistas. Sem falar do próprio investimento de R$ 50 milhões na construção de um teatro único no estado. Ou no conforto oferecido no quesito segurança, estacionamento, localização e serviço de restaurantes.

Diante dos cálculos, qual a solução para o artista local desfrutar dos melhores palcos da cidade? Abrir shows dos nomes nacionais. É a fórmula do projeto Seis & Meia e outros, patrocinados pela iniciativa privada. Foi dessa forma que Khrystal se apresentou no Auto de Natal para 23 mil pessoas no Machadão e foi aclamada antes do show de Roberta Sá. Projetos formatados apenas com artistas potiguares a exemplo do Poticanto ou Cantando & Conversando, ficam limitados a palcos menores como o Teatro de Cultura Popular, Casa da Ribeira e outros.

Essa fórmula usual de artistas local e nacional tem sido buscada pelo produtor José Dias e Carlos Konrath, diretor da empresa Opus, responsável pela programação do TR. Ambos pretendem levar o artista potiguar aos dois principais palcos do Estado. José Dias apresentará nos próximos dias um projeto ao Governo do Estado para um show mensal no TAM. Independente do apoio, o primeiro show já foi agendado para março, com Renato Braz e Zé Renato, e abertura com Khrystal. "Não é um Seis & Meia. A ideia é firmar parceria com o Governo e não deixar o TAM ser o pobre menino da história", disse o produtor.

Caso o Seis & Meia voltasse com dois shows ao mês e o projeto de Zé Dias fosse aprovado, o TAM preencheria três semanas com apresentações de potiguares e shows nacionais de qualidade a preços populares. "Vou arriscar esse primeiro show na cara e na coragem para tentar patrocínio para o próximo e consolidar a ideia. Assim surgiu o Seis & Meia", ressalta o produtor, já com um segundo show engatilhado para o projeto, com o Quinteto Violado. A Petrobras convidou Zé Dias a apresentar projeto para uma ação no TAM, no mês de outubro. "Não podemos deixar o TAM morrer", conclui o produtor.

Shows de abertura e incentivos público-privados
A Petrobras pode ser a responsável por abrir as portas do Teatro Riachuelo ao artista potiguar. Leila Pinheiro deverá estrear um projeto ainda em sigilo, com abertura do show por algum talento local. Carlos Konrath não confirma. Mas adianta que tem "trabalhado em projetos que impulsionem a cultura local e formem nova plateia". Segundo ele, em Porto Alegre foram criadas condições para que 17 mil pessoas que não teriam acesso ao Teatro, pudessem assistir grandes espetáculos. "Mas isso depende de amadurecimento e dos poderes público e privado", pondera.

A atriz Quitéria Kelly lembra de projetos bem sucedidos de ocupação do TAM e, com parcerias públicas e privadas, poderiam ser estendidos ao TR. "O Projeto Escola vende ingressos para alunos que normalmente nunca entraram num teatro, em shows musicais e espetáculos de teatro promovidos durante a manhã e tarde, quando teatros geralmente estão fechados. Ajuda a formar plateia, dá oportunidade ao artista e tem viabilidade aos realizadores". A atriz lembra ainda do edital Auxílio Pauta, lançado pela Funcarte em 2009. Cada um dos cinco grupos contemplados montaria temporada com quatro pautas no Teatro de Cultura Popular, Casa da Ribeira ou TAM. Mas o edital não foi pago.

* Publicado domingo no Diário de Natal

Noite do pen drive no Lá na Carioca

O bar Lá na Carioca, da produtora gente fina Biba Thompson, reabre nesta segunda-feira com uma ideia nova. É a noite do pen drive. No comando, Anderson Legal (ex-um bocado de banda.rs). Começa a partir das 18h. Contato: 9404-3456. O Lá na Carioca está localizado na Rua Gonçalves Ledo, 808 - Centro. É a rua do Bardallo's, mais embaixo, já próximo à Cosern.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Blogueiros Progressistas recebem Miguel Nicolelis

Release

O Movimento de Blogueiros Progressistas do RN receberá o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis na próxima sexta-feira, 28 de janeiro. Nicolelis, recém-chegado ao twitter e cientista bastante engajado em causas sociais, falará sobre o tema "Redes sociais, participação política e desenvolvimento da ciência". Mediado pelo jornalista Sérgio Vilar, o evento começará às 20 h, no auditório da livraria Siciliano

Para debater com Nicolelis, o professor José Luiz Goldfarb, da PUC-SP, também participará do evento através de videoconferência pela Internet. Além disso, todo seminário, que terá duração de duas horas, será transmitido via twitcam, através do perfil @blogprogRN. Os interessados em participar no local precisam se inscrever através do e-mail blogprogressistasrn@uol.com.br. Apenas 50 pessoas poderão acompanhar o evento dentro do auditório.

Miguel Nicolelis é médico com doutorado em Ciências (Fisiologia Geral) pela Universidade de São Paulo. Atualmente é professor titular do Departamento de Neurobiologia e Co-Diretor do Centro de Neuroengenharia da Duke University (EUA), professor do Instituto Cérebro e Mente da Escola Politécnica Federal de Lausanne (Suíça) e Diretor Científico do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS). Nicolelis é considerado um dos maiores pesquisadores do planeta na área de neurociências e, por diversas vezes, lembrado para o Prêmio Nobel. Ele lidera pesquisas que podem, por exemplo, representar avanços históricos no tratamento do Mal de Parkinson.

Já o professor José Luiz Goldfarb é graduado em Física pela USP, mestre em Filosofia e História da Ciência (McGill University, Canadá) e doutor em História da Ciência pela Universidade de São Paulo. Atualmente é professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, vice-coordenador do Programa de Estudos Pós-Graduados em História da Ciência. Além disso, coordena o Twitter da PUC/SP e é presidente da Cátedra de Cultura Judaica da Universidade. É também coordenador de diversos programas de incentivo à leitura, como o "São Paulo: um Estado de Leitores", da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, além de ser curador do Prêmio Jabuti da Câ mara Brasileira do Livro.

Blogueiros Progressistas

O movimento dos blogueiros progressistas reúne blogueiros e tuiteiros de todo país que se reconhecem a partir de seus ideais humanistas em busca de produzir uma comunicação compartilhada, democrática e autônoma, tendo nascido a partir da articulação do Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé.

O seu primeiro encontro nacional reuniu mais de 300 blogueiros, tuiteiros, ativistas e curiosos em São Paulo nos dias 20, 21 e 22 de agosto de 2010. Os blogueiros progressistas do RN estão organizando o seu I Encontro Estadual para o período de 25 a 27 de março de 2011.

Serviço

"Redes sociais, participação política e desenvolvimento da ciência", com prof. Miguel Nicolelis. Participação do prof. José Luiz Goldfarb e mediação do jornalista Sérgio Vilar.

Data: 28/01/2011
Local: Auditório da Livraria Siciliano (Midway Mall, em Natal/RN)
Horário: 20h
Inscrição: através do e-mail: blogprogressistasrn@uol.com.br.
Outras informações: (84) 8719 1700

Nota de Esclarecimento do MinC

A retirada da referência ao Creative Commons da página principal do Ministério da Cultura se deu porque a legislação brasileira permite a liberação de conteúdo.
Não há necessidade de o ministério dar destaque a uma iniciativa específica. Isso não impede que o Creative Commons ou outras formas de licenciamento sejam utilizados pelos interessados.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Secretaria de Cultura pode ter sede na Praça Augusto Severo

por Eduardo Alexandre (Dunga)
via e-mail

O Diário Oficial de ontem, 21 de janeiro, publicou a Portaria Nº 002/11, de 13/01/2011, que institui Grupo de Trabalho para elaborar propostas de criação da Secretaria Executiva da Cultura e do Fundo Estadual de Cultura.

O Grupo de Trabalho é composto pelos servidores Ivanira Ribeiro Machado, Francisco José de Araújo Alves, José Rossiter de Araújo Braulino, Verônica Maria de Lima Ribeiro e Maria Helena Neta, que têm o prazo de 30 dias para concluir o trabalho.

A Secretária Extraordinária de Cultura, Isaura Rosado, está fazendo gestões no intuito de que a Secretaria recém-criada funcione onde foi a sede da Junta Comercial do Estado, à Praça Augusto Severo, 111, na Ribeira.

É intenção da secretária levar a Gráfica Manibu, da Fundação Augusto, para o prédio onde funciona o Diário Oficial do Estado, onde funcionou A República, onde pretende instalar uma escola gráfica.

Atraso de cachês depende de patrocínio

O presidente da Funcarte pediu paciência aos artistas em razão do atraso de pagamento do cachê relativo aos shows nas árvores de natal. Foi no twitter. Segundo Rodrigues Neto, "depende de patrocínio". E de cá, penso eu: quando até a iniciativa privada dá as costas à cultura, melhor mudar o roteiro do Baixo de Natal deste ano e firmar o compromisso com a debandada dos artistas da cidade. Não vislumbro solução.

Campus Party põe em discussão o ''fim da internet''

por Alexandre Melo
no Estado de São Paulo (via @DinarteAssuncao)

Pedro Dória, editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado, discorda. Acredita que este seja mais um fim da internet, que vai surgir novamente, de outra forma. Mas não vê mal nenhum em existirem plataformas fechadas. "Isso (app no smartphone) é fácil de usar. A web como plataforma é difícil."

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Noca da Portela hoje em Natal

O Espetinho do Samba - na Praia do Meio - recebe hoje seis décadas do mais genuíno samba carioca. Apesar de nascido em Minas Gerais, Osvaldo Alves Pereira foi levado ao Rio ainda menino, na década de 30. A carreira de compositor, instrumentista e cantor de Noca da Portela foi elevada ao cume apenas em 1967, quando Paulinho da Viola mostrou a ala de compositores da Portela e Elza Soares gravou Portela querida. De lá pra cá coleciona sucessos na voz de Alcione, Nelson Gonçalves, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Bezerra da Silva e outros.

Noca da Portela tem hoje 77 anos de vida e 60 de samba. São mais de 360 músicas catalogadas e gravadas. É essa bagagem nascida nos morros cariocas de São Cristóvão que o Verão Fest Samba apresenta hoje no Espetinho do Samba (em frente à estátua de Iemanjá, na Praia do Meio) a partir das 12h, com caipirinha e feijoada free e mais quatro grupos de samba: Roda de Bambas, Pela Hora, Legal D+ e NG - Nosso Grito. O local tem tradição. Foi lá, no antigo Sarava, o primeiro bar com rodasde samba regulares em Natal, com a quase lendária banda comandada por João de Orestes. (SV)

Verão Fest Samba
Quem: Noca da Portela (RJ), Roda de Bambas, Pela Hora, Legal D+ e NG - Nosso Grito
Onde: Espetinho do Samba (Praia do Meio, em frente à estátua de Iemanjá), a partir das 12h
Entrada: R$ 10 (preço único)
Contato: 8803-0981 / 8725-4080

* Publicado hoje no Diário de Natal

Elvis Costello no Brasil

Com um novo disco recém-lançado, Elvis Costello volta ao Brasil com sua banda The Imposters para dois shows da nova turnê. O músico se apresenta no dia 5 de abril em São Paulo, no Credicard Hall, e no dia seguinte, 6 de abril, no Rio de Janeiro, no Citibank Hall.

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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Forró na Feira do Alecrim


Um novo projeto estreia em Natal na manhã deste sábado. Original, gratuito e com cheiro sertanejo. É o Forró nas Feiras. A proposta é levar às feiras de Natal o legítimo forró nordestino pelos instrumentos, voz e música do grupo Forró Namanha, com destaque para composições de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Marinês e do potiguar Elino Julião, além das composições autorais do grupo.

A estreia será na Feira do Alecrim, a partir das 9h. E durante a apresentação, no intervalo das músicas, os integrantes do grupo conversam com o público sobre o forró: Histórico, Origem do Nome, Formação dos Trios e Grupos de Pé de Serra, Artistas Pioneiros do Forró, além de mostrar e tocar individualmente os instrumentos musicais utilizados na execução do pé de serra: Triângulo, Zabumba, e Sanfona.

O projeto contará ainda com um casal de dançarinos que apresentará ramificações do Pé de Serra através de danças como: baião, xote, xaxado, coco, vanerão e quadrilhas juninas. Segundo o produtor Marcelo Veni, a estrutura de som e tenda possibilita a montagem do projeto nos locais escolhidos (feira da cidade da Esperança, Feira do Alecrim e Feira das Rocas) em forma de “Aula-Musical”, divulgando o forró da gente com música e informação.

Durante cada apresentação serão distribuídos 300 cd´s cópias do CD autoral do grupo intitulado Tú + Eu e Eu + Tú, como forma de aproximar o público com a produção musical da cidade.

Projeto Forró nas Feiras
Data e hora: amanhã, sempre às 9h
Local: Feira do Alecrim
Acesso livre

Micarla alcança o Trending Brazil

O prazo estipulado do pagamento dos artistas participantes do projeto das árvores de natal montadas em Mirassol e Panatis foi encerrado ontem e nenhum tostão saiu dos cofres municipais. A árvore até rendeu frutos. Mas aos artistas o gosto foi amargo. Quase uma maça do Éden; um fruto sempre "proibido"; um cachê sempre tentador. E quando mordem a isca...

A grita começou no Twitter. Quando pensamos em melhor organização das finanças e planejamento da Funcarte, iniciamos o ano com essa notícia. Triste notícia que acrescida ao aumento de ônibus, elevou a prefeita Micarla aos tops do TTs no Twitter. Vejam abaixo algumas revoltas tuiteiras. E boa sorte aos aventurosos "artistas carnavalescos"!.

@RosadePedra com os 2 shows da árvore são 4 cachês que a #prefeituradonatal devem a banda...desde 2009...q tipo de valorização à cultura é essa????

@mcpriguissa eu preciso do meu cachê atrasado, pra gravar os meus 200 cds virgens que a #fundação me deu ! #foramicarla

@marceloveni Ouvi a pouco por telefone um músico dizer q pode ser despejado da casa se não pagar o aluguel hj

@simonatalma Micarla os artistas estão sofrendo, pq já estamos 1 mês esperando receber, todo mundo liso, pagando pra trabalhar! #foramicarla

@Jorge_Maravilha @simonatalma tamo junto vamos tirar essa doida do poder #foramicarla

@digowmarques Tb estou nesse aguardo!!

@marceloveni @simonatalma @Luiz_Gadelha eu e os artistas @MrSohSDS @SnoopSoul @MobyDickBand Forró Namanha,Faces Negras e Nade1, estamos na mesma situação

@Luiz_Gadelha quando chamam a gente pra tocar, pedem documentação, bla bla bla pra acelerar o processo do pagamento dos cachês...a gente ateh acredita

@marceloveni Vale lembrar que nenhum artista nacional tá reclamando seu cachê do Natal em Natal. Claro foram pagos antes de realizarem os shows.

@chrystine_silva Pro Brasil o Natal em Natal é um evento grandioso mas só os artistas daqui é que sabem que pagam pra trabalhar! #foramicarla

@adriana_amorim #foramicarla no Trending Brazil...

A gafieira da Catita e Perfume de Gardênia

Penso que seja o segundo show cobrado no Buraco da Catita o que acontece neste sábado: um grande show baile com Catita, Choro e Gafieira e Perfume de Gardênia. O primeiro, com CD recém-lançado e sob a regência do maestro Neemias Lopes e participação de diversos artistas, entre eles Maíra Sales e Eric Von Sosten, além de músicos consagrados de nossa cidade, como Camilo Lemos, Marcelo Tinoco, Gilberto Cabral, Ronaldão e outros. E o segundo comemorando 10 anos de estrada, três CDs e um DVD lançados. O ingresso custará 20 reais. Informações e reservas: 88553916 / 94074678 / 94475622.

Ministra Ana de Hollanda define equipe do Minc

Release

Brasília, 21 de janeiro de 2011 – A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, define a equipe com que vai implementar as políticas culturais do governo da presidenta Dilma Rousseff. São duas as mudanças estruturais. Uma é a criação de uma Secretaria da Economia Criativa. “Não é possível ignorar, neste início do século XXI, a importância da economia da cultura para a construção de uma nação desenvolvida. Por isso, decidimos criar uma estrutura que possa pensar todas as potencialidades desta área no Brasil”, afirma a ministra.

A segunda alteração é a unificação das atuais Secretaria de Cidadania Cultural e Secretaria da Identidade e Diversidade na nova Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural. “A nova secretaria terá áreas específicas para cuidar de cada tema, mas ganhará em eficiência por meio da integração das políticas voltadas ao cidadão, que antes eram executadas em secretarias diferentes”, explica a ministra.

A seguir, os nomes escolhidos pela ministra:

Secretário-executivo: Vitor Ortiz, secretário da Cultura das cidades gaúchas de Viamão (1997/2000), Porto Alegre (2002/2004) e São Leopoldo (2009/2010). Foi diretor da Funarte e diretor de relações institucionais da Bienal de Artes Visuais do MERCOSUL e gerente da Gerência Regional da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) no Rio de Janeiro.

Secretário de Articulação Institucional: Roberto Peixe, designer, arquiteto e gestor cultural, foi secretário de Cultura de Recife de 2001 a 2008. Antes, havia sido Secretário do Patrimônio Cultural e Turismo da cidade de Olinda, em 1995. A partir de 2009, assumiu o cargo de Coordenador Geral de Relações Federativas e Sociedade da Secretaria de Articulação Institucional do Ministério da Cultura, e passou a coordenar a elaboração e implantação do Sistema Nacional de Cultura (SNC).

Secretária do Audiovisual: Ana Paula Santana, advogada, especialista em relações internacionais e gestão do entretenimento. Entrou na SAV em 2002 como estagiária. Depois, foi para a coordenação internacional da SAV e para a área de fomento a programas e projetos audiovisuais. Foi chefe de gabinete e, depois, Diretora de Programas e Projetos Audiovisuais, cargo que ocupava até agora.

Secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural: Marta Porto, mestre em Ciências da Informação pela UFMG, especialista em políticas de comunicação, cultura e investimento social privado. Consultora de entidades e organizações multilaterais como a UNICEF. Foi Diretora de Planejamento e Coordenação Cultural da Secretaria Municipal de Cultura de Belo Horizonte (1994/96) e Coordenadora Regional do Escritório da UNESCO do Rio de Janeiro (1999/ 2003).

Secretária da Economia Criativa: Cláudia Leitão, Doutora em Sociologia pela Université de Paris V, é professora do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Sociedade da Universidade Estadual do Ceará (UECE), onde lidera o Grupo de Pesquisa sobre Políticas Públicas e Indústrias Criativas. Foi Secretária da Cultura do Estado do Ceará no período de 2003 a 2006.

Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura: Henilton Menezes, produtor cultural e consultor para elaboração de projetos. Foi gerente da área de cultura do Banco do Nordeste, sendo responsável pela criação e desenvolvimento do Programa BNB de Cultura, edital de patrocínios culturais e pela instalação da rede de centros culturais da estatal. É secretário de Fomento e Incentivo à Cultura desde o início de 2010.

Secretário de Políticas Culturais: Sérgio Mamberti, ator e dramaturgo, foi secretário de Artes Cênicas; de Música; e de Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura. Em 2008, assumiu a presidência da Fundação Nacional das Artes (Funarte).

Diretor-geral da Agência Nacional de Cinema: Manoel Rangel, neste mesmo cargo desde dezembro de 2006, é cineasta, formado pela Universidade de São Paulo (1999). Foi presidente da Comissão Estadual de Cinema da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo (2001/2002) e assessor especial do ministro Gilberto Gil (2004/2005), quando coordenou o grupo de trabalho sobre regulação e reorganização institucional da atividade cinematográfica e audiovisual no Brasil.

Presidente da Fundação Biblioteca Nacional: Galeno Amorim, jornalista e escritor, foi secretário de Cultura de Ribeirão Preto na gestão do então prefeito Antonio Pallocci. Presidiu o Comitê Executivo do Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe e participou da criação do Plano Nacional do Livro e Leitura. É diretor do Observatório do Livro e da Leitura e consultor internacional de políticas na área.

Presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa: Emir Sader, formado em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Aposentou-se como professor de sociologia. Passou a ser professor da UERJ, onde trabalha, nos cursos de Políticas Públicas e História. Autor, entre outros, de “A nova toupeira”, e organizador de “Latinoamericana – Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe”, ganhador do Prêmio Jabuti como o melhor de não-ficção do ano.

Presidente da Fundação Cultural Palmares: Eloi Ferreira, ex-ministro da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) em 2010. Antes, havia ocupado a secretaria-adjunta da Seppir e coordenado a equipe organizadora da 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial.

Presidente da Fundação Nacional das Artes: Antonio Grassi, ator, diretor e produtor, cursou Ciências Sociais na UFMG. Foi secretário de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, além de presidente da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro e presidente da Funarte. Atuou como assessor especial do Governo do Estado de Minas Gerais. Ocupava, até agora, o cargo de gerente executivo regional da TV Brasil no Rio de Janeiro.

Presidente do Instituto Brasileiro de Museus: José do Nascimento Jr, formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi diretor do Departamento de Museus e Centros Culturais do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DEMU/Iphan). Preside o Ibram desde a criação da autarquia, em janeiro de 2009.

Presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional: Luiz Fernando de Almeida, arquiteto. Lecionou na área durante 16 anos. Atuou em projetos de Desenvolvimento Urbano e de Habitação na Companhia Metropolitana de Habitação, na Empresa Municipal de Urbanização e na Câmara Municipal de São Paulo. É presidente do Iphan desde 2006.

Hoje tem Khrystal no Praia Musical

Sábado de rock

No Diário de Natal
matéria de hoje

Você aí, usa sapato? Nas canções em maioria autobiográficas - segundo palavras do próprio vocalista e compositor Chorão - Não uso sapato se destaca ao expor preferências da banda no refrão: "Eu não sei fazer poesia... Mas que se foda! Eu odeio gente chique, eu não uso sapato... Mas que se foda!". Afora as frases afirmativas da música, a banda tem o mérito de emergir de uma geração pós-oitentista - época pós-tropicalista, quando o rock distorceu guitarras, saiu da garagem e encontrou os palcos de Brasília e São Paulo, em época conturbada da política nacional.

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Entrevista - Jailson Santos (Cavaleiros do Forró)

E por falar em mercado, o blog abre espaço a todas as manifestações de arte. Contesta, critica, questiona. Mas dá as chaves da cela. O sol é pra todos. A poesia da lua é que é de poucos.

"O povo é quem dita o que quer consumir"

Três nomes populares do forró dito eletrônico animam o Cirquinho de Pirangi na noite de hoje. Dorgival Dantas e as bandas Cavaleiros do Forró e Ferro na Boneca. A Casa abre às 21h. Os ingressos custam R$ 25 (preço único), à venda na Botton (do Midway e Natal Shopping). A exceção de Dorgival - dos compositores mais bem sucedidos de 2010, segundo dados do Escritório de Arrecadação de Direitos Autorais (ECAD) - as outras duas bandas sofrem críticas dos formadores de opinião, mesmo com hits na rádio e shows lotados. Teóricos da indústria cultural explicam efeitos de causas e consequências. Questão de mercado. Mas outro fator merece reflexão: o sucesso é refém do desrespeito? É até comum ouvir a mulher chamada de "rapariga" ou o homem de "corno" e alusões ao alcoolismo nas canções do forró atual. Herança de Genival Lacerda? Talvez, não. O irreverente compositor e intérprete cantava o imaginário popular e sertanejo com algum sarcasmo, mas sem ofensas. O vocalista da banda potiguar Cavaleiros do Forró, Jailson Santos, responde a essas questões e comenta o trabalho do grupo, que completa 10 anos em 2011.

Entrevista - Jailson Santos

Como vocês encaram shows lotados, sucesso em rádios locais e de outras capitais nordestinas e, em contraponto, críticas dos formadores de opinião quanto ao estilo de música apresentado?
Fazemos uma média de 28 shows por mês, fazendo um pouco mais em junho, que já chegou a 42. E graças a Deus temos notado preconceito muito menor com nosso ritmo, que antes era exclusivo do Nordeste. Hoje já tocamos muito na região Sudeste, em especial dos estados de SP e MG. E o Cavaleiros sempre teve boas execuções de suas músicas em rádios, o que ajudou muito a propagar nosso sucesso e também a levar muito mais gente aos shows. Em festas no meio da rua já chegamos a colocar mais de 100 mil pessoas. Em festas de ingressos, uma média de 10 mil pessoas assistem cada show nosso.

Qual o limite (se é que há) entre a "brincadeira" e o desrespeito nas letras que denigrem a imagem da mulher e do homem, quando os chamam de 'rapariga' e 'corno'?
Tudo é brincadeira, e nunca fazemos nada para desrespeitar nem desmoralizar o ser humano.Esse nosso mercado muda muito. E o povo é quem manda, dizendo o que quer consumir em determinada fase. Hoje, vivemos um momento onde as músicas românticas, na batida do vaneirão, estão sobressaindo. São músicas que não têm palavrão, nem falam de chifre, nem de cachaça. Mas, não podemos deixar de lembrar que músicas assim viraram grandes hits com Cavaleiros, como Se réi pra lá, Senta que é de menta, Cachaça, mulher e gaia, entre outras.

Temos o exemplo de Genival Lacerda que cantava O que ela tem, ela dá pra todo mundo. A ironia, o duplo sentido, pode ser o caminho?
O duplo sentido existe há muito tempo mesmo, e tem um público que adora, que não diminui em nada o forró. Se formos parar para analisar, grandes artistas também fizeram sucesso com músicas com dois sentidos, como o Rei Roberto Carlos.

Alguns ambientes como o Forró da Lua restringiram seu espaço ao chamado "forró de raiz". O forró que vocês e outras bandas de sucesso tocam seria classificado como?
Um forró moderno, com bateria, metais, até percussão...

Contem o espaço que vocês conquistaram. Fala-se em Marina Elali, mas no forró também temos representantes com alcance nacional.
Em 2011, a banda completará dez anos. São nove CDs e cinco DVDs oficiais, afora os que gravamos chamados 'promocionais'. Fazemos 300 shows por ano, e isso tem crescido a cada ano. Já participamos de grandes programas de televisão, como Faustão, Hebe, Gugu, Eliana, Ana Hickman, etc. Só o Cavaleiros emprega hoje diretamente mais de 60 funcionários. Temos uma carreira sólida, e agradecemos muito à imprensa e aos fãs que sempre foram parceiros e fiéis, em todos os momentos.

* Publicado hoje no Diário de Natal (AQUI)

O olho mudo

por Jarbas Martins
em comentário neste blog

Como a poesia, Serjão. não está nem aí para o mercado, vou lançando pela blogosfera meus poemas.Segue este:

O OLHO MUDO

implacável de sono
e bronze
não espera a navalha
longitudinal
que o seccione

nem abarcará
o espetáculo da manhã
em sua paralítica
campimetria vã

antinarcísico
não o verão comovido -
sua imagem neutra
no olho em chamas de nina rizzi

dançar poderão de mãos dadas
até à exaustão
os camaradas búlgaros

as estrelas cadentes
e as dunas velozes
as bodas do sol com a chuva
jamais o despertarão

uma lua de agosto
com o seu manto rendado
nunca

nunca o protegerá.

(JM)

Ainda os reféns dos produtores

por Anderson Foca
em comentário no post Refém de produtores

Isso aí é uma visão oitentista do processo. Artista tem que fazer boa música, saber se virar sozinho, fechar seu próprio show e tomar conta do seu negócio.

Nunca vi um micro-empresário sair contratando produtor e equipe antes mesmo da demanda do negócio exigir, mas na música o cara faz dois shows num mês e já precisa de um produtor porque "não dá conta".

Quanto antes a turma acordar mais longe da inércia vai ficar. É minha opinião. No camarones não temos produtores, cada um faz sua parte no processo e a coisa tem dado certo.

Do blogueiro: Concordo com 90% do dito. Sugiro até discussão ampliada do assunto em futuros seminários, palestras. De repente, uma oficina inserida em algum evento. Acredito que muitos músicos precisam dessa visão e têm muito o que aprender. Discordo de que o Camarones não tem produtor. Tem, mesmo que informalmente. Sua visão de mercado é, segundo expressão do próprio Zé Dias, "acima da média". E mesmo que não assuma o posto, tem contatos e o know how para tal. Tomo como exemplo um Pedrinho Mendes. Tivesse ele um bom produtor ou essa bagagem descrita por você, estaria em situação bem mais confortável. Imagina se ele soubesse os caminhos do edital da Petrobras conquistado pelo Camarones! Falta iniciativa, de Pedrinho e outros mais. Reclamar é fácil (frase até clichê). Correr atrás é outra história. Seja por preguiça ou desconhecimento do assunto. É o que penso.

Réplica de Foca:
Ana Morena é mais produtora que eu no Camarones só para vc ter uma ideia. E todos temos missões a cumprir na banda fora tocar. E sim tem que tem know-how e network, mas o que impede um músico de tê-lo?

Ele tem que ficar imaculado dentro de uma bolha compondo o próximo "leãozinho"? :)

Já vi músico ganhar R$1.000,00 de cachê num show e voltar para casa sem nada porque tinha que pagar o técnico, o iluminador, o roadie, o produtor, o maquiador, a babá...

Ou seja, pagou pros outros parte do que ele mesmo poderia fazer. O que custa carregar e afinar seu instrumento se você ainda não ganha o suficiente para pagar alguém para fazer isso para você?

Produtores são importantíssimos, contato que a banda tenha demanda o suficiente e caixa sobrando para contrata-lo.

Do blogueiro 2: Esse assunto destrinchado daria boa pauta e boas palestras. E ainda bem que o know-how de vocês não é o mesmo que escrevi (rsrs).

Áudio das ameaças deferidas à equipe do NJ

Áudio dos quase 13 minutos em que a equipe do Novo Jornal permaneceu em cárcere privado na sala da empresa Paranegra. O valente é o ex-diretor do Instituto de Pesos e Medidas, Augusto Caldas Targino, conhecido como Mano Targino - investigado pela Justiça.

Dos falsos feudos

por Marcos Silva
em comentário no Substantivo Plural

Mano Targino, Rua Osnildo Targino, Raifi Targino, o filho de Raifi (também Targino, comme il faut):
“Um feudo
e a esperança de não findá-lo.”
(Sanderson Negreiros, “Os lances exatos”, Fábula fábula).

Do blogueiro: Um comentário inoportuno: Sanderson Negreiros é, não um dos, mas o nosso maior poeta. Assim mesmo, com esse artigo definido - sempre meio pedante.

Além da Vida: Crítica


Além da Vida é clichê. Seja na proposta, nos diálogos ou imagens. Ainda imaginei o gênio de Clint Eastwood vencer a mesmice da temática do Destino ou da Espiritualidade. Um filme sem emoção, sem mensagem. Um roteiro morno, até bem arquitetado e sem originalidade, com três estórias diferentes entrelaçadas nas últimas cenas do filme.

A marca da boa direção, das boas atuações (mais uma parceria com Matt Damon) e excelente produção, existe. A cena do tsunami talvez até pague o ingresso. Se vale a metáfora, imagine um edifício construído com o melhor material, com bases seguras, bem edificadas por um construtor hábil, experiente. Mas com apartamentos mal distribuídos e fachada sem nenhum arroubo vanguardista.

O longa do octagenário Eastwood nada acrescenta. Sequer uma opinião formada há. Um filme depressivo e sem emoção. Guarde sua grana, pouco mais de duas horas e uma fila para comprar ingresso e entrar no cinema do Midway, para melhor proveito. E guardemos as imagens de Gran Torino, Menina de Ouro, Sobre Meninos e Lobos ou até o último filme do diretor, Invictus. Para ficar nos últimos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Aphoto se retrata com procuradora

por Alex Gurgel
presidente da Aphoto, no blog Grande Ponto

Na posição de Presidente da Associação Potiguar de Fotografia (Aphoto), publiquei uma Nota de Repúdio com o título “fotógrafo é agredido por procuradora federal”, contando a versão do fotógrafo Júlio Rasec quanto a um fato ocorrido no Parque das Dunas onde este relatou a ocorrência de um suposto abuso de autoridade. Como jornalista, eu me arrependo de não ter escutado a versão do outro lado, no caso a Procuradora da República Cibele Benevides da Fonseca.

Na qualidade de cidadão, peço desculpas públicas a Cibele Benevides pelos constrangimentos causados pela Nota de Repúdio, na sua família, no ambiente de trabalho e na sociedade natalense, uma vez que somente em juízo tomei conhecimento de sua versão.

Visivelmente emocionada, a Procuradora falou que, após uma caminhada no Parque das Dunas, ela e seu esposo pararam para alimentar a filha pequena, quando ele questionou-lhe se a cena que presenciava seria “autorizada pela Justiça”. A cena em questão era o fotógrafo Julio Rasec fotografando duas adolescentes com traços infantis que posavam com roupas curtas, do tipo top e shorts, uma delas vestindo uma indumentária similar a uma cinta-liga.

“Depois de várias poses, as adolescentes passaram a sentar no chão, levantando e abrindo as pernas. Então, eu perguntei ao fotógrafo qual seria o destino de tais fotos”, declarou Cibele Benevides. Nesse momento, de acordo com a Procuradora, o fotógrafo ficou irritado e perguntou quem era ela para interromper o seu trabalho.

Cibele Benevides explicou que a cena chamou sua atenção pelo fato de as meninas serem, visivelmente, menores de 18 anos. “Nessa condição, as fotos seriam totalmente inapropriadas”, disse Cibele, ressaltando que o fotógrafo Julio Rasec disse contar com a autorização das mães das menores (que não estavam presentes na hora), e, ato contínuo, chamou a procuradora de “burra” por, supostamente, não entender de Arte. Além disso, o fotógrafo proferiu palavras de baixo calão, bem como ameaças à Procuradora e, depois, ao seu esposo.

Nesse momento, o marido da Procuradora, Raphael Carvalho, resolveu procurar a Polícia Militar, que possui uma Companhia Florestal no interior do Parque. O fotógrafo chegou ao Posto acompanhado de um rapaz que contracenara com as adolescentes, além dessas e de uma senhora que se dizia mãe de uma das meninas. Também compareceram ao Posto da PM, a Procuradora e a Senhora Ana Cristina, uma advogada que a tudo testemunhara, às quais foi solicitada a identificação.

Requisitada a informar sua qualificação, a Procuradora da República optou por fornecer seu endereço profissional como forma de resguardar seu endereço residencial, diante da situação que acontecia. Cibele Benevides afirma que apenas nesse instante, o fotógrafo Júlio Rasec, os presentes e os policiais souberam o cargo por ela desempenhado, demonstrando assim que não houve qualquer tipo de abuso de autoridade. “É importante ressaltar que durante todo o depoimento das pessoas presentes, o fotógrafo manteve o equipamento fotográfico no seu colo, não tendo ninguém tocado na câmera”, relatou Cibele, em ação criminal proposta por ela, ressaltando que após prestar os esclarecimentos solicitados no Posto da PM, e como já se aproximava das 18h, a Procuradora e sua família deixaram o Parque, colocando-se à disposição das autoridades.

Ao publicar aquela nota sem conhecer sua versão cometi o erro de dizer que a procuradora abusou de sua autoridade, o que, absolutamente, não aconteceu, nem reavaliando a versão do fotógrafo Júlio Rasec, além de citar erroneamente, que a mesma agiu por ciúmes, tentou arrancar a câmera e xingou as meninas. Nada disso ocorreu. No intuito de defender minha classe, fui passional e cometi graves injustiças a Cibele Benevides e, ainda, exigi desculpas públicas da mesma, quando, na verdade, sou eu que lhe devo desculpas. E é o que faço agora.

Atenciosamente,

Alex Gurgel

Jornalista e presidente da Associação Potiguar de Fotografia (Aphoto)

Refém de produtores

Parece óbvio, está escancarado, mas não atentei para o fato levantado pelo produtor Zé Dias, em conversa informal: "Artista em Natal só aparece se tiver produtor por trás". Realmente. Tento lembrar algum e não me vem ninguém à cabeça. Ao contrário, os que alcançaram destaque têm competentes e esforçados produtores na retaguarda. Pelo jeito, artista é refém do poder público e também dos produtores. Não é pago ou recebe um cachê minguado dos governos, e não tem como pagar um bom produtor. Pode-se chamar essa categoria de refém da indústria cultural. Adorno explica. E a vida segue.

Imprensa potiguar sofre tentativa de mordaça

Segue o link AQUI para quem não leu as ameaças do ex-diretor do Ipem, conhecido como Mano Targino, à equipe do Novo Jornal. Está na quarta ou quinta página desse anexo.

Percebam a reação quase demoníaca e sem a menor intimidação aos registros dos jornalistas Rafael Duarte e Ney Douglas. Ele mesmo afirma destemer a imprensa. Ameaçou de morte, de espancamento e manteve a equipe presa em uma sala trancada à chave por 13 minutos, segundo a reportagem.

Meses atrás lamentamos a morte de F. Gomes. O jornalista não foi apenas assassinado. Ele foi calado. A imprensa sofreu tentativa de mordaça. O caso de assassinato foi o segundo no país em 2010! Vocês não têm ideia de como o IDH do Brasil cai com uma atitude dessas. A liberdade de imprensa é quesito sine qua non à democracia. E aqui no Errene - província de coroneis chibatas - ainda sofremos ameaças do tipo.

Às vésperas da última campanha eleitoral, o repórter Fábio Farias, do mesmo jornal, sofreu agressão física de militantes do PSB da então governadora Wilma de Faria.

Misture essas ameaças às trocas de favores entre jornalistas e políticos e empresários e oferecemos a você, leitor, uma imprensa aleijada (ou alijada?).

Onde isso vai parar?