domingo, 28 de fevereiro de 2010

Entrevista - Samarone Lima


Nas barbas do “profeta”

Livro a ser lançado em Natal retrata uma Cuba miserável e distante dos ideários socialistas

Longe de Cuba, a imagem do guerrilheiro Che Guevara ainda estampa camisas pelo mundo. É o retrato vitorioso da histórica revolução socialista liderada pelo comandante Fidel Castro. Há mais de 50 anos, esse cenário teima em permanecer atual aos esquerdistas mais radicais. Uma imagem desbotada pelo tempo e manchada de cinza pela penúria vivida na ilha comandada pelo mesmo senhor barbudo que anunciou o início de novos tempos – uma profecia cumprida e falida.

O livro Viagem ao Crepúsculo (Casa das Musas, 230 pág) parece escrito por conservadores de direita, invejosos da resistência socialista em Cuba. Não, não é. O jornalista Samarone Lima foi apenas um mochileiro aventureiro na ilha. Durante a eternidade de um mês vivenciou experiências únicas, mesmo para um viajado jornalista. A intenção foi mergulhar no cotidiano comum dos cubanos. Samarone se infiltrou nas periferias, morou em casas simples e acompanhou a luta diária por comida.

Um bloco para eventuais anotações e muitas canetas foram as únicas ferramentas utilizadas. A intenção inicial foi apenas a viagem, sem maiores registros literários ou jornalísticos. Mas a coleção de frustrações, misérias, proibições e revoltas contidas provocou um turbilhão de sensações no jornalista e o conseqüente retrato da Cuba no último ano de Fidel Castro no poder, hoje tomado pela mesma ideologia opressora, comandada pelo irmão, Raul Castro.

A realidade cubana descrita pelo biógrafo Fernando Morais ou frei Betto são distantes da verdade descrita no livro de Samarone (a ser lançado nesta semana em Natal, com local e data ainda indefinidos), de blogs clandestinos de estudantes cubanos, do depoimento de residentes brasileiros e dos próprios “ilhados” da terra de Fidel. Mesmo a saúde – vendida como exemplo ao mundo – integra o hall de serviços e produtos financiados pelo mercado negro em Cuba. Para fugir da repressão ditatorial e conseguir mais do que um pedaço de galinha ao dia, a clandestinidade se tornou a principal moeda do país.

Algumas frases da brasileira Malena, há três anos em Cuba, resumem a situação do país: “Em função de uma soberania, de um sistema político que já dura 50 anos, o povo cubano está perdendo a alma”. “Samarone, o sistema político aqui não é mais comunista, socialista ou capitalista. É uma zona mesmo”. Ou da cubana Celeste, que hospedou o jornalista: “Como é que as pessoas vão pensar em política, discutir, questionar algo, se não têm o básico, se amanhecem e dormem pensando em ter o que comer?”.

Samarone não arrisca uma saída para a situação cubana, se a abertura ao capitalismo menos conservador ou um socialismo menos ditador: “Voltei de lá sem saber como eles vão sair dessa, e o que virá depois. Tudo o que espero é que consigam algo mais modesto e bom, que é viver bem, e com liberdade”. E pondera, a despeito da eficácia do sistema socialista: “Essa coisa do totalmente igualitário é um sonho de milênios. No meu país, ficaria mais feliz se a riqueza fosse distribuída de uma forma inteligente. Todos viveriam bem melhor”.

Entrevista – Samarone Lima

No livro você ressalta que esteve em Cuba como mochileiro. No entanto, Cuba é desmascarada ao leitor de forma detalhada, despida de uma visão aventureira. Se a viagem fosse a trabalho, o livro sairia diferente, com mais ou menos riqueza de detalhes?
Se eu tivesse viajado a trabalho, como jornalista, não teria material sequer para uma boa reportagem, quanto mais para um livro. Como não há liberdade de expressão ou de Imprensa, em Cuba, ninguém iria me contar nada, se soubesse que eu era jornalista. Seria correr um risco desnecessário. Ninguém também iria hospedar, clandestinamente, um jornalista em casa. O que me rendeu todo o material foi a vivência cotidiana, as conversas, amizades, as descobertas. É contraditório isso. Só consegui um material jornalístico, boas fontes, informações privilegiadas, porque era um não-jornalista, que não ficava fazendo perguntas ou tirando fotos. Foi uma cubana quem me conseguiu internet clandestina, táxi clandestino, os cubanos me contaram diariamente como era a vida e como funcionava o sistema. Tive que exercitar um jornalismo sem perguntas, resgatando a possibilidade de descrever cenários, pessoas, resgatar diálogos etc.

Comente a feitura do livro. Imagino anotações rabiscadas, escritas em bares de Cuba, muitas vezes após tomar pileques ou horas depois de ter ouvido ou visto relatos, cenas cotidianas. Foi difícil organizar esse retrato tão minucioso e humano da Cuba atual?
Muitos leitores me contam que leram de uma vez, foram agarrados pelas minhas andanças em Cuba, que viajaram comigo. Mal sabem dos quatro cadernos cheios, com colagens, trechos iniciais, frases, lembranças de conversas, que eu não podia anotar na hora. Foi um grande exercício mental, não puxar um bloquinho de anotações e começar a registrar tudo. Na volta, passei três semanas no Rio de Janeiro, só passando tudo para o computador. Não queria perder o foco. Quando estava nesta primeira versão geral, um mês depois do retorno, o Fidel Castro renunciou. Pelo que eu sabia da viagem, nada iria mudar, com a ascensão do Raul Castro, a não ser o aumento da repressão. Então trabalhei muito o texto, cortando, tentando melhorar, revisando. Da volta de Cuba até o lançamento, foi um ano e meio de luta com o livro. Tenho a última versão, antes da impressão, é toda rabiscada. Resumindo: foi muito difícil sim, escrever o livro. Como Cuba ainda é uma coisa mítica aqui no Brasil, tem gente que se recusa até a discutir, eu não podia passar do ponto. Tentei ser o mais fiel possível ao que vi e vivi.

Verdade que só a Casa das Musas aceitou a publicação do livro? Em quais outras editoras houve rejeição? E qual a explicação dada?
É verdade. Quando voltei de Cuba, conversei com o pessoal da editora Objetiva. Como eu tinha publicado o Clamor por lá (em 2003), julguei que seria mais fácil emplacar este novo livro, porque eles gostaram de mim e do meu trabalho, creio. Eles receberam os 15 primeiros capítulos e fizeram uma avaliação que considero um equívoco editorial imenso. Achavam que se o Fidel morresse, o livro ficaria datado, perderia a importância, essas besteiras do senso comum. Fiquei realmente surpreso, mas eu sabia que tinha um material precioso, nem desanimei. Depois que terminei a última revisão, mandei para cinco grandes editoras, que foram evasivas ou não responderam. Então a Casa das Musas se interessou, e gosto muito desse negócio de editora pequena. Tudo foi feito com muito cuidado, paciência, fomos dialogando, até que o livro ficou pronto. Já vamos à segunda edição, e devagarzinho estamos fazendo o livro andar. Tenho participado de ótimos debates sobre Cuba, mostrando um pouco o outro lado da ilha, que muita gente se recusa a ver ou debater. Viagem ao Crepúsculo foi uma aventura que trouxe grandes alegrias.

* Matéria publicada, em parte, no Diário de Natal desde domingo

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Entrevista - Cláudio Rabeca


Rabequeiro nascido e criado nos mares natalenses encontra oportunidade nos mangues da cultura recifense

Não foi só o herói indígena Felipe Camarão quem nasceu e se criou próximo ao mar natalense e foi à luta em Recife. Um rabequeiro chamado Cláudio enxergou de antemão a fraqueza cultural da cidade de Cascudo e buscou oportunidade onde há. Em terras pernambucanas, conheceu o folguedo Cavalo Marinho, o som da rabeca de Siba, Antônio Nóbrega, as cirandas, a cultura popular da região e fez carreira (nos dois sentidos).

Cláudio mergulhou na cultura pernambucana e saiu enlameado. O mar de Pernambuco é mangue. Mar mesmo, do sal da gema, só em Ponta Negra, onde nasceu e guarda saudades. E essa mistura de costumes rende um suco de cajarana com baião-de-dois. O baião, aliás, é o mote do CD Luz do Baião. E a rabeca, a atriz que rouba a cena.

O CD resgata o baião esquecido pelo forró e traz o diferencial do som desbotado da rabeca – som que parece brotar das terras da Zona da Mata Norte pernambucana –, em diálogo íntimo com a sanfona, o violão de sete cordas, a flauta transversal e o clarinete. Ainda o bozó de sete cordas e iniciações no coco – de origem potiguar, e o maracatu, típico de Recife.

A voz de Cláudio Rabeca parece sintonizada ao seu instrumento. É foz de forrozeiro, daqueles verdadeiros, tradicionais. As letras passeiam pela poesia. Bebem das cirandas, dos costumes e folguedos populares. Tem um quê de melancolia ao abordar as simplicidades e durezas de pescadores, dos catadores de caranguejo... “Um homem e um caranguejo, comendo o mesmo sobejo”, diz a canção intitulada Josué.

Se Cláudio compõe a música Trovão Azul no Frevo, também escreve Cajarana, onde fala da relação com o sertão potiguar. “Ouvia as histórias de um tio caçador (Zé Ribeiro) sobre a Serra da Cajarana, em Santana do Matos”, conta. A música diz: “Vento já trouxe o som de coisa assombrada. É noite de fulôzinha, caipora de madrugada. Tacacá, peba ou gato maracajá. Cachorro que acua cabra, não presta para caçar”.

Cláudio é desses potiguares sequer conhecidos em sua terra. Ele mesmo sabe apenas de Babal e Khrystal, “a quem tiro o chapéu”, diz. O rabequeiro segue no Recife prestigiado pelo governo pernambucano. Toca no Cavalo Marinho Estrela de Ouro, da Cidade de Condado. Quem conta a história é o próprio:

Entrevista – Cláudio Rabeca

O mar de Natal tem a mesma cor do maracatu recifense? Ambas estão bem presentes em suas composições...
O mar do litoral do RN tem muita beleza, assim como o maracatu pernambucano. Morei uns 16 anos em Ponta Negra, onde vivenciei as pescas por arrastões e tantas outras coisas. A música Sábio Pescador me remete a esta paisagem. Toco há oito anos no Maracatu Nação Estrela Brilhante, por isso a vontade de gravar a música Rei Bantu, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, que foi gravada originalmente em 1950. Na minha versão convidei Mestre Walter para cantar comigo, grande amigo e mestre de Maracatu de Baque Virado.

Recife rima com rabeca? Pernambuco rima com oportunidade? Por que você saiu de Natal?
Recife rima principalmente, com cultura popular. A rabeca aqui é muito forte devido a nomes como Siba e Antônio Nóbrega que beberam na fonte do folguedo Cavalo Marinho, onde a Rabeca tem grande importância. Pernambuco virou vitrine cultural. Aqui a cultura popular é imensa e influencia muita gente. O governo não é besta, por isso os investimentos em cultura aqui são bons. O problema é que tem muita gente boa fazendo música, deve ser difícil dar oportunidade pra todo mundo. Meu CD Luz do Baião, foi patrocinado pelo governo do estado, em edital anual. Sem esse tipo de apoio, nunca poderia ter realizado um produto com tanta qualidade. Quando sai de Natal, passei a valorizar mais nossa cultura nordestina, sentia muita saudade e queria voltar, mas sabia que Recife era melhor de oportunidades na música, por isso a escolha.

Depoimentos sobre a ida do DN à ZN

Achei mais interessante dar vitrine aos comentários bacanas a respeito do texto abaixo. Gabi, Ana Paula, o grande Lívio e Renatinha Moura, a esta última, meus agradecimentos. Juro que nem desconfiava que me conhecia antes de entrar no jornal, Renata (rs). Fiquei encabulado. Valeu, mesmo!

Lívio Oliveira: Belíssima crônica, amigo! E...vida longa ao Diário de Natal e ao Diário do Tempo!

Gabi Freire: É um misto de tudo isso, tristeza e alegria, saudade e medo. A mudança para o novo prédio é a transição material da mudança que passamos há quase um ano. Mas isso não signifca que vamos enterrar as ótimas lembranças que reunimos por aqui. O prédio fica na av. Deodoro (por pouco tempo), mas a história já feita vai com a gente (os responsáveis pela nova) não importa aonde estejamos. A situação que você descreveu é como um velório no qual velhos amigos se encontram. Rir ou chorar?

Ana Paula: Também sinto saudades das saudações de Seu Arino e principalmente do caual "O quê?" de Roberto Machado. Mas acho que a modernidade não passa por cima da história. A ela se soma para continaur construindo o que a gente um dia vai ver que também virou hitória. Belo texto. Me emocionou.

Renata Moura: No primeiro período da UFRN virei assídua frequentadora da hemeroteca do setor V. Corria pra lá nos intervalos ou não. Simplesmente ia. Foram lá os meus primeiros contatos com o Diário, com o Poti, depois de uma vida inteira, influenciada por meu pai, só lendo a Tribuna. Foi na hemeroteca que comecei a ler suas crônicas no domingo e me apaixonei por seu texto. No quinto período entrei como estagiária no DN. Sentei numa cadeira cujo dono não estava. Era sua cadeira, mas eu não sabia. Ao sair ara uma de minhas primeiras pautas na rua, vi um rapazinho louro, baixinho, com cara de quem trabalhava no setor de informática. Era vc. Pedindo carona pra ir pra Fiern. Só no caminho descobri seu nome. E me enchi de felicidade por conhecer um ""ídolo''. Sérgio, até hoje essa admiração pelo q escreve existe. Porque dificilmente alguém me faria ter vontade de chorar com um texto, às 3h53 de uma madrugada de insônia braba, depois de um pescoção de sexta-feira. Um pescoção na Tribuna e não mais no Diário. Tenho certeza de que se nesta sexta-feira, 26 de março, se eu estivesse no velho DN da avenida Deodoro, estaria cheia de saudade e de tristeza. Com os jornais sendo jogados, com as lembraças que ficarão pra sempre da maior escola de jornalismo que eu tive. Lembro também do jeito de cumprimentar de Seu Aurino. Tinha vergonha de cumprimentá-lo as vezes. Mas me olhava com um sorriso tão simples e eu não resistia. Soltava um oi quase inaudivel e ficávamos quites. Seu Aurino, Zanzo, seu Machado, Marlucinha, vc..Não dá pra contar quantas figuras marcantes encontrei pelos corredores nos meus quatro anos de vida dedicados com todo o amor possível para um jornalista ao DN. Estranho né? vcs começam a trabalhar pra valer na nova sede em março. Mesmo mês em q houve reviravolta dificilmente sonhada por algum de nós. Vcs vão começar a trabalhar a dois passos da minha casa. E eu, da janela, olhando. Não com saudade. Porque minhas lembranças ficarão na avenida Deodoro. Mas cheia de curiosidade em relação à estrutura nova e ao futuro.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

E o DN segue para a Zona Norte

O clima na redação nem está melancólico, triste. A foto de despedida mostrará semblantes alegres à posteridade. Minha impressão é de que ninguém percebeu o momento histórico, de mudança do Diário de Natal, da sede de tantas batalhas travadas, para a Zona Norte - um prédio suntuoso, moderno, com cara de novidade.

Lá embaixo, as pilhas de jornais do arquivo são levadas em caminhões. Jogam as coleções sem nenhum sentimento. Parecem coveiros enterrando caixões. Se soubessem o valor daquelas peças... Outros adentram suas salas como em dias comuns, indiferentes ao momento.

Soube agora que "Seo" Arino veio ontem se despedir do prédio em que trabalhou 50 anos. Acho que Seu Arino guarda o mesmo sentimento meu. Claro, tenho lá apenas seis anos de vida - uma criança ainda de muitos porques. Mas nasci aqui e ainda me crio por aqui, já com alguma rebeldia adolescente, alguma maturidade adulta e muito o que aprender. Ainda me vislumbro como uma criança.

Vendo os caminhões em idas e vindas levando material, armários, jornais, tenho a sensação de estarem transportando história. Seguem ali a alma da Rádio Poti, o idealismo de Djalma Maranhão, o pioneirismo de Luiz Maria Alves, o sarcasmo saudoso de Machado, vitórias e derrotas de tantos que vestiram a camisa do jornal...

Domingo estarei lá, no prédio com semblante de progresso. No plantão, estrearei as primeiras matérias elaboradas a partir da nova sede. A galera está animada, mesmo pela distância incômoda. Eu também. Mas o que fica é esse sentimento de nostalgia - aquela saudade dolorosa.

Segue pra lá uma galera nova, competente, cheia de energia e vontade de tocar pra frente a jangadinha do jornal impresso, frente aos saveiros e navios da internet. Mesmo os mais antigos, em novas funções, parecem renovados em suas aspirações. No todo, é um projeto ousado, bem encaixado com a modernidade e proposta do novo espaço.

Mas o progresso que atropela memórias parece antagônico à simplicidade. Vou sentir falta. E desconfio que lá não caberia a cena cotidiana de chegar à redação, acenar com apenas um "digaê Seo Arino", e ele responder, de supetão: "Òpa, tudo na santa paz de Deus!". Era o começo do meu dia...

Tuitando com Alex Medeiros

alexmedeiros59 Num país de 190 milhões de almas, 10 milhões estão no Twitter e 75 milhões telefonam numa noite para o Big Brother.

Tuitando com Raíssa Tâmisa

raissatamisa enchi os ói d'água lendo a oferenda do novo livro de François,"Esmeralda". Tô arrepiada até agora! Sacanagem é q ele n me deixou ler mais.

Entre tapas e beijos humorísticos


Materiazinha leve pra sexta-feira, que fiz para o Diário de Natal. Grande figura esse Nairon...

Nairon Barreto é velho conhecido do público natalense. Na pele do personagem Zé Lezin, ganhou a tela da Globo, junto a Chico Anysio e aos alunos da Escolinha do Professor Raimundo por seis anos. Desta vez, Nairon vem acompanhado do humorista Jason Wallace – também um tipo escrachado de Cinderela que apareceu por estas bandas para contar a história que a sua mãe não contou. A dupla apresenta, de hoje a domingo (20h), no Teatro Alberto Maranhão, o espetáculo Em Briga de Marido e Mulé, Ninguém Mete...

Não, não tem colher no meio. O aforismo pela metade propõe o duplo sentido, bem explicado durante o espetáculo. Zé Lezin e Cinderela formam um casal enxaqueca que vive eternamente entre tapas e beijos – mais tapas do que beijos. De um lado, o marido só pensa na posição mais cômoda para tirar um cochilo; do outro, uma mulher mandona que fala alto e diz muitas besteiras. No palco, situações hilárias e espaço aberto para improvisação e interatividade com a platéia.

Se no palco a briga é feia, com direito a todo tipo de baixaria, fora do teatro o casamento artístico entre o paraibano Nairon Barreto e o pernambucano Jeison Wallace é perfeito. O sucesso na carreira de ambos foi conquistado por intermédio de trabalho de pesquisa e vivências para montar personagens caracterizados com costumes e trejeitos do povo nordestino. “Por isso o povo se identifica tanto com a Cinderela, porque foi o povo que me deu matéria prima para construí-la”, disse o humorista.

Segundo Nairon Barreto, o espetáculo volta a Natal a pedidos, após temporada há três anos na cidade. “O show mostra os problemas de um casal pobre a partir dos novos tempos. Trazemos esses problemas comuns do dia-a-dia, sendo o marido desempregado e a mulher, que hoje quer a igualdade, sustentando o marido e reclamando o tempo todo. Ela, trabalhadora, decente, honesta. Antes, a situação era a inversa”, conta Nairon. O espetáculo também está em curta temporada em São Paulo e irá virar DVD ainda este ano, segundo o humorista.

Entrevista Nairon Barreto (Zé Lezin)

São 25 anos de Zé Lezin. A figura do matuto nordestino mudou de lá pra cá?
Tem mudado junto com a globalização. O matuto perdeu aquele estereotipo do interior. Antigamente não tinha a comunicação de hoje. Ele não sabia qual a sintonia da moda e usava sua sandália de rabixo, um conjunto de mescla azul, o chapéu deitado na venta pra proteger do sol. Hoje a informação chega uma em cima da outra. Vejo casa com parabólica colocada no jardim porque o telhado não aguenta. O jumento não tem mais serventia. O gado é tangido de moto. O matuto não viaja mais de pau-de-arara ou de ônibus; agora é de avião, com passagem dividida em 12 vezes. Na internet ele consegue se expressar sem passar vergonha. Em toda cidade há uma Lan House, algumas escritas “Lã” House. Também acabaram os caixeiros viajantes. Pelo computador já se repõe o estoque. Então, o matuto está desse jeito, mas ainda encontramos algumas pérolas. O sujeito que passou dos 40 anos no mato, continua sendo matuto porque não absorveu ainda a novidade da comunicação. Mas os mais jovens, tanto faz ser de Pau dos Ferros quanto de Nova York. É o mundo novo. E meu trabalho é continuar mostrando aquele mundo de ontem traçando um comparativo com o de hoje.

O sulista entende bem o personagem sem que pareça uma caricatura preconceituosa do povo nordestino?
Existe preconceito, não podemos negar. Mas é uma fatia pouca da sociedade. E vem de muito tempo atrás, quando eles tinham medo dos empregos tomados. Hoje, o maior Nordeste que existe no Brasil vem de lá. É quase meio a meio. E a maioria dos jovens são filhos de nordestinos. Quando o europeu veio para colonizar, ele queria cortar mato? Sobrava para o nordestino, que foi também para a Amazônia... Até na Guerra da Farroupilha (no Rio Grande do Sul) foi um pelotão da paraibana dos grandes responsáveis pela vitória. E o cearense está em todo canto do mundo. Mas a única maneira de vencer esse preconceito é com talento. Se eu quisesse ter me estabelecido lá, não faltaram convites. Mas adoro isso aqui. Prefiro o interior que aquela neura paulista. Já deixei de cumprir compromisso de show por causa do trânsito. Deus me livre viver ali.

Você já fez show com causos adaptados ao futebol. Em ano de Copa do Mundo, virá coisa nova por aí?
Vamos sim, readaptar o texto. Vamos aproveitar para mostrar como o brasileiro é preguiçoso. No ano passado trabalhamos 180 dos 350 dias de trabalho. Imagina aí esse ano, vai ser pior. Quando acabam as férias, emenda com o carnaval. Vem semana santa que não é mais santa, os feriados de quinta que imprensam a sexta. Vem o São João e em cima, a Copa do Mundo. Então, vamos comparar como era antigamente. Como eram os meios de comunicação? Vamos mostrar que este ano vamos trabalhar ainda menos que o ano passado, claro, com muito humor, porque nosso papel é fazer a povo rir e se divertir.

Em briga de marido e mulé, ninguém mete
Quem: Com Zé Lezin e Cinderela
Onde: Teatro Alberto Maranhão
Data e hora: De hoje a domingo, sempre às 20h

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Orquestraram armadilha contra o Governo

Esse atraso no pagamento do salários da Polícia Militar e do Ministério Público me cheira a tramoia. E das brabas. Primeiro: nunca ocorreu isso. Segundo: como pode parlamentares - a maioria experiente, infelizmente - transferir recursos dos royalties do petróleo e do Proadi para o pagamento? É inconstitucional! Eles sabiam disso, que a grana ficaria travada e resultaria nessa revolta generalizada na classe. Ora, são 60 mil policiais. Definem uma eleição. E eu sempre digo: capa de jornal não tira voto de ninguém, mas mexa no salário que a conversa é outra.

Para driblar a artimanha orquestrada pela oposição, o governo enviou proposta de complementação orçamentária à AL alterando a fonte dos recursos para conseguir efetuar o pagamento dos servidores da PM e MP. Resumindo: o governo achou brecha jurídica para resolver o problema hoje e encontrar os meios legais dias depois. Ou seja: o feitiço virou contra o feiticeiro. Depende da AL, agora, se mantém ou rejeita os vetos do governo ao Orçamento Geral do Estado. Os projetos de lei encaminhados pelo governo à AL propõe abertura de crédito suplementar da ordem de R$ 506 milhões, distribuídos entre a PM e MP. O governo fez sua parte.

Quem lamenta sou eu, presidente


"Desta vez, Lula chegou a Havana no fim da agonia de Orlando Zapata Tamoyo, de 42 anos, um bombeiro hidráulico e prisioneiro de consciência. Após 85 dias em greve de fome, ele morreu. À noite, no necrotério, sua mãe, Reina, deu um breve e comovente depoimento, uma indignação dolorosa e profunda. “Eu digo ao mundo. Esta é a minha dor. Meu filho foi torturado durante todo o período em que esteve preso. Foi assassinado”."

Do escritor e jornalista Samarone Lima, autor de Viagem ao Crepúsculo - um verdadeiro raio X do cotidiano dos cubanos. Para ler o texto inteiro, clique AQUI.

Fátima Bezerra e o Crispa em Brasília

Eita, que o blogue abre espaço hoje para o poder oficial. Mas há que ceder espaço quando merece. Desta vez é à deputada Fátima Bezerra e ao diretor-presidente da Fundação José Gugu (FJG), Crispiniano Neto. Ambos estiveram ontem no Ministério da Cultura (Minc) para acertar encaminhamentos de quatro projetos de fomento à área cultural em terras de Poti. Para a realização dos projetos, o ministério vai liberar cerca de R$ 1 milhão, resultado de emendas apresentadas pela deputada.

Um dos projetos é o 1º Encontro de Bandas do RN que vai reunir 140 bandas de música do estado. O objetivo é resgatar a apreciação das bandas de música pelos potiguares. Outra ação é o projeto Oficinas-Instituto Musical Waldemar de Almeida que vai realizar 35 oficinas de música para 875 músicos e produtores musicais do Estado.

Também tem o Carreta-palco que vai garantir a circulação de expressões artísticas em todo o Estado. A carreta-palco é uma espécie de palco ambulante que vai rodar nas cidades que não dispõem de espaços culturais institucionalizados. “A idéia é levar atividades culturais para cidades que ainda não possuem um teatro sequer”, ressaltou Crispiniano. A carreta-palco será estruturada com sonorização, iluminação e cenário.

Além desses, tem o projeto Festival Agosto de Teatro que será realizado de 5 a 14 de agosto, em Natal. Para a realização do Festival, a FJG vai às cidades do interior ouvir os fazedores de teatro a fim de construir, coletivamente, o evento. Como projeto básico, está prevista a participação de 20 grupos teatrais do Estado. Durante o evento serão realizadas oficinas técnicas, como maquiagem, iluminação, entre outras. O Festival acontecerá em diferentes espaços da capital e será encerrado com um grande espetáculo.

Quanto ao empenho da deputada Fátima na realização dos projetos, vem o melhor: Crispiniano destaca que “esta será uma oportunidade de realizar alguns projetos que vínhamos tentando, mas não conseguíamos fazer só com o orçamento da Fundação. Quer dizer: o Festival Agosto de Teatro ficaria sem o apoio do Estado este ano? Imagine os projetos que não renderam mídia nem foram lá tão bem sucedidos...

Fala Sério

A Funcarte promove mais um encontro do Projeto Fala Sério. O projeto, que faz parte do Núcleo de Artes Visuais da Funcarte, trás artistas convidados para um descontraído bate papo sobre artes visuais com estudantes, pesquisadores, críticos, curadores e interessados

O encontro acontecerá hoje e amanhã no auditório da Capitania das Artes, às 19h. Participam desta edição os artistas Solon Ribeiro, Márcio Harum e Leandro Garcia, que integram a comissão de seleção do 13º Salão de Artes Visuais da Cidade do Natal.

Hoje, o projeto Fala Sério será com o cearense Solon Ribeiro. Solon é artista visual, professor e curador, formado em comunicação e arte pela L’ecole Superieure Artes Décoratifs, em Paris, 1990. O artista também é autor dos livros Lambe-Lambe Pequena História da fotografia popular e O Golpe de Estado.

Amanhã, será a vez do pesquisador e artista Mário Harum e do artista potiguar Leandro Garcia. Leandro foi o artista selecionado durante o processo de inscrição desta edição do salão, para integrar a comissão de seleção. Márcio Harum atua em São Paulo como produtor do Festival Brasil que é realizado pelo Sesc. Já trabalhou como produtor executivo da 1º Bienal Del Fin Del Mundo, na Argentina e como curador bolsista na Galeria Frankfurter Kunstverein pelo programa Deutsche Borse na Alemanha.

Entendendo a língua portuguesa


Presidente da Funcarte acredita na presença de Saramago em vídeo-conferência durante encontro literário

Aos poucos, o novo encontro literário promovido pela prefeitura de Natal para substituir o Encontro Natalense de Escritores (ENE) começa a tomar forma. As definições do projeto estão em andamento ou sob sigilo absoluto. O presidente da Capitania das Artes, Rodrigues Neto, adiantou algumas novidades, antes da montagem completa do evento e conseqüente coletiva para divulgação. Entre elas, a ideia de articular uma videoconferência com Saramago – único escritor de língua portuguesa vencedor de Prêmio Nobel de Literatura.

Segundo Rodrigues Neto, o orçamento para o encontro já foi definido. “Será aproximadamente metade do valor investido no ENE”, adiantou. A redução de custos será conseguida pela parceria com a União das Cidades de Capitais Lusófonas (Ucla). São 33 ao todo, espalhadas pelo mundo. E Natal é uma delas. No caso do encontro, a Ucla patrocinará os custos de viagem e hospedagem dos convidados internacionais do evento. “Pagaríamos apenas os custos dos escritores nacionais”, frisa o presidente.

O comunicado foi feito a todos os convidados. “Alguns já confirmaram. Não todos. Mas temos boas perspectivas de trazer Saramago para uma vídeo-conferência”. Rodrigues Neto havia adiantado a confirmação do angolano Eduardo Agualusa e do baiano João Ubaldo Ribeiro à coluna Diário do Tempo, publicada aos domingos neste jornal, assim como os dias do evento: 29 e 30 de março, e 1º de abril, já com pauta reservada no Teatro Alberto Maranhão – informações ratificadas pelo presidente.

Quem está por trás dos contatos com os escritores de língua portuguesa são o saxofonista Carlos Martins, o assessor especial para assuntos internacionais do governo da Bahia, Nestor Sobrinho, e o português Miguel Alacoretta, membro da Ucla. “Carlos é bem relacionado com Agualusa e Saramago, e Nestor e Miguel têm nos ajudado muito nesses contatos e na logística para trazer esse pessoal”.

Rodrigues Neto também disse estar em formação uma curadoria para o evento. O folclorista Deífilo Gurgel e o jornalista Vicente Serejo são alguns dos nomes a serem convidados. A coordenação do evento ficará sob responsabilidade da secretária municipal de Relações Institucionais e Governança Solidária, Iraci Azevedo (que também coordenou a montagem do Natal em Natal) e algum representante da Funcarte a ser definido. Segundo Rodrigues Neto, a produtora cultural e hoje chefe do Núcleo de Artes da Funcarte, Cida Campello, pode ser o nome indicado.

Rodrigues Neto também confirmou a ideia de trazer o tropicalista Gilberto Gil como única atração nacional para os shows. “O restante serão artistas locais e internacionais. Aliás, o evento pretende formar esse intercâmbio entre o artista de língua portuguesa e o natalense, seja na música ou nas letras”.

Revista, livros e comunicação
Pelo menos dois livros prometem ser lançados durante o evento. O primeiro é da pesquisadora Nathalie Câmara. “É uma espécie de tradução; uma autobiografia de Nísia Floresta. Fiz um convite informal a Nathalie, que é minha amiga. Espero que ela aceite e também participe de uma das mesas de debate para discutir a obra de Nísia, que neste ano completaria 200 anos (em 12 de outubro) se estivesse viva”, disse Rodrigues Neto.

O segundo livro será (ou seria) sobre um compêndio organizado e pesquisado pelo folclorista Deífilo Gurgel durante mais de dez anos a respeito do romanceiro potiguar. Mas o próprio Deífilo disse ontem nunca ter sido procurado para tal e que o livro demorará pelo menos mais um ano para ficar pronto. “Agradeço a boa vontade da Capitania, mas faltou comunicação”. A própria Nathalie também disse desconhecer o convite.

Quanto à revista cultural da Capitania, programada para ser lançada no ENE com o nome de Ginga, agora depende do apoio da secretaria municipal de Comunicação para ser lançada durante o encontro literário. Segundo Rodrigues Neto, o titular da pasta, Jean Valério, já foi comunicado a respeito. “Iremos nos reunir, juntamente com Andréia Motta (adjunta da Comunicação) para tratar do assunto”,

Rodrigues Neto disse da impossibilidade de a Funcarte bancar o lançamento e regularidade da revista. “A Assecom tem à disposição cinco gráficas já licitadas. Será muito mais fácil fazermos em conjunto, sendo o material gráfico editado por lá”. O presidente afirmou ainda que a revista poderia ser lançada durante o ENE (no fim de novembro), mas o pagamento da equipe não estava garantido porque o orçamento não estava incluído no Plano Plurianual da Prefeitura e também faltou a licitação da gráfica.

“E quando entrei na presidência ainda peguei o abacaxi de duas gráficas brigando pela edição da revista, uma dizendo que tinha apresentado o preço mais barato... Então, eu fiquei no meio dessa história. Quero fazer tudo direitinho. Acho excepcional a ideia da publicação”, reclamou.

* Matéria publicada nesta quinta-feira no Diário de Natal

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Documentário polemiza as cotas raciais

O país do orgulho da miscigenação, apregoado por Gilberto Freire e Darcy Ribeiro, se deparou há alguns anos com uma questão espinhosa: a adoção de cotas raciais nas universidades. Se falar de racismo no Brasil já era tabu, falar de cotas, então, se transformou num daqueles temas sobre os quais é melhor nem iniciar conversa. A menos que estejamos em um grupo onde todos são favoráveis ou todos contrários. Aí, sim, dá para desabafar os inconformismos, de um lado e de outro.

É nesse clima de "assunto proibido", discutido só entre os pares, que os entrevistados do documentário Raça Humana, produzido pela TV Câmara, começam a desfiar o intrincado novelo das cotas. Durante três meses, a equipe que trabalhou no documentário acompanhou a rotina de uma das maiores universidades do país - a Universidade de Brasília - que de forma tão ousada quanto isolada adotou o sistema de reserva de vagas com recorte puramente racial.

No documentário, alunos cotistas e não-cotistas, professores, movimentos organizados, partidos políticos e representantes da instituição falam abertamente sobre o "tabu" das cotas raciais. Ao refletir sobre a reserva de vagas para negros no ensino superior, os entrevistados revelam que a discussão vai muito além: envolve o papel das universidades brasileiras; as falhas do sistema educacional; a questão da meritocracia nos vestibulares; o racismo e, principalmente, o papel do negro na estrutura sócio-educativa do país.

Cordel do Fogo Encantado chega ao fim

Li agora no site da Rolling Stone que o Cordel de Fogo Encantado acabou. O motivo maior, claro, foi a saída do vocalista Lirinha, em 1 de fevereiro. A notícia foi divulgada por meio de um comunicado oficial, escrito pelo produtor Antonio Gutierrez, publicado no site do grupo nesta quarta.

Ainda será lançado um registro do show realizado na praça do Marco Zero, em Recife, no dia 14 de fevereiro. Além disso, os agora ex-integrantes pretendem lançar um material de arquivo, que reúne trabalhos feitos durantes os 11 anos de existência da banda. Coisa de banda que acabou e quer levar uma grana extra. Sinceramente - e pra deixar muita gente com raiva -, esse cordel não me encatava nada.

Quanto dura o amor?

Nesta sexta-feira, o drama nacional Quanto Dura o Amor?, de Roberto Moreira, entra em cartaz no Cine Cult do Cinemark do Midway. Até 4 de março, sempre às 14h, e com o valor habitual de R$ 7 (inteira) e R$ 3,50 (meia). O filme conta a estória de três personagens que dividem um endereço no coração de São Paulo. Recém chegada do interior, a aspirante a atriz, Marina, mergulha na noite sedutora da cidade sem calcular riscos. A advogada Suzana vive uma paixão promissora, mas guarda um segredo que pode mudar tudo. Jay, um escritor esquecido, tenta achar uma brecha em um coração de acesso difícil. Entre elevadores, esbarrões e tropeços, eles vão descobrir quanto dura o amor, sem trocadilhos, please!

Tropa de Elite 2


A primeira imagem de Wagner Moura como Capitão Nascimento foi publicada nesta terça-feria (23/2) no blog da colunista Patrícia Kogut, do jornal carioca O Globo.

Em Tropa de Elite 2, o Capitão Nascimento está mais velho, divorciado e com um filho adolescente. A missão da corporação, desta vez, é combater os crimes das milícias e o envolvimento de pessoas poderosas com o crime.

A foto foi tirada no set de filmagens, mais precisamente na sala que representa o comando do Bope e o personagem aparece grisalho, seguindo a ideia de 15 anos que separam este longa do primeiro.

Com direção de José Padilha, Tropa de Elite 2 conta com Maria Ribeiro, Fernanda Machado, Selton Mello, Dudu Nobre e Seu Jorge no elenco. O longa tem previsão de estrear em 13 de agosto de 2010.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Encontro de tuiteiros culturais

Vejam só. Neste sábado acontece simultaneamente em São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Rio Branco, João Pessoa e Porto Velho o Encontro dos Twitteiros Culturais (ECT), onde os usuários vão discutir “Livros e Literatura no Twitter”. Os preparativos à realização do ETC em Brasília, Recife e Rio de Janeiro também estão em andamento. Em São Paulo, o encontro acontece na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, a partir das 16h30. O ETC nacional é coordenado por José Luiz Goldfarb, Ricardo Costa e Fernanda Musardo. Acontecesse aqui o evento, Thalita Moema estaria à frente da organização, "concerteza".

Entrevista - Marcos Silva

Obra literária e produção cinematográfica são analisadas à luz da história e da ciência social

Se a arte imita a vida, a resposta pode ser analisada sob diferentes ângulos, visões e manifestações artísticas. De certo, o cinema e a literatura são representações contemporâneas, retratos de suas épocas. Para o historiador e cientista social Marcos Silva – organizador do livro Metamorfoses das Linguagens (Histórias, Cinemas, Literaturas) –, a arte não imita a vida, mas enxerga nuances invisíveis ao cotidiano. A obra lançada hoje na Livraria Siciliano (Midway), a partir das 19h, procura explicar as temporalidades entre literatura e cinema sob a ótica de diferentes manifestações artísticas e contextualizações históricas. São textos de autorias humanistas diferentes na tentativa útil de explicar as interferências da obra cinematográfica – e o livro de origem – no mundo e a conseqüente troca de “favores” entre eles.

Entrevista – Marcos Silva

De que forma o livro tenta explicar a dicotomia entre cinema e literatura sob as bases sólidas da história?
O livro é uma coletânea. Cada colaborador analisa um filme baseado em uma obra literária, a transformação sofrida entre as duas linguagens. É habitual o leitor desejar a fidelização da obra literária na tela de cinema. Sabemos que há linguagem própria para cada uma e, às vezes, momentos históricos diferentes. Morte em Veneza, por exemplo: a novela (de Thomas Mann) foi escrita antes da 1ª Grande Guerra. Traz o aspecto do mundo em crise, se dirigindo à guerra. Já o filme (pelo diretor Lucchino Visconti), produzido em 1970, é lançado após as duas guerras mundiais. Traz um mundo modificado e prega outras coisas. Já Vidas Secas é um filme mais fiel ao livro, mas também de linguagem própria. Perceba que em uma cena há o som de um carro de boi sem que haja o carro de boi, apenas para metaforizar a situação animalesca vivida pelos personagens. Em um livro, isso nunca funcionaria.

De que forma a arte, seja na literatura ou no cinema, interfere no mundo? No caso de Morte em Veneza, por exemplo...
Interfere refletindo o momento. A cidade descrita pela novela vive a Belle Époque, a confiança no progresso, na ciência. Mostra o esplendor, mas apresenta também o perigo rondando com a iminência da eclosão da 1ª Guerra Mundial. Não é à toa, o filme se passa em Veneza – uma cidade belíssima, mas construída sobre o mangue e com a peste se instaurando, ou seja: um mundo belo, mas em perigo. Quando o filme foi produzido em 1970, as duas guerras haviam passado. Penso que o filme revisita a advertência de que o mundo continua em perigo. O filme fala do passado, enquanto a novela retrata o presente. Tanto a novela quanto o filme possuem historicidade própria e interferem no mundo à sua própria maneira. O romance Vidas Secas (Graciliano Ramos) fala da extrema pobreza rural, que em 1938 era maioria. O filme, de 1960, falava da mesma exploração da pobreza, embora a população fosse em maioria urbana.

O diretor transferiu a época e manteve a essência...
Em Blow-Up (filme de Antonioni baseado no conto de Julio Cortazar) é ambientado originalmente em Paris, a então cidade da Belle Époque, de vanguarda. Mas o diretor transferiu as filmagens para Londres, que em 1966 representava o novo, o grande centro da moda, das modelos lindíssimas, das primeiras mini-saias, mas da sociedade com grande dificuldade de comunicabilidade. Por um lado, a vanguarda, a beleza. Por outro, a dificuldade de se entender. É uma beleza vazia, sem sentido. Então, o diretor se vale de liberdades poéticas e artísticas. Não para ser infiel à obra literária, mas pela necessidade do fazer artístico.

E com qual intensidade e alcance essa arte interfere no mundo?
A maior parte da população tem pouco acesso à alta arte. O cinema é caro e isso representa uma grande barreira. Claro, a educação pode ajudar nisso. Mas as pessoas que consomem grandes filmes, romances, poesias são mais sensíveis, têm mais facilidade de entendimento do mundo e são mais capazes de fazer escolhas.

Houve outro critério para escolha dos filmes analisados afora o da referência literária?
Os critérios foram livres. O livro nasceu a partir de debates organizados por mim no Sesc Pompéia, em São Paulo. Cada convidado escolhia um filme e comentava a respeito. Dessa forma, o livro é marcado pela diversidade. Há filmes brasileiros, hispano-brasileiro, norte-americanos, russo, japonês, francês, ítalo-britânico e uruguaio. Esses filmes são diálogos entre seus diretores e os escritores nos quais se inspiraram: Yakov Protazanov/Aleksei Tolstoi, John Ford/John Steinbeck, Orson Welles/Franz Kafka, Nelson Pereira dos Santos/Graciliano Ramos, Glauber Rocha/Regionalismo Literário Nordestino, entre outros.

Metamorfoses das Linguagens (histórias, cinemas, literaturas)
Coquetel de Lançamento
Data e horário: Hoje, a partir das 19h
Local: Livraria Siciliano (3º piso do Shopping Midway)
* O evento contará com apresentação de músicas de filmes relacionados a textos literários (vozes de Marcos Silva e violão de Paulo Marcelo).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

De Marcos Silva e os tipos intelectuais


Conversei, na manhã de hoje, com o historiador e cientista social Marcos Silva. Se já era fã do modo elegante de jogar o difícil jogo do conhecimento sem demonstrar arrogância, fiquei ainda mais. Marcos é daqueles intelectuais natos. Se não sou um, sei reconhecer um. Mesmo de pouca experiência como repórter, já entrevistei um bocado. E há os tipos.

O primeiro tipo é o pior: os arrogantes extremamente didáticos. Eles sabem que são os fodas. E do alto da petulância, descem do seu pedestal com extremo prazer para pisar o chão do repórter e se igualar a ele para ser melhor entendido. Se explicam demais. Geralmente usam muito o braço em gestos cenográficos. Usam clichês, aforismos, metáforas para se fazerem compreendidos em seus raciocínios e teatros do absurdo.

Há também os arrogantes inseguros. Estes são mais espontâneos, mais igualmente idiotas. Se valem dos estudos, pesquisas, seminários, currículos acadêmicos aos montes para cuspir palavras impublicáveis à linguagem jornalística, sabidamente compreensível a qualquer leitor. E lambem os beiços ao massacrarem o repórter ao fazer uso da única ferramenta de que conquistaram ao longo de décadas: o conhecimento teórico.

Claro, há também os pseudos-intelectuais, sob duas divisões: os que já se acham intelectuais e os que buscam o inútil status. Os primeiros, claro, conseguem passar ilesos por muitos debates e entrevistas sem escorregos. Até demonstram alguma segurança nas respostas. Mas basta uma pesquisa no Google e muito da teoria explicada cai por água abaixo. O segundo é aquele que quer entender de tudo e não entende de nada. É mais ou menos o estereótipo de muitos jornalistas.

O intelectual clássico, diria até ideal, é parecido com o Marcos Silva. Nem foge nem busca a mídia. Atende com simpatia, se procurado. Recebe as perguntas, idiotas ou perspicazes, com a mesma desenvoltura. Isso porque sabe o posto conquistado após décadas de trabalho intelectual. E sabe que essa foi a sua opção de vida, e não a do colega ao lado. Sequer se esforça para parecer didático. Apenas o é. Sabe que as palavras difíceis servem ao academicismo, até à literatura. Se cala se o repórter não pergunta. Complementa se falta algum questionamento necessário.

Há ainda uma espécie de derivação do intelectual clássico. É o intelectual desleixado. São aqueles poetas malditos, escritores boêmios, aqueles de jeito bonachão ou até recolhidos em seus refúgios mentais. Lembrei de François Silvestre. Ele disse algo semelhante no prólogo de Remanso de Piracema. Lembrei também de João Gualberto, este, encaixado nos tais refúgios, como se vivesse em um mundo a parte...

Marcos Silva é diferente de François e João Gualberto. Foi o que achei. François rejeita a alcunha de intelectual. Marcos, não. E nenhum está errado. O primeiro, se acha melhor em um bar, com amigos. O segundo, na universidade, com alunos. São opções, filosofias de vida. Questão mesmo de prazer em beber, papear; em aprender, ensinar. Ambos os tipos são leitores vorazes e guardam uma senhora bagagem nas costas. E se abrir a mochila, tenha certeza, não encontrarão nenhum caviar ou avatar.

OBS: Nesta terça-feira sai publicada breve entrevista com Marcos Silva, no Diário de Natal, a respeito do excelente livro Metamorfoses da Linguagem, a ser lançado na Siciliano na mesma terça, às 19h.

Resposta de Cláudia Magalhães à Funcarte

Resposta da dramaturga e atriz Cláudia Magalhães às declarações do presidente da Funcarte, Rodrigues Neto, ao Novo Jornal:

1- Rodrigues disse quanto ao ENE, atual ELE: “se houve negligência, a culpa foi da própria Cláudia Magalhães”. Ora, se eu era a coordenadora geral do evento, acredito que eu era a principal interessada em que o mesmo acontecesse e que fosse um sucesso. Ademais, como coordenadora, não tinha o poder para liberar dinheiro, fazer empenho ou poder político algum, quem os tinham ou têm são justamente, o presidente da FUNCARTE, Rodrigues Neto e a Prefeita, Micarla de Sousa.

2- Rodrigues Neto afirmou que “ao assumir a presidência do órgão, dei carta branca para Cláudia Magalhães seguir no projeto do ELE”. Se eu tivesse “carta branca” o ENE teria acontecido em novembro de 2009, não teriam nem tempo para mudar de letra!

3- “Rodrigues Neto confirmou o ELE para os dias 29, 30 de abril e 1 de maio no Teatro Alberto Maranhão”, contudo a classe artística não sabe disso e a divulgação fraca atesta a falta de comunicação entre a FUNCARTE e os artistas. Quais os nomes dos escritores locais já convidados? Serão mantidos os nomes já confirmados para o evento ou eles também serão negligenciados pela FUNCARTE? Houve algum conselho pra a escolha dos nomes? O conselho anterior (Carlos Fialho, Petit das Virgens, Margot Ferreira, Lívio Oliveira e Isabel Vieira) também foi negligenciado pela presidência da FUNCARTE?

4- Rodrigues diz que “Cláudia passou quase dois meses sem aparecer na capitania”. Ora, se foi assim por que não fui exonerada logo no primeiro mês de ausência? No fim das contas, eu pedi exoneração, assim como outros que não concordaram com a nova política da FUNCARTE. Mas a frase de Rodrigues é reveladora. Então ele aceitaria ou aceita na sua equipe pessoas que ficam dois meses sem aparecer? Interessante sabermos disso.

5- Rodrigues disse que tentou entrar em contato comigo. Ridículo. Meu e-mail e telefone estão na agenda do gabinete da FUNCARTE e na SEPLAN. Além disso, todo o mundo artístico cultural tem os meus contatos, inclusive o próprio presidente da FUNCARTE. Afinal, Rodrigues telefonou do número da presidência para o meu celular na noite de 16 de novembro de 2009 para pedir o telefone do meu marido, o jornalista Cefas carvalho. A conversa dos dois está registrada no blog de Cefas (www.cefascarvalhojornalista.blogspot.com) em postagem no dia 17 de novembro de 2009. Para completar eu e Rodrigues fazemos parte da comunidade social da internet, o orkut, também um excelente maio de comunicação. Como muitas pessoas da sua equipe pode testemunhar, passei tardes inteiras em seu gabinete na esperança de ser atendida.

6- Rodrigues disse: “Ela sequer enviou e-mails para os escritores” Fiz bem melhor que isso, telefonei para os escritores informando a mudança do nome e da data e a confirmação de seus nomes no novo evento. Ficou acertado em reunião que eu não passaria e-mails e sim telefonaria para os escritores. Nesta reunião, além de mim e de Rodrigues Neto, estavam presentes o então presidente da FUNCARTE e já demissionário, César Revoredo, o chefe do departamento de atividades culturais, Josenilton Tavares, e o então assessor de comunicação, Dionísio Outeda.

7- Com relação aos concursos Câmara Cascudo e Othoniel Menezes, Rodrigues disse que “os editais dos concursos estão prontos e no início de março vamos convocar uma coletiva para divulgar as datas dos editais”. Os editais já estavam prontos desde setembro de 2009 e deveriam ter sido lançados em outubro/novembro do mesmo ano para que em março de 2010, no Dia da Poesia, fossem divulgados os vencedores, como foi prometido pelo então presidente César Revoredo, e pela prefeita Micarla de Sousa. Coletiva para divulgar os editais? Ridículo. Não há nenhum mérito nisso, esses concursos já são realizados há mais de vinte anos e com grande sucesso! Aliás, os concursos poderiam ser viabilizados com uma pequena fração dos recursos gastos no duvidoso Natal em Natal.

8- Sobre a revista GINGA, Rodrigues Neto não deu previsão. “Só vou lançar, quando tiver dinheiro para pagar e mantê-la”. Bem, as palavras de Rodrigues Neto atestam quase tudo que eu escrevi na carta e revelam a triste realidade da política cultural natalense!

Nada de Nísia Floresta no ELE

A despeito do que escrevi em minha coluna impressa no Diário de Natal e reproduzida mais abaixo, recebi agora um desmentido da jornalista Eliade Pimentel a respeito do lançamento do livro de Nathalie Câmara sobre Nísia Floresta, durante o Encontro Lusófono de Escritores. Então, das duas, uma: ou o presidente da Funcarte ainda não comunicou a intenção da publicação do livro à pesquisadora, ou mentiu.

Segue o email de Eliade:

"Sou amiga pessoal de Nathalie Bernardo Câmara, pesquisadora e jornalista, e posso assegurar que não existe nenhuma biografia de Nísia Floresta a ser lançada em ENE ou ELE algum dessa cidade. Chequei essa informação com a própria autora da pesquisa, que teve o sobrenome suprimido na sua nota da coluna de domingo, no entanto, pude supor que se trata da mesma pessoa a que me refiro devido ao assunto em pauta: Nísia Floresta.

Nathalie tem de fato uma completa pesquisa a respeito da feminista potiguar,
mas se trata de um roteiro para um documentário. Aliás, sobre este mesmo assunto,
fiz matéria alguns bons anos atrás, para o Jornal de Hoje.

Grata pela atenção,

Eliade Pimentel

Cinema na Zona Norte

Está confirmado: o Norte Shopping bateu o martelo e abre cinco salas de cinema da Rede Moviecom no início do segundo semestre deste ano, no segundo piso do shopping. De certo irá diminuir a demanda do Cinemark do Midway e democratizar a cultura cinematográfica à população da Zona Norte, seja com a chamada alta cultura (imagino e torço que haja sessões destinadas à tal) ou o cinema de entretenimento. E com o DN nas proximidades, ô beleza!

Aula cultural na UFRN

Nada de trotes ou caras pintadas – não aqueles do impeachment de Collor – nas ruas da cidade. A recepção aos novos alunos da UFRN será com um banho de cultura. A Praça Cívica do campus será o local da grande festa de hoje. Toda a comunidade universitária está convidada a participar das apresentações culturais. O início será às 16h e vão contar com música, performances, vídeos e sorteios de brindes.

Para os novos universitários, o carnaval não acabou. E o dito primeiro dia do ano será só amanhã. A proposta é promover uma recepção com muita festa através de uma verdadeira ressaca do carnaval com apresentação de uma Orquestra de Frevo. A abertura será com declamações poéticas do ator performático Rodrigo Bico. Ainda na programação, presença da Big Band Jerimum Jazz, da Escola de Música da UFRN e finalizando os festejos, o axé da banda Azucar Jeans.

Projeções de vídeos sobre a UFRN e um tour virtual pelas instalações do campus completam a recepção, que tem a finalidade de dar as boas vindas aos novos alunos em clima de confraternização e de muita alegria. O principal objetivo da Universidade é incentivar a integração saudável entre alunos novos e veteranos, estimulando a recepção por meio de festa, em vez de outras ações que possam ferir o respeito e a dignidade.

Recepção aos novos alunos UFRN 2010.1
Data e hora: Hoje, a partir das 16h
Local: Praça Cívica do campus da UFRN
Informações gerais: Secretaria de Assuntos Estudantis (SAE): 3215.3310
Informações sobre a programação: 3215.3118

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Do antigo ENE e do novo ELE


Fim do carnaval, o próximo grande evento organizado pela Funcarte é o encontro literário, este ano chamado lusófono. E as primeiras informações saem agora: o local do evento será no Teatro Alberto Maranhão, nos dias 29 e 30 de abril e 1º de maio (quinta, sexta e sábado, respectivamente).

A maioria dos escritores chamados em 2009, ainda na gestão do artista plástico César Revorêdo, têm sido reconvidados e alguns já confirmaram presença, caso do baiano João Ubaldo Ribeiro e do angolano José Eduardo Agualusa. O presidente da Funcarte, Rodrigues Neto, tentará trazer Gilberto Gil para um dos shows.

Outra novidade bacana será o lançamento de uma das biografias mais completas de Nísia Floresta, escrita pela pesquisadora Nathalie, e o esperado livro a respeito do romanceiro potiguar, pelo folclorista Deífilo Gurgel. Este último, o primeiro livro patrocinado pela Funcarte este ano e fruto de pesquisa de mais de dez anos de Deífilo.

Segundo Rodrigues Neto, a revista Ginga (antiga Brouhaha) será lançada durante o evento sob uma condição: o apoio da Secretaria Municipal de Comunicação ao projeto. Para o titular da Funcarte, a Fundação não tem condições de bancar sozinha a revista. E antes tinha? A matemática em questão está confusa. Esperemos, pois, os resultados.

* Texto publicado em minha coluna impressa no Diário de Natal, sempre aos domingos

Abbey Road vendida

A gravadora EMI pôs à venda os históricos estúdios Abbey Road onde os Beatles gravaram a maior parte de sua discografia, para ajudar a resolver dificuldades financeiras, informou nesta semana o jornal britânico Financial Times. Os estúdios estão situados em Abbey Road – a rua imortalizada em 1969 na capa do último álbum do quarteto de Liverpool, também utilizado por grupos como Pink Floyd, Radiohead, Travis, Blur, e outros.

Kassab foi cassado pela Justiça Eleitoral

Da Folha Online

A Justiça Eleitoral condenou o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), à perda do mandato pelo suposto recebimento de doações ilegais na campanha de 2008. A decisão deve ser publicada no "Diário Oficial" na próxima terça-feira, é o que informa a reportagem de Flávio Ferreira e Fernando Barros de Mello, publicada na edição deste domingo da Folha de S.Paulo, que já está nas bancas. Em nota, a defesa do prefeito diz que as contas "foram analisadas e aprovadas sem ressalvas pela Justiça Eleitoral" e que a tese da sentença já foi vencida no TSE. Os advogados vão recorrer.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Meio século de samba


O samba de raiz tem origem afro-baiana de tempero carioca. Mas tudo que é grandioso e tem talento e respaldo nos campos da simplicidade, deságua nas Rocas, no Beco da Lama... Foi assim com Debinha, nascido Carlos Antônio Ramos, em 1960. Amanhã, o compositor do samba-enredo campeão do carnaval de Natal deste ano completa 50 anos de vida. E se viver é interagir. E se Debinha nasceu e cresceu nas Rocas, são 50 anos de samba – gênero musical mais autêntico do Brasil e trilha sonora da gente simples do bairro natalense.

O apelido Debinha vem desde os 7 anos. Na década de 60, as Rocas era também berço do futebol local. E o perfil físico do moleque “roquense” futebolista logo foi associado ao meia-esquerda do ABC, Debinha. E logo o alvinegro se tornou paixão na vida de Debinha. Tentou carreira no futebol. Chegou a jogar nos juniores do América. A troca dos times do coração, explica, foi levada pelo profissionalismo, pela oportunidade do momento. Mais tarde, o mesmo aconteceria com as agremiações carnavalescas.

O ingresso oficial e precoce no samba foi aos 15 anos. Na Rua 3 de Outubro, onde passou a morar, ainda nas Rocas, se reunia o então famoso grupo de bambas João de Orestes – sucesso na década de 70. “Comecei a tocar tan tan enquanto eles bebiam e conversavam. Depois cantava junto e logo estava no grupo. Já ouvia desde criança Jackson do Pandeiro, Martinho da Vila, Jorginho do Império, Clara Nunes... Tinha o ouvido treinado para o samba. Nas Rocas é raro se ouvir outro ritmo”, lembra.

Dois anos mais tarde, em 1977, Debinha compôs o primeiro samba, dedicado ao bloco de carnaval Os Otimistas, popular nas Rocas. Nessa época, passou a freqüentar as serestas e as rodas de samba da lenda do carnaval natalense, mestre Lucarino. Em 1980, a convite do próprio Lucarino, ingressava pela primeira vez nas agremiações carnavalescas. A estreia foi na famosa Balanço do Morro. Seria o início de uma história vitoriosa no carnaval de Natal.

“Lucarino pediu ajuda para construir o samba-enredo do ano seguinte. Escrevi, junto com Babal e Galvão Filho, e vencemos o carnaval de 82. A música se chamava Chove Prata. Naquele tempo, a cor prata começava a ser usava nos adereços e alas das escolas de samba do Rio de Janeiro”, recorda. No ano seguinte, em 1983, Debinha recebe convite do intérprete de sambas-enredo, Miguel, para participar da arquirrival da Balanço, a Malandros do Samba. Com Debinha, a Malandros venceria os carnavais de 83, 84 e 85.

“Mesmo entre a Balanço e a Malandros, no período que compreende 1980 a 1985, dava suporte para escolas menores como a Período Independente e Calouros Fantásticos, esta última era a menina dos olhos do ator Raul Cortez, que desfilou na escola por uns cinco anos, também dos sambistas famosos Manoel Farrapo e Djalma Setúbal”. A saída de Debinha da Malandros do Samba, em 85, marcaria um novo período junto aos grupos de samba.

Em Cima da Hora
Debinha começou a tocar em carnavais da cidade junto com alguns sambistas amigos. O reingresso na avenida do samba veio em boa hora, ou melhor, no Em Cima da Hora. Sambistas dissidentes da escola Balanço do Morro fundaram a escola Em Cima da Hora, em 1990. E a ascendência foi impressionante. A escola entrou no grupo de acesso no primeiro ano. No ano seguinte, em 91, venceu a chave C. Em 1992, foi campeã da chave B. E em 1993, disputava a chave A com a Balanço do Morro e Malandros do Samba.

“As duas eram hegemônicas no carnaval de Natal. Nunca uma escola de samba pequena havia arrastado o título. Mestre Raimundo Menezes me chamou, e junto comigo, Zacarias Anselmo, Agaci e Gérson. Escrevi o samba Chegou a Hora, Tem que Ser Agora. Resultado: quebramos a hegemonia e vencemos o carnaval, com desfile ainda na Prudente de Morais. Até hoje a Rua do Motor – origem da escola – lembra do feito e canta a música”, se orgulha Debinha.

Roda de Bambas
Novamente afastado das agremiações carnavalescas, Debinha funda o grupo de samba e chorinho Sapato Novo, em 1995. Junto com Debinha, o compositor-flautista Carlos Zens, Zezinho, Roberto Cabanhas e Pachequinho. O grupo durou até 1999 percorrendo as casas de shows, hotéis e rodas de samba das Rocas. A saída de Carlos Zens para se lançar em carreira solo provocou a mudança de nome do quinteto para Rodas de Bamba, agora também com o violonista Délcio.

O Rodas de Bamba existe desde 2000. Tornou-se famoso na AABB, onde se apresentavam semanalmente até maio do ano passado. Há dois anos, o médico e apreciador da aura sambista das Rocas e do gênero musical, Zizinho, chamou o Rodas de Bamba para tocar aos sábados no Buraco da Catita. O bar se tornava point da cidade às sextas-feiras, quando apresentava o chorinho. “Quando começamos a levantar o sábado no Buraco da Catita, houve desavenças internas e o médico Zizinho, então sócio do bar, nos levou para o Centro Histórico”, disse Debinha.

Desde janeiro de 2009, o Rodas de Bamba se apresenta nas primeiras sextas-feiras do mês na Rua Vigário Bartolomeu, próximo ao cruzamento com a Ulisses Caldas, perto da prefeitura e do camelódromo da Cidade Alta. O projeto é o Nós do Beco, idealizado por Zizinho. Nasceu como homenagem ao compositor K-Ximbinho. Em cada edição, a rua fica tomada de gente, a partir das 19h30. As participações especiais abrilhantam o som do grupo: o cavaquinho de Chumbinho (parceiro musical de Debinha há 30 anos) e o violão do mestre Silvano, além das canjas vocais de Damiana, grande dama do carnaval de Natal.

Dia Nacional do Samba
O embrião para Natal comemorar o Dia Nacional do Samba, foi lançado por Debinha no último 2 de dezembro. “Era uma quarta-feira véspera de Carnatal e conseguimos reunir oito grupos de samba da cidade, fechando com Isaque Galvão para festejarmos o Dia do Samba. A entrada era somente um quilo de alimento não-perecível. Conseguimos mais de 1,2 mil quilos. Então, queremos ampliar essa ideia neste ano. Buscaremos apoios e outros grupos para que Natal possa comemorar a data como um evento anual”, sugere o sambista.

]Outro projeto de Debinha é a gravação de um CD de samba, em comemoração aos seus 35 anos de samba. “Será gravado ao vivo no Teatro Alberto Maranhão em maio deste ano. Tenho reunido amigos para escolha do repertório. Será composto de músicas inéditas e clássicos do samba. Também vou em busca de apoios de amigos para viabilizar o CD”, estima Debinha – nome de futebolista, abecedista e sambista dos bons, anônimo para muitos e presente na história dos muitos carnavais.

* Matéria publicada no Diário de Natal deste domingo (aqui, na íntegra).

Para quem entende de rock

Aí, galera rocker, dica boa que recebi agora. O jornalista Rodrigo Hammer, colunista de cinema do Diário de Natal e especialista nesse tal de rock 'n roll desde séculos atrás, inaugura nesta segunda-feira o primeiro vídeocast dedicado exclusivamente ao rock. É o powerhouse. Ele, Carlos Henrique Leiros e convidados debaterão temas dedicados ao gênero, aliás, como ele disse no vídeo promocional, "aos quatro gêneros do rock". A cada segunda-feira, um videocast diferente. Essa é a proposta. No slogan, o chamado: Powerhouse, para quem entende de rock. Para mais informações, basta acessar os endereços a seguir:

www.powerhousevideo.blogspot.com

http://twitter.com/PowerhouseVideo

Ensaio aberto do Clowns de Shakespeare

Ainda dá tempo. Hoje, daqui a pouquinho, tem ensaio aberto do espetáculo Farsa da boa preguiça, de Ariano Suassuna. A peça está sendo montada através de uma parceria inédita no Nordeste, entre os grupos Ser Tão Teatro, da Paraíba, e o Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte. O ensaio será a partir das 19h, no Barracão do Clowns. Fica localizado na rua Amancio Ramalho, 08, Lagoa Nova, próximo à UNP da Salgado Filho e ao Midway. Telefone pra contato: 84 3221 1816. Mais informações sobre o espetaculo, no site: www.sertaoteatro.com.br/farsa

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sobre o antigo ENE, atual ELE

Publico abaixo a Carta Aberta escrita pela dramaturga Cláudia Magalhães, endereçada aos escritores convidados para o antigo Encontro Natalense de Escritores. São explicações claras para minimizar transtornos após a desistência do evento e organização de um próximo, em nova data. Cláudia também cita outros projetos culturais da Funcarte iniciados e posteriormente cancelados pela atual gestão da Capitania. Segue a Carta:

Por Cláudia Magalhães

Na qualidade de Coordenadora do Núcleo de Documentação (Chefe da Biblioteca Pública Esmeraldo Siqueira), cargo que ocupei de janeiro de 2009 a janeiro de 2010 (quando fui exonerada a pedido), comunico a todos os citados acima que não faço mais parte da coordenação geral do ENE (Encontro Natalense de Escritores), atual, ELE (Encontro Lusófono de Escritores). Esta carta se faz necessária para esclarecer alguns pontos que dizem respeito ao meu relacionamento com o mundo cultural local e a sociedade em geral, aos quais devo prestar contas enquanto ocupante que era de um cargo público.

1- Por convite do então presidente da FUNCARTE, César Revoredo, aceitei a coordenação geral do então ENE. Portanto, auxiliada por um conselho formado por: Carlos Fialho, Petit das Virgens, Margot Ferreira, Lívio Oliveira e Isabel Vieira, foram enviados convites via e-mail (oficial da FUNCARTE, em nome do presidente César Revoredo, com cópia para o meu e-mail) para: José Eduardo Agualusa, Paulo Lins, Marçal Aquino, Arthur Dapieve, Xico Sá, Ziraldo, Pedro Bandeira, Marcelino Freire, Cassiano Elek Machado, Joca Reiners, Mário Bortolloto, Eduardo Bueno, Shiko, Fernando Bonassi, Milena Azevedo, Chico César, Tárick de Sousa, Edney Silvestre, Antônio Cícero, Tarcísio Gurgel, Gabriel O Pensador, Tácito Costa, Clotilde Tavares, Carlos Magno, Nivaldete Ferreira, Isabel Vieira, Túlio Andrade, Danilo Guanais, Buca Dantas, Abimael, Nei Leandro de Castro, Lívio Oliveira, Sérgio Vilar, Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz, Agregados Família do Rap, Cordel do Fogo Encantado. Além do contato com diversos artistas plásticos, poetas e jornalistas que contribuiriam para o ENE.

2- Depois de meses de trabalho, com planilha total feita, convites prontos e confirmados com a garantia do então presidente César Revoredo, a prefeita Micarla de Sousa até então não tinha posição nenhuma sobre um possível cancelamento ou adiamento do ENE, o encontro literário estava confirmado para os dias 26, 27 e 28 de novembro de 2009. Contudo faltando poucos dias para o início do ENE, César Revoredo pede exoneração da FUNCARTE e o vice Rodrigues Neto assume.

3- Dias antes, fui chamada para uma reunião na qual César Revoredo, na presença do então vice presidente, Rodrigues Neto e do Chefe de atividades culturais, Josenilton Tavares, me comunica que não teríamos mais o ENE, e sim, o ELE e que este seria realizado em março de 2010. Confirmou o meu nome na coordenação geral do mesmo, onde manteríamos a participação de todos os que foram convidados para o antigo ENE. Desta feita, comuniquei [WINDOWS-1252?]– via telefone [WINDOWS-1252?]– aos escritores convidados a mudança do nome e da data. Além de pesquisar possíveis escritores internacionais para o ELE.

4- Contudo, após assumir a presidência da FUNCARTE, Rodrigues Neto não me procurou para confirmar ou retirar o meu nome da coordenação geral do ELE. Semanas depois, comunico ao vice presidente Gustavo Wanderley a minha decisão de sair da coordenação do ELE, mas de permanecer na função de chefe da Biblioteca Pública Municipal Esmeraldo Siqueira, visto que várias atividades por mim desenvolvidas na gestão de César Revoredo estavam em andamento ou com editais publicados, o que detalharei nos próximos tópicos.

5- Semanas depois, diante do silêncio apresentado, posto que o presidente Rodrigues Neto não teve nenhuma conversa oficial sobre o ELE e nem sobre outros assuntos do meu núcleo e também observando pela imprensa a conduta e a atuação da presidência, tomei a decisão de pedir exoneração em janeiro de 2010.

6- Uma vez tendo pedido exoneração surpreendi-me com contatos de escritores locais e nacionais, artistas e jornalistas me perguntando sobre o ELE. Percebi, então, que a presidência não comunicou a ninguém que eu não apenas não era mais a coordenadora do Núcleo de Documentação como também não estava mais na coordenação do ELE, antigo ENE.

7- Artistas e produtores culturais envolvidos em projetos que iniciei me procuram por e-mail e por telefone para saber detalhes dos mesmos. Projetos como o CONCURSO DE REDAÇÃO -“O que é ser um cabra das Rocas”, CONCURSO DE FOTOGRAFIA ESCRITORES POTIGUARES com o tema “Escritores potiguares vivos” foram negligenciados, e pior, não houve comunicação aos artistas envolvidos. No dia da Poesia, o qual fui coordenadora geral, O então presidente César Revoredo com a presença da prefeita Micarla de Sousa, comunicou a todos os presentes não somente a continuação dos CONCURSOS CÂMARA CASCUDO E OTHONIEL MENEZES, mas também, além da premiação em dinheiro, a publicação dos livros dos vencedores. Infelizmente, estes dois concursos também foram negligenciados.

8- Na gestão de César Revoredo o meu núcleo ficou responsável pela nova revista cultural da FUNCARTE, A “Ginga”. Ao longo de meses de trabalho, a revista, por meio do editor contratado, Sérgio Vilar com a sua equipe de jornalistas produziu 100% da revista que estava pronta para ir pra gráfica. Com a mudança da presidência a revista teve o lançamento adiado para março de 2010, eu soube disso através do editor Sérgio Vilar, pois nada me foi comunicado oficialmente.

9- Diante disso, por respeito a todos os que estavam envolvidos nesses projetos, aos artistas e amigos, torno todos estes fatos públicos, de maneira a evitar dúvidas, mal entendidos e conversas de bares e corredores que tanto empobrecem e aviltam a cultura natalense. Saio da FUNCARTE com a sensação do dever cumprido, com coragem de me olhar no espelho todos os dias e com o respeito do mundo artistico e cultural, bem mais precioso que consegui nestes meses de FUNCARTE.

Cláudia Magalhães

Tuitando com Ricardo Berzoini

ricardoberzoini Se depender de mim, vamos apoiar o PSB em PE, RN e CE mesmo que o Ciro seja candidato. Somos parte desses governos e devemos apoiar.

(via retuiter de Daniel Dantas)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Missa de 7º dia para Ruy Pereira

A Catetral Metropolitana de Natal esteve praticamente lotada agora há pouco, durante a missa de 7º dia da morte do ex-secretário de Educação, Ruy Pereira. De crianças a adultos, de paletozados à gente simples, da família à classe política e petistas. Todos compareceram. E a fila para assinatura no livro de presença permaneceu cheia de gente do começo ao fim.

Ao lado do altar foi montado montado um vídeo, exibido em projetor, com imagens de Ruy Pereira ao lado de Lula, da deputada Fátima Bezerra, em entrevistas... Ao final, uma frase do ex-secretário: "Trabalhar com honestidade e competência é possível transformar este país".

O vigário geral da Catedral, padre Aerton, saudou as autoridades presentes: a governadora Wilma de Faria, o vice, Iberê Ferreira de Souza, a deputada Márcia Maia, e o titular da Sethas, Gercino Saraiva. A senadora Rosalba Ciarlini, que chegou 40 minutos depois, passou batida. Soube que o senador José Agripino também estava lá. Não vi, nem foi lembrado pelo padre.

A homilia do padre foi inspirada no evangelho das boas aventuranças. Achei muito cheio de clichê. Uma das frases, "a morte não nos separa de Deus", foi repetida, depois, em discursos finais. Ressaltaria que a vida também não nos separa do Divino. Mas, prossigamos...

O primeiro a discursar foi o ex-vereador e irmão, Fernando Lucena. A voz gasguita também se fez presente ao microfone da catedral. Ressaltou a vida do irmão, sempre dedicada aos pobres, porque foi um deles e sofreu junto com Lucena quando crianças. Entre uma palavra e outra, um choro, uma revolta pela perda.

Em seguida, o discurso emocionado, bonito do também irmão, o prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado. Jaime lembrou os tempos de criança em Lucrécia, a adolescência na Casa do Estudante em Caicó e a vida de líder estudantil, político e gestor de Ruy Pereira, seja no RN ou em PE.

"Quando nossa mãe morreu, em 1968, ele nos pegou pela mão, como irmão mais velho. Em dezembro último, foi a vez do nosso pai. Ele também mostrou força e nos disse: 'A vida continua'. Me sinto órfão pela primeira vez agora, mesmo sabendo que a vida continua", disse emocionado o prefeito.

A governadora Wilma de Faria deixou de lado o discurso montado e falou por si. Elogiou muito o secretário. Se disse orgulhosa de tê-lo conhecido tão de perto. "E me sentia mais segura perto dele". Discurso repleto de elogios ao gestor, ao homem público, ao homem de sucesso, ao educador e ao homem de família.

Wilma prometeu atender ao pedido de Jaime Calado na construção de um memorial para Ruy Pereira. "Vamos construir juntos". E disse ainda que as dez escolas que serão construídas pelo Governo ainda este ano receberão, todas elas, o nome de Ruy Pereira.

Pela primeira vez vi a governadora, tão senhora de si, tão cheio de energia, chorar, ao repetir a frase dita pelo padre, de que o amor não nos separa dos homens. E uma segunda vez, ao terminar seu discurso, quando afirmou: "Tudo o que ele fez deu certo. Mas o mais bonito foi essa família maravilhosa que ele deixou".

A missa foi encerrada com uma Ave Maria, tocada pela orquestra comandada pela professora Zuleika Romano, montada na ala direita do palco. No lado oposto, centenas de escoteiros também prestigiaram a missa.

STF suspende julgamento de ação contra Rosalba


da Folha Online

O STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu nesta quinta-feira o julgamento da ação contra a senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), acusada de uso indevido de recursos públicos na Prefeitura de Mossoró, após empate nos votos dos ministros.

O julgamento foi suspenso quando a votação estava empatada em quatro a quatro. O presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, decidiu aguardar os votos dos ministros Celso de Mello, Eros Grau e Ricardo Lewandowski.

Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Norte, em 13 de julho de 2000, Rosalba, então prefeita de Mossoró, celebrou um "Protocolo de Intenções" com José Júnior Maia Rebouças, sócio-gerente do supermercado Mercantil Rebouças, "objetivando estabelecer relações obrigacionais entre os signatários para a melhoria da infraestrutura de apoio ao funcionamento do referido estabelecimento comercial".

Na ação, a promotoria afirma que "da assinatura e da execução do Protocolo de Intenções pelo município decorreu evidente prejuízo para a municipalidade com a utilização indevida, em proveito exclusivo e discriminatório do particular, de bens e de serviços públicos consistentes em maquinário, mão de obra e matéria-prima".

A PGR (Procuradoria Geral da República) opinou pelo recebimento da denúncia.

Ainda o espigão da ZN

Faz alguns dias, escrevi matéria para o Diário de Natal, a respeito da iminência da construção de mais um prédio ferindo a paisagem de Natal, particularmente o da visão da Zona Norte a partir do Canto do Mangue - "uma das mais belas silhuetas de Natal". Desta vez, a construção também interferia na história da cidade por ter morado no local, no Alto da Torre, as tribos indígenas Potiguaras e os nossos principais heróis indígenas: Felipe Camarão e o seu pai, Potiguaçu. Pois recebi o comentário a respeito, do leitor que assina Carlos Magnus Reis Câmara, publicado em meu blog, hospedado no portal DnOnline.

Segue:

E o pior é que Natal é a terra de Luiz da Câmara Cascudo, um dos maiores historiadores, etnólogos, escritores e folcloristas do mundo. Mas, o que a gente pode esperar de uma Cidade e/ou Estado que troca o nome do município de Parnamirim, nome dado pelo indígnas e mundialmente conhecido por causa de sua importância na II Grande Guerra Mundial, sem sequer fazer um pebliscito? Que todos os dias trocam nomes de ruas, avenidas, becos, travessas, etc., para colocar nomes de pessoas que ninguém no local sabe quem é ou quem foi. Que permite a construção de lindos e luxuosos espigões "no pé" do Farol de Mãe Luíza e que tirou a visão privilegiada que a gente tinha dele lá da balaustra da Ladeira do Sol? Que acabou com a paisagem que se tinha de toda a orla marítma, da Praia de Miami até a Praia do Forte olhando-se do morro de Mãe Luíza? Como devem estar sentindo-se o espírito de Câmara Cascudo, Poti e outros? E pessoas importantíssimas como os Professores Deífilo Gurgel, Tarcísio Gurgel, Iaperi Araújo, Manoel Onofre e todos os outros amantes dessa linda terra, que Graças a Deus, como todos os bons nordestinos ainda resistem a tudo isso. Abraços e "Feliz Natal Pra Todos" (esta deveria ser a saudação de todos os natalenses a quem nos visita, mesmo em qualquer dia do ano).

Malandros do Samba - campeã do carnaval de Natal


A Malandros do Samba é a grande campeã do carnaval em Natal. Não assisti ao desfile. Não julgo. A herança de mestre Melé faz da escola uma das duas mais tradicionais da cidade, com berço nas Rocas. E o mais importante, em terras de desrespeito com as agremiações carnavalescas da cidade: uma das mais autosustentáveis. Por isso venceu.

As maiores concorrentes este ano: Balanço do Morro e Acadêmicos do Morro, receberam verba extra dos homenageados pelo samba-enredo, respectivamente a prefeitura de São Gonçalo do Amarante e a Banda Grafith. Despontavam como favoritas, ao lado do tradicionalismo sempre em conta da Malandros, que contou a história da rede ferroviária da cidade e não recebeu um tostão da CBTU, comandada pelo PT.

Parabéns à Malandros, a Kerginaldo, diretor da escola e a todas as agremiações. Todas elas têm em seus quadros verdadeiros heróis e heroínas, que largam famílias e profissões nessas últimas semanas e meses que antecedem o carnaval, mergulhadas dia e noite em barracões em prol de uma causa, sem prestígio ou respeito da gestão municipal de cultura.

Mineiro comenta crescimento de Dilma

Fiz questão de publicar mais um post eminentemente político - comentário de Mineiro a respeito do crescimento de Dilma Rousseff nas pesquisas de opinião rumo à presidência - sob algumas razões. Agora há pouco, pelo twitter, questionei o porquê de revirarem o foliaduto em ano de eleição. E porque não no ano passado? Quatro anos é tão diferente de três? Logo, um engenheiro civil explicou: porque antes não existia o Novo Jornal, comprometido com a verdade.

Ora, todos os jornais estão comprometidos com o capital. São empresas. Algumas, mais consolidadas e menos dependentes de anúncios e políticos, procuram maior imparcialidade. Não é o caso do NJ, que tem mostrado excelentes articulistas, colunistas, coberturas jornalísticas, matérias trabalhadas, bem pautadas, mas, infelizmente, extremamente parciais.

Realmente lamento. O sentimento que tenho ao ler cada edição é de enorme trabalho e talento jogados fora. E olha que sou contra, como disse acima, dos xiitas defensores da imparcialidade. Em vários países há jornais assumidamente tendenciosos, defensores de grupos políticos-partidários, segmentos religiosos, etc. Mas vejam: são assumidos, por isso têm credibilidade junto aos leitores. Quem compra sabe o que vem pela frente e não espera "imparcialidade".

Se o NJ assumir explicitamente em editorial porque veio, tudo bem. Passaria, então, a elogiar o trabalho realizado, porque as matérias são ótimas. O projeto gráfico é massa. Talvez faltem mais colunistas nas editorias, enfim. Agora, fazer ouvido de mercador para as denúncias nas gestões de Rosalba enquanto prefeita de Mossoró, evitar maiores espaços para o escândalo do DEM, ou às enchentes em São Paulo e bater com uma constância impressionante no governo...

A senadora Rosalba Ciarlini se disse contra o aborto. Vi lá no Substantivo Plural de Tácito. Alguém publicou uma nota a respeito? Por que não? Medo de perder o voto das feministas ou da grande parcela de leitores à favor da descriminalização do aborto? No entanto, matérias de menor relevância ganham manchetes. É clara a parcialidade midiática. Antes a correnteza do rio seguisse sua rota natural.

Segue o texto de Mineiro:

A Estrela Sobe

Depois das pesquisas Vox Populis e Sensus, divulgadas no início de fevereiro, hoje é a do Ibope que confirma o crescimento de Dilma nesta fase da corrida das eleições presidenciais. Como as anteriores, esta de agora foi também recebida com indiferença pela mídia serrista.

Também pudera. Enquanto Dilma cresce, o candidato da midiazona está empacado. A despeito das diferenças metodológicas, os números se assemelham. Os divulgados pelo Ibope mostra um crescimento de quase 50% da pré-candidatura Dilma: na pesquisa anterior ela tinha 17% de preferência do eleitorado; na de agora, Dilma cresceu 8 pontos e chegou a 25%. E o candidato tucano que antes tinha 38, tem agora 36% de preferência do eleitorado. As pesquisa anteriores já haviam sinalizado o empacamento de Serra, enquanto Ciro apresenta queda (de 13% para 11%) e Marina se mantem nos patamares de 8%.

O ano de 2010 não poderia começar melhor para nós, com os números confirmando a consolidação e a viabilidade da candidatura Dilma. Mesmo sabendo que pesquisa é pesquisa e voto é voto, temos razões para comemorar. Enquanto nossa candidata se fortalece e consolida alianças, a oposição demo-tucana se complica. As chuvas deixam expostas as ineficiências administrativas de Serra-Kassab, diluindo a propalada eficiência gerencial do consórcio PSDB-DEM, que há anos governa São Paulo. De quebra, o DEM figura no cenário nacional patrocinando o panetonegate de Arruda e Paulo Otávio.

E os dados das pesquisas apontam crescimento da aprovação da gestão do Presidente Lula e, o mais importante, mostram que grande parcela da população quer continuidade do projeto nacional. Isto significa que hoje não existe sentimento de oposição às metas do nosso governo. Ao contrário, o sentimento é de consolidação dos avanços e de correção de rumos.

É neste contexto favorável que, de hoje a sábado, se realiza o 4º Congresso Nacional do PT. Representantes do partido de todo o Brasil debruçaremos sobre uma importante agenda de discussões: Tática Eleitoral e Política de Alianças; Diretrizes para Programa de Governo 2011-2014; Construção Partidária e Plano de Ação.

O grande momento do Congresso ocorrerá no sábado, quando da formalização da pré-candidatura de Dilma à Presidente do Brasil pelo Partido dos Trabalhadores e seus aliados. Começará ali a nossa caminhada rumo às vitórias em 2010.

Tarefas grandiosas, nós petistas temos pela frente. Mas nada mais animador do que comemorar 30 anos de (r)existência partidária com a perspectiva de consolidação e avanços, confrontando e debatendo projetos para o nosso país. Viveremos momentos singulares neste 2010 e reafirmaremos, com certeza, que o BRASIL É A NOSSA BANDEIRA.

(Mineiro)

Do blogueiro: Só para complementar, vi agora no blog de Tácito Costa a seguinte notícia, extraída da página do jornalista Luiz Carlos Azenha: "A manchete do Estadão online, que dizia que Dilma está "estagnada", sumiu da capa. Junto com o assunto. Nas internas, sim, o jornal dá a notícia corretamente. Já a Folha simplesmente esconde que Dilma subiu 8 pontos: "esquece" de comparar a pesquisa com os números anteriores do próprio Ibope. E olha que estamos falando em números do sr. Montenegro, aquele que acha que José Serra está eleito". Tal lá como cá.

Tuitando com Fernando Mineiro

mineiropt Na pesquisa IBOPE, divulgada hoje, Dilma cresce quase 50% por cento: passa de 17 para 25% das intenções de voto. Serra cai de 38 para 36%.

Download legal com dias contados


‘Download legal está com dias contados. Pessoas não pagam pelo que é ofertado de graça’, diz John Ulhoa do Pato Fu

Do site Digital Cultura

John Ulhoa é músico, guitarrista e líder da banda mineira Pato Fu. Além disso, Ulhoa é produtor musical, com trabalhos com Zélia Duncan, Arnaldo Antunes, entre outros. O Pato Fu lançou seu último álbum, Daqui pro Futuro, em agosto de 2007 de forma independente. A banda foi uma das primeiras a ter site e disponibilizar suas músicas para download legal e gratuito em MP3. Hoje, eles cuidam pessoalmente do site da banda e até criaram um outro endereço, o Pato Fu Extra!Extra!, para divulgar e também oferecer boa parte do conteúdo do último DVD da banda lançado neste ano. Em entrevista, por e-mail, John se revela bastante consciente em relação aos desafios e possibilidades do futuro da música na era digital e diz: “prefiro tentar me adaptar e aperfeiçoar esses novos meios do que lutar contra eles, isso seria perda de tempo”. John Ulhoa foi nosso vigésimo primeiro entrevistado.


“O encolhimento das gravadoras afetou todos os artistas, contratados ou não. Os contratados não vivem mais a época de ouro com grandes orçamentos de discos, videoclipes e coisas assim. E os não contratados buscam alternativas de sobrevivência e exposição fora de um mainstream cada vez mais reduzido”, pondera.

“Enxergo como algo irreversível (o compartilhamento de arquivos na internet), vamos ter que torná-lo positivo de alguma maneira, para artistas e usuários. Em minha opinião, até mesmo a venda de músicas em lojas de download legal está com os dias contados, as pessoas não pagam por aquilo que é ofertado de graça logo ali ao lado. Só consigo enxergar um futuro bom para os dois lados no streaming de música. Liberado, sem custo para o ouvinte, mas remunerado para os artistas pelos anunciantes dos sites. Exatamente como funciona uma rádio. Em breve, a tecnologia vai fazer as pessoas pararem de fazer download de músicas, vão simplesmente ouvir online. Se tudo isso estiver ali nos grandes portais, quem vai perder tempo procurando torrents?”, argumenta.

E continua: “Acho que a inocência dessa pirataria acaba de vez quando as pessoas começam a vender e têm lucro com o produto “ilegal”, deixa de ser uma troca entre amigos. Os artistas perdem (com a pirataria), mesmo que haja certa euforia independente com todas as possibilidades de divulgação, o fato é que a capacidade que a indústria fonográfica tinha, com todos seus defeitos, de lançar e sustentar novos artistas ainda não foi substituído e está longe de ser”.

“O resultado é que temos milhões de myspaces com artistas novos, mas quantos desses têm carreiras decentes na “vida real”? Muito menos que nos anos 90. É chato, mas o meio “indie-hit-de-internet” ainda não paga a conta do aluguel sem fazer a curva para o mainstream de tv e rádio, pelo menos aqui no Brasil. E, as gravadoras estão num ponto que não contratam quase ninguém. Mas prefiro tentar me adaptar e aperfeiçoar esses novos meios do que lutar contra eles, isso seria perda de tempo”, conclui.

Woodstock na próxima quarta-feira


O esperado filme Aconteceu em Woodstock estará disponível para locação a partir da próxima quarta-feira - consequentemente, para a piratagem, também.

Entre as curiosidades do filme, a de que o filme foi exibido no Festival de Cannes de 2009 e rendeu indicação de Ang Lee, o diretor, à Palma de Ouro do evento.

Outra: o custo do ingresso para o Festival de Woodstock era de 18 dólares adiantados por dia, ou 24 pelos três.

Nenhuma gravação autêntica do evento foi inserida no do filme. De acordo com o diretor, toda a multidão e a gravação do show foram gravadas especificamente para o filme.

Aconteceu em Woodstock é uma comédia inspirada na história real de Elliot Tiber (Demetri Martin), um rapaz que teve um papel fundamental na criação e na repercussão do famoso festival de música de Woodstock.

O ano é 1969. Elliot Tiber, um designer pouco sortudo de Greenwich Village, Nova York, precisa voltar ao norte do estado para dar uma força a seus pais no hotel quase arruinado, o "The El Monaco".

Quando escuta que a cidade vizinha será palco de um festival de música hippie, Elliot procura os produtores já pensando em atrair alguns negócios interessantes para o hotel.

Três semanas depois, meio milhão de pessoas ocupava uma fazenda vizinha em White Lake, Nova York, e Elliot se viu contagiado por uma experiência que definiu toda uma geração. Experiência esta que mudaria sua vida e a cultura norte-americana para sempre.

Oscar mais glamouroso

Los Angeles (EUA), 17 fev (EFE).- A Academia de Hollywood revelou hoje o design do palco do Teatro Kodak para a 82ª edição da cerimônia de entrega do Oscar, que será mais dinâmica e terá mais "glamour".

O arquiteto David Rockwell será, pelo segundo ano consecutivo, o responsável pela estrutura da cerimônia, que vai contar, assim como em 2009, com uma cortina de cristais Swarovski com 18 metros de altura por 30 de largura na parte superior da decoração.

Em 2010, Rockwell vai abandonar as cores escuras que dominaram a última cerimônia, substituindo pelo branco e por um jogo de espelhos para criar luminosidade e profundidade.

"Uma das partes que mais gosto pessoalmente é o piso branco, que vai girar, permitindo que a câmera se movimente enquanto os apresentadores aparecem. Servirá para fazer uma transição que acho que será muito surpreendente", disse o arquiteto, que afirma que a cerimônia será mais ágil.

"O elemento mais inovador é o palco, que será dinâmico, por isso as pessoas poderão se movimentar de um lugar a outro rapidamente", explicou o criador, que mostrou hoje uma maquete do projeto.

"A ideia é que o palco crie, no público, a sensação de que as pessoas estão saindo dos filmes, por isso contaremos com três cilindros equipados com uma tela LED na qual serão vistas imagens de filmes. Por trás delas aparecerão os apresentadores", explicou.

Nesta edição, o arquiteto voltará a colocar o público do teatro perto do palco, o que, segundo ele, foi "o fator de maior destaque do ano passado".

A 82ª edição de entrega do Oscar acontece no dia 7 de março, em Los Angeles.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Carnaval da Gente

Passado o carnaval, reforço minha opinião: a da seleção mais criteriosa de artistas. Se a intenção foi contratar muitos artistas e bandas em prol da pluralidade, oportunidade aos novos e preencher todos os horários do dia, pela manhã muitos tocaram para ninguém. A diminuição do número de músicos convidados acarretaria em melhores cachês e nível de apresentações. Ainda assim, o resgate definitivo de blocos de antigamente, o Expresso da Folia e o projeto Escute Que é Daqui merecem os louros da glória.

Outro detalhe chamou a atenção durante o período momesco: se a intenção municipal é na aposta no pólo da Redinha como marco zero do carnaval, melhor procurar alternativas ou parcerias junto à prefeitura de Extremoz e ao Governo do Estado para desafogar o trânsito na região. O que se viu nos quatro dias de folia foi o completo caos. Situação ainda pior nas bandas de Pirangi. Fica difícil o empresariado apostar em um carnaval sem a organização mínima de logística. As cidades do interior aparecem como alternativas.

Dois filmes para a quarta de cinzas


Somente hoje pude assistir Entre os Muros da Escola (2008), excelente filme dirigido por Laurent Cantet e cujos atores são os reais alunos da escola. O filme é baseado no livro homônimo de François Begaudeau, professor dos alunos neste filme-documentário que funciona como um micro-cosmo da França contemporânea, mas também retrata muito dos problemas sociais, educacionais, de sexismo e racismo presente na juventude do mundo inteiro.

Também assisti Invictus (título de belo poema que perseguiu a mente de Nelson Mandela em quase três décadas de prisão), dirigido por Clint Eastwood e cotado ao Oscar de melhor ator para Morgan Freeman na pele do mito negro. Realmente uma atuação primorosa, e um decepcionante Matt Damon como capitão do time de Rubgy. Invictus é um filme emocionante, de roteiro enxuto e sem rodeios, aquém dos últimos filmes de Eastwood. O mais indicado seria assistir primeiro o filme Mandela - Luta Pala Liberdade.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Polanski decepciona em novo filme


CRISTINA FIBE
da Folha de S.Paulo, enviada especial a Berlim

Era a estreia mais comentada em Berlim. "The Ghost Writer", de Roman Polanski, levou curiosa vantagem em relação a seus concorrentes ao Urso de Ouro --nenhum está cercado de tanto burburinho, com direito a empurra--empurra entre jornalistas, ontem.

Isso porque o diretor, alvo de processo nos EUA desde 1978 por fazer sexo com uma garota de 13 anos, foi preso em setembro na Suíça, que se recusa a extraditá-lo até que a Justiça de Los Angeles tome decisão definitiva sobre o caso. Ausente, Polanski foi tratado, no 60º Festival Internacional de Cinema de Berlim, como um herói que recebia DVDs na cadeia para finalizar sua obra.

O resultado é um thriller engenhoso, mas aquém das expectativas e modestamente aplaudido. Suas chances de sair da Berlinale com um troféu residem no possível desejo do júri --presidido pelo alemão Werner Herzog-- de protestar contra a prisão do cineasta de 76 anos, Urso de Ouro em 1966 com "Armadilha do Destino".

Outro fator que pode contribuir é o seu viés político --o alvo do filme é o ex-premiê britânico Tony Blair (1997-2007), envolvido em uma conspiração fictícia que é mero pano de fundo para que os autores critiquem o apoio inglês aos EUA e à Guerra do Iraque.

"Dizem que o veredito da história demora anos", afirmou o corroteirista Robert Harris, ontem. "Mas o veredito da história, em geral, vem na hora. E temos um veredito sobre a guerra e sua legalidade." Pierce Brosnan foi o escolhido para interpretar o premiê, aqui chamado Adam Lang, que precisa de um novo "ghost-writer", após a morte suspeita do antigo encarregado.

Ewan McGregor surge como o escritor que pouco se interessa por política, mas que será agraciado com US$ 250 mil pela missão. Só que ele precisa se mudar para a casa do biografado, agora nos EUA, para manter em sigilo as informações.

Além de se envolver com a misteriosa mulher do chefe (Olivia Williams), ele quer saber o que Lang não lhe conta e descobre um conluio que transforma o filme num suspense que não chega a amedrontar.

Concorrente cult

A boa surpresa de ontem foi outro filme, "Howl", primeira ficção de Rob Epstein e Jeffrey Friedman, que abriu o Festival de Sundance neste ano.

Eles usam passagens da vida de Allen Ginsberg, criado com charme por James Franco ("Milk"), para fazer uma longa interpretação de seu poema mais célebre, "Howl".

Os diretores misturam animação, entrevistas e transcrições de um processo contra o editor, pela "obscenidade" da obra, para criar um filme de potencial cult entre poetas, gays e simpatizantes.

A repórter CRISTINA FIBE está hospedada a convite do festival