quinta-feira, 31 de julho de 2008

A piada mais antiga do mundo

A piada mais velha do mundo tem cerca de 3.900 anos. Um estudo, publicado hoje pela universidade de Wolverhampton enumerou as dez piadas mais antigas do mundo — que podem ser vistas no site http://www.dave-tv.co.uk/. O amigo leitor leia primeiro duas das mais antigas. Duvido que ainda perca tempo indo atrás das outras. O primeiro lugar da lista é uma anedota que surgiu em 1900 a.C. entre os sumérios, que viveram onde é hoje o sul do Iraque. De acordo com essa piada, há "algo que nunca aconteceu desde o começo dos tempos: uma mulher nunca soltou um pum no colo do marido". Ha ha ha. Uma piada de 1600 a.C sobre um faraó, o rei Snofru, vem em segundo lugar: "Como entreter um faraó entediado? Coloque um navio cheio de mulheres vestidas somente com redes de pesca e diga ao faraó que pegue um peixe". Naquela época não tinha político, nem nordestino, nem gaúcho, o Joãozinho era primo de Jesus e os gays eram imperadores. Vai ver é isso. Ô mundinho sem graça aquele.

Prêmio cultural

Vendo os homenageados com a 5º edição do Troféu Cultura, realizado este ano com a parceria da Fundação José Augusto, fiquei encucado. Entrega de prêmios sempre gera discórdia de opiniões. A minha parte já do maestro da noite, Toinho Silveira. Definitivamente há de existir alguém mais apropriado e correlato com o tema. Pior foi a entrega do prêmio à prefeitura de Goianinha por apoiar a cultura. Alguém me salve e enumere três grandes projetos patrocinados pelo dito prefeito. Outra grande injustiça é deixar nomes importantíssimos de nossa arte plástica e homenagear César Revoredo, que nada representa para o segmento. Zaíra Caldas seria um bom nome. Ivo, de Ceará-Mirim, seria outro. Adiante, alguns premiados merecidos e manjados, como o flautista Carlos Zens e as empresas Cosern e Petrobras pelo apoio à cultura. Seu Cornélio tem sido mais homenageado nos últimos dois anos do que em seus 100 de vida. Aplaudo a lembrança da banda Rosa de Pedra; do empresário Celso Evangelista, proprietário do Maturi; e Castelo Casado. No todo, achei que valeu.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Curta retrata pressa cotidiana

Fiquei curioso em assistir ao curta-metragem brasileiro Do Visível ao Invisível. O curta, dirigido pelo mestre português Manoel de Oliveira, do alto dos seus 100 anos, foi escolhido como filme de abertura do 65º Festival de Veneza, em 27 de agosto. Do Visível ao Invisível faz parte do longa-metragem Mundo Invisível, projeto em construção partiu de uma idéia original de Serginho Groisman sobre situações de invisibilidade no mundo atual.

O argumento e o roteiro do curta foram originalmente escritos pelo próprio Manoel de Oliveira. O filme trata com ironia e fino humor do reencontro surpreendente de dois amigos, Ricardo e Leon, na avenida Paulista, coração de São Paulo. Um é português, de passagem pelo Brasil, e o outro é brasileiro. Eles tentam conversar, mas ora o celular de um, ora o do outro, toca, impedindo a conversa de se completar. Finalmente, eles decidem telefonar um ao outro para poder se comunicar. Falam da vida, da ética, do amor, da amizade e dos tempos que correm, cercados pelo ritmo incessante da cidade, com seus automóveis e pessoas que não podem parar.

Crispiniano vira imortal

O Presidente da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto, toma posse da cadeira n.º 26 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) amanhã. O ato solene acontece junto com o lançamento de seu livro Lula na Literatura de Cordel, no Centro Cultural da Ação e da Cidadania, no Rio de Janeiro. Ninguém menos que o próprio Lula estará presente. Daqui desta província que termina por consagrar alguns, bato palmas e tiro meu chapéu. Crispiniano é o terceiro poeta norte-riograndense a se tornar imortal na ABLC. A cadeira que o cordelista irá ocupar, já pertenceu a Luís da Câmara Cascudo.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Da querência de escrever

Ao ler hoje a Cena Urbana de Serejo senti uma cutilada no estômago. O cronista-mor deste Rio Grande de Poty escreveu sobre a arte e o ofício de escrever. O leitor mais atento e costumeiro deste espaço percebeu o hiato desde a minha última crônica. É que a selvageria dos dias tem me roubado lascas de tempo; as únicas que dispunha. Antes pudesse viver do ofício e afirmar de pronto como Clarice Lispector: “Escrevo porque respiro”. Ou mesmo o bom Serejo, na singela aptidão de “trocar palavras por margarina, feijão e pão”. Tenho trabalhado os três turnos em ritmo incessante. Bem sei dos tempos frios e dos ventos alísios que se aproximam para o refresco de agosto. Não me foge a imaginação uma Santa Rita parnasiana, sobretudo nestes tempos. É lá onde meus pensamentos vagueiam em gostosa ilusão de conforto.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Valéria Oliveira no TCP

Mesmo a reforma do TAM até setembro, o Projeto Seis e Meia continua firme e forte. As atrações serão apresentadas no Teatro de Cultura Popular, anexo à Fundação José Augusto. Já para 12 de agosto tem show com a cantora Teça Calazans, diretamente de Paris, e Valéria Oliveira como atração local. Teca volta a Natal, onde cantou com Osvaldinho do Acordeon no Projeto Pixinguinha há duas décadas. Será uma oportunidade única assistir a dois shows de cantoras brasileiras que tem feito grande sucesso no exterior. De um lado, Teca, capixaba de origens pernambucanas que tem levado nossa música para a Europa; de outro, Valéria Oliveira, potiguar que tem levado os sons do Brasil para o Japão e a Suíça. Bela pedida!

domingo, 27 de julho de 2008

Quadrinhos salvam Hollywood

As histórias em quadrinhos estão salvando Hollywood. Tudo indica que a crise financeira que assustava a meca do cinema mundial virou mesmo um assunto do ano passado. Enquanto aqui vivemos as curtas férias de inverno, do lado de lá do hemisfério a programação das salas de cinema nas longas férias de verão está recheando as bilheterias de dólares. A recente estréia de Batman — O Cavaleiro das Trevas, que ao arrecadar US$ 158,4 milhões tomou a marca que estava com o Homem Aranha 3 (US$ 151,1 milhões), lançado em 2007, vem coroar um ano que teve ainda O Homem de Ferro (US$ 102,1 milhões), O Incrível Hulk (US$ 55,4 milhões) e ainda Wanted (O Procurado, US$ 81,8 milhões) e Hellboy II (US$ 35,9 milhões). Lembrando que ainda está por vir uma das mais aguardadas versões para o cinema de uma HQ, The Spirit. Ano passado foram lançados O Homem Aranha 3 e o Quarteto Fantástico 2. Parece que um filme-solo de Wolverine está por vir. Está virando bagunça.

Com informações da Agência Estado

sábado, 26 de julho de 2008

Música e literatura, por Levino

Roubei do blog do cronista Rodrigo Levino, Adeus Columbus, dicas de música e literatura. Sem tempo nem para ler, em fina ironia aos ditames da profissão, ou procurar novidades sonoras, prefiro indicar os gostos de quem está mais a par das novidades. Depois coloco alguma coisinha minha:

“Lulu, MGMT, Cassius, Justice, Leonard Cohen, Curumin, Josh Rouse, Maria Bethânia e Roberto Carlos. Se quiserem ler algo interessante, indico o que devorei nos últimos 45 dias: Fantasma sai de cena (Philip Roth), Stasilândia (Anna Funder), Diário de um ano ruim (J.M. Coetzee), O livro amarelo do terminal (Vanessa Barbara), King Kong e Cervejas (Fabrício Corsaletti), Menina Gauche (Ada Lima), XII poemas sobre a parábola zen do pastoreio (Márcio Simões) e Satolep (Vitor Ramil)”.

TAM fecha para reforma

Necas de Projeto Seis e Meia e atrações teatrais no TAM até setembro. As fortes chuvas que caíram em Natal em maio prejudicaram a estrutura física do Teatro e forçaram uma obra maior do que os pequenos reparos anuais. O Governo do Estado liberou uma verba emergencial de R$ 350 mil. Os produtores culturais responsáveis pelas pautas reservadas no TAM, chegaram ao consenso de que agosto era o mês menos prejudicial para a classe artística e cultural da cidade. Outros R$ 50 mil, já haviam sido planejados no orçamento desde janeiro de 2008, destinados para pintura, manutenção, troca de cortinas e fardamento de funcionários. A reforma vai durar um mês. Em setembro, o TAM reabre suas portas em grande estilo, comemorando os 50 anos da Bossa Nova. Um bom nome para pautar as atrações é o jornalista Nicolau Frederico. Ele tem pesquisado muito a Bossa Nova. Montou até um blog especializado no assunto e tem mantido contatos com algumas atrações nacionais, como Menescal, com a finalidade de trazê-los a Natal.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Paris e Veneza, por Mário Ivo

Lembro de uma palestra proferida por Carlos Heitor Cony nesta vila recheada de operações impactantes lá para 2004, acho. Era um evento literário patrocinado pelo Banco do Brasil. Na oportunidade, o escritor comentou que a obra de Clarice Lispector não era para qualquer um. Recordo bem da assertiva porque meu ego subiu como uma atleta olímpica de salto com varas. Tem autores que a identificação é imediata e a compreensão é mais proveitosa. Minha relação com os escritos de Clarice é assim. Digo isso porque outro dia li opinião parecida do jornalista Carlos de Souza, o Carlão, a respeito da coluna de cultura escrita por Mário Ivo, no JH 1º Edição. Realmente não é pra qualquer um. Nada parecido com Clarice Lispector. Mas é de uma profundidade além da primeira leitura. Sem pedantismo ou lugares comuns. São artigos na medida certa, sobretudo para um jornal impresso. A série de textos “Cidades que eu vi”, com impressões de Paris e Veneza são peças a serem guardadas. E para não ficar apenas nos elogios merecidos, cito um pequeno desleixo, manjado como um beijo no coração: “ruas estreitas, todas sinuosas como serpentes”. A coitada da cobra há muito é confundida com as curvas das estradas. Mas, Pai perdoe os gênios. Eles sabem o que fazem.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Celular

Li esta resenha agora a pouco. Parece um livro instigante. Antes de uma dica de leitura, o parágrafo abaixo, escrito pelo professor Márcio Selligman-Silva, é um convite à reflexão:

“Talvez o que mais nos intrigue ao ler as treze histórias de Celular (R$ 45 - 352 págs), de Ingo Schulze, seja a inaudita capacidade de narrar desse autor. O que ele narra nem sempre é tão interessante, muitas vezes é justamente aquilo que preferimos esquecer: como somos geralmente ridículos e frágeis, como as relações humanas são atrapalhadas e repletas de desconfortos e embaraços. Mas na pena de Schulze tudo fica interessante. Ele é uma máquina de transformar o banal em literatura de 'alto nível'. O próprio título do livro já aponta para esse traço prosaico que é a marca da sua escrita: Celular! Mas por que as histórias seriam narradas à moda antiga? Nada mais simples - nada mais complexo. Simples porque estamos diante de narrativas despojadas e diretas (...).À moda antiga pode indicar o fato de o escritor assumir a tradição da narrativa, tão moribunda já há décadas.”.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Iron & Wine


Fazia tempo nenhuma bandinha musical me chamava atenção. Talvez a última tenha sido a polêmica e discutida trupe do Teatro Mágico. Destacaria ainda os australianos do The Veils. Em menor grau, Strokes, Coldplay, Placebo. Nada que mudasse minha construção musical. Eis que me foi apresentado o Iron & Wine: o projeto de um homem, Sam Bean, e seu violão. Indicado aos fãs da música calma, com um quê de melancolia.

Bean escreve, toca, grava e produz cada uma das músicas do álbum em seu próprio estúdio caseiro. Sua música inclui violão, banjo e outros instrumentos. É bem o estilo de Nick Drake, John Fahey... É folk puro. Sentimental. Criativo. Delicadeza sussurada. É uma dose de vinho tinto, suave, ingerida sem pressa. É música para terminar a rotina; romper com a desgraça. Convida a dançar só, como louco em passos lentos pelo quarto.

Sam Bean é, ainda, professor de cinema. Partiu daí seu sucesso. Começou a criar trilhas sonoras de filmes de amor. Daquelas bem encaixadas, marcantes. O primeiro CD foi lançado com experimentos gravados em casa. O produtor preferiu não alterar nada daquela sonorização. De certo ficou de queixo caído como eu ao ouvir tais melodias. E não há como escapar. Se não há empatia, algo chama atenção. É um som diferente.

Das músicas que já ouvi, destacaria Gray Stables e a voz sussurada, que parecem muitas. Jezebel é sua melhor canção. Para ouvir numa rede. É trilha para instantes absortos, tranqüilos, silenciosos. Se tiver um mar à frente, a música desmanchará no ritmo das ondas. Em My Lady’s House é gostoso ouvir o arrastar de dedos nos acordes do violão; melodias sutis como um vazio preenchido apenas por sons.

Ainda que sua música esteja conhecida, Sam permanece como professor de cinema. Como sua música, parece um homem desprovido de aparatos modernos. Lembra um monge pela barba. O olhar baixo transmite a impressão de pessoa simples, introspecta. Pelo menos pra mim, a música torna-se mais instigante quando o intéprete se parece com cada melodia tocada. Talvez por isso a música de Iron & Wine me soe tão verdadeira.

Da campanha eleitoral em Natal

Nunca assisti tamanho descrédito do povo natalense com uma campanha eleitoral. Como jornalista, cobri o lançamento de candidatura das duas principais candidatas à prefeitura da cidade. O que vi foi desânimo. Mais correligionários do que eleitores. Gente que passava por perto porque precisava atravessar aquele perímetro para chegar em casa. Olhava de soslaio para os candidatos e seguia se caminho.

Uma coisa também ficou evidente para mim. O descrédito com a candidatura de Fátima Bezerra (PT) é ainda maior. Fico à vontade para comentar porque meu voto não será de nenhuma das duas. E outra: são bons nomes. Cada uma com suas qualidades preferenciais. Uma com experiência. Outra com propostas inovadoras.

A caminhada de quase dez quilômetros de lançamento de candidatura de Micarla de Sousa (PV), no último sábado, foi um banho de marketing. Estimulados pela passagem do carro de som e pela insistência de partidários, os moradores da Zona Norte até saíram de casa para ver a banda passar. Mas não acompanharam a comitiva.

Uma coisa é certa: a governadora Wilma de Faria não sairá derrotada da eleição com a vitória de Micarla. O acordo foi apoiar Fátima para receber em troca o apoio federal quando da eleição para o Senado. Isso ela já conseguiu, independente de vitória ou derrota de Fátima. Tampouco o senador Garibaldi sai perdedor.

Por esses fatores, o único empolgado com a candidatura petista – e que realmente sai derrotado nestas eleições – é o prefeito Carlos Eduardo Alves, que vislumbra uma perda significativa para disputar o governo do estado em 2010. Do lá do “verde”, Robinson Faria (PMN) e João Maia (PR) saem fortalecidos para o próximo pleito. Em verdade vos digo: em breve Natal ficará mais verde e um arco-íris de cores vibrantes se projeta para 2010.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Um Beijo Roubado

Ainda em cartaz o filme Um Beijo Roubado, do diretor japa Wong Kar-Wai. Pelo título e sinopse pensava um filminho clichê. Até me supreendi, precipitadamente, em integrar a seleção do Cinecult. É um bom filme, com Jude Law e a cantora Norah Jones nos papéis principais. A moça em nada compromete a atuação. Bela fotografia e trilha sonora. Um filme bem cuidado, sem espaço para vazios e pieguices. Vale uma ida. Salvo engano está na segunda semana em cartaz e deve figurar até sexta-feira. Domingo a fila estava de rodar quarteirão para a estréia de Batman – O cavaleiro das trevas. Segundo a crítica, outra bela obra. Fiquei curioso para mais um blockbouster de super-herói em 2008. Esse, parece-me, promete mais que os outros. Cinecult sempre às 15h no Cinemark. R$ 4 a senha inteira.

Mais inocente baleado por PM

É o cúmulo. Saiu agorinha no Folha Online. Uma menina de 8 anos foi baleada na cabeça por um policial militar embriagado em Igarapé do Meio, no interior do Maranhão, na tarde de ontem. Revoltada, a população do local incendiou a delegacia e a Câmara Municipal. De acordo com a Sesec (Secretaria de Estado de Segurança Cidadã), o policial, identificado como Ramos, estava à paisana quando foi avisado sobre uma briga no local. Uma pessoa teria sido esfaqueada durante a briga e o policial atirou diversas vezes para tentar acertar o suspeito da facada. Um dos tiros atingiu a criança, que morreu no local. Evito comentar notícias assim. Prefiro a cultura, mas são fatos que insuflam a ira. O despreparo da PM é evidente em qualquer esquina de qualquer estado. Truculência é com bandido. Ainda defendo a exigência de nível superior e cursos de aprimoramento para a categoria. Claro, como conseqüência, melhores salários. Talvez fosse uma solução.