sábado, 25 de abril de 2009

Beatles no fim de semana

Para os beatlemaníacos como este blogueiro, o fim de semana está pomposo. Neste sábado Os Grogs do meu amigo e chefe Moisés de Lima interpreta os melhores sucessos dos quatro de Liverpool, no Aprecie Pub, em Ponta Negra. Na mesma noite, a banda Revolver toca Pink Floyd. Tudo a partir das 22h. Estarei lá (pitstop no Bardallos!). No domingo, o grupo vocal Octo Voci apresenta o show Vestindo Beatles, em duas sessões: 18h30 e 20h, na Escola de Música da UFRN. O espetáculo é uma junção inédita de oito cantores e cinco instrumentistas, que produzem arranjos inéditos das músicas dos Beatles. A banda que acompanha o Octo Voci é formada por músicos de grupos reconhecidos pelo público natalense, como Kassava, Seu Zé e VnV.

Casa de Cultura de Campestre

A Casa de Cultura de São José de Campestre é das mais atuantes entre as dezenas inauguradas nesta gestão e na anterior. Já pude comprovar o compromisso dos administradores e, salvo engano, foram contemplados com o Ponto de Cultura para fomentar ainda mais as atividades do espaço. A propósito, foi adiado para esta segunda-feira, o 1° Encontro de Arte Educadores de São José do Campestre. O encontro, que começa às 8 horas, vai contar com a participação de Severino Vicente, Bob Mota, Gutenberg Costa e Ana Tereza – todos membros da Comissão Norte-Riograndense de Folclore. Neste mesmo dia, a partir das 18 horas tem apresentação do Boi de Reis de Mestre Cícero Batata e apresentação do João Redondo de João Viana. Informações: 9954-4177.

Rock e poesia no hospital

A mistura é inusitada. Colocar na mesma sopa, rock e poesia no ambiente hospitalar é meio trash. Logo mais às 15h a banda Ak-47, o projeto Disfunctorium e convidados apresentam a 1ª Mostra Poética Hospitalar, no Espaço Frutos, Ribeira. A entrada custa R$ 3. O Frutos Estúdio será convertido num ambiente estéril e perfumado de éter, onde moléstias do corpo e da mente se manisfestarão em cenas e performances. Tudo isso combinado com os shows de Letto, Frequência Linear e Fullsion.

Detalhe: procedimentos médicos serão realizados no evento. Alerta: pessoas que recebem facilmente as impressões e sensações externas devem ter cautela.

Espaço Frutos: R. Praça Augusto Severo nº 260, 2° Andar, Ribeira. Fone: (84) 3201-6867 e 8829-2718. Contato: Juão (8807-0490) / crazy_juao@hotmail.com

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Próximo Seis e Meia

Ouvi pela internet algo do trabalho da próxima atração do Projeto Seis e Meia, Alex Cohen. Pode ser a primeira impressão, mas o cara me pareceu um Leoni piorado. Bom músico, composições razoáveis, vozinha pop demais, afinada, mas sem qualquer diferencial, virtuosismo. Em resumo: é apenas mais um. Não chega aos pés de inúmeros daqui. Sem canja para um projeto amadurecido e prestigiado como o Seis e Meia. E não sou dos que defendem atrações de peso, populares ou da mídia.

Quanto à atração local, a jovem Hild Cavalcanti, ouvi o Cd promocional. São interpretações para antigos hits do pop nacional de Kid Abelha, Renato Russo, mais duas composições autorais de muito bom gosto, bem ao estilo Roupa Nova – aquelas letras mamão-com-açúcar, mas nem por isso ruins. Acredito que falte amadurecimento ao vocal da moça, principalmente se a comparação são algumas divas potiguares como Khrystal, Luciane Antunes, Valéria Oliveira ou até a também jovem Manuela Dac.

Talvez sejam atrações mais baratas para enfrentar a crise que até já afetou o TAM, como publiquei em minha coluna terça-feira. Vamos esperar dias melhores. Minhas ações estão caindo. E o Seis e Meia, também.

Poeta mal pago (?)

Um dos maiores expoentes da contracultura potiguar e integrante do seleto time de poetas fundadores do Poema Processo, Falves Silva, reclama há oito meses o pagamento de uma palestra ministrada por ele dentro da programação inaugural do projeto Acervo em Movimento, promovido pela Fundação José Gugu. A entrega do cachê de apenas R$ 300 tem sido protelada há meses. Segundo o poeta/artista visual a insistência do pagamento junto ao Centro de Documentação Eloy de Souza (Cedoc) – vinculado à Fundação – foram todas seguidas de desculpas.

A outra versão, dada pelo setor financeiro da Fundação José Augusto, diz que o dinheiro foi pago em março a Francisco Silva, o Falves. Exatamente a quantia de R$ 252, descontados a porcentagem de ISS. Difícil saber de quem é a verdade. Falves Silva procurou o jornal indignado, no início do expediente. Disse ainda que recebeu adiantado um cachê de R$ 800 por uma palestra semelhante ministrada em seminário realizado em João Pessoa. Embora a quantia seja quase simbólica para tanto alarde, Falves avisa que o “desrespeito” atinge o artista de forma geral, independente de valores de cachês.

O projeto ao qual Falves Silva participou objetivava a divulgação do patrimônio das artes visuais do Estado nas redes públicas de ensino e o desenvolvimento de material didático cujo conteúdo mobilizaria o acervo da Pinacoteca. Seminários e oficinas foram oferecidos. Falves foi palestrante junto com os também artistas visuais Ítalo Trindade e João Vianei para discutir a arte contemporânea. “Pesquisei, estudei a palestra, queimei pestana para não receber nada. E olhe que é uma mixaria. Mas reclamo em nome da dignidade do artista potiguar de um modo geral”.

Falves Silva reclama da burocracia impregnada na FJA até para darem desculpas. “Tenho que falar com mais de uma pessoa para, ao final, darem a mesma resposta”. Segundo ele, esta mesma burocracia é a responsável pelo entrave no pagamento. “Esse projeto foi patrocinado em convênio com o Ministério da Cultura, a Unesco e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid). Esse dinheiro chega antecipado. Não tem como atrasar”. Falves desconhece se outros artistas participantes do projeto receberam seus cachês.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Poesia cinematográfica musicada

O cinema nunca foi totalmente mudo. Que o diga as trilhas sonoras dos clássicos de Charles Chaplin. E nessa relação entre som e imagem, o cinema produziu uma coleção de músicas, personagens e diretores convencionalmente chamados de a sétima arte. Esta história centenária está embutida no Cd Cineclube. Ou pelo menos o que coube do imaginário poético de Lívio Oliveira e da inspiração melódica de Babal. São 13 poesias musicadas voltadas à história do cinema. O produto de três anos de trabalho será lançado nesta quinta-feira, às 19h, na Capitania das Artes.

O Cd traz a participação de algumas das nossas melhores intérpretes – Valéria Oliveira, Khrystal, Luciane Antunes e Liz Rosa – mais a canja do paraibano Geraldo Azevedo. Em essência, as canções recebem arranjos jazzísticos, sob direção do experiente Joca Costa e amparo de uma quase orquestra sinfônica. É um trabalho ousado. Não só pela mescla de poesia, música e cinema. É também a união entre o exaurido dilema de unir o universal ao local. O próprio Lívio Oliveira explica a intenção em retratar reminiscências das velhas salas de cinema de Natal.

Se cada canção homenageia grandes mestres e divas do cinema, como o espanhol Pedro Almodóvar, Federico Fellini ou Marilyn Monroe, também rende loas aos cineastas potiguares Buca Dantas e Jussara Queiroz, na música Na Sala do Royal Cinema. Nos créditos da contracapa, nomes como Moacy Cirne, Anchieta Fernandes, Willian Cobbett, Valério de Andrade, Djacir Dantas e Edmar Viana (em memória), um dos incentivadores quanto ao patrocínio do projeto, financiado pela Lei Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura, em parceria com a Cosern.

A homenagem de Babal lembra o tio-avô Zé Perninha, dono do Cinema São Sebastião, na alecrinense Avenida 10, quando assistia a filmes e seriados na cabine de projeção, em clara alusão ao clássico Cinema Paradiso. Na canção homônima ao título do Cd, Cineclube, outras citações de obras cinematográficas históricas na letra (ver ao lado). E mais do que títulos de filmes, a voz das intérpretes convidadas rememora as divas do cinema, em combinação com os arranjos em tons clássicos, mesclados à música flamenca (Chinatown), ou à américa espanhola de Almodóvar.

COMPOSIÇÕES
A feitura do Cd foi lenta e minuciosa. Afinal, como o próprio Babal atesta, não é fácil estabelecer parcerias musicais com poetas. “Há poemas musicáveis e outros não. Escrever poesia é impulsão. Não significa que a métrica das estrofes sirva para a música”. E cita o exemplo da poesia portuguesa de Fernando Pessoa, metrificada e rimada, ou as músicas de Chico Buarque como de fácil encaixe em melodias. “São poesias qualificadas à literatura e à musica”. E a harmonia entre música da letra é claramente perceptível nas composições do Cd Cineclube, elaboradas em processos diferentes de composição.

Ora as letras eram enviadas por Lívio ao e-mail de Babal, ora o músico dava um sinal melódico para o poeta encaixar a letra, ora eram construídas juntas. Em comum apenas a idéia de incorporar a temática do cinema nas letras. As participações também foram convidadas sob criteriosa escolha. “Quando comentei do trabalho a Geraldo Azevedo ele sequer procurou saber qual a música e disse: ‘Canto o que quiser’”, lembra Babal. A canção que coube a Geraldo – As Mulheres da Cidade – homenageia Fellini, diretor preferido de Lívio Oliveira, e diz: “Quantas vezes Giulietta?/ Quantas vezes só?/ Quantos trens peguei na vida?/ Nessa doce vida.”.

Em Sem Destino, também são incluídos os ídolos musicais retratos de uma geração, Janis Joplin e Jim Morrisson. “Quis estampar o espírito dos anos 60”, explica Lívio. O título da canção é também de uma adaptação cinematográfica do épico romance do vencedor do Prêmio Nobel da Literatura, Imre Kértész. Em Chinatown, na primorosa interpretação de Luciane Antunes, a própria sonoridade do título remeteu à atmosfera de Natal, em metalingüística bem apropriada. Na última faixa, Epílogo, homenagem inusitada aos diretores que namoraram atrizes dos seus filmes, como Woody Allen, Bergman e Arnaldo Jabor.

LANÇAMENTO
Durante a solenidade de lançamento de Cineclube na Capitania das Artes, será montado palco aberto para apresentação de três ou quatro músicas do álbum, enquanto clipes das músicas interpretadas por Valéria Oliveira (Vamos Pegar Uma Tela), Khrystal (Ruas e Luzes) e Liz Rosa (Perdão) em estúdio serão exibidos. Segundo Babal, devido aos arranjos orquestrados sofisticados empregados nas composições, algumas delas sofrerão adaptações para apresentações ao vivo em seus shows. A solenidade é aberta ao público.

Cineclube
(Lívio Oliveira / Babal)

No tempo das diligências
Eu perdi minha inocência
E passei a te entender
A menina afamada
Que era a menina do lado
A quem quis enternecer

Mas, hoje amor,
Sam já não toca mais
Casablanca está lá atrás
E o sonho é mais brando
E de teu último tango
Já não sou mais o ator.

E a cena lá na tela
Fez a vida bem mais bela
Logo depois do jantar
Quando nós dois no cinema
No amor que era o tema
Que ajudava a acarinhar.

Mas, hoje amor...

O truque mais inocente
No meio de tanta gente
Era eu te bolinar
E a cada teu sorriso
O cinema em Paradiso
E a sessão me inflamar

terça-feira, 21 de abril de 2009

TAM mergulha na crise financeira

Antes fosse uma comédia romântica de Skakespeare o retrato atual do Teatro Alberto Maranhão. A crise financeira mundial parece ter abraçado o teatro. As disputadas pautas da principal e única casa hoje apta a receber um grande espetáculo cênico estão sendo canceladas.

O número de desistências verificado nos meses de março e abril obriga a diretora do TAM, Hilneth Correia, a cobrar caução aos produtores como garantia do retorno financeiro acordado. Isso a partir de maio. A reunião para informar esta nova normatização do TAM ocorrerá nesta quinta-feira.

Um exemplo claro de prejuízo para produtores e administração do teatro foi o cancelamento do Projeto Escola – há 15 anos levando alunos das escolas de ensino público ao teatro para discutir o assunto em sala de aula, depois.

Também durante as águas de março foram cancelados quatro espetáculos nacionais. Cada um ao valor de R$ 700, afora os locais, em maior número.

Mas, depois da queda nem sempre vem o coice. Em meio ao turbilhão financeiro, o TAM e a cena teatral da cidade receberam semana passada uma injeção de ânimo com a aprovação do projeto Ribeira das Artes (acontece no átrio do teatro, aos domingos), do inédito projeto Teatro aos Domingos, com envolvimento de música e teatro a R$ 2 o ingresso, e também o Auxílio Montagem.

É a tal política de editais ingressando como a grande marca da Fundação José Gugu.

Espaço para música

Natal realmente carece de bons espaços destinados aos grandes espetáculos a céu aberto. E mesmo aos shows mais intimistas ou apresentações de artes cênicas bem produzidas também encontram dificuldades de espaço devido à pauta cheia do Teatro Alberto Maranhão e seus 600 assentos. A resposta dos dois leitores (mais abaixo) quando publiquei aqui os mega shows que virão a Natal nos próximos dois meses atestam isso. Os nomes nacionais do show business quando aportam na terrinha são logo jogados naquele clima pouco convidativo do Boulevard, no improvisado Machadinho ou na playbozada do Vila do Mar. O largo da Rua Chile parece cada vez mais distante, ainda assim, claro, não é casa de show. É uma falta grave para uma cidade carente de novidades.

Cris:
O CD "Inclassificáveis", de Ney Matogrosso, é maravilhoso, e os shows dele são grandes espetáculos (não tive ainda a oportunidade de ver ao vivo; apenas em DVD). Pena que será no Boulevard, um espaço absolutamente indigno para alguém como ele. Não tem acústica, não tem clima. E fica aquele povo comendo e bebendo, como se estivesse num barzinho. Da última vez em que estive lá jurei que só voltaria se o show fosse imperdível (e o de Ney, na minha opinião, é).
Falta em Natal um espaço legal para bons shows, um teatro de respeito.
Anyway, fiquei sabendo que o superbacana Lenine também virá, em 22 de maio, igualmente para o Boulevard.

Carlos Augusto:
Lulu Santos pode ficar em São Paulo que não faz a menor falta. O que faz falta é um local para shows de verdade. Aqui só temos de improviso.

Mistério no 6 e Meia

A jornalista Adriana Amorim me repassa este e-mail do documentarista Paulo Laguardia:

Prezados(as),
esse emeio da eleika (que, aliás, nem conheço), refere-se a uma carta minha enviada ao jornal de hoje, denunciando a existência de um "mistério", no TAM, pois, ao tentar comprar ingresso para o xou da joana, semana passada, era sempre informado que os ingressos não haviam chegado. Quando chegaram e fui comprá-los, estavam esgotados. Nesta semana, para o xou do jessier quirino, aconteceu algo semelhante: até às 16h da quarta passada, os ingressos não tinham chegado. Na quinta, às 14hs, quando fui adquirí-los, só existiam ingressos na última fila. Então, perguntei à funcionária da bilheteria: mas se já estão quase esgotados, cadê a procura, cadê a fila? (só estávamos lá, eu e um outro azarado). Será que só procuraram ingressos em nossa ausência? Pois, quando há grande procura, a toda hora que se vai comprar, há fila... Daí que uma funcionária gritou lá de dentro: "..eles chegam comprando de 20,
30 ingressos. E termino a carta, dando a palavra ao TAM e à FJA.

abs.
paulo

Do blogueiro: tapete vermelho estendido às explicações!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Curta Petrobras esta semana

No período de 24 de abril a 15 de maio, uma nova programação do Curta Petrobras às Seis estará em cartaz no Cinearte Palace (Midway) com exibição diária e gratuita.

Cinefilia é o tema do programa que traz os curtas “Acossada”, de Karen Akerman e Karen Black; “Tarantino’s Mind”, de 300 ml; “Eisenstein”, de Leonardo Lacca, Raul Luna e Tião; “Satori Uso”, de Rodrigo Grota.

O Curta Petrobras às Seis teve início em 1999, em apenas uma sala em São Paulo. Hoje em sua sexta edição, o projeto tem exibições em Aracaju, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Guarulhos, Juiz de Fora, Natal, Niterói, Porto Alegre, Recife, Campinas, Rio de Janeiro, Salvador, Santos, São Paulo e Vitória.

No primeiro trimestre da sexta edição (dezembro, janeiro e fevereiro), o público total foi de 19.264 espectadores, que assistiram gratuitamente os curtas-metragens brasileiros em cartaz nas diversas salas do projeto, numa iniciativa pioneira, que tem conquistado seu espaço no gosto do cinéfilo.

Carpe Diem poético

Assisti a dois filmes esta noite de temáticas semelhantes. Nada pensado. Muito pelo contrário. Queria mesmo eram estilos distintos. Por isso escolhi um clássico de Akira Kurosawa, Viver (1952), e outro de um diretor ainda desconhecido para mim, Julian Schnabel, O escafandro e a borboleta (2007).

Cada qual com seus méritos. São dois excelentes filmes cuja temática, no todo, retratam a importância de viver o hoje, como a manjada sociedade dos poetas. É raro um filme hoje exibir uma mensagem final de alguma originalidade. Melhor roubar velhas fórmulas, mesmo literárias, e aproveitá-las de forma poética ou inteligente.

Foi o que vi nestas duas obras-primas (arrisco a opinião). Filmes que emocionam. Até me veio à mente elaborar uma lista com os dez personagens mais tristes do cinema. De certo colocaria o chefe de sessão, da obra de Kurosawa, mesmo com aquele desfecho.

Acho que seria um exercício bacana enumerar estes dez protagonistas. Seria também desvendar um pouco da alma humana. Citaria também o carinha de Cinema Paradiso, por exemplo, consumido pela nostalgia doída. Ou ainda o músico de Morte em Veneza, corroído pela paixão platônica. Ainda o tetraplégico de Mar Adentro, condenado pela inutilidade do corpo - situação semelhante ao jornalista de O escafandro e a borboleta. São muitos...

Enfim, amanhã começa nova correria. Vou procurar algum carpe diem poético nas paisagens do caos.

Até!

domingo, 19 de abril de 2009

Natal - meca da música

Esta grande comunidade de muros baixos será a Meca dos mega shows musicais nos próximos dois meses. Nada menos que Caetano Veloso (30 de maio, ainda sem local), Lulu Santos (12 de junho, no Machadinho), Nei Matogrosso (8 de maio, no Boulevard) e Roberto Carlos (4 de junho, no Machadinho), sem falar das próximas atrações meia-boca do Projeto Seis e Meia, mais as do Festival MPBeco, e da vinda do menos badalado George Israel, excelente compositor e saxofonista da banda Kid Abelha (será em 7 de maio, no Aprecie Pub). Haja grana.

sábado, 18 de abril de 2009

De bar em bar

Roteiro etílico primeiríssima elaborado pelo professor João da Mata no blog de Tácito (que está pautando este blogueiro sem tempo, ultimamente). Se o leitor souber de mais algum vamos engordar a lista. Faltaram uns bons no Beco da Lama, o Bar do Ricardo, na Ulisses Caldas. Não sei se o "Gavião" aí é o Pé do Gavião, na Redinha. Segue:

- Bar do Rei - preferido de João da Rua e Tetê
- Negona - uma das melhores cozinhas ( Ponta Negra). Jairo vai adorar
- Cervantes
- PotyBar - sexta tem samba
- Jonnie
- Bino's Bar
- Cobra-choca- O melhor chambaril de natal
- Terraço (antigo Assim-Assado) Bons churrascos e pão de alho
- Farol Bar -Bom Visual
- Espetaria do Bezerra
- Pernambuco no Canto do Mangue
- Confeitaria Atheneu
- Sol e lua
- Bar do Gil
- MPBar - Alecrim
- Gavião
- Mercado da Redinha
- Bar do Gegê (Pça Augusto Leite)
- Bar do Coelho - p/ quem gosta de cantar
- Cervejaria Continental (dos Pobres)
- Seis em Ponto

Recado: Dorian, devo e não nego, pago quando puder (leia-se, quando tiver oportunidade. E terei!).

Até

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Cineclube de Lívio e Babal

Escutei por cima o Cd produzido em parceria entre Lívio Oliveira e Babal: o Cineclube. A primeira impressão foi boa. As letras escritas por Lívio são excepcionais. A melodia faz jus à maioria. E os arranjos puxam para um jazz que remete mesmo aos clássicos do cinema e seus grandes mestres – temáticas do álbum.

Achei engraçada a canção 12, Quem há de acreditar em você, em homenagem a Almodóvar e Carlos Sutra, pelo fato que parece composição de Babal. Ficou a cara dele. Gostei particularmente de Chinatown (para Jack Nicholson e Faye Dunaway). E não pela minha predileção ao trabalho de Luciane Antunes, que saiu do seu estilo, inclusive.

Perdão é sensacional. A música rende loas ao mestre Nélson Rodrigues e repete a sarcástica ironia do crítico dos idiotas da objetividade. Genial a tirada de Lívio. Enfim, o tempo urge e quero assistir No tempo das diligências ainda hoje. A sensação do Cd é de ouvir/assistir a Cinema Paradiso e dar de cara com a história poética do cinema.

Escrevo mais depois.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

De Gullar, Suassuna, poesia e que tais

Essa entrevista foi realizada em março de 2008. No Substantivo Plural de Tácito - olha ele de novo aí! (rs) - tem se travado discussão a respeito da obra do poeta Ferreira Gullar. Lembrei dessa matéria e da opinião desse crítico literário, que o acha medíocre. Segue o papo:

Por Sérgio Vilar

O crítico literário e poeta Frederico Barbosa é meio avesso a poemas alegres. Talvez guarde aquela essência do ofício: a de ser tristíssimo e olhar as cenas da esquina com alguma melancolia. Quem lê sua obra,percebe a descrença do poeta quanto ao caminhar do mundo. Por vezes parecem versos de cronista,daqueles observadores atentos às superficialidades do cotidiano.Mas tudo é muito condensado,embora também use das asas libertárias da poesia moderna.É um poeta de vanguarda. Recebeu dois prêmios Jabuti.Muito de sua obra foi traduzida e publicada em coletâneas de diversos países.

Frederico Barbosa,47,é pernambucano até os seis anos.Mudou-se para São Paulo em seguida. Sua obra tem olhar paulista. É pós-graduado em Literatura Brasileira pela USP.Foi crítico literário do Jornal da Tarde e Folha de São Paulo, redator da revista Help! - Literatura, publicada pelo jornal O Estado de São Paulo. Tem cinco livros de poemas escritos e é radicalmente contra o ‘‘fascismo’’ de Ariano Suassuna ou da poesia ‘‘medíocre’’ de Ferreira Gullar. Atualmente é diretor da Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. É um espaço antagônico à ideologia niilista do poeta.Na Casa das Rosas, respira-se poesia. Não perfumada pela descrença.Mas pela ânsia de mudança de paradigma.

A Casa das Rosas é o único espaço no país dedicado apenas à poesia, segundo o poeta. Foi inaugurada em 2004, sem funcionários.Hoje conta com 16 e uma vida intelectual rica.Está lá todo o acervo da biblioteca de Haroldo de Campos. São 20 mil livros. É também um lugar de resistência contra a realidade caótica do mundo.Está localizada no centro de São Paulo, na Avenida Paulista ainda dominada por Bancos e pelo cheiro do capital financeiro. Para a entrevista, o poeta levou alguns trabalhos realizados na Casas das Rosas.Eram artes visuais inspiradas em alguma obra literária. O repórter comentou do silogismo com o Poema Processo. Frederico respondeu que não era exatamente, já que a formação do Poema Processo é literária. Foi quando a entrevista começou...

O Poti - Além do Poema Processo, o que mais você conhece de poesia ou literatura produzida em Natal?
Frederico Barbosa - A produção de Natal tinha de ser mais conhecida no resto do Brasil. Na minha opinião, Natal tem um dos maiores poetas visuais do mundo: o Avelino Araújo, completamente desconhecido. Talvez seja mais valorizado fora do Brasil. Conheço aquele movimento de vanguarda da década de 60, o pessoal está todo aí, né? Vi umas fotos. Moacir... Fizeram um movimento importante, mas que talvez no resto do Brasil também não se conheça.

A poesia contemporânea é mais contemplativa. Você aborda mais questões sociais...
Sem dúvida. Mas defendo que a poesia, para ser boa, precisa de forma. Dentro disso pode-se ir à vários lados. Para o parnasiano, por exemplo, vira uma coisa contemplativa. Gosto de escrever sobre coisas que importam às pessoas. Minha poesia, sobretudo após a década de 90, procura dialogar com a cultura atual. Gosto de Samuel Becker, mas também de John Lennon ou da cultura pop. Falo dos problemas de hoje sem a coisa panfletária. Aquela coisa ‘‘viva a revolução’’. Como escrever a questão da chuva em São Paulo ou o preconceito que se tem contra o rock in roll.

Quando você foge da ‘‘coisa panfletária’’se torna vanguardista já que a geração atual está cansada de lutar? Sua poesia é também muito cheia de descrença.
Escrever é uma forma de organizar o caos. A vida é tão caótica; seu interior é tão caótico; a linguagem é tão caótica. Se ouvíssemos a mente alheia não entenderíamos nada. A mente é uma confusão. Nos comunicamos através da linguagem. E a poesia é a forma mais interessante de tradução. Pode-se condensar determinados sentimentos e transformar todo o caos em poesia.

É um pensamento meio niilista...
(risos) Totalmente. Minha poesia é e eu sou niilista. Fiz um livro sobre a depressão. Chama-se Louco no oco sem beira - anatomia da depressão. Muita gente leu e sentiu-se bem porque se identificou com os escritos. A pessoa vê que não está só naquela depressão.

Para ser niilista é preciso abandonar ideologias.Mas no abandono se constrói ideologia...
Escrevi um poema chamado Sem crer. As pessoas associam à poesia de Augusto de Campos, intitulado Não. ‘‘Ainda não é poesia...’’ Ele fala isso. E a origem do meu poema tem como origem a canção de John Lennon - God. O refrão diz que ele não acredita em um monte de coisa e no final diz que só acredita nele e em Yoko. No meu eu digo que não acredito nem em mim. Outra descrença minha é na ausência de ideologia. Ela está em tudo. O que podemos falar hoje é dos fracassos de projetos ideologicamente carregados, seja na ala esquerda ou direita.

Qual sua ideologia que deu certo?
O livro que escrevi com Antônio Resério - Brasilbraseiro - tem como fundamento discutir a história, os problemas do Brasil hoje e ficou um livro extremamente pesado. Por outro lado é um livro de poesia que vendeu mais de 18 mil exemplares. Foi um absurdo. É praticamente impossível acontecer isso hoje no Brasil. Embora um livro pessimista, a gente conseguiu pensar num Brasil de arte, de poesia, que vive. E através disso organizar um Brasil mais saudável e interessante.

Como o trabalho realizado na Casa das Rosas?
É uma casa sempre cheia de gente curtindo poesia, saraus. Isso me deixa otimista. Quando comecei a escrever poesia, há quase 30 anos, não se tinha lugar para se apresentar. Há saraus lotados na periferia de São Paulo, e um dos casarões mais bonitos da Avenida Paulista é dedicado à poesia. Acho que essa valorização da arte e da cultura tem ocorrido no Brasil inteiro. Não adianta um país rico se for inculto

Schopenhauer falava que só através da arte se consegue fugir da prisão das vontades...
Exatamente. É engraçado. A Avenida Paulista foi originalmente do poder econômico agrícola. Depois dos industriais; dos Mattarazo e outros. Em seguida, dos Bancos. Não deixou de ser dos Bancos, mas está se transformando na avenida da cultura. Em cada quarteirão há um centro cultural, como a Casa das Rosas.

Qual sua avaliação da poesia produzida hoje no Brasil?
Muita coisa bacana está sendo construída. Editei uma antologia de poesia chamada Na virada do século, em 2002. Está na segunda edição. São 46 poetas. Daria para fazer outra com pelo menos mais 100. Ficaram de fora por desconhecimento ou incompetência minha. É difícil conhecer tudo de poesia num país como o Brasil. Aqui em Natal não conheço. Só os caras da década de 60. Uma das intenções de minha vinda é para conhecer. Numa oficina na Paraíba conheci vários, gente que produz poesias fantásticas.

A internet ajudou nisso?
Antigamente tinha de ter grana pra publicar. Hoje, não. Em São Paulo publiquei um livro de uma menina de Arcoverde, em Pernambuco. Descobri seus poemas na internet. Ela foi uma das finalistas do Portugal Telecom e ganhou certa notoriedade como poeta.

A poesia ainda é o patinho feio das editoras?
Existe o círculo vicioso: não publicam porque não vende. E não vende porque não publicam.

Quais bons nomes da poesia contemporânea?
Assim você me coloca contra a parede. É difícil falar bons nomes, simplesmente. Mas há linhas interessantes. Uma poesia mais minimalista e contida tem uma poeta cearense radicada em São Paulo, uma médica chamada Mirna Teixeira. Uma linha que poderíamos chamar de neobarroca, de menos contenção e mais prolixidade, mas com muito trabalho na linguagem, temos o poeta Cláudio Daniel. Uma linha mais pop, com referências ao rock, o poeta Ademir Assunção. Uma poesia mais semiótica, em mistura com dança, música, tem o mineiro Ricardo Aleixo. E temos os mais velhos, aquele que considero o maior poeta vivo do mundo: Augusto de Campos.

Iria perguntar qual a preferência entre Augusto de Campos e Ferreira Gullar.Os acho meio antagônicos.
Ferreira Gullar é medíocre. Não há nada de interessante em sua obra. Geralmente as pessoas me xingam por isso. Ninguém conseguiu me mostrar porque ele é bom. Tenho uma pilha de livros dele. Se eu gostasse seria mais feliz. Não consigo gostar de um cara conservador e que critica o rock.

Em seguida os nomes seriam entre os pernambucanos Ariano Suassuna e Jomar Muniz de Brito.Mas você respondeu indiretamente.
Jomar Muniz de Brito é um gênio. Ariano Suassuna prefiro nem comentar para evitar palavrão. Ele é um ideólogo do fascismo.

Jomar participou do Encontro Natalense de Escritores e é realmente fantástico.
Como nordestino exilado não entendo como o Nordeste não dá o devido valor a Jomar. É dos maiores gênios que temos. Tem a capacidade de conhecer bem a tradição e mesclar com tudo. Ao contrário da ideologia fascista do Ariano. Não vejo a menor diferença entre a teoria dele e Mussolini. E Mussolini era idolatrado pelos italianos e até por brasileiros. Têm textos do Portinari com afirmação de que o Brasil precisava de Mussolini. Isso porque ele valorizava bastante a arte de sua terra. Só faltava dizer que era armorial. O Ariano é fascinante. Mas as pessoas se deixam levar pelo charme de Ariano e engolem as bobagens que ele fala. Igual ao Mussolini.

Em entrevista que fiz com Ariano perguntei da opinião dele sobre os Beatles, pra provocar.Ele ficou uma fera.
(risos) Você falou, foi? Que legal. Escrevi um poema publicado em revista do Recife, intitulado Rua da Moeda - tapa na cara dos velhacos (a Rua da Moeda, em Recife, é considerada um antro do rock). É um poema que falo do Gullar e do Ariano, da posição deles contra o rock ou daquilo que considero um dos movimentos culturais mais importantes que o Brasil já teve que foi a antropofagia do Oswald de Andrade. O Brasil é antropofagia total. Sempre foi. O Antônio Risério dizia que as duas coisas mais típicas da Bahia são importadas: o coco e o negro. Tudo aqui é importado. Nossa riqueza vem da miscigenação. Não dá pra fugir disso.

Você mistura poesia concreta, recursos de semântica e semiótica em sua obra e ao mesmo tempo é uma poesia contemporânea. Qual o segredo?

A poesia de Augusto e Haroldo de Campos, e do Décio (Pignatari) também são fundamentais na minha formação. Eles tinham de receber o Nobel. Eles foram autores da maior revolução na literatura do mundo. Foi a única vez que o Brasil conseguiu isso. Sempre viemos a reboque, mesmo com o Modernismo do Mário e do Oswald (de Andrade). Muita gente lê minha poesia e classifica como concreta. Não é. Não deixa de apresentar alguns recursos; é uma poesia de palavras discursivas, mas com tendência à concisão e um certo rigor que aprendi com a poesia concreta. Admiro esse rigor, mas também a graça, a espontaneidade, o humor de certos poetas da literatura e poesia marginal. O ideal é unir o rigor da poesia concreta, a inventividade da poesia marginal e a criticidade da poesia engajada. Não precisam ser, necessariamente, separadas.

A poesia de Edgar Alan Poe olhava muito para o interior dele.A de Drummond também é muito autoral.A impressão passada a partir de sua poesia é a de um observador passivo e revoltado com o cotidiano.Sua inspiração parte daí?
Não acredito em inspiração. Uma vez falei isso em sala de aula e uma aluna, inteligente e sarcástica – que, aliás, são sinônimos - me falou: ‘‘É porque você nunca teve’’. Talvez seja isso. Mas eu acredito em trabalho. Poema não sai, poema se faz. O que sai é no banheiro. Inspiração podem ser momentos de condensação de determinadas idéias. Meu processo é lento. Vejo uma coisa, fico imaginando escrever sobre ela. Só que às vezes demoro muito pra escrever. Sou desorganizado ou teria uma obra muito maior. Vou dar um exemplo: quando chove em São Paulo, as ruas entopem de carros. É impressionante. Achei legal essa visão. Fiquei com essa imagem uns 15 anos, até escrever o poema Quando chove.

Tem outra história dessa?
Outra que escrevi foi... Acho que o momento mais depressivo da vida é o domingo à noite. Quando eu me suicidar será nesse horário e dia. Escrevi um poema curtinho: ‘‘Fim de domingo / Ao som da TV / A vida pelo ralo / Desperdício de ser’’. São quatro versos que demorou um tempão pra escrever.

Clarice Lispector dizia que tinha medo de escrever porque era mexer com o desconhecido.E que pra escrever ela se colocava num vazio.
A Clarice mentia muito. Até a própria idade. Eu adoro Clarice. É das maiores escritoras que o mundo teve. Mas na hora que você escreve tem de apresentar muito do que você tem dentro de si. Você citou o Poe. Ele falava muito nisso. Dizia que quem não sabe escrever o que sente, não sabe direito o que sente. O problema é que somos uma massa meio amorfa..