O encontro que marcou a história cultural potiguar poderia ser lembrado além destas mal traçadas linhas. Quando o pai da Semana de Arte Moderna pulou a muralha deste Rio Grande para documentar fatos e pessoas do Nordeste, ficou maravilhado com um embolador de cocos, morador do Engenho Bom Jardim, em Goianinha. As palavras de Mário Andrade, publicadas em revistas e jornais do país, para descrever Chico Antônio foram as seguintes: “Estou divinizado por uma das comoções mais formidáveis da minha vida”.
O local desse encontro inusitado, promovido pelo crítico de arte moderna Antônio Bento, permanece. O Engenho Bom Jardim é hoje herança do sobrinho-neto Amaro Lima. Funciona como sede do Instituto Cultural Antônio Bento, sem fins lucrativos e voltado à pesquisa da cultura popular potiguar. Há dez anos Amaro afirma tentar, junto ao poder público, fundar ali um memorial para preservar acervos de Antônio Bento, Mário de Andrade e Chico Antônio, hoje espalhados entre membros de família, historiadores e museus outros.
A Casa Grande do Engenho, que hospedou Mário de Andrade em 1928, é um conjunto arquitetônico raro, reconhecido por técnicos do Ministério da Cultura. Já é monumento tombado pelo Patrimônio Arquitetônico Estadual. Está hoje coberto por uma lona colocada pela Fundação José Gugu para a sonhada revitalização. Amaro ainda luta para viabilizar o projeto do memorial, e também de um teatro de arena onde um dia funcionaram os currais do Engenho, destinado à apresentação de grupos folclóricos.
Segundo Amaro, a deputada federal Fátima Bezerra já levou o projeto a Brasília, para inclusão de emenda como novo ponto turístico da região. Se aprovado, as obras no Engenho – com área de 2,5 mil hectares – começarão no segundo semestre deste ano. À espera de alguma resposta da capital federal, Amaro ainda não levou o projeto à apreciação da Lei de Incentivo Câmara Cascudo. “É difícil sensibilizar as autoridades para o fato”, reconhece.
Segundo Amaro, a idéia do projeto é conservar a arquitetura do Casarão – engenho, destinaria, casa onde morou seus pais, - e propor a instalação de memorial para abrigar acervos literários, correspondências raras e acervo fotográfico, sobretudo da estadia de Mário de Andrade na Casa, hoje de posse de primos que já se dispuseram à doação, e pertences de Chico Antônio, que morou na Fazenda antes de ganhar as estradas de Pedro Velho. “O Casarão receberia o nome de Antonio Bento; a arena se chamaria Chico Antônio; e faríamos ainda o Memorial de Arte Popular Mário de Andrade”, idealiza Amaro.
E só para lembrar, este ano marca 80 anos da estadia de Mário de Andrade neste Rio Grande. Seria uma boa oportunidade para homenagear não só o poeta modernista, mas também nosso embolador de cocos Chico Antônio, já que sequer a grafia do Word reconheça o que seja um embolador.
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