sexta-feira, 8 de maio de 2009

Elba fora do Auto de Natal

Estranho: Elba Ramalho faz show amanhã em Natal e nem está perto do Natal. Desta vez será no Forró da Lua. Pelo preço do ingresso - R$ 35 - é capaz de ter cobrado o velho cachê milionário.

Pontos nos Is

A Funcarte lançou ontem sete editais de incentivo à cultura. A inicitiva, de cara, pareceu uma cópia à política de editais adotada pela Fundação José Gugu neste ano. Mas é bom lembrar que o inverso é a hipótese mais provável. No início do ano, o presidente da Capitania, mister Júlio César Revorêdo Serafim convocou a imprensa para divulgar os planos de gestão municipal para 2009. E nele estavam os editais culturais.

Independente de quem seja o pai da criança, ambos merecem elogios. À FJA, talvez o único elogio até o momento. Se conseguir mudanças significativas na Lei Câmara Cascudo também deixará uma pequena marca na gestão.

E só pra lembrar: este mês de maio deverá (ou deveria) ser publicada a edição mais nova da Preá, como previa o diretor Crispiniano Neto na entrevista que concedeu a este blogueiro. As justificativas para explicar o atraso de quase um ano para publicação do segundo número foram muito bem argumentadas. E agora?

Nenhum jornalista do meio cultural que conheço foi convidado para elaborar matérias para esta nova edição. E bem sei que, pelo menos as matérias de mapeamento cultural de municípios demoram pelo menos um mês para estarem prontas.

Tomara que eu esteja errado e até 30 de maio uma nova Preá seja lançada. Mas, pra mim, a história se repete.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

DNP de volta!

Amigo leitor, até sexta-feira vou bater escanteio, cabecear e comemorar o gol sozinho lá no DN. É a logística necessária para o lançamento do novo formato gráfico do jornal. Não bastasse o trabalho árduo e triplo da edição e reportagens, as atividades extras também aumentaram. Mas, como as uvas e o manjado poema de Mário Quintana, tudo passa e blá, blá, blá. Dias melhores virão e para breve.

Por hora, aviso que o Domingo na Praça vai voltar e já tem data marcada para estreia. Será em 28 de junho. A matéria completa você lê amanhã no DN. Me senti muito feliz com a volta deste projeto. E mais ainda em ter participado ativamente nesse processo. Cobrei e muito este patrocínio da prefeitura. Tanto que disseram à produtora Cida Campello para me agradecer (rs).

O formato do DNP sempre me agradou. É um espaço democrático, aconchegante e aberto a diferentes manifestações culturais. Abre mídia ainda para bandas desconhecidas, para a música instrumental, para o folclore, artesanato e artes plásticas. Todos eles vertentes culturais geralmente pouco lembradas pela imprensa. A logística e estrutura física da UFRN também é boa, com estacionamento, segurança... Enfim, viva o Domingo na Praça!

sábado, 2 de maio de 2009

Morre Helmut, o filósofo das ruas

Morreu hoje um dos personagens mais enigmáticos desta cidade. Helmut Cândito desafiou todas as regras da vida. Fumou e bebeu em demasia durante quase 30 anos. Era libertário como os chãos do Beco da Lama que tanto gostava. Em fevereiro o visitei no hospital da Unimed. Ele estava com câncer, mas não sabia. Nem queria saber. O amigo Abimael Silva até lembro do clássico filme Viver, de Akira Kurosawa, como vocês podem ver mais adiante. Foi a última entrevista que Helmut concedeu, publicada em O Poti de 22 de fevereiro. Ficam as lembranças de um homem, antes de tudo, livre.

O filósofo das ruas

A liberdade humana se revela na angústia diante da condenação da própria liberdade. É a condenação das escolhas e da responsabilidade opressiva perante elas. É assim que pensa o filósofo existencialista Jean-Paul Sartre. É assim que vive um dos personagens mais enigmáticos desta cidade: José Helmut Cândido, 76 anos. Claro, o livre arbítrio divino é dádiva entregue a todos. Mas Helmut escolheu diferente e talvez materialize com mais nitidez a filosofia sartreana de liberdade.

Helmut não ri à toa. Não vê motivos para festa. Não é eremita porque despreza penitência, religiosidade ou misantropia. Talvez seja pela solidão do muito saber. Escolheu a vida desregrada - se é que existe. Sartre explica. De costume fuma seis carteiras de cigarro ao dia. Bebe entre 20, 30 lapadas de cachaça ou outra bebida, até o arrebol sumir ou o dinheiro deixar. Caminha em viagens. Anda até Macaíba às vezes. Pium é matinê e roteiro definido.

Em Pium Helmut encontra a casa e os livros do amigo Abimael Silva. O Sebo Vermelho é a segunda ou primeira casa de Helmut. A outra é um quartinho próximo ao Memorial Câmara Cascudo, também na Cidade Alta. ''O que salva Helmut são as caminhadas''. Também a irmã, Ideuzuith, que controla a razoável aposentadoria de Helmut. ''A única preocupação dele é pegar os 15 reais do dia na casa da irmã. Se ela der mais ele gasta com cigarro e cachaça. Quando o cigarro acaba ele faz um brejeiro, com papel couchê de livro barato'', diz Abimael.

A vida classificada como normal, Helmut trilha há quase 50 anos. Vem de família nobre de Angicos. O tio, José Anselmo, foi diretor dos Correios nos anos 50 e empregou Helmut lá. ''Em 1962 houve a primeira bronca. Acho que foi de tanto ler. Helmut leu todos os filósofos''. A ''bronca'' relatada por Abimael foi um desvio de comportamento; atitudes agressivas, menizadas há 20 anos. Após aposentadoria forçada pelo Correio trabalhou de carteiro de Cascudo durante seis anos. Viajou muito e se isolou do mundo à sua maneira.

É comum ver Helmut embriagado pelas adjacências do Beco da Lama. Ele anota poesias e pensamentos em guardanapos e pede 2 reais por ela ou um copo de cachaça. Em bienais angaria até R$ 500. Por vezes carrega DVDs de clássicos do cinema. É outra paixão, como também a literatura ou as viagens aos interiores do estado para ver fachadas de correios. Certa feita, tomou o ônibus gratuito para idosos até o Rio de Janeiro para visitar parentes. Foi com 20 reais. Abimael conta que Helmut reclamou: ''Só tem ladrão. A cachaça que compro aqui a 50 centavos, lá é um e 50. Era só cafezinho e cigarro''. Diz Abimael que Helmut ainda chegou ao RJ com R$ 1,50.

Há 20 dias Helmut foi internado. Abimael notou a boca do amigo espumando. A irmã de Helmut disse que ele só pensa em sair do hospital e prefere desconhecer a gravidade da doença que o levou para lá. Na saída do Hospital, depois da entrevista e a despeito da negação de Helmut saber de sua efermidade, Abimael lembra do filme Viver (1952), de Akira Kurosawa. O longa conta a história de um burocrata com câncer no estômago, também sem querer saber o diagnóstico de sua doença, mas forçado a tirar o capuz de sua existência para encontrar algum significado para seus dias derradeiros.

ENTREVISTA - HELMUT CÂNDIDO

O repórter chega às 9h de uma manhã igual às outras ao Hospital da Unimed. Quarto 310. O filósofo das ruas está sentado à beira da cama. Veste bata hospitalar. Parece bem. Vê de prima Abimael e gesticula apressado para o editor entrar. Se surpreende em seguida com a presença da equipe do jornal, mas logo demonstra altivez. A vaidade de Helmut é conhecida. Ele gosta de ser fotografado, de dar entrevista, embora seja travado com as palavras que tanto conhece. Se tivesse o dom da oratória e do desprendimento, a filosofia das ruas ou dos livros sairiam pelos póros direto para este jornal.

Helmut é um baú de conhecimentos. Teria muito a ensinar. Talvez até quisesse. As respostas curtas retratam a personalidade introspecta e a consequente dificuldade em proferir suas idéias e pensamentos. É meio ranzinza, impaciente. Na entrevista a seguir, feita semana passada, Helmut recorria ao apoio irrestrito do amigo Abimael Silva para complementar alguma resposta ou tirar dúvidas. Já ao fim, quando o repórter sinalizou a precisão de voltar à redação para escrever a matéria, alguma filosofia guardada naqueles porões escuros emergiu. Serviu como braço seguro para prender a equipe mais alguns minutos e olhar a pressa da rotina jornalística pela janela.


O Poti - O senhor sempre gozou da liberdade das ruas e está há quase três semanas preso no hospital. Do que sente mais falta?
Helmut - Da rua; do movimento; do amigo Abimael.

De algum local específico das ruas que costuma andar?
Da Cidade Alta, por ali perto de Abimael.

Dos costumes bem praticados pelo senhor está a leitura, o cinema, o fumo, a bebida e as longas caminhadas. Do que sente mais falta?
A leitura. É o mais importante (e o cinema? - pergunta Abimael). Também. Minha coleção é vasta; muitos clássicos.

Qual o melhor diretor?
Difícil definir. John Ford...

E o filme?
No tempo das diligências(do mesmo John Ford). Mas não esquecer dos mais modernos; do Cinema Novo, que foi uma remoção das chanchadas, com Glauber; de Nelson Pereira.

Fale de Marlon Brando, que você tanto gosta, rapaz! - sugere Abimael.
Marlon Brando surgiu com estilo independente; com uma linguagem cênica diferente do que existia comumente em Hollywood. Ele apareceu moço, com 30 anos. Fez filme em todos os gêneros, geralmente como figura antisocial. Eram papéis que repudiavam a sociedade.

Por isso gostava tanto dele?
É

O senhor também deseja esse repúdio?
Pode anotar essa mensagem: filosofia se aprende na rua, por incrível que pareça.

Que tipo de filosofia?
A filosofia prática. A vida é prática.

A rua ensina mais que os livros?
O que se vê na rua se encontra nos livros, mas o que tem nos livros foi retirado da rua. O livro aniquila a maneira de se ver o mundo. A própria rua tem sua teoria. O alicerce do edifício é a rua.

E qual o alicerce do livro?
O existencialismo de Sartre.

Qual livro sintetiza mais o espírito da rua?
(pensa). Shakespeare é muito alto. Euclides da Cunha, não; ele era sociólogo. Pode ser Conan Doyle. Ele num extrai muito? - pergunta a Abimael.

Autor na literatura?
Dostoiévski.

Os Irmãos Karamazov ou Crime e Castigo?
O primeiro.

Algum autor local?
Alvamar Furtado (Abimael lhe deu um livro do escritor a respeito do revolucionário José da Penha, combatente da oligarquia Maranhão, morto pelos cangaceiros de Padin Ciço, no Ceará e parente de Helmut).

Entre os filósofos?
A filosofia antiga.

Pré-socráticos?
Pré e pós-socráticos.

Foram eles quem ensinaram seu modo de viver?
Pelos livros escolhi minha vida.

E que vida é essa?
Comum, mas que se sobressai à vida cotidiana.

Qual vida é comum?
Depende da compreensão.

Qual o seu lugar?
Meu canto é o mesmo desse cara aí (aponta para Abimael). Fico esperando na porta (do Sebo Vermelho) esperando ele chegar.

Sente falta do cigarro?
Quando cheguei aqui parei.

Vai continuar ao sair?
Talvez.

Qual motivo trouxe o senhor aqui?
Alguns atropelos...

Quais ensinamentos essa ''vida comum'' lhe deu?
Já viajei bastante. Conheci quase tudo do Brasil. O importante foi perceber que todo canto é a mesma coisa. (Abimael pede para ele contar as temporadas dos cabarés próximos ao Porto de Santos). A diferença é que a sociedade não se entrosa com o cabaré. Acha um antro repugnante. Cabaré é um desvio social. Eu gosto. Começa pela casa, desmembrada do seio social.

E termina aonde?
Lá mesmo. O que se precisa é de cautela, num é Abimael? (o editor sebista já havia contado ao repórter que Helmut reclamava das raparigas larápias dos cabarés das Rocas).

Fale de Francisca, empregada de Cascudo - pergunta Abimael.
Foi uma namorada que eu arrumei lá em Cascudo. Durou um mês. Era bem feita, esbelta.

As tantas caminhadas de hoje partiram daquela época de carteiro?
Ando para desopilar, tomar ar, fazer exercício.

É uma filosofia de vida?
Meu estilo de viver é normal. Só precisa ser compreendido, sem a agressão da sociedade.

Você quer dizer algo com isso?
Que nada tenho de anormal. As pessoas é que me julgam diferente.

De Samba, Lula e o PAC

Notícia em primeira mão dada agora há pouco pelo novo diretor executivo da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Samba), Augusto Lula. Talvez pelo apelido homônimo ao presidente deste esverdeado Brasil, já no primeiro dia pós-eleição, um telefonema da cancerígena ministra Dilma Rousseff que, após os parabéns pela vitória democrática, suada e neste momento comemorada, mesmo combalida, prometeu incluir os projetos da Samba no PAC. A partir de agora, portanto, os senadores, governadora e bancada federal em Brasília têm a obrigação de incluir na pauta de reivindicações, não só o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, a Refinaria ou verbas para combater os estragos da enchente, mas também obras em prol da boemia cultural do Beco da Lama. Ao que tudo indica, a promessa da agora sorridente ministra já causa ciumeira entre dirigentes do PSTU e PCdoB. Os comentários que rodam nas vielas do Beco é a de que Lula, O Presidente (não o da República, proclamada após uma quartelada infame, mas o da Samba; viva a Samba!) se vendeu ao PT para, em alguma data destes próximos três anos, trazer o colega Lula. A meladinha de Nazaré foi o principal argumento para o presidente aceitar o convite. O segundo foi a de que o PSTU e o PCdoB estão tomando conta do lugar. A terceira, última e mais evidente, é para estreitar os laços da Samba e a Fundação José Gugu, do petista Crispa. Enquanto isso, Lula, o sambista, apreciador de Run, comemora os louros da vitória junto ao fiel Sancho Pança, Abimael Silva.

Aguardem próximos capítulos da novela Lula e a Samba! É Nós tudin do Beco!

Novos tempos (?)

O Beco da Lama é beco sem vontade de avenida e de alma enlameada pelo perfume da província. Cabe ao curioso filtrar a astúcia e se adaptar à realidade daquela atmosfera. Há um convite inconteste no ar. Quase um chamamento. Claro, há o perigo. E não vem da sisudez de Helmut. Uma vez do beco, os contornos da cidade modificam. Aquela eterna espera por novidades herdada da Segunda Grande Guerra se esvai. O amante do beco se volta às novidades dos arredores. A cena cultural da cidade ascende. O Centro Histórico despe-se do cinza e ganha cores. E a medida em que se é tragado pela alma do beco, uma sinfonia começa a tornar-se audível, vinda lá das funduras do Potengi. É quando o curioso olha para os lados e grita: viva a liberdade! Salve o beco-boemia!

Parabéns ao Nós do Beco!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Beco da faísca

As chacotas, acusações e discussões de representantes das duas chapas concorrentes à nova presidência da Samba antecederam o dia de votação, com início nesta sexta-feira a partir das 10h (apuração começa às 18h).

Não participei das outras eleições. Conheço apenas por histórias. Mas não precisa curso no Senac para apostar num dia agitadíssimo por lá. A quista de ontem à noite, os ânimos podem se alterar além do limite.

Eu ainda procuro uma razão para disputa tão acirrada, quando a coisa sempre foi resolvida de forma consensual ou, pelo menos, sem tanta intriga. O ambiente está tenso. Que haja a boca de urna, mesmo entre concorrentes numa mesma mesa, mas sem agressões pessoais, em respeito à própria aura boêmia e convidativa do lugar.

Achei duas hipóteses para tal acirramento: a primeira é a chance de o projeto Pratodomundo receber a verba de R$ 180 mil do Ponto de Cultura. Ora, dinheiro na mão nem sempre é vendaval. Embora essa grana dificilmente caia naqueles chãos. Meu povo, suplente é suplente, principalmente quando a direção da fundação cultural é do PT (acho que entenderam o que quis dizer).

A segunda: a vontade real de propor mudanças no Beco da Lama. Mas, se assim fosse, estariam todos na mesma mesa, discutindo propostas, conversando sobre futebol e demais assuntos de mesa de bar. Como antigamente. A temperatura não estaria aos 40 graus.

Em outras épocas não era assim. E disso posso comentar. Bebo minha cerveja por ali quando a barba de Romildo era rala (rs). São alguns poucos anos. Nada comparável aos que bradam décadas de freqüência, como se valesse status ou hierarquias de importância.

Quando o preconceito e a alma de gueto fugirem dali, acredito que as pessoas se sentirão mais à vontade de pisarem naquelas adjacências. O antro é libertário. É pra isso que a Samba precisa acordar. Não existe nós do Beco. Somos todos. Ou quem quiser.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Beco efervescente

O Beco da Lama vive dias de euforia tão incontida que por onde se caminha há um celular tocando com membros das duas chapas em disputa pela presidência da entidade que se fez dona do lugar - a Samba - conclamando eleitores a votar. Hoje à tarde, um dos frequentadores daqueles chãos, que sequer está inscrito no tal Livro Preto, recebeu duas ligações, quase seguidas. É o poder, é poder de mudança, espero.

Li faz alguns dias o edital da eleição. Não sei quem a escreveu. Mas só para mostrar o quão difícil é escrever apressada e diariamente (leia-se dar a cara à tapa) e constar perfeita sintonia de informação e gramática, no próprio edital, já no primeiro item se lê: "Na segunda dia". No subitem seguinte, erraram o nome do sempre simpático Ricardo Nelson, que nada tem com qualquer Soares. Afora uma carência de crase.

Que atire a primeira pedra!

Fundação José Gugu sapeca mais dois editais

A Fundação José Gugu sapecou mais dois editais culturais. Destas vez contempla a área de dança e de quadrinhos.

Esta semana ouvi reclamação de um professores de Dança mais capacitados do Estado, Edeilson Matias, do valor escasso dispensado nos editais. O professor citou R$ 6 mil. Segundo ele, não dá para bancar um grande espetáculo nem uma turnê razoável pelo Estado. Por outro lado, vejo a iniciativa como um incentivo, não como solução. R$ 40 mil é um bom investimento para um único segmento cultural procurar seus caminhos, mostrar seu trabalho. Não me lembro de outro investimento equiparado a este valor na área de quadrinhos. O próprio Moacy pode comentar. Aliás, os homenageados em cada edital foram escolhidos a dedo. E vale ressaltar, as diretrizes de cada edital foram discutidas por comissões formadas por especialistas em cada área. O próprio Edeilson foi chamado e recusou o convite.

Seguem os editais, com prazo de inscrições abertos até 12 de junho:

Prêmio de Dança Roosevelt Pimenta: O Concurso Roosevelt Pimenta é um incentivo para Circulação de Grupos e Companhias de Dança do Rio Grande do Norte e tem como objetivo a seleção de projetos de espetáculos para circulação em duas cidades do Estado, que não a de origem do Grupo/Companhia. Serão selecionados cinco projetos de espetáculos, para receber cada um, o valor bruto de R$ 8.220,00. Totalizando um investimento de R$ 41.100,00.

Prêmio Moacy Cirne de Quadrinhos: Serão escolhidos 10 quadrinistas potiguares que integrarão uma coletânea de quadrinhos. O prêmio tem o objetivo de revelar e premiar o talento dos artistas profissionais ou amadores que militam na arte dos quadrinhos no Rio Grande do Norte, além de impulsionar a produção artística nessa área. Serão concedidos dez prêmios de histórias em quadrinhos, totalizando a soma de R$ 40.000,00, divididos da seguinte forma.

a) Infantil - 1º lugar: R$ 4.250,00 e 2º lugar: R$ 3.250,00
b) Histórico - 1º lugar: R$ 6.000,00 e 2º lugar: R$ 5.000,00
c) Aventura, Humor e Ficção - 1º lugar: R$ 6.000,00 e 2º lugar: R$ 5.000,00
d) Jovens Artistas - 1º lugar: R$ 1.500,00 e 2º lugar: R$ 900,00
e) Tema Livre - 1º lugar: R$ 4.550,00 e 2º lugar: R$ 3.550,00

A Redinha

Saudade de um mar que se faz longe, fugidiu das pressas cotidianas. Ah, minha Redinha do meu Rio Doce e do mar salgado como a pele de Dona Francisca e as mãos hábeis no trato com a ginga. Ah, minha Redinha de estórias figurativas e histórias de lutas marítimas e ilusões adocicadas. Saudades da tua brisa e da cachaça ao luar, em prosa mansa com os pescadores de sonhos impossíveis. Saudade mesmo de uma época de nunca mais: de Navarro, de Veríssimo, de Cascudo e Mário de Andrade estupefatos com as cores do Boi Calemba; as jornadas de Fandango e Chegança. Saudades...

Por Adherbal de França

A Redinha

"(...) A praia da Redinha tem segredos vários de amor. Sua história renova as toadas dos pescadores e caminheiros das praias vizinhas, unidas ao longo da cossta enganadora. Sobre ela estremecem, limpos de culpas, os corações das rendeiras mágicas, desde que os clarões vivos da manhã lançam sobre o oceano um imenso olhar de sangue e o sol poente adormece do trabalho, as agruras da realidade para o sossêgo dos sonhadores humildes".

Ausência e explicações

Peço desculpa ao amigo leitor pela ausência de ontem. É culpa da tal profissão-repórter. Chego com novidades logo mais.

A despeito de alguns comentários recebidos pelos textos publicados na minha coluna da última terça-feira no Diário de Natal, informo: se detenho algum partidarismo é pela luta justa do dia-a-dia. Simpatizo, sim, com o trabalho realizado pela quase associação Nós do Beco (não a chapa, da qual também não guardo nenhuma antipatia), capitaneada pelo honrado Zizinho.

Na sessão "Assim falou...", a qual finalizo sempre com algum verso ou frase de figuras da nossa cultura, o Ph inicial do nome de Phabião das Queimadas (cujo verso publicado foi elogiado pelo poeta Diógenes da Cunha Lima, via e-mail) foi proposital. Sabia que alguém comentaria (rs). Está escrito assim nos registros antigos deste personagem tão rico do nosso folclore. Coisa de Ariano, realmente, Diógenes! (rs).

Quanto ao mestre Deífilo, merecedor do maior respeito não só como folclorista, mas como poeta e mais ainda como pessoa, retribuo os agradecimentos. Se me disse que iria guardar o texto junto a outros dois escritos sobre ele, como um da poeta Diva Cunha, informo que guardarei também suas palavras e gestos em algum recanto da memória onde estão também os instantes junto ao dotô Oswaldo Lamartine.

Chego já!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ao mestre Deífilo Gurgel

No último domingo este caderno registrou o reencontro das duas maiores figuras vivas do nosso folclore: Dona Militana e Deífilo Gurgel. A matéria quis mostrar a situação da romanceira após delicada cirurgia de angioplastia, aos 84 anos do segundo tempo. E deixou em segundo plano este areia branquense, de rio e de mar; de voz pausada, grave e palavras humoradas e sempre simpáticas. Os 82 anos de Deífilo merecem o respeito da sanfona de 8 baixos de Januário. É hoje o maior folclorista vivo do Brasil, reconhecido por gente do meio a quem tive o cuidado de perguntar e embasado pelas próprias palavras de Deífilo, ao dimensionar a obra de outros grandes folcloristas do país.

Sua paixão pelo folclore e cultura popular recai também nas figuras humanas responsáveis pelo valor cultural em cada manifestação folclórica estudada. Este talvez seja o grande diferencial da obra de Deífilo – muito maior que seus dez livros publicados. Sua essência simples o coloca em pé de igualdade a estas figuras humanas notáveis, geralmente em condições deploráveis de vida. Ouve histórias informais, encaminha a conversa para onde quer de maneira sutil e garimpa o joio raro de quem conhece o assunto em suas profundezas abissais. Esta metodologia se junta aos anos de estudo e pesquisa formadores do alicerce de conhecimento necessário para mirar o alvo com mais precisão.

Dessa maneira, Deífilo Gurgel desbravou este Rio Grande durante duas décadas para documentar as mais diferentes e remotas manifestações da cultura popular. Nessas passagens mais das vezes solitárias, sem apoio algum, descobriu nomes como o coquista Chico Antônio e a citada Dona Militana. Deu vida ao maior mamulengueiro do Brasil, Chico Daniel. Trouxe à baila Manoel Marinheiro. E não fosse a insistência da mídia pela figura de Dona Militana, como ele mesmo reclama, outras riquezas estariam nos noticiários, como os grupos de Chegança e Fandango de Canguaretama; o Cabocolinho de Ceará-Mirim, e outras dezenas de grupos e nomes.

No quesito romanceiro, a notoriedade de Dona Militana tem apagado a importância de nomes como Juvina Monteiro, em Rio do Fogo – das mais importantes do país; a romanceira conhecida como Maria de Aleixo, moradora de Alcaçuz; e Maria de Vítor, residente na Praia de Caraúbas. Talvez seja erro também da mídia a mira voltada ao alvo de Cascudo quando temos Deífilo, que, se tem Cascudo como mestre, conseguiu ir além de antecessores como Veríssimo de Melo, Gumercindo Saraiva, Oswaldo de Souza, Nestor Lima e Jayme Wanderley.

Uma prova dessa grandeza virá no segundo semestre: um livro intitulado Romanceiro Potiguar, com material inédito de romances coletados durante suas andanças litorâneas e sertanejas. Trabalho que o coloca entre os grandes pesquisadores da história do romanceiro no Brasil, condenado a suportar a falta de prestígio às manifestações da cultura popular mais representativas das nossas raízes culturais.

domingo, 26 de abril de 2009

Propaganda à Fundação José Gugu

Quando o diretor geral da Fundação José Gugu concedeu entrevista a este repórter para uma matéria de duas páginas publicada em O Poti, foi perguntado qual justificativa para uma revista repleta de propaganda de Governo anexada à Preá. A explicação, lembro bem, foi a de que a verba para comunicação do Governo do Estado esteve paralisada durante o ano anterior e faltou mídia para divulgar as ações da Fundação.

Durante duas semanas tentei falar com Crispiniano Neto. Contatei a assessoria de imprensa, liguei para o celular, enviei e-mail. E nada. Expliquei à assessoria – que também insistiu – e no corpo do e-mail enviado que se tratava de uma matéria explicativa da Lei Câmara Cascudo (investimentos, benefícios, mudanças previstas) e também da política de editais, que na opinião deste blogueiro, se configura aos poucos como a melhor ação desta gestão.

O nobre diretor que tanto reclama mídia desprezou matéria de uma página inteira de jornal. Matéria elogiosa, elaborada pela Assessoria de Comunicação do Governo. O blogueiro foi paciente e entendeu as viagens a Brasília e Salvador. Mas duas semanas são mais do que suficientes, penso. Talvez seja mais cômodo gastar do erário público com revistas publicitárias caríssimas.

Para tentar minimizar o gasto com nosso dinheiro e elogiar (quanto verbo no infinitivo!) as ações merecidas, informo da abertura de inscrição para mais dois editais culturais, nas áreas de cinema e outro de cultura popular. São parte do Programa de Desenvolvimento da Cultura do Rio Grande do Norte. Com estes editais, a FJA conta quatro editais abertos para inscrições (os outros dois são na área de teatro).

Eis os quatro editais:

O Prêmio William Cobbet: é um concurso para produção de curtas metragens. A idéia do edital foi fruto das discussões ocorridas durante o ano passado na câmara setorial de audiovisual. As inscrições começam no dia 30 de abril e prosseguem até 15 de junho. O objetivo é selecionar projetos de quatro filmes de curta metragem do gênero documentário e ficção, com duração máxima de 30 minutos. Os projetos devem abordar necessariamente temas característicos do Rio Grande do Norte: um local, logradouro, estabelecimento, evento ou personagem. O valor destinado a cada um dos projetos será de R$ 20 mil.

Prêmio Cornélio Campina de Cultura Popular: inscrições abertas até 8 de junho. Visa a seleção de projetos de grupos tradicionais da cultura popular do Rio Grande do Norte em atividade há pelo menos 5 anos. As manifestações tradicionais compreendem celebrações, rituais, festas e práticas sociais reconhecidas pelas comunidades como parte de seu patrimônio cultural. Serão premiados 25 projetos no valor bruto de R$ 6 mil cada, usados para atividades como aquisição de indumentária, adereços, estandartes e instrumentos musicais; apresentação, circulação e registro da manifestação; transmissão de conhecimentos, criação de acervo e formação de jovens. O total de recursos disponível para a premiação é de R$ 150 mil.

Prêmio Lula Medeiros de Teatro de Rua: O total de recursos disponíveis para premiação é de R$ 120 mil. Serão beneficiados 15 Grupos e/ou Companhias de Teatro de Rua, no valor bruto de R$ 8 mil para cada. Como contrapartida, o edital prevê duas apresentações, uma a ser destinada aos alunos da Rede Pública Estadual, e outra de livre escolha na cidade de origem do grupo.

Prêmio Chico Villa de Circulação Teatral: O concurso visa selecionar 13 projetos de artistas potiguares, com obras de sua própria autoria ou de outros autores potiguares. Está destinado ao prêmio um total de R$ 139 mil divididos da seguinte forma: Módulo 1 - mínimo de 5 projetos de até R$ 15 mil. Módulo 2 - mínimo de 8 projetos de até R$ 8 mil. Como contrapartida serão realizadas obrigatoriamente duas apresentações, em duas cidades distintas do Rio Grande do Norte. Além de oferecer, obrigatoriamente, a realização de uma oficina com carga horária de 8 horas e contemplar no mínimo uma dessas apresentações em algum dos espaços sob a administração da Fundação José Augusto.

As inscrições dos dois prêmios para o teatro prosseguem até o dia 5 de junho. Informações: 3232- 5324 (com atendimento de 8 às 13 horas) ou na página de internet www.fja.rn.gov.br

4º MPBeco

O prazo para inscrições de músicas concorrentes à 4ª edição do MPBeco termina neste 30 de Abril (quinta-feira). Os interessados deverão retirar o Regulamento do Festival, bem como sua Ficha de Inscrição nos pontos de inscrição determinados pela Produção do Festival. Em Natal, as inscrições poderão ser realizadas nos seguintes locais:

Disco Fitas – Rua Princesa Isabel, n.º 700 – Cidade Alta;
Natal Groove – Rua Floriano Peixoto, n. º 567 – Petrópolis;
Sebo Balalaika – Rua Vigário Bartolomeu, n. 565 – Cidade Alta.

O Regulamento do Festival, assim como a Ficha de Inscrição, também serão disponibilizados nos 25 municípios detentores de Casa de Cultura Popular, que são administradas pelo Governo do Rio Grande do Norte, através da Fundação José Augusto. Os interessados poderão, também, fazer o download do Regulamento e a Ficha de Inscrição no site do Festival: www.festivalmpbeco.com.br, ou solicitar à produção do Festival sua remessa pelos Correios, ao seguinte endereço: Rua Júlio de Castilho, n.º 85 – Conjunto Vale do Pitimbu – Bairro Pitimbu – Natal/RN – Cep.: 59.069-550.

sábado, 25 de abril de 2009

Reencontro folclórico



Só um aperitivo do jantar de logo mais à noite em O Poti. Mestre Deífilo Gurgel e Dona Militana juntos (com um intruso chato no meio). Matéria de capa do caderno Muito deste domingo.