sábado, 31 de julho de 2010

Entrevista com Crispiniano Neto

Atraso cultural
Diretor geral da Fundação José Augusto explica os motivos para o não pagamento de editais

Incompetência, má vontade ou vítima do descaso governamental com a cultura? A atual diretoria da Fundação José Augusto (FJA) está soterrada sob escombros de críticas e até ameaça de greve dos artistas revoltados pelos consequentes atrasos no pagamento de editais. Pelo menos cinco faltam ser pagos - uma cifra próxima a R$ 1 milhão. E o adágio ressalta: a corda arrebenta do lado mais fraco. Primeiro, o artista sem verba. Segundo, o gestor da cultura, mau pagador. E quem se lembra do lado mais forte: o dono do dinheiro?

O Governo do Estado disponibiliza R$ 22 milhões mensais aos cofres da FJA. Mais de R$ 18 milhões - quase 90% - são comprometidos com a folha de pagamento dos "funcionários mais mal pagos do estado". O que sobra praticamente desintegra em dezenas de pequenas ações espalhadas pelo Estado. Verba extra para obras, projetos e pagamentos de editais, por exemplo, são efetuados mediante crédito suplementar liberado pelo Governo do Estado. Então, de quem é a culpa pelo atraso no pagamento dos editais?

Outros componentes também influenciam no "calote". A crise financeira internacional é ainda lembrada quando Natal foi das capitais brasileiras mais atingidas pela queda de mais de 50% da arrecadação com os royalties do petróleo. A Lei de Responsabilidade Fiscal e, principalmente, o combate político (ou eleitoral) entre Assembleia Legislativa e Governo do Estado engessou o remanejamento de recursos estaduais. E como já foi dito, o lado arrebentado e mais fraco dos setores do Governo é a cultura.

Não bastassem todos esses motivos, o diretor geral da Fundação, Crispiniano Neto culpa também, na entrevista a seguir, a inexperiência da própria entidade, do Governo e dos artistas com a política de editais. O monstro burocrático aliado ao desleixo dos três entes citados trava o processo. Crispiniano descarta a criação de uma Secretaria de Cultura para o estado como solução e enxerga na aprovação da PEC 150, que tramita no Congresso Federal, a segurança e o mar de rosas tão reivindicado pelo setor cultural Rio Grande do Norte.

Entrevista - Crispiniano Neto

Quais os motivos do atraso no pagamento dos editais?
Pagamos 60%. Dentro do corte de orçamento do Governo, foi o que pudemos garantir. Acho que brevemente começa a sair o resto. Lançamentos 11 editais. Faltam ser pagos quatro: cinema (William Cobbet); cultura popular (Cornélio Campina), teatro de rua (Lula Menezes) e teatro de palco (Chico Vila). A política de editais é uma prática nova e ainda há dificuldade de adaptação do Governo e dos artistas. Às vezes o Governo autoriza a verba, mas o CDE (Conselho de Desenvolvimento do Estado) não libera. A boa vontade confronta com a vontade do "caixa".

O edital de Quadrinhos já foi pago?
Sim, falta o de quadrinhos (Moacy Cirne), que estamos caminhando a passos longos.

Quais dificuldades?
Veja o (edital de música) Núbia Lafayette. Premiamos 40 músicos. Vamos lançar 15 CDs próxima semana porque o resto não entregou a documentação correta e atrasou o de quem entregou. Se o artista tem uma multa de trânsito ou qualquer dívida com o fisco, trava o andamento porque o processo é um só pra todos. Íamos lançar o edital de Literatura Oswaldo Lamartine. Diante da dificuldade financeira, nem começamos. Isso já foi um aprendizado.

Uma secretaria de Cultura amenizaria a burocracia?
Seria uma parte da solução. A outra é a luta nacional pela aprovação da PEC 150. Hoje, por qualquer dificuldade financeira enfrentada se corta verba da cultura para suprir carências na educação, saúde, qualquer setor. A PEC 150 vincula verba de 2% à cultura do orçamento Federal, 1,5% do Estadual e 1% do Municipal. Receberíamos algo em torno de R$ 110 milhões ao mês. Mas hoje, se algo for desviado dos 25% estipulados à educação, o Estado é acusado de inadimplente. Aqui, na cultura, somos inadimplentes por que não gastamos.

Há um movimento de artistas em prol de uma greve geral...
Tudo o que eu aprendi de greve era que se negociava primeiro. Mas veja: contratamos entidade de artistas para realizar o Auto de Santa Cruz. Repassamos a verba do evento e eles gerem tudo. Se existe uma marca é a de repassar o recurso ao próprio artista ou produtor. Foi assim com o Cine Mais Cultura e mais 105 microprojetos. Repassamos R$ 3,18 milhões aos Pontos de Cultura. Foram 53 Pontos de Cultura, com mais 13 suplementes e depois da eleição serão mais 100. Em vez de ficar no balcão negociando, criamos editais e repassamos o dinheiro.

A marca de sua gestão será a adoção da política de editais?
A nossa marca é a busca por uma política cultural. O RN guarda um problema no setor porque cada um quis criar uma política própria. Casa de Cultura é bom, mas não basta.

* Matéria publicada no Diário de Natal deste domingo (aqui, com pequenos acréscimos devido à falta de espaço no jornal)

AQUI

Debate pós-Marcha da Maconha

A fim de desqualificar a proposta de criação de uma agência brasileira para pesquisar e regulamentar os usos medicinais da maconha, os autores citam de modo capcioso o livro "Cannabis Policy: Beyond the Stalemate".

Exatamente ao contrário do que o artigo afirma, o livro provém de um relatório com recomendações claramente favoráveis à legalização regulamentada da maconha.

Conclui o livro: "A dimensão dos danos entre os usuários de maconha é modesta comparada com os danos causados por outras substâncias psicoativas, tanto legais quanto ilegais, a saber, álcool, tabaco, anfetaminas, cocaína e heroína (...) O padrão generalizado de consumo da maconha indica que muitas pessoas obtêm prazer e benefícios terapêuticos de seu uso (...)

AQUI

Aquino Neto dedura Paulo Wagner a Micarla

Rastreando riquezas

Projeto que tem mapeado o patrimônio cultural de Natal espera atingir, até o fim do ano, os 36 bairros da cidade

A cultura natalense está sob a mira de olhares atentos e interessados em catalogar e quantificar o patrimônio cultural da cidade. Desde o início do ano um projeto de mapeamento cultural está em andamento. De forma sigilosa, uma equipe multifuncional formada por antropólogos, poetas e pesquisadores tem vasculhado os bens imateriais nos 36 bairros da cidade. O levantamento dos principais saberes, celebrações e expressões mais relevantes de cada localidade estarão reunidos em um inventário publicado em novembro e disponibilizado gratuitamente na internet.

O poeta, artista plástico e agitador cultural Eduardo Alexandre está responsável pela escrita de crônicas de cada bairro, a partir de uma linguagem poética aliada à pesquisa bibliográfica e de campo. Em agosto, Eduardo Alexandre descansa seu olhar sobre a geografia da Redinha, chamada por Cascudo de "praia bonita". As crônicas de Eduardo Alexandre deverão abrir a publicação. O padrão ainda será definido após reunião compublicitários, segundo explica o gestor de cultura do Sebrae/RN, Eduardo Viana.

"Nossa intenção, além de catalogar os saberes e práticas culturais, é nortear as políticas culturais a partir da riqueza e diversidade cultural de cada bairro", adiantou Eduardo Viana. Outro propósito é de que o inventário seja referência para outras publicações e possa despertar o interesse pela estadualização do catálogo, com o mapeamento cultural dos municípios potiguares. O projeto é uma parceria entre Sebrae/RN, Banco do Nordeste e Fundação Capitania das Artes.

O mapeamento imaterial de Natal levará em consideração durante a pesquisa a sistemática utilizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), referentes a preservação do patrimônio imaterial como os Saberes, as Celebrações, Formas de Expressão e Lugares. Manifestações culturais mantidas nas localidades serão abordadas na pesquisa. A intenção é identificar bens da cultura imaterial como ofício de rezadeira, pescador artesanal, mangaeiro, artistas, festas de padroeiros, carnavais, grupos de danças, folguedos, santuários populares, etc.

Fases
Na primeira fase de execução do projeto foram rastreados os bairros de Nova Descoberta, Ponta Negra, Redinha, Santos Reis, Rocas, Praia do Meio, Bairro Nordeste, Quintas, Bom Pastor, Nossa Sra. de Nazaré, Cidade da Esperança, Nova Cidade, Cidade Alta, Planalto, Guarapes, Alecrim, Felipe Camarão, Praia do Meio. A segunda fase está prevista para iniciar no mês de agosto e contemplará os bairros de Lagoa Azul, Pajuçara, Potengi, N. Sra. Apresentação, Igapó, Salinas, Ribeira, Petrópolis, Areia Preta, Mãe Luiza, Tirol, Barro Vermelho, Lagoa Seca, Lagoa Nova, Candelária, Pitimbu, Capim Macio e Neópolis.

Eduardo Viana ressalta a importância da participação popular na fase de coleta de dados. "A partir de indicações e entrevistas com lideranças comunitárias, agentes de saúde, associações comunitárias, professores, agentes culturais são localizados os possíveis bens culturais existentes nos bairros". E completa: "Com aelaboração do mapeamento cultural imaterial da cidade será possível conhecer a realidade atual das práticas socioculturais, possibilitando a criação de políticas públicas de fomento destinadas às atividades culturais locais".

* Matéria publicada hoje no Diário de Natal

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Kafka em quadrinhos


Híbrido de biografia ilustrada e história em quadrinhos, Kafka de Crumb (Editora Desiderata), com arte do influente e reverenciado cartunista Robert Crumb e texto do escritor David Zane Mairowitz, é uma prazerosa jornada visual através da vida e da obra de Franz Kafka, um dos mais misteriosos e idiossincráticos autores de todos os tempos. Aliando o traço de Crumb à pesquisa detalhada de Mairowitz, a graphic novel - que conta com prefácio de Allan Sieber, um dos principais nomes da atual geração de quadrinistas brasileiros - foge dos clichês e lança um olhar original sobre as comumente mal interpretadas questões kafkianas, se tornando um prato cheio tanto aos leitores iniciados de Kafka e Crumb, cujos trabalhos se revelam surpreendentemente complementares, quanto àqueles que desejam ser apresentados a esses artistas que, apesar de não terem nascido no mesmo século, responderam, cada um a seu modo, às questões impostas pela vida moderna.

Insolação, no Cine Cult


Nesta sexta-feira, o drama nacional Insolação (2009), de Felipe Hirsch e Daniela Thomas, entra em cartaz no Cine Cult do Cinemark do Midway. Até 5 de agosto, sempre às 14h, o espectador assiste ao longa pagando R$ 7 (inteira) e R$ 3,50 (meia). O filme conta a estória de uma cidade vazia, castigada pelo sol, onde jovens e velhos confundem a sensação febril da insolação com o início delicado da paixão. Como espectros, eles vagam entre construções e descampados em busca do amor inalcançável.

Silêncio da Mata

O projeto Som da Mata deverá ficar parado o resto do ano em razão de briga judicial

Uma reviravolta no processo licitatório para ocupação artístico-cultural do espaço do Parque das Dunas pode travar o reinício dos projetos Som da Mata, Bosque em Cena e Dançando nas Dunas. O vencedor da licitação para administrar os projetos culturais no espaço foi substituído pelo último colocado no processo. A alegação: o valor mínimo da licitação – estipulado pelo próprio Idema – é inviável para tocar os projetos. Ou seja: a lógica da licitação foi invertida e venceu quem colocou o valor mais alto.

O valor inicial do pregão realizado na primeira quinzena de junho para promoção dos três projetos culturais foi de R$ 484,5 mil. O pregão foi vencido pela empresa do produtor Amaury Júnior, com valor de R$ 297,5 mil - quase a metade do orçamento. “Ele baixou tanto o preço que fui obrigado a desistir", lamentou Marcos Sá, criador dos projetos e vencedor das últimas licitações por falta de concorrência. O terceiro concorrente foi o empresário Bruno Melo, que colocou o preço mais alto e hoje é o novo administrador dos projetos culturais no Parque das Dunas.

O valor inicial estipulado pelo Idema foi de R$ 484,5 mil. Aberto o pregão, o valor caiu para R$ 297,5 mil e Amaury Júnior foi declarado vencedor do pregão. Um ofício assinado pelo então diretor geral do Idema, Marcos Aurélio, autorizou a homologação da empresa de Amaury como administradora do espaço cultural do Parque. “Quando chegou na administração financeira, pediram nova análise do processo. Uma comissão formada pelo novo diretor geral (José Gotardo Emereciano) e outro funcionário do Idema decidiu que o valor era ‘inexequível’ para o projeto e, sem nova licitação, chamaram Bruno”, disse Amaury.

Segundo Amaury Júnior, o valor final do projeto, sem nova licitação, foi orçado em R$ 515 mil para ser administrado pelo empresário Bruno Melo, dono da empresa Prática, responsável pela promoção de eventos esportivos, culturais, convenções etc. Bruno foi convocado a comparecer ao Idema, mediante publicação no Diário Oficial do Estado. “Desconheço o novo orçamento que irei trabalhar. Foi marcada reunião para próxima semana e deverei me inteirar sobre o assunto, inclusive o cronograma de apresentações”, disse.

Recurso judicial
Amaury Júnior já elaborou peça para ingressar com ação judicial junto ao Ministério da Fazenda (o qual o Idema é vinculado) para embargar o processo. “Acredito que essa briga judicial seja alongada até que meu direito seja reconhecido. Essa disputa judicial deve se arrastar até o fim do ano. Mesmo que eu seja homologado, acredito em atrasos de pagamento só de pirraça”, estima. Amaury já ganhou ação com parecer do setor jurídico do Idema. A ação foi movida por Bruno sob alegação de que a empresa de Amaury não tem vínculo com a cultura

Segundo Bruno Melo, “o Idema achou que o valor do pregão vencido por Amaury iria forçar a diminuição do cachê pago aos artistas. Por conseqüência, eles iriam rejeitar o convite e seriam contratados artistas de menos qualidade, o que comprometeria o nível do projeto”. E completou: “Eles (Amaury e Marcos Sá) entraram numa disputa suicida. Serviço não pode ser só preço. Por isso foi formada nova comissão para reavaliar o processo. Fui responsável e não baixei o preço a esse ponto. Agora, desconheço qual o critério jurídico do Idema para anular o processo”, ressaltou Bruno.

O processo não foi encontrado na diretoria ou no setor de licitação do Idema. A assessoria jurídica do órgão afirmou que há determinação na Lei 8.666/93 para anular licitações cujo valor seja “inexequível” ou abaixo do mercado. É notório que o valor inicial estipulado é baseado em cotações junto a empresas que promovem eventos semelhantes. No entanto, a assessoria preferiu se resguardar da afirmação de como o pregão chegou ao tal valor inexeqüível, para só depois anular, por desconhecer o processo em questão.

Projetos culturais
O pregão vencido por Amaury Júnior e agora administrado por Bruno Melo prevê 185 apresentações culturais em um ano (65 de música instrumental, de dança e teatro infantil), mais a confecção de CD e cópia de duas mil unidades gravadas a partir dos shows musicais. A patente dos nomes dos três projetos pertencem ao criador e então produtor dos projetos, Marcos Sá de Paula, que já foi informado previamente por Bruno Melo para tocar os projetos.

* Matéria publicada hoje no Diário de Natal

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Catita sai do buraco

Espaço Cultural Buraco da Catita volta à ativa após jejum de sete meses repleto de atrações

Um dos espaços culturais mais prestigiados pelo natalense será reaberto neste sábado. O Espaço Cultural Buraco da Catita volta com o tradicional chorinho e shows adicionais para marcar a festa de reabertura. A partir das 20h tem início o show do Grupo Catita Choro & Gafieira. O grupo da casa recebe como convidados o Octeto de Saxofone da UFRN e as cantoras Juliana Barbosa e Camila Masiso.

A reinauguração ocorre após uma pausa de sete meses. Durante o período, o prédio esteve em reforma - toda ela realizada com recursos próprios. Também durante esse período, a travessa José Alexandre Garcia ficou interditada por motivo da obra de reurbanização feita pela Prefeitura. O passeio público ganhou novas e mais luminárias e um piso no lugar do antigo calçamento de paralelepípedo.

Nesta nova fase, a ideia dos sócios-fundadores, o músico Camilo Lemos e o arquiteto e também músico Marcelo Tinoco, é otimizar o Espaço Cultural, oferecendo, além de música, atividades em outras áreas artísticas. Quanto à programação musical, por enquanto o Buraco da Catita abrirá às sextas-feiras com o chorinho e às quintas com jazz e música erudita. A intenção é, até o fim do ano, ter atrações diferenciadas em todos os dias da semana, exceto domingo e segunda-feira.

O Buraco da Catita se originou da reunião informal de amigos músicos em 2007, ainda no Beco da Lama, Cidade Alta. Em abril de 2008, migrou para o atual endereço, na travessa José Alexandre Garcia, entre a avenida Duque de Caxias e a rua Câmara Cascudo, Ribeira. Marcelo Tinoco alugou e depois comprou o prédio. Ele foi fazendo pequenos reparos na estrutura. Em 18 de dezembro de 2009, parou tudo para fazer uma reforma maior. O Buraco volta ampliado, com mais conforto para o público e a qualidade musical de sempre.

Reinauguração do Buraco da Catita
Data e hora: amanhã, às 20h
Quem: Catita Choro & Gafieira, Juliana Barbosa, Camila Massiso e Octeto de Saxofone da UFRN
Onde: Travessa José Alexandre Garcia, 95, Ribeira

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Diogo Mainardi deixa Brasil e evita Justiça

Por Luís Nassif
Publicado no site Vermelho

Diogo Mainardi vai deixar o país: Evitando a Justiça?

Diogo Mainardi está saindo do país. Na sua crônica, brinca com o medo de ser preso.
É medo real. Condenado a três meses de prisão pelas calúnias contra Paulo Henrique Amorim, perdeu a condição de réu primário.

Há uma lista de ações contra ele. As cíveis, a Abril paga - como parte do trato. As criminais são intransferíveis. E há muitas pelo caminho.

Há meses e meses meus advogados tentam citá-lo, em vão. Foge para todo lado. A intimação foi entregue na portaria do seu prédio, mas os advogados da Abril querem impugnar, alegando que não foi entregue em mãos. Tudo isso na era da Internet, quando todo mundo sabe que ele está sendo procurado para ser intimado.

A outra ação, contra Reinaldo Azevedo, esbarra em manobras protelatórias dos advogados da Abril. A ação prosperou porque colocada no Fórum da Freguesia do Ó - região da sede da Abril. Os advogados da Abril insistem em transferi-la para a Vara de Pinheiros.

O Mainardi vai embora sem pagar o que deve

Amigo navegante me telefona para dizer que o Diogo Mainardi escreveu na Veja, a última flor do Fascio, que vai embora.

Por Paulo Henrique Amorim
no Conversa Afiada

(O meu simpático zelador tem instruções para não entregar o exemplar da Veja em casa. Ele corresponde a uma assinatura que não é paga desde tempos imemoriais, diria o Mino Carta. Não quero que o Daniel Dantas me processe por furto). Isso é um perigo. O Mainardi me deve dinheiro. Ele perdeu no Supremo Tribunal Federal, por decisão do Ministro Toffoli, recurso em uma causa que movo contra ele. Contra ele e o patrão, o Robert(o) Civita.

Ele disse na revista do patrão que eu recebia dinheiro de quem eu não recebia. Como aquele advogado de Dantas que, por isso mesmo, também me deve um dinheiro. Interessante que o próprio Mainardi foi quem disse que só escrevia por dinheiro.

Amanhã, vou perguntar ao José Rubens Machado de Campos como faço o Mainardi me pagar. Preciso do dinheiro para enfrentar as 962 causas que o Daniel Dantas move contra mim. Numa, j? ? ganhei por 3 a 0.

Interessante: uma ideia me passou pela cabeça: será que existe algum nexo entre Mainardi e Daniel Dantas? Será que a fuga de um não prenuncia a do outro?

Publicado em 26 de julho de 2010

Do jornalismo cultural servil

Por Ricardo Soares
no blog de Franklin Jorge

Hoje acho triste especialmente que não tenhamos idéias a mudar como temia o Barão de Itararé. O jornalismo cultural parte de falsas premissas, pratos feitos e já servidíssimos pelo mercado, preconceitos. Está muito mais ligado a marketing cultural do que a jornalismo cultural. Ou seja: divulgue-se bem e fique bem na fita. Por isso os assessores de imprensa, consultores e personal bullshits se tornaram tão primordiais.

AQUI

Rock Potiguar na SBPC (?)

Por Rodrigo Cruz
do Rock Potiguar Produções

Nosso produtor, Rodrigo Cruz recebeu o convite de Daniel Campos, produtor da UFRN, para que o RockPotiguar Festival fizesse parte do SBPC Cultural. Na oportunidade, foi nos oferecido o "palco externo" do evento, que se daria no bar Sgt Peppers, no bairro de Ponta Negra, nos dias 27 e 29 de julho. A programação, segundo e-mails trocados entre Rodrigo Cruz (RockPotiguar), Daniel Campos (UFRN) e Mariana (Sgt Peppers Ponta Negra), seria GRATUITA, assim como toda a programação do SBPC Cultural. Todas as bandas, dos dois dias do "palco" (SeuZé, Coronel Drake, Mobydick, Buck Rogers, JackBlack e VnV), saberiam que iriam tocar de graça, pela visibilidade que um evento dessa grandiosidade traz.

A RP Produções fez total divulgação e assessoria de imprensa do evento, como em quaisquer eventos da produtora, mesmo trabalho sendo voluntário, com base no que foi combinado. Divulgação em sites, Twitter, Orkut, mailing pra 5 mil e-mails, além de e-mails para a imprensa. Quando fomos informados que a nossa equipe não teria direito a nenhuma consumação, e após uma SMS de Mariana "O gerente não liberou consumação, mas tá tudo em ordem aqui", não mandamos representantes. Surpresa que o Rodrigo Cruz teve foi grande quando recebeu 3 ligações de conhecidos dizendo que estavam cobrando uma entrada de R$3,00, em um evento largamente divulgado como programação gratuita. Inclusive acompanhantes de músicos pagaram.

O Portal RockPotiguar se sente no dever e no direito de informar todo esse ocorrido, e nos desculpar com as muitas pessoas que lotaram o Sgt Peppers Ponta Negra em plena terça-feira para um evento que seria do RockPotiguar. A programação do RockPotiguar no Sgt Peppers encerra por aqui, e não sei do que chamarão o restante da programação. Deixamos claro que vamos tomar medidas cabíveis contra os responsáveis pelo ocorrido.

Equipe RP Produções e Portal RockPotiguar

Do blogueiro: O blog está aberto a contraargumentações da assessoria do Sgt. Peppers ou quem tenha se sentido prejudicado com as afirmações acima.

Do show da música potiguar

Por Zé Dias
enviado por email

Na semana que passou, acreditem, eu que não sou muito afeito a ir a shows, relatei da minha alegria com shows de Tânia Soares, Valéria, Liz Rosa e Khrystal. Pensei que estava satisfeito com o que tinha visto. Nem bem terminou a semana com o ótimo show de Khrystal em Pipa, eis que a Rosa de Pedra, grupo potiguar que esteve na Globo no Som Brasil de Dominguinhos, é ovacionada por centenas de jovens no show da SBPC. Lindo. Com composições autorais e de artistas do RN (Ricardo Baia), abrindo uma exceção para duas canções de Dominguinhos, a Rosa de Pedra balançou o coreto. Não satisfeito, fui ver o Projeto Retrovisor (ANGELA CASTRO, KHRYSTAL, LUIZ GADELHA, SIMONA TALMA E VALERIA OLIVEIRA num Circo da Luz lotado na mesma SBPC. Não sobrou um disco para vender. No Domingo, num belissimo show de Zeca Baleiro, antes, no show de Lia de Itamaracá, Carlos Zens, João Paulo e Rafael do Cavaco, mostraram o grande momento por que passa a música instrumental do RN.

Estou velho e não dá para sair muito de casa, mas amanhã tem Liz Rosa no Veleiros cantando sucessos de Elis Regina, e vou sonhar, sem poder ir ver, pois o show será em São Paulo, no Iibirapuera, com Valéria Oliveira e sua banda, com o show NO AR. Queria ter asas para voar e dá uma olhadinha nesta excelente cantora que tem quatro discos lançados no Japão e num deles, Edu Lobo canta com ela. Edu Lobo não é homem de fuleragem não.

Bom Dia e minha eterna gratidão à MÚSICA que se produz no RN

Zé Dias

PS: Estou falando do que vi, mas tem muita coisa boa que ronda na nossa cena musical

De quatro para a literatura

Editora Sebo Vermelho lança quatro livros de uma vez hoje na tenda da Feira de Livros da SBPC

O novelo do tempo estará descrito em prosa, fotos e fatos hoje na SBPC. A editora Sebo Vermelho lança quatro livros de uma vez – uma punhalada na inércia “literária” das fundações culturais do estado e município. A história começa em 1633, com o livro Os holandeses na Capitania do Rio Grande, do historiador Olavo Madeiros. O Seridó caicoense é homenageado pelas lentes dos fotógrafos João Maria Alves e Francisco Souza, com Cidade Seridoense – Caicó, e Caicó através do tempo, respectivamente. Além do soco literário deferido pelo escritor Moacy Cirne na editora Global, com o livro Dicionário do Folclore Brasileiro – uma edição desfigurada. Os quatro livros serão vendidos por R$ 30, cada, no estande do Sebo Vermelho, situado no espaço entre a TV Universitária e o Ginásio Poliesportivo.

“O livro de Olavo Medeiros Filho é tão completo que poderia ter o subtítulo de Enciclopédia dos Holandeses no RN”, afirma o editor Abimael Silva. No livro há a descrição do litoral potiguar em 1620, o desembarque na praia de Areia Preta em 1633, os massacres de Uruaçu e Cunhaú, a pretensão de construir a Cidade Nova, a Nova Amsterdã e outras passagens históricas. Para descrever a importância do registro fotográfico de uma Caicó em preto e branca, as palavras do professor e ex-diretor do Museu Seridoense, Muyrakitan Macedo, na apresentação do livro de Francisco Souza: “Afinal, o simulacro da imortalidade cabe tanto aos gestos fotografados, quanto ao ato de quem antesoura almas”. Assim também se vale a Caicó das lentes do repórter fotográfico João Maria Alves, que estará no local a partir das 10h para autógrafos do livro.

O último livro é o relançamento de Moacy Cirne, após concorrida noite de autógrafos na Livraria Siciliano do Midway. Em Dicionário do Folclore Brasileiro – uma edição desfigurada, o poeta disseca equívocos redacionais, interpretativos e comparativos da edição original do mestre Câmara Cascudo, publicada em 1956, e a reedição proposta pela editora paulista Global, em 2001 e só agora analisada com os cuidados e a abrangência midiática merecida.

Anjo Azul praiano


Desprestígio à arte provoca transferência de escultura gigante de Natal à praia de Caraúbas

O anjo azul de 12 metros de altura esculpido na avenida mais movimentada da cidade será transferido para outra cidade. A notícia parece menor quando o motivo para a remoção é o desprestígio do natalense com a arte. A Galeria Anjo Azul – onde a escultura de Jordão está alojada – fechou por falta de público. E lá estavam expostas obras dos maiores artistas potiguares e de nomes internacionais. Outro sintoma da cidade que desconsagra qualquer artista foi constatado ao doar a mais cara e renomada obra de um dos maiores escultores do Estado. Segundo o próprio Jordão, durante semanas ninguém quis receber o Anjo.

O interesse partiu da vitralista Analys Berti. A área da Galeria Anjo Azul foi vendida junto com a estátua a Adroaldo, dono de loja de tapetes. Até iniciar a reforma, Adroaldo colocou à disposição o Anjo Azul a quem desejasse levar. Seria uma espécie de troca: ela doaria a quem patrocinasse a retirada da estátua. Analys, amiga de Adroaldo, abocanhou a chance e entrou em contato com a prefeitura de Maxaranguape para firmar compromisso de fincar a escultura na praia de Caraúbas – um distrito da cidade ainda dominado pela beleza rústica de uma vila de pescadores, localizada a 50 quilômetros de Natal.

Por enquanto há o compromisso da prefeitura e dois projetos em mente para abrigar a estátua. O primeiro é próximo à Igreja de Caraúbas. “Um arquiteto até já veio falar comigo. Parece que só falta a ‘dinheragem’. Minha ideia era de água ao redor da estátua, com água jorrando e iluminação bonita”, vislumbrou Jordão. A ideia da nova proprietária da obra é a outra alternativa: “Na praça ela iria competir com a Igreja que é muito bonitinha e de mesma altura. Seria mais adequada mais embaixo, numa enseada, próxima à vila de pescadores. Mas por enquanto o quero mais é atitude em retirar a estátua”, estima Analys.

A remoção da obra é complexa. “É coisa tão cara quanto foi a elaboração da escultura. E essas coisas sendo pela prefeitura são muito morosas, né?”. O escultor adianta ainda que será preciso cavar o redor da base e retirar as peças possíveis de remoção para facilitar o trabalho do guindaste em colocar a obra em um caminhão baú, para só então iniciar novo trabalho de concretagem da estátua – esculpida em concreto armado – em seu novo local de exposição.

Jordão encarou a transferência com ponderação. Após trabalhar a olhos vistos na obra entre o dezembro de 2006 e outubro de 2007, o artesão disse perder a visibilidade diária de uma escultura fincada em uma das principais avenidas da cidade. Mas comemorou também as possibilidades do novo local, mais visto por turistas e enaltecida pelos nativos. “Até estou pensando em montar um cantinho para eu trabalhar lá em Caraúbas”. Essa notícia também motivou Analys, já proprietária de um atelier na praia. “Podemos montar no local um ponto cultural e artístico. Será ótimo para a cidade”.

Longe do prestígio conquistado pelo colega de ofício, Chico Santeiro, em meados do século 20, quando chegou a receber uma casa na pitoresca praia de Areia Preta, pelo então governador do Estado, Dinarte Mariz, Jordão ainda consegue sobreviver da arte, em uma casa humilde situada no conjunto Morro Branco. Ficou mais conhecido como o autor da estátua Anjo Azul, encomendada pelo comerciante Anchieta Miranda, então dono da Galeria homônima e abrigo para variadas vertentes da arte: escultura, pintura, entalhes, antiquários, objetos decorativos e outros níveis da arte.

* Matéria publicada hoje no Diário de Natal
- Foto: Daiane Nunes

Da província para o mundo

O blog amanhece hoje todo internacional, com acessos da Índia, Itália, Canadá e Austrália - provavelmente causada pelo vídeo de Lula. E a deixa serve para noticiar a reformulação desta página. É projeto pra agosto ou setembro, mas virá com formato totalmente novo e proposta editorial levemente diferenciada, ou incrementada, digamos. E desde já o blogueiro já clama pelos dificultosos patrocínios empresariais - ainda difíceis em tempos de anúncios impressos e acessos gratuitos. As "gentiletes" (fãs de Danilo Gentili) ainda persistem - maldita entrevista aquela! -, mas aos poucos o número de acessos ao Diário do Tempo se normaliza e parece voltar à habitual média de 200 visitas diárias. Caminhemos que hoje o diá é de sol e muito trabalho mal pago!

terça-feira, 27 de julho de 2010

As lágrimas de Lula



Tinha visto Lula chorar duas vezes. A última foi em entrevista recente à Rede TV, quando falava da morte de sua primeira mulher ainda grávida. A outra faz um bom tempo. Foi ainda em comício, antes de sua primeira vitória eleitoral. Ele falou ao microfone, para milhares de pessoas, algo mais ou menos como "nunca duvide da força do PT", e chorou muito. Mas nunca vi e nem esperava assistir o presida chorar ao falar da situação econômica e social do país. Nem tão emocionado. Nem mesmo quando chorou em razão da morte de sua primeira mulher - fato emocionante até no mal feito filme do Barretão. Esse é o retrato de alguém que, bem ou mal, quis melhorar este país.

Reunião do Sindjorn - informe 4

Com apenas quatro participantes e mais alongada, mais uma reunião do Sindjorn na noite de hoje produziu bons avanços. Reafirmo a importância de melhor participação de jornalistas e estudantes nas reuniões, realizadas todas as terças, às 19h30.

Além da pauta salarial, que combinamos não divulgar nada por aqui antes de fecharmos todos os ajustes, cálculos e consensos, a festa de posse da nova diretoria marcada para 13 de agosto (uma sexta-feira) e o envio dos cinco delegados potiguares ao Congresso Nacional dos Jornalistas, em Porto Alegre, foram os assuntos recorrentes.

Festa de posse
Fechamos a parceria com o churrasquinho do Pedrão para os comes-e-bebes da festa. A questão ainda em aberto são as atrações musicais. Diante da falta de grana do Sindicato, pedimos novamente a colaboração de músicos e, principalmente, jornalistas músicos para uma participação. O som - de qualidade - ficará por conta do Sindjorn.

Vale salientar ainda que, mesmo uma participação voluntária, o músico receberá em troca a divulgação do evento como uma espécie de pagamento mínimo pela colaboração e vales para cerveja e churrascos por conta. Mas, reafirmo: a participação é, fundamentalmente, voluntária. Infelizmente o Sindjorn não tem como pagar.

Aliás, embora o acesso seja gratuito, o Sindicato venderá camisas com a estampa "Salário de Jornalista: Uma Vergonha!" durante a festa para arrecadar algum dinheiro. O preço ainda será definido. Provavelmente R$ 15, para, se conseguirmos vender 100 camisas até setembro, lucrarmos R$ 500.

O jornalista Moisés de Lima já confirmou presença no início da festa. O repertório musical do rapaz é tão vasto que nem sei o que vem pela frente. De certo, coisa boa e bem tocada. Já tentei com outros jornalistas, ainda sem sucesso. E tentaremos com um grupo de samba e um maluco do brega.

A solenidade de posse começa às 19h com a inauguração da Galeria Rogério Cadengue, com fotos de todos os ex-presidentes do Sindjorn. Em seguida, começa o auê, por volta das 19h30.

Congresso Nacional
A respeito do Congresso, acredito que interessa ao leitor deste blog o intuito do Sindjorn em levar estudantes de jornalismo ao evento, como observadores. Os 5 delegados são, necessariamente, profissionais. É uma exigência normativa. Serão enviados ofícios às três universidades (UFRN, UnP e UERN) para discutirmos essa possibilidade.

Os custos para o estudante serão em torno de R$ 200, com direito a hospedagem, alimentação e duas festas na friorenta capital gaúcha. As passagens seriam pagas pelas universidades, caso seja firmado o acordo. E os estudantes estariam engajados junto aos cinco delegados representantes do Sindjorn no evento.

Em 3 de agosto, os cinco delegados serão escolhidos em assembléia realizada na sede do Sindicato. O Congresso será realizado entre os dias 18 e 22 de agosto.

Informes finais
De antemão já convoco mais uma vez jornalistas e estudantes à próxima reunião. Hoje já recebi telefonema de mais um interessando em participar. Semana passada, foi via twitter, de outro recém-formado. Infelizmente ninguém compareceu, mas já é um começo. A data base para campanha salarial está próxima e é importante esse engajamento, essa união.

Até terça!

Sallinger: uma vida dedicada à literatura


Por Juliana Cunha
na Revista Literatura

"Seria absurdo afirmar que a atração pela poesia da maior parte dos jovens é de muito excedida por sua atração pelos detalhes da vida do poeta, abundantes ou não, que poderiam ser aqui definidos, sem rigor técnico, como escabrosos. Mas esse é o tipo de idéia absurda que, um dia, eu talvez venha a testar cientificamente.

De qualquer modo, tenho a mais absoluta certeza de que, se pedisse às sessenta tantãs (ou melhor, às sessenta e tantas moças) que compõem minhas duas turmas de Literatura para Publicação - a maioria no último ano da universidade, todas se formando em Língua Inglesa - para citarem uma linha, qualquer linha, do 'Ozymandias', ou pelo menos para dizerem do que se trata o poema, duvido que dez delas pudessem fazer uma coisa ou outra; mas apostaria minhas recém-plantadas tulipas que umas cinqüenta seriam capazes de me dizer que Shelley era inteiramente favorável ao amor livre, que uma de suas mulheres escreveu 'Frankenstein' e que a outra se suicidou por afogamento". J.D. Salinger, em "Seymour, uma apresentação"

AQUI

Nicolelis homenageado, mas nos EUA

Do portal G1

O médico brasileiro Miguel Nicolelis foi anunciado como ganhador do prêmio do Instituto Nacional de Saúde para pesquisas pioneiras. Ele vai receber US$ 2,5 milhões (o equivalente a R$ 4,5 milhões) em financiamento para expandir seus estudos do cérebro humano, segundo um comunicado da Universidade Duke, onde ele trabalha, nos Estados Unidos. Ele é o primeiro cientista brasileiro a ganhar o prêmio, que é o mais prestigioso oferecido pelo governo dos Estados Unidos para pesquisadores da área.

AQUI

Inscrições para o Festival SESI Música 2010

As inscrições para o Festival SESI Música 2010 se encerram no próximo dia 30 de julho e podem ser feitas no Solar Bela Vista (Rua Câmara Cascudo, 417). O regulamento e a ficha de inscrição está disponível no portal da FIERN - Federação das Indústrias - www.fiern.org.br.

Serão escolhidos dez finalistas, cinco na categoria composição inédita e cinco em interpretação. Os vencedores dos primeiros lugares em cada categoria seguirão para a etapa nacional, que ocorrerá em Belo Horizonte.

O SESI Música, que está em sua segunda edição, é destinado aos trabalhadores das indústrias e seus dependentes diretos, com o intuito de oferecer oportunidades de integração na cultura musical, melhorar o desenvolvimento profissional e revelar artistas, poetas, músicos e cantores industriais de todo o Rio Grande do Norte. É voltado a todos os gêneros e estilos da música popular brasileira.

No ano passado o nível dos concorrentes e o número de espectadores surpreenderam os organizadores. "Um dos objetivos desse projeto é promover o acesso do trabalhador da indústria e seus dependentes à cultura", afirma a Gerente de Cultura do Solar Bela Vista, que coordena o evento, Edina Costa Ribeira, que lembra que na década de 1980, o SESI realizou festivais de música.

Um outro aspecto destacado por Edina é quanto à capacitação artística, considerada fundamental para o Festival SESI Música. O SESI oferece oficinas, cursos e palestras, nos segmentos de Expressão Corporal (Leila Araújo), Interpretação (Diana Fontes) e Técnica Vocal (regente Marilene Dantas) aos participantes.

O Festival será realizado em duas etapas. Semifinal e final no mês de setembro de 2010, tendo como meta, o atendimento em torno de 80 trabalhadores e dependentes inscritos, tanto na capital, como no interior do estado, assim como 50 empresas visitadas. "Essa meta com certeza será ultrapassada, devido ao trabalho feito diretamente com as empresas e pelo interesse e procura por parte dos industriários", diz Edina Costa.

A expectativa é que o Festival, cujo final será no Teatro Alberto Maranhão, seja assistido por cerca de 1.200 espectadores, entre industriários, dependentes, comunidade e artistas locais.

Serviço:
Inscrições: 07 de junho a 30 de julho;
Resultado dos selecionados: 09 de agosto;
Oficinas: 16 de agosto a 09 de setembro;
Semifinal: 10 de setembro às 19h - Auditório Albano Franco/Casa da Indústria, onde serão escolhidos: 05 finalistas, em Composição Inédita - 05 finalistas em Interpretação
Final: 20 de setembro às 19hs, no Teatro Alberto Maranhão.

MAIS INFORMAÇÕES: 3212-1904

Videoclipe Natal 400 anos



Musica: NATAL DE 400 ANOS
Autor: Nelson Freire
Arranjos: Eduardo Taufic
Interprete: Nelson Freire
CD: Essências
Estudio: PROMIDIA
Ano: 2008

5 livros de Cascudo reeditados


Livros reeditados pela Editora da UFRN: A História da Cidade do Natal, Na Ronda do Tempo, Ontem, Pequeno Manual do Doente Aprendiz e Gente Viva. A solenidade será às 17h desta quinta-feira, no Saguão da Escola de Música.

Carlos Zens na SBPC


Carlos Zens apresenta o show Do Mar ao Sertão

Carlos Zens, instrumentista, compositor e professor de música, segue nas veredas da música potiguar e da música brasileira, e apresenta o show Do Mar ao Sertão - especialmente formatado a programação cultural da 62ª SBPC. Investindo num tom alegre, leve e rítmico, que contempla o mar e venera o sertão, Zens sobe ao palco principal amanhã (dia 28/07), às 21h, ao lado de participações mais que especiais de alunos e amigos.

Além da música, o artista abre o leque de possibilidades e nos presenteia com as intervenções poéticas Imensidão [“Cheiro salgado de um cavalo suado, quem galopa no mar?", de Guimarães Rosa]; Sertão Verde ["Não gosto de sertão verde, prefiro o sertão vermelho, bruto, bravo, com o couro da terra furada pelos serrotes hirtos, altos, secos, híspidos", de Câmara Cascudo] e Janelas do Mar, de Odylo Costa Filho. A performance será protagonizada por Felipe Ramos, aluno do instrumentista.

No repertório, músicas autorais como “Caravanas Brasileiras” Carlos Zens/Pedro Paulo; ”Tempo de Espera”, Carlos Zens/Petrônio Aguiar; ”Timoneiro dos Ventos“, Carlos Zens; e ”Cirandando pela praia”, Carlos Zens, entre outras; divide as atenções do público com clássicos como "O Trenzinho Caipira", de Villa Lobos; ”A mãe d’agua e a Menina”, de Dorival Caymmi; “Serenata do pescador“, de Othoniel Menezes e Eduardo Medeiros; e "Ponta de Areia", de Milton Nascimento e Fernando Brant - ou melhor: maracatu, samba de roda, ciranda, maxixe, coco e baião.

Carlos Zens (flauta, sax soprano e voz) estará acompanhado do violonista Pedro Paulo (10 cordas), Ricardo Menezes (violão de 7 cordas), Gustavo Medeiros (cavaquinho), dos percussionistas Dudu Campos, Sami Tarik, Kleiber Viana e Del do Pandeiro. Mais participações especiais do grupo de percussão/educação musical KIZAMBE, Felipe Ramos (escaleta e poemas) e Felipe Érick (flauta transversal).

MOSAICO CULTURAL – Anfiteatro da Praça Cívica da UFRN

Constituído por apresentações artísticas representativas de Natal, assim como de algumas cidades do Nordeste e de outras regiões do Brasil – denotando uma rica diversidade artística e um grande mosaico cultural em cena. O mosaico será realizado no Anfiteatro do Campus localizado na Praça Cívica da UFRN.

21h20 – Projeto Música Potiguar Brasileira 88,9 FM – Show Carlos Zens - Do Mar ao Sertão

REPERTÓRIO
Abertura:

Poema “JANELAS NO MAR”, recitado por Felipe Ramos e Felipe Erick - alunos de Carlos Zens

PONTA DE AREIA
PEIXINHOS DO MAR
MENINO DA PAZ
CARAVANAS BRASILEIRAS
O TRENZINHO DO CAIPIRA
A MÃE [WINDOWS-1252?]D’AGUA E A MENINA
CORDÃO DOS PASTORES

Poema “IMENSIDÃO”

TIMONEIRO DOS VENTOS
TODO MENINO É UM REI
EU NÃO TENHO ONDE MORAR
CALANGO DA PRAIA
ARARUNA
TEMPO DE ESPERA

Poema: “NÃO GOSTO DE SERTÃO VERDE”

EU CANTO ESSE COCO
COCO DE CANGULEIRO
ESCADARIA
SERENATA DO PESCADOR
CIRANDANDO PELA PRAIA
ESTA CIRANDA É MINHA
MARINHEIRO SAMBA
SUITE DO PESCADOR

Enfim, uma Bienal

Natal e Mossoró são sedes da Bienal, que contará com 17 espetáculos e oficinas culturais gratuitas

Não, ainda não é a volta da saudosa Bienal do Livro de Natal. A capital potiguar, juntamente com Mossoró, receberá a partir de amanhã e até 2 de agosto, a 1ª Bienal Nacional de Teatro Potiguar. O evento tem como objetivo estimular, dialogar e fortalecer as produções teatrais e as políticas para o teatro, além de promover o contato entre artistas e descobrir talentos.

A programação contará, simultaneamente, com 17 espetáculos de todo o país, sendo cinco adultos, cinco infantis e sete de rua. Os espetáculos de rua acontecem em Mossoró e os demais no Teatro Alberto Maranhão, em Natal. As peças infantis serão às 15h, enquanto o teatro adulto começa às 20h. O evento contará ainda com oficinas culturais – de preparação corporal e interpretação para atores – ministradas pelos diretores Beto Vieira, Rodrigo Silbat e Henrique Fontes.

O curador e coordenador geral do evento, Judilson Dias, ressaltou o ineditismo da Bienal. “Apesar de o Brasil contar com excelentes profissionais do universo das artes, eventos desta grandiosidade ainda são raros. Com o patrocínio da Oi e apoio cultural do Oi Futuro, além da Lei de Incentivo a Cultura Câmara Cascudo do Governo do Estado, através da Fundação José Augusto, foi possível concretizar o evento”, afirma.

A Bienal e o Encontro contam com espetáculos de referência em todo o país e renomadas oficinas. “Esta troca de experiências dará oportunidade aos artistas do Estado de ver o que existe de mais atual na linguagem das artes cênicas em nosso país”, complementa o curador. Ele acredita que aproximadamente 12 mil pessoas serão beneficiadas diretamente com as oficinas e apresentações.

Entre as companhias participantes estão: Alegria Alegria, Coletivo de Atores à Deriva e Trotamundos (Natal); O Pessoal do Tarara, Bagana de Teatro e Grupo Arruaça de Teatro (Mossoró); Agitada Gang, Oxente de Atividades Culturais e Trupe Arlequim (João Pessoa); Cabriola Cia de Teatro (Salvador); Desclassificáveis (Macapá) e Poste Soluções Luminosas (Recife).

As oficinas “E o Palhaço quem é?” (de Beto Vieira) e “Preparação Corporal para Atores” (de Rodrigo Silbat) serão realizadas nos dias 30 e 31 de julho e 2 de agosto, em Mossoró, das 9h às 12h (local a confirmar). Já em Natal, a oficina “Interpretação para Atores” (de Henrique Fontes) ocorrerá nos mesmos dias, também das 9 às 12h (local a confirmar).

Toda a programação é gratuita e os interessados podem obter informações através do email judilsondias@gmail.com ou pelo celular (84) 88547396.

PROGRAMAÇÃO OFICIAL
1ª BIENAL NACIONAL POTIGUAR DE TEATRO”

QUINTA-FEIRA 29 DE JULHO
19h30 - ABERTURA OFICIAL

20h - ESPETACULO ADULTO
Teatro Alberto Maranhão
Cia: Agitada Gang
Espetáculo: “Como Nasce um Cabra da Peste”
Texto: Altimar Pimentel
Direção: Eliezer Filho
Cidade: João Pessoa/PB

SEXTA- FEIRA 30 DE JULHO
15h - ESPETÁCULO INFATIL / DEBATE
Teatro Alberto Maranhão:
Cia: Oxente de Atividades Culturais
Espetáculo: “E Quem Quiser que Conte Outra”
Adaptação e Direção: Edilson Alves
Cidade: João Pessoa/PB

19h30 – Lançamento do Livro: A Educação Informal para o Teatro – Ecos da ação de Entidades Civis de Pernambuco.
Autor: Didha Pereira/Recife
Local: Teatro Alberto Maranhão

20h30 - ESPETÁCULO ADULTO/ DEBATE
Teatro Alberto Maranhão
Grupo: Arlequim Trupe de Circo-Teatro e Grupo Experimental Cena Aberta - GECA
Espetáculo: “Nada, Nenhum e Ninguém”
Texto: Marcos Pinto
Direção: Marcos Pinto

SABADO 31 DE JULHO
15h - ESPETÁCULO INFANTIL/ DEBATE
Teatro Alberto maranhão
Grupo: Cabriola Cia de Teatro
Espetáculo: “Quem Conta, Faz-de-Conta!”
Texto: Heraldo Souza
Direção: Heraldo Souza
Cidade: Salvador/BA

20h - ESPETÁCULO ADULTO/ DEBATE
Teatro Alberto Maranhão
Espetáculo: “A Mar Aberto”
Texto e Direção: Henrique Fontes
Grupo: Coletivo de Atores à Deriva.
Cidade: Natal/RN

DOMINGO 1º DE AGOSTO
15h - ESPETÁCULO ADULTO/ DEBATE
Teatro Alberto Maranhão
Grupo: Poste Soluções luminosas
Espetáculo: “Cordel do Amor Sem Fim”
Texto: Cláudia Barral
Direção: Samuel Santos
Cidade: Recife

20h - ESPETÁCULO ADULTO/ DEBATE
Teatro Alberto maranhão
Grupo: Desclassificáveis
Espetáculo: “Desclassificáveis”
Texto: Paulo Alfaia
Direção: Paulo Alfaia
Cidade: Macapá/Amapá

SEGUNDA 2 DE AGOSTO
15h - ESPETÁCULO INFANTIL/ DEBATE
Teatro Alberto Maranhão
Grupo: Pedro Portugal Produções
Espetáculo: “Guerreiros da Bagunça”
Texto: Guto Greco
Direção: Rudimar Constâncio
Cidade: Recife/PE

20h – Cerimônia de encerramento e entrega da premiação “1ª Bienal Nacional de Teatro Potiguar Trofeu Lenício Queiroga”.

Comissão Julgadora será composta por:

Didha Pereira/PE
Williams Santana/PE
Radamés Moura/PE
Roberto Carlos/PE
Racine Santos/RN
Clerdes Vargas/PR
Genário Dunas/AP
Chicão Santos/RO


POLO TEATRO DE RUA EM MOSSORÓ:

QUARTA-FEIRA 28 DE JULHO
Abertura Oficial: 20h - ESPETÁCULO ADULTO/ PRAÇA PORTAL DO SABER
Grupo: O Pessoal do Tarara
Espetáculo: “A Peleja do Amor no Coração de Severino de Mossoró”
Adaptação e Direção: Dionísio de Apodi
Cidade: Mossoró

QUINTA-FEIRA 29 DE JULHO
20h - ESPETÁCULO ADULTO/ PRAÇA PORTAL DO SABER
Grupo: Bagana de Teatro
Espetáculo: “Shakespariano”
Texto: “A Comédia dos Erros”
Direção: Joriana Pontes
Cidade: Mossoró

SEXTA-FEIRA 30 DE JULHO
20h - ESPETÁCULO ADULTO/ PRAÇA PORTAL DO SABER
Grupo: Arruaça de Teatro
Espetáculo: “O Vôo do Cavalo do Cão”
Texto: Racine Santos
Direção: Augusto Pinto
Cidade:Mossoró

SABADO 31 DE JULHO
19h - ESPETÁCULO ADULTO/ PRAÇA PORTAL DO SABER
Grupo: Alegria Alegria
Espetáculo: “O Auto do Caldeirão”
Texto: Oswaldo Barroso
Direção: Grimário Farias
Cidade: Natal

21h - ESPETÁCULO ADULTO/ PRAÇA PORTAL DO SABER
Grupo: Trupe Arlequim
Espetáculo: “Circo Arlequim”
Texto: Diocelio Barbosa
Direção: Diocelio Barbosa
Cidade: João Pessoa/PB

DOMINGO 1º DE AGOSTO
19h - ESPETÁCULO ADULTO/ PRAÇA PORTAL DO SABER
Grupo: Cia. De Eventos Lionarte
Espetáculo: “Quixotinada Cruzaventuras Sertanholas”
Texto: Luiz Neto
Direção: Zácaras Garcia
Cidade:Limoeiro/PE

Marcos Silva e Joel Carvalho na SBPC

Por Marcos Silva
no Substantivo Plural

A apresentação musical minha e de Joel Carvalho na SBPC (nesta terça-feira, 27 de julho, 16 horas, Praça da Reitoria, campus da UFRN) abrangerá as seguintes canções, sob o signo dos comentários que as sucedem ou antecedem:

AQUI

João Maria Alves lança livro na SBPC

O repórter fotográfico João Maria Alves, o grande Johnny, lança nesta quarta-feira, durante a Reunião da SBPC, no stand do Sebo Vermelho, Campus Universitário da UFRN, o seu livro de fotografias cujo título é Cidades Seridoenses - Caicó.

O primeiro lançamento aconteceu em Caicó no ultimo sábado, no Colégio Diocesano, durante a festa dos ex-alunos. E no domingo, o lançamento aconteceu no Bar do Ferreirinha, tradicional reduto da boemia caicoense.

O autor
João Maria é fotojornalista há 30 anos. Trabalhou em vários veículos de comunicação do Estado, também com fotos publicadas em alguns impressos do sul do país.

Em 1984 o fotojornalista foi o único do Rio Grande do Norte a cobrir as convenções de Tancredo Neves, Paulo Maluf e Mário Andreazza, em Brasília.

João participou de várias exposições fotográficas coletivas e individuais. No exterior, suas fotos foram expostas no Café Kieselstein, cidade de Potsdan, Alemanha, em fevereiro de 2009.

No currículo do fotógrafo, também tem premiações em concursos de fotografias, destacando-se o prêmio Itaú Cultural de Fotografia sobre o tema "árvores floridas, campos floridos". Além disso, João é um dos fundadores do Jornal da Fotografia, lançado em junho do ano passado.

João Maria Alves é um dos fundadores do Jornal Metropolitano, com os jornalistas José Roberto da Costa Lima, Gilberto de Souza e Francisco Duarte Guimarães.

Atualmente João maria Alves é repórter fotográfico da Tribuna do Norte, cobrindo diversas áreas, como política, cotidiano e cidades.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Poticanto hoje com Cleudo Freire na SBPC


Só mesmo a SBPC para ressucitar o Poticanto. O projeto encabeçado pelo competente e batalhador Nelson Rebouças pára por aí. Pelo menos em termos de shows. A espectativa é pelo lançamento do livro e do DVD com a seleção de músicas apresentadas durante os anos em atividade, previsto para o início do segundo semestre.

Agora, analisemos. O projeto foi aprovado na Lei Câmara Cascudo e no Programa Djalma Maranhão. Foi apresentado à Petrobras, notoriamente administrada pelo PT - partido o qual votei e votarei de novo, mas também o mesmo PT da Fundação José Gugu o qual o próprio Nelson disse ter saído brigado de lá após sucessivos atrasos de pagamento.

Nelson nutria espectativas otimistas na aprovação do Poticanto na Petrobras. A negativa surpreendeu o produtor. Ao perguntar para um funcionário amigo seu na Petrobras qual o motivo, o cara respondeu ponderado: "Você já deve saber. Mas não me pergunte o motivo". Pois bem, continuemos...

“Músicos não têm que temer nada”

Nomes consagrados como Ivan Lins e Agnaldo Timóteo se manifestam em favor da discussão do anteprojeto sobre Direito Autoral. OAB se compromete a analisar o projeto e fazer contribuições

Brasília, 26 de julho de 2010 – Os apoios ao anteprojeto que moderniza a Lei do Direito Autoral crescem a cada dia. A proposta de Lei foi colocada em consulta pública pelo Ministério da Cultura no dia 14 de junho. Em reunião em São Paulo, foi a vez de Ivan Lins, Agnaldo Timóteo e Luiz Ayrão engrossarem o coro de vozes que defende a mudança na Lei Autoral. Entre os que já se manifestaram a favor do anteprojeto estão também Margareth Menezes, cantora, Jesus Sangalo, irmão e empresário de Ivete Sangalo, J.Veloso, compositor, e Roberto Frejat, cantor, compositor e vocalista do Barão Vermelho.

Ivan Lins, cantor e compositor, iniciou a carreira musical em festivais nos anos 60. Desde então, ele vive de música. Em declaração pública, Lins afirmou que “os músicos não tem que temer nada [com a mudança da lei], pois do lado deles estão discutindo também músicos, compositores e artistas que não têm vínculo nenhum (empregatício ou de qualquer outra ordem de interesse) com o Ecad, nem com as sociedades”.

“Eles são, pois, isentos de qualquer interesse que não seja dar ao músico, ao compositor, ao artista brasileiro o que ele merece. Não estamos declarando guerra a ninguém. Somente queremos ajudar a tornar a arrecadação e a distribuição dos direitos autorais no Brasil”, completa Lins.

Agnaldo Timóteo, músico há 46 anos, iniciou a carreira em programas de calouros em rádios. Ele também pede mudança na dinâmica do Direito Autoral no Brasil. "Quem está satisfeito com a atual situação dos direitos autorais no Brasil? Todo mundo concorda que é preciso mudar."

Luiz Ayrão, músico com 42 de profissão, concorda que é preciso debater o anteprojeto que está em consulta pública. "Artistas famosos não vêm aos debates. Por quê? Se eles não vêm porque recebem muito, tudo bem, é compreensível, porque isso é justo, eles fazem muito e merecem. Mas não podem se colocar contra quem não recebe nada. Se o cidadão vê aqui um artista menos famoso a favor do projeto, vai dizer: mas quem é esse sujeito? Se ele é a favor, e Fulano é contra, eu também sou contra, porque Fulano é mais famoso. É preciso discutir."

OAB também participa
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai designar um de seus conselheiros para analisar a proposta do governo federal que modifica a Lei de Direitos Autorais. A intenção é que a entidade contribua com a consulta pública para aperfeiçoamento do anteprojeto, aberta desde 14 de junho. Em encontro com o ministro Juca Ferreira o presidente da OAB, Ophir Cavalcanti, garantiu que será feita uma análise despregada de preconceitos, de forma a deixar o sistema mais justo para todos.

De acordo com o ministro, o esforço dos últimos anos tem sido o de ampliar o acesso à cultura, e uma das ações nesse sentido é o de criar um marco legal para o setor. Atualmente, são dez projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional. “No que diz respeito à legislação autoral, nosso objetivo é garantir os direitos do autor e também harmonizá-los com os dos cidadãos e dos investidores da área da cultura”, disse.

Cavalcanti concorda com a visão de harmonização de direitos e que isso deva estar expresso na lei. O tema vem causando polêmica em alguns setores, pela tentativa de equilibrar a lei autoral com outras normas como o Código Civil e a Lei de Defesa da Concorrência. “Essa é uma matéria que toda a sociedade precisa debater. A OAB tem o dever de dar sua contribuição”, afirmou.

Curso cervejeiro


Faltava essa: curso para apreciadores de cerveja em Natal. E de pronto, a pergunta do release: "Mas você sabe realmente apreciar uma cerveja?". Afirmo de chofre: "E muito!". Mas não me pergunte tecnicismos. Aprecio pelo simples fato de embriagar lentamente, ao sabor do bom papo e do peixe frito. Pra mim, basta.

Temo muito participar de curso como esses. Equivale quase inteiramente ao meu receio de médicos. Se eu for, descubro meus problemas. Coisa grave, aposto. Aluno desse curso cervejeiro, imagino desvendar o gosto amargo da Skol, ou da Antarctica aguada e aí me junto à Maísa com meu mundo caído.

Pior se eu achar a cerveja digna de apreciação, dita de qualidade, feita de cevada e não de milho ou arroz, como são feitas as cervejas daqui, segundo o especialista da boa vida afirma mais abaixo. E a cerveja passaria então a suprir refeições. Não, não, prefiro minha cultura de botequin e minha cerveja de milho gelado.

E o tema do curso oferece algum perigo aos de mente tendenciosa ao alcoolismo como eu: "Beer evangelizar". Imagino eu, aprovado no curso, um evangelizador da religião cervejeira pregando em botequins e bares da cidade a palavra contida em cada rótulo, a importância dos templos do Beco da Lama e adjacências. Um perigo, um perigo!

Mas, aos aventureiros e reais apreciadores da coisa, os detalhes sobre o tema podem ser conferidos no Curso de Cervejas Especiais. Será ministrado nos dias 28 e 29 de julho, às 20h, em dois locais respectivamente: no bar The General, situado à Rua Mossoró, e no Bar Tom Maior, anexo ao restaurante Maturi, em Lagoa Nova.

Ao preço de R$ 100 (quase duas grades!) e com número de vagas limitado a 30, o curso, inédito na cidade, irá inserir o aprendiz na chamada “Cultura Cervejeira”, ensinando-o desde a harmonização ideal entre cerveja e petiscos à evolução humana baseada, veja só, na história da cerveja.

Para ensinar todos os meandros da arte, virá de Belo Horizonte o mestre cervejeiro Marco Falcone, da Micro Cervejaria Falke Bier. As senhas do curso — cuja duração é de duas a três horas — podem ser adquiridas no escritório de advocacia Falconi Camargos Advogados e Consultores, apoiador do projeto, que fica na Rua Professor Hermógenes Medeiros, em Candelária.

“Beer evangelizar”
É com esse termo que o advogado Rodrigo Camargos, um dos responsáveis pela iniciativa, define o objetivo do curso. “O grande problema está na qualidade das cervejas vendidas aqui, que utilizam cereais como arroz e milho, que barateiam o custo e pioram a qualidade da bebida”, ensina, complementando: “Vamos ‘beer evangelizar’, ou seja, ensinar os alunos a apreciar cerveja com qualidade, e não em quantidade”.

Os participantes do curso degustarão dez tipos diferentes de cerveja — nacionais e importadas — incluindo a Falke Tripel Monasterium, formulada pelo mestre Marco Falconi e vencedora do maior prêmio da indústria de bebidas do Brasil, o Tecnobebidas Award 2008, do instituto Nielsen.

Os temas abordados no curso abrangem a escolha da taça ideal, a harmonização da bebida com comidas, a identificação de uma boa cerveja, a história da cerveja, os efeitos da música sobre o consumo da bebida, a temperatura adequada para cada tipo de cerveja, dentre muitos outros.

Sobre o mestre cervejeiro
Marco Falcone é mestre cervejeiro e proprietário, desde 2004, da Falke Bier, em Belo Horizonte (MG), uma das cervejarias mais renomadas na revolução cervejeira do país no tocante à produção de cervejas artesanais de qualidade. Fabricante de cervejas desde 1988, Falcone recebeu o prêmio Paladar 2009 do jornal O Estado de São Paulo.

É diretor do Sindbebidas/Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e presidente do Conselho Administrativo da Acerva Mineira. É ainda considerado um dos maiores nomes da difusão da cultura cervejeira no Brasil, com reconhecimento na Europa e nos Estados Unidos.

Curso de Cervejas Especiais
Quando? Dias 28 e 29 de julho
Onde? Bar The General (Rua Mossoró, Petrópolis) e Bar Tom Maior (anexo ao restaurante Maturi, na Rua São José, em Lagoa Nova)
Quanto? R$ 100
Vendas? Escritório de advocacia Falconi Camargos Advogados e Consultores, Rua Professor Hermógenes Medeiros, Candelária.
Contato? Rodrigo Camargos: (84) 9955-8425

Do fim do livro...

Por Daniel Benevides
Colaboração para o UOL

Darnton também tem sua parcela de anedotas saborosas, mas seu livro tem menos a preocupação de divertir que a de militar por uma causa justa: “Sim, é preciso digitalizar. Mas democratizar é ainda mais importante. Precisamos garantir livre acesso à nossa herança cultural. Como fazer isso? Reescrevendo as regras do jogo, subordinando interesses privados ao bem público e nos inspirando nos primórdios da República para criar uma República Digital do Saber”. Sistemático, divide seu livro em três seções, a primeira delas sobre o futuro do livro impresso, a segunda sobre as discussões que ora mobilizam advogados, empresários e intelectuais, e a terceira sobre as histórias da história do livro, uma disciplina que vem ganhando cada vez mais adeptos.

AQUI

Anais do EELP e José Saramago na SBPC

A publicação oficial do documento do I Encontro de Escritores de Língua Portuguesa – EELP será apresentada nesta segunda-feira. Na época de Encontro foi anunciado que a Prefeitura do Natal, através da Funcarte, apresentaria o documento dentro do Ciclo de Palestras da SBPC Jovem, que será realizada aqui em Natal.

Além do lançamento dos Anais, um dos ilustres convidados do EELP, que coordenou os trabalhos no primeiro dia do Encontro, o professor Carlos Reis (reitor da Universidade Aberta - Lisboa), irá proferir uma palestra com o tema “José Saramago e a linguagem da História”. Carlos Reis é um dos grandes estudiosos da obra do escritor José Saramago.

A palestra de Carlos Reis e a apresentação dos Anais do EELP acontecerão às 9h, no auditório do Setor de aulas I - Bloco F - Sala 1, da UFRN. O Ciclo de Palestras tem como tema central “O Universo das Linguagens”. Trata-se de uma atividade para quem aprecia televisão, internet, cinema, literatura, música, artes plásticas e quer saber mais sobre essas linguagens.

Apresentação dos Anais do EELP
Onde? Na programação do Ciclo de Palestras – SBPC Jovem
Quando? 26/07 (Segunda-feira)
Hora: 9h às 11h30
Local: Setor de aulas I - Bloco F - Sala 1- UFRN

domingo, 25 de julho de 2010

Valéria Oliveira no Ibirapuera

Tuitando com Marcelo Veni

marceloveni Os shows de Lia de Itamaracá e Zeca Baleiro estão confirmados para acontecer na concha do Anfiteatro da UFRN. No Centro de Convenções será a solenidade oficial e o espetáculo Naiá Catarineta Segundo a produção os shows estão confirmados no Anfiteatro.

Do blogueiro: Ainda quero entender essa. Se a solenidade burocrática acontece no Centro de Convenções em razão da chuva, por que os shows serão em praça aberta? As "otoridade" ficam protegidas da chuva e a plateia do pão e circo à mercê do tempo? Boa sorte a quem for!

Auto subvertido

OBS: Como informei no post mais abaixo, a SBPC mudou de local em razão das chuvas para o Centro de Convenções, nos mesmos horários. Esta matéria saiu publicada hoje no Diário de Natal.

Espetáculo de abertura da SBPC apresenta montagem inovadora e brinca com lendas da cultura nacional

O Auto de Natal é a imagem primeira dos espetáculos encenados no Anfiteatro do Campus da UFRN – uma produção e infraestrutura grandiosa, com mais de uma hora de apresentação. Na noite de hoje, o espetáculo subverte a ordem dos Autos e conta a mistura de mitos responsáveis pela construção étnica do povo brasileiro. São lendas indígenas, portuguesas e africanas encenadas por quatro atores em cima de uma mesa e manipulando objetos do dia-a-dia. O espetáculo Naiá Catarineta – alusão à lenda portuguesa da Nau Catarineta – abre hoje a 62ª edição da SBPC.

Após a solenidade formal de abertura do evento, agendada para 18h, o personagem de uma das lendas mais remotas do imaginário popular brasileiro inicia uma estória cercada de magia. O navegador Diogo Álvares Correia – náufrago português bem acolhido e batizado de Caramuru (Deus do Trovão) pelos índios em razão do disparo certeiro de arma de fogo em uma gaivota – casa com a índia Naiá, nos chãos da Bahia. Já aí uma mistura da lenda portuguesa com o mito nortista da índia amazônica que desejava ser escolhida pela deusa da Lua, Iaci, para ser transformada em estrela.

Caramuru e Naiá partem em viagem embarcados numa nau portuguesa. Enciumada pelo falso batismo de “deus do trovão” atribuído ao navegador português, Iansã (rainha dos trovões, ciclones e raios, cultuada no Candomblé) provoca tempestade no mar e a embarcação do casal aporta na costa potiguar. Índios se aproximam e a tensão aumenta. Um dos sobreviventes portugueses, nervoso, atira e atinge a índia Naiá, que cai no mar. A deusa Iaci a transforma em uma flor Vitória-Régia (estrela das águas). Os portugueses veem na enorme flor a possibilidade de fuga.

Durante a navegação de volta a Portugal em cima da Vitória-Régia, os portugueses sofrem mais uma ação de Iansã, que deixa o mar calmo. Assim como a lenda da Nau Catarineta, os portugueses passam um ano à deriva no Oceano Atlântico. A deusa Iemanjá (do mar), mais piedosa, intervém e pede a Iansã para eles seguirem viagem sob a promessa de nunca guerriarem contra os africanos. Os portugueses são liberados e recepcionados sob festa em Portugal. O rei português, alegre com a chegada, decreta férias e cinco dias no país e assim surge o carnaval.

Toda a narrativa será encenada num intervalo de 15 a 20 minutos. Sobre a mesa estarão objetos cotidianos. Um cinegrafista captará as imagens dos objetos manipulados pelos atores Caio Padilha, Nara Kelly, Rogério Ferraz e Manu Azevedo, da Companhia Estação de Teatro e as imagens serão reproduzidas no telão armado no Anfiteatro. A ideia do diretor do espetáculo e responsável pela dramaturgia, Fábio Araújo, é subverter a lógica dos autos natalinos com uma concepção inovadora. Integram a encenação a performance do grupo Pau e Lata e do grupo de dança da UFRN.

“O espetáculo será uma dicotomia entre o trabalho do ator e os objetos. Uma relação corpo/mídia. A intenção é brincar com os mitos que formam a cultura brasileira em um espetáculo que pode ser reproduzido por crianças depois”, conta o diretor em meio à encenação no Laboratório de Estudos Cenográficos e Tecnológicos da Cena (Cenotec). A trilha sonora da encenação, composta por Gabriel Gagliano, será executada ao vivo pela Orquestra da UFRN regida pelo maestro André Muniz. O espetáculo conta ainda com iluminação de Ronaldo Costa e coreografia de Teodora Alves e Sávio Deluna.

Show nacionais
Após o espetáculo Naiá Catarineta, um dos patrimônios vivos da cultura pernambucana – a cirandeira Lia de Itamaracá – mostra onde a romanceira Militana Salustino poderia estar e sobe ao palco do Anfiteatro para mostrar seu repertório repleto de cocos, cirandas e maracatu. Ainda na mesma noite, um dos destaques da programação da SBPC Cultural, o compositor maranhense Zeca Baleiro, responsável por um toque de criatividade underground na MPB, em um show mesclado entre velhos sucessos e as novas canções do CD O Coração do Homem Bomba.

SBPC Jovem e Cultural
A SBPC Cultural apresentará durante a semana atrações culturais espalhadas pelo Campus Universitário nas áreas de literatura, audiovisual, música e teatro, culminando com apresentações musicais no Anfiteatro, com início sempre às 19h. Integrando a programação cultural do evento, a SBPC Jovem também apresenta um ciclo de palestras cujas temáticas abrangem variadas vertentes artísticas e científicas. As discussões começam às 9h e terminam nos fins de tarde. Os interessados devem procurar as salas do Setor 1 e verificar a disponibilidade de vagas.

Programação da SBPC Jovem

26/07 - Segunda-feira
9h às 11h30
- Jose Saramago e a linguagem na Historia
Palestrante: Carlos Reis (reitor da Universidade Aberta de Portugal)
* Apresentação dos Anais do I Encontro de Escritores de Lingua Portuguesa de Natal

15h30 às 17h30 -
- A Linguagem Científica
Palestrante: Josimey Costa da Silva

- As Linguagens das Mídias Sociais: twitter, orkut, entre outras
Palestrante: Taciana Burgos

27/07 - Terça-feira
9h às 11h30
- Linguagem da Arte e do Grafismo
Palestrante: Marcos Alberto Andruchak

- Linguagem da Música
Palestrante: Carlos Cavalcanti "Carito"

15h30 às 17h30
- A linguagem do Corpo e a Body Art
Palestrante: Rosie Marie Nascimento de Medeiros

- A Linguagem da Filosofia sobre o Corpo
Palestrante: Luiz Fernando Fontes Teixeira

28/07 - Quarta-feira
9h às 11h30
- A linguagem poética em James Joyce
Palestrante: Francisco Ivan da Silva

- A própria linguagem da poesia
Palestrante: Dácio Galvão

15h30 às 17h30
- A Linguagem do Teatro e da Moda
Palestrantes: Maisy de Medeiros Freitas e Agda Patrícia Pontes de Aquino

29/07 - Quinta-Feira
9h às 11h30
- Acompanhar-se da Poesia
Palestrante: Gustavo de Castro

- A Literatura fora da mídia
Palestrante: Alexis Peixoto

15h30 às 17h30
- A Fotografia do Litoral e o espaço do Imaginário
Palestrante: Tito Rosemberg

30/07 - Sexta-feira
9h às 11h30
- A Linguagem Publicitária e a Poética
Palestrante: * João Luís Anzanello Carrascoza
* Lançamento de livro

CREDENCIAMENTO
O credenciamento dos inscritos na 62ª SBPC começa hoje e será realizado na secretaria do evento, que funciona no Centro de Convivência da UFRN (Galeria do NAC). Na hora do credenciamento, cada inscrito receberá um crachá, a programação impressa e o atestado de participação geral. Uma equipe de 30 pessoas, entre monitores e membros da SBPC, será responsável pelos trabalhos da secretaria que, durante o evento, funcionará nos seguintes dias e horários: dia 24, das 12h às 17h; dia 25, das 10h às 17h; dia 26, das 8h às 17h; dia 27, das 7h às 16h e do dia 28 a 30, a secretária funcionará das 9h às 15h. As inscrições podem ser feitas até o dia do evento em atividades que ainda possuam vagas remanescentes. O interessado deverá ir até a secretaria da SBPC para realizar o procedimento.

sábado, 24 de julho de 2010

Amar la Trama


Por Julio Daio Borges
no Digestivo Cultural

Quem assistiu às apresentações de Jorge Drexler no Brasil, naturalmente percebeu que ele era um verdadeiro músico. Se os primeiros registros em estúdio flertavam com o pop comercial, Drexler adquiriu uma nova dimensão ao compor, justamente, a trilha sonora de Diários de Motocicleta (2004, a convite do próprio Walter Salles). Levando, inclusive, o Oscar específico. Assim, este Amar la Trama é mais um degrau no crescimento de Drexler, que havia ido mais longe do que nunca em Cara B (2008), um show quase acústico que, para os nossos ouvidos, flertava com a MPB e com outros gêneros mais tradicionais de música popular espanhola e hispano-americana. Uruguaio, Drexler abraçou a causa da América Latina, incluindo o Brasil, com muito respeito, e tem sido bem-sucedido, e aceito, desde a Europa até a mesma América. Em La Trama, exercita sua prática musical no velho formato de banda, adicionando metais e sopros, e perseguindo uma sonoridade quase vintage – com semi-acústicas, slide guitars, guitarras españolas, clarinetes e trompetes (à la letreiros de Woody Allen). O CD abre com duas faixas que lançam o conceito do álbum: “Amar la trama, más que el desenlace”. Preferir, mais do que a chegada, o caminho. A “travessia”. Assim escreve Drexler e canta: “Estoy aquí de paso./ Yo soy un pasajero./(...) Estoy aquí si nombre/ Y sin saber mi paradero”. La Trama, o disco, alterna momentos de muita alegria, de tocar em conjunto, com outros temas mais reflexivos, quiçá evocando o trio que passou por nós. A terceira faixa, mais um exemplo, é de um lirismo que indica um novo patamar (desta vez, nas letras de Drexler): “Que es lo que viste em mí?/ Que es lo que te hizo abrir así/ Tus miedos, tus piernas, tu calendario/ Las 7 puertas sagradas de tu santuário”. Da terceira, pulamos para a sexta: um momento Frida (na fossa); ou Buena Vista, com Leonor Watling fazendo as vezes de Omara Portuondo (que, aliás, gravou Drexler). Outra “feliz da vida” (a sétima), e outra bluesy (a oitava). Da nona, participa Ben Sidran e, na décima, mais versos inspirados: “La noche estaba cerrada/ Y las heridas abiertas/(...) Tenía la edad aquella/ En que la certeza caduca/(...) Algo de aquel asombro/ Debió anunciarme que llegarías”. Jorge Drexler, enfim, carrega o frescor, talvez ingênuo, que a música em geral perdeu, que a indústria matou e que os músicos, em sua maioria, não conseguiram reencontrar. Afinal, conforme a epígrafe do próprio encarte: “People used to make records/ as in a record of an event:/ The event of people/ playing music in a room./ Now everything is cross-marketing,/ it's about sunglasses and shoes,/ or guns or drugs, you choose” (Ani Di Franco).

Beatles instrumental


Diogo Guanabara & Macaxeira Jazz tiveram seu primeiro encontro num palco no projeto Som da Mata. De lá para cá, a fusão do choro e do samba com o jazz e o rock'n'roll resultou num trabalho consistente que já rendeu dois CDs, um DVD e duas turnês para fora do país (Europa e Ásia). As canções dos Beatles fazem parte do repertório do grupo desde o início. Os meninos de Liverpool influenciaram os meninos de Natal naquilo que o rock tem de mais inovador: a renovação da música. As possibilidades sonoras oferecidas pela obra da dupla Lennon / McCartney, sem esquecer o genial George Harrison, são talentosamente aproveitadas por Diogo e o Macaxeira (Ticiano D'Amore, Raphael Bender e Henrique Pacheco) que criam um novo gênero, o choro'n'roll. Músicas como Here Come The Sun, Strawberry Fields Forever, Help!, Eleanor Rigby e Michelle, dentre outras, ganham uma sonoridade única, comprovando a universalidade e atemporalidade da música dos Fab Four.
É show para agradar a todas as gerações.

Diogo Guanabara & Macaxeira Jazz tocam Beatles
Dia: 24 de julho - sábado
Local: TCP-Teatro de Cultura Potiguar
Hora: 18 e 20h - duas sessões
Fone: 3232 5307
Senhas antecipadas na Botton do Midway (R$ 10,00)

- Foto Giovanna Hackradt

Lábios-espelhos


Por Astier Basílio
No Jornal da Paraíba

Não existem fórmulas que garantam uma boa poesia. Não há receitas. O fato de Marize Castro, por exemplo, escrever poemas curtos, econômicos, apostar na simplificidade não dá nenhuma garantia de que seu trabalho poético seja bem realizado. O que faz Lábios - espelhos (Una, Rio Grande do Norte, 2009, 97 págs.) uma obra de qualidade é algo mais do que a combinação de um receituário seguido à risca. Não. É algo imponderável chamado talento.

Marize não se preocupa em ostentações. Veja o poema “Deus é Mundo” em que ela diz: pequenas mortes acompanham-me/ Desamparo-me a cada página/ Ela me disse: Deus é o mundo./ Desde então, não me encolho mais./ Amplio-me. Há, neste curto texto, dois eixos fundamentais. O primeiro, a referência a um eu-lírico, exteriorizado em terceira pessoa, denominado de “Ela”, referência que atravessa vários textos. O outro eixo, ou melhor, mais a revelação de uma estratégia, mostra uma poeta que esconde suas intertextualidades, que aposta no simples, é que “pequenas mortes”, principalmente no idioma francês, é uma metáfora para orgasmo, elemento que ilumina a temática erótica e amorosa de seus textos curtos e fulminantes.

Quem é essa “ela”? Essa “ela” que se insurge (se eu não escrevo, ela me engole/ come meu útero./ Meu cérebro...) que, por que não dizer, se metamorfoseia em várias outras, multidão de uma só que canta e que anuncia: conduzo águias/ tropeço em harpas/ troco em harpas/ troco anáguas no jardim/ onde os amantes são sepultados. Tentando, em vão responder a essa pergunta, a de quem seja “ela”, a melhor resposta não é decifrar o enigma, mas de contemplar o enigma, beijá-lo, como sugere o título, Lábios - espelho, uma gradação em camadas, uma caixa de pandora luminosa e, ao mesmo tempo, opaca, pois, a transparência de Marize ilusoriamente revela. Eis o jogo, como sugerido em “silente”: sinto urgência em dizer: calo.

Abertura da SBPC muda de local

Em razão da previsão de chuva em Natal, na noite deste domingo, a sessão de abertura da 62ª Reunião Anual da SBPC foi transferida para o Centro de Convenções de Natal, na Via Costeira. O horário permanecerá o mesmo: às 19h. A apresentação do espetáculo Naiá Catarineta (saiba mais sobre o espetáculo na matéria que sai no DN deste domingo), e os shows da cirandeira Lia de Itamaracá e Zeca Baleiro também serão por lá, com a acústica meia boca do Centro de Convenções.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Marcos Silva na SBPC


O recado é de Marcos Silva: "Apresentarei, junto com Joel Carvalho, canções de nossa autoria na série de espetáculos musicais da SBPC. Espero contar com sua presença. São canções que compusemos desde fins dos anos 60 e até hoje". Vale a pedida. Marcos Silva é talentoso em tudo o que li, escutei e vi ele fazer.

Quando o pouco é nada

Fundo de Incentivo à Cultura esgota metade do prazo de inscrição com apenas um projeto inscrito

O edital do Fundo de Incentivo à Cultura - criado em 1997, regulamentado em maio deste ano e publicado no Diário Oficial do Município em 1º de julho - recebeu críticas da classe artística. O motivo foi o valor de R$ 200 mil, considerado baixo para contemplar variadas manifestações culturais. No entanto, com metade do prazo de inscrição esgotado, apenas um projeto foi inscrito. Para tentar aprovação no FIC basta imprimir e preencher um detalhado formulário presente no site da prefeitura. O período para apresentação dos projetos se encerra em 15 de agosto.

A situação preocupa conselheiros do FIC. A questão levantada é: qual argumento usado para cobrar da prefeita Micarla de Sousa aumento dos valores do Fundo se a demanda de projetos sequer alcançou as metas e perspectivas estabelecidas? O coordenador do FIC, Amaury Júnior afirma receber grande número de e-mails e ligações afim de informação a respeito do edital. “Quem encontrou dificuldade no acesso ao site ou na impressão do formulário eu envio por e-mail”. Amaury espera o tradicional boom de inscrições “em cima da hora”. Por enquanto, apenas um projeto foi inscrito, na área de música.

Encerrado o prazo de inscrição em 15 de agosto, nova reunião dos conselheiros do FIC será realizada em 23 de agosto para a divisão dos projetos, geralmente separados por áreas de afinidade - projetos de música são entregues a um conselheiro com trabalho na área musical, por exemplo. Segundo Amaury, na segunda semana de setembro será agendado um dia para o anúncio dos vencedores do edital, com divulgação até 30 do mesmo mês. “O recurso do FIC foi pedido há mais de dois meses para evitar contratempo e já foi liberado pela Sempla (Secretaria de Planejamento)”, adiantou.

A data para liberação do dinheiro aos artistas contemplados ainda será definida. Amaury garantiu prazo máximo até 30 de dezembro. “Ninguém vai entrar o próximo ano sem ter recebido o recurso”, afirmou. Segundo o edital do FIC, após receberem o dinheiro os artistas ou empresas beneficiadas terão 90 dias para prestarem contas do valor aplicado, com apresentação de notas fiscais, produto confeccionado, shows realizados, etc. “Nos próximos dias vou pedir aos conselheiros articularem junto aos artistas de suas respectivas áreas a inscrição dos projetos para evitar sobrecarga nos últimos dias”.

Metas, critérios e análises
O vice-presidente e conselheiro do FIC, o documentarista Paulo Laguardia concorda com a opinião dos artistas a respeito do pouco recurso destinado este ano ao Fundo. “Este ano temos funcionado de forma precária. Tratamos mais de burocracias de implantação do edital: elaboração de regimento, eleição do Conselho, etc. Em outubro deste ano iremos reivindicar dotação mais elevada junto à prefeitura já para 2011, além de sede própria, já que as reuniões do Conselho são improvisadas em salas da Funcarte”, espera Laguardia.

Outra reivindicação a ser discutida também mexe com as cláusulas do Programa Djalma Maranhão (a lei de incentivo cultural do município), cuja última dotação foi de R$ 3 milhões. “Nossa intenção é colher as sobras do Programa ao FIC. Por exemplo: se meu projeto de filme foi aprovado na lei, custa R$ 100 mil e eu só conseguir captar R$ 50 mil junto às empresas, os outros R$ 50 mil serão destinados ao Fundo, já que foram aprovados e faltou apenas o interesse de empresários para aquele projeto”, explica.

Laguardia disse ainda que os R$ 200 mil do FIC serão distribuídos via porcentagem para cada setor cultural. A intenção é contemplar entre três e quatro projetos em cada área, com média de R$ 12 a R$ 15 mil para cada projeto aprovado no edital. A análise dos projetos será feita por um único conselheiro, embora hajam dez (cinco nomeados pela comunidade, em eleição, e outros cinco nomeados pela prefeitura). Se o projeto foi reprovado, cabe recurso ao autor e o projeto será avaliado por outro conselheiro. “E, claro, se algum conselheiro tiver alguma dúvida, pergunta ao outro. Usamos o bom senso”, conclui Laguardia.

Segundo o edital, os projetos devem ter interesse coletivo no âmbito municipal e os autores do projeto - pessoa física ou jurídica - devem comprovar pelo menos seis meses de atuação cultural. Devem também estarem enquadrados na área de patrimônio imaterial; organização e recuperação de acervos, banco de dados e pesquisas de natureza cultural; e fomento à produção de novas linguagens artísticas (artes cênicas, visuais, gráficas, audiovisual, design, literatura, música e performance voltada à experimentação das diversas áreas artísticas).

* Matéria publicada hoje no Diário de Natal

E o Som da Mata?

O produtor cultural Amaury Júnior me disse no fim da manhã de ontem que estava no Idema para mais uma vez tentar colocar o projeto Som da Mata pra funcionar. Dias antes, na vernissage de Guaraci Gabriel, na galeria da Funcarte, havia me dito que a burocracia tinha emperrado o processo. Desde esse dia Amaury se mostrou impaciente com a demora, que o Idema tem questionado o valor acordado no pregão. Ora, e porque estipularam esse valor mínimo? Ontem Amaury disse que ligaria pra mim assim que saísse do Idema caso nada tivesse sido resolvido. Não ligou. Esperamos, então, o Som da Mata para este domingo ou, quiçá, para o próximo.

Show de Liz Rosa

Por Zé Dias
enviado por email

Ontem foi a vez de Liz Rosa provar ao Rio Grande do Norte o excelente momento da música e do canto potiguar. O show muito bem produzido por Jussara, profissional da melhor qualidade, encantou o público que lotou o Restaurante Veleiros. Show puro, nada de música ao vivo. Com Juliano JOU JOU, numa noite inspiradissima ao violão, Liz Rosa bebeu nas canções de Tom Jobim e Chico Buarque com o seu canto excelente. Maravilhosa.

Numa Semana que teve Khrystal em São Luiz do Maranhão arrasando, Tânia Soares encantando no Seis e Meia com show em homenagem ao macauense Hianto de Almeida numa noite inesquecivel, Valéria Oliveira abrindo com competência e maestria o show de João Bosco num TAM lotado na quarta-Feira, ontem fechei o firo com o soberbo show de Liz Rosa.

Na quinta Feira que vem, ela canta algumas do repertório de Elis Regina. Para não quebrar o encanto, hoje tem a ótima banda Mandumblá na Casa da Ribeira às 20h e amanhã Isaque Galvão no Praia Shopping Musical às 21h, com Khrystal em Pipa às 23h.

O Rio Grande do Norte ainda vai dá o que falar. Prestem atenção no canto de Tânia Soares e Liz Rosa. Tem mais gente boa no pedaço. Vamos para frente. O Nivel de nossas nível de nossas cantoras e músicos é muito alto. Prestigiem. O Ministério da Saúde recomenda. Não existe artista da terra, existe artista do mundo. Artista da terra é cobra e tatu.

Do blogueiro: quer saber mais sobre o trabalho de Liz Rosa, desce o cursor aí mais pra baixo que tem matéria com a moça!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Presidenciáveis na SBPC

As duas presidenciáveis confirmaram presença na 62ª SBPC - o maior evento científico do Hemisfério Sul. O início será neste domingo. A abertura contará com apresentações culturais a partir das 18h e show de Lia de Itamaracá e Zeca Balero no mesmo dia.

Até a tarde de hoje, o candidato à Presidência da República José Serra não havia confirmado sua digníssima careca brilhando sob o sol da SBPC.

Dilma Rousseff fará conferência no auditório da Reitoria na quarta-feira, a partir das 12h. A candidata Marina Silva visita a SBPC no dia seguinte, no mesmo local e horário. Em seguida elas circularão pelo evento.

Também participarão dos debates os ministros da Educação, Fernando Haddad (sexta-feira), da Defesa, Nelson Jobim (segunda-feira) e das Ciências e Tecnologias, Sérgio Rezende (também na segunda-feira e também na abertura).

Foram inscritos previamente para participar das conferências e demais atividades da SBPC, 12,5 mil pessoas. A organização espera circulação diária de mais de 20 mil visitantes. É voto pra chuchu!

Uma flor de Liz


Intérprete potiguar radicada no Rio de Janeiro volta a Natal para gravar CD e abrir temporada de shows

Em tempos de Lady Gaga e cultura pop exacerbada, vozes clássicas desmancham nos ouvidos como manteiga do sertão na macaxeira. Se a Bossa Nova e o Tropicalismo viraram gêneros musicais ultrapassados e cafonas, e o brega hoje é cult, a intérprete Liz Rosa mostra releituras modernosas das músicas de Tom Jobim e Gilberto Gil em timbres jazzísticos e técnicas peculiares de interpretação.

Até chegar ao palco dos bares cariocas, a cantora soltou as amarras do provincianismo, quebrou o cadeado do vicioso circuito de bares e casas de show de Natal e mostrou à cariocada que o potiguar também tem MPB no pé. Com repertório entre o clássico das saudosas canções e os arranjos e improvisos vocais modernos, nos últimos dois anos Liz Rosa tem buscado espaço no show business carioca.

A cantora volta a Natal para gravar um CD e estrear hoje uma seqüência de quatro apresentações no Restaurante Veleiros, sempre às quintas-feiras. Serão shows temáticos, abrindo com Retrato em Branco e Preto – homenagem a Tom Jobim e Chico Buarque. Próxima semana, homenagem a Elis Regina. Na seqüência, jazz com repertório de Joyce, Toninho Horta e Guinga. E para encerrar, uma jam session.

A cantora de apenas 24 anos já canta profissionalmente desde os 16 anos, quando o produtor Zé Dias oportunizou o início da carreira da jovem diva no projeto musical do Seaway. Mesmo adolescente, o repertório “careta” de João Gilberto e Cia. já explodia na voz de timbres médios da cantora. O rótulo de musa da música pop, sucesso das paradas e recordista na venda de CDs fugia das pretensões de Liz Rosa.
O caminho mais árduo também exigiu melhor postura vocal e repertório personificado.

Das aulas do curso básico de canto na UFRN, ela aproveitou apenas técnicas de aquecimento de voz, respiração e impostação de voz. O canto popular exigiu de Liz Rosa personalidade. E a cantora limpou a poeira do classicismo das canções bossanovistas com o brilho do jazz e improvisações vocais de impressionar qualquer garota de Ipanema.

A aventura de uma nortista nos palcos do Sul partiu apenas de contatos com o proprietário do Vinícius Bar, no Rio de Janeiro. Iniciou temporada de shows no bar e aos poucos estabeleceu uma rede de contatos como o produtor Miele e o músico Hélio Delmiro (guitarrista de Elis Regina) para shows em outros locais. “No Rio de Janeiro consegui o possível para um intérprete sem CD”.

CD Liz Rosa
De volta a Natal, a “flor de Liz” já iniciou a gravação do CD nos estúdios Promidia, do produtor Eduardo Tauffic, também responsável pelos arranjos das dez faixas do álbum. Entre composições de Djavan, João Bosco, Joyce e outros clássicos já presentes nos shows de Liz Rosa, também composições inéditas, como o poético título Hora e Vez de Solidão, do instrumentista, arranjador e compositor bossanovista Durval Ferreira.

“Essa música foi encontrada entre fitas K7 perdidas na casa dele. Nunca foi gravada”, ressalta Liz Rosa, que também interpreta composições da amiga potiguar Khrystal e de Roberto Tauffic, além da canção também inédita Quando o Lampião Apaga, do jovem compositor carioca Pedro Ivo. “A música é um baião, mas vai virar outra coisa no CD”, adianta a intérprete.

Cenário carioca
A concorrência musical acirrada e o profissionalismo de músicos e produtores no Rio de Janeiro provocaram novos conceitos na intérprete potiguar. “Minha postura no palco, meu sotaque, minha entonação... ficou tudo menos. E descobri que quanto menos, melhor”, destaca Liz Rosa. “Vi o quanto precisamos nos profissionalizar. Acho que falta a Natal um ar de metrópole”, opina.

Afora o “admirável mundo novo” dos palcos cariocas, outra barreira enfrentada por Liz Rosa foi o sotaque. “É permitido a Khrystal o sotaque regional. Meu repertório exige outra postura. É mais agradável uma voz neutra. E isso eu também tive que aprender”, diz a cantora, admirada com o compromisso de produtores e donos de casas de shows com os cachês, ensaios e passagens de som. “Parece pouca coisa, mas isso faz a diferença”.

* Matéria publicada hoje no Diário de Natal
Entre idas e vindas ao Rio de Janeiro nos próximos meses, Liz Rosa já agendou para setembro um show especial intitulado Todas as Mulheres do Mundo, junto com Khrystal e Tânia Soares, no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel. No repertório, apenas composições de divas da MPB interpretadas pelas três, em duos ou performances individuais.

Longe do glamour e perto de Deus


Grupos e artistas de música gospel potiguares encontram dificuldades de espaço e público

A música gospel parece chão fértil para bandas e artistas do estilo. A mídia divulga apresentações de astros religiosos em estádios abarrotados de fiéis, seguidores, fãs e pagãos. A vendagem de CDs desafia a contramão vivida pela indústria fonográfica. Padres, bandas evangélicas, ídolos de jovens arrebanham centenas, milhares de pessoas onde tocam e cantam. O estádio Machadão é exemplo, quando algum nome nacional é contratado sob pagamento de cachês fora da realidade local. E é essa realidade o revés do que é propagado pela mídia.

Embora o segmento gospel pareça negócio promissor, o cotidiano da maioria é igual ou pior da vivido por músicos de outros estilos musicais. Longe do sucesso estrondoso de estrelas como padre Fábio de Melo, a banda Rosa de Sharon, Fernanda Brum ou Aline Barros, bandas e artistas locais amargam a falta de espaços voltados para o estilo gospel e eventos maiores para divulgarem seus trabalhos. Assim como bandas de garagem almejam o profissionalismo, boa parte do segmento gospel espera tocar além dos louvores das igrejas e templos.

Israel Tenório é vocalista e guitarrista da banda evangélica de rock Kruyssen. São oito anos de estrada. Para sobreviver da música, Israel também toca na noite e integra o time de músicos de bandas fora do segmento gospel. Segundo ele, o contrário também ocorre. O renomado baterista potiguar Darlan Marley é exemplo citado por Israel: é evangélico, mas prefere tocar em bandas convencionais. É mais rentável. “Eu procuro levar minha banda a lugares alternativos. Já tocamos no DoSol, Casa da Ribeira, Galpão 29. É uma chance de conquistar novos públicos. Precisamos quebrar algumas barreiras musicais”, sugere.

A estrada gospel parece tão arenosa quanto os 40 dias e 40 noites de Jesus no deserto. E a busca pelo sucesso, a “terra prometida”, vai além do Mar Vermelho. Israel conta que o cachê pago a banda é menos rentável do que os “bicos” que ganha na noite. “O cenário gospel é difícil”. São poucas as bandas apoiadas por igrejas em troca de shows gratuitos. Se o colégio ou o bairro são os centros embrionários para formação de bandas de rock, são nas igrejas onde as bandas gospel começam. Músicos se conhecem e formam bandas para dar vazão às suas preferências musicais fora da igreja.

Em Natal há hoje cerca de 50 bandas e artistas do segmento gospel. O estilo predominante ainda é a chamada música de adoração, próxima aos louvores, em estilo mais romântico. O rock também é bem disseminado e mais organizado. Israel consegue promover festivais de música cristã e mescla outros estilos, como o Rock Reggae Gospel Festival. Segundo ele, não há preconceito com o estilo. “Se há é superficial, de pessoas de cultura etnocêntrica e pobre, presos à conversa ‘démodé’ do rock do cão. Estou saturado dessas conversas. Quem quiser servir ao diabo ou a Deus, sirva. Mas mesmo assim precisamos nos respeitar”.

A banda Kruyssen – vencedora do Prêmio Hangar de melhor banda gospel de 2008 – mistura religiosidade com as temáticas tradicionais do rock em composições autorais. Os músicos são experientes. O tecladista Edinho já foi indicado como melhor instrumentista no Prêmio Hangar. O baixista Miguel Sampaio acompanha o guitarrista Edu Gómez (da banda Poetas Elétricos e Eu Edu e os Caras). O próprio Israel alcançou o 3º lugar em um dos mais concorridos sites de “batalhas de guitarras”, desbancando mais de mil concorrentes.

Poderia ser uma banda de rock a tocar no Mada ou no Festival DoSol. Mas eles preferem uma compensadora estrada de espinhos: “Ao falar o nome ‘Deus’, as pessoas perguntam logo porque fazemos isso, algo que contextualmente falando, é causado pelos fanáticos. Em um país em que Buda, Iemanjá, macumbaria, são cultuados de forma aberta por cantores como Nando Reis, Ivete Sangalo, O Rappa etc., o nome de Deus ainda gera pavor no povo. Acho que a grande verdade, é que sentimos tanta vergonha do que somos, que sentimos medo de abrir a boca e fechar os olhos para falar com Deus”, desabafa Israel.

O músico acredita nas casas de shows convencionais o espaço preferido para disseminar o trabalho da música gospel. “Somos bandas de rock. E o cenário cristão é musicalmente belíssimo. Tocamos desde cedo em igrejas e estudamos harmonia antes de fazermos power chords. Os pensamentos podem ser diferentes, mas onde há respeito, pode existir amor. E daí, a convivência. Cansei de tocar em locais os quais o público bebia e fumava maconha. Não temos preconceito. Nem deveria haver com a bíblia”, ressalta.

Axé gospel
E se há preconceito com bandas de rock, que dirá uma banda de axé gospel? A banda Divina Luz é das mais conhecidas do Rio Grande do Norte. E também no segmento cristão, o axé encontra mais espaço que o rock. O Divina Luz toca em micaretas cristãs pelo Brasil afora, shows em praças públicas e festas populares. Mas conforme o dito, o estilo gospel não rima com dinheiro. Segundo o vocalista Caoj, os cachês são todos revertidos para o trabalho da banda: gravações, viagens, pagamento de músicos terceirizados, etc.

“No Brasil são pouquíssimos os que vivem da música católica. Mesmo os músicos que acompanham nomes como padre Fábio de Melo, quando descem do palco vestem a farda de funcionário público”. Segundo Caoj, as igrejas católicas não têm dinheiro para patrocinar as bandas e músicos formados na igreja. Após sete anos de carreira, convites para tocar no exterior ainda este ano e reconhecimento no meio, os músicos precisam de atividades extras para tocar a banda.

Caoj desmistifica o cunho sensual e até apelativo do estilo axé. “Quem assiste nossos shows não enxergam isso. Não há exageros, ‘rebolations’ ou danças até o chão. Pode parecer estranho, mas conseguimos manter o respeito com a música suingada. Unimos a necessidade do público gospel com o estilo axé e incorporamos a mensagem católica nas letras. Unimos diversão e espiritualidade. Acho uma fórmula interessante”.

Banda Kruyssen
Contato:(84) 8809-5709
comunidade orkut: kruyssen
www.myspace.com/kruyssen

Divina Luz
Contato: (84) 3088-1513 / 9969-0036
e-mail: contato@divinaluz.com.br
www.divinaluz.com.br

* Matéria publicada no Diário de Natal