Reluto em classificar meros escrevinhadores como “escritores”. Na minha mesinha de cabeceira vejo daqui o livro Almanaque Anos 70. A autora, Ana Maria Bahiana é conceituada jornalista dos campos culturais há pelo menos três décadas, de indiscutível talento. Mas o livro nada mais é do que um excelente apanhado de fatos e fotos da referida década, muito bem escrito e organizado.
Na biografia da autora consta o que se vê comumente. Além da profissão acadêmica, a complementação de “escritor”. Quem leu o livro deve concordar: não há elementos literários que diferenciem a obra de uma pesquisa ou de um trabalho jornalístico. Também leio o livro já por aqui comentado do psicanalista Irvin D. Yalom, A Cura de Schopenhauer. Interessantíssimo, do ponto de vista filosófico, não literário.
Meu amigo e jornalista da cultura, Tácito Costa comentou em seu blog (www.substantivoplural.com.br) sobre outro best seller do psicanalista: Quando Nietzsche Chorou. Diz Tácito, com o gabarito de algumas décadas de jornalismo cultural, que conseguiu chegar à página 100 do livro e largou-o. Gostei quando disse que um encontro de dois personagens rendeu 70 páginas e que poderia ter sido em 7. O último livro de um grande escritor que li foi Memórias de Minhas Putas Tristes, de Saramago. Livro pequeno e de uma amplitude incrível.
Poder de síntese e clareza cabe ao verdadeiro escritor. É exigência notória, também, do jornalista. Mas ao escritor cabe ser mais objetivo e empregar alguma poesia, algum recurso literário, opinativo, descritivo, lúdico. E no final apresentar uma obra de valia, rica para sua época. Mesmo escritores de ofício merecem maior rigor ao se auto-classificarem escribas.
Quem ler as críticas de Millôr Fernandes à obra do ex-presidente José Sarney vai entender o que digo. Ao ambientar uma cidade, prédios, sítios ou pessoas é preciso conhecimento e atenção. A geografia de tudo isso requer detalhes e precisão. Essa premissa para qualquer escritor. Nomear qualquer escrevinhador que junta crônicas ou poesias em um livro, ou aquele que elabora uma pesquisa aprofundada sobre determinado assunto de escritor, é desmerecer o verdadeiro artista das letras. Veja bem: cultura é diferente de arte. Saiba diferenciar bife à milanesa de bife atrás da mesa!
FIART no Centro de Convenções, Stand SPVARN
Coordenação da Presidente SPVARN, escritora poeta Adélia Costa, sentada ao
lado do escritor Alexsandro Al...
Há 19 horas
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