segunda-feira, 12 de julho de 2010

Jornal do Brasil deixará de circular

No Blog do Noblat
(via twitter @isaacribeiro)

O Jornal do Brasil deixará de circular em breve. É o que será anunciado nos próximos dias pelo atual arrendatário, o empresário baiano Nelson Tanure.

Foram 119 anos de circulação que fizeram dele, na década de 1980, o mais importante jornal do país.

Por e-mail enviado aos editores e diretores do JB, o diretor-presidente do diário, Pedro Grossi, anunciou hoje (12) a saída da empresa.

"Prezados, em almoço realizado hoje [segunda-feira (12)], na presença do Dr. Ronaldo Carvalho e da Dra. Angela Moreira, o Dr. Nelson Tanure informou que publicará na edição de amanhã do Jornal do Brasil uma notificação assinada pela direção da empresa e dirigida aos leitores na qual explica a transposição do jornal escrito para o tecnológico (internet). Considerando que isto contraria a razão pela qual fui contratado, solicito, sem perda de meus direitos, que o expediente do jornal e de todas as revistas não conste mais meu nome".

No Dia Internacional do Rock...

Duas dicas nesta véspera de Dia Internacional do Rock, com nossa prefeitura de débitos quitados com o rock de Poti e dívida com um par de gente.

A TODO VOLUME
Chega às lojas agora em julho e é diferente que qualquer outro documentário sobre rock & roll. “A Todo Volume” coloca três guitarristas lendários - The Edge (U2), Jimmy Page (Led Zeppelin) e Jack White (The White Stripes, The Raconteurs) – sobre um palco vazio para criar uma inigualável reunião musical. Num processo de improvisação, eles trazem suas perspectivas pessoais sobre arte, inspiração e como cada um deles usa suas experiências únicas para criar suas próprias revoluções musicais e sonoridades características.

O PODER DO SOUL
Outro título que chega às lojas em julho é “O Poder do Soul”, um passe exclusivo para os bastidores do concerto mais extraordinário já filmado, que apresenta lendas do mundo da música como James Brown, B.B. King, Bill Withers, Celia Cruz e entre outros. O PODER DO SOUL documenta um festival de três noites realizado na República Democrática do Congo (antigo Zaire) em 1974, planejado para coincidir com agora lendária e épica luta entre Muhammad Ali e George Foreman, conhecida como “Rumble in the Jungle”. Mais do que um filme sobre um concerto, O PODER DO SOUL é um olhar dinâmico e direto que nos permite visualizar os turbulentos preparativos, e conta com comentários imediatos dos próprios músicos, de Hugh Masekela e de Stewart Levine, de Muhammad Ali e do extraordinário empresário do boxe Don King. Tenha certeza que O PODER DO SOUL vai deixar você sem palavras.

O Livro de Eli


Aos sofridos da ressaca, o longa O Livro de Eli cai bem. Exige pouco raciocínio - ideal para quem está com a cabeça cobrando os pecados do dia anterior. O roteiro é razoável. As cenas de luta são bem coreografadas. E o clima transmitido pelos cenários e efeitos monocromáticos para retratar um planeta devastado pela guerra dão o tom do filme. Denzel Washington convence e Gary Oldman, mais uma vez, está excelente. O que chateia mesmo é aquela dúvida se o filme raspa o inabitado mundo das produções cults ou rasteja no terreno fértil dos blockbusters. De certo, pende para o último. Mas há um que de preciosismo que confere ao longa dos irmãos Hughes melhor atenção. Talvez seja a ousadia em misturar religião na ficção científica sem cair na mesmice. Ou a pincelada irreestível dos velhos westerns no cenário do resistente bar que vende água e mulheres. Muitas perguntas deixadas no ar pelo filme são respondidas ou interpretadas pelo espectador, sem o didatismo idiota e costumeiro dos pastelões. Então, meu caro, bebeu? Caiu? Não levante. Assista deitadinho O Livro de Eli.

Pra não passar em branco... rock!

Discol no túnel do tempo


Única loja do Centro da Cidade a vender CDs originais precisou se adequar à época para se manter

O tempo passa, o tempo voa e a indústria fonográfica já não está numa boa. Os tempos são digitais e a pirataria já não é aquela cambada de corsários saqueadores transportados em navios. Viver ou sobreviver da venda de CDs originais é coisa tão rara quanto aquele tão garimpado vinil do Impacto Cinco, Lágrimas Azuis (1975). No Centro da Cidade há um sobrevivente do naufrágio do comércio de CDs. A Discol se instalou na Rua João Pessoa em 1976 e atravessou o tempo vestindo a camisa da moda em cada década. Adequou-se à modernidade, se desdobrou em outros serviços e mantém viva a originalidade da loja: o segmento rocker.

Luiz Brás de Araújo vestia ontem uma camisa com estampa do CD Pulse, do Pink Floyd. Trabalhava na transposição do som de um vinil para a mídia digital. Nos fundos da loja, um banner com serviços de tatuagem. E na vitrine, vestuários da moda surf wear. Tudo bem, a loja precisou se camuflar (ou se adaptar, ou criar) outros serviços. Foi a maneira encontrada por Luiz para se manter e continuar a venda de CDs – ainda o serviço mais rentável da loja, seguido pelas camisas com estampas de bandas, álbuns e personagens do rock e o trabalho de digitalização de mídias analógicas para digitais. A moda “dos boys do skate” também ajuda e mantém o público de décadas atrás.

Ainda na década de 70, quando a Discol pertencia a uma rede de lojas, as paredes eram verdadeiras vitrines preenchidas por coleções de vinis. “Às vezes chegam clientes antigos, jornalistas daqueles tempos e alguns lembram até a seqüência e o local exato onde os vinis estavam expostos na parede, e ainda citam os nomes”. E naquela época, continua, Luiz, a preferência era Deep Purple, Led Zeppelin, Emerson Lake & Palmer e outros do rock progressivo da libertária década de 70. Na década consumista de 80, os vinis continuaram reis do mercado, e a loja acrescentava apenas acessórios de instrumentos musicais para aumentar a renda.

Foi apenas nem meados da década de 90, com a chegada do DVD, a popularização dos computadores e a liberação dos downloads que a Discol foi pressionada a rever seus conceitos. A rede de lojas com sede em Campina Grande foi desfeita. Luiz, como gerente da unidade de Natal, comprou a loja e iniciou as modificações. Inseriu vestuário voltado ao maior segmento da clientela da loja: jovens roqueiros. “Também senti o lamento dos clientes em perder seus vinis e fitas K-7 e comecei a digitalização desse material”. Vinil e Fita K-7 para CD, VHS para DVD. Há cinco anos também oferece tatuagens. “É outro serviço que também tem a ver com a nossa clientela”, frisa.

“Pelo próprio carinho que adquiri com a loja precisei me moldar ao mercado para manter o comércio. São 37 anos de dedicação (ele veio de Campina Grande). Se antes vendia vinis de rock, hoje vendo desde a MPB ao brega, passando pelo rock, forró. O público é mais eclético. Vem desde o senhor de idade em busca de um CD de Altemar Dutra a um ‘boy’ atrás de um skate”. Outro serviço procurado é a digitalização. Luiz adquiriu o know how de quem trabalha com vinil há quase quatro décadas. “Veja que o tocadisco é pregado na parede para evitar o balançado mínimo do móvel e o conseqüente ruído. Junto com a conexão coaxial direto no amplificador produz um som perfeito para o CD”.

Se as lojas de outrora viviam razoavelmente bem apenas de um segmento de público, hoje Luiz não pode e nem gosta de escolher. Se sua preferência musical é o rock, o som saído dos amplificadores colocados quase na calçada da Rua João Pessoa para chamar a atenção e atrair público é o famigerado forró elétrico (ou eletrônico?). No fim da manhã, as boas serestas de antigamente. Só nos fins de tarde o rock preenche o som daquele trecho histórico da Cidade Alta, vindo lá da Discol. “Antigamente era ponto de encontro de estudantes do Churchill e Atheneu, se discutia música. Aqui e acolá ainda chegam velhos clientes saudosistas para lembrar aqueles tempos”. Tempos presos nos braços seguros do passado e de saudosas memórias em preto e branco.

* Matéria publicada no Diário de Natal

Sonzera Band no Sun Rock Festival

A produção do Sun Rock Festival confirmou para daqui a pouco a primeira entrevista coletiva sobre o evento que vai trazer Scorpions e Sepultura a João Pessoa, em setembro. Serão divulgadas atrações, ingressos, logística e estrutura. A 1ª edição do Sun Rock Festival acontece nos dias 11 e 12 de setembro, no Estádio Almeidão, e promete fazer história e se tornar um dos principais festivais do gênero no Nordeste, ao reunir grandes nomes do rock nacional e internacional com a cena musical da região, contemplando bandas da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Além do Scorpions e Sepultura (ambos se apresentam pela primeira vez em João Pessoa) já haviam sido confirmados Angra e Matanza, além das paraibanas Unidade Móvel e Shock, da potiguar Sonzera Band e da pernambucana Terra Prima.

domingo, 11 de julho de 2010

Essa Copa de caneladas...

Por Vicente Escudero
No Digestivo Cultural

Alguns dias depois da eliminação medonha do Brasil, a FIFA tratou de guardar a Jabulani no vestiário, alegrando Júlio César e os demais guarda-metas, além de mandar os juízes para casa, oferecendo como leitura obrigatória o livreto contendo as 17 regras do futebol estabelecidas pela FIFA, torturadas sem dó nesses últimos jogos.

É replay seguido de replay desmoralizando a autoridade do sujeito que carrega o apito, apelidado de presidente por aqueles prestes a tomar um cartão amarelo. Não há nada pior para uma Copa do Mundo do que um noticiário dividido entre os erros da arbitragem e as peculiaridades do país-sede. E dá-lhe vuvuzela nessa mistura. Esses sintomas são indicativos de uma doença que vem se espalhando bastante pelo mundo do futebol nos últimos tempos, sempre acompanhada de dores nas canelas, rebolation após gols marcados com a mão e alergia seguida de delírios no contato com qualquer tipo de dispositivo eletrônico. Trata-se da temida ludopedius neanderthalensis.

AQUI

Cultura popular em sala de aula


O teorema de pitágoras, o quadrado da hipotenusa, a massa de prótons, nêutrons e elétrons bem poderia ser ensinado nas escolas junto com assuntos mais proveitosos na vida prática ou de formação cidadã mais eficaz. O trabalho de atualização dos conhecimentos do folclore e da cultura popular frente ao mundo globalizado é a proposta do folclorista Severino Vicente como acréscimo à grade curricular em escolas públicas e privadas do Rio Grande do Norte. A intenção é proteger tradições, costumes e práticas sócio-culturais da identidade potiguar.

A instituição da nova disciplina escolar vai de encontro com os ditames dos novos tempos. Cientistas da educação já questionam quais finalidades pedagógicas a escola - ainda essencialmente tecnocrata - deve atingir e como selecionar experiências de aprendizagem úteis para alcançar esses objetivos. Para Severino, é preciso legitimar a preocupação dos estudantes com a cultura popular e formar juízo de valor em consonância com a comunicação educacional recomendada na Carta do Folclore Brasileiro, preconizada pela Unesco.

"Essa Carta mostra a importância das expressões do povo brasileiro pela dança, música, poesia, a prática lúdica infantil, o teatro popular, contextualizando com as celebrações cíclicas e suas motivações cujas origens são obras da nossa mestiçagem". Segundo o folclorista, esses seriam pontos de partida para o aluno compreender e se fazer compreender em seu contexto social, se livrando do equívoco da alienação sócio-cultural crescente ante a comunicação de massa promovida pela indústria cultural e os malefícios da globalização totalitária.

"Isso significa dizer que a comunidade envolvida com o folclore e a sua verdadeira identidade cultural deverá ter a capacidade de ler o que acontece em termos de festas culturais e cíclicas sem precisar se submeter a uma ordem global, ou seja, é conviver com o global, mas conhecendo e fazendo a diferença a partir das práticas locais", exemplifica Severino, que escreveu um livro intitulado Folclore e Cultura Popular nas Práticas Pedagógicas - uma espécie de manual didático a ser adotado por escolas e professores do Ensino Médio.

Lei
Severino quer, na verdade, fazer cumprir a lei de autoria do então deputado estadual Valério Mesquita, que instituiu, em meados da década de 80, o ensino do folclore nas escolas públicas estaduais. "É lei. E a secretaria de Educação, tanto municipal quanto estadual poderiam fazer o que ninguém fez desde essa época que é, simplesmente, cumprir a lei". Segundo Severino, a disciplina do Folclore já é ensinada em estados como o Rio Grande do Sul, Ceará, Sergipe, São Paulo e Paraíba. Em alguns desses estados, até nas universidades.

Guia prático
O livro de Severino funcionaria como espécie de guia prático para professores. Os capítulos foram montados de forma a levar os alunos a entenderem e tomarem gosto pela cultura popular. Além de definições dos termos, há também subtítulos a respeito da compreensão do folclore na era da informação, o mundo encantado dos folguedos, os autos populares (congos, caboclinhos, bois...), cirandas, coco de roda, danças do Espontão e de São Gonçalo, além do Araruna. Ainda os romanceiros, crendices e superstições, religiosidades, culinária, teatro popular e outros assuntos.

O livro traz na capa uma imagem aparentemente contraditória, mas oportuna. O potiguar Deífilo Gurgel - considerado o maior folclorista brasileiro em atividade - segurando um folheto de cordel junto a um adolescente em frente ao computador. "Mostra a importância da preservação das tradições com a necessidade de atualização com o novo mundo, além, claro, de uma homenagem ao nosso mestre Deífilo", explica Severino. O livro foi editado pela Imeph, de Fortaleza e será lançado em agosto, no mês do Folclore, quando uma série de atividades está programada.

Severino destaca que o formato do livro é inédito. Segundo ele, mesmo os livros de Câmara Cascudo e de Deífilo Gurgel abordam temáticas específicas do nosso folclore ou mesmo sem o didatismo necessário à adoção nas escolas. "Esse livro foi pensado com esse objetivo", ressalta o folclorista. A secretaria de Educação já se comprometeu a comprar 500 exemplares. "O ideal seria adotar em cada uma das escolas, que são cerca de 2 mil espalhadas pelo Estado. Se compraram 500 devem distribuir em bibliotecas ou outro local. Não adianta. Ninguém vai procurar o livro".

O folclorista idealiza, além da adoção do livro nas escolas e da disciplina do folclore na grade curricular, uma parceria com o Registro do Patrimônio Vivo - lei de autoria do deputado estadual Fernando Mineiro que concede verba fixa e mensal para grupos e mestres do folclore potiguar em troca de apresentações gratuitas em locais públicos. "Essas apresentações podem ser nas escolas. Eles devem isso ao Estado em troca do benefício. Agora, se ninguém chama, eles não vêm".

Engajamento
Severino diz esperar maior sensibilidade da secretaria de Educação. E justifica: "O mundo hoje perdeu suas fronteiras. Vivemos frente a um mundo culturalmente cosmopolita e metropolitano. É preciso que professores e alunos exercitem os conhecimentos da cultura de sua região, de seu estado, de seu país. Não basta as escolas promoverem eventos no mês do Folclore e fingir engajamento com a causa. É preciso vivenciar o tema como é feito com a matemática, a química e a física. Tentamos isso já faz mais de 10 anos", conclui.

* Matéria publicada sábado no Diário de Natal
- Foto de Fábio Cortez

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Buraco da Catita - finalmente!

Do site da Semsur

As obras de infraestrutura para revitalização do Buraco da Catita, localizado no bairro da Ribeira, estão em fase de conclusão. A Prefeitura do Natal, por meio da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), entregará o espaço renovado à população ainda neste mês de julho. Esse foi o compromisso firmado durante reunião realizada nesta quinta-feira (8), na Semsur, com a participação de representantes do Buraco da Catita.

O projeto de revitalização foi orçado em R$ 33.120,02, liberados por meio de licitação. As obras de revitalização começaram em março e contemplaram a construção de um novo pavimento, meio fio, projeto paisagístico e nova iluminação. Para finalizar a obra, falta apenas a conclusão de detalhes do pavimento, instalação das lixeiras e poda nas árvores.

A recuperação do local partiu de um compromisso da Prefeitura do Natal com os frequentadores e com os principais defensores do espaço, entre eles, o arquiteto e professor da UFRN Marcelo Tinoco, o sociólogo e historiador Leonardo Barata, o artista plástico Flávio Freitas e os arquitetos Haroldo Maranhão e Gaudêncio Torquato.

Do blogueiro: Achei engraçado o "AINDA neste mês". O "ainda" é uma piada. E o "N" de "neste", é dispensável. Mais de seis meses pra fazer uma calçada. Imagino a festança da solenidade de reestreia. Mas o projeto está aparentemente bonito. E antes tarde do que nunca. Já ouvi do próprio Camilo Lemos, faz um bom tempo, que tentaram melhorias no espaço na administração passada e nada conseguiram.

Jornalistas potiguares em videodocumentários


Fotos se apagam, livros mofam, mas documentários resgatam e dão vida a histórias de pessoas esquecidas ao longo do tempo. Pensando nisso os alunos do 3º período do curso de Jornalismo da UnP produziram vídeodocumentários sobre perfis biográficos de jornalistas do Rio Grande do Norte. O resultado será exibido na Mostra de Perfis Biográficos dos Jornalistas do RN, que será realizada no dia 14 de julho, às 19h, no auditório II da unidade Floriano Peixoto. Pesquisas e depoimentos emocionantes de esposas, filhos, amigos e alunos que narram a história de pessoas como Rogério Cadengue e Berilo Wanderley, Cassiano Arruda, Ana Maria Cocentino, Arlindo Freire e Ana Maria Cascudo, sob coordenação do cineasta e professor Fábio DeSilva, que orientou sobre construção de roteiro e narrativas audiovisuais. O professor Dr. Manoel Pereira também colaborou com a turma, auxiliando na execução do documentário. Essa atividade faz parte da disciplina, História do Jornalismo, ministrada pela professora Isabel Cristine, que destacou a importância desse tipo de trabalho durante a graduação.

A exposição será aberta ao público gratuitamente. Mais informações na Escola de Comunicação e Artes ou pelo telefone (84) 4009-1455.

Araruna sem asas


Do blogueiro: Esta matéria abaixo foi publicada sábado passado no Diário de Natal. Mas só ontem, passando em frente à sede do Araruna, percebi o que poderia ser classificado como ingenuidade - para usar um eufemismo - com as tradições desta que seja, talvez, a mais genuína manifestação folclórica da cultura potiguar. O nome Sociedade de Danças Antigas e Semi-desaparecidas Araruna, criado em 1956 pelo mestre Cornélio Campina, agora virou Associação. Por mais que seja reconhecida como entidade de utilidade pública, não se retira uma marca do dia pra noite. Que mude a razão social ou coisa parecida. Repito: é um gesto no mínimo ingênuo de seus representantes que, aliás, estão deixando morrer o grupo. Infelizmente mestre Cornélio não formou nenhum outro membro do Araruna para repassar os conhecimentos da dança. E com o "apoio" do poder público, como vocês verão abaixo, o grupo parece se encaminhar para o seu fim.


Grupo fundado pelo mestre Cornélio amarga o esquecimento sem nenhuma apresentação este ano

A Araruna está em silêncio. O pássaro sertanejo que deu nome a um dos grupos folclóricos mais genuínos da cultura popular do Rio Grande do Norte parece o “Assum Preto” de Luiz Gonzaga, preso na gaiola sem poder cantar. Está há mais de seis meses sem receber qualquer convite para apresentações. O último foi em janeiro, durante as festividades dedicadas a Nossa Senhora da Apresentação, na Redinha. Por falta de luz ficaram sem se apresentar e até hoje o grupo ainda espera da prefeitura de Natal o cachê “simbólico” ou melhor prestígio.

A morte de mestre Cornélio Campina aos 99 anos, em agosto de 2008 – pouco antes de completar 100 anos – parece ter dado início a um processo lento de desatenção ao grupo fundado em 1956. Para o mestre-diretor do Araruna, Carlos Araújo, Cornélio era a figura de identidade e referência do grupo, recebia homenagens e era o Araruna como um todo era mais lembrado. Ano passado, mestre Cornélio recebeu homenagem póstuma. Em 2008, foi agraciado por este Diário de Natal com o troféu O Poti. Mas, como disse o carnavalesco Joãozinho Trinta, o povo gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual. O fato é: homenagem é bom, mas dinheiro, também.

A Sociedade Araruna de Danças Antigas e Semidesaparecidas passa por dificuldades. Mais uma. Talvez a pior dos últimos anos, segundo Carlos Araújo: “Não lembro de um ano tão ruim como esse”, ele que dedicou décadas de esforço ao grupo. A esperança em cachês que giram entre R$ 400 e R$ 600 para uma apresentação vem em agosto, mês do folclore. Sem estímulo, o grupo dá sinais de início de falência: já parou os ensaios regulares às quartas-feiras. Sem motivos para tal, só se reúnem para ensaios quando há convites para apresentações. A esperança está entre os jovens que integram os 12 pares do Araruna. Geralmente uma preocupação entre grupos folclóricos da falta de interesse das novas gerações e conseqüente extinção daquela manifestação cultural.

A verba para manter a Sociedade Araruna é composta pelas mensalidades de R$ 5 pagas por menos de 20 contribuintes; R$ 30 também mensais pagos por um grupo de hip hop que usa o espaço da sede durante três noites da semana; além dos cachês para apresentação, quando há. Segundo Carlos Araújo, o Carlinhos, o comum são entre quatro e cinco convites durante o ano. Em cada um recebem uma média de R$ 600. A maioria parte dos órgãos públicos para incrementar a programação cultural de eventos promovidos em datas festivas.

O dinheiro é dividido entre o “tocador”, os 18 pares de dançarinos e a mesa diretora. Quando vivo, mestre Cornélio retia 10%, hoje recolhidos no caixa da Sociedade para ajuda de custos como passagem de ônibus para alguns integrantes ou pequenos reparos na sede. Há também ajudas espaçadas, como a recente colaboração do Sesc para as indumentárias. É pouco. Carlinhos disse que a falta de infraestrutura da sede impossibilita abrir espaço para eventos como promoção de festas de forró que durante décadas ajudaram a sustentar a Sociedade.

Uma reforma cuidadosa da sede doada pelo ex-prefeito Djalma Maranhão na década de 50 poderia servir de museu para guardar o acervo histórico do Araruna e Seo Cornélio. Muito do material está hoje aos cuidados da última mulher do mestre, dona Maria José, moradora do bairro de Mãe Luíza. Carlinhos afirmou que ela se propôs a doar o acervo quando a sede tivesse estrutura adequada e que fizesse jus à importância de Seo Cornélio para a cultura potiguar.

Início lembrado com dificuldades
A história de fundação do Araruna é contada hoje com alguma dificuldade por antigos membros, como o ex-presidente da Sociedade, Luiz Matias da Silva, 78, ou pela filha adotiva de mestre Cornélio, Geísa Gomes da Silva, 35. Segundo seo Luiz, mestre Cornélio organizou o São João na Roça logo após sua chegada em Natal, em 1935. Seo Cornélio, nascido em Portalegre, havia passado ainda por Areia Branca - terra do maior estudioso e descobridor do Araruna, folclorista Deífilo Gurgel - e São Miguel.

Quando chegou em Natal trabalhou com venda de jogo de bicho. A atividade durou pouco até ser marchant. “Ele matou muito porco, bode e carneiro”, disse Geísa. Nessa época promovia o São João na Roça, antecedido por sessões de forró. O Araruna foi fundado em 1949. Aglomerava bom número de pessoas na Rua Lucas Bicário, nas Rocas. Os ensaios ocorriam inicialmente no quintal da própria residência de mestre Cornélio, passaram para um salão alugado na mesma rua até o prefeito Djalma Maranhão doar a atual sede, situada à Rua Miramar, onde também funcionou como escola durante o programa educacional De pé no chão se aprende a ler.

Uma reunião foi organizada para falar com o prefeito. Djalma Maranhão. Este, após doação da sede, sugeriu a formação de uma sociedade e uma visita a Cascudo para definição do nome. Luiz Matias conta que uma comissão de dez pessoas foi à casa do mestre. “Cascudo pediu três dias para resposta. Voltamos lá e ele perguntou qual o primeiro número da dança, que era Araruna. Ele explicou que Araruna é nome de pássaro preto do Amazonas, parecido com a graúna”.

A Sociedade Araruna foi fundada oficialmente em 24 de julho de 1956. É a única do Estado com estatuto e sede própria. Desde sempre passa dificuldades para se manter. É oriunda das danças aristocráticas de salão, de origem européia, misturada com a valsa, polca, xote, mazurca e estilo popular de caráter folclórico. Cavalheiros usam casaca e cartola, e as damas, longos vestidos de saia rodada. Dançam em pares, acompanhados por sanfona e outros instrumentos. Teve como primeiro presidente João Francisco Gregório e primeiro mestre-sala, Chico Vicente.

* Matéria publicada no Diário de Natal

Nestor Nascimento: livro de estrelas


Por Haroldo Mota
Enviado por e-mail

Estavamos no ano de 2000, não recordo a data, tudo parecia um grande reencontro. Um reencontro vivido em 1983, quando morei em plena floresta Amazônica. A luz atravessava entre as folhas das árvores, o verde esplendor brilhava, os sons dos mais variados timbres escutávamos, os pássaros cantavam com seus cânticos, dando um significado extraordinário ao belo espetáculo. Tudo me fazia crer que a vida é simplesmente a profunda tranqüilidade no imenso mar da floresta tropical da “Mata Estrela”.

Fazer uma ponte de ligação com esses dois lugares foi um instante maravilhoso. Hoje, já não posso dizer o mesmo, pois, faleceu semana passada o Sr. Nestor Nascimento, aos 79 anos, um homem simples, honesto, foi o maior conhecedor das histórias da Mata Estrela, o verdadeiro mateiro. Um verdadeiro amigo se foi, perdemos um verdadeiro homem!

Era muito fácil se impressionar com suas histórias e admirá-lo. A primeira vez que o conheci, estávamos fazendo um levantamento da reserva particular da mata atlântica do Grupo Farias, ou Mata Estrela, para a Secretaria Estadual de Turismo – SETUR. Meses depois, retornei para com sua ajuda de guia, fazermos um tour fotográfico para uma exposição.

O que me impressionava nele, era sua capacidade de servir, de transmitir conhecimento, e disposição em caminhar horas a fio nas trilhas e não ficar cansado. A alegria em contar detalhes de cada acontecimento, ou fato que havia acontecido na reserva. A história de sua infância que passava com seu pai, e algumas delas, era atravessar a floresta com uma lamparina, mesmo de dia, próximo de escurecer, quando retornava das compras, a caminho da vila de Baia Formosa, vindo da cidade de Canguaretama.

O nome da Mata Estrela, se deve ao seu formato, as pessoas que passavam por cima da floresta em aviões avistavam um imenso tapete verde com esta forma. Graças ao cordão de dunas, hoje podemos deslumbrar essa magnífica reserva da biosfera da mata atlântica no estado do RN, que é a maior reserva de mata atlântica sobre dunas do Brasil. São 14 km de praias, 20 lagoas, a mais famosa é Araraquara; onde encontramos uma grande variedade de espécies florísticas nativas, e se você tiver sorte escutará o rugido do macaco Guariba numa das trilhas da reserva.

Em março de 2.000, a área de 2.039 ha foi transformada em RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Nacional. O desflorestamento para o plantio da cana-de-açúcar foi muito intenso na região. O processo de preservação da reserva, foi idêntico ao da floresta da mata atlântica do Parque das Dunas, em Natal/RN. Em ambos os casos, havendo desflorestamento, toda a areia das dunas invadirão as áreas próximas das reservas.

A exposição “Mata Estrela: Vida em 2.039 ha”, realizada no Solar Bela Vista, Natal/RN, em novembro de 2.000, foi um verdadeiro sucesso. Conseguei com o Sr. Nivaldo Melo, proprietário do hotel Chalémar, hoje, prefeito do município de Baia Formosa, trazer seu Nestor e sua esposa Luzia, para a abertura da exposição. Para nós, foi uma imensa satisfação poder recebê-los, na verdade estavamos prestando uma pequena homenagem a um homem simples, porém com virtudes e sabedorias que só os grandes mestres possuem.

Nestor, pessoas como você estão deixando nosso solo, para alcançar outras terras, mais distantes onde possam contar suas historias, seus feitos, onde são registradas suas sabedorias...

Fico triste, pois, não deixou nem um discípulo para continuar na missão de transmitir os seus conhecimentos como guia. Meu grande amigo, você partiu, perdemos um enorme potencial de conhecimento, cuja sabedoria adquiriu ao longo dos anos.

Soube até driblar a morte, de alguns derrames que teve, mas foi forte, severo, e pareceu que nada havia acontecido, deixando os médicos admirados com sua rápida recuperação sem deixar seqüelas algumas.

A alegria impera, pois, foram muitos seus admiradores, dos vários cantos do Brasil e do exterior que ficavam tentando entender os sons da natureza que pareciam falar nos seus ouvidos. Sabia como ninguém o nome e a localização de várias espécies endêmicas da reserva.

Saberá trilhar fácil essa sua nova jornada meu amigo. Nós, ficaremos rogando ao Todo Poderoso pela sua santa morada na vida eterna, que o Senhor para todos preparou.

Balé de Natal em Sampa


Entre os dias 9 e 18 de julho, alunos da Escola Municipal de Ballet Prof. Roosevelt Pimenta, vinculada à Funcarte, estarão representando Natal na 18ª edição do Festival Passo de Arte, que acontece em Indaiatuba/SP. O Passo de Arte é uma das mais importantes competições de dança do país. O evento conta com a participação de profissionais conceituados no Brasil e exterior para compor o júri e ministrar workshops. As disputas ocorrem nas categorias juvenil, adulto e avançado com trabalhos que vão do tradicional balé ao atualíssimo estilo street dance.

A Escola Municipal de Ballet Prof. Roosevelt Pimenta será representada pela diretora da escola, Anízia Marques e pela professora Rosa Costa, que acompanharão os bailarinos Kahena de Quevedo, Jéssica Alanna, Israel Kaíque, Fábio Moura, Jade Lopes, Larissa Sadovski, Mariana Costa da Silva e Leandro de Almeida, que se apresentarão nas categorias dança livre e repertório clássico. Esse mesmo grupo participou do Passo de Arte Norte e Nordeste deste ano que aconteceu em Fortaleza-CE, e que teve a bailarina Kahena de Quevedo, de 20 anos, a primeira colocada na categoria Solo Livre Avançado, além de ser indicada como a bailarina revelação do festival.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Internet x literatura

Por Paulo Markun
Durante o I EELP

"quem acredita que a internet é, digamos, a sepultura da literatura, devia olhar mais pro futebol. Eu acho que o blog, o twitter e esses mecanismos estão para a literatura e a produção literária, da mesma maneira que o campo de futebol de várzea está pro futebol. Tudo é jogo".

Qual livro você levaria a uma ilha deserta?

José Eduardo Agualusa
Durante o I EELP

"A famosa pergunta: “qual livro se levaria para uma ilha deserta?”. Parece-me equivocada. Os livros, na verdade, é que nos levam para ilhas desertas. Um livro faz-nos tomar a forma de uma ilha. Diga-me que livro quer ser e direi que livro deve ler".