E o filme de Moacyr Góes continua a colecionar críticas ferrenhas sobre a adaptação para o cinema da obra do escritor potiguar Nei Leandro de Castro, As Pelejas de Ojuara, como O Homem Que Desafiou o Diabo.
Assisti ao filme no último sábado. A maior sala de cinema do Cinemark estava quase lotada à tarde. A resposta do público parece ter sido boa. Risadas, comentários. Sobretudo a linguagem, claramente identificada com cada um de nós, potiguares.
Se critiquei os críticos paulistas e cariocas sobre as resenhas elitistas sobre o filme, retiro, em parte, o que eu disse. Algumas, de fato, foram demasiado preconceituosas, até. Na verdade, senti-me atingido, como nordestino e potiguar, com críticas a um filme montado aqui, com atores locais e baseado numa senhora obra literária de um escritor de indiscutível qualidade.
Mas não há como negar: o filme é um desleixo só. Li o livro de Nei Leandro assim que foi lançado, acho que em 2004. A seqüência da narrativa é dinâmica, realmente. Nada perto de um quase trailler que vi na montagem do filme. Tudo muito corrido, sem um encadeamento firme entre as cenas.
A cena de luta com o personagem de Otto parece uma seqüência de filme dos Trapalhões, como lembrou o crítico carioca Eduardo Valente. E quem leu o livro sabe que não precisava esse caráter “trapalhão”.
Acho que o filme se prendeu muito em uma comédia regionalista. Não precisava tanto. O livro não tem esse caráter. Se tivesse seguido a tônica da obra literária – a de retratar costumes através do universo mítico do sertão –, alguns personagens, como o poeta Moisés Sesyon não precisariam ser encaixados à força na narrativa.
Alguns aspectos também achei de extremo mal gosto: a imagem do Forte dos Reis Magos é despropositada. A escolha de atores globais pareceu-me pura jogada de marketing. A encenação no Castelo de Engady, no café entre Ojuara e o Corcunda foi paupérrima. Pareceu coisa improvisada, feitas às pressas. As cenas de sexo permearam as chanchadas da Atlântida, longe do cunho poético-erótico de da verve literária de Nei Leandro.
Vale uma ida ao cinema por pura curiosidade. Afinal, é filme todo montado aqui na terrinha de Cascudo. Tem participação de personagens locais, como a fraca e rápida atuação do escritor Tarcísio Gurgel (e não poderia ser diferente) e do convincente Pedrinho Mendes. De resto, é esperar o filme de Xuxa, filmado em Jacumã. Quem sabe?
FIART no Centro de Convenções, Stand SPVARN
Coordenação da Presidente SPVARN, escritora poeta Adélia Costa, sentada ao
lado do escritor Alexsandro Al...
Há 19 horas
A virada do Zé Araújo para o Ojuara foi um horror e a Mãe de Pantanha, que merecia só ela um livro e um filme, ficou ainda pior. Aquele figurino da Flávia Alessandra parecia saído da ala das bruxas de numa alegoria impressionista de Joãozinho Trinta. Tb achei rápido demais as cenas. Mas ainda assim é muito divertido.
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