segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Lançamentos literários


Taí dois lançamento literários bacanas. O primeiro é Raul Seixas - Metamorfose Ambulante, escrito pelo jornalista Mário Lucena e coordenado pelo presidente do fã-clube oficial do Raulzito, Sylvio Passos. O livro é inovador porque mostra um Raul que nem os fãs de carteirinha conhecem; toda a sua obra artística está baseada em idéias de filósofos como Schopenhauer, Crowley, Sartre... É da visão destes grandes mestres que Raul produziu metáforas que ainda conquistam legiões de fãs, mesmo após 20 anos de sua morte. O livro (Editora B&A, 260 pág, RS 29,90) será distribuído a partir desta terça-feira em bancas de todo o país.

O segundo, também distribuído nesta terça-feira, é Romance de Cordel, do poeta Ferreira Gullar. São poemas políticos pela primeira vez reunidos em livro. As histórias são frutos da vivência de Gullar na luta política da década de 60 no Brasil. A luta política travada na época norteia os textos deste intelectual combativo, que continua a contribuir para o fortalecimento da cultura popular brasileira. Romances de Cordel será lançado pelo selo José Olympio (www.record.com.br). Vem com 96 páginas e ao preço de R$ 37.

A Disney comprou a Marvel


Deu no Uol:

A Walt Disney Co. anunciou nesta segunda-feira que fechou um acordo para comprar a Marvel Entertainment Inc. em troca de pagamento em dinheiro e ações no valor de quatro bilhões de dólares. "Acreditamos que somando a Marvel a um único portfólio de marcas da Disney teremos significativas oportunidades de crescer e criar valor a longo prazo", declarou o presidente e diretor executivo da Disney, Robert Iger.

O diretor executivo da Marvel, Ike Perlmutter, também comemorou a negociação: "A Disney é o lar perfeito para o arquivo de personagens da Marvel, dada sua provada habilidade para ampliar a criação de conteúdos e empreendimentos. "Esta é uma oportunidade sem precedentes para a Marvel de fortalecer sua vibrante marca, tendo acesso à formidável organização global e infraestructura da Disney em todo o mundo", completou.

Além de Homem-aranha, Homem de Ferro e X-Men, o elenco de mais de 5.000 personagens da Marvel inclui o Capitão América, o Quarteto Fantástico, Thor, entre outros. Disney e Marvel anunciaram que os acionistas da Marvel receberão 30 dólares por título em dinheiro e aproximadamente 0,745 de ação da Disney por cada ação da Marvel.

Com base na cotação de fechamento da ação da Disney na sexta-feira passada, o valor da negociação é de 50 dólares por cada ação da Marvel ou aproximadamente quatro bilhões de dólares. Perlmutter continuará supervisionando as propriedades da Marvel, que incluem Marvel Studios, Marvel Animation e Marvel Comics, e "trabalhará diretamente com linhas globais de negócios da Disney para (...) integrar o patrimônio da Marvel", completa o comunicado.

(Com informações da AFP)

Meu Amigo Belchior


Acharam Belchior "escondido" na Colônia de Sacramento, no Uruguai. Passei por lá em fevereiro deste ano. É um lugar tranquilo, próximo ao porto; reduto histórico do país. É como se fosse nossa Ribeira, com os chãos todos semelhantes às pedras antigas da Travessa Pax.

Nem imagino se eu visse Belchior naquele fevereiro em que vivia um misto de dor e paz, pós-morte do meu pai, mas ao lado da família. Sou fã do cara já faz um tempo. Quando esteve aqui, antes mesmo da entrevista postada mais abaixo, tentei outra conversa no flat onde estava hospedado, em Ponta Negra. Mas só deu pra comprar os dois Cds de poemas de Drummond musicados por Belchior junto ao empresário. Coisa rara. E cara.

Abaixo segue um texto que escrevi à época. Acho que em meados de 2005. Foi publicado em O Poti, na coluna de Carlos Magnos Araújo:

Meu Amigo Belchior

Grata surpresa tive esse semana ao saber do show de Belchior que se realizou no dia 9no Centro de Convenções. Acho que todos têm lá suas preferências musicais. Tenho muitas também, e bem ecléticas: Beatles, Los Hermanos, Luiz Gonzaga, Bob Marley... Mas destas guardo a sensação de que compartilho com outras milhares de pessoas. Com o Belchior é diferente. Ele não é tão popular quanto minhas predileções citadas. E por isso penso sempre que posso ser seu fã nº 1. Acho - como todo fã que se pensa o nº 1 - que entendo suas mensagens melhor que ninguém. Somos cúmplices em muitas delas.

Nesse mundo de solidão e solidões, tenho Belchior como bom amigo. É como se vivêssemos os mesmos problemas e algumas poucas alegrias. Somos parecidos. Como ele, também sou mero rapaz latino americano sem dinheiro no banco. Num desses dias mofados do cotidiano, em que as tardes se alongam por horas congeladas, sem ninguém pra ver, onde os acasos se mostram apenas nos quarteirões ao longe, senti saudades do Belchior. E ele, como se entendesse minha agonia de rotinas arrastadas, disse: "Por força desse destino um tango argentino vai bem melhor que um blues".

Comovido com minhas desesperanças, o amigo quis passar alguma alegria: "Você não sente e nem vê, mas não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova mudança, em breve, vai acontecer". Desta vez discordei. Já não guardo o mesmo entusiasmo de outrora. Os tempos são outros e a estrela vermelha tornou-se preta e branca. Continuamos como nossos pais. Ele concordou, e acrescentou: "O passado é uma roupa que não nos serve mais".

Belchior gosta de exaltar o passado, os bons momentos vividos na juventude. Ele traz um saudosismo doído em sua voz; uma melancolia infinda. O conheço bem. Ele sempre se lamenta dizendo: "O passado, nunca mais", ou "O tempo andou mexendo com a gente, sim". Em outro instante, quase em prantos, quis desabafar: "O que é que eu posso fazer com a minha juventude, eu um simples cantador das coisas do porão? Olho diferente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história pó. Não há motivos para festa. A hora é esta. Eu não sei rir à toa".

Desta vez tentei eu consolá-lo com ilusórias promessas de felicidade. Mas meu amigo Belchior também se mostra desiludido das coisas do presente: "Fique você com a mente positiva. Eu quero é a voz ativa. Ela é que é uma boa", respondeu-me. Em comentários sobre John - um outro amigo íntimo nosso - Belchior disse, como quem estivesse cansado destas frases imperativas dos outdoors, dessas leis morais desgastadas, do cárcere da vida moderna: "Saia do meu caminho. Eu prefiro andar sozinho. Deixem que eu decida minha vida. Não preciso que me digam de que lado nasce o sol, porque bate lá meu coração".

E, sabedor das armadilhas destas propagandas que prometem o sucesso da vida, completou: "A felicidade é uma arma quente!". Então, relembrei uma frase que havia me dito ainda no começo de nossa amizade e que nunca mais esqueci: "Graças a Deus perco sempre o juízo", Belchior. "É, Sérgio, viver é melhor que sonhar", respondeu meu amigo, cantador das coisas do porão.

domingo, 30 de agosto de 2009

Moloq


Neste domingo de sol, praia e Ribeira das Artes, deixo você acompanhado de Eduardo "Dunga" Alexandre e o texto intitulado Moloq:

Por Eduardo Alexandre Garcia

Mesa animada, ontem, em Nazaré, beco lembrando os bons tempos de grande frequência, o assunto não girou em torno do cartão vermelho dado por Suplicy a Sarney. Nem Dilma/Lina chegaram a ser comentadas, como também não se falou do superfaturamento da Petrobras na construção de refinaria ou da decisão que livrou Palocci da quebra de sigilo bancário do caseiro.

Bases militares norte-americanas na Colômbia? Nem pensar. Isso não foi assunto naquela mesa, muito menos a presença dos valorosos ABC e América na faixa de rebaixamento da segundona.

O assunto era o trombolho plantado pela Urbana na via asfáltica da Praia dos Artistas, para recolhimento de lixo.

Um assessor de trupe lepdóptera garantiu que a geringonça tinha nome e sua origem terras desenvolvidas, escandinavas.

Plínio, que todo santo dia percorre toda a orla em sua magrela de dez mil reais, disse que o bicho já tem a estrutura plástica quebrada. Serrão profetizou que os sacos que serão colocados para a coleta do lixo não aguentarão a falta de educação da população, que os encherá de entulhos de construções, cocos e cocôs.

Com a mão direita enfaixada, Sandrinha apenas esboçou um tímido sorriso quando Plínio, olhando fixamente para Serrão, vaticinou: o próximo ela acerta. Fiquei meio sem entender o vaticínio porque Plínio não o desenhou, mas fiquei desconfiando que fosse um gancho tipo Mike Tyson.

Claudinha só tinha palavras e convites para o lançamento de seu novo livro, dia 10, no Miduei (ai de mim se eu não for ao shopping). Quis nem saber do tal do Molok - garantiu Alex que era assim que se escrevia o nome do trombolho, hoje presente como símbolo de modernidade em dezenas de cidades verdes, até Rio de Janeiro.

O fato é que outro assunto não empolgou becodalamenses ali presentes. Nem mesmo a proibição de mesas e cadeiras em calçadas de bares, coisa que no Beco parece não vai vogar e é assunto em todos os botecos da cidade, do Gegê ao Azulão de Dequinha, sem falar em Lourival, onde já tem até faixa amarela pintada no chão, delimitando o espaço dos beberrões.

Não entendi bem porque, mas Plínio só chamava o Molok de Bolok, não sei se aludindo a alguma forma de pedágio.

Pois bem, toda essa conversa só para dizer que a coisa, que está a assustar as crianças da cidade e espalhar o boato de que estamos sendo invadidos por UFOs, tem nome: Moloq é o substantivo que designa a geringonça.

sábado, 29 de agosto de 2009

Entrevista com Belchior


O Fantástico volta neste domingo com a matéria sobre o desaparecimento de Belchior, após uma semana sem nenhuma pista deixada. Fala-se por aí que o bigodudo não deve ter ido muito longe. Afinal, o cara tem medo de avião e é um rapaz latino americano sem dinheiro no banco.

Abaixo segue a entrevista que fiz com Belchior, no camarim do Teatro Alberto Maranhão, após o show que ele fez em maio de 2006 pelo Projeto Seis e Meia:

Infelizmente ainda somos como nossos pais

Ele não é apenas um rapaz latino-americano ou um cidadão comum, como admitiu ser, em entrevista exclusiva ao Diário de Natal após sua apresentação no Projeto Seis e Meia. Belchior é um poeta musical, autor de letras que marcaram e marcam gerações. A brasilidade de suas composições e a universalidade das mensagens contidas nas letras que canta ainda atraem um público cheio e heterogêneo. E parecem mostrar que a nordestinidade misturada à poesia tem mesmo vida longa.

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, 59 anos, é filho de uma típica família nordestina de 23 filhos. O contato com a música veio de infância. Seu avô o levava às feiras livres da cidade de Sobral, no Ceará, onde nasceu. Lá, Belchior assistia duelo de repentistas, violeiros, ciganos violonistas e sugava o que a poesia regional e musical podia oferecer. A mãe, coralista de igreja, influenciou sua técnica vocal.

Ao se mudar para Fortaleza ainda jovem, enturmou-se com o que viria a ser chamado de Pessoal do Ceará. Eram nomes como Fagner, Amelinha, Ednardo, entre outros. Em pouco tempo veria suas músicas vencedoras de festivais, entre 1965 e 1970. Belchior ganhou projeção nacional quando Elis Regina gravou Mucuripe, em 1972. Em seguida, ela grava Como Nossos Pais e Velha Roupa Colorida, verdadeiros hits daquela década.

Mas Belchior parece desacostumado ao sucesso, mesmo com 35 anos de carreira. ‘‘Sou um cidadão comum’’, disse. Após o show, já no camarim, atendeu a dezenas de fãs, um por um. Conversava com desenvoltura quando dos comentários sobre sua música. E parecia acanhado quando dos elogios. Embora tenha confessado não sentir saudade de sua juventude, tão presente em suas composições, sua voz, seu depoimento trasmitem uma realidade amarga, de quem ainda acredita que continuamos ‘‘como nossos pais’’.

Sérgio Vilar - É verdade que Belchior cantava poesia de repentes em feiras livres quando da infância?
Belchior - Meu avô me levava muito às feiras da cidade e sempre tive contato com essas músicas. Minha mãe me levava à igreja. Então, meu contato com a música começou cedo. Mas ninguém pensava em profissionalismo nessa época. Tocava-se por prazer. E o pessoal do lado da minha mãe era mais espero para as artes. A do pai era mais severa, de sertanejos.

Então a música veio antes do curso de medicina?
Neste ponto de vista da audição da música, do gosto e do prazer de cantar veio muito antes da medicina. Mas nunca pude imaginar que viveria da música. Me imaginava professor universitário, filósofo, escritor, coisa assim.

E como Belchior se define hoje?
Sou apenas um rapaz latino amerciano, um trovador, um cidadão comum, um poeta raivoso.

Quais as influências que carrega em sua música?
Tudo isso que eu disse faz parte de minha formação musical. Claro que depois tive uma formação mais disciplinada. Estudei em colégio de padre; fiz canto coral; um pouco de canto gregoriano, essas coisas todas de técnicas vocais que me valeram muito.

Mas suas letras têm muito da poesia.
Meu grande desejo era ser literato. Mas em determinado momento percebi que a música popular estava sendo um veículo de poesia muito especial, intenso. E quis fazer uma poesia cantada, para suportar a palavra.

Também nota-se nostalgia e tristeza em suas letras e mesmo nas melodias.
Minha música é melancólica. Não acho que seja nostálgica. A nostalgia é justamente a dor do passado que não volta nunca mais. Então, não tenho esse tipo de dor nem em minha música.

E o passado não é uma velha roupa colorida?
(risos) Não há muito futuro a se buscar no passado, a não ser um aprendizado para não se errar de novo.

Então, não tens mesmo saudades da juventude?
Não, de jeito nenhum. Olha, eu vivo tanto o dia-a-dia que o tempo não passa. Penso sempre nas realidades que se apresentam; nos problemas que são vividos, nas realidades imediatas. E isso facilita muito uma existência mais objetiva. Ou a vida passa e a gente passa com ela. A vida é uma aventura do qual a gente não vai sair vivo.

Você acredita muito no que canta?
É um jeito que tenho de dizer as coisas que me parecem verdadeiras, em que eu acredito. É uma dificuldade para minha música, porque eu imaginei que, por isso mesmo, ela não fosse interessar a mais ninguém a não ser a mim. Foi surpresa ter canções gravadas pelo Roberto (Carlos), Erasmo (Carlos), Elis Regina, Vanusa, Antônio Marcos, Raimundo Fagner, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Los Hermanos, Engenheiros do Hawaii...

E como surgiu a idéia de musicar poesias de Drummond?
Justamente pela minha frustração de não ser poeta. Drummond simboliza o máximo da modernidade da linguagem poética do Brasil. E ele é uma personalidade tão forte nessa questão que, pela primeira vez na língua portuguesa do Brasil se tem realmente um poeta universal, como foi Fernando Pessoa, do lado de Portugal.

A música de Belchior é universal?
Espero que seja. Ou melhor, espero que se torne. Todas as músicas que adquiriram algum caráter, alguma importância, elas carregam detalhes atemporais, que podem ser cantadas como hinos de vários sentimentos, de geração em geração. Isso é maravilhoso para mim, ver a cada show uma quantidade boa de pessoas, algumas muito jovens que se interessam pela música popular brasileira e que estão imprimindo uma renovação pelo gosto da música popular, fora do estímulo da televisão, da música mais comercial.

O público de hoje foi mais receptivo ao de sua última apresentação em Natal, no teatro do Centro de Convenções? Foi um show mais intimista?
Intimista pra mim dá uma idéia de você estar ali com dois instrumentos. Ele pede essa questão de banquinho e violão e conta com participação maior do público. A música fica com aquela alma mais negra.

Você tem gravado um álbum chamado Elogio da Loucura. A intenção foi realmente uma alusão ao clássico de Erasmo de Roterdã?
Uma alusão naturalmente longínqua; um revérbero dos meus interesses literários, filosóficos. Mas no CD fazemos um elogio disso que chamamos loucura. A loucura ali tem o mesmo sentido da palavra alucinação; estamos fazendo um elogio à loucura. A loucura merece ser elogiada. No Erasmo é o contrário: é o elogio que a loucura faz a si mesma.

Ainda somos como nossos pais?
Digo isso com certa tristeza. Já era tempo que não fôssemos mais como nossos pais, porque essa música, ela faz uma análise muito amarga, muito dolente, mas um pouco medicinal, também. Apesar de a gente ter feito tudo, de termos conquistado tanta coisa é difícil você renovar o caráter, o temperamento, as condições humanas para uma nova vida, se é que isso é possível. A música fala disso: embora tenhamos feito tanta coisa, essas coisas não bastaram para que chegássemos a uma mudança cultural razoável, de modo que ainda somos assim, como nossos pais.

Morre Tico da Costa


Tristíssima notícia aos amigos, parentes e à música potiguar. O músico areiabranquense Tico da Costa morreu agora há pouco no Hospital Onofre Lopes. Tico descobriu um câncer no pâncreas há cerca de um mês e desde então estava internado no hospital em situação delicada.

Na reestreia de minha coluna no Diário de Natal, neste domingo, até citei seu nome. Uma homenagem dele ao folclorista, amigo e conterrâneo Deífilo Gurgel e seu sonho de construir a Vila Xico Santeiro, voltado aos mestres e grupos do folclore potiguar. Deixo neste espaço os pesares aos mais próximos e a triste notícia.

Os 10 filmes mais controversos do cinema

Achei essa lista interessante. Encontrei no Uol, sem referência de onde partiu. O gancho foi a estreia do já polêmico Anticristo, do genial Lars Von Trier - o mesmo de Dogville.

Segue a lista:

1. Anticristo (Lars Von Trier) - 2009
2. Laranja Mecânica (Kubrick) - 1971
3. Kids (Larry Clark) - 1995
4. Trainspotting (Danny Boyle) - 1996
5. O Exorcista (William Friedkin) - 1973
6. O Último Tanto em Paris (Bertolucci) - 1972
7. Um Cão Andaluz (Luiz Buñel) - 1929
8. Irreversível (Gaspar Noé) - 2002
9. Saló ou os 120 Dias de Sodoma (Pasolini) - 1975
10. Carrie, a Estranha (De Palma) - 1976

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Artesanato potiguar

O número de postagens aqui diminuiu nos último dias em virtude do trabalho e da gripe. Nestas quinta e sexta-feira estive na Feira Itinerante de Artesanato, com programação intensa até domingo. É coisa bonita de se ver.

São dezenas de tipologias de artesanato. A maioria de excelente qualidade e oriundas dos quatro cantos do Estado. Hoje vi a apresentação do grupo folclórico Bandeirinhas, do município de Touros. Pena o Congos de Guerra da Vila de Ponta Negra ter sido adiado para amanhã.

Mas como é de praxe na província, iniciativas gratuitas, culturais, interessantes, atraem pouca gente, Ontem vi Jair Rodrigues cantar pra quase ninguém. Me deliciei com o repentes de Amâncio e Francisco Sobrinho. E a dialética do vaqueiro na voz de Amâncio Aboiador.

Neste domingo tem Ribeira das Artes, em frente ao TAM. Tudo gratuito. Com música, artesanato, pracinha de alimentação, antiquários, sebos. Vamos ver se atrai alguns gatos pingados.

Dácio Galvão lança Poemúsicas

Quando li o release escrito pelo jornalista Isaac Ribeiro me surpreendi. Pensei que o Cd Poemúsicas, de Dácio Galvão, já havia sido lançado há muito tempo. Desde que me entendo como jornalista ouço falar nesse danado. Eis que o lançamento está marcado para esta terça-feira. E vem caprichado. Cada canção parece ter escolhido seu parceiro certo; sua cara metade. Salvo a composição 17, pelo menos a priori, já que não escutei. Mas Arnaldo Antunes para cantar o universo sertanejo... Mas me parece um trablho de alto nivel, referencial.

Leiam:

Por Isaac Ribeiro

Dácio Galvão usa o suporte do compact disc para imprimir seus versos em forma de canção. Apropria-se livremente de estilos diversos ao por seus poemas, já registrados em livros e outros sulcos, para serem devorados por parceiros e intérpretes de quilate insuspeito. José Celso Martinez Corrêa, Alceu Valença, Zeca Baleiro, Dominguinhos, Paulinho Boca de Cantor, Walter Franco, Cid Campos, Naná Vasconcelos, Ná Ozetti, Gereba, Renato Braz, Banda Didá, Mônica Salmaso, Geraldo Azevedo, Waldonys, Arnaldo Antunes, José Nêumanne Pinto, Silvério Pessoa.

Nesta terça-feira, a partir das 19h, no Budda Pub (Ponta Negra), Dácio Galvão estará lançando o cd “Poemúsicas”, fruto de um trabalho de mais de uma década em pesquisas e composições.

“Poemúsicas” é dividido em momentos no formato canção, passeando por xotes, toadas, baladas e coco, e instantes outros de experimento e de provocação linguística. Parcerias também com Carlos Zens, Babal e Jubileu Filho. Nessa aventura de poemas musicados, o universo poético de Dácio Galvão flutua por exaltações, lembranças e anotações de lugares sempre presentes à mente. Um discorrer de rios, lagoas, vultos, pássaros, pedra, nomes, palavras palavras, palavras...

Alguns dos poemúsicas presentes no CD foram lançados anteriormente em outros discos pelo Projeto Nação Potiguar ­– “Poemúsica” (2005), “Toques e Cantares” (2004). Momentos memoráveis não faltam, como Alceu Valença interpretando “Praia do Meio” (Jubileu Filho/Dácio Galvão), inspirado como há tempos não se ouvia em disco; a trama de ecos e sons de Naná Vasconcelos em “Tamatião”; a intrigante “Signo”, com Walter Franco; o balanço das meninas da Banda Didá, em “Cuba”; e a poemização dos signos em ferros de marcar boi por Arnaldo Antunes em “Sertão Heráldico”, essa com registro de Oswaldo Lamartine entoando um coco de embolada.

Com o CD “Poemúsicas”, Dácio Galvão ocupa lugar na produção cultural não só como produtor, gestor, fomentador, incentivador de idéias; e sim como artista e poeta que sempre foi, registrando sua verve em uma outra mídia, embalada por sons os mais diversos, por ideias audaciosas, reluzentes.

FAIXA A FAIXA

1- “INTERVENÇÃO” – José Celso Martinez Corrêa

O dramaturgo José Celso Martinez Corrêa é curto, direto e sinteticamente poético: “Dácio, sua ardente canção melodiosa.”, de alguma forma resumindo em voz, fagote, berimbau e kalimba o que vem pela frente.

2 – “MIRANDO MAROLAS” – Zeca Baleiro

Zeca Baleiro evoca do índio janduí a figuras Eckout e Henrique Dias a acompanhá-lo num passeio alucinado a mirar marolas. Violões, violas, oboé, bandolim num clima de trovas, beleza quase medieval.

3 – “TOADA DA BARRA DO RIO GRANDE” - Dominguinhos

Canção solar de exaltação às belezas potiguares, do sertão ao litoral, Oeste e Seridó. Ritmo galopante e alegre, assim como a figura de Dominguinhos. Nossa hospitalidade é refrão.

4 – “PRAIA DO MEIO” – Alceu Valença

Um inspirado Alceu Valença brada e canta uma Praia do Meio ingênua, idílica à beira-mar, protegida por Iemanjá, um verdadeiro “parêntese de areia e musgo verde no chão”. Violões de Jubileu Filho, parceiro de Dácio na canção; guitarra de Paulo Raphael.

5- “TUDO NO PALAVRAS TEM” – Paulinho Boca de Cantor

Coco de embolada ponteado por guitarra distorcida e Paulinho Boca de Cantor unindo Barra Mansa, Caetano da Ingazeira, Dácio Galvão e Chico Antônio, sob o refrão de que tudo no “Palavras” (o livro) tem.

6 – “SIGNO” – Walter Franco

Uma parceria de Walter Franco, Cid Campos e Dácio Galvão anteriormente gravada no CD “Poemúsica”, de 2005. Walter Franco versa numa quase balbucio intrigante e atraente sob a base minimal de ruídos e sons processados por Cid. Até que tudo se torna mais ríspido, cada vez mais interessante e pungente.

7 – “TAMATIÃO” – Naná Vasconcelos

Também do CD “Poemúsica”, 2005. Naná oraliza poema de Dácio Galvão sobre suas próprias texturas sonoras de ecos e uivos manguezinos, preenchendo a pauta de sons e versos equinos.

8 - “POVOS” – Ná Ozetti

A doçura da voz de Na Ozetti frente à densidade harmoniosa do piano de André Mehmari para falar dos nossos ancestrais povo e lugares, vegetação e beleza nativa. Delicadeza.

9 – “TIBAUSEIRO” – Gereba

losClima leve de balada brejeira, de lembranças tranqüilas e românticas, de Tibau.e seus arredores. Reconstrução de um tempo, fotografias revistas.

10 – “QUILOMBO SIBAÚMA” – Renato Braz

A voz de Renato Braz confere um clima timidamente épico. “Raízes anunciam aratus”. Fala da comunidade negra da praia de Sibaúma, remanescente de escravos e lutas.

11 – “CUBA” – Banda Didá

Histórias de beberagem de jurema em catimbós, mestres e cabocos. O arranjo de Neguinho do Samba, criador do samba reggae, assina o arranjo de tambores das baianas do Didá.

12 – “CABECEIRAS” – Dominguinhos

A sanfona dedilhada anuncia um xote sereno, desses de sossego em rede no alpendre. Parceria de Dácio com Carlos Zens.

13 – “SAUDADES DE UM AMIGO (CANDEEIRO)” – Mônica Salmaso

Orquestração e sanfona, num lamento sertanejo. A voz de Mônica Salmaso é um sertão no fim de tarde, noite sem candeeiro. Dominguinhos divide com ela a homenagem a Elino Julião.

14 – “VEREDAS” – Geraldo Azevedo

Composição de Babal e Dácio Galvão, num momento de introspecção e dúvida, de caminhos a se aninhar. A gravação tem participação de Wagner Tiso ao piano, Dominguinhos e Joça Costa, violão, viola 12 e arranjo.

15 – “LAGOA DE GUARAÍRAS” – Gereba

A canção, gravada originalmente para o CD “Toques e Cantares”, de 2004, traça cenas do que acontece e tem vida em torno da lagoa de Guaraíras.

16 – PONTA DA PIPA” – Waldonys

Um xote tradicional para a praia da Pipa na voz do cearense Waldonys. Imagens de uma “moçada” em banhos de mar sob as estrelas, aventuras no Chapadão.

17 – “SERTÃO HERÁLDICO” – Arnaldo Antunes

Arnaldo Antunes poetiza a heráldica sertaneja dos signos de ferro de marcar boi, o universo de Oswaldo Lamartine. A repetição e sobreposição de significados oralizados cria um mantra hipinotizante genial sob o som dos instrumentos-esculturas de Smetak.

18 – “FLORADAS EM CANUDOS” – José Nêumanne Pinto

Violão, viola e acordeom e a declamação direta de José Nêumanne Pinto. Participação do Quarteto de Cordas Igapó.

19 – “MALHADOR” – Silvério Pessoa

Coco de embolada de Carlos Zens e Dácio Galvão na voz do pernambucano Silvério Pessoa. A faixa traz um registro da voz de Oswaldo Lamartine cantando trecho do Coco do Tamanqueiro.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Luiz Caldas e Paulinho Boca no Seis e Meia

O baiano Luiz Caldas vem acompanhado de Paulinho Boca de Cantor como atração nacional do próximo Projeto Seis e Meia. Passagem, translado, alimentação e hotel para sete pessoas. Se vierem em voo da TAM, os dois chegam às 13h15 da terça-feira. Se a Fundação José Gugu preferir o voo da Gol - bem mais barato - chegam às 1h45 da madrugada.

François Silvestre no Youtube

François Silvestre colocou nesta quarta-feira um vídeo no youtube de uma coletiva dele concedida em Martins, sob coordenação do jornalista Osair Vasconcelos.

Para ver basta clicar AQUI.

OBS: A participação do jornalista e produtor Petit das Virgens é sensacional, como a poesia declamada de autoria de François.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

As mesas definidas da Flipa

A Flipa começa a definir sua programação literária:

* Literatura, jornalismo, "memórias” é o tema da mesa que contará com a presença de Danuza Leão, tendo como interlocutor o jornalista Woden Madruga

* Já a escritora Marina Colasanti e convidados debaterão o tema: ”Literatura e Viagem”

*Daniel Piza debaterá sobre temas como Euclides da Cunha, com direito a exibição de documentário histórico sobre a ida de Euclides à Amazônia

*Também estão confirmadas as presenças de Heloísa Buarque de Holanda e do escritor Ronaldo Correia de Brito

Escritores locais também estão confirmando presença nas diversas mesas do Festival. Entre eles: Geraldo Queiroz, Diógenes da Cunha Lima, Nei Leandro de Castro e Sanderson Negreiros.

O Festival Literário da Pipa-Flipa acontece de 24 a 26 de setembro. O I Festival Literário da Pipa é uma iniciativa do Governo do Estado através da Secretaria de Turismo e da Secretaria Estadual de Educação e Cultura, sob a coordenação da Fundação Cultural Helio Galvão.

Ações:

- Mesas com autores nacionais
- Debates sobre literatura potiguar, antropologia, cultura popular
- Presença da livraria Siciliano
- Tenda de autógrafos
- Tenda literária climatizada para 300 pessoas sentadas

Exposições
Shows musicais
Varal de imagens
Apresentações culturais

Gregório Bezerra no cinema


Começam no mês que vem as filmagens do longa metragem História de um Valente, baseado na vida do líder comunista Gregório Bezerra, um dos ícones da esquerda brasileira. O filme, dirigido por Cláudio Barroso, contará a trajetória de Gregório entre 1957 e 1964.

Nesse período, o personagem teve intensa atuação política e terminou preso pelos militares. Foi o único opositor do regime militar a ser torturado em praça pública, no Recife. O protagonista será Jackson Antunes.

O filme está orçado em R$ 3,5 milhões. O longa vai contar com reconstituições em locações do Recife e do interior pernambucano. Serão reconstituídos, por exemplo, lugares como a Praça de Casa Forte (local onde Gregório Bezerra foi publicamente torturado), pontos do bairro de Jardim São Paulo (onde o comunista morou) e ainda na Zona da Mata Sul de Pernambuco.

Fiquei curioso. Tenho uma biografia de Gregório Bezerra em casa. O cara nasceu em Panelas, interior de Pernambuco, perdeu os pais ainda criança e veio para o Recife para trabalhar como carregador de bagagens na Estação Central, jornaleiro e ajudante de obras. Foi analfabeto até os 25 anos.

Gregório começou a se interessar pela política ainda jovem. Participou de manifestações em apoio à Revolução Bolchevique e das primeiras ondas de greve geral por direitos trabalhistas no Brasil. Fez parte do Partido Comunista do Brasil (PCB), do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e foi o deputado federal mais votado em Pernambuco na época da Constituinte.

De seus 83 anos, 23 foram passados na cadeia, nove na clandestinidade e nove no exílio . Gregório foi um dos 14 presos políticos trocados pelo então embaixador norte-americano no Brasil Charles Burke Elbrick. O consultor do filme, desde a primeira versão do roteiro – há três – é o filho de Gregório, Jurandir Bezerra.

A Gregório, o poeta Ferreira Gullar dedicou o poema, a História de um Valente. Veja um trecho:


“Valentes, conheci muitos,
e valentões, muito mais.
Uns só Valente no nome
uns outros só de cartaz,
uns valentes pela fome,
outros por comer demais,
sem falar dos que são homem
só com capangas atrás.

Mas existe nessa terra
muito homem de valor
que é bravo sem matar gente
mas não teme matador,
que gosta da sua gente
e que luta a seu favor,
como Gregório Bezerra,
feito de ferro e de flor”.

Patrimônios vivos do RN


A tradição do folclore potiguar - um dos mais ricos do Brasil - comemora hoje a entrega do diploma de Registro do Patrimônio Vivo a dez representantes da cultura norte-riograndense. Eles são os primeiros contemplados com uma bolsa vitalícia patrocinada pelo Governo do Estado por intermédio da Lei do Patrimônio Vivo. O anúncio de entrega será na presença do ministro da Cultura Juca Ferreira, no Teatro Alberto Maranhão, às 17h. O ministro vem a Natal para apresentar o texto conclusivo do Plano Nacional de Cultura.

Segundo o presidente da Comissão Estadual de Folclore, Severino Vicente, o diploma concederá uma série de privilégios em projetos culturais promovidos pelo poder público e a bolsa mensal e vitalícia no valor de R$ 1,5 mil (aos grupos) e R$ 750 (aos mestres). A comissão formada para escolha dos dez beneficiados foi composta pelos folcloristas Deífilo Gurgel, Severino Vicente e Gutenberg Costa, além do diretor geral da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto e de uma representante da Secretaria Estadual de Educação e Cultura.

Deífilo Gurgel afirmou que foram consideradas a capacidade, a tradição, vivência e situação atual de cada grupo e mestre. Alguns, como o poeta popular mossoroense Luiz Campos, 70 anos, vive em situação precária de saúde e de moradia. “Não escolhemos ninguém sem merecimento. Apenas alguns também levamos em consideração esses fatores”. Caso também do mestre de Congo de Guerra de Ceará-Mirim, Sebastião João da Rocha, o mestre Tião Oleiro, de 95 anos. “Ele até hoje ainda guarda empolgação para repassar seus conhecimentos à nova geração”.

Além dos dois primeiros grupos escolhidos pela Comissão e divulgados em matérias de destaque no Diário de Natal - o Fandango e a Chegança de Canguaretama - também foi definido o Caboclinho de Ceará-Mirim como terceiro e último grupo deste ano consagrado pela Lei, de autoria do deputado estadual Fernando Mineiro. O Cabocolinho cearamirinense, comandado pelo mestre Birico, possui 80 anos de atuação e é considerado o único fiel às tradições deste folclore no Rio Grande do Norte.

Os sete mestres escolhidos incluíram, além do poeta Luiz Campos e do mestre Tião Oleiro, o escultor Grigório Santeiro, 69 anos, oriundo do município de Tangará e especialista em esculpir presépios; o cordelista Xexéu, 71 anos, natural de Santo Antônio; o mamulengueiro João Viana, 79 anos, um dos grande nomes da cultura popular de São josé de Campestre; Antônio da Ladeira, 85 anos, que toma conta do Boi de Reis do município de Santa Cruz; e Antônio do Papará, 68 anos, mamulengueiro e mestre de Boi de Reis de Macaíba.

Segundo a Lei, nos próximos cinco anos serão beneficiados 35 mestres e 5 grupos. “Alguns nomes importantíssimos ficaram de fora nesta primeira oportunidade, como o filho de Chico Daniel (o também mamulengueiro Josivan), algumas romanceiras como Juvina Monteiro, de Rio do Fogo ou a própria dona Militana e outros grupos e mestres que poderão ser escolhidos nos próximos anos”, estima Deífilo. A verba para este ano - de R$ 70 mil - já foi liberada e espera agora os trâmites burocráticos para serem pagas.

Segundo o deputado Mineiro, a intenção da Lei é preservar as manifestações populares e possibilitar o repasse de conhecimentos às novas gerações. A Lei do Patrimônio Vivo foi aprovada em julho, após dois anos de luta contra vetos e burocracias. Vencidos os obstáculos, outra barreira surgiu. Segundo Severino Vicente, uma das cláusulas da Lei exige CNPJ aos grupos folclóricos, cujas atividades são manifestações espontâneas, sem qualquer registro ou mesmo conhecimento a respeito de trâmites jurídicos para abertura de empresas.

Para Severino, esta será outra barreira a ser vencida para que os dez “patrimônios vivos” possam receber a bolsa em setembro. Severino afirmou que a Fundação José Augusto disponibilizou, aos interessados, uma equipe para orientar a respeito dos procedimentos.

* Matéria publicada nesta quarta-feira no Diário de Natal

* Na foto tremida acima, este blogueiro (então estagiário), Gustavo Porpino (então éditor assistente da Preá) e o poeta popular Luiz Campos, na residência do próprio, em Mossoró.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Da polêmica Flipa

Acho que a frase "seja local e se torne universal" é de Tolstói. Não importa. O sentido da frase encaixa bem na discussão a despeito do formato do mais novo evento literário deste Rio Grande.

A Festa Literária de Pipa foi idealizada por Rodrigo Levino e Alex Medeiros. Logo no início conversei com o primeiro. Até noticiei uma nota em minha antiga coluna (que volta neste domingo!) à época.

Alex Medeiros hoje em sua coluna disse que pretendia um evento mais próximo ao formato da badalada Fliporto - a Festa Literária de Parati, mais cosmopolita. Lembro que Levino comentava algo parecido.

O tempo passou. A secretaria de Educação e a Fundação Hélio Galvão entraram na jogada como substitutas da secretaria de Turismo no patrocínio e organização do evento.

E eis a polêmica: Alex Medeiros reclamou hoje do formato "rococó" dado ao evento. Criticou a presença de grupos folclóricos locais e disse que pretendia algo mais grandioso, com maiores pretensões que não mera visibiliade da província.

E ai volto com a frase inicial. Cultura popular diminui a grandeza de eventos sejam eles qual forem? A marujada de Georgino Avelino, por exemplo, representa a época do rococó? O resgate de Chico Antônio reduz a universalidade do evento? Não acho.

Respeito a opinião de Alex Medeiros. Muito mais pela tentativa de modificar, criar o novo do que pelo argumento usado. Até porque vejo no evento figurinhas repetidas de álbuns como o ENE, o Festival Literário e o Encontro de Escritores.

Enfim, vou mais é torcer pelo sucesso da Festa. O cenário é diferente. A participação maciça de grupos folclóricos é novidade. E tudo em um primeiro evento que promete amadurecer.

Diálogo em Cena

O que já foi noticiado por aqui, foi adiado por ali, agora será promovido amanhã, na mesma Casa da Ribeira, no mesmo bathorário: 19h. É o Diálogo em Cena, ainda com o poeta Diógenes da Cunha Lima para falar do professor Cascudo.

O projeto tem o patrocínio do BNB Cultural. O intuito é, a partir da pesquisa do gesto nordestino e da obra de Cascudo, montar um espetáculo de teatro com texto original.

Sarau da Aliança Francesa

O fundador da Galeria do Povo naqueles psicodélicos anos 70, o sumido poeta e artista plástico Eduardo Alexandre, o Dunga, avisa que nesta quarta-feira acontecerá o 5º Sarau da Aliança Francesa de Natal 2009, às 19h.

O sarau homenageará o escritor/poeta potiguar Adriano Gray Caldas, cujo tema envolverá a obra do poeta francês René Char.

Além da homenagem ao escritor potiguar, haverá a participação do Grupo Lumiar interpretando a música potiguar/brasileira e francesa.

A exposição ficará por conta de Dunga e o sarau terá como mestre de cerimônia o ator Rodrigo Bico.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Agosto


Agosto parece mês inebriado. Abriga a força dos ventos alísios. E dos ventos chega a maresia a acalmar mentes e almas. E a brisa umedece sensações e perfuma ainda mais os coqueiros-caciques de Navarro de uma melancolia infinda.

Das varandas à beira-mar, o agosto se faz mais presente. O sabor das ondas nos olhos; o gosto do mar no corpo. Dos silêncios da praia, brota o barulho da natureza, remexida pelos ventos do mês. Os coqueiros suspiram, arquejam de tédio. O mar bravio descansa no encontro com as falésias. Os olhares, mais ausentes, acompanham inebriados o navegar manso da canoa em labuta, alheia ao vento e ao frio.

Ainda há o manto invernal. Os ventos friorentos de agosto intimidam os cajus. Das dunas de Santa Rita ainda se vê algum. A chuva de amarelos e avermelhados frutos vem mesmo no veraneio. É que caju é fruta alegre, amigo leitor. Vê-se pela cor. E neste mês cinza, os cajus e a euforia se escondem como marias-farinhas em suas tocas, medrosas a qualquer pingo de chuva.

Nas dunas desta praia espremida e pacata, da qual vigio há mais de 20 anos, é onde os ventos de agosto parecem encontrar morada. Vagueiam pelo mar em direção à duna, como quem persegue a solidão das pegadas na areia: passos de melancolia. E daquela mesma duna que aguarda o sol em fim de tarde, emana o cenário dos céus em gradações de cores, interrompidas por nuvens carregadas de tédio.

E as dunas são movidas pelos ventos. Brisas geladas que congelam corações e mentes nativas que ainda habitam aqueles confins de praia, regressados aos seus barracos na companhia do sol, nos fins de tarde. E seguem carregando o peixe ou a estafa, enquanto a canoa adormece numa solidão tristíssima nos barrancos de areia à beira-mar.

É assim o caminhar nestes dias de agosto: mês com cara de grande manhã cinzenta, longe das tardes insistentes e abafadas do verão. Em agosto os dias se arrastam, medindo forças com o tempo e com o vento. São carregados de uma tristeza refletida na introspecção dos passantes na calçada; no olhar perdido do ambulante. É que agosto parece querer regressar no tempo.

Mas os ventos parecem abrandar neste fim de mês. Setembro já é mira no horizonte. Mês sem graça; mês vazio. Parece transitório. Já se pensa em algum verão; alguma alegria. É quando o período contemplativo é guardado novamente no armário, junto aos cachecóis. As nuvens entediadas se dissipam. E lá longe, na duna daquela praia-refúgio, os cajus ensaiam largar a vírgula das castanhas.

Poeta pernambucano

De um poeta pernambucano chamado Múcio de Lima Góes. O cara lançou seu segundo livro de poesia em Belo Horizonte e São Paulo e agora pretende vir a Natal, além de Recife e Maceió. O livro chama-se Grãos ao Alto!

Uma vez me disseram que basta uma poesia para demonstrar o poeta. Contrario o dito. Seguem algumas mostras do trabalho de Múcio de Lima Góes:

finesse

dona
de uma fineza
absoluta:

na sala, Sartre,
na cama, Sutra.


poemar

quando amar
não tem siso
n
a
u
f
r
a
g
a
r

é preciso


esqueça caetano

venha
me livrar
dessa vidinha à toa,

enquanto
eu fernando,
você outra pessoa:

rapte-me da cama,
leoa!


sinfonia para silêncio em sol menor
e assim
quando você
me perceber extinto

não me pergunte
como foi
nem como vou

trago na boca
esse buquê
de vinho tinto

passei
como um vento
que passou


de passagem

viver
sempre foi
esse sufoco.

dizem
que Rimbaud
morreu louco,

Dolores Duran
durou muito
pouco,

James Dean
também
foi algo assim,

de Doris Day
é pouco
o que eu sei,

mas sei
que todos
ultra-passaram o “fim”,

Jimmy, Che,
Joplin, Jobim,
Caymmi, Caim,

e me pergunto,
o que será
de mim?

Mostra de cultura e arte

Sueldo Soares, Isaque Galvão, Rosa de Pedra e outras atrações musicais de talento integram a programação da 4ª Mostra de Cultura e Arte da UnP. O evento começa nesta terça-feira e segue até sexta, distribuído no Teatro de Cultura Popular (TCP), no Praia Shopping, e na UnP (campus Floriano Peixoto).

Durante o evento, haverá apresentações de artistas locais em todas as vertentes da arte: dança, música, artes plásticas, incluindo até o paladar como as mostras de gastronomia.

No lançamento, a banda Rosa de Pedra (elogiada pela revista Rolling Stone) e o cantor Isaque Galvão brilham no Rastapé, em Ponta Negra. Isaque fará o show Matulão, com músicas de seu primeiro Cd - uma releitura das músicas de Luiz Gonzaga que, sinceramente, não gostei.

Na quarta-feira, no TCP tem Mostra de Dança, a partir das 19h, e no Praia Shopping será a abertura da Mostra de Música com o Coral UnP e o Trio Sanfoneiro Rastapé, no mesmo horário.

Na quinta-feira continua a programação no TCP com a Mostra de Teatro, a partir da 19h. Já no Praia Shopping a programação inicia pela manhã, às 10h, e ocorre durante todo o dia. Ainda nesse dia, na UnP – Floriano Peixoto a Mostra de Corais tem início às 18h.

O cantor Sueldo Soares fecha o evento na sexta-feira, no Praia Shopping. Nesse dia, a programação ocorre normalmente, a partir das 10h. À noite será especial e com ritmos variados com as bandas ‘Drive Out’, ‘Os Primos’, e o namoradinho da cidade do sol, Sueldo Soares.

Todo o evento é aberto ao público, exceto na noite do lançamento.

Ceará-Mirim inserida na Lei do Patrimônio Vivo

Os dez beneficiados deste ano pela Lei do Patrimônio Vivo já foram escolhidos.

Como noticiei por meio de matéria veiculada no Diário de Natal, os dois primeiros grupos (dos três contemplados com a bolsa vitalícia de R$ 1,5 mil) foram a Chegança e o Fandango, ambos de Canguaretama.

Soube hoje que o terceiro e último foi definido. E para minha alegria, o grupo escolhido foi o Cabocolinho de Ceará-Mirim, capitaneado pelo mestre Birico.

Quando estive em Ceará-Mirim para realizar o mapeamento cultural proposto pela revista Preá tive a oportunidade de conversar com Birico e com mestre Tião, do Congo de Guerra, do mesmo município.

Pois meu amigo e grande batalhador da cultura cearamirinense, Gibson, avisou que o nonagenário Tião foi o sétimo e último escolhido para receber a bolsa individual (R$ 700), entregue aos mestres.

Torço mesmo que essa grana seja bem empregada e produza frutos, incentivo e dignidade a essas pessoas. Elas merecem e muito.

De cá, tiro meu chapéu surrado a Gibson, ao deputado Fernando Mineiro - autor da Lei - e à Comissão Estadual de Folclore, presidida pelo folclorista Severino Vicente e de seu presidente de honra, Deífilo Gurgel, pelas escolhas.

domingo, 23 de agosto de 2009

A liberdade de Agaciel termina quando começa o futuro

Desde quando se sabe que o mundo é mundo a privacidade é algo cultuado. Noé ficou puto ao ser flagrado pelo filho Cam, bêbado e nu em sua tenda. Está tudo no Gênesis. O tempo passa, a Bamerindus nem existe mais e a vida continua numa busca desenfreada por explicações. Até onde a liberdade alheia invade o seu mundo? Nem pergunte ao seu sábio vovô, leitor dos gregos pais da democracia moderna, de George Orwell, Montaigne e outros visionários. Melhor colher informações com a geração Google. São eles os protagonistas de um mundo interligado e revolucionário que se descortina sem segredos ou fronteiras.

Segundo informam especialistas nesse troço invisível chamado internet, um dos preços pagos pela inexistência de fronteiras no mundo será a divulgação de várias informações responsáveis por um verdadeiro rastreamento da vida particular de cada cidadão interneteiro. “Ah, mas eu não uso internet”. Terá que usar. Segundo esses mesmos nerds, em breve até objetos banais do cotidiano com um liquidificador estará interligado à internet e passará informações sobre consumo de energia, horários de uso e o escambal. Ou seja: algum desocupado interessado saberá que você tomou sua vitamina de banana às 7h34.

Enquanto a existência avança dos 15 minutos de fama profetizados por Andy Warhol para um Big Brother interminável, há “cidadãos” que enxergam além. O profeta Agaciel Maia vislumbrou essa abertura das janelas do mundo há 14 anos e procurou meios para preservar o que muitos buscam ou precisarão buscar nos próximos anos: privacidade. Escondeu um castelo no nome do irmão e desafiou a eficácia do projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer ao construir um bunker de 130 metros quadrados para encontros íntimos dentro do Senado Federal, embaixo do piso onde funcionam os escritórios mais disputados pela Casa. Uma escada secreta foi construída para interligar o bunker ao dito pavimento.

Na sala “privativa”, banheiro, sofás, tapetes vermelhos, spots com luz especial, frigobar, equipamentos de som e vídeo, um telão e um cofre de aço de um metro de altura. Imagine todos esses objetos interligados à internet; ao mundo futurista onde todas as informações serão digeridas da forma como quiser, como também adiantou o visionário Collor? Os vestígios seriam mais do que a bisnaga de KY (pomadinha lubrificante indicada para proteger nosso monossílado), revistas e vídeos eróticos, manchas no sofá (o cara tinha ejaculação precoce? Só a internet do futuro poderá responder...). Verdade é que durante 14 anos, o ex-diretor do Senado botou na gente sem cuspe ou KY. Tudo secreto, privado.

Os momentos íntimos do profeta Agaciel e da sua telefonista que andava de BMW estavam até então encobertos pelo manto de uma nuvem distante do espaço de processamento e armazenamento de dados proposto pelo Novo Mundo de olhares atentos, escondidos nas tomadas das residências. Baixada a nuvem carregada, já com portas abertas ao verão, Agaciel foi flagrado pelo Diário de Natal num bar da cidade. Tomava uma cerveja de R$ 60. A prova? A foto tirada a partir do celular da repórter e o garçom cabueta (esses existirão sempre, em qualquer Era). Por sorte estava acompanhado da família. Não era nenhum encontro clandestino.

É que muitos marmanjos, ainda desacostumados com as novas tecnologias, insistem em desculpas esfarrapadas, quando o histórico de navegação na internet pode ser rastreado. Os celulares já tiram fotos, filmam e agora possuem GPS para localização dos bares até então privados, restrito aos bons amigos, à cerveja e à conversa solta, da vida alheia cada vez mais perseguida. Na mesa ao lado pode morar o inimigo. Celulares, iphones, gravadores, câmaras projetadas numa caneta. E todas as provas repassadas via laptop, bluetooth ou outra palavra inglezada aos arianos suassunas e inocentes maridos. Ao chegar em casa, as informações e flagrantes já foram repassadas às antenadas esposas, ainda protegidas pela antiga, simples e eficiente desculpa da dor de cabeça.

Minha sobrinha vascaína



Para desespero do papai flamenguista, minha sobrinha já mostra lucidez e inteligência desde cedo pela sua preferência futebolística, sem qualquer pressão! (rs). Mais do que a imagem, fica os parabéns do titio babão pelos 3 aninhos completados nesta sexta-feira.

Parabéns, Bia!

Khrystalina invade o Rio de Janeiro


Cartaz definitivo do show da nossa cristalina no Armazém Hall, nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro. E após o espetáculo, segundo informa o incansável Zé Dias, será exibido em telões, o programa Som Brasil, em homenagem a Alceu Valença, com participação de Khrystal.

Quem quiser assistir os bastidores do Som Brasil, basta clicar AQUI.

Sobre Cuba

A quem interessar, entrei em contato com o escritor e jornalista Samarone Lima por e-mail para colher informações a respeito da chegada de seu último livro: Viagem ao Crepúsculo, em Natal.

Esse livro traça um panorama sobre a ilha de Cuba. Segundo foi comentado, é uma visão mais isenta do que A Ilha, de Fernando Morais. No blog Sopão do Tião tem mais informações sobre o livro.

Samarone aconselhou que eu fosse a uma ou duas livrarias recomendar o livro. Normalmente vem um ou dois livros. Aos interessados, façam o mesmo. Carlos Magno Araújo e Severino Vicente elogiaram muito a obra.

sábado, 22 de agosto de 2009

Candidatura de Iberê foi lançada

Agora danou-se tudo. Na primeira reunião do PSB, ocorrida agora há pouco no PraiaMar Hotel, a candidatura de Iberê Ferreira de Souza foi praticamente lançada. Não só pelo próprio, mas pela deputada Márcia Maia, o membro da executiva estadual do partido, Gustavo Carvalho, o vereador Júlio Protásio e a própria governadora. Seus discursos não deixam dúvidas. Vamos esperar agora os desdobramentos desses conchavos políticos.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Por uma sociedade alternativa


Já são 21 anos sem o maluco beleza. Se vivo fosse, o cowboy fora da lei até assistiria sociedades alternativas defendidas por ele. Estão espalhadas por Brasília, Oriente Médio... Todas inspiradas na filosofia do ocultista Aleister Crowley: “Faze o que tu queres há de ser tudo da lei”. A interpretação da ideia, infelizmente foge radicalmente da sociedade utópica sonhada por Raul Seixas. Nela, inexistiam atos secretos ou fundamentalismos. Mesmo sem alicerces teóricos, a sociedade alternativa se amparava tão somente na celebração da vida. E a festa começa amanhã. Pelo menos durante a 20ª edição do Tributo a Raul Seixas, a chama místico-filosófica da sociedade alternativa estará viva.

O evento está inserido no calendário cultural de Ceará-Mirim como a mensagem de Raul guia o cotidiano dos milhares de fãs que aportam na cidade durante o Tributo. Vem maluco beleza de vários estados nordestinos para viver um dia fora da lei, “há dez mil anos atrás” (sic) e conferir um acervo de discos, vídeos exibidos em telão, shows ao vivo, exposições e raridades de colecionadores, como Erivan Pereira, o idealizador do Tributo e cópia genérica do parceiro do compositor Paulo Coelho. Segundo Erivan, o evento foi o primeiro tributo a Raulzito (iniciado em 18 de agosto de 1990) e permanece como um dos maiores do país.

Erivan, além de fã, foi amigo da família do ídolo, até a morte da mãe de Raul, Maria Eugênia Santos Seixas. Durante vários anos manteve contato e trocou cartas e objetos com a mãe do ídolo. “Ela até pedia alguns objetos que eu tinha e enviava outros que guardo até hoje”. Afora a isso e a semelhança física com o maluco beleza, Erivan também assistiu ao único show de Raul Seixas em Natal, em 1º de setembro de 1983, no Palácio dos Esportes. “Ainda guardo os cartazes do show”. Antes disso, em 1981, fundou o que hoje é o primeiro e único fã clube de Raul Seixas do Rio Grande do Norte: o Raul Seixas Club.

A fisionomia da cidade vizinha, de verdes canaviais, muda ao assistir quase duas mil pessoas com jeitão hippie, cavanhaques no rosto e óculos escuros (todos desprovidos de colírio, claro) aportando na cidade. E chegam por todos os lados: de carro, ônibus, a pé e principalmente de trem (este não vem surgindo por trás das montanhas azuis). Se aglomeram de forma anárquica – como pede a sociedade alternativa – no Mercado Público para uma prévia etílica e descem ao Centro Cultural e Esportivo de Ceará-Mirim em seguida. O ponto alto do dia são as apresentações das bandas. Nesta edição, Dr. Pacheco, Os Grogs, Mobydick, KDA-2 e Sociedade da Grã-Ordem Cavernista.
O tamanho do evento provocou nova logística na estação da cidade, com passagem extra para as 23 horas, para carregarem de volta os malucos da sonhada sociedade alternativa.

* Matéria publicada hoje no Diário de Natal

Projeto Mirante de Música

Soube hoje de um novo projeto musical da Capitania das Artes promovido no belíssimo mirante da vila Redinha. Será hoje, às 18h. Ainda com espaço para lazer e entretenimento. Fiquei empolgado. Finalzinho da tarde, início da noite. Paisagem deslumbrante. Brisa. Mar. Lua. Música. Rio Potengi. Imagina aí o regionalismo cosmopolita de um Galvão Filho, a música instrumental de Carlos Zens, a voz suave de sereia de uma Diana Cravo, uma Claudiane Antunes para abrilhantar e tornar mágico o momento... Aí fui avançando no release e... "A primeira edição do Projeto Mirante da Música”, no Mirante da Gente, localizado na Redinha, terá o show do Deputado seresteiro Luiz Almir além da feirinha de artes plásticas". E meu sonho caiu por águas abaixo. Que venha o próximo. A ideia é massa.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Jornalista: um bicho de 7 cabeças e 10 chifres

Senhor, tende piedade de nós! Pura realidade o que essa moça escreveu no site Digestivo Cultural. E de cá, acrescento: jornalista de cultura nessa cidade precisa ainda entender de música, cinema, teatro, artes plásticas, folclore, escultura e ainda ter um senso incrível para aguentar vaidades alheias e pessoas sem bom senso ou compreensão. Por isso, repito: Senhor, tende piedade desse seres de... chifre?

Por Débora Carvalho

Uma cabeça só não seria suficiente para o jornalista contemporâneo ser capaz de acompanhar as atuais exigências da profissão. Antigamente as demandas eram distintas, segmentadas em áreas exclusivas. Alguém só para analisar e propor pautas. Outra pessoa só para apurar informações. O repórter nas ruas. O redator que escrevia com base nas informações do repórter e do apurador. O cara da diagramação. Revisor. Fotógrafo. Câmera. Editor de áudio. Editor de vídeo. Motorista. Operador de som. Locutor.

Hoje é diferente. O jornalista tem que saber o que aconteceu, o que acontece e o que vai acontecer ao seu redor e no mundo. Escrever em cinco linguagens diferentes: jornal impresso, revista, internet, rádio e televisão, com maestria. Texto impecável. Criatividade. Domínio das tecnologias para fazer o máximo de coisas sozinho.

Não existe mais pauteiro. Nem apurador. O repórter tem que entregar o texto final, impecável. Existe até vídeo-repórter, que faz a matéria sozinho ― com passagem e tudo ― e edita o VT no notebook, no estacionamento do shopping onde parou para fazer um lanche ― para chegar à redação com a matéria pronta para ir ao ar.

Além das exigências de múltiplas performances e habilidades, a estabilidade em carteira assinada também está em extinção. Vivemos em um novo mundo, onde o jornalista ― além de multiuso ― também precisa ser empreendedor.

Nesse cenário apocalíptico, o jornalista é um bicho de sete cabeças e dez chifres. Uma cabeça só não dá conta de tantas exigências. Quais você imagina que são? Minha sugestão é cultura, agilidade, proatividade, sensibilidade, tecnologia, empreendedorismo e humanidade.

1. Cultura
Além da popular, a erudita. História, atualidades, arte e costumes. Isso inclui conhecer bem o próprio idioma: estar entre os 28% da população com alfabetização plena. E mais. Na condição de comunicador, precisa ser capaz de falar com os 72% que não compreende bem o que lê. Nada de conversar com o próprio umbigo ou só com a elite e colegas de profissão.

2. Agilidade
Tudo é pra ontem nesse novo mundo. Vivemos na cultura do imediatismo. Então, é bom que os hábitos de vida do jornalista permitam que ele tenha um raciocínio muito veloz. Tem que digitar rápido, diagramar mais rápido ainda. Editar sem erros. Ir direto ao ponto. Não dá pra enrolar tempo na atividade e menos ainda enrolar o público com blablablá. O texto também precisa ter essas características, ser claro, objetivo e de fácil leitura. Parágrafo que a gente precisa ler duas, três vezes para entender, só em artigos acadêmicos. Quando essa cabeça pega no sono a matéria não sai.

3. Proatividade
Degolar essa cabeça por achar que o beneficiado é sempre o próximo é a pior bobagem. Ser proativo, cheio de iniciativas e de bondade ― com foco nos resultados e no bem-estar das pessoas ― é a chave para aquela promoção. Ou demissão. O incrível é que ser demitido por um chefe incompetente e invejoso abre as portas para que você encontre seu espaço legítimo. É um favor que você recebe da vida, pois talvez não tenha coragem para pedir demissão.

4. Sensibilidade
Quando a sensibilidade fica com dor de cabeça é o fim. Pausa para férias. Sem sensibilidade, você fica com a percepção alterada. O texto fica péssimo, sem criatividade e sem nexo. Você não vai saber quando e com quem ser proativo. Vai deixar de fazer a pergunta mais importante. Talvez até publique uma barrigada sem apurar os dados ― por falta de atenção. Não vai perceber as alfinetadas ou que está sendo capacho do colega, ou que você mesmo está agindo com grosseria ou arrogância. Sensibilidade é questão de sobrevivência.

5. Tecnologia
Conteúdo não é nada se ninguém tiver acesso. A tecnologia permite que os conteúdos cheguem às pessoas. O jornalista contemporâneo domina todas as novas tecnologias à medida que vão surgindo, e as aplica para facilitar a produção do seu trabalho.

6. Empreendedorismo
Pois é. Hoje, o jornalista sem espírito empreendedor, ou coragem para empreender, perde muito. O patronato não tem espaço para empregar todo mundo. E ainda existe a relação entre os empreendedores de grande porte com os empreendedores micro ― uma empresa composta de eu e minhas sete cabeças. O jornalista empreendedor não tem rabo preso. E precisa aprender marketing e publicidade ― para aplicar em si mesmo. É uma aventura que pode valer a pena para os que têm coragem.

7. Humanidade
Se ela tiver um AVC, você pode esquecer que seu compromisso profissional é com o público e não com o seu chefe. A sétima cabeça é a primeira que nasceu. Do tempo em que não existia tecnologia nem multifunções. É aquela que mostra que você não é super-homem, nem advogado, policial ou juiz. Ela é a ética, o caráter. É a verdade e o respeito acima de tudo. É o que te dá coragem de abandonar o emprego que paga mal e demitir o chefe sem escrúpulos. É a sua dignidade ― que não tem preço. Ou tem?

É por esse trabalho todo que o jornalista é um bicho de sete cabeças.

E os dez chifres? ― Tomara que você tenha nenhum.

Das reclamações (pertinentes) de Zé Dias

Durante este dois anos de sobrevivência do disco Coisa de Preto, Khrystal participou de alguns festivais de gastronomia deste Estado e neles a preservação da culinaria potiguar, sem execeção, sempre esteve em último plano. E não me lembro "das raríssimas exceções". Terça-feira, fui ao Marenosso Restaurante, no Centro de Turismo, Antiga Detenção, e junto com seu proprietário, o batalhador Francisco Barbosa, servi-me de um bolinho de macaixeria com (carne de sol, camarão e queijo de qualho) que o cabra come sorrindo, feitos pela mãos divinas de Tia Lúcia e Tia Chica, e me lembrei que já foi servido a Banda de Khrystal, Sanduiche da Merciaria em Martins e outras ótimas guloseimas que não tem nada a ver com nossa Gastronomia. Queria deixar registrado este momento agradavel que vivi no Marenosso e resgatar na memória a falta de cuidado dos que fazem Festivais de Gastronomia no Estado.

OBS do blogueiro: Só pra lembrar, Khrystal estará no Som Brasil, na Rede Globo, dia 26 de agosto!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Noite de livros, teatro e música


Só um aperitivo do que será o lançamento literário mais criativo deste ano, na província cascudiana. Nada de fila serpenteando as gôndolas e prateleiras de livros da Siciliano ou grupinhos em conversas afinadas aqui e ali. Se verá performances teatrais, música instrumental e cantada e material gráfico de primeira para ilustrar a noite. Ou o que esperar da performática dramaturga Cláudia Magalhães? O prefácio do livro é de Nei Leandro.

P.S: Clique na imagem para ver melhor.

Novidades na cultura e no DN

O Governo do Estado tentará fechar na próxima quarta-feira, em Brasília, um senhor projeto cultural para este Rio Grande.

Os detalhes, o amigo leitor poderá conferir numa nova coluna de cultura que estreia neste domingo no Diário de Natal.

Dos incompreendidos

Lendo hoje a coluna e as explicações de Carlão na Tribuna do Norte, já imagino as abobrinhas que o cara deve ter escutado pela crítica escrita ao último livro de Nei Leandro, há umas duas semanas.

Antes Carlão tivesse falado mal do livro A Fortaleza dos Vencidos. Nem isso. Ainda assim, imagino, foi criticado, ele, pela resenha feita de maneira honesta, tão somente.

Me parece que existem alguns mitos intocáveis nesta "Taba" de Ailton Medeiros. É a panelinha intelectualóide tão criticada por Adriano de Sousa. Quando o tempo deixar e meu rebendo sair, quero mais é que falem mal, mas falem de mim.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Exposição inusitada no Bardallos

Para comemorar o dia internacional da fotografia, o Bardallos Comida e Arte abre nesta quarta-feira a Exposição O Click da Casa. A exposição não é de nenhum fotografo famoso. A homenagem é aos clientes da casa: os boêmios, artistas e amigos do Beco da Lama que há mais de quatro anos fazem o movimento de um dos espaços mais frequentados e identificados com a cultura da cidade.

Na área de exposições estarão várias fotos desde o inicio do Bardallos. São momentos de shows, lançamentos, noites comuns e mais animadas. Registro de turmas de amigos, das mesas mais quentes, dos risos mais abertos tudo registrado por várias câmeras, vários fotógrafos e pessoas comuns que fotografaram suas alegrias em algum momento no Bardallos.

Várias das fotos foram feitas pelo próprietário Lula Belmont, pelo gerente do Bardallos Ricardo Nelson e por clientes diversos que por vezes se apossaram da câmera digital e saiu clicando. Quem for à exposição poderá ainda ser clicado pelo fotografo Antônius Manso, que estará fazendo fotos no formato 3x4 relembrando o tempo do Lambe-Lambe. Muito massa.

Mestre Deífilo


Num Estado tão pouco afeito aos seus valores artísticos e culturais, chega a impressionar este blogueiro o número de pessoas que procuram por Deífilo Gurgel no google e acha este blog.

No marcador de visitas deste Diário do Tempo há um mecanismo que identifica os caminhos por onde os visitantes chegam aqui. Só ontem foram mais de dez a procura de Deífilo. Hoje, até agora, foram mais quatro.

O folclorista, pai de nove filhos e considerado por gente do meio como o maior folclorista vivo do Brasil, merece muito mais. Não só pelo legado deixado à cultura popular, mas também à sua família e amigos.

Divulgados projetos habilitados no Programa BNB

O Banco do Nordeste divulgou hoje a lista dos projetos habilitados para análise pela comissão julgadora do Programa BNB de Cultura 2010 - Parceria BNDES. A relação completa está disponível no endereço www.bnb.gov.br/cultura. Nesta edição, 243 propostas do Rio Grande do Norte passaram à última etapa, 47% a mais do que 2008, e o resultado final deve ser anunciado até o dia 30 de outubro.

No total, foram inscritas 310 iniciativas culturais do RN, um acréscimo de 54% na comparação com o ano anterior. Nos próximos dias, os proponentes que foram desabilitados por não atenderem às exigências previstas em edital receberão correspondência informando a razão da desclassificação.

No Rio Grande do Norte, 94 projetos foram selecionados para receber recursos do Programa BNB de Cultura, desde a sua criação, em 2005. As propostas escolhidas receberam mais de R$ 1,3 milhão, que contemplaram diversos municípios do estado, a maioria dos quais localizados em regiões com precário acesso aos bens culturais. Em 2008, o RN foi o estado que contou com maior número de projetos aprovados por meio do edital, selecionando um total de 29 propostas.

Agora, imagine se houvesse uma política de conscientização e facilitação da parte dos gestores públicos da cultura para regularizar a situação jurídica de tantos artistas, grupos e instituições culturais. O próprio Fernando Mineiro constatou essa dificuldade ao lançar a Lei do Patrimônio Vivo. O próprio benefício dos Pontos de Cultura estão atrasados também em decorrência de falta de documentação. É estranho que ano passado este Rio Grande tenha ingressado com o maior número de projetos aprovados. Imagine os outros estados...

Artistas potiguares em Fortaleza

As bandas potiguares Caninga Trio, Poetas Elétricos e Tricor participarão da 8ª edição da Feira de Música. O evento começa nesta quarta-feira em Fortaleza e é um dos principais festivais da cena independente brasileira. Até sábado, 60 grupos se apresentarão nos cinco palcos do evento realizado pela Associação dos Produtores de Discos do Ceará (Prodisc), com parceria do Sebrae/CE e patrocínio do BNB e BNDES. E pense em três bandas porretas!

Beatles inédito

Várias imagens e conversas entre os Beatles que não tinham sido vistas nem ouvidas antes serão exibidas em setembro próximo em um documentário do canal britânico "BBC".

O filme da TV pública do Reino Unido leva o nome "The Beatles on record" e fará parte da programação especial que a "BBC" transmitirá durante uma semana sobre a banda.

O documentário foi feito a partir de gravações recolhidas no famoso estúdio de Abbey Road em algumas das últimas sessões dos quatro membros da banda juntos. No vídeo, é possível ver imagens e ouvir conversas inéditas de John Lennon, George Harrison, Paul McCartney e Ringo Starr, além do produtor George Martin.

A produção mostrará a evolução musical do grupo de Liverpool desde seu primeiro disco, "Please Please Me", de 1963, até "Abbey Road", gravado em 1969.

Cerca de 60 canções, fotos e sequências quase totalmente novas, assim como várias cenas dos artistas que foram descartadas na época são parte do material reunido no documentário.

A "BBC" exibirá o trabalho em setembro, poucos dias antes de colocar à venda os álbuns originais remasterizados da banda e lançar o videogame "The Beatles: Rock Band".

O canal britânico também terá durante essa semana de programação especial sobre os Beatles um documentário sobre a primeira visita da banda aos Estados Unidos, que jamais foi exibido para televisão.

(com informações da Agência EFE)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Jornalista natalense é selecionada para CQC

A jornalista natalense Ana Paula Davim, de 21 anos, foi selecionada entre os 32 candidatos ao posto de oitavo integrante do programa CQC, da TV Bandeirantes.

Mais de 30 mil pessoas enviaram seus vídeos à produção do programa. Não consegui identificar nenhum outro nordestino.

Todos os 32 candidatos, de maioria masculina, já estão no Programa para uma série de eliminatórias até a escolha final em setembro.

O CQC é hoje um dos programas mais qualificados, senão o melhor, da TV aberta brasileira, o que não representa muita coisa a quista do que é exibido. Mas é, digamos, a nova coqueluxe do humor inteligente.

Boa sorte à jornalista, filha do deputado estadual Paulo Davim.

Orquestra de violões

Não precisar ser o violonista mais consagrado da música. Basta apenas ter um violão e interesse em aprender cada vez mais esta arte. Esses critérios integram o objetivo do projeto de extensão da Escola de Música da UFRN “Orquestra de Violões”.

O coordenador do projeto, professor João Raone, explica que a idéia é fazer com que as pessoas que tocam violão, ligadas ou não a instituições de ensino de música, façam parte da orquestra, desta maneira, juntando o maior número de violonistas do Rio Grande do Norte.

Os iniciantes vão ter aulas com os monitores do projeto, que são estudantes do curso de Música bacharelado da EMUFRN. “Muitas vezes têm aquela pessoa que tem um violão em casa e toca para os amigos. Estes também poderão fazer parte da orquestra”, destaca João Raone.

Os interessados devem procurar João Raone no número 9904-9994 ou pelo e-mail jpraone@musica.ufrn.br. Os ensaios vão ser aos sábados, às 10h, na Escola de Música da UFRN.

Exposições fotográficas

Um mói de exposições estarão espalhadas nos próximos dias em Natal para comemorar o Dia Internacional de Fotografia. Aí vão algumas dicas:

Outros Olhares - a Associação Potiguar de Fotografia (Aphoto), em parceria com a Capitania das Artes, realiza a mostra fotográfica Outros Olhares, no Norte Shopping, a partir desta quarta-feira. O evento é uma oportunidade de difundir a fotografia potiguar e divulgar as ações da Aphoto. Conforme o presidente Alex Gurgel, a Aphoto está aberta a qualquer fotógrafo (amador ou profissional) que atue em território potiguar. Para ser sócio efetivo basta o interessado preencher a ficha de inscrição na sede e pagar R$ 60 pela anuidade. A mostra ficará em cartaz até 31 de agosto. Associados, simpatizantes e fotógrafos amigos se reunirão às 18 horas para uma grande confraternização no local da exposição.

Antropologia - Dezoito ensaios fotográficos que integram um acervo etnográfico de alunos. pesquisadores e professores de antropologia estão expostos a partir desta quarta-feira e até sábado, no Centro de Convivência da UFRN. Outros eventos que o público pode participar são as mostras de vídeo, no total de 12, que vão ser exibidos na quinta (20/08) e sexta-feira (21/08), na Biblioteca Central da UFRN e o "Fórum da Antropologia Visual", também na quinta e sexta, no auditório da biblioteca, 17h30 às 19h30. A programação completa está no site www.cchla.ufrn.br/REA2009.

Grande Angular - O Senac RN e a OnG Zoon abrem nesta quarta-feira a mostra Grande Angular, composta de três exposições fotográficas, nas galerias da Capitania as Artes. Serão expostos os trabalhos de conclusão dos alunos do curso de Fotografia Digital. O tema é o corredor cultural de Natal. Durante dois meses os alunos fotografaram diferentes pontos da Ribeira e do Centro da Cidade. Ao todo são 30 obras, em tamanho de 30 X 40 centímetros. Quando deixar a Capitania das Artes, a Grande Angular segue para o Norte Shopping, onde fica durante todo o mês de setembro.

Buena Vista Social Club aqui pertin!

Li agora no blog vizinho de Ailton Medeiros notícias demasiado extasiante aos fãs da música cubana como este blogueiro.

A aura mágica da música de Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Omara Portuondo, Eliades Ochoa, Faustino Oramas e Rubén Gonzáles estará presente em Olinda no próximo 5 de setembro (um sábado!).

Essa galera é quase lendária. São músicos e compositores cubanos falecidos que viveram no ostracismo durante décadas. Eram reconhecidos antes da tomada do poder pela turma de Fidel e companhia.

Eles são os personagens do documentário de Win Wenders, Buena Vista Social Club. Ailton disse que foi indicado ao Oscar em 2006. Não lembro e nem duvido. Guardo o DVD original aqui em casa a peso de ouro.

Segundo Ailton, daquele período, Amadito Valdes e Barbarito Torres são os únicos remanescentes.

Pânico na TV em Natal





Os escrachados humoristas (?) do programa Pânico na TV voltaram a este Rio Grande para tirar mais uma onda. Desta vez foi em busca da Musa da Beleza Interior - um dos quadros do programa, protagonizados pela dupla Vesgo e Sílvio.

O jornalista Marcílio Amorim participou da produção local e não escapou das piadas. Segundo o próprio, é possível que esteja no ar durante a próxima exibição do programa. O quadro foi todo gravado em Natal.

As fotos a seguir são de Marcílio. Os detalhes dessa tiração de onda com o estado que elegeu a "musa da beleza exterior" mais bonita do Brasil podem ser conferidos no blog de Marcílio: www.blogspadeespera.blogspot.com

Lei do Patrimônio Vivo escolhe segundo grupo


Batalhas navais entre mouros e cristãos travadas no início do milênio passado ainda são encenadas no Rio Grande do Norte. A época das Cruzadas originadas na Península Ibérica é revivida em canto e enredo. E não provém da recriação pontual baseada em pesquisas históricas de algum grupo teatral ou mesmo da voz aguda da maior romanceira do Brasil, a potiguar Dona Militana Salustino. Vem da Chegança - auto natalino; manifestação espontânea repassada entre gerações durante mais de mil anos até estes dias contemporâneos. O grupo reside hoje em Barra do Cunhaú, município de Canguaretama. Naquele pedaço do agreste potiguar, a Chegança resiste ao tempo e ao descaso como o mais genuíno do Brasil e o segundo grupo contemplado pelo benefício da bolsa vitalícia de R$ 1,5 mil, concedida pela Lei do Patrimônio Vivo.

A Chegança de Barra de Cunhaú é liderada há 30 anos pelo pescador Waldemir Marques dos Santos, 73 anos. Ao contrário do Fandango de Canguaretama, a Chegança foi originada fora do município. Foi o tio de mestre Waldemir, João Marques quem trouxe de Natal. João também era pescador. Por coincidência morava na Rua da Chegança, no bairro das Rocas. Foi lá onde recebeu visita ilustre de um tal folclorista e um dos expoentes da arte moderna brasileira. A visita de Mário de Andrade ao Rio Grande do Norte, nos idos de 1928, foi muito além do famoso encontro com o coquista Chico Antônio. O paulista também visitou grupos folclóricos do Estado. E um deles foi a Chegança comandada por João Marques, nas Rocas.

Foi Mário de Andrade quem afirmou: a Chegança nada tem, a rigor, de caráter nacional. Como afirma o presidente da Comissão Estadual de Folclore, Severino Vicente, o auto chegou em formas portuguesas e incorporaram características particulares que a diferenciaram de outros autos marítimos. A Chegança simula lutas entre mouros e cristãos pela posse da Península Ibérica. É uma versão brasileira, em especial, nordestina, originada das mouriscadas da Península Ibérica e Danças Mouriscas da Europa. “É quase todo cantado e bailado. Em rápidos intervalos de uma jornada para outra declamam e encenam uma luta entre as partes: uma representando os cristãos e outra os mouros infiéis. O acompanhamento é feito com instrumentos de percussão. Tarol, Caixa e bombo”, completa Severino Vicente.

A Chegança já foi das manifestações indispensáveis às comemorações do ciclo natalino. Usam uma barca e vestem fardas da Marinha Mercante brasileira. É um auto dramatizado. O enredo é ordenado em seqüência de cantigas náuticas de diversas épocas e origens. Algumas, de origem portuguesa. Retratam duelos de espada obrigando os infiéis a se renderem e invocarem o nome da Virgem Maria. Os figurantes recebem patentes e postos, entre os quais se destaca o Ração ou Despenseiro, dois Gajeiros, o Embaixador e o Rei Mouro. Iniciam o espetáculo entoando várias marchas, sendo esta uma das mais tradicionais:

Alerta, alerta quem dorme,
Olha a moça na janela;
Venha ver o mau tirano
Quando vai largando a vela.

Ô meu Deus, que terra é aquela,
Terra de tanta alegria?
É o campo do rosário

Assim como o Fandango, a Chegança carece de incentivos. Falta indumentária e, principalmente, interesse dos membros na continuidade do folguedo. Dos 40 componentes necessários à formação do auto, restam 25. “Faz mais de seis meses estamos parados. Tem quem queira brincar, outros desistiram. Antigamente se tinha mais gosto pra brincar. Hoje, preferem um agarradinho no salão”, lamentou mestre Waldermir durante visita de Severino Vicente e do folclorista Deífilo Gurgel, acompanhados pelo Diário de Natal, semana passada. Deífilo Gurgel sugeriu ao mestre encurtar as três horas de apresentação para tornar a encenação mais atrativa aos turistas e mais viável em eventos. “Quem quiser escutar ou ver as jornadas inteiras eu tenho tudo gravado, devidamente registrado”, argumenta o folclorista.

Severino Vicente alerta: “Sobretudo países emergentes são mais visados pela cultura massificada. É o momento de valorizar a identidade cultural. O folclore, a cultura popular deve estar na escola, na comunidade. Quanto mais alienação mais fácil a manipulação pelos grupos do mercado de ilusões, da cultura do entretenimento, vazia”. Severino recorda tempos mais compromissados com a cultura popular no Estado, quando o próprio Deífilo estava à frente do Centro de Promoções Culturais da Fundação José Augusto, na gestão do escritor Valério Mesquita. “Dei preferência à cultura popular sem esquecer a erudita. Documentei durante anos o que vi in loco”, lembra Deífilo. E completa: “Como dizia Cascudo, a cultura popular é a mais importante das culturas”.

* Matéria publicada domingo no Diário de Natal

domingo, 16 de agosto de 2009

Parabéns à Fundação José Gugu!

O recado é do ex-diretor geral da Fundação José Gugu, François Silvestre à atual gestão. De cá, engordo o coro e torço para que iniciativas como esta ultrapassem a mera política de editais adotada até o momento e a parceria com o Governo Federal também supere ou avence com os Pontos de Cultura.

De François:

"Sérgio, uso este espaço para lhe pedir um favor. se possível transmita ao Diretor da FJA meus parabéns pelo Festival Agosto de Teatro. Acho que o gov. federal poderia fazer mais e há mais tempo. Porém merece meu aplauso toda ação em favor da nossa cultura". Abraço de François.

Semana dedicada à cultura popular

De hoje (domingo) até sábado será comemorada a Semana de Cultura Popular. A abertura será neste domingo às 18h na Galeria Newton Navarro, na Capitania das Artes.

Será discutido temáticas dentro do 1º Colóquio Internacional Vozes: Culturas Tradicionais, Abordagens Contemporâneas. Também ocorrerá a posse do novo Conselho Municipal de Cultura.

Durante toda a semana vários debates e palestras serão realizados em diversos pontos da cidade, onde se debaterá temas ligados diretamente à cultura.

Paralelo a isso, a Capitania das Artes promove apresentações culturais no largo Dom Bosco, na Praça augusto Severo e no Auditório do Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão, ambos na Ribeira.

Abaixo segue roteiro de toda programação do Museu.

1º Semana de Expressões Populares do Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão

16/Domingo
18h - Solenidade de abertura
19h - Balé Parafolclórico da UFRN
Local - Galeria da Funcarte

17/Segunda
16h - Grupo de Dança Roda Viva
17h - Pastoril da Associação Cultural do Bom Pastor
Local - Praça Augusto Severo

18/Terça
16h - Teatro de Bonecos / Flor do Mamulengo
17h - Boi de Reis da Associação Cultural do Bom Pastor
Local - Auditório do Museu de Cultura Popular

19/Quarta
16h - Poesia Popular/Amâncio Sobrinho e Xexéu
17h - Grupo Araruna
Local - Praça Augusto Severo

20/Quinta
18h - Grupo Teatral Monicreques “As Pelejas de Birico, Mateus e Catirina”
Local - Praça Augusto Severo
19h - Exposição Exortação/Ricardo Veriano
Local - Galeria Xico Santeiro-Museu de Cultura Popular

21/Sexta
17h - Boi de Reis Estrela do Oriente
18h - Balé da Cidade /Roseane
18h30 - Grupo Carcará na Viagem
Local - Praça Augusto Severo

22/Sábado
16h - Teatro de Bonecos / Flor do Mamulengo
Local - Auditório do Museu de Cultura Popular
17h - Balé da Cidade/Roseane
18h - Tropa Trupe
19h - Show Rosa de Pedra
Local - Praça Augusto Severo

sábado, 15 de agosto de 2009

Dois músicos potiguares internados

Há algumas semanas o músico Fon foi tocar sua guitarra nos palcos do céu. Agora mesmo, o músico Tico da Costa está internado com câncer no pâncreas no Hospital Onofre Lopes. E soube há pouco pelo compositor e ex-deputado estadual Nelson Freire que o músico Tarsinho também está internado no Hospital do Coração. Cenário triste para a música potiguar.

O sonho acabou (?)


Levante dedos em V e grite “paz e amor” como quem realmente acredita em um futuro sem guerras; um mundo solidário, sem competição. Difícil, né? Os tempos são outros. Há exatos 40 anos meio milhão de jovens cabeludos e vestidos em roupas coloridas estiveram reunidos em uma fazenda novaiorquina chamada Woodstock para ouvir rock e celebrar a contracultura a favor da paz. Esses jovens ficaram conhecidos como hippies. E aquele cenário desfavorável ao american dream ficou marcado na história como o maior festival de música do século 20 e a melhor tradução de uma época de esperança e psicodelia.

Enquanto Jimmy Hendrix incendiava o hino americano em sua guitarra naquele verão de chuvas em Woodstock e Joe Cocker entrava para a história “com uma ajudinha dos meus amigos” Beatles, o jovem idealista Petit das Virgens tomava umas cervas e tocava uns violões no antigo bar Tenda do Cigano, por trás do Hotel Reis Magos, na Praia dos Artistas. Era o único bar aberto em Natal após as 22 horas à época. “Comentávamos entre nós que naquele momento rolava o maior festival de música em Nova Iorque”, afirma o hoje produtor cultural e jornalista.

Um ano e meio depois, ele e o músico Fon sentiram a influência daqueles três dias de chuva e sol na fazenda Woodstock. Ambos viajaram a Nova Iorque quando o feito era quase exclusivo aos homens de negócios. Longe dos paletós e gravatas e muito próximos da aura psicodélica da época, os dos hippies chegaram às terras do Tio Sam e viajaram por 20 estados americanos tomando carona nas estradas. “A época pedia solidariedade. Era a influência de Woodstock; era a aura daqueles tempos. Hoje não conseguiríamos pela violência e individualismo”, lamenta Petit.

Naquela época, também há 40 anos, quatro cabeludos de Liverpool finalizavam seu último trabalho juntos e atravessavam a rua para outra era. O álbum Abbey Road chegava às lojas no fechar das portas da criativa e revolucionária década de 60. E o Festival de Woodstock surgia, despretenciosamente, como um novo começo ou como a cara do novo mundo que se descortinaria pelo resto da década de 70. “O Woodstock foi muito mais importante que o Abbey Road porque mudou o modo do mundo pensar. Gerou uma cultura da cooperação e não mais da competição”, opina Petit.

O jornalista argumenta a partir do que viveu no trajeto pelas avenidas norte-americanas e o que ouviu sobre Woodstock. “Foram três dias sem violência. Faltou comida, mas o que tinha foi repartido. Dois anos mais tarde pegaríamos carona naquele festival e traçamos praticamente um trajeto triangular pelos Estados Unidos”. Seria possível um novo Woodstock neste mundo cinza de hoje? “Seria preciso um motivo forte. Naquela época havia a Guerra do Vietnã. A Guerra do Iraque não sensibilizou os jovens de hoje. E se fosse refeito seria pelas mãos de empresários, nunca por amadores, como foi feito”. E conclui: “Infelizmente o capitalismo engoliu aquele sonho hippie”.

* Matéria publicada neste sábado no Diário de Natal

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Viagem às raízes portuguesas


A figura do flaneur criada pelo alemão Walter Benjamin como retrato da modernidade baudeleriana permanece pelas ruas alheias da contemporaneidade. Seu olhar de cronista ainda fisga banalidades despercebidas pelos comuns. Com esse olhar pescador, o jurista e escritor Manoel Onofre Jr elaborou um roteiro sentimental e cultural do país luso e berço da história colonial brasileira. Portão de Embarque 2 - Portugal será lançado na manhã deste sábado no Sebo Vermelho.

Pelas mãos do editor Abimael Silva, este é o décimo título escrito por Manoel Onofre Jr. O último, Portão de Embarque - Brasil, Brasis, funcionou como espécie de prólogo deste novo trabalho. As reminiscências históricas de um país quinhentista foram visitadas pelo escritor, também ex-professor de história do Brasil. Ambos os livros retratam costumes, geografias, culturas e curiosidades pinçadas em forma de crônicas, seja do Brasil histórico ou da Portugal revisitada desde 1984 pelo escritor.

Segundo Manoel Onofre, foram 12 viagens ao todo. Em cada uma delas, a busca pela história explicativa das origens do país e do Brasil. E também registros de curiosidades do cotidiano, a paixão por monumentos antigos... “Gosto dos monumentos porque enxergo afinidades com a história brasileira ou do que restou do período colonial. Há também no livro meu interesse pelas coisas do momento; o lado humano da coisa. Serve como roteiro para turista. Trata de gastronomia, costumes, pontos turísticos...”.

O escritor visitou praticamente todas as capitais e províncias de Portugal durante estes 25 anos de viagens ao país luso. Os textos/crônicas eram escritos em cada viagem. A maior parte do livro foi produzida em Portugal. “Como o livro de Cascudo intitulado Made in África, essa nova obra de Manoel Onofre Jr. bem poderia se chamar Made in Portugal. Preferi Portão de Embarque 2 para mostrar a continuidade do último. Conheci primeiro meu país para depois entender Portugal”.

Dos fatos pitorescos, a confusão de expressões de uma mesma língua: “Me perguntaram como vão minhas raparigas (moças). Li em loja de confecções infantis “Fatinhos de miudos. Pensei: ‘É nome de uma panelada’, mas eram ternos para crianças. Outra vez, ao entregar minha camisa engomada, a moça disse: ‘Aqui está sua camisola’. Rio, mas nas verdade nós é que somos os bobos. Os portugueses primam pela aproximação maior das raízes lingüísticas”, comentou o escritor.

A orelha do livro traz relatos de jornalistas como Carlos de Souza, Woden Madruga e Nelson Patriota. Todos comentam o penúltimo livro de Manoel. “Não convidei ninguém para este. Nem pretendo festa de lançamento. Como todo ano exercito meu lado de escritor amador fiquei inibido em sempre convidar amigos a comprar livro ou escrever orelhas”. Ainda assim, o editor Abimael Silva organiza o lançamento do livro (144 pág. R$ 30) no Sebo Vermelho (subida da Av. Rio Branco, Cidade Alta), entre as 9h e 10h. “Estarei lá”, avisa o escritor.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Aconteceu em Woodstock


Quando Jimmy Hendrix, Janis Joplin, The Who e mais 500 mil pessoas reuniram-se numa fazenda no interior do estado de Nova York para o maior show da História, não imaginavam o que levara o evento a ser realizado.

Em narrativa emocionante e autobiográfica, Elliot Tiber, o homem que tornou possível o Festival de Música e Arte de Woodstock, conta como um problema financeiro familiar fez nascer o que foi anunciado como "uma exposição aquariana", que defendia os ideais de paz, amor e liberdade, contra a violência da Guerra do Vietnã, durante o verão de 1969.

Nos 40 anos do mais louco e célebre festival de música do século 20, a Editora BestSeller acaba de lançar no Brasil o livro Aconteceu em Woodstock, de Elliot Tiber.

Woodstock aconteceu, pasme amigo leitor, para salvar o hotel dos pais de Elliot da falência. Ele ofereceu o terreno para promover um show de rock e arrecadar dinheiro.

O livro Aconteceu em Woodstock também virou filme pelas mãos do cineasta Ang Lee e estreia este mês nos EUA e em janeiro no Brasil.

Bar do Ferreirinha

De posse da 22ª edição da revista O Seridoense, de Caicó, leio matéria a respeito dos 50 anos do Bar de Ferreirinha. Tomei conhecimento do referido no blog de Moacy Cirne. Dernentão fiquei curiosíssimo. Na próxima ida àquelas bandas tomo uma ou seis cervejas por lá.

Aos que vão antes, o bar fica na rua Otávio Lamartine, 714, Centro da Cidade. Além da história do Bar, a matéria informa ainda que o nome do cidadão que abriu a primeira cerveja no buteco e ainda a presença, duas vezes ao dia, de um freguês de 83anos.

Um negócio desse num pode ser ruim, embora também frequentem políticos de toda corja de esferas executivas. Para contrabalancear, Ferreirinha oferece de tira-gosto: costela de gado, rabada, carne assada, entre outros pecados. E hoje ainda é quarta-feira.

Expresso RN com Franklin Jorge

Boa sacada de Ailton Medeiros mostrar ao cidadão potiguar que Franklin Jorge ainda vive. Pela entrevista ontem à noite no programa televisivo da TV União, pudemos ver a mesma língua afiada e a falta de verba para publicar sua obra literária.

Para citar a própria frase de Ailton ao falar do ex-senador Geraldo Melo, Franklin Jorge é uma pessoa a quem muito admiro e muito discordo. Admiro pela postura inquietante, crítica e independente. E discordo, talvez, pelas mesmas razões.

Faz parte da vida a discordância de opiniões, como o próprio escritor comentou ontem. Um motivo para o isolamento afetivo e profissional de Franklin Jorge talvez seja a crítica pela crítica, mais das vezes feroz, sem fundamento ou precisão. Parece fazer questão de ser chato, mal quisto.

Ontem ele teceu críticas totalmente infundadas ao Diário de Natal. Não me senti atingido, nem preciso defender o jornal. Mas é preciso justiça.

A qualidade do jornalismo praticado em todos os grandes jornais é passível de críticas. O novo modelo do DN agrada uns e desagrada outros. Até aí tudo bem. Fale quem quiser. Mas afirmar que o DN perdeu o compromisso com o leitor é mostrar ignorância ou falta de conhecimento jornalístico para depurar melhor o foco das matérias.

O DN hoje é o jornal potiguar mais independente do Estado. Não digo totalmente independente porque é empresa e vive do mercado. A nova linha editorial segue o interesse do povo. Basta ler, analisar. É visível, principalmente nas editorias de política e economia. As mudanças foram gritantes.

Os conchavos e alianças políticas que provocam manchetes diárias em outros jornais e em nada acrescentam ao cotidiano da população é hoje matéria secundária no DN. Em economia, os assuntos abordam questões de habitação, emprego, preços, e deixam as exportações e eleições da Fecomércio, FCDL, CDL e outras siglas para segundo plano.

As matérias de Cidades também estão mais voltadas para os interesses de quem realmente precisa de atenção e menos para quem tem maior poder de compra do jornal. Infelizmente parecem ser poucos os que conseguem enxergar isso.

Provocado por Ailton, Franklin Jorge ainda malhou a Academia Norte-riograndense de Letras e a "panelinha" formada entre escritores para publicação de seus livros: "Aqui uns masturbam os outros para todos gozarem ao final", disse.

Perguntado qual o grande intelectual hoje, Franklin Jorge afirmou que Cascudo foi o último. Citou ainda Rodrigo Levino como a única novidade boa no ramo literário e escorregou quando Ailton indagou quais os livros de Levino que ele havia lido: "Sei que são dois. Mas agora não lembro os nomes".

Terminada a entrevista, veio o programa Questão Política. Aí desliguei a televisão e fui ler Tolstoi para evitar pesadelos.