quinta-feira, 8 de julho de 2010

Salmo e Glória

Por Jairo Lima
publicado no Papo Furado

régua de prata impõe geometria exata
ao gesto anfíbio
o círculo se detém na fronteira do compasso
linha pontilhada se estende do olhar exilado ao mapa do exílio
estátua
grécias colunatas fincadas na crosta do estio
invocam-se as águas
nuvens intermitentes solares rubros máquinas lâmpadas em fio
ainda distante calada a pedra da fronteira vê o rio
lâminas estagnadas
ares
vivos pólos macios

A cor do olhar


Dramaturgia inspirada em conto de Monteiro Lobato explora preconceitos e sensações de uma “negrinha”

Uma menina negra que viveu num engenho de açúcar no fim da escravidão. Uma vela, uma boneca, grãos de café. Um fantasma que ainda atormenta a Casa-Grande, a “casa de açúcar” como ela gosta de chamar. A peça Negrinha teve como inspiração o conto homônimo de Monteiro Lobato – uma menina que mistura as memórias de sua vida com fantasias e revela, pela perspectiva de uma criança negra, as contradições de uma casa, de um tempo e uma história.

As dependências do Campus Avançado da Cidade Alta do IFRN incorporarão hoje a aura dos casarões do fim do século 19. Uma viagem ao tempo por 50 minutos para recriar um pedaço da história do Brasil: o fim da escravidão. Um momento não relatado nos livros e contado sob a ótica de uma criança sem nome e sem futuro, aprisionada como um fantasma na casa grande e chamada simplesmente de Negrinha. A peça começa às 20h, com temporada até sábado. A entrada é franca.

O monólogo polemiza também ao colocar uma atriz branca vivendo uma personagem negra. A atriz paulista Sara Antunes conta que a mensagem transmitida pela peça varia conforme a cidade. Os cenários, os tipos e o roteiro são adaptados aos costumes da região. No todo, o monólogo desperta reações contrastantes: risadas, comoções, medos, brincadeiras... A interação com o público é ativa e, assim como o diálogo do personagem, procura mostrar a beleza das cores longe do preconceito.

“Negrinha mostra que as cores poderiam ser mais bonitas. Ela, acostumada desde pequena ser chamada de negrinha, cria afeição pela cor das pessoas. E provoco o público a também chamar outros da plateia por cores que sejam semelhantes à sua tonalidade de pele. Isso provoca risadas, mas também reflexões”, diz a atriz. O imaginário das cores na criança demonstra a sutileza e ingenuidade infantil e também o quão cruel rótulos racistas podem se tornar.

A montagem se apresenta fora dos palcos convencionais para provocar uma experiência sensível no espectador. Uma imersão ao universo de Negrinha, através da arquitetura, sons e cheiros. O público encontrará a Casa Grande, com cadeiras e poltronas de época, e a Senzala, com esteiras e tocos de madeira. A iluminação é feita por velas, onde sombras e luzes atuam ao lado da atriz. Um trabalho artesanal voltado ao preciosismo das palavras, objetos e figurinos.

Sara Antunes diz que a peça procura objetos de época relacionados à história de cada região para compor o cenário. “Em Recife conseguimos oratórios e relíquias da época para montar a peça em um casarão com mais de 300 anos. Em João Pessoa encenamos em uma Casa Grande verdadeira. Em Salvador, como há um movimento negro atuante, os diálogos foram mais agressivos. E dessa maneira tentamos moldar o espetáculo à realidade local. Por isso, a montagem é feita por uma equipe da cidade”.

O casarão montado é repleto de detalhes espalhados em cada canto: grãos, uma boneca, fitas de amarrar o cabelo e muitos espelhos e reflexos. As luzes minúsculas de velas cansadas e manipuladas pelas mãos de Negrinha revelam cores amargas e produzem imagens confusas, assemelhadas a sombras e assombrações, de realidades históricas já apagadas da memória. É nesse ambiente um pouco fantasmagórico, enorme e abandonado onde vive Negrinha, as suas fantasias e as contradições de uma época.

“Câmara Cascudo diz que o nome inicia a existência religiosa e civil da criatura. Sem nome não há identidade social e individual. Assim, o que identifica Negrinha, sua cor, é negado por nós ao apresentarmos uma Negrinha “cor-de-leite”. Nesses estranhamentos, ora nas cadeiras de Senhores ora nas esteiras de escravos, que nos posicionamos no curso da criação”, conta o diretor Luiz Fernando Marques. E conclui: “Brincamos com fogo, com gente e com a memória de histórias que não deveríamos perdoar”.

Programação
O Campus Avançado da Cidade Alta do IFRN realiza ainda outros espetáculos de hoje a sábado, dentro do programa A Cor do Olhar. São ações destinadas a discutir e pensar as questões éticas da atualidade. O evento é uma realização dos alunos do 2º período do Curso de Tecnologia em Produção Cultural do IFRN, coordenado pelos professores do curso. Haverá exposição fotográfica, workshop, oficina, debate e apresentação de espetáculos teatrais, todos gratuitos. Confira detalhes de cada ação:

Exposição fotográfica “A multiculturalidade através das cores”, com Carlos Cartaxo/PB
A exposição, composta por 30 imagens, possibilita uma análise comparativa do Nordeste com um país africano através de uma ótica multicultural, geográfica e histórica.
Aberta a visitação de hoje a sábado, das 8h às 21h.

“Negrinha”, com a atriz Sara Antunes/SP
Inspirado no conto homônimo de Monteiro Lobato, o espetáculo Negrinha foi concebido pelo Grupo XIX de Teatro. A montagem conta a história de uma menina negra que não tem nome e é chamada pelo apelido que identifica sua etnia. A criança refere-se a todos ao seu redor pelas tonalidades que os enxerga, o que ressalta a crítica presente no texto: o preconceito da cor.
De hoje a sábado, às 20h. Retirada de ingressos no local, até 1h antes da peça.

Debate sobre questões étnicas
Após o espetáculo “Negrinha”, acontecerá uma conversa entre os presentes sobre as questões étnicas abordadas no monólogo. Contará com participação de professores, alunos do IFRN e integrantes de associações quilombolas do Estado.
Hoje, às 21h, após o espetáculo “Negrinha”.

Workshop "Ator, um autor de seu tempo" (com Sara Antunes, SP)
O workshop tematiza dinâmicas de improvisação, com o objetivo de criar uma vivência de criação do ator-autor, utilizando a música, a relação espacial e a memória afetiva de cada participante.
Amanhã, das 9h às 13h. Inscrições limitadas pelo e-mail centroculturalifrn@gmail.com

Oficina de Teatro do Oprimido
As oficinas de Teatro do Oprimido são espaços de sensibilização, vivência, conhecimento e difusão da metodologia do Teatro do Oprimido, preconizada pelo teatrólogo Augusto Boal.
Amanhã, das 13h às 17h. Inscrições limitadas pelo e-mail centroculturalifrn@gmail.com

Teatro Fórum com grupo “Filhos da Terra”/RN
O grupo é formado por jovens, do Quilombo Acauã, em Poço Branco/RN. A peça conta a história real de jovens deste quilombo que são segregados do sistema de transporte escolar por racismo.
Amanhã, às 19h. Retirada de ingressos no local, até 1h antes da peça

A Cor do Olhar
Quando: de hoje a sábado
Onde: Campus Avançado da Cidade Alta do IFRN (Av. Rio Branco, 743, Centro – antigo Prédio da TVU)
Contato: (84) 4009-0950 ou pelo e-mail centroculturalifrn@gmail.com

* Matéria publicada hoje no Diário de Natal

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Do preço dos livros

Por João Ubaldo Ribeiro
Durante o I EELP

"Nós somos um país que não sabe ler, não aprende a ler, não gosta de ler. E tem dinheiro pra comprar um livrinho ou dois, sim, a não ser em caso de pobreza absoluta, de miséria, claro, mas a classe média tem. Quem compra CD está exercendo o seu direito de ter uma preferência. “Eu prefiro o CD que não me dá trabalho, entra pelos meus ouvidos...”. “Toda arte aspira a condição da música”, dizia Schopenhauer, ou seja, toda arte aspira ao acesso imediato que a música dá: a acessibilidade do ouvido. A literatura requer trabalho. É preciso, quer dizer, trabalho esse que se transforma, pra quem tem hábito de ler, uma coisa prazerosa; deixa de ser trabalho. Mas no começo é trabalho. E não um trabalho horroroso, como esse a que eu me referi, de autopsiar livros. Mas um trabalho de aprender as convenções da narrativa literária; aprender como a língua pode ser rica, uma fonte expressiva e inesgotável de confronto, de absorção da realidade. A arte é uma forma de conhecimento. O método científico é incapaz de conhecer uma realidade que escapa à nossa capacidade de percepção. Por isso, o homem precisa de música. Se a técnica substituísse a arte não haveria mais pintura, partiria direto pra fotografia. A pintura é uma maneira de ver o mundo; é uma maneira de mostrar sensibilidade em relação aquilo que nos cerca. Mas nós não aprendemos isso na escola. Nós aprendemos a ter medo dos textos, principalmente dos clássicos. Eu espero ter respondido pelo menos parcialmente a pergunta feita sobre preço de livros".

Do ser poético

Por Antônio Carlos Cortez
Durante o I EELP

"Num poema conhecido, Carta aos meus filhos, sobre os fuzilamentos de Goya, escreve Jorge de Sena que é preciso ao poeta a fiel dedicação à honra de estar vivo. Isto seria, de modo muito pensado, a questão da poética do testemunho. Poeta não tem apenas de fingir a emoção – fingimento no sentido de trabalho da palavra -; o poeta é aquele que testemunha o seu tempo e dá a conhecer a sua visão de mundo aos seus contemporâneos".

Curso de música contemporânea

A Funcarte em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco abre inscrições para o curso Cultura Contemporânea: uma introdução – Módulo Música, com o pesquisador Paulo de Tarso Salles. O módulo será realizado entre os dias 20 e 23 de julho, das 14h às 17h30, no auditório da Funcarte. Serão disponibilizadas 50 vagas. As inscrições podem ser feitas por email, enviando nome completo e telefone para: nucleodequalificacao@hotmail.com

O curso tem por objetivo atender a demanda por formação em arte e cultura contemporâneas, apresentando questões pertinentes ao campo da cultura nas suas mais diversas linguagens. Composto por cinco módulos: literatura, cinema, dança, artes plásticas e música, a intenção é atingir um público amplo e heterogêneo, ávido por conhecer a cultura contemporânea e entender suas relações com a história, a economia, a política e outros universos temáticos. Os módulos serão ministrados por profissionais de reconhecida atuação e contribuição nas áreas abrangidas pelo curso, numa linguagem clara e acessível.

Programa:
· A virada para o século 20: modernismos
· Neoclassicismo: restauração e revolta
· Vanguardas: apogeu e declínio
· Música na pós-modernidade
· Contemporaneidades brasileiras.

A música contemporânea mostra um amplo espectro de referências que vão da cultura pop, passam pelo folclore e chegam à música erudita. O desenvolvimento tecnológico influenciou fortemente todos estes aspectos étnicos e culturais e alterou significativamente a nossa escuta musical em relação ao século 19. Os meios que a música comumente emprega, sua sintaxe e mesmo as tentativas dos compositores em explicar os processos envolvidos em sua criação talvez sejam demasiado distantes da prática cotidiana da música de mercado que ouvimos nos meios de comunicação. Este curso pretende esboçar um panorama que vai desde a virada para o século 20, passa pelo cenário do Pós-Guerra e chega ao século 21. Espera-se que ao final os aspectos prazerosos da música contemporânea sejam apreciados, superando a noção que a parte sonora passa ou deva meramente oferecer entretenimento.

Professor Paulo de Tarso Salles - Compositor, pesquisador e violonista. Doutor em Música pela UNICAMP (2005); Mestrado em Artes pela UNESP (2002); Graduação pela Universidade São Judas (1987). Durante a década de 1990 dedicou-se à música popular, realizando várias gravações e os CDs Luz Azul (1993) e Poema Brasileiro (1996). Desde 1999 vem escrevendo obras para diversas formações vocais e instrumentais, que têm sido executadas em concertos, congressos e festivais de música contemporânea. Leciona disciplinas teóricas no Departamento de Música da ECA/USP. Desenvolve projeto de pesquisa sobre quartetos de cordas de Villa-Lobos, com apoio FAPESP. Coordena o PAM – Laboratório de Percepção e Análise Musical, em conjunto com a Profa. Dra. Adriana Lopes Moreira. É autor dos livros Aberturas e impasses: o pós-modernismo na música (Editora Unesp, 2005) e Villa-Lobos: processos composicionais (Editora Unicamp, 2009), além de diversos artigos publicados em revistas acadêmicas e congressos de Musicologia.

Cultura Contemporânea: uma introdução Música: Musicalidades Pós-Modernas
Professor: Paulo de Tarso Salles
Público-alvo: Aberto a todos os interessados.
Inscrições: 12 a 16 de julho. Inscrições por email, enviando nome completo e telefone PARA: nucleodequalificacao@hotmail.com
Período de realização: 20 a 23 de julho de 2010.
Horário: das 14h às 17h30.
Local: Auditório da Fundação Capitania das Artes (Av. Câmara Cascudo, 434, Centro)
Maiores informações: Ana Paula Correia
Núcleo de Qualificação e Empreendedorismo Cultural
Tel: 3232-4599 / 3232-4956

Fundo de Incentivo à Cultura será lançado hoje

A prefeita Micarla de Sousa, juntamente com os Conselheiros Municipais de Cultura, aprovou o edital de seleção de projetos para o Fundo de Incentivo à Cultura (FIC) deste ano. O FIC foi criado pela Lei 4.838 de 09 de julho de 1997, no entanto só foi regulamentado em maio deste ano. O edital já foi publicado no Diário Oficial do Município desde a última quinta-feira, dia 1º de Julho. E será lançado oficialmente numa solenidade no Auditório da Fundação Cultural Capitania das Artes, nesta quarta-feira, às 15h.

O objetivo do FIC é fomentar a produção de bens culturais públicos ou a viabilização de projetos culturais de interesses coletivos no âmbito municipal. Poderão se beneficiar pessoas físicas ou jurídicas, cadastradas no Cadastro Municipal de Entidades Culturais (CMEC), com pelo menos seis meses de atuação cultural comprovada.

Os projetos deverão enquadrar-se em uma das seguintes áreas artísticas ou culturais:

· Patrimônio imaterial - poderão ser inscritos projetos que visem à preservação e difusão da memória, da história, das tradições, usos e costumes coletivos característicos da cidade de Natal, em todas as áreas artístico-culturais;

· Organização e recuperação de acervos, bancos de dados e pesquisas de natureza cultural - poderão ser inscritos projetos que visem à sistematização e à recuperação de acervos artísticos e documentais de cunho cultural, à elaboração e à manutenção de bancos de dados na área de cultura e ao desenvolvimento e publicação de pesquisas de natureza cultural;

· Fomento à produção de novas linguagens artísticas - poderão ser inscritos projetos de produção e circulação nos segmentos de artes cênicas, artes gráficas, artes visuais, audiovisual, design, literatura, música e performance, voltados para a experimentação e a investigação de novas possibilidades expressivas dentro das diversas áreas artísticas.

Serão disponibilizados para o ano de 2010 o valor de R$ 200 mil, com a destinação dividida por área e por projeto. As eventuais sobras de recursos serão direcionadas para contemplar os projetos que figurarem na lista de reserva.

As inscrições são gratuitas e já estão abertas até 15 de agosto. O formulário estará disponível no site da prefeitura: www.natal.rn.gov.br e também com o secretário executivo do Conselho Municipal de Cultura, Amaury Júnior, onde serão prestados os esclarecimentos aos interessados e a orientação técnica para o preenchimento. A sede do CMC é no mesmo endereço da Funcarte. O atendimento é de segunda à sexta, das 8h às 13h, ou pelo telefone: (084) 3232-8143 e pelo e-mail: cmc@natal.rn.gov.br.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Acervo do IHGRN será digitalizado

O texto abaixo foi publicado nesta terça-feira no site do Ministério Público:

"O acervo existente no Instituto Histórico e Geográfico do Estado do Rio Grande do Norte é um patrimônio cultural de valor incomensurável, cuja proteção é direito de todos e dever do Estado”. Com esse alerta o Promotor de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, João Batista Machado Barbosa, propôs a digitalização de parte do acervo e a adoção de medidas de proteção contra incêndios nas dependências do Instituto Histórico e Geográfico (IHGRN).

Na condução do Inquérito Civil nº 06/06, o Promotor de Justiça identificou algumas deficiências na infra-estrutura do IHGRN, principalmente com relação às medidas contra-incêndio. Mas com a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta, o Presidente da Fundação José Augusto (FJA), Joaquim Crispiniano Neto, se comprometeu a implantar em até 90 dias um sistema de proteção contra incêndio, atendendo as especificações do Corpo de Bombeiros Militar. A FJA vai assumir as despesas com as modificações que se façam necessárias porque o IHGRN é uma entidade filantrópica privada e não possui recursos financeiros suficientes para isso.

Uma outra medida para preservação do acervo assegurada pelo TAC prevê a digitalização dos principais documentos do IHGRN. Entre eles a Carta de Sesmarias, do Século VXI; o livro Barleus, do Século XVII; e o Jornal a República do Século XIX. A digitalização deve acontecer em até 120 dias; e para isso, será feito um levantamento bibliográfico e indicação de prioridades.

Freud AINDA explica


Por Fernando Aguiar
Pela Revista Cult

Fora do círculo familiar, os 50 anos de Freud foram festejados apenas pelo pequeno grupo de psicanalistas vienenses que se reuniam em sua casa todas as quartas-feiras desde o outono de 1902. A ocasião era propícia a comemorações: não sendo mais o único analista, sua psicanálise já ultrapassara os limites de Viena – a conquista dos “arianos” de Zurique neutralizara a vil acusação de “ciência judia”. Vivia-se a fase áurea da clínica psicanalítica e, em termos de publicações de fôlego, jamais haveria para Freud ano igual ao anterior (1905). Além do livro sobre os chistes e do “Caso Dora”, houve os Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, com o qual ele adicionara ao discurso do desejo (1900) o discurso da pulsão, definindo categoricamente os dois eixos centrais de sua investigação metapsicológica.

AQUI

Caravana Petrobras Cultural 2010

O próximo encontro da Caravana Petrobras Cultural 2010 acontecerá nesta quinta-feira. O evento contará com a participação de Antônio Leal, Consultor de Leis de Incentivo, que apresentará a “Oficina Petrobras Cultural de Formatação de Projetos”.

Com duração de quatro horas, a oficina aborda aspectos técnicos que devem ser observados na formulação de um projeto e inclui uma prática de preenchimento dos formulários de inscrição do Programa Petrobras Cultural (PPC) e da Lei Rouanet. A Caravana é gratuita e está sujeita à lotação do espaço.

As inscrições para o PPC estão abertas desde 10 de junho. São 16 áreas de Seleção Pública, com verba total de R$ 52,2 milhões. A Seleção é destinada à escolha de projetos dentro das três linhas de atuação do PPC: Formação; Preservação e Memória; e Produção e Difusão. Para mais informações, acesse o site www.petrobras.com.br/ppc.

Data: 8/7/2010
Horário: das 8h30 às 12h
Local: FIERN (Auditório Albano Franco)
Endereço: Av. Senador Salgado Filho, 2860 – Lagoa Nova
Confirmar presença pelo telefone: (84) 3206-2005 / (84) 3206-2005
ou do e-mail:caravanacultural@soeventosnatal.com.br

Votação da nova diretoria do Sindjorn

Convidamos a todos os jornalistas sindicalizados e em dia com as mensalidades para comparecer à sede do Sindicato para votar na próxima quarta-feira( 07/07/2010) de 8h30 às 18h. Haverá também uma urna itinerante que percorrerá os diversos meios de comunicação da Capital. Aqueles que estiverem inadimplentes com as mensalidades poderão negociar seu débito com descontos especiais (geralmente é 90% o desconto) e em seguida exercer seu direito de voto.

Fernando Pereira de Souza
Presidente da Comissão Eleitoral.

Inscrições para Escola de Teatro

Encontram-se abertas as inscrições para a seleção de candidatos ao Curso de Formação Técnica de Ator/Atriz da Escola Municipal de Teatro de Natal, vinculada à Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte). Poderão participar todas as pessoas que tenham concluído o Ensino Médio. Estão sendo oferecidas 40 vagas. Segundo as regras do Processo de Seleção, o candidato deverá demonstrar disponibilidade para o jogo teatral e o trabalho cênico; capacidade de interação e compreensão de texto (leitura e redação).

O exame seletivo será realizado por uma banca examinadora, designada pela Escola, constituída por professores e profissionais da área, constando de três partes: exame teórico, em que o candidato responderá por escrito a questões básicas sobre o Teatro; redação e exame prático, com apresentação de uma pequena cena ou performance de livre escolha do candidato para a banca de professores. Será classificado o candidato que obtiver média final no mínimo igual a sete.

As inscrições ficarão abertas até o dia 9 de julho na Escola Municipal de Teatro de Natal, localizada na Av. João Medeiros Filho S/N – Área de Lazer do Conjunto Panatis. Informações pelo telefone (84) 3232 8226. A Escola funciona de segunda a sexta-feira, das 19h às 22h. As inscrições também podem ser feitas na sede da Funcarte - Av. Câmara Cascudo, 434 - Centro Fone (84) 3232 4977, de segunda a sexta-feira, das 08h às 13 h e das 14h às 17h.

O Exame de seleção acontecerá no dia 13 de julho, às 9h, no Museu da Cultura Popular Djalma Maranhão, situado na Praça Augusto Severo, Ribeira. Os resultados serão divulgados na portaria da Escola Municipal de Teatro e na Funcarte, no dia 16 de julho, às 17h. Mais informações poderão ser encontradas nos locais das inscrições ou com o diretor da Escola de Teatro, Véscio Lisboa – 9991-2651.

O Socialista


Por Belchior Vasconcelos Leite
em Diário do Improviso

Noite fria adentrando a madrugada. Vestia calça e blusão jeans desbotados.

Às mãos, tinta spray, cartazes e cola. Tinha todos os sonhos do mundo. Um deles: Terra, Trabalho e Liberdade. Como um Quixote, divulgava a utopia de um mundo justo e fraterno. Pichando muros, colando cartazes com palavras de ordem. Querendo dizer: "Faz escuro, mas eu canto, porque a manhã vai chegar”.

Quem é esse?

Passos apressados, jornais dobrados debaixo do braço, bem informado sobre a conjuntura política do País, a desigualdade social e a saúde do trabalhador.

Quem é esse? Que despido de vaidade deixava o conforto de seu consultório, o convívio com seus alunos, na UFRN, para atender os deserdados da sorte num posto de saúde da periferia, quando podia ter sua clínica particular em reabilitação motora? Foi um dos primeiros médicos a chegar á Natal com especialidade na área, com curso realizado na Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro.

Quem é esse? Cuja peculiaridade marcante é o exercício da generosidade. Sempre receptivo, mãos estendidas para acolher quem lhe procura para curar uma dor e não pode esperar que seja agendada uma consulta num posto de saúde. Sua casa sempre está aberta, como o seu coração.

Quem é esse, que acreditando numa proposta, vai ao sacrifício pessoal até a sua concretização, como na construção do PT, cedendo seu fusca com alto falante para fazer a propaganda do partido, a casa de seu pai como sede, alugando com recursos próprios um imóvel para abrigar a CUT.

Quem é esse? Que sempre apóia a cultura, procurando preservar monumentos históricos, buscando sua revitalização,incentivando artistas.

Quem é esse? Que não é um militonto, nem rebelde sem causa, sabendo o que é melhor para o País, não se deixando levar por interesses mesquinhos de grupelhos. Por isso não aceitar que os meios justifiquem os fins. Daí ter abandonado o PT, que foi um de seus fundadores.

Quem é esse? Que não é uma unanimidade, mas é tido por muitos como uma pessoa agregadora; cujo exemplo maior é procurar congregar os filhos - que são tantos - mesmo sendo uma pessoa fechada que não exterioriza suas dificuldades, mas consegue ter tantos amigos.

Esse é Zizinho, que me orgulho de ter como amigo: pela sua simplicidade, coerência, chegando na adolescência da velhice, sem abrir mão de seu modus vivendi, existencialista que se define pela ação, não pelo discurso.

Nada melhor para definir o meu amigo nos seus sessenta anos, do que a música de Paulinho da Viola, e prestar minha homenagem nessa noite:

“Eu sou assim, quem quiser gostar de mim, eu sou assim
Meu mundo é hoje, não existe amanhã pra mim,
eu sou assim, assim morrerei um dia,
não levarei arrependimentos, nem o peso da hipocrisia.
Tenho pena daqueles que se agacham até o chão,
Enganando a si mesmos por dinheiro ou posição..."

Do blogueiro: Aos que desconhem Zizinho, o cara é uma grande figura, irmão do jornalista Moisés de Lima, autor do blog Diário do Improviso

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Memória viva do cordel


Cordelista mais velho do Brasil ainda se diverte “no bico da caneta” e escreve versos diariamente

Todos os dias Zé Saldanha visita seu escritório, o Recanto do Poeta. É assim há décadas. Sua companhia é a caneta, as lembranças dos tempos de menino e até de Lampião sacando moedas de ouro do bisaco e jogando à criançada. O passatempo deste cordelista de 92 anos é escrever versos. É assim todo dia. A visita esporádica de estudantes completa as alegrias da tarde. José Saldanha de Menezes Sobrinho nasceu em 23 de fevereiro de 1918. Provavelmente seja o cordelista mais velho do Brasil ainda em atividade. Distante 75 anos de seu primeiro cordel, ainda conserva voz altiva de quem declamava poesia nas feiras interioranas, nos tempos em que “o cordelista era muito mais querido do que Roberto Carlos é hoje em dia”.

A reportagem encontrou o Recanto do Poeta de portas fechadas. O “estranhamento” tem motivo: o cordelista estava gripado. Mas em casa mesmo, ao lado de seu “escritório”, já escreveu cordel sobre a gripe suína. É costume de Zé Saldanha a escrita diária. “Em cada fio de cabelo tem um cordel pendurado”, como afirma em um dos seus versos. E é a poesia popular que parece sustentar o corpo magro e ainda saudável do poeta. O reconhecimento dos visitantes ou as homenagens pouco freqüentes lhe rejuvenescem. Zé Saldanha ainda deseja ver publicados trabalhos recentes, a exemplo dos três volumes já escritos sobre a história do cangaço em uma coletânea, e também um livro sobre a trajetória do cangaceiro Corisco e sua mulher Dada.

“Entra dia, sai dia e finda dia,/ Meu passa tempo é fazer verso/ De tudo que tem no universo;/ Eu vou colhendo e traduzo em poesia:/ Meu prazer, meu eu, minha alegria!/ A poesia é um riso, uma festa, uma retreta;/ Escrevendo o que tem nosso Planeta/ Traduzindo em verso veterano/ Entra ano, sai ano e finda ano/ Me divertindo no bico da caneta!”, escreveu. E diz, como alma de menino: “Quero continuar vivendo e escrevendo minhas poesias, publicar os trabalhos que tenho produzido e republicar outros. Quero viver como estou. Primeiramente com saúde, abraçando minha família e meus amigos, palestrando e apresentando meus cordeis, para quem deseje e goste de ouvir”.

O cordelista nasceu na fazenda Piató, em Santana do Matos. Naquele início de século os tempos eram de coronelismo, beatos, rendeiras e cangaceiros. Nos sertões místicos e quentes do Nordeste, viveu entre cantadores e cordéis que retratavam não apenas a vida dura do sertanejo, mas também os horizontes de beleza e brabeza de homens do Sertão. “Minha maior alegria ainda é quando vou ao interior e encontro parentes e amigos, vejo a chuva e a fartura! Minha família é tudo de bom. E para completar a minha alegria, é poder recitar para estudantes que me procuram, fico feliz quando vou aos colégios ou universidades apresentar a cultura popular”.

Naquele início de século as opções para os não-descendentes de famílias tradicionais eram poucas: “Ou era cordelista, vaqueiro, amansador de potro, cantador de viola, topador de touro, matador de onça ou cangaceiro. Trabalhei no pesado. Papai me ensinou de tudo: quebrei pedra de barreira, arranquei toco, fiz cerca de pedra, fui bom cavador de terra pra vazante, apanhador de algodão, trabalhei na enxada, fui limpador de mato e também corri muito a cavalo. Só não fui cangaceiro”, disse o cordelista ao repórter quando estava sem gripe e no seu Recanto do Poeta – quase um anexo à sua residência, em Candelária. Por ali, Zé Saldanha caminha todas as manhãs e tardes e volta ao Recanto à espera dos estudantes ou quem queira lhe ouvir.

Encontro com lampião
Aos oito anos de idade, quando de viagem ao município paraibano de Souza, o pai do cordelista, Francisco Saldanha, soube da chegada do bando de Lampião à cidade. “Meu pai quis arredar o pé. Ele dizia: ‘Quando tem polícia e cangaceiro juntos o rebuliço é grande. E não deu outra”. Já estava de malas prontas para subir no cavalo quando Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, aproximou-se. “Vinha cercado com quatro homens do lado esquerdo, outros quatro do lado direito e outros mais na frente e atrás. Ele vinha no meio. Colocava a mão num bisaco azul, enchia de moeda e jogava pros meninos da rua. Morria de achar graça com eles brigando pelo dinheiro. Passou por mim, olhou, mas não disse nada. Quando chegou a Catingueira foi pipoco de tiro e ele tomou conta de Souza. Fez o que quis na cidade”, lembra.

Saudade do sertão
De décadas como industrial de sapatos no Seridó, até repórter cordelista,, poeta sente saudades do sertão. Até já escreveu sobre a cidade grande – “lugar que matuto não se acostuma”. Depois de “engrandecer” as belezas e qualidades da capital, Zé Saldanha emaranha-se pelas matas sertanejas, “porque a vida da cidade é muito diferente da vida do interiorano, do camponês, do ruralista. E digo: nunca gozou a vida quem não foi do sertão; quem nunca sentiu a terra cheirosa depois da chuva, nem ouviu o grito da siriema, nem o touro urrando dentro da mata; não foi feliz quem não ouviu o miado da onça, nem viu a cascavel assanhada no pé da serra; quem nunca ouviu o canto doído do acauã. Tenho até pena de quem nunca sentiu o ventinho maneiroso quando chega a noite, vindo lá dos matagais, nem sentiu aquela calma tão medonha que só o sertão tem”.

* Matéria publicada domingo no Diário de Natal
- crédito da foto: Andressa Mirella

Cena Aberta divulga contemplados

O projeto Cena Aberta divulga a lista dos artistas, grupos e ideias selecionados para ocupar a Casa da Ribeira no segundo semestre de 2010. O Cena Aberta que tem patrocínio da Lei Camara Cascudo, Governo do Estado e COSERN tem por objetivo democratizar o acesso do público ao equipamento cultural.

Foram 24 projetos inscritos de Natal, Santa Cruz e Mossoró e após um cuidadoso processo de curadoria independente e autônoma, 12 projetos foram selecionados.

Os curadores tiveram como critérios de avaliação as seguintes características: tema pertinente e que aborde questões contemporâneas; produção comprometida com investigações de linguagem e sonoridades; elaborações críticas e intercâmbio entre áreas artísticas e outras áreas do conhecimento.

Também orientaram a avaliação dos curadores o fato de que a proposta inscrita deveria ter sido pensada de forma coerente com o objetivo de potencializar a comunicação com públicos e, no caso de música, ter no repertório 60% de músicas autorais ou de compositores potiguares.

Foram contemplados projetos nas áreas de dança, teatro, ideias e música. Segue a lista dos vencedores, por área:

Dança

“Experimento nº 1” - [Sí-la-bAs] C. Dança;
“1.2. Juntos” (Cia. de Dança do Teatro Alberto Maranhão);
“Incolor” (Grupo Mobilidade de Pesquisa e Experimentos em Dança e Teatro);
“Sobre o que Restou” (Procura-se Cia. de Dança).

Ideias

Lembranças d(n) o corpo – Mauricio Moraes Motta
Mostra Carlão Lima (Grupo de Teatro Facetas Mutretas e Outras Histórias)

Teatro

“Achado Não é Roubado” (Tropa Trupe Cia de Arte)
"Volta, ao ponto. Um experimento" (Grupo de Teatro Janela)
“O Voo do Arruaça” (Grupo Arruaça de Teatro)

Música

Waldir Luzz
Pedubreu Tecnococo
Festival de Música DoSol - Etapa Instrumental e Contemporânea

Nesta terça, 6 de Julho, às 20h, os artistas e produtores selecionados se reunirão na Casa da Ribeira para definição das datas de ocupação da Casa entre agosto e novembro deste ano. A lista dos resultados está disponível no site da Casa - www.casadaribeira.com.br

Documentários no Canal Brasil

Durante os dias 6, 7, 12 e 17 de julho quem sintonizar o Canal Brasil poderá conferir duas produções da Gatacine. São elas: o documentário Lado B: Como fazer um longa sem grana no Brasil e o premiado Quarta B, eleito o melhor filme de ficção na “29ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo”, de acordo com o júri popular.

No filme Quarta B, que passa a ser exibido na chamada “Seleção Brasileira”, ou seja na faixa de horário mais nobre da emissora, uma professora de uma escola primária, o diretor, o zelador e os pais de alunos se reúnem para discutir um tabu: o que fazer ao encontrar maconha na sala de aula de alunos de 10 anos? A proposta dos adultos é inusitada: fumar a droga para saber como as crianças se sentem e, aí sim, poder ajudá-las, o que gera uma série de confusões.

Já o Lado B é um documentário que traça o panorama da realidade do cinema independente do Brasil. Trazendo depoimentos de profissionais como Fernando Meirelles, Ugo Giorgetti, José Belmonte, Alexandre Stockler, Theodoro Fontes e Marçal Souza, entre outros, o documentário conta como foi a produção do Quarta B, longa de baixo orçamento (apenas R$ 30 mil) que levou quatro anos para ser concluído - tudo narrado de forma bem humorada.

Lado B
06/07 (terça-feira) às 22h
07/07 (quarta-feira) às 13h

Quarta B
12/07 (segunda-feira) às 22h
17/07 (sábado) às 23h