sexta-feira, 31 de julho de 2009

Da informalidade cultural e dos pontos de cultura

Neste sábado sai publicada matéria no DN muito interessante a respeito da Lei do Patrimônio Vivo. de autoria do deputado estadual Fernando Mineiro.

Como todos sabem, a lei versa o pagamento de bolsa vitalícia a grupos e mestres da cultura popular. R$ 1,5 mil para os grupos, e R$ 750 para os mestres.

A lei é explicitada direitinho na matéria. O mais interessante, no entanto, é outro aspecto abordado.

A implementação da Lei tem sofrido dificuldades enormes diante da informalidade quase total dos grupos de cultura popular.

Praticamente todos eles precisam ingressar em cartório para regularizar sua situação perante o Estado para poder receber a grana.

E são pouquíssimos os que tem essa noção ou conhecimento. Muitos sequer sabem o que é CNPJ. Será preciso um trabalho oonjunto muito grande entre prefeituras e Estado para reverter a situação.

Conversei hoje pela manhã com Mineiro. Ele sequer sabia dessa dificuldade e prometeu procurar Severino Vicente, o presidente da Comissão Estadual de Folclore, para procurar uma solução para o que julga "preocupante".

PONTOS DE CULTURA

Na matéria, entre outras coisas, Mineiro também exemplifica o cenário de informalidade vista na cultura popular e também em artistas de trabalho notório com os pontos de cultura.

Segundo o deputado, o atraso visto na na implementação dos trabalhos ditos dinâmicos dos pontos de cultura também é causado pela informalidade.

Mineiro disse que mais de 80% dos 53 pontos de cultura aprovados em edital são informais e também estão impossibilitados do benefício.

Enfim, na matéria tem outras informações e, com certeza, haverá desdobramentos. Esse cenário diagnosticado com a aprovação e tentativa de implementação da Lei do Patrimônio Vivo é bem o retrato cultural do Estado.

O Desaparecido

Por Rubem Braga

Tarde fria, e então eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente que sentiam frio na alma quando a tarde estava fria, e então eu sinto uma saudade muito grande, uma saudade de noivo, e penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim.

Ah, que vontade de escrever bobagens bem meigas, bobagens para todo mundo me achar ridículo e talvez alguém pensar que na verdade estou aproveitando uma crônica muito antiga num dia sem assunto, uma crônica de rapaz; e, entretanto, eu hoje não me sinto rapaz, apenas um menino, com o amor teimoso de um menino, o amor burro e comprido de um menino lírico. Olho-me no espelho e percebo que estou envelhecendo rápida e definitivamente; com esses cabelos brancos parece que não vou morrer, apenas minha imagem vai-se apagando, vou ficando menos nítido, estou parecendo um desses clichês sempre feitos com fotografias antigas que os jornais publicam de um desaparecido que a família procura em vão.

Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.

* Roubei o texto do sítio de Jairo Lima: Kriterion para dedicar à minha branquinha. O dia é especial.

15 anos da Samba


*Não consegui postar (é essa a expressão mesmo, François!) o vídeo promocional da festa comemorativa aos 15 anos da Samba. Segue, então, a matéria veiculada hoje no Diário de Natal, escrita por este blogueiro e por Lula, o Augusto. A foto acima é do amigo Alex Gurgel.

Beco da Lama comemora 15 anos da Samba

Se 1968 foi um ano que não terminou, para os natalenses, 1994 também continua em voga. Talvez pelos mesmos propósitos. Nestes dois períodos da história assistimos a luta pela liberdade. Seja pela alforria contra o regime militar, seja em prol da anarquia libertária. Naquele ano de 1994, o Brasil triufava com o tetracampeonato de futebol. O país assistia o renascimento do fusca, o nascimento do Real e a morte acidental de Ayrton Senna. Kurt Cobain provocou a sua. No Recife tão vizinho surge o Mangue Beat. Em Natal, Vanessa Gurgel é coroada a miss Rio Grande do Norte. E nos confins de um beco, à margem de tudo e por dentro de tudo, uma entidade era criada.

A sociedade denominada Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Samba) nascia com muitas artérias, veias e capilares repletas de vida. Desde a boemia até as mais prosaicas atividades comerciais, serviços de artesanato, residenciais e outras tantas e múltiplas atividades. Todas gravitando em torno do Beco da Lama seminal e sagrado por muitos. O único beco com jeitão de avenida e presenteado com uma sociedade criada para defender os interesses culturais, sociais e boêmios do bairro histórico e de seus moradores.

Nesses quinze anos a Samba passou por todas as crises. Seja do país, locais ou dela própria. Enfrentou quedas e subidas do dólar, pleitos eleitorais, troca e sumiço de seus gestores. Resistiu, fofocou e tagarelou sobre tudo isso. Quase sempre em mesas de bar no próprio Beco ou mais ainda em suas adjacências. E amanhã a entidade rememora a trajetória de 15 anos e continua mais viva do que nunca. Ressucitada, talvez. A comemoração festeja também a nova diretoria e novos tempos, após períodos nebulosos.

A grande festa comemorativa dos 15 anos de fundação da Samba começa às 18 horas e sem hora pra acabar. No decorrer da noite passarão pela praça da poesia (Jardim do Palácio da Cultura), próximo à sede da prefeitura municipal, ao som da banda do maestro Franklin Novais, os artistas: Fabão Boca Seca, Os Grogs, Pedro Mendes, Cabrito, Mc Priguissa, Tribunal Zen, Maguinho da Silva, Roda de Bambas, Du Souto, Rodolfo Amaral, Carlos Bem, Carcará na Viagem, Raul Cruz (da lendária banda Alcatéia Maldita), Isaque Galvão e Marcelus Bob.

“Não tem festa de aniversário, casamento e batizado que lhe deixe fora da comemoração. Se você estiver numa, saia à francesa, pegue o beco e corra. A festa estará lá, lhe esperando, imperdível e inimaginável”, recomenda o atual presidente da Samba, Augusto Lula, eleito no último 1º de maio. Augusto Lula também lembra que serão comercializados souvernir no local. E para fugir da mesmice, nada de camisetas, mas canecas com a impressão de obras de artistas potiguares. Na primeira leva há imagens de obras de Marcelus Bob, Falves Silva, Franklin Serrão, Fábio Eduardo, Marcelo Fernandes e uma foto de Manuel Dantas do Beco.

“Esse é um pensamento de campanha: fazer produtos culturais pra ver se a gente diminui um pouco o pires na mão e consegue um pouco de grana pra Samba ao menos ter um lugar pra morar”, disse o presidente Lula, não o da República, mas o da Samba libertária e docemente anárquica.

15 Anos da Samba
Data e hora: Amanhã, das 18h até o sol raiar
Onde: Praça da Poesia (Palácio da Cultura), Cidade Alta
Quanto: Acesso gratuito (leve 1kg de alimento não-perecível)

Ainda o encontro de escritores

De Alex de Souza a despeito da programação divulgada pela assessoria do 2º Encontro Potiguar de Escritores do RN: "Só assim eu fico sabendo que tô participando".

E só para esclarecer melhor, já que duas pessoas já me ligaram confusas, a programação desta ruma ou mói de encontros literários é do jeito que informei mesmo.

Próximo fim de semana ocorrem ao mesmo tempo a Feira de Livros de Mossoró e o Festival Literário na Siciliano, em Natal.

Somente em outubro ocorre a tal segunda edição do Encontro Potiguar de Escritores do RN. Aliás, que nome hein? Faltou apenas dizer que são escritores que escrevem, porque encontro potiguar do RN é phoda.

Kafka romanceado

Os textos de um dos escritores mais esquisitos e geniais da literatura universal, Mr. Kafka, tem sua biografia romanceada pela escritora Jeanette Rozsas.

Conta a liguagem suspeita dos releases que a moça pesquisou durante anos todos os contos fantástiscos e romances claustrofóbicos do tcheco que adorava uma barata.

O livro sai pela Geração Editorial e se chama Kafka e a Marca do Corvo. O romance é contado a partir das próprias angústias, terrores e textos de Kafka.

Quem encontrar por aí me avise!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

De Tatiana Morais

A casa
Minha e manchada e marcada
Há vazamentos nos cantos
Telhas quebradas
Paredes rachadas
Lodo e meus dedos nos ralos
Dedos imbricados, tortos e longos e finos e podres
A casa de Lázaro
Olho no espelho e vejo o putrescente
O homem decomposto
O espelho e o relógio ainda resistem
E eu
O espelho não mais me reflete
Enlouqueço?
O relógio marca 23 horas
Enlouqueço?
Eu e a casa fechada
E a pesar
Permaneço.

(Tatiana Morais, poetiza assuense. Lança livro amanhã na Potylivros do Praia Shopping. Veja matéria no DN desta sexta-feira).

A Capitania que deu mais lucro

Não, o título não é trecho de música de Reginaldo Rossi nem a capitania em questão é a "Veneza brasileira" de Recife.

As denúncias de falta de pagamento de funcionários da Funcarte e maus tratos por parte do presidente da instituição, publicada na última terça-feira no Diário de Natal ajudaram a cavar um buraco mais profundo na administração municipal da nossa fadada cultura.

Contam as más ou benditas línguas que a Funcarte responde hoje por oito processos de improbidade administrativa no Ministério Público Estadual. A maioria diz respeito à Cooperarte e alguns vêm desde a gestão passada.

Se escaviar sai mais coisa. Aguardem cenas dos próximos capítulos da novela... qual seria o nome?

Tem baiano na Terra do Sol


Quando baiano visita a terra do sol é sinal de comemoração à vista. O cantor, compositor, instrumentista e maestro arranjador Vidal França não só chega à cidade para festejar 50 anos dedicados à cultura musical brasileira, como trouxe as malas e as cuias para Natal. Veio para morar mesmo. O show de estreia é às 20h de amanhã, na Aliança Francesa. Vidal é quase um Forreste Gump da música brasileira. Presenciou momentos marcantes da história cultural brazuca em tempos de festivais e psicodelia. Cantou em peças teatrais de Francesco Guarnieri, participou de musicais com Fernanda Montenegro, cinema com Zé do Caixão, compôs ópera para a Sinfônica de São Paulo e trilha sonora para o cineasta húngaro Jorge Jonas. Também representou o Brasil no exterior quando só as mulatas de Sargenthelli eram símbolos da cultura brasileira e ainda desbancou Caetano Veloso em festivais de música.

Vidal França é filho de Venâncio, compositor do célebre cancioneiro sertanejo Últmo Pau de Arara, imortalizado na voz de Fagner. Dele mesmo, a música mais famosa é Facho de Fogo. Junto com ela vem encangada uma história de consagração. Corria o ano de 1979, Festival de Música da Tupi. Participavam entre cinco a seis artistas. Estavam inscritos Fagner, Oswaldo Montenegro…. “Eu estava sendo descoberto por Facho de Fogo, mas não classificaram minha música on Festival. Preferiram a de Caetano (Veloso). O povo, revoltado, se levantou e virou as costas para Caetano e começaram a cantar Facho de Fogo. Foi minha consagração. No outro dia a Folha da Tarde estampava: ‘A grande vencedora do festival foi a injustiçada Facho de Fogo. Daí surgiram convites para cantar no teatro e outros festivais’”.

O segundo grande momento da carreira artística de Vidal França foi em outro evento musical famoso na época. A Fazenda Iacanga, também em São Paulo, lembrava a atmosfera de Woodstock. Eram milhares de estudantes eufóricos misturados ao clima de gradativa derrocada da ditadura. As músicas de protesto pipocavam. Nesta noite, se apresentaram Luiz Gonzaga, Artur Moreira Lima, Belchior, Raul Seixas e… Vidal França. “Quando chegou minha vez a vaia começou. Pediam Raul a toda hora. Cantei com medo. Quando acabei, corri para o camarim, temeroso de jogarem alguma coisa em mim. Foi quando escutei o pedido de ‘volta’. Fui o único, naquela noite, a voltar três vezes ao palco”, se orgulha.

Agora em Natal, pelas mãos do produtor João Barra e para viver o aura da província e comemorar seus 50 anos de carreira, Vidal França apresenta o show “Do Vale do Jequitinhonha à Elzinha”. O repertório variado guarda como essência composições representativas do interior ou da vida mais simples do povo. São canções recheadas de mensagens e esperança; de sertão. Como Disparada (Geraldo Vandré e Theo de Barros). A própria Facho de Fogo traz expressões e costumes desconhecidos à urbe. A voz suave e aguda da mineira Mazé Pinheiro, mulher de Vidal, funciona como equilíbrio à voz grave, meio Zé Ramalho, de Vidal. O violão é tocado com intensidade nas músicas e empresta um tom de trovas às músicas. Uma das parcerias é com o potiguar Romildo Soares, na canção Gente, Gente. “Porque tem gente que é bicho, desumano”, explica Vidal.

Vidal França (participação de Mazé Pinheiro)
Data e hora: amanhã, às 20h
Local: Aliança Francesa (Rua Potengi, Petrópolis, em frente à Praça Pedro Velho)
Ingresso: R$ 10
Informações: 9117-5241 / 9998-9178
Produção: Tabus & Totens, do produtor João Barra

* A foto acima, ao lado de Rolando Boldrin, é de Nicanor. E amigo leitor, pode acreditar: o tal Vidal é muito bom e só vem somar ao cenário musical da cidade.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Observação banal

Essa enxurrada de lançamentos literários na cidade, visto nos meses de junho e julho e também a grande vendagem de livros em praticamente todos eles renderam pouquíssimas resenhas a respeito.

Posso estar mal informado, mas vi uma de Tácito Costa a respeito do livro de François Silvestre (que não teve lançamento), outra de Nelson Patriota sobre o livro de Nei Leandro e mais nada. (correção do post - houve também uma de Alex Medeiros sobre o livro de François!).

Não que a cada leitura seja cobrada opiniões, críticas. Às vezes falta inspiração ou entusiasmo. Mas a despeito da quantidade de jornalistas, literatos e gente da mídia presente em cada lançamento, acreditei numa quantidade de textos pelo menos comparável à vendagem ou à badalação vista em cada um.

A galera comprou, mas leu mesmo?

Soul de Iggor Dantas hoje


Já comentei da boa programação oferecida pelos bistrôs e restaurantes chiques da província. Um deles é o Belle de Jour Bistrô.

O local tem apostado numa jovem revelação da música potiguar: Iggor Dantas Confesso ter visto pela primeira vez na última edição do MPBeco.

O cara é muito bom. A música é cosmopolita, consegue fugir dos sons regionalistas com categoria.

Iggor presta homenagem a soul music a partir do ídolo Tim Maia, em show acústico. Será hoje, a partir das 20h.

O Belle de Jour fica na Rua Campos Sales, 483, Petrópolis. Acompanham Iggor bambas como Ricardo Baia na guitarra e Beethowen Michellon no sax. É cobrado um couvert artístico de R$ 5,00.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Encontro de Escritores

No próximo fim de semana acontecem, concomitantemente, pasmem, a Feira do Livro de Mossoró (que passou ilesa do corte insensato da prefeita Fafá Rosado no orçamento da cultura) e o Festival Literário de Natal. O segundo, na Livraria Siciliano do Midway.

Será na Siciliano também a segunda edição do Encontro Potiguar de Escritores do RN. Ops! Espera aí: se é encontro "potiguar" de escritores não está subentendido serem do RN? Bom, assim veio no release e assim o blogueiro informa:

E segue as datas, programação e lista de convidados tarimbados em debates da província:

Data: 28 a 31 de outubro

Quarta-feira, 28

15h - Abertura do II Encontro Potiguar de Escritores do RN
(Eduardo Gosson)

16h30 - Poesia e Erotismo
(Nei Leandro de Castro, Lívio Oliveira e Eduardo Gosson)
Moderador: Alexandre Magnus Abrantes de Albuquerque

18h - Lançamentos de livros

19h - A Canção e o Absurdo Revisitados
(João Batista de Morais Neto)

20h30 - A Poética de Diógenes da Cunha Lima
(Águeda Mousinho Zerôncio)

Quinta-feira, 29

15h - Manoel Onofre: 40 anos de vida intelectual
(Francisco Marinho)

16h30 - Neblina na Vidraça: a poética de Palmyra Wanderley
(Anna Maria Cascudo Barreto)

18h - Lançamentos de livros

19h - Ariano Suassuna: Exemplo de Resistência Cultural
(Carlos Newton Júnior)

20h30 - Jornalismo Cultural
(Nelson Patriota, Tácito Costa e Alex Souza)
Moderador: Carlos de Souza

Sexta-feira, 30

15h - Nomes Jurídicos que fizeram História no RN
(Carlos Gomes, Eduardo Gosson e Ivoncísio Medeiros)
Moderador: Des. Ivan Meira Lima

16h30 - Historiografia Potiguar: balanço crítico
(Marcus Cavalcanti, Enélio Petrovich e Claudionor Barbalho)
Moderador: Eduardo Gosson

18h - Lançamentos de livros

19h - Edgar Barbosa: Centenário
(Tarcísio Gurgel)

20h30 - Câmara Cascudo e Mário de Andrade: correspondência
(Anna Maria Cascudo Barreto e Vicente Serejo)
Moderador: Roberto da Silva

Sábado, 31

15h - Nilo Pereira: Centenário
(Manoel Onofre de Souza Júnior)

16h30 - Assembléia Geral da UBE/RN (promotora do evento)
. aprovação de novos sócios
. reivindicações da classe
. Carta de Escritores

18h - Lançamentos de livros

Diálogo com Diógenes da Cunha Lima


Uma série de atrações acontece amanhã e quinta-feira. Das que achei mais interessante e diferente será o batepapo do poeta e presidente da nossa academia de letras, Diógenes da Cunha Lima com a plateia na Casa da Ribeira amanhã, às 19h.

O poeta do Baobá vai falar a respeito de Cascudo. E falem o que quiser de Diógenes: da sua literatura, do conservadorismo, etc. Não opino; e nem minha opinião interessa. Esse falatório mais das vezes parte de gente que nada produz de relevante à cultura potiguar ou não suportam ideologias distintas das suas.

Melhor saber que Diógenes é exímio palestrante. Dos melhores que já assisti. E vai falar de uma figura que ele conhece como poucos.

Diógenes acompanhou o professor Cascudo durante 20 anos, ora como seu educando na UFRN, ora em conversas quase diárias na Babilônia (era assim que Cascudo chamava a sua biblioteca pessoal).

O Diálogo em Cena com Diógenes da Cunha Lima faz parte do projeto Gesto, Cascudo: nova montagem do Grupo Casa da Ribeira que foi patrocinada pelo programa BNB Cultural para, a partir da pesquisa do gesto nordestino e da obra de Câmara Cascudo, montar um espetáculo de teatro com texto original.

As pesquisas começaram em Abril deste ano sob a orientação da diretora Giovanna Araújo e do dramaturgo Henrique Fontes.

Outra profissional que está diretamente ligada ao projeto é a coreógrafa Ana Cláudia Viana que vem facilitando a descoberta de movimentos a partir dos gestos estudados em A História dos Nossos Gestos(Cascudo, Global-2003) e das observações feitas pelo grupo.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Selo de Ouro ao Diário do Tempo


O camarada cronista dos aboios do nosso interior, Alex Gurgel recomendou os ares deste Diário do Tempo para receber o Selo de Ouro. E já não é a primeira vez que o cabra lembra deste blogueiro. E para retribuir a gentileza e manter as regrinhas da corrente, o blog indica a leitura do Grande Ponto, de Alex, e mais quatro blogues:
-
Grande Ponto, de Alexandro Gurgel:
http://www.grandeponto.blogspot.com/

Agora, vamos às regrinhas:
-
1. Exiba a imagem do selo “Blog de Ouro”;
2. Poste o link do blog de quem te indicou;
3. Indique 4 blogs de sua preferência;
4. Avise seus indicados;
5. Publique as regras;
6. Confira se os blogs indicados repassaram o selo.
-
Os meus indicados são:
http://www.balaiovermelho.blogspot.com/
http://www.kriterion.zlg.br/
http://www.cefascarvalhojornalista.blogspot.com/
http://www.nataldeontem.blogspot.com/

Novos articulistas no DN

Para breve o Diário de Natal apresentará novos nomes para compor o time de articulistas do jornal. Gente bacana, pode apostar. De certo a sessão de artigos ganhará com o talento e as opiniões diferenciadas desses caras.

Auto de Natal na ZN

Souba agora há pouco de uma notícia sensacional. Está tudo encaminhado para a promoção de um Auto de Natal na Zona Norte este ano.

Nem mesmo Diana Fontes, que será recrutada para o projeto, está sabendo.

Tudo indica que o local será na praça Iapsara Aguiar (acho que se escreve assim), ao lado do Nordestão.

O evento vai reunir diferentes manifestações culturais com raízes na própria Zona Norte.

Se o projeto for concretizado, será um grande feito para a Fundação José Gugu. Algo novo, diferenciado, marcante para a imagem desta gestão.

Miragem

Do dramaturgo e poeta Paulo Jorge Dumaresq, enviado gentilmente por Cefas Carvalho:

Miragem

Sertão
Ser tao grande ócio
Do Seridó ao umbigo
Tal qual jazigo sonhado
Por macambiras e bichos-preguiça

Entre Caicó e o infinito
É tudo tão tamanha sina
Que alucina o errante argonauta

Da rasa caatinga
Brotam messiânicas esperanças
Sob um céu púrpura de lirismo

Sertão
Ser tao de grande vereda
Onde convivem humanas catervas
E rebanhos nutridos de indigência
Na vã esperança de escaparem ao abate

domingo, 26 de julho de 2009

De François Silvestre

De François Silvestre a respeito das críticas de Franklin Jorge às suas observações durante um debate a respeito do cangaço, no Festival de Martins. As palavras de Franklin Jorge vão mais abaixo.


"Não sei o que é mais grave. Uma tese equivocada ou uma notícia inverídica. O senhor Franklin Jorge faltou com a verdade quando disse que eu fiz comparação de Lampião com Churchill. O que eu disse é que não concordo com essa definição simplista do banditismo de Lampião. Prefiro a lição de Gasset sobre o homem e suas circunstâncias. E acho mesmo que Churchill não foi herói merda nenhuma. Herói foi Gandhi. As observações do crítico rigoroso guardam muito da sua soberba da certeza. Ele vê no espelho a única pessoa que sabe verdadeiramente das coisas. A iniciativa de Osair merece aplauso. O ruim é não produzir. E mais ruim ainda é exercitar um perfeccionismo pedante e rebuscado. Não me convence a certeza da boa ou má qualidade de quadros ou pintores. É tudo muito chute. Ele disse que se retirara quando "françois interviu"...Não. François interveio. O verbo intervir é derivado de vir e não de ver. Gastronomia não me atrai, na rua. Prefiro a bóia de Cajuais da Serra. Mas aplaudo a iniciativa de Osair. E gostei muito dos quadros lá expostos. Não preciso de guia para mostrar aos olhos o que me agrada. Abraço de François, que gosta mais de Lampião do que de Churchill. E muito mais de Gandhi. E muito mais da incerteza. E muito pouco da arrogância".

Ribeira das Artes


Cheguei há pouco do Ribeira das Artes. O projeto voltou bacana. O Governo do Estado deu uma bola dentro. Talvez pela pouca divulgação tenha dado tão pouca gente. A foto acima, de Evaldo Gomes, é do ano passado.

Os artesanatos e antiquários à mostra são muito bonitos. Fiquei apenas para a apresentação do instrumental de sopros. Ainda viriam Macaxeira Jazz, Isaque Galvão e outros.

Enquanto assistia, Assis Marinho pintava um retrato meu. Perguntei quanto era e ele disse para eu dar o que achasse por bem. Insisti e ele pediu R$ 20. Paguei. Assis disse: "Guarde a tela, porque quando eu morrer vai valer uma fortuna".

No sebo Catalivros, de Jácio e Vera, ainda comprei Ana Karênina, de Tolstoi, por R$ 10. Já conhecia a primeira frase do livro: o início dos mais bonitos da literatura clássica: "Todas as famílias felizes são parecidas entre si. As infelizes são infelizes cada uma a sua maneira".

O sol estava brando. O clima estava ventilado; o clima era convidativo. Não consigo identificar razões para o vazio. Nos shoppings é difícil até estacionar.

É esse o exemplo dado pela sociedade ao poder público no incentivo a outros projetos como o Domingo na Praça e outros similares. É a cultura fastfood sempre mais em conta.

Cinema independente

Do diretor alemão Werner Herzog, 66, à repórter Fernanda Ezabella, na Ilustrada.

"Cinema independente não existe. É um mito. Cinema independente apenas existe nos filmes caseiros, que você faz nas férias, na praia no Havaí, para mostrar para sua família. Todo o resto é dependente, de finanças, sistema de distribuição, mídia, de tudo, dos sindicatos, sindicatos de atores, diretores, roteiritistas".

Entrevista completa AQUI.

sábado, 25 de julho de 2009

Finalmente, o Festival


O texto a seguir é do irrequieto e sempre polêmico jornalista Franklin Jorge. Peguei em seu BLOG. As críticas descritas abaixo talvez mostrem o porquê de tamanho isolamento deste escritor - um talento perdido, escondido em Mossoró.

Escapei hoje de ir ao Festival de Martins. Iria a trabalho e poderia atestar ou discordar dos ditos do escritor. Ainda assim, de uma coisa devo concordar: esse Festival nada traz de retorno à comunidade.


Por Franklin Jorge

Martins — Começou, finalmente, o festival gastronômico que este ano tem uma programação cultural paupérrima. Não que fosse de melhor nivel nos anos anteriores, mas esta edição dá provas de evidente esgotamento. Na área de artes plásticas, o nivel continua abaixo da critica: obras sem qualidade reunidas sem nenhum critério.

Um dos problemas decorrem do calote que um dos genros da governadora, Roberto Sena, responsável pela montagem do festival, deu em trabalhadores locais. Ficou devendo a pessoas que trabalharam em edições anteriores desse festival, divida que ultrapassa os R$ 30 mil reais, um valor significativo para a realidade econômica local.

Hoje à tarde estive por algum tempo na mesa redonda sobre o cangaço na literatura, mediada pelo jornalista Osair Vasconcelos, segundo soube também autor da idéia. Considerei uma penitência, diante da indigência, por exemplo, de um Gilbamar de Oliveira, quem falou muito e não disse nada. Um tipo que não consegue ser sequer jocoso, apesar da tonelada de tintura que pôs nos cabelos em visível flagrante com sua idade avançada. Devia ter gasto esse dinheiro com tintura, instruindo-se, comprando livros etc.

Salvou-se Kyldemir Dantas que se municiou de uma vasta bibliografia. No mais, não sei como Honório condescendeu em participar desse engodo. Recursos gastos irresponsavelmente, sem nenhum retorno para a comunidade, que aliás não participa desse festival.

Retirei-me quando o escritor François Silvestre interviu, defendendo uma tese completamente equivocada: colocou no mesmo patamar figuras díspares como Winston Churchill e Lampião. Para ele, deformado pelo que se convencionou chamar de “cultura popular”, François, o escritor antihumanista por excelência, ambos seriam heróis ou bandidos. Contestava assim Honório que, respondendo a curiosidade de uma moça que se identificou como sendo do Sudeste brasileiro, queria saber se Lampião era mesmo herói ou bandido, respondeu que “herói era Churchill”; “bandido, Lampião”… Achei demais a defesa que François fez de um notório bandido… A proposito, François lança amanhã seu novo livro, o melhor que escreveu até agora, sobre o qual pretendo escrever oportunamente.

O melhor foi mesmo as nossas aventuras gastronômicas pela cidade com Honório e sua filha, Bárbara. E minhas conversas com os martinenenses ilustres, não pela posição social, mas pela experiência de vida e sabedoria adquirida pela experiência. No mais, chegamos ao mais baixo patamar da cultura. Penso que os organizadores desse festival precisam urgentemente repensá-lo. Do contrário, o fracasso será definitivo.

Da Praia do Meio


"Cascudo explicava que o que deu nome à Praia do Meio era porque na 2 de Novembro, morava um velhho intrigante, mal visto pela população da rua. Brabo, sempre bêbado, fazendo arruaça. Por isso o povo não o suportava, nem ele suportava o povo da 2 de Novembro.

Pescador, amador, conhecido da Praia do Meio, resolveu mudar-se para lá, livrando-se do povoado da 2 de Novembro, armou, então, uma barraca na praia e por lá ficou.

Vem em quando retornava lá em cima, para matar a saudade. Já havia passado a zanga recíproca. "Armei uma barraca lá em baixo, na praia", dizia para o pessoal, agora animado por se haver livrado do intrujão. Então perguntaram: Onde? "Na do Meio". Surgiu desse incidente o nome Praia do Meio, hoje Praia dos Artistas. Cascudo tinha olhos para tudo".

(do livro O Carteiro de Cascudo, de José Helmut Cândido)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Bomba na Capitania de Poti

Rumores, denúncias. Nos bastidores da cultura natalense insurgem reclamações nos mais variados graus de gravidade. Quando esses moinhos de vento se juntarem, o furacão arranca até a pedra de bicuda do nosso Potengi. E salve-se quem puder ou quiser.
Olhem só o que essa imitação de Spiderman fazia em 1930:

Postagem a lá twitter

Finalmente o JH 1ª Edição firmou um repórter na editoria de cultura. Mário Ivo agonizava sob releases.

Ainda o twitter

De Alex de Souza, no Substantivo Plural:

"Sobre esse lance de twitter, acho engraçado só como de repente virou febre aqui na cidade. Já conhecia o serviço há mais de ano, mas nunca tive vontade de entrar – aderi na última quinzena por determinação do chefe. É legal, mas não passa de mais uma evolução no conceito das tais redes sociais on-line. E se vocês, que são da turma do ‘não conheço, mas de antemão sou contra’, estão arredios frente à novidade, não perdem por esperar a próxima paulada: um tal de google wave que vem aí".

De cá continuo irredutível. Não adentro esta via láctea. Ainda mais quando posso usar da minha luneta para enxergar as estrelas alheias. Vou esperar o tal google wave. De repente caiba alguns caracteres a mais. Não tenho o talento de Millôr.

P.S: Mr Alex de Souza também escreveu uma resenha massa em seu Bazar a respeito do show de Caetano. Engraçado que na redação, o publicitário e designer Enéas Paiva disse que nunca mais Caetano fará show tão ruim como o apresentado no Machadinho. O texto de Alex me convenceu mais.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Pôr do Sol no Potengi


Semana passada, Iaperi Araújo disse em entrevista à Rádio CBN que a criatividade supera a falta de verba e produz cultura. Não duvido.

Sanderson Negreiros também me disse, certa vez, de algumas iniciativas dele quando esteve à frente da Fundação José Gugu, sem qualquer verba, apenas com a boa vontade e a tal criatividade. Como um circo montado em frente à sede do DN, que abriu espaço à produção artística e o acesso gratuito ao público.

O projeto encabeçado por Willian Collier - Pôr do Sol no Potengi - completará 100 apresentações neste 28 de julho. Só escuto elogios ao projeto.

Quando Collier me informou da ideia do projeto, disse também que procurou o poder público e nada conseguiu de apoio. Noticiei isso à época na coluna que tinha no DN.

Não lembro agora o investimento. Nada demais para quem paga cachês acima de R$ 50 mil para bandas de forró pornofônico. Não chega nem perto disso, tenho certeza.

A explicação ou desculpa dada para a inércia do poder público é sempre a burocracia. E mMuitas vezes é verdade. Antes pouquíssimos projetos precisavam atravessar o crivo das licitações.

O problema com a cultura potiguar não é de verba. Antes fosse. Falta é planejamento e criatividade.

O Prêmio Núbia Lafayette, tão alardeado como grande projeto da FJG, praticamente não saiu do papel. Os organizadores esqueceram da carência de estúdios na cidade. Pior: a pouca verba destinada ainda não foi liberada, mesmo após meses da publicação do edital e da escolha dos contemplados.

Este é só um exemplo. A crítica não é mais veemente porque é alguma coisa. Como também são os editais de cultura. Basta conversar com artistas de qualquer área e escutarão várias lacunas em praticamente todos eles.

A revista Preá foi planejada para sair em junho. Depois ficou para julho. E sabe Deus se sairá em agosto. Será a terceira edição em quase três anos de gestão.

Mesmo a Lei do Patrimônio Vivo - na minha opinião, o grande acontecimento cultural do Estado nos últimos três anos - carece de revisão. Mesmo originada no poder legislativo. Ora, como exigir CNPJ de grupos folclóricos cujos mestres sequer sabem o que é isso? É um absurdo. Mas é uma semente plantada. E que renderá frutos deliciosos, tenho certeza.

Falta menos de um ano e meio para a atual gestão da Fundação José Gugu terminar. Se a marca desta administração for a política de editais, será o próprio retrato de uma período nebuloso e capenga da nossa cultura, longe das ideias simples e eficientes ou do brilho deste pôr-do-sol ribeirinho.

O tuiteiro Millôr

Ainda não aderi ao Twitter. Nem vou. Como Tácito Costa, não vejo utilidade, embora ache que não será mídia passageira, infelizmente. Acostumado com o orkut, sequer sabia que temos acesso ao twitter alheio, mesmo sem estar "logado".

Sempre achei esta mídia propícia ao estilo de Millôr Fernandes e suas frases secas e certeiras. Pois num é que o rapaz do Meyer é "chicleteiro"; digo, "tuiteiro"?. Dele, pesquei essa: "A invenção da poltrona acabou com os heróis".

Vernissage de Carlos Sérgio Borges


O texto a seguir é do carioca dramaturgo Paulo Jorge Dumaresk, editado por este blogueiro. Paulo fala da vernissage de Carlos Sérgio Borges, exposta hoje no Bardallos.

Por Paulo Jorge Dumaresk

Traços, formas, volumes, texturas e cores fazem parte da labuta de todo artista plástico. Quando se trata do pisciano Carlos Sérgio Borges, 47, essa cornucópia de substantivos ganha contornos plurais. Comemorando 21 anos da primeira exposição individual, o artista abre hoje, às 19h30, no Bardallo’s Comida & Arte (rua Gonçalves Ledo, 678. Centro), sua 12a individual intitulada Coletânea de Inéditos (desenhos e pinturas).

São 28 trabalhos realizados no período de 2000 a 2009, do nanquim à pintura acrílica. A mostra fica aberta ao público até o dia 20 de agosto. “São trabalhos de fases diversas da minha carreira que nunca foram expostos. Então, o produtor Lula Belmont me convidou para expor os quadros”, explica.

Na antiga Etfrn conheceu o artista plástico e professor Thomé Filgueira, passando a frequentar o atelier coletivo da escola, juntamente com outros aspirantes a artista plástico. “Com seu jeito calmo e sua paciência, Thomé me apresentou o impressionismo e outras escolas pictóricas. Ele também ensinou a usar as cores e a pintar com tinta a óleo. Além disso, me orientou no aperfeiçoamento dos desenhos. Foi na Etfrn que eu comecei a expor meus primeiros trabalhos”, recorda.

Em 1983, Carlos conquista o primeiro lugar no I Salão de Gravura do RN. Na oficina, conhece os artistas plásticos Jomar Jackson, Marcelus Bob e Fernando Gurgel. O mundo gira e ele trava contato com a técnica do bico-de-pena, por culpa do artista Eugênio Medeiros, que o influencia a experimentar outros desenhos e formas e volumes.

Concluído o Ensino Profissionalizante na Etfrn, Carlos Sérgio presta vestibular para o curso de Educação Artística da UFRN e é aprovado.

A convivência com artistas de todos os matizes, especialmente músicos, abre-lhe outras portas e possibilidades estético-artísticas. Influenciado pelos shows do programa Rock Concert, exibido pela Rede Globo, na década de 1970, põe em prática o seu pendor para a cenografia.

Pelos cálculos do artista, já são mais de 200 espetáculos de dança e teatro com a assinatura dele. Para se manter informado sobre sua arte, viaja, em média, três vezes por ano a São Paulo, onde assiste aos principais espetáculos de dança.

Carlos Sérgio ainda imprimiu sua marca em três edições do Auto do Natal (2005 a 2007), maior espetáculo a céu aberto da capital, assinando cenários e figurinos. Os figurinos do espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoró, dirigido por Antônio Abujamra, também receberam suas digitais.

Questionado sobre quais são as cores do seu som, o artista confessa que já teve momentos preto, roxo e cinza, mas no momento elege todos os pigmentos. “O meu trabalho é de observação do mundo. Os temas surgem da emoção do momento”, grifa.

A arte como acerto de contas não faz parte do cotidiano de Carlos. Ele vê a Grande Arte mais como um estado de emoção e de realização. Ao cabo, poetisa, revelando que a sua vida é azul e verde como o mar de Natal. Verde quando há nuvens. Azul quando tem sombras.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

De Deífilo Gurgel


Viajei hoje a Canguaretama na companhia desta figura fantástica que é Deífilo Gurgel, e também do compromissado presidente da Comissão de Folclore, Severino Vicente. Depois conto os motivos do passeio.

Na ida, perguntei curioso a Deífilo: "O senhor já se candidatou a uma vaga na Academia Norte-rio-grandense de Letras?

O maior folclorista vivo do Brasil, respondeu: "Já, sim. E perdi. Mário de Andrade, Mário Quintana, nunca foram imortais de nenhuma academia. Este último tentou cinco vezes. Eu é que não me presto mais a isso. A ANL até tem umas figuras interessantes, mas tem muito bagaço, também".

Para um mínimo consolo, Deífilo perdeu para o poeta Luiz Carlos Guimarães. O poeta obteve 22 votos, contra os 10 de Deífilo. Houve ainda um terceiro candidato que passou vergonha sem um voto sequer. Deífilo não quis nominar. "Deixe pra lá, é muito deprimente lembrar isso", sugere.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Informações sexuais

O psicoterapeuta freudiano Brett Kahr entrevistou britânicos de diferentes idades, profissões e religiões e coletou mais de 19 mil fantasias sexuais. O Sexo e a Psique acaba de ser lançado no Brasil pela Editora BestSeller e revela as fantasias mais secretas na maior pesquisa realizada sobre o tema.

Frase do nobre psicoterapeuta: "Existem dois tipos de fantasias: aquelas mais festivas, que revelamos com orgulho aos amigos de bar, e outras, que vêm das profundezas de nossa mente, que muitas vezes não revelamos nem aos companheiros ou muito menos a estes".

A explicação para tanto segredo pode estar em outra estatística da investigação do psicoterapeuta: 90% das pessoas traem em suas fantasias.

E mais: a enciclopédia sexual do freudiano Brett vai além do que já esperamos encontrar, como a velho ménage à trois. Nada menos que 28% das fantasias das mulheres são sobre sexo com dois homens, enquanto que 58% dos entrevistados do sexo masculino fantasiam sexo com duas mulheres.

Para concluir este vetusto estudo sobre a psicologia das fantasias sexuais, Kahr perguntou aos entrevistados o porquêe das fantasias. As respostas vão desde livrar-se do tédio à possibilidade de fazer sexo com quem não é permitido.

Alguns, pasmem, preferem a fantasia ao ato sexual. Outros ficam excitados ao imaginar situações contrárias às de suas vidas. Mas a grande maioria tem fantasias impossíveis de se adivinhar.

Quem quiser se aprofundar no assunto (sem redundâncias, por favor) e preferir a teoria à prática, o livro é um catatau de 685 páginas, vendido a R$ 50 dinheiros.

Miranda na Bravo!

O jurado mais escroto do famigerado programa Ídolos, o gaúcho Carlos Eduardo Miranda, foi entrevistado pelo repórter José Flávio Júnior, para a revista Bravo! Miranda é apontado como dos principais produtores do país. Lançou nada menos que Raimundos, Mundo Livre S/A e, mais recente, Móveis Coloniais de Acaju - revelação em festivais Brasil afora, inclusive no Mada.

Já existem dados apontando que o lucro da pirataria no Brasil tem diminuído, possivelmente por haver mais pessoas com acesso à internet, que não precisam desse intermediário. Como fica o pirata nessa?

O pirata também é uma coisa transitória. Ele veio como uma nuvem de gafanhotos, bagunçando tudo, mexendo com a indústria. E uma hora lá se vai a nuvem. Mas o que o pirata fez com a indústria cinematográfica é interessante. O cineasta faz um filme, esse filme vai para o cinema, depois para locação em formato DVD, depois para pay-per-view na TV, depois o DVD começa a ser vendido no varejo... O pirata entende o processo assim: "Tá no cinema? Então tá aqui o DVD para vender!". A indústria tem de rever sua maneira de lançar filmes. Será que não é mais jogo soltar o DVD junto com o lançamento no cinema? Se tem gente que vê no cinema e depois revê no DVD, será que não tem gente que veria no DVD e depois ficaria com vontade de ver o filme na telona? Os que viram a cópia pirata do Tropa de Elite depois não lotaram os cinemas?

Entrevista completa AQUI.

Otto Maria Carpeaux

Pesquei o texto no sítio de Milton Ribeiro. O cara fala do crítico literário e outras muitas qualidades de Otto Maria Carpeaux. A tal História da Literatura Ocidental, a qual fala Milton, eu cheguei a comprar por R$ 200 mangos. Influência de Levino. Comprei e não me arrependi, mesmo tendo lido muito pouco até agora. Os tempos são de trabalho, muito mesmo. Espero para breve um período de redenção e ócio; de leitura e produção literária. Só então comerei Carpeaux, sem qualquer homofobismo.

"Otto Maria Carpeaux foi um intelectual muito importante na vida cultural brasileira do século passado. Foi respeitadíssimo e com merecimento. Não apenas foi o autor de uma imensa História da Literatura Ocidental em 8 volumes, como foi importante crítico literário. Escreveu também livros de crônicas, foi colunista em revistas, enfim, teve a popularidade possível a quem de dedica seriamente à cultura; ou seja, quase nenhuma. Carpeaux tinha algo de incomum: uma infalível sensibilidade para identificar já na estreia quem se tornaria destaque literário em nosso país. Tantos méritos lhe davam crédito para cometer erros imensos e raros, principalmente na tal História da Literatura. A forma como descartou alguns escritores — como, por exemplo, Laurence Sterne — certamente causa-lhe problemas póstumos até hoje".

Texto completo Aqui.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

SPVA homenageia poeta portuga

A entidade de nome mais bonito desta jerimunlândia - a Sociedade dos Poetas Vivos e Afins (SPVA/RN) - promove na próxima quarta-feira uma Sarauterapia Extra em homenagem ao poeta luso Francisco Coimbra.

O poeta vive na Ilha de São Miguel. É licenciado em Gestão Escolar e Educativa e começou a publicar seus trabalhos com regularidade em 2003 na internet. Hoje sua obra abrange acrósticos, artigos, biografias, cartas, contos, crônicas, ensaios, pensamentos, poesias, sonetos.

O evento estará aberto para todo público interessado, e terá entrada franca. Contará com a participação de vários poetas e poetisas potiguares e será transmitido ao vivo via internet, por nove canais. Será das 18h às 21h, no Conselho Regional de Odontologia.

São sempre simpáticos os eventos promovidos pela SPVA. Um deles, pouquíssimo divulgado pela mídia, são os saraus realizados no Canto do Mangue, sempre com homenagens a poetas também pouco lembrados.

Maiores informações pelo telefone 8722-2408, com a poetisa Deth Haak.

Patrimônio cultural em debate

Achei interessate as duas temáticas de palestras promovidas pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRN. A primeira é: “Nem materialismo, nem idealismo: Inquietação patrimonial brasileira?”. A segunda: “As interfaces do patrimônio cultural no Brasil”.

Serão ministradas amanhã e quarta-feira pelo professor doutor Manuel Ferreira Lima Filho (Universidade Federal de Goiás), no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA). No primeiro dia, a conferência terá início às 14h30 e, no segundo, começa às 9h.

Manuel Ferreira Lima Filho graduou-se em Antropologia pela Universidade Federal do Pará, fez doutorado em Antropologia Social e Cultural pela Universidade de Brasília e foi bolsista da Fulbrigth/CAPES na Harvard University. Atua na área de Antropologia, com ênfase em Patrimônio Cultural, Etnologia Indígena e Antropologia do Desenvolvimento.

Mais informações: (84) 3215.3653
www.cchla.ufrn.br/ppgas

Ménage

Da poeta Sheyla Azevedo, enviado pelo jornalista e contista cabra bom, Cefas Carvalho:

Ménage

Um mais um às vezes é bom
Ou eu
Ou ela
Ou nenhum de nós dois
Um mais um às vezes é três.

(Sheyla Azevedo)

domingo, 19 de julho de 2009

Vem aí mais encontro de escritores

Concomitante à Feira do Livro de Mossoró, acontece na livraria Siciliano, entre os dias 4 e 8 de agosto, a terceira edição do Festival Literário de Natal.

Sinceramente não entendi essa conjunção de datas, mesmo para cidades diferentes. Jornalistas desejosos de cobrir os dois eventos, por exemplo, ficarão prejudicados.

No Festival, serão cinco dias de palestras, saraus, cordéis, lançamentos, sessão de autógrafos e atividades infantis, com o objetivo claro de incentivar a leitura, além de estimular a criação e a produção literária local. É o que diz o release.

O cordelista nonagenário, Zé Saldanha e a saudosa poetisa Auta de Souza, serão os homenageados no evento.

Ainda segundo informa o release, um dos grandes ápices do evento será a mesa sobre Jornalismo Literário e Biografias, que contará com as presenças de Carlos Marcelo e Arnaldo Bloch, lançando seus respectivos livros: “Renato Russo – O filho da Revolução” e “Os Irmãos Karamabloch”.

O jornalista Carlos Marcelo é editor-executivo do Correio Braziliense. Foi vencedor do Prêmio Esso, em 2005, pela capa “Mais quatro anos... de Bush”. É um dos criadores do programa de rock “Cult 22” e autor da série “A história do rock de Brasília”, publicada na revista ShowBizz, e do livro “Nicolas Behr – eu engoli Brasília”.

Já o também jornalista Arnaldo Bloch é editor-executivo de cultura do jornal O Globo. Seu primeiro livro publicado foi o romance “Amanhã a loucura”.

Os escritores potiguares também terão destaque especial no evento em todas as atividades do festival. Não sei ainda se serão remunerados, nem os nomes foram divulgados.

A programação cultural para o evento está bem bacana. Mais pra frente a gente comenta.

sábado, 18 de julho de 2009

Iaperi Araújo na CBN

Participei agora há pouco de um programa jornalístico pela Rádio CBN. O entrevistado foi o artista plástico, poeta e médico Iaperi Araújo. Dele, para sintetizar a atual gestão da Fundação José Gugu: "Não falta verba; falta verbo!".

Iaperi tem a experiência de ter sido secretário de cultura do município e gerido a própria Fundação José Augusto quando, à época e segundo ele, a única verba destinada à instituição eram os R$ 6 mil provenientes dos ingressos da Fortaleza dos Reis Magos. "Usei a criatividade".

Perguntei se ele havia, realmente, sido convidado a presidir a Capitania das Artes na atual gestão, como foi divulgado pela mídia e dado como quase certo o seu nome, indicado da cota de José Agripino. Iaperi afirmou que sequer foi convidado. "Se fosse eu digo: eu queria". E até teceu elogios comedidos à atual administração.

Da intelectualidade dos agricultores

De François Silvestre, apreciador daqueles chãos tranquilos e serranos de Martins, ao telefone, hoje: "Sérgio, hoje eu prefiro muito mais a companhia dos agricultores do que da intelectualidade".

De cá da província, acrescento: eu também, François. Mesmo sem conhecer bem os agricultores.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Deu no blog de Jairo Lima

O poema improvisado de Nei Leandro, entregue à poeta Jânia Souza durante o Dia da Poesia, repercutiu na vizinhança blogueira. O poeta Jairo Lima (perdoe-me, Serejo, por não descrever todas as múltiplas atividades do cara) recebeu via Laélio Ferreira (aguçado sujeito que percebeu meu erro "na plateia") e, finalmente, recebeu resposta do autor de Ojuara - mítico personagem da nossa literatura. E só uma observação: as palavras de Nei parecem duras, mas foi tiração de onda. O vi ontem quando eu almoçava num restaurante da cidade, com uma patota bacana, convidada por Carlos Fialho. Mais uma vez ele usou da doce ironia. É uma figura ímpar, que será remunerada pela participação do ENE este ano (justa reclamação sua), como todos os outros convidados locais. Segue o fuzuê:

Enviado por Laélio Ferreira
DEU NO BLOGUE “DIÁRIO DO TEMPO”
(Sérgio Vilar)
"Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Da "indiscrição" de Nei Leandro

Poema escrito de improviso por Nei Leandro de Castro durante um debate no Dia da Poesia, em março. O garoto maroto entregou à poeta Jânia Souza, que também integrava a mesa. Eu estava na plateia (sic) para ver e escrever a matéria pro DN. Quando ouvi a poesia, copiei e coloquei no texto. Semana passada, quando fui à casa dele, comentei do episódio. Ele riu e disse, em tom de pilhéria: "E foi publicado? Mas rapaz, que indiscrição".

Neste dia
dedicado à poesia
eu quero dizer versos
quase perversos
aos teus ouvidos
na planície da cama.
Não, não importa
se não me amas.
Mas se tiveres ternura
meu amor se inflama.

(Nei Leandro de Castro) "

Copiei e, pela cópia, dou fé.

Laélio Ferreira

REPASSANDO O ESCLARECIMENTO DE NEI LEANDRO:
Enviado por Laélio Ferreira

Laélio,
Só um reparo: Sérgio não ouviu e copiou o poema, pois precisaria ter uma memória boa demais para tanto. Ele pediu emprestado o poema a Jânia e o publicou no Diário de Natal. Fela da gaita indiscreto!
Abração,
Nei.

• Só assim o grande Nei Leandro dava o ar de sua graça neste phantasmagórico site. Rs.
(Ecto, o phantasma da Kriterion)


Enviado por Sérgio Vilar
Só um adento, grande Jairo: o polêmico poema escrito à poeta Jânia Souza foi lido (ou comentado, não lembro) pela mesma durante a mesa de debate na Funcarte. Ou não saberia dele. Tomei emprestado o guardanapo onde foi escrito e até pedi ao próprio Nei que me tirasse uma dúvida quanto a uma palavra rabiscada, o que de pronto o nobre e estimado tirador de onda me atendeu (rs). E salve Nei Leandro!

• E salve Sérgio Vilar, sem o qual o poema do Nei não chegaria pra galera nem pra esse Papo Furado. Um abraço, meu irmão.
(Ecto, o phantasma da Kriterion)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Vontade de depois

Dia chuvoso. Vontade de jogar tudo adiante, deitar na rede e sugar livros, poesia. Como esta de Mário Quintana:

Depois

Nem a coluna truncada:
Vento.
Vento escorrendo cores,
Cor dos poentes nas vidraças.
Cor das tristes madrugadas.
Cor da boca...
Cor das tranças..
Ah,
Das tranças avoando loucas
Sob sonoras arcadas...
Cor dos olhos...
Cor das saias
Rodadas...
E a cocha branca da orelha
Na imensa praia
Do tempo.

A primavera de Guaraci Gabriel


A tradição estética da arte do lixo e dos ferros velhos voltam aos cenários natalenses pelas mãos de Guaraci Gabriel. O artista plástico antecipa a estação primavera de setembro com o projeto Real Dom Quixote no Jardim das Delícias. A performance de Guaraci adentra a 16ª edição, sempre relacionada à primavera. Desta vez, 50 esculturas de até 1,70m estarão espalhadas pelas quatro regiões de Natal. São xananas - flor representativa da cidade - feitas a partir do aço inoxidável, ferro e alumínio. O lançamento será hoje na Zona Norte, com 12 delas expostas e uma performance do artista a partir das 20h. Um telão mostrará detalhes do projeto.

A maioria das exposições nos anos anteriores foi inspirada na obra do mago do surrealismo Salvador Dali. Desta vez, a base do trabalho de Guaraci Gabriel bebeu da fonte marcante do artista medieval Bosch e sua reflexão dos mistérios da mente humana. “Quando descobri que Dali foi influenciado por Bosch, resolvi focar na origem para criar minha arte”, explica Guaraci - o ourives das sucatas. É dele a autoria de monumentos históricos. Em 1998 entrou para o livro dos recordes ao produzir a maior instalação vista até hoje, com 24 metros de altura, intitulada Guerra e Paz, além de rosas de aço na ponte de Igapó.

Ao contrário dos anos anteriores, Guaraci quer espalhar a exposição pela cidade. “Normalmente junto as esculturas em um único lugar, seja em praças ou lugares fechados. Causam um impacto maior. Desta vez a intenção é ser vistas por diferentes públicos e classes sociais. Começo na Zona Norte, exponho nas zonas Leste e Oeste e fecho na Zona Sul, no trecho entre o Centro de Convenções (Via Costeira) e a rótula com destino à Avenida Roberto Freire”, diz. Em cada uma haverá a participação de um morador de rua inserido na performance do artista. “O morador de rua é um performático por natureza”, destaca.

Exposição
O que: Real Dom Quixote no Jardim das Delícias
Data e horário: hoje, às 20h
Onde: Estrada da Redinha (proximidades da antiga Shock)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Um pedaço da França em Natal


Os amantes das canções francesas têm a oportunidade de ouvir uma interpretação sofisticada e inusitada na voz da cantora Alzeny Nelo. O primeiro dia de show Chansons será nesta quinta-feira, no auditório da Escola de Música da UFRN, às 20h. Dona de voz lírica e aguda, a cantora empresta tons jazzísticos ao charme das canções francesas compostas por Edith Piaf, Léo Ferre, Charles Aznavour e outros, além de releituras de clássicos da música brasileira, como Chico Buarque, Vinícius de Moraes e outros grandes ícones musicais tupiniquins reconhecidos na França.

O show Chansons foi concebido após pesquisa minuciosa. Alzeny Nelo trabalha e pesquisa desde 1999 o repertório europeu e brasileiro. Muitas vezes a cantora realiza a fusão da música erudita à música popular. A cantora residiu quatro anos em Paris. Representou o Brasil e venceu vários concursos internacionais de canto. Tem apresentado recitais e obtido importantes prêmios de música. Alzeny Nelo reedita o espetáculo apresentado em maio durante abertura oficial no Rio Grande do Norte do ano da França no Brasil.

Todo o repertório ganha agora novo olhar nos arranjos elaborados pelo músico Sérgio Farias e banda formada por músicos do primeiro escalão da música potiguar, como o pianista Eduardo Tauffic, o contrabaixista Airton Guimarães, o baterista Darlan Marley e o próprio Sérgio Farias na guitarra. O show também será apresentado na sexta-feira, em mesmo horário e local.

As apresentações serão gravadas para confecção de um Dvd. O músico Sérgio Farias afirma que a intenção é de distribuição e difusão da cultura francesa em escolas públicas. “Queremos um registro material desse show. O primeiro recebemos patrocínio do poder público. Agora decidimos promover na cara e na coragem e queremos concretizar este projeto cultural”, afirma o músico.

Show Chansos - a sofisticação da música francesa
Quando: Quinta e sexta-feira
Onde: Escola de Música da UFRN
Hora: 20h
Ingresso: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (estudante)
Contato: 9144-0639 / 8839-8603

O amor nos tempos de contos

O amor acalanta pesares. Após batalhas quase intermináveis do escritor contra a disciplina das palavras e o mergulho abismal nos recônditos da alma para transpor a abstração dos sentimentos à concretude do papel, vem o amor para pintar de azul a alma tingida pelo cinza oxidado do lítio. A Cega Natureza do Amor é o segundo livro do escritor Patrício Jr. São 13 contos leves a respeito do amor. Chega após a melancolia densa e existencial do romance Lítio, publicado há quatro anos.

Cartas apaixonadas. A gravidez indesejada e depois amada. A relação impossível. O romantismo da moça que se apaixona por um gringo. O mesmo sexo. A espera no cais do porto por quem nunca vem. Discussão. Traição. São essas situações às quais nos submete o maior dos sentimentos que constroem os 13 contos escritos por Patrício Jr nesta “cega natureza do amor”. O livro (Jovens Escribas, 124 pág, R$ 25) será lançado hoje, às 19h, na livraria Siciliano do shopping Midway Mall.

A maioria dos textos é inédita. O conto intitulado “Diva” foi publicado na extinta revista Brouhaha e está sendo adaptado para o cinema pelo diretor Buca Dantas. O processo coletivo de criação que envolve a obra, inclusive, reforçou o seu teor artístico. Destaque para a participação da fotógrafa Drika Silveira e para as interpretações musicais de Marlos Ápyus que fizeram, cada um, suas leituras dos contos. No lançamento, haverá uma exposição das fotos do livro e um pequeno show ao vivo.

Entrevista - Patrício Jr.

Lítio traz uma carga sentimental mais densa. Você quis fugir deste peso existencial ao publicar um livro de contos sobre o amor?
Talvez sim. Mas inconscientemente. “Lítio” foi difícil de escrever, foi exaustivo. Quando publiquei, queria logo escrever outro romance. Mas tudo que começava era muito Lítio. Eu estava preso naquele universo tão conturbado. Então, passei a escrever contos e a buscar temas opostos ao do meu romance. Depois de muitos contos escritos, percebi que a maioria falava de amor. Então foi um movimento natural tentar organizá-los numa coletânea que falasse desse tema.

Quais abordagens foram usadas para fugir do sentimentalismo piegas do tema?
Eu sempre tento sair do comum. Sempre tento um cuidado estilístico diferente para cada conto, uma linguagem própria para cada história. Obviamente, é impossível falçar de amor sem ser piegas. E eu não tenho essa pretensão. Assim, após mais de 30 contos escritos, selecionei apenas 13. Tendo em vista esse critério: quanto menos piegas, melhor. A essa peneira sobreviveram histórias como a do padre grávido, que luta contra a Igreja para ter seu filho. Ou a do travesti apaixonado por um amigo de infância. Ou ainda, a da esposa que tortura o marido após anos e anos de casada. São abordagens pouco ortodoxas do amor, mas que compõem um interessante mosaico do sentimento.

Moacir Scliar acha os contos o gênero mais difícil de escrita. No entanto, você já disse ter sofrido bastante para escrever Lítio e pariu quase sem muito esforço A Cega...
Lítio exigiu disciplina, trabalho intelectual e braçal. O romance tem essa dificuldade: ele só termina uma vez, só tem um ponto final. Já um livro de contos é diferente. Eu não escrevi um livro de contos, eu escrevi contos. E numa determinada hora eu resolvi compilá-los num só volume. Isto significa que não senti a pressão que senti com o romance, a angústia de escrever o ponto final. Além do mais, os temas são bem diferentes. Era muito comum terminar um capítulo de Lítio e estar emocionalmente esgotado. Já falando de amor, senti mais esperança. E isso facilita as coisas.

Nei Leandro, em recente entrevista ao DN, afirmou que sente falta de ficcionistas potiguares e aponta a falta de paciência dos jovens a se debruçarem em pesquisas para escrevem bons romances. O que acha da opinião do escritor?
Concordo plenamente com ele. A internet tornou as coisas muito velozes e o imediatismo prejudica o trabalho de pesquisa. Mas sei do potencial de muitos escritores da minha geração e creio que o amadurecimento de cada um revelará grandes ficcionistas.

Já há algum esboço para um próximo livro? Quais os planos editoriais do Jovens Escribas?
Quero iniciar meu próximo romance ainda este ano. Será um projeto ousado, que vai misturar linguagem de quadrinhos e de romance numa única obra. Não comecei ainda porque não descobri a chave dessa história, a linguagem que devo usar. Mas já tenho toda a história na cabeça. Basta iniciar. Já com o Jovens Escribas, estamos animados em investir numa gestão ainda mais profissional dos nossos livros. Queremos expandir nossas atividades e publicar mais e melhor. Os planos para 2010 são muitos, e todos passam pela profissionalização do nosso trabalho.

Lançamento literário
Livro: A Cega Natureza do Amor
Quando: quinta-feira
Onde: Livraria Siciliano, Midway Mall
Hora: 19h
Quanto: R$ 25

Com Diógenes da Cunha Lima


Do poeta, advogado e presidente da Academia Norte-rio-grandense de Letras, Diógenes da Cunha Lima, para a nova edição da Revista Formas, especializada em arquitetura e interiores, que será lançada nos próximos dias. O editor da publicação é este blogueiro, autor da entrevista. Roubei só um pedacinho:

Revista Formas – São 23 anos à frente da ANL. Qual a contribuição da instituição para o Estado durante este tempo?

Diógenes da Cunha Lima – Somos 40, entre homens e mulheres, dedicados à literatura e cultura. Pessoas que valorizam o Rio Grande do Norte desde a fundação da ANL (em 1936) até hoje. Ninguém recebe nada. Ao contrário, pagamos do bolso para manter a instituição. Temos feito um trabalho excelente. Como pregava o antigo lema da UDN, estamos em “eterna vigilância” para o que interessa à cultura e educação do Estado. A Academia trabalha com a colaboração do tempo e está presente nos eventos culturais mais importantes do Estado. Estaremos presentes, por exemplo, na Bienal do Livro de Mossoró nos próximos dias.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Com Patrício Jr.


Trecho da entrevista com o escritor e publicitário Patrício Jr. Acredito que seja publicada a íntegra nesta quarta-feira no Diário de Natal, com um lide mais piegas que a temática dos bons contos de Patrício (rs). Achei uma entrevista legal, embora curta. Cinco perguntinhas apenas, respondidas de forma objetiva e lúcida. O cara parece bem articulado com as palavras não só em seus textos. Imagino outro grande evento para a Siciliano na quinta-feira, data do lançamento do livro A Cega Natureza do Amor.

Moacir Scliar acha os contos o gênero mais difícil de escrita. No entanto, você já disse ter sofrido bastante para escrever Lítio e pariu quase sem muito esforço A Cega Natureza do Amor...
Lítio exigiu disciplina, trabalho intelectual e braçal. O romance tem essa dificuldade: ele só termina uma vez, só tem um ponto final. Já um livro de contos é diferente. Eu não escrevi um livro de contos, eu escrevi contos. E numa determinada hora eu resolvi compilá-los num só volume. Isto significa que não senti a pressão que senti com o romance, a angústia de escrever o ponto final. Além do mais, os temas são bem diferentes. Era muito comum terminar um capítulo de Lítio e estar emocionalmente esgotado. Já falando de amor, senti mais esperança. E isso facilita as coisas.

Embalos de quarta à noite

Duas dicas boas para esta quarta-feira?

Pra quem tem grana:

Iggor Dantas presta homenagem a soul music a partir do ídolo Tim Maia às 20h no Belle de Jour Bistrô. O jovem cantor estará acompanhado do experiente guitarrista Ricardo Baia. O Belle de Jour tem apresentado excelente programação musical. Fica localizado na rua Campos Sales, 483 - Petrópolis (entre as ruas Mossoró e Mipibu). No repertório será incluído ainda músicas de Cassiano, Sandra de Sá, Claúdio Zoli e outros da Soul Músic Brazuca. O couvert artístico é de R$ 5.

Pra quem não tem:

O projeto Poticanto desta quarta reapresenta Odaíres interpretando canções de Mirabô e parceiros, a partir das 20h, no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel, anexo à Fundação José Augusto, no Tirol. Odaíres iniciou a carreira de cantora na década de 1960, época em que casou com o músico Mirabô Dantas, com quem teve o filho Carlo Gil Dantas, também músico. Influenciada pelo Movimento Tropicalista, ao lado de Mirabô e da Irmã Terezinha de Jesus, participou dos festivais de músicas das décadas de 1960 e 1970, em Natal. A entrada é franca. As senhas são pegas no local.

Infelizmente eu fico sem nenhuma: sou da categoria sem tempo!

Quem tem aquilo roxo?

O presidente Lula é escroto. Em discurso hoje no município de Palmeira dos Índios (AL), disse que os presidentes anteriores faziam "política de compadrio" e que seu governo não realiza investimentos ou libera recursos de acordo com o partido político de prefeitos e de governadores e nem pensando nas eleições de 2010. Agora o detalhe: o ex-presidente Fernando Collor estava no palanque. Pergunto: quem é que tem aquilo roxo?

O que eu quero

Dia desses comentava com um amigo da necessidade de revolução. Aos tempos atuais não cabem revoluções armadas. Amadurecemos, apesar dos irãs e coreias. Precisamos de uma revolução de sentimentos. A intolerância, o individualismo e o estresse tomam conta do mundo. O sistema de capital está falido. Era previsível. Sua estrutura sistêmica descamba pra isso, cedo ou tarde. Também não defendo uma revolução socialista, se é que um dia esse sistema foi plenamente implantado. Defendo uma revolução do amor. E lembrei de uma crônica que fiz, intitulada O Que Eu Quero, publicada em O Poti e no portal da Diginet. Segue:

Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo. Eu quero ser eu mesmo. Quero fugir de mim. Quero idéias. Outras. Não mais as minhas. Eu quero mistura. Novas sensações. Novos ares. Novos jambos. Eu quero engolir Sartre. E cuspir Dostoievski. Mas só após a digestão. Eu quero ser alcoólatra por tempo determinado. Eu quero ser hippie. Se nada der certo, lógico. Eu quero ser anarquista. Se tudo der certo demais, evidente. Eu quero ser Lennon. Quero uma nova chance para a paz. E eu quero paz para discussão. Eu quero o mel e o alho; o simples e o complexo. Quero ser o irmão e o ladrão.

Eu quero ser poesia; estrofe. Mas preciso saber o que é o amor. Eu quero parar no tempo. Quero dizer que vivi. Eu quero uma Janis Joplin. Uma Amélie Poulain. Quero uma Sharon Stone, para ocasiões ocasionais. Eu quero uma paixão passageira de filmes europeus. Quero penetrar a poesia de Bocage. Quero uma cena de novela. E 15 minutos de folga. Eu quero uma revolução. Não armada; não da educação. Eu quero uma revolução do amor. Quero para todos. Discutir desilusões e ilusões. Quero amar sofregamente. Eu quero ser rio e mar. Paixão. E amor sublime até o final.

Eu quero Novos Baianos; novos Beatles. Eu quero Beto Mejia na vitrola e os dez destinos mais prováveis. Eu quero a contra-cultura a favor de todos. Eu quero o maldito benquisto. A poesia marginal ao marginalizado. Eu quero os shoppings como prisões. Quero as prisões como reflexão. Eu quero a igualdade. Não como utopia. Eu quero o socialismo pregado na Bíblia. Eu quero corromper o poder. Eu quero o anarquismo como diversão. Quero o marxismo como trabalho. E o “mais-valia” como exemplo.

Eu quero ser feliz (?). Por instantes mais longos, pelo menos. Eu quero a tristeza de Vinícius de Morais. Quero o choro do Pierrot. E sentir o amor da Colombina, também. Eu quero ser um incompreendido. É mais fácil. Eu quero contar o contido. Quero mostrar o incontido. Quero botar meu bloco na rua. Eu quero ser o palhaço do circo. E o palhaço dos camarins, também. Eu quero ser Gandhi quando crescer. Quero viver de botequim e de ônibus.

Eu quero uma tarde em Itapoã. Pode ser uma vida em Santa Rita. Ou uma lembrança da Velha Redinha. Eu quero fugir. Eu quero passear em Penny Lane, chupar morangos em Stramberry Fields. Andar de mãos dadas com Lucy em seu céu de diamantes. Eu quero respirar Veneza. Sentir o Egito. Eu quero ser mendigo na Índia. E elefante branco na Tailândia. Eu quero manchar Walt Disney de cinza. Apagar o mickey da memória. Eu quero vestir alma de cigano. Ser matriz de algum coração.

E para não dizer que não falei de flores. Eu quero um jardim, com acácias, baobás e plantas carnívoras. Eu quero um jardim secretíssimo; sincretíssimo. Uma jardineira infiel. Quero cheiro de néctar; de sexo. Rouxinóis para poetizar o ambiente. Eu quero flores para colorir o mundo. E rosas para perfumar a hipocrisia de um mundo que só pede e só quer.

Michael Jackson em mangá


Finalmente Michael Jackson conseguirá virar criança pra sempre. O professor de mangá Fabio Shin será o responsável em transpor a vida do moço de Never Land à publicação. O enredo tem fôlego para um mangá em formato de livro com mais de 180 páginas e tem lançamento previsto para 2010 pela editora Seoman.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Da "indiscrição" de Nei Leandro

Poema escrito de improviso por Nei Leandro de Castro durante um debate no Dia da Poesia, em março. O garoto maroto entregou à poeta Jânia Souza, que também integrava a mesa. Eu estava na plateia para ver e escrever a matéria pro DN. Quando ouvi a poesia, copiei e coloquei no texto. Semana passada, quando fui à casa dele, comentei do episódio. Ele riu e disse, em tom de pilhéria: "E foi publicado? Mas rapaz, que indiscrição".

Neste dia
dedicado à poesia
eu quero dizer versos
quase perversos
aos teus ouvidos
na planície da cama.
Não, não importa
se não me amas.
Mas se tiveres ternura
meu amor se inflama.


(Nei Leandro de Castro)

Cida Airam em Fortal

Nem só de khrystais vive a música potiguar. A baixinha invocada com a cara do nosso Rio Grande está ganhando espaços globais, mas também temos Cida Airam em palcos sulistas e que amanhã pisa no palco do Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza. Cida, que mora há bons anos no Paraná, vai acompanhar Ricardo Horta, violonista mineiro radicado na Áustria há oito anos.

A internet e os jornais impressos

O tema é sempre oportuno. As opiniões favoráveis às duas mídias são tão convincentes que deixa o interessado na discussão confuso quanto ao futuro dos jornais impressos ou a qualidade informativa da internet. De cá, defendo o crescimento e a convivência saudável de ambos.

Defendo a permanência do jornal impresso pelo bem da informação qualificada e a internet como uma espécie de fiscalizadora e veículo de informação mais ágil. O fim de qualquer das duas acarreta enfraquecimento da informação. Não há dúvida quanto a isso para mim. Precisaria de um dia para tecer argumentos.

Fato é que a internet ainda não conquistou poder suficiente para a empreitada de derrubar os jornais impressos. Faltam meios para a autosustentação financeira. Basta o exemplo do portal Nominuto. Hoje mesmo o dono do portal, Diógenes Dantas, teceu longo editorial na rádio para explicar os motivos: falta de grana.

O texto a seguir foi publicado na revista mensal dos Diários Associados e traz a visão do diretor de tecnologia do grupo, Guilherme Machado. A opinião de uma pessoa gabaritada no assunto é sempre bem-vinda, embora a verdade sobre o fato dependa mesmo é do tempo.

Por Guilherme Machado

O tão falado fim dos jornais impressos vem nos atormentando desde o surgimento da internet. Já se passaram mais de 10 anos e o temor continua rondando os jornais em todo o mundo. Estamos assistindo à bancarrota de grandes empresas jornalísticas no mercado americano, processo que já vinha se arrastando e se tornou grave nos últimos anos.

Quando passamos para o mercado europeu, observamos também pequena, mas constante queda no número de exemplares vendidos. Por outro lado, percebemos, também, ações consistentes para se manter os níveis de faturamento. Já há algum tempo, essas empresas focaram suas ações não só no mercado da internet mas também em reformas, tanto nos seus produtos impressos quanto na própria estrutura organizacioal de seus Grupos.

Reduzir custos e aumentar faturamento, expandindo seu portfólio de produtos impressos e o-line (que são baseados em segmentação de audiência long tail) tem sido uma constante. O que se pode observar nesses mercados é que entre esses novos produtos o faturamento quase sempre se mostra muito inferior aos dos tradicionais. Daí ser necessário o lançamento de vários produtos para se manter os mesmos níveis de resultados. Nos mercados indiano e chinês vemos crescimento espantoso do número de exemplares vendidos, mas isso graças ao crescimento na capacidade de consumo das classes C e D.

E então, a internet é realmente uma ameaça? Não. Vejo a internet como grande oportunidade. Empresas de mídia poem aumentar a exposição de seus produtos através desse novo meio, atingindo maior número de leitores, aumentando, assim, sua eficiência e resultados para seus clientes anunciantes. Percebo a internet simplesmente como mais um meio de publicação de informação e serviços, ressaltando como grande desafio o desenho de modelos de negócios eficientes em uma mídia habituada a serviços geralmente gratuitos.

Temos como vantagens competitivas a força e a credibilidade de nossas marcas, além de ossa capacidade em alavancar novos negócios. Acreditamos que com as ações de foco estratégico que vêm sendo tomadas nas empresas de nosso grupo, continuaremos competitivos nesse novo cenário que se apresenta.

Nesse contexto, considero importante ressaltar alguns dos projetos desenvolvidos e implantados em nossas empresas os últimos cinco anos. Os portais de internet Vrum, Lugar Certo, Correio Brasiliense On-Line; o lançamento do nosso portal de empregos Admite-se; a inovadora experiência de extensão de marca e cross media entre o portal Vrum, programa de televisão e, em nome; o grande sucesso em volume de acessos do nosso portal colaborativo Dizaí; o lançamento dos nossos jornais populares AQUI-DF, MG, PE e MA, sucesso absoluto em vendas; os novos produtos impressos como as novas revistas Hit, Ragga e AQUI-TV; a aquisição da TV Brasília; a super-rádio Tupi, agora também em FM, o lançamento de nossa rede de Rádio Clube AM e FM; a D.A Press, as novas empresas de logística em Minas Gerais, Brasília e Pernambuco; as reestruturações nas empresas de Minas, Brasília e a criação do Centro de Serviços Compartilhados em Recife, passando a atender nossas empresas do Nordeste.

Temos agora, como desafio imediato, os novos projetos editorais do CB e do EM, que trazem conceitos revolucionários de como se fazer jornal impresso. A total sinergia com seus produtos na internet e o foco em interatividade por meio de soluções móbile, farão do ler jornal impresso uma experiência fascinante e inovadora.

Quem é o Chico que bateu no bode?


Publico neste espaço a matéria veiculada no Diário de Natal deste domingo. Lá, a matéria saiu cortada. Aqui, sai a íntegra. E com um adendo: se a Banda Grafith toca um som de qualidade questionável como as suingueiras, axés e forrós pornofônicos, para este blogueiro, os músicos são excelentes, versáteis, carismáticos, compositores e também afeitos à boa música. Nos shows há espaço para boa música internacional e clássicos do rock brazuca. São músicos vencedores. São potiguares. Está valendo. Segue a matéria:


A Banda Grafith é talvez a mais longeva do cenário musical potiguar em plena atividade. Atravessou as décadas de 80 e 90 com a marca do pioneirismo no lançamento de ritmos de apelo popular em Natal, como o samba-reggae ou a mais nova coqueluxe do momento: o arrocha e a pisadinha, cujo sucesso Me chama de my love já estourou nas rádios. A formação original dos quatro irmãos músicos se mantém inalterada. A sintonia musical e o repertório sem limite de gênero ou preconceitos permite apresentações em eventos dos mais sofisticados até shows em áreas periféricas da cidade. A flexibilidade de adaptação, a produção elaborada de show independente de local e a qualidade e experiência musical dos integrantes colaboram para shows quase diários e agenda marcada já para 2011.

Os irmãos Grafith driblam os efeitos de um tempo contemporâneo a bandas como Impacto Cinco, Terríveis, Montagem, Banda Mix, Circuito Musical e outras. Todas elas bandas de baile iniciadas entre as décadas de 70 e 80. A Banda Grafith se destaca com algumas composições próprias ou intérprete de músicas que se tornam marca da banda. É o caso do hit do samba-reggae, Camaleão. Outro grande sucesso - Chico bateu no bode - esconde um crítica pouco conhecida ao compositor Chico Buarque. A composição é do genro de Chico, o baiano Carlinhos Brown. “A música estoura com a gente e passa a ser quase nossa. Temos essa marca de apresentar a novidade, agora com o arrocha e a pisadinha”, afirma Cristiano Gomes de Lima Júnior, o Júnior Grafith, que saiu dos palcos para empresariar o grupo.

Durante mais de duas décadas de atividade, a Banda Grafith conquistou um público fiel em diferentes camadas sociais. No carnaval de Macau consegue arrastar mais de 80 mil pessoas - público comparável aos grandes shows mundiais ao ar livre. Foi esse também o público presente no Mossoró Cidade Junina, recorde do evento. O Dvd do grupo foi gravado ao vivo em show para 20 mil pessoas no Shopping Estação, na Zona Norte. O slogam da banda - “Quem sabe faz ao vivo” - reflete a rotina dos irmãos. Eles respiram música e tocam vários instrumentos. “Temos uma legião de fãs sobretudo em estados do Nordeste como Ceará, Pernambuco e Paraíba, e também no Rio de Janeiro. Essa credibilidade nós conquistamos em função de tocarmos tudo e em qualquer canto”, se orgulha Júnior Grafith.

De fato o repertório é tão vasto que os integrantes sequer têm estimativa de quantas músicas compõe o set list da banda. Jovem guarda, reggae, axé, forró, bolero, brega, conforme o pedido. E também à época. O Grafith sempre esteve adequado às novidades de cada geração. Nos anos 80, predominava o rock de Brasília, com Legião Urbana, Capital Inicial, também o Kid Abelha e os Abóboras Selvagens. Na década seguinte, a explosão do pagode romântico e do axé. No novo século, a banda se mantém na crista da onda. A alternância entre ensaios e shows é diária. A média é de 15 apresentações ao mês. Isso durante os últimos 20 anos. O único período de férias do grupo é uma semana após o carnaval.

“E sempre procuramos apresentar a novidade, como o samba-reggae iniciado em 1989, com a música Camaleão (“Olha quem chegou: Camaleão; olha quem chegou meu amor, Camaleão…”). Agora é com a pisadinha e o arrocha. É dessa maneira que a banda fica conhecida. Mas o povo gosta de ver a gente tocando tudo. O povão prefere essa diversificação, com o flashback de músicas internacionais e gosta menos de forró. Nas baladas preferem o axé”, afirma Júnior Grafith. Uma mostra desta diversidade pode ser conferida no Dvd. A música inicial é o clássico Thriller, de Michael Jackson (o Dvd foi gravado antes da morte do rei do pop). Clássicos dos anos 70 antecipam uma série de suingueira até o novo ritmo do arrocha e final com os sambas-reggae de outrora.

História da banda atravessa gerações

Os tropicalistas e a aura psicodélica herdada de Woodstock reinavam naquela década de 70 quando João Bastista de Lima, 53, o Joãozinho, resolveu escapar da severidade da educação militar imposta pelo pai para dar vazão à vocação musical. “Éramos doze irmãos criados com soldados para se formarem profissionais liberais”, lembra Joãozinho. Na vizinhança da casa situada no bairro Santos Reis, outros jovens dedilhavam guitarras e mais tarde formariam a base das principais bandas de baile de Natal.

A primeira experiência musical de Joãozinho uma rápida passagem pelos Infernais, formado no bairro das Quintas. Se firmou mesmo como guitarrista e cantor na The Shinys, em 1974. “Papai perguntou se pelo menos eu estava ganhando algum dinheiro para dar o aval. O medo dele era termos algum vício. Mas nenhum de nós sequer bebe ou fuma até hoje”. Quando Joãozinho saiu do The Shinys, Luís Cláudio de Lima, o Kaka, foi indicado para substituir o irmão. Joãozinho passou a integrar o Alerta 5, depois refundado como Suigeneres, com shows em São Paulo.

Em 1977, Kaka e o irmão mais novo, Carlinhos, se encontrariam na banda Os Impossíveis. Seria o embrião da futura banda Grafith. Enquanto o precursor Joãozinho se apresentava em programas como o Chacrinha, Raul Gil, Clube do Bolinha e outros em São Paulo com o Suigeneres, Júnior também se integrava aos Impossíveis. Quando Joãozinho voltou a Natal em 1981, recusou o convite do Skema Livre para se juntar aos irmãos e o contrabaixista Jaílson. A nova formação dos Impossíveis durou até 1987.

Uma sociedade foi formada com a banda Suigeneres em troca do equipamento de som, fundamental para alavancar qualquer banda na época. Desentendimentos levaram à ruptura. Um micro-empresário de Jardim de Piranhas, fã dos irmãos, vendeu um equipamento completo de som com pagamento dividido em quatro vezes. “Era 1988. Financiamos o carro e apostamos nos shows da campanha política daquele ano. No fim havíamos faturado o equivalente a um mês adiantado. Começamos mesmo daí. O salto mesmo veio com dois grandes shows em Pedro Velho e São José do Mipibu”. Depois vieram as apresentações sequenciais nos vários clubes da época.

Kaka relembra saudoso aqueles anos 80. “As festas em clubes como o América, Assem, Camana, Quintas Clube, eram mais saudáveis. Cada bairro possuía seu clube e as pessoas iam e voltavam a pé, sem violência ou medo. Hoje as casas de shows são fora de Natal. Culpam o som alto no ambiente urbano, mas não sei até que ponto a medida é favorável porque, em contrapartida, aumentou os acidentes nas estradas”. E conclui: “Sinto falta daquela época. Mesmo a música mudou. Sentíamos mais qualidade na música produzida antigamente”.

sábado, 11 de julho de 2009

Duas notícias

Dois comprimidos para engolir nesta madrugada tediosa:

O Domingo na Praça - o melhor projeto cultural destas plagas -, que estava agendado para reestrear em junho e foi adiado para o último domingo de julho, talvez saia em agosto. A culpa? Sempre a burocracia.

Outra: lembram de uma tal Bienal do Livro de Natal? Aquele evento cuja última edição foi um fiasco? Pois este ano tem tudo para fugir das críticas pois sequer vai acontecer.

A informação ainda é extra-oficial. Partiu de livreiros e cordelistas que mesmo antes deste mês julino normalmente procuram reservar espaços nos estandes e este ano receberam a notícia de que nada sequer foi conversado entre prefeitura e estado.

Para amenizar este absurdo, a prefeitura mantém o Encontro Natalense de Escritores para o fim de novembro. E a Fundação José Gugu? A Bienal de Mossoró? Tudo bem, então.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A memória viva de Nei Leandro

Uma beleza o Memória Viva com Nei Leandro de Castro agora há pouco pela Tv Universitária. Participaram junto com o escritor e apresentador do programa, Tarcísio Gurgel, velhos amigos de Nei: o advogado Marcos Guerra e o jornalista Woden Madruga.

Achei mais interessante as duras críticas que Nei Leandro fez à adaptação de seu livro As pelejas de Ojuara ao cinema, pelas mãos de Moacyr de Góes. Até então sabia do desgosto do autor com o filme. Desconhecia que fosse tanto.

A criação da personagem Mãe de Pantanha também foi uma cômica revelação. Outra passagem engraçada foi a provocação de Tarcísio Gurgel quanto aos cachês não-pagos para Nei após suas palestras. O autor do mais novo livro do mercado potiguar - A Fortaleza dos Vencidos - avisou que cansou de palestrar de graça e só participa agora mediante cachê. Mesmo que para eventos locais, quando geralmente nada cobrava.

Aproveito o ensejo para adiantar, e que ninguém nos ouça, que Nei Leandro é um dos convidados já confirmados do Encontro Natalense de Escritores deste ano.

Na noite de autógrafos de ontem, um bom público. Como tem sido nos últimos lançamentos. Não pude ir ao de Cefas Carvalho e ao de Cassiano Arruda. Mas soube do sucesso, sobretudo da fila recorde do último.

O melhor não foi o bate-papo com alguns amigos na Siciliano ou algumas pautas discutidas e agendadas, mas as palavras do escritor no autógrafo do livro. Afora o adjetivo elogioso ocultado pela modéstia do blogueiro, há muito não me colocava na esfera da "nova geração". As palavras massagearam o ego deste mancebo passado dos 30.

E não é pouca coisa. Aposto que ninguém coloca mais Alex de Souza na nova geração (rs).

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Lei do Patrimônio Vivo sai do papel


Depois da lamentação do post abaixo, publico aqui um sinal de vitória. Segue o release da minha antiga colega de Preá, Ramilla Souza. Finalmente a Lei do Patrimônio Vivo saiu do papel. A Fundação José Gugu pode ajudar e muito, como tem feito com o edital de folclore ao colocar técnicos para auxiliarem grupos e mestres no burocrático processo de inscrição. Sem esse auxílio será praticamente inútil essa Lei. Segue a notícia:

Agora é realidade. A Lei do Patrimônio Vivo, apresentada pelo deputado Fernando Mineiro em 22 de agosto de 2007 e aprovada pela Assembleia Legislativa em outubro do mesmo ano, finalmente foi publicada no Diário Oficial do Estado.

Isso significa que folcloristas e mestres da cultura popular com mais de 20 anos de atividades culturais no RN já podem se inscrever e concorrer a uma bolsa de auxílio mensal.

O processo de licitação (inscrição) está aberto até o dia 20 de agosto, na Fundação José Augusto. Podem participar pessoa física ou juridica (grupos) que tenham atuação cultural comprovada e moradia há pelo menos duas décadas no estado do Rio Grande do Norte. Também é necessário ter nacionalidade brasileira.

Serão 10 bolsas no valor de R$ 750, para pessoa física e R$ 1.500, para pessoa jurídica, pagas pela FJA. O concurso será realizado anualmente. No caso dos grupos, é necessário apresentar o estatuto, bem como não ter qualquer fim lucrativo.

Além de poder utilizar o título de Patrimônio Vivo do RN, os beneficiados terão prioridade na análise de projetos no Sistema de Incentivo à Cultura do Estado.

"Uma lacuna será suprida", declara o folclorista e ex-presidente do Conselho de Folclore do Rio Grande do Norte, Deífilo Gurgel. "Até hoje não havia auxílio para bricantes, grupos e artistas individuais do folclore. Agora eles terão condições de sobreviver e apresentar seus trabalhos", afirma.

Para Deífilo um dos pontos mais interessantes da lei é a possibilidade "patrimônios vivos" repassarem seu conhecimento através de cursos, oficinas e palestras. De acordo com a minuta de edital do concurso, serão romovidos "programas, atividades e projetos de ensino e aprendizagem de seus conhecimentos e técnicas, promovidos pela Fundação José Augusto, com todas as despesas custeadas pela mesma".

"Os mestres terão obrigação de transmitir conhecimento. Isso é ainda melhor do que quando eu conseguia pensões vitalícias para alguns deles", conta o folclorista. Como Deífilo explicou, há algum tempo ele já havia tomado uma iniciativa parecida, porém pontual.

Motivação
"A idéia é tentar acolher os mestres da nossa cultura popular e que estão sem apoio ou esquecidos pelo poder público", afirma Mineiro. O objetivo é, portanto, preservar um patrimônio cultural que dificilmente poderia ser registrado e que, com a morte desses mestres, provavelmente também seria extinto.

"Quem melhor pode difundir a obra dessas pessoas são seus filhos, que cresceram dentro dessa cultura. Mas se eles veem que seus pais vivem com tanta dificuldade, claro que não vão querer continuar", declara Deífilo.

O atual vice-presidente do Conselho de Folclore do RN, Gutemberg Costa, conta ainda que alguns dos mestres vivem em situações precaríssimas de saúde. "Eu priorizaria aqueles que estão pior de saúde, em cadeiras de roda, e com idade mais avançada. É uma situação de calamidade", enfatiza.

A escolha dos beneficiados será feita pelo Conselho Estadual de Cultura, com recomendação da Comissão Especial de Registro do Patrimônio Vivo do RN, da FJA.

As inscrições podem ser feitas na Fundação José Augusto, das 7h às 13h. O endereço é: Rua Jundiaí, 641, Tirol. Mais informações no (84) 3232-5337 (8h às 12h) ou pelo www.fja.rn.gov.br

E assim caminha a cutura potiguar

Está desestimulante produzir cultura nesse elefante quase branco do Norte sem sorte. Seja no Estado ou na capital.

O produtor cultural Nelson Rebouças procurou a direção da Fundação José Gugu para pleitear R$ 8 mil a serem empregados na produção de uma coletânea de músicas apresentadas no projeto Poticanto. Isso para divulgar a música dos artistas locais na Feira de Música de Fortaleza, que acontece em agosto e da qual foi convidado.

A explicação dada foi a mesma dada para o pagamento do Prêmio Nubia Lafayette: "Não temos esse dinheiro". Ora, se os artistas já têm dificuldade em encontrar estúdio para gravação e ainda precisam arcar com parte dos custos, ainda por cima precisam se humilhar para receber o prometido pelo edital. É um absurdo.

Na esfera municipal, a burocracia (ou a desculpa de que estão arrumando a casa) ainda emperra o processo de pagamentos. Nesta semana o compositor e intérprete Geraldinho Carvalho foi bater à porta para receber cachês de shows do tempo de votz.

Basta dizer que a prefeitura ainda deve o pagamento do café da manhã servido no Dia da Poesia, ocorrido em março.

Pior. O artista plástico Venâncio Pinheiro prometeu entrar na justiça para conseguir o pagamento referente à decoração do carnaval!

E assim caminha a cultura de Poti.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Homenagem a Fon


Um pedaço da história hippie de Natal se perdeu nas entrelinhas do tempo com a morte do músico Afonso Lima. Fon, como era conhecido, guardava memórias libertárias naqueles cabelos compridos; vontade de Liverpool, embora o jeito compenetrado trouxesse à lembrança um Bob Dylan de respostas aos ventos. Fon nasceu mesmo foi na década de 60. Apareceu para os festivais na Fortaleza dos Reis Magos ou no Juvenal Lamartine; para a contracultura a favor de uma democracia distante das marchas e encontros musicais na Praia dos Artistas. Época de Vândalos - o conjunto de jovens roqueiros inebriados pela doce rebeldia de James Dean.

A psicodelia desfilava pelos corredores da UFRN. “Calças coloridas, bolsas à tiracolo e o som da música…”, lembra o amigo Véscio Lisboa. Pelo inglês fluente de Fon, as mensagens do “velho mundo” pintadas pelas cores de Woodstock chegavam aos rebeldes da província. A residência de Fon era (a) Praia dos Artistas da época; um Cavern Club versão jerimum, voltado para o mar e aberto à música, sobretudo aos sábados de microfones e instrumentos plugados para farras musicais durante a noite. “Gerações de músicos se formaram na casa de Fon: Enock Domingos, Babal, Carlos Moreno, entre outros”, lembra o músico João Galvão.

Fon sumiu há um ano da cena musical. Ficou em estado lisérgico (músico que é músico não vegeta) devido a um tumor no cérebro. Na última segunda-feira ressucitou seu contrabaixo em outros ares. Valeu o esforço, como afirma o amigo de colégio e de rock Nelson Freire: “Há pouco mais de um ano formou-se essa grande corrente torcendo pela sua saúde. A sua partida não invalidou o esforço feito. Até porque sabemos de antemão que temos o bilhete da volta já comprado. Só não sabemos o dia da viagem. É a prova de que a amizade é artigo que não se compra, se conquista. Como você fez, meu primo Fon”.

* Na foto, Fon e o também músico e irmão Lola

segunda-feira, 6 de julho de 2009

De Nei Leandro de Castro


De Nei Leandro de Castro a respeito do livro Fortaleza dos vencidos, a ser lançado quarta-feira na mesma Siciliano do Midway. A matéria completa do agnóstico caicoense e colecionador de imagens de São Francisco sai na edição do Diário de Natal desta terça-feira:

O título do livro remonta tão somente a Natal de ontem ou ainda cultivamos uma aura de “vencidos”?
O livro traz muita referência à Fortaleza dos Reis Magos. São casos e encontros amorosos, paixões imensas que acontecem lá. O último capítulo é todo vivido dentro da Fortaleza. Os vencidos são personagens históricos que ressurgem na Fortaleza para julgar pessoas acusadas de traição. É meio surrealista. Um deles é o judeu Jacob Rabim. Ele ajudou no massacre de Cunhau; personagem importante na trama. Houve um fato curioso: numa reunião de potiguares no Rio de Janeiro eu disse que pesquisava a vida desse judeu e mais de uma pessoa se insurgiu contra a ideia. Criticaram o fato de eu aproveitar a história de um traidor no livro. Pura babaquice. Ora, se a
riqueza do personagem está aí.