segunda-feira, 5 de abril de 2010

Dylan é proibido de tocar na China


Bob Dylan cancela a turnê que abrangeria China, Hong Kong e Taiwan, depois que o governo de Pequim negou a permissão para que o artista se apresentasse em território chinês, segundo o site da revista "NME" e informações da agência AFP.

De acordo com uma declaração do produtor das apresentações no leste asiático, Jeffrey Wu, "o Ministério Chinês da Cultura não permitiu a realização dos shows, então não tivemos alternativa a não ser cancelar a turnê". O empresário ainda acrescentou que o que mais interessava a Dylan era a oportunidade de tocar na China. O músico fez uma série de apresentações por múltiplas cidades japonesas em março.

O governo chinês, segundo Wu, está mais cauteloso quanto as apresentações de artistas estrangeiros, desde que a islandesa Bjork se manifestou em favor da liberdade para o Tibet em 2008, no show que fez em Xangai. A cantora incluiu versos sobre o tema durante a interpretação da música "Declare Independence", do disco "Volta" (2007).

Ano passado, os britânicos do Oasis também foram impedidos de tocar no país.

* com informações da AFP e do site da revista NME.

domingo, 4 de abril de 2010

Dos equívocos do Seis & Meia


Eu alertei. Uma atração musical definida por sorteio só pode dar em coisa errada. Para explicar ao leitor: o convidado nacional do Projeto Seis & Meia continua selecionado pelo produtor, Willian Collier. E as 16 atrações locais foram via sorteio na Fundação José Gugu. E antes, os pares do projeto Seis & Meia eram de sons, pelo menos, parecidos. Ou seja: quem comprava o ingresso, quem se dera ao trabalho de ir ao show teria seu gosto respeitado ao ouvir/assistir apresentações que lhe agradassem. O exemplo da edição desta terça-feira é claro e ridículo. Aquelas senhorinhas e a galera da terceira idade que pagarão para assistir os boleros de Tânia Alves, terá que aguentar MC Priguissa para abrir o show. Ou vice-versa. A galera mais alternativa, amante do hip hop, terá que pagar também para ouvir bolero. E eu que tinha defendido o nome de Glorinha Oliveira para esta edição do projeto. Santa falta de bom-senso, batman.

Amigos do Tirol


Os organizadores da festa Amigos do Tirol estão preparando um livro que será lançado em novembro sobre fatos, histórias engraçadas e curiosidades de um dos bairros mais antigos de Natal, palco de muitos blocos de Carnaval e onde está localizada a sede de vários clubes que fizeram história na cidade. Entre eles, América, Rádio Amadores, Assen e AABB. A obra está sendo organizada pelo jornalista Petit das Virgens, um dos membros do grupo, que disponibilizou o seu e-mail,
petitdasvirgens@hotmail.com para receber crônicas e artigos que envolvam o bairro do Tirol e aberto a qualquer colaborador. Este ano a organização está preparando uma grande festa, com várias atrações e para não fugir à regra, muito frevo. Tradicionalmente realizada na AABB, este ano será realizada no salão térreo para melhor receber os convidados.

Mais informações com Petit das Virgens, fone 9954-0815

Na foto: Da esquerda para direita: Petit das Virgens, Áureo Borges, LeoSodré, José Guedes (Deca), Roberto Rabelo e Maurício Baíto

Chuva no sertão


"Cheguei em Acari na tarde desse Domingo, a tempo de pegar a invernada. Tava uma belezura. A Pitombeira em baixo do maior aguaceiro ( 50mm), o ribombar do trovão no ôco da serra... e o convite pra um banho de chuva foi irrecusável, os beiços ficaram roxo e as pontas dos dedos encriquilhados (essa palavra existe???) de tanto frio... e pra rebater, só mesmo uma(s) lapada(s) de cana com imbu inchado. Foi um final de tarde de fazer inveja a muito cristão... que, eu fiz questão de registrar".

AQUI

* A foto belíssima é de Alexandro Gurgel (AG Sued)

sábado, 3 de abril de 2010

Círio e Leo Batista


Conheci a dupla através de um programa exibido na TV Assembléia sobre a cidade de Pau dos Ferros. Eles são sensacionais. Vozes potentes, agudas. Lembra cantadores e repentistas. As composições beiram a poesia, seja ela mais refinada ou a popular, de cordel. A música Sertão de Metal é profecia ímpar – título do único CD da dupla, gravado de forma independente. Sem mídia, sem incentivo, sem palco, talentos como Círio e Léo Batista restringem seus talentos ao município, no máximo à região. Uma pena.

Quando ouvi Círio e Léo Batista bateu saudades do mapeamento cultural nos municípios potiguares realizado para compor a extinta revista Preá. Tanta cultura pulsante, com vontade de gritar, de ser vista existe nos interiores deste Rio Grande. Há tanto a ser visto, conhecido. Mas a atual gestão – que perdurará governo de Iberê adentro – insiste em renegar tudo isso. Lembro das chamadas iniciais da propaganda eleitoral da governadora Wilma de Faria com as revistas Preá. Tempos bons que não voltam mais (?)...

Música silenciada

Um dos nossos maiores patrimônios musicais está parado desde novembro a espera de providências para poder trabalhar. Foi pedido off porque ainda resta tempo para cumprimento do acordo. Acordo, aliás, agora sob a responsabilidade do governador Iberê Ferreira de Souza. Passado o prazo, este colunista bota a boca no trombone. Uma lástima.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Entrevista - Antônio Abujamra

Por Pedro Rocha e Tiago Coutinho
do jornal O Povo

OP - Na hora de uma entrevista, você é um ator também?
Abujamra - Vai tomar no teu cu, antes que eu me esqueça. Eu sei lá se eu sou ator ou se eu não sou. Se eu sou isso ou se eu sou aquilo. Você acha o que você quiser que eu não dou a mínima importância. Fale o que você quiser. Ele finge! Ele não finge! Eu sei lá o que eu sou. Sei lá. Tenho 77 anos de idade, eu sei lá o que eu vou fazer depois. Tem horas que eu trabalho, tem horas que eu não trabalho. Eu sou um fudido privilegiado, que pensa em fazer o Rei Lear, mas não faz. Sou um fodido privilegiado, porque de repente me chamam para fazer um trabalho. Vocês são insuportáveis. E ainda me perguntam as coisas que me perguntam há 50 anos. As mesmas coisas. Eu queria que vocês caminhassem no incerto, como pede Pascal. Tudo bem, vocês nunca leram Pascal, mas saiam aí nas ruas e sintam-se mais inseguros. Agora vocês chegarem para mim e perguntar essas coisas que vocês me perguntam. Eu se fosse chefe de vocês colocava vocês na rua. Tem que ser outra coisa. É outro conceito. Tem que mudar. Pegar essas informações da internet e usar. Tem que fazer isso. Eu estou agredindo muito vocês. Eu espero que essa agressão mereça uma atenção, para quando vocês forem falar com outras pessoas, não façam perguntas vulgares e ridículas como essas que vocês estão fazendo para mim. Estou sendo chato?

AQUI

OBS: Das agruras da profissão. Sensacional essa entrevista e mais ainda as observações finais dos repórteres.

Recado de François a Jairo Lima

Sérgio, vi o texto publicado no Diário de Natal. Só um reparo. Não a você, mas a mim mesmo. Não é essa a minha opinião sobre Jairo Lima. Mesmo que eu tenha dito assim, retiro o que disse. Jairo é um poeta porreta. Merece minha amizade e admiração. Minha discussão com ele sobre cultura popular é uma pinimba boba. Viva Jairo e viva você. O neoanarquismo é assim mesmo. Uma ideologia sem rumo. Abraço de françois.

Neoanarquista silvestre


Escritor François Silvestre abdica de lançamentos literários e das pretensões universais da literatura

Esmeralda: Crime no Santuário do Lima é o mais novo filho de François Silvestre. O caçula de uma família de linhagem nobre, reconhecida na sociedade potiguar. As crias, do primogênito ao mais novo, puxaram ao pai. Mas tem lá seus traços decorrentes de um amor literário. Um amor de linguagem moderna; linda como qualquer outra grande musa do além-mar. Mas o amor de François Silvestre, tem também o seu pé fincado na província. Vai, passeia, esbanja a sua beleza no Sul Maravilha e volta ao seu chão com a propriedade de quem sabe que é mais bela que as outras pobres mortais. Desse casal brotaram filhos já inscritos na história da literatura potiguar, mesmo fora das academias de letras ou academia das vaidades. E isso porque, filho de peixinho, peixinho é.

Entrevista – François Silvestre

A falta de um personagem marcante como foi Frederico, em Remanso de Piracema, foi proposital?
Enquanto no outro tinha um narrador-personagem, neste não tem. O cigano, o Tomé, o detetive são personagens de peso. Alguns me ligam e acham eles mais interessantes do que Frederico. Mas o maior personagem do livro é a trama, a tentativa do leitor em descobrir quem cometeu o assassinato de Esmeralda. Alguns já me ligaram e disseram ter se surpreendido com o desfecho. Outros disseram que já suspeitavam. Teve até quem me perguntou se Esmeralda era sapatão (risos).

É comum em seus livros a mescla entre ficção e realidade a partir das suas vivências...
É, mas neste livro há muito mais ficção do que no anterior. A maioria dos personagens é inventada, a não ser os secundários. Há cenários também inventados. O próprio santuário não é bem como está descrito no livro, a não ser a parte geográfica.

É seu livro mais ficcionista?
É ficção pura. Mas, muita gente do interior vai identificar os grupos ciganos. Fiz algumas pesquisas sobre o romanês, o sintó, língua bonita do diálogo dos ciganos. Uma mistura do português, com romanês e sintó. E a frase inicial desta resposta também é ficção.

Qual sua pretensão com este livro?
Nenhuma. Claro, quero ser lido, e quanto mais, melhor. Ou pelo menos ser bem lido, por leitores excelentes, do nível de Honório Medeiros, Manoel Onofre, Laurence Nóbrega....

O livro se pretende universalista?
Nada disso. É complicado esse assunto. Sou leitor dos seus textos e vejo que você tem essa implicância de universalismo e regionalismo. Nada é mais regionalista do que Tolstoi. Há dois livros de Victor Hugo – que há referência dele no livro – que são totalmente regionais. Mas temos esse complexo de que falar do sertão é regionalismo. Ninguém é mais universal do que Oswaldo Lamartine. A Pátria Não é Ninguém (livro de François) é muito mais regionalista do que o Remanso, por exemplo. Osman Lins, quando escreve Avalovara, se esborra todo quando tenta sair do sertão. Graciliano é regionalista um cacete. Ele vai lá pro fígado, não há livro mais angustiante do que o dele porque ele escreve sobre a vivência da pessoa.

Quando comentei do regionalismo presente em Remanso de Piracema, nada contra a descrição dos costumes e paisagens sertanejas. Os motivos eram as referências a nomes da sociedade local, fora do contexto do livro. Jairo Lima (poeta e dramaturgo pernambucano) achou a mesma coisa.
É, mas essas referências são coisas secundárias em uma obra. Jairo rejeita a cultura popular. Tem formação erudita. No caso de Jairo é gosto pessoal. Se dependesse dele, nenhum nordestino fazia música nem poesia. Só se fosse na Hungria, que seria naturalmente universal. Regional somos só nós, por acaso.

Foi mais um livro publicado sem lançamento literário. Por quê?
Essa história da crítica ao lançamento de livro pode parecer bobagem, mas não é. Quem vai à livraria comprar um livro, ou toma ele emprestado ou mesmo pede a alguém que lhe dê é porque deseja lê-lo. Esse é o leitor que me interessa. O freqüentador de lançamentos nem sempre é leitor. Às vezes deixa o livro no primeiro bar por onde passa. Ou compra o livro por amizade ou outro tipo de pressão sutil. Por isso não faço lançamento de livro em respeito aos meus leitores e aos donos de bancas que vendem meus livros sem fazer lançamentos. Isso porque o livro comprado em lançamento não vai ser comprado na banca de revista ou livraria que não fez o lançamento.

E porque o nome da Editora Bakunin?
Bakunin foi um filósofo e revolucionário anarquista, nascido na província de Tver, na Rússia, durante a segunda década do século 19. Morreu na Suíça, por volta da década de 70 do mesmo século. Foi preso, deportado da Sibéria e condenado à morte, cuja execução não se consumou. Ele conviveu na Europa com Marx e Proudhon. Desentendeu-se de Marx na internacional dos trabalhadores em 1872 em decorrência de divergências ideológicas. Bakunin negava o comunismo sob a gerência do Estado. Parece que estava adivinhando. O primeiro comunista no Leste Europeu produziu tortura e corrupção. Só não produziu comunismo.

O neoanarquismo funcionaria num cenário de completa desigualdade social?
O neoanarquismo ao qual me filio sem ter ficha assinada é a negação do neoliberalismo tucano e do neopeleguismo petista. O neoanarquista não pretende o poder. Até porque o poder é o matadouro das ideologias. A pré-humanidade que somos nós é incompatível com o socialismo porque nós não conseguimos abdicar nem a ganância nem do egoísmo. É por isso que o capitalismo está para as relações sociais assim como a natureza está para o movimento dos astros. Enquanto formos pré-humanos a única relação natural do nosso contrato social é o capitalismo. Se bem que estudar isso e falar sobre isso em mesa de bar é sempre muito agradável. Mas jeito não tem, não. Adoto a tese de Vicente Pentelho de Alma, amigo meu, que diz ser a democracia o melhor regime político: quanto mais esculhambada melhor ela é. Sugiro aos leitores a leitura de três livro aparentemente pesados, mas literalmente belíssimos: O 18 Brumário, de Marx; O Fenômeno Humano, de Teilhard de Chardin; e Meditações do Quixote, de Ortega y Gasset. Certa vez, numa discussão minha com Ariano (Suassuna), ele disse que o texto de Marx era insuportável. Então, fiz citações do 18 Brumário. Ele não reconheceu a origem e reconheceu a beleza do texto sem saber de quem era. E para encerrar, em matéria de filosofia, lhe dou: Gosto de Sartre, mas não gosto de Sartre. Quem quiser leia como quiser.

* Matéria publicada nesta sexta-feira no Diário de Natal (foto de Raíssa Tâmisa).

OBS: A entrevista contém trechos da conversa que seria publicada na finada revista Ginga.

Um Governante para a Cultura

Por Lívio Oliveira*

Dona Wilma já deixou o governo. Um governo que, talvez tenha trazido alguns avanços, mas que trouxe fortes e constrangedores retrocessos. Não há como negar o fato de que perdemos, por exemplo, no campo cultural. E muito. O governo perdeu nesse setor imprescindível ao povo. O governo perdeu a oportunidade de ter se dedicado, com afinco e zelo, a uma obra cultural consistente e de relevo.

Não é a toa que alguns dos principais escândalos desse governo que está próximo a findar (a governadora saiu, mas ficou o seu substituto) envolveu também pessoas ligadas ao órgão cultural oficial. Infelizmente. E digo infelizmente, mil vezes, com uma dor profunda na alma. Fico me indagando a todo tempo: Mas, logo esse governo, que parecia tão envolvido com as coisas da arte e da cultura? Parecia. Lembram da propaganda daquele xampu? Pois é. O que parece, às vezes não é.

A cultura sofreu toda sorte de humilhação nesse governo que começa o seu ocaso. Os artistas e pessoas que operam em benefício do nosso crescimento cultural, esses não tiveram vez. E os exemplos são muitos: o abandono de inúmeros projetos que anteriormente eram vitoriosos e frutíferos; a falta de um planejamento sólido (a execução, ih!, nem se fala!), a perda de diversas oportunidades; a falta de criatividade; o desprezo ao artista; o blá-blá-blá infinito, num monótono monólogo.

Não quero parecer crítico além da conta, mas, acredito que merecíamos algo melhor. Os que produzem arte e cultura e os que as consomem, todos merecíamos. E é por isso que quero firmar aqui a minha convicção de que precisamos escolher, nas próximas eleições, um governante que tenha um compromisso de verdade com a cultura de nosso povo e tenha a sensibilidade mínima para entender que a arte é essencial à vida das pessoas. A arte é, também, saúde mental e física. A arte é ecologia. A arte é educação. A arte empreende e constroi. A arte recupera e socializa. A arte é anti-violência. A arte é esperança.

Eu tenho certeza de que um governante que possua essa concepção das coisas tenderá a fazer, sempre, um bom governo. Mirará na profundidade das coisas e vislumbrará projetos a realizar. Não se perderá no achismo, na politicalha e num falso pragmatismo que impede a visão do sensível.

Há muita coisa a ser feita: A nossa biblioteca merece ser redimensionada e revitalizada. A nossa orquestra precisa de melhores salários e condições de trabalho. O nosso teatro precisa de mais incremento. Por sinal, precisamos de um novo e maior teatro, urgentemente. A literatura precisa voltar a ter vez, com as publicações e premiações literárias. Há urgência na atenção ao nosso patrimônio museológico. A cultura precisa, também, de um casamento com o turismo. Precisamos, sim, de obras e eventos que marquem, em todos os setores.

Aguardo, animado por todas essas razões, que nos chegue um tempo de renovação. Espero que venha por aí "o tempo da delicadeza", como diria o nosso formidável Chico. E que, com esse tempo, o jardim da cultura e da arte possa ser melhor cuidado. Como Voltaire dizia através de Cândido: "Tudo isso está bem dito" mas devemos cultivar nosso "jardim."

E que esse tempo e esse jardim sejam logo vislumbrados, que apareçam no horizonte e se materializem diante de nós com o próximo governo. Por isso, dizemos: O que passou, passou! E o que precisa ter fim, "vai passarâ"!

*O autor é advogado público federal e escritor.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Internacionais no Brasil

Tem muita astro e banda pop aportando no Brasil em 2010. Meu destaque vai para um dos meus xodós, a excelência melancólica do Placebo (entre 13 e 18 de abril). E ainda o trio texano de rock velho, ZZ Top (em 20 de maio), o heavy metal tradicional do Megadeth (em 24 de abril), e outras bandinhas de menor renome. Claro, todas as apresentações concentradas no eixo Sul Maravilha do país. Por aqui, muita gente bacana no Festival Fest Bossa, nas áreas do blues, do jazz e, claro, da bossa nova. Aproveitem.

Parado pelo descaso

Um dos nossos maiores patrimônios musicais está parado desde novembro a espera de providências para poder trabalhar. Falta condições mínimas de trabalho e reajuste de salário. Foi pedido off porque ainda resta tempo para cumprimento do acordo. Passado o prazo, este blogueiro bota a boca no trombone. De antemão, só posso lastimar um descaso desta proporção. Uma lástima!

Carnaval Multipendente 2010

Escolas de Samba e orquestras ainda esperam pagamentos do carnaval promovido pela prefeitura de Natal

Dizem que o ano só começa depois do carnaval. Para as agremiações carnavalescas da cidade, as dezenas de músicos responsáveis pela orquestração do chamado Carnaval Multicultural 2010 e parte do pessoal de apoio que participou da organização do evento, o ano ainda não começou. Eles ainda vivem a expectativa de receberem seus pagamentos e prêmios prometidos pela prefeitura de Natal. A dívida supera os R$ 500 mil – um terço do orçamento total de R$ 1,5 milhão do evento promovido este ano.

A estimativa dada pela coordenadora do Carnatal, Cristina Medeiros, é de que entre segunda e quarta-feira da próxima semana, os músicos das orquestras e o pessoal de apoio – incluindo a Rainha do Carnaval – sejam pagos. Quanto às escolas de samba, sequer há previsão. O motivo é uma questão jurídica que envolveu a decisão pelo quarto lugar no desfile das agremiações no carnaval.

Segundo Cristina Medeiros, a Funcarte já cumpriu a sua parte e encaminhou todos os processos de pagamento ao setor financeiro da Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla). “Os processos já passaram pela Controladoria. E eles disseram que a prioridade é o pagamento dos servidores públicos e depois serão pagos os músicos da orquestra – cerca de R$ 400 mil. Agora, a premiação das escolas (R$ 125 mil) eu não sei”, disse Cristina.

O titular da Sempla, Augusto Viveiros, estava fora do gabinete e afirmou desconhecer a pendência do pagamento ou a fase do processo. “Seria preciso eu verificar”, disse. De certo, sequer houve a publicação no Diário Oficial do Município – exigência primeira, estipulada neste ano, para início de abertura do processo de pagamento às escolas de samba.

O presidente da escola campeã do carnaval deste ano, a Malandros do Samba, reclama do amadorismo da Funcarte e da Sempla no trato e na atenção com os carnavalescos. “Há cinco anos é assim. Quando recebíamos pela Sectur (Secretaria de Turismo) era diferente. Ali na Funcarte só tem calouro. Reconheço a boa vontade de Castelo Casado no ano passado e de Cristina, neste ano. Mas falta agilidade”, reclama Kerginaldo Alves, também vice-presidente da Associação das Escolas de Samba e Tribos de Índio de Natal (Astin).

Kerginaldo afirmou ainda que o desfile das agremiações carnavalescas deste ano só aconteceu porque ele conseguiu afiançar junto à loja Ponto dos Botões a liberação para compra de material para montagem do desfile. “A prefeitura só liberou o dinheiro (R$ 15 mil às escolas da Chave A e R$ 12 mil às escolas da Chave B) depois do desfile. Não houvesse a intervenção da Astin, não haveria carnaval”. E lamenta: “Falta sensibilidade. Nunca foi desse jeito”.

As bandas e artistas (incluindo os dez músicos contratados para o projeto Escute Que é Daqui) contratados via empresa de Bruno Giovanni – Iluminarte –, além de parte do pessoal de apoio do carnaval, prévias carnavalescas, blocos e grupos folclóricos receberam o pagamento há uma semana.

Dificuldades costumeiras
A prática da agiotagem nos bastidores do carnaval natalense tem sido prática constante devido aos repetidos atrasos no repasse da verba municipal. Todas as escolas já recorreram a empréstimos extras com a promessa de pagamento caso a escola consiga boa pontuação e, consequentemente, valores mais altos de premiação. Segundo carnavalescos, a grande maioria está endividada. A estimativa é que em poucos anos os desfiles das escolas de samba possam acabar após a falência das principais agremiações.

O valor baixo e o atraso na liberação da verba é apenas alguns dos pontos reclamados pelos carnavalescos. O outro é quase uma questão de monopólio. O Ponto dos Botões é a única loja de Natal apta a vender material para a montagem do carnaval. É unânime a reclamação entre os diretores de escolas o preço alto e a falta de opções na loja. Segundo os carnavalescos, outras lojas “dormem no ponto” porque podiam ganhar algum dinheiro a mais no período.

* Matéria publicada nesta quinta-feira, no Diário de Natal

Hianto de Almeida era O Cara!



Por Zé Dias

Quando se fala em Bossa Nova, eu no afã de ver meu estado ser respeitado também como polo produtor de música popular brasileira, sempre me referia a HIANTO DE ALMEIDA, Macauense, falecido em 1964, como um dos precussores da Bossa Nova. Mesmo com minha EMPOLGAÇÃO mais ou menos convicente, não tinha um depoimento público que avalizasse minha informação - TARIK DE SOUZA, GENIAL, SEMPRE COMENTAVA COMIGO EM CONVERSAS PARTICULARES - mas faltava um documento que eu pudesse ratificar tal afirmação.

Ao longo da minha vida, produzi em meados dos anos 90 um Festival de Bossa Nova em homenagem a HIANTO, onde trouxe de uma vez só: CARLOS LIRA, ROBERTO MENESCAL, JOHNNY ALF, OS CARIOCAS, WANDA SÁ E ALAIDE COSTA e, a excessão de MENESCAL E CARLOS LIRA, publicamente durante os shows, nenhum deles confirmava minha tese e de alguns poucos gatos pingados. Confesso que a época, não tinha muita convicção da importancia de que HIANTO DE ALMEIDA era o CARA.

Quando KHRYSTAL foi gravar o programa SR. BRASIL de ROLANDO BOLDRIN, no hotel MELIA em Higienopolis, onde estavamos hospedados, junto com os CARIOCAS, no café da manhã, SEVERINO FILHO, um dos últimos remanescentes do grupo, olhou para mim e perguntou: Zé como vai sua luta em prol da obra de Hianto de Almeida? Afirmei a ele que continuava a lutar pelo reconhecimento de HIANTO como precurssor da Bossa Nova, mas a falta de dados e minha aversão a INTERNET, impedia minha pesquisa. Um dos novos componenetes do grupo NEIL TEIXEIRA, pede meu email e dias depois, manda uma postagem cheia de anexo, que eu idiota, só fiz achar bonito, mas não sabia abrir. Desafiei KHRYSTAL, viciada em internet, a procurar a canção MEIA-LUZ de Hianto, que diziam a boca pequena, que JOÃO GILBERTO em 1952, seia anos antes do CHEGA DE SAUDADE, tinha gravado. KHRYSTAL, genial como sempre, encontrou um MARACATU TEITEI nos EEUU que disponibilizou a música. Me emocionei e disponibilizei um disco para amigos, com vários fonogramas de expoentes da MPB cantando HIANTO DE ALMEIDA. Me senti o maxímo.

O meu disco tinha o selo do compacto da gravação de JOÃO GILBERTO, mas um documento nacional (CAPA DE UM DISCO) que confirmasse o universo de HIANTO no meio dos craques da Bossa Nova, eu não tinha. Apesar do dia de hoje ser primeiro de Abril, JULIO CESAR PIMENTA, amigo querido, e bom pesquisador da MPB em nosso estado, manda este email para mim onde encontrou um disco chamado OS PRECURSSORES DA BOSSA NOVA - 1948 A 1957 - onde num album duplo, que não foi vendido e sim distribuido por alguma empresa, a gravação de JOÃO GILBERTTO cantando HIANTO DE ALMEIDA, entre tantos precussores do movimento musical que fez o Brasil ser repeitado no mundo. LAVEI A ALMA.

Quero agora que um LOUCO POR INTERNET E POR MUSICA, tipo meu amigo cearense JANIO ALCANTARA, fuçe o computador e veja se encontra o encarte do disco que devera ter algum pesquisador de vergonha falando nacionalmente da importância de HIANTO DE ALMEIDA e não um MARACATU COMO EU. Abraço!

Seleção para o Seis & Meia

Recebi comentário (que segue abaixo) a respeito do método de seleção das atrações locais do projeto Seis & Meia deste ano. Tinha ouvido coisa semelhante e até sairia em minha coluna deste domingo, no Diário de Natal. As informações que haviam me passado batem exatamente com o que "Labe" escreveu aí. E vale lembrar que as atrações nacionais são de responsabilidade do produtor do projeto, Willian Collier, e as locais, da Fundação José Gugu, por este método aí abaixo:

"APENAS METADE dos contemplados do (Prêmio) Nubia Lafayette estavam presentes e DECIDIRAM EXCLUIR os demais do sorteio do Seis & Meia.

Há de se ressaltar que o sorteio do Seis & Meia NÃO FORA AVISADO PREVIAMENTE. Nenhuma pauta fora informada no telefonema aos artistas. Quem foi à reunião soube de tudo na hora. Aos 20 artistas que não puderam comparecer, não foi dada a menor chance de concorrer. E, provavelmente, pouquíssimos sabem que tal sorteio ocorreu (para o bem da FJA e dos supostos "vencedores"...).

Pelo visto, o projeto Seis & Meia continua sendo "restrito". Desta vez, com uma finalidade obscura especial: compensar (leia-se: calar a boca dos) selecionados que estavam presentes, o grupo "suspostamente-ativo-do-Núbia-Lafayette-que-poderia-se-queixar-do atraso-dos-depósitos".

Adendo: Dos 20 que compareceram, 16 foram escolhidos. Geralmente havia ligações musicais entre as atrações nacionais e locais. A próxima edição, por exemplo, virá Tânia Alves. Eu mesmo havia sugerido, em minha coluna, o nome de Glorinha Oliveira para formar a próxima edição. Agora, será impossível. O nome virá de algum desses 16. Uma lástima, mesmo.