sábado, 31 de outubro de 2009

Palavras da UBE-RN para Deífilo

Prezado Sérgio,

Parabéns pelo seu oportuno artigo publicado no Diário de Natal, edição do último dia 25 sobre o nosso estimado Deífilo Gurgel.

Efetivamente Deífilo é merecedor de todos os elogios em razão do homem correto que é e do intelectual de grande envergadura, cujas obras são referências para os pesquisadores.

O conheço há cerca de 40 anos e até hoje não entendi por que não ingressou na nossa Academia. Chegou a hora de se resgatar essa imperdoável omissão e tornar Deífilo imortal oficialmente, porque de fato ele já possui a consagração dos intelectuais do Rio Grande do Norte.

Um abraço de Carlos Roberto de Miranda Gomes, membro da União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte - UBE-RN

Da semana tumultuada

Depois do tufão de entrevistas, declarações e repercussões acerca da saída de César Revorêdo da Funcarte, do protesto dos cinco ou seis artistas na Fundação José Gugu, de mais episódios de degolas em jornais e contratações em outros, parece-me, esta próxima semana será mais produtiva e amena.

Teremos lançamentos literários de peso como o livro do filósofo Pablo Capistrano: Simples Filosofia (Rocco, R$ 24,50) e o da poeta Marize Castro: Lábios-espelhos, lançado pela editora Una, salvo engano da própria poeta. O primeiro será no sábado, às 16h. O segundo, na quinta-feira, às 18h30. Ambos na Siciliano do Midway.

Outro programa interessante será a 1ª Mostra de Vinis de Natal. O sócio-fundador da saudosa Whiplash, Reginaldo Hendrix, vai expor parte de sua coleção no Budda Pub, na quinta-feira a partir das 20h. São bolachões raros de diferentes gêneros musicais, desde a década de 60 até os tumultuados dias de hoje.

Não bastasse, vem aí o Festival Dosol, com dois dias de muita pancada roqueira no sábado e domingo na Rua Chile, Ribeira. Ainda na Ribeira, na primeira sexta-feira do mês, o bom e velho samba de raíz em Pedro Catombo (Cidade Alta), organizado por Zizinho, o mestre Ziza que já levou o grupo pra Parnamirim.

Também na sexta-feira, o artista plástico Vatenor abre a exposição comemorativa aos seus 35 anos de pincel: Luz - Cor - Cajus. Sai matéria alusiva no DN neste domingo. A obra de Vatenor é fantástica.

No sábado também assistiremos a primeira semana do festival gastronômico do Beco da Lama: o Pratodomundo, que reunirá uma turma boníssima de artistas, a citar o Alphorria, Rosa de Pedra, Carcará na Viagem e mais uma penca de gente.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Guerreiro da música visceral


A energia vocal de Júlio Lima parece libertar músicas aprisionadas há séculos. É pura potência afinada à virtuose instrumental de guitarras, batuques e grooves; vontade de explodir música pelos poros. No palco, a figura de um guerreiro versátil e de vanguarda. A coleção de músicas de um dos mais produtivos compositores da terra foge ao rótulo conceitual. Parte do regionalismo e alcança o patamar cosmopolita de letras e ritmos universais.

Amanhã Júlio Lima apresenta a pré-estreia do novo Cd Há Sempre Música, no Bar Lá Na Carioca (Cidade Alta). A partir das 13h o músico recebe os amigos para um pocket show informal. O Cd produzido de forma independente traz músicas já conhecidas do público como Coagulado, Canudos (inspirado no clássico Os Sertões, de Euclides da Cunha) e a canção-título, 2º lugar no MPBeco 2009 – festival de música em que Júlio venceu como melhor intérprete.

O show de lançamento do Cd está marcado para 13 de novembro no Largo Dom Bosco, em frente ao Teatro Alberto Maranhão, na Ribeira. A abertura ficará por conta do grupo de teatro Arrelia. Participam ainda Ângela Castro e Tiquinha, do grupo Rosa de Pedra; o guitarrista Fidja e a energia do grupo Pau e Lata, responsável pela performance antológica na Casa da Ribeira em 2008 na música Enlatado, também presente no Cd cujas primeiras 180 cópias já foram vendidas.

Não causa estranhamento a produção de outras 500 cópias do Cd Há Sempre Música. Júlio Lima construiu uma carreira sólida na música potiguar. Integrou bandas lendárias como Alcatéia Maldita e liderou o movimento musical MPSol. Para retratar melhor a versatilidade como musicista e compositor, basta lembrar a participação nas bandas The Skareggae, Velvet Blues e Delta 9, e no período como contrabaixista na Orquestra Jovem de Natal.

Apesar das visitações aos campos floridos da música, é no rock onde o músico está mais afinado. A voz rouca, grave e visceral é encaixe perfeito ao som distorcido da guitarra. A influência musical foi iniciada pelo pai, o baixista e membro fundador da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte e ainda cantor de uma das grandes instituições musicais do Estado, o Coral Canto do Povo. O nome dele é Carlos Alberto de Lima, o Carlão.

Mesmo sob influências do canto regional ou da música erudita, o aprendizado musical de Júlio Lima não o distanciou do gênero endeusado por nove a cada dez normais. O virtuosismo na execução da guitarra ou do contrabaixo aliado aos dons vocais naturais projetam Júlio ao rock. Não houve escapatória. Naquele início da década de 80 era essa a pedida dos jovens com algo a dizer, a mostrar e protestar.

A música que abre o novo Cd mostra que Júlio Lima não perdeu a pegada iniciada naqueles anos de consumo. Em O Muro, ele canta com a mesma força presente na canção: “Caldo de cana/ Menina bacana/ O sol na pestana/ Mais uma semana na vida// Surfo nos problemas com os meus dilemas/ Quero ter consciência/ Pra poder evoluir// Mantenho a fé/ Que é o que me ergue/ Quando inevitavelmente arrebento/ com a minha cara no muro”.

Essa é a atmosfera da música de Júlio Lima: cargas sentimentais carregadas, temáticas universais, frases cortantes e esperanças desencorajadas retratando com alguma fidelidade o cinza nebuloso dos tempos atuais. Há também toques de comicidade, como no samba Pária ou na sátira Sauron Dançou. A mostra mais fiel de Júlio Lima e metáfora de sua trajetória é a reconhecida Há Sempre Música, onde “há sempre timbres colorindo o espaço sonoro de um pensamento”.

Júlio Lima – Cd Há Sempre Música
Onde: Bar Lá na Carioca (Rua Gonçalves Ledo, Cidade Alta, próximo à Cosern)
Data e Hora: Amanhã, às 13h

Tuitando com Xico Sa

xicosa: q coisa maluca, q jovens tapados e sem Eros: chamam a PM ao campus da Uniban/SB pra retirar uma aluna q vestia pouca roupa!

Fliporto já é lusófono

Vejam aí o release enviado pela assessoria da Fliporto: a festa literária do Porto de Galinhas já é lusófono desde já. Receberá, por exemplo, o angolano Agualusa e uma moçambicana aí que desconheço.

Fliporto promove encontro com a literatura

A literatura não é somente uma atividade solitária e introspectiva. A dinâmica da cultura contemporânea revela que leitores em todo o mundo procuram discutir publicamente suas impressões sobre leituras, livros e autores. O sucesso dos blogs e sites interativos, além dos debates literários realizados em feiras literárias internacionais, aponta para novas tendências no consumo da arte da escrita. A Fliporto (Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas), que ocorre de 05 a 08 de novembro na praia de Porto de Galinhas (PE), aposta nessa confluência de ideias e em sua quinta edição se consolida como roteiro cultural, ao lado de mostras literárias já consagradas com a Festa Literária de Paraty (FLIP), no Rio de Janeiro, e a Festa de Literatura de São João Del-Rey, em Minas Gerais.

São quatro dias de eventos, com debates literários, circuito gastronômico, sessões de cinema, shows públicos e atividades lúdicas para o público infantil. Neste ano, a Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas agita o balneário mais badalado do litoral sul pernambucano com uma programação compacta voltada para a divulgação da literatura iberoamericana. O tema desta 5° edição, “Literatura iberoamericana: interdependências e contemporaneidade”, integra o projeto conceitual da Fliporto, que se inspira na reflexão da tradição cultural brasileira, para discutir suas raízes e desdobramentos. No ano passado, a conexão entre a África e a América Latina orientou as discussões temáticas do evento, cujos destaques foram escritores renomados como José Eduardo Agualusa (Angola), Pauline Chiziane (Moçambique) e Affonso Romanto de Sant’Anna (Brasil).

Coordenada pelo escritor e advogado Antônio Campos, membro da Academia Pernambucana de Letras, com produção executiva de Eduardo Cortes, idealizador da mostra, a Fliporto conta neste ano com a curadoria do jornalista Mário Hélio Gomes. Doutor em Antropologia pela Universidade de Salamanca (Espanha), Mário é coordenador da Editora Massangana, da Fundação Joaquim Nabuco. Segundo o jornalista, a diversidade da grande Ibéria norteia a festa literária que confirma a participação do uruguaio Eduardo Galeano, na conferência de abertura da festa. O homenageado deste ano é o escritor pernambucano João Cabral de Melo Neto, profundo conhecedor e amante da cultura hispânica.

O evento reserva, ainda, palestra com os espanhóis Jorge Diaz e José María Merino, a portuguesa Inês Pedrosa, diretora da Casa Fernando Pessoa e o venezuelano Fernando Báez, autor de História universal da destruição dos livros. “Consideramos primordial a valorização dos aspectos mais profundos da Iberoamérica em cada encontro que promove a Fliporto. O diálogo é a nossa primeira palavra-chave: diálogo entre os países, entre as culturas, entre os escritores, entre as pessoas”, confirma Mário Hélio.

São quase 40 autores que participam de um grande evento multicultural no qual lançamentos de livros, noite de autógrafos e espaços de experimentações com as novas tecnologias como literatura no celular e E-books serão promovidos. “Um dos principais objetivos de uma festa literária é aproximar o leitor do escritor, que se torna mais fácil em um ambiente no qual as atenções estão menos dispersas”, revela Campos.

Os ingressos e passaportes de acesso às palestras da Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto 2009) poderão ser adquiridos através do site www.fliporto.net, na Livraria Jaqueira ou ainda através de trocas por pontos do Bomclube. Os ingressos serão comercializados sob o formato Palestra (R$ 5,00 cada), Diária (R$ 15,00) e Passaporte completo (R$ 50,00), que contempla toda a programação literária do evento.

A Fliporto é realizada na Praia de Porto de Galinhas, localizada no município de Ipojuca, a 53 km do Recife. Famosa por suas águas cristalinas e suas piscinas naturais, Porto de Galinhas é um dos principais polos turísticos da costa nordestina. Desde 2005, o balneário recebe a Fliporto, que entra definitivamente na rota do turismo literário, tendência explorada em todo o mundo com a realização de feiras e festivais em paisagens paradisíacas e contemplativas.

Roteiro para fim-de-semana

Amigos, cometi erro gravíssimo. Na correria enviei ao editor do DN um roteiro antigo pro fim de semana. Espero minimizar o equívoco com a publicação das dicas corretas abaixo.

Sexta-feira

Música – A cantora Fátima Aguiar apresenta hoje o melhor da MPB mais romântica no Solamar Bistro e Tapiocaria (Café Bar), a partir das 20h. O talento de Fátima vem acompanhado de Isabelle Peixoto (violão) e Klebson (percussão). O Solamar Bistro fica na Rua Manoel Soares de Medeiros, 66, em Ponta Negra, ao lado do Tayo. Contato: 8855-4115 e 8804-6305 (Fátima Aguiar).

Casa da Ribeira - A peça “Gesto, Cascudo” permanece em cartaz neste fim de semana, de sexta a domingo, às 19h30, na Casa da Ribeira e marca o nascimento do Grupo de Teatro Casa da Ribeira. A peça traz o pensamento e os sentimentos de Luis da Câmara Cascudo sobre o tempo, o gesto e a vida provinciana em Natal. Ingresso: R$ 12 e R$ 6 (meia). Reservas: 3211-7710.

Teatro – A comédia Farsa abre temporada em Natal hoje às 21h no Vila Hall (Hotel Vila do Mar). A peça tem no elenco Cláudia Ohana, Marcos Breda, Mário Borges, Gabriel Wainer, Iris Bustamante e Carmen Frenzel. Farsa fica em cartaz ainda no sábado (21h) e domingo (20h). Vendas antecipadas na Jogê Lingerie (Natal Shopping 3231 6721) e na Tábua de Carne (3642 1138). Farsa é uma comédia inteligente, de cenas rápidas com muita movimentação exagerada dos atores, o que dá o tom de Farsa e comédia à montagem.

Reggae – A banda Rastafeeling volta ao Castelo Pub hoje com novo repertório e novas surpresas. Começa às 22h. Ingressos: R$ 5 até 0h. Na Rota do Sol, em frente ao estádio do ABC.

CMAI - O Centro Municipal de Artes Integradas- CMAI, vinculado à Fundação Cultural Capitania das Artes realiza hoje a segunda edição do projeto Sexta das Artes. A programação contará com apresentações musicais, oficinas, palestras, exibições de vídeos e exposições de artes visuais a partir das 9h, e à tarde, às 14h na sala 17 do CMAI, localizado no Espaço Cultural Francisco Bezerra das Chagas, Rua João Medeiros Filho, no conjunto Panatis.

Peppers – As bandas Uskaravelhos e Tricor tocam hoje no halloween do Sgt Peppers, a partir das 20h30. Na Rua Potengi, em Petrópolis. Contato: 3211-5964.
Zona Norte – A programação musical do Norte Shopping apresenta hoje Hamilton (Careca), voz e violão. No sábado tem Paulo Roberto e Phelippe Rayan, voz e teclado. E no domingo, Fabiano (Fumaça) e Daniel, voz, violão e bateria.

Sancho Pub – Bruxas, vampiros e monstros estarão à solta no Sancho Pub hoje, para festejarem a noite de Halloween. Serão três super atrações: Mobydick & VnV + DJ Magão. A partir das 22h. Ingresso: R$ 5 (com fantasia) e R$ 10 (sem fantasia). Na Rua Aristides Porpino Filho, Ponta Negra. Contato: 3219-0806.

JukeBox - Já na sexta-feira (30) é a vez do DJ Gabriel Sodré, Sax in The House e D'vibe. A noite conta ainda com a participação da dupla sertaneja Valber&Victor. Na Rua Potengi, nº 417, Petrópolis. Contato: 3201-0108.

Galpão 29 – As bandas Uskaravelho e The Teachers tocam hoje no halloween do Galpão 29, na Rua Chile, Ribeira. Os Djs Crew (SP) e Tennishi comandam a discotecagem, a partir das 22h. Contato: 9135-2006.

Bar - A banda Acoustic and Grooved anima a sexta do Seis em Ponto a partir das 21h. No sábado, samba às 14h com Nova Sensação, sertanejo com Válber & Vitor às 17h e pop rock com João Teimoso Rock Band às 21h.

Sábado

Forró – No forró Olho D’Água deste sábado se apresentam Dorgival Dantas e Santana, a partir das 22h. Ingressos à venda na conveniência do posto Novo Horizonte e na loja Cantão, do CCAB, em Petrópolis por R$ 25. Contato: 3202-7382.

Maranello – O Maranello Bistrô apresenta a Black Label Night neste sábado com Pura Tentação, Rapazziada S.A e Dj Guga Holanda. Na Av. Hermes da Fonseca, 754, Tirol. Contato: 3086-4049.

Halloween - A Escola Lápis de Cor estará inserida na cultura americana através da realização do Halloween Solidário neste sábado. O evento contará com concursos de fantasias e brincadeiras típicas feitas em inglês, como forma de deixar os pequenos mais envolvidos com o clima da festa. O Halloween acontece a partir das 18h30 na sede da escola (Av. Amintas Barros, 2823). Aberto ao público e a entrada é uma lata de leite. A arrecadação será doada aos orfanatos Lar Celeste em Macaíba e Casa de Apoio Lar Feliz da Cidade Satélite. Contato: 3231-2305.

Domingo

Som da Mata - O Som da Mata deste domingo apresenta a música instrumental calcada no rock'n'roll: Camarones Orquestra Guitarrística. A banda mistura um repertório de rock, ska, punk, reggae, temas de desenhos animados e filmes. Na formação, músicos renomados da cena rock potiguar como Ana Morena (contrabaixo), Anderson Foca (teclados e efeitos) e Xandi Rocha (bateria), além de Karina Monteiro e Leo Martines nas guitarras, da novíssima e promissora geração artística de nossa terra. No Parque das Dunas (Av. Alexandrino de Alencar, Tirol), às 16h30. Ingresso: R$ 1. Contato: 3201-4440.

Infantil – A peça A Onça e o Bode volta neste domingo ao Parque das Dunas, dentro do projeto Bosque Encena. A fábula busca ensinar que é através do respeito e do companheirismo que se consegue construir um futuro de paz e entendimento entre todos. Às 10h30. Ingresso: R$ 1. Contato: 3201-4440.

Show do Bem – A Casa do Bem realiza nesta segunda-feira o show Diga Sim ao Bem às 19h30 no Teatro Alberto Maranhão. Serão apresentados projetos e ações desenvolvidas pela Casa do Bem e da participação do Coral Infantil, do Grupo Vocal Casa do Bem, dos Capoeiristas do Bem, do teatro dos Surfistas. O grupo de Dança Ritmo Bom, responsável pela abertura do show, com um figurino baseado no Circo de Soleil, coreografias do balé clássico e contemporâneo e homenagem ao bailarino e ator Patrick Swayze, astro de 'Dirty dancing' e 'Ghost'. Contato: 9922-3680.

Titular da Sethas pede demissão

O secretário estadual do Trabalho, Habitação e Assistência Social, Fabian Saraiva, pediu demissão do cargo por motivo de saúde. Ocupa o cargo o seu pai, Gecino Saraiva, que foi diretor de um dos programas coordenado pela Sethas mais bem sucedidos: o Desenvolvimento Solidário. Atualmente Gercino trabalha como secretário de Trabalho e Assistência Social da prefeitura de São Gonçalo do Amarante. A publicação no Diário Oficial da saída de Fabian - um dos mais competentes e elogiados secretários da governadora Wilma de Faria - será publicado hoje.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Desabafo

Adiantei alguns nomes da equipe do Novo Jornal e parece que a galera ficou meio enraivecida comigo. Não foi minha intenção, garanto. Quis apenas saciar a curiosidade de muitos e acabei me prejudicando. Mas em poucos dias outro noticiaria. Muitos já estavam sabendo. Inclusive, publiquei por isso ou correria o risco de perder a confiança de amigos que me confidenciaram os nomes e pediram segredo.

Já sei a montagem de praticamente toda a equipe, salários e expedientes. Mas não vou mais "thaizar" por aqui. Guardo grande apreço por muitos mesmo que integram o Novo Jornal e torço muito por eles. Alguns são amigos de trabalho, de farra ou colega de larga estima na profissão. E torço, também, pelo projeto encabeçado por Cassiano Arruda, mesmo trabalhando em jornal concorrente. Me parece uma proposta respeitosa à rotina já atribulada e sofrida do jornalista. Modelo, inclusive, adotado pelo DN.

Enfim, convenci-me de que este espaço é inapropriado para tais notícias. Quero discutir e noticiar cultura. E que ninguém me acuse de "rabo preso" em função dos meus trabalhos no Governo do Estado e na editoria da revista patrocinada pela Funcarte. Basta ler os posts abaixo ou acompanhar o que escrevo no jornal. Digo o que penso, sem preconceito, estigma ou perseguição. E tudo baseado no que estudei, no que li e conheço. Não mancho minha trajetória profissional e honestidade por trabalho nenhum. Prefiro morrer liso, e feliz.

Publiquem o livro de Deífilo

O maior folclorista vivo do Brasil completou 83 anos semana passada. Deífilo Gurgel é a metáfora do que buscou nos últimos 40 anos. A simplicidade dos gestos, o apego às tradições e a riqueza cultural lembram muito a cultura popular – norte da vida deste poeta, ao lado da companheira Zoraide e dos nove filhos.

A imprensa desdenhou da data. É assim também com a cultura popular, sempre pormenorizada, esquecida. Ao telefone, parabenizei o mestre, perguntei das novidades. Ele perguntou se eu não faria uma entrevista com ele. Gelei. O espaço do jornal estava preenchido e o tempo era curto para elaborar matéria para outro dia. É sempre assim também com a imprensa: pressa, espaço curto ao que realmente interessa...

Em outro contato, Deífilo disse sonhar com um projeto idealizado há anos: um espaço dedicado à cultura popular chamado Xico Santeiro. Escrevi sobre isso aqui. Passado o tempo, o sonho do folclorista se esvaiu, como as utopias de outras épocas. O pedido desta vez foi bem menor, e ainda assim, rejeitado: apenas a publicação de um livro.

Deífilo pede aos gestores da cultura como um favor a publicação de um livro indispensável às pesquisas do romanceiro potiguar. Foram 10 anos de pesquisa documental inédita e presencial, sobretudo de personagens mortos durante esse intervalo. Um deles, o segundo maior mamulengueiro potiguar, Zé Relampo. E como afirmou Cascudo, “Deífilo não floreia, escreve o que vê”.

* Texto principal da coluna Diário do Tempo, publicada no último domingo no DN

A cangaceira Khrystal

A herdeira de Chico Antônio, nossa Khrystal tem “deixado todos os envolvidos no filme encantados e emocionados com sua atuação”. A frase é de Tuinho Schwartv, produtor do filme Luneta do Tempo, escrito e dirigido por Alceu Valença. Khrystal viverá a cangaceira Nair, do bando de Lampião. Invocada do jeito que é, deve ter encaixado bem na pele da personagem. Khrystal não tem a nordestinidade presente apenas na música, ela representa também a determinação, a força e valentia deste Nordeste sofrido. Parabéns à “cristalina”!

PEC dos jornalistas adiada

Ao contrário do que se esperava a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, não apreciou ontem (quarta-feira) a Proposta de Emenda Constitucional 386/09. Tudo porque o deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA) apresentou voto contrário a PEC dos Jornalistas. Espera-se que na próxima quarta-feira dia 04 de novembro aconteça a tão esperada votação.

Dos deputados federais do Rio Grande do Norte, Felipe Maia, Sandra Rosado e Fátima Bezerra, fazem parte da CCJC. Sandra Rosado e Fátima Bezerra, já se posicionaram a favor da aprovação e se comprometeram a buscar mais votos para que a PEC seja aprovada. Sobre o voto do deputado Felipe Maia, o Sindjorn tem tentado falar com ele para que se posicione em relação a PEC dos jornalistas e diga se vai votar contra ou a favor.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Da posse de Rodrigues Neto

Segundo o produtor cultural Marcelo Veni, durante a solenidade de posse do novo presidente da Funcarte, Rodrigues Neto, a prefeita falou que César Revorêdo foi o primeiro secretário a ser chamado por ela. Mentira. Ou então quem mentiu foi Vicente Serejo. Segundo o cronista, sua filha, Silvia Serejo foi chamada antes e recusou o convite. Ainda tenho o email de Serejo afirmando isso.

Ainda segundo Veni, corre boato nos bastidores que quase todos serão exonerados e que o produtor Amauri Júnior assumirá o cargo de Castelo Casado. Soube também que o castelo ruirá com todos dentro. Sairão todos menos os funcionários com vínculo na prefeitura, como do setor jurídico e técnico. Uma pena. Há muita gente competente ali e de boa vontade. Inclusive remanescentes da gestão de Dácio e que César teve o bom senso de mantê-los.

Governo sinaliza liberação de R$ 2,36 mi à cultura

Quando estive segunda-feira na sala do diretor-geral da Fundação José Gugu, Crispiniano Neto, por ocasião do protesto dos artistas, o próprio me mostrou um rascunho com letras e números escritos da mão da governadora Wilma de Faria que sinalizava a liberação de recursos do orçamento estadual para a cultura, destrinchados da seguinte maneira e exatamente nesta ordem:

Castelo de Engady - 150 mil
Casas de Cultura - 1,2 milhão
Palácio Potengi - 220 mil
Biblioteca Câmara Cascudo - 140 mil
Museu Câmara Cascudo - 190 mil
Projeto Seis & Meia - 200 mil
Teatros - 400 mil

A soma representa um montante de R$ 2,36 milhões. Mas, claro, a distância entre a intenção e a liberação de recursos pode ser de Natal à China ou de uma sala à uma antesala.

OBS: Na folha não especificava "Museu" Câmara Cascudo. Estava apenas Câmara Cascudo. Como já havia a biblioteca, suponho ser o museu, que talvez seja o que mais precise de todos eles.

Lançamentos literários da província

De Ailton Medeiros em seu blog, sob o impagável título "A ignorância venceu o medo":

A revista Saga Cultural, da Siciliano, anuncia 12 lançamentos para os próximos dias na sua loja do Midway Mall. Uau, nem São Paulo.

A impressão que tenho é que a quantidade de lançamentos literários na Taba está nos deixando completamente ignorantes.

Quem pergunta quer saber

De François Silvestre, em comentário neste blog: "Se o negócio é vender cultura para turista, pergunto. Quanto custa meio quilo de poesia, trezentos gramas de prosa, meio metro de pintura, dez decibéis de barulho,uma cuia de tragédia, duas garrafas de performance e um dedal de vergonha?".

Mais um capítulo da novela JH

O JH 1ª Edição funcionará até 14 de novembro até o matutino sair do mapa da imprensa potiguar. O Jornal de Hoje (o vespertino) ocupará o espaço e circulará pela manhã para disputar espaço com o Diário de Natal, a Tribuna do Norte e, em breve, o Novo Jornal. Um tablóide será publicado à tarde, com as notícias complementares do dia, mas a equipe de jornalistas responsável pelo suplemento será bem reduzida, com quatro ou cinco profissionais. E os colunistas Mário Ivo e Osni Damázio foram mesmo demitidos. Segundo informações, o critério para demissão levou em conta o tempo de serviço de cada jornalista na empresa. Os que pesaram menos na recisão do contrato "pegaram o beco".

Morre ícone da música instrumental potiguar

Um dos pioneiros da música instrumental deste Rio Grande morreu hoje aos 95 anos. Manuel Germano Sobrinho, conhecido como Mané de Elias gravou discos que viraram marcos da cultura musical potiguar.

Mané de Elias era natural de Santa Cruz do Inharé. Foi pai de Chiquinha do Acordeon e avô do excelente músico Kiko Chagas, tocou no programa do Chacrinha e foi amigo do Lua Gonzaga. E como o pai do rei do baião, era mestra da sanfona de oito baixos.

Como diz o neto Kiko Chagas, Mané criou os filhos pescando, caçando e tocando. "Foi meu mestre na música", disse Kiko, filho do ícone Chico Elion. Mané de Elias morreu como passarinho: dormindo. No youtube tem alguns vídeos de Mané tocando, alguns, junto com Kiko.

Tuitando com Alex de Souza

lexdesouza: Acho que o pior não é a politização da Funcarte, mas a PontaNegrização.

Cantora potiguar vence concurso nacional


A jovem cantora e aluna do curso de bacharelado da Escola de Música da UFRN, Deborah D´Assunção, de 21 anos, venceu o concurso realizado pelo 2º Festival Lírico de Salvador. Deborah participou de diversas etapas até conseguir o título. Antes dos dias de festival, cantores de vários estados brasileiros tiveram que enviar material para conseguirem participar do concurso. Apenas sete foram selecionados. Os finalistas passaram por uma maratona de cinco concertos. “Durante o dia participávamos dos masterclass do festival e depois fazíamos os concertos à noite”, comenta a soprano.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Entrevista - Rodrigues Neto

Coloco aqui só a cabeça da entrevista e uma das respostas que o jornalista Rodrigues Neto concedeu ao Diário de Natal nesta terça-feira. A matéria completa sai na edição de amanhã:


“Cultura é tão necessária quanto esparadrapo”

O presidente interino da Fundação Capitania das Artes (Funcarte) já fala como presidente posto. O jornalista Rodrigues Neto assume e já substitui o texto do Auto de Natal escrito pela dramaturga Clotilde Tavares e coloca o do colega de trabalho na TV Ponta Negra, diretor de Mídia e Tecnologia da Funcarte e cineasta Edson Soares. O diretor do espetáculo também deverá mudar: sai Moacir de Góes e entra Henrique Fontes. Nenhum dos dois havia sido informado da substituição até o início da tarde de ontem. Na entrevista a seguir, Rodrigues Neto comenta do desejo de assumir em definitivo o cargo e das pretensões de uma política cultural estreitamente ligada ao turismo.

O texto do Auto de Natal está em processo de elaboração pela escritora Clotilde Tavares há 20 dias. Ele será substituído por um de Edson Soares?
Isso. Veja, não é maldade, mas não dá mais tempo. Ou faz ou não faz. Garanto que o texto de Edson é lindo e emocionará o público. Será um texto bíblico, baseado no texto do apóstolo Matheus. Não será uma adaptação esdrúxula. Sou um crítico contundente dos autos anteriores. Fizeram coisas que fugiram à essência: um Auto contado por Navarro... Como jornalista quis apoiar, tentei levar para o SBT nacional, mas ninguém queria porque era um espetáculo circense, sem compromisso com a história de Natal que é o nascimento de Jesus, sem candomblé, exu ou iemanjá. Respeito a cultura afro, frequento terreiros, mas os pais de Jesus são Maria e José.

JH 1ª Edição circula até novembro

Ainda não há data precisa para o fim da versão matutina do Jornal de Hoje. Pelo menos não para os jornalistas que lá trabalham. Sabe-se que o jornal circula até o início de novembro. Os sete demitidos continuam no jornal sob aviso prévio. São eles o editor e a repórter de política, Ivo Freire e Zhamara Mettuza, as repórteres Rebecca Correia e Jamille Nogueira, e os fotógrafos Elias Luz, Ney Douglas e Magnus. A afirmação de que Mário Ivo está no bojo dos demitidos é incerta. Corre o boato de que o matutino virará um tablóide.

OSRN hoje no TAM


A Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte sobe nesta terça-feira ao palco do Teatro Alberto Maranhão tendo como solista o professor da Escola de Música da UFRN Ronedilk Dantas. O músico tem a difícil missão de executar dois instrumentos na mesma noite, violino e viola. O concerto começa às 20h00.

O maestro e também professor da Escola de Música André Muniz ressalta que "pouquíssimos músicos no mundo tocam dois instrumentos bem, e, eu não me recordo de saber de alguém que o tenha feito em um mesmo concerto".

O solista Ronedilk Dantas tem diversas premiações. O músico foi vencedor e melhor intérprete de música brasileira no 10º Concurso Jovens Instrumentistas de Piracicaba, em 1989, e do 1º Concurso Norte-Nordeste da Escola de Música da UFRN.

Ronedilk Dantas atuou como professor e recitalista de importantes festivais de música no Brasil, como do "Festival de Inverno de Campos do Jordão" e o "Curso Internacional de Verão da Escola de Brasília". Também é integrante desde 1993 do "Quinteto da Paraíba", grupo reconhecido internacionalmente.

Agora, o programa para o deleite de Jairo Lima

O professor André Muniz ressalta a obra de Felix Mendelssohn. O concerto para violino em Mi menor, op. 64, é tido como o mais popular entre todos os concertos para este instrumento. Outro destaque da noite é "Haroldo na Itália " uma sinfonia de Hector Berlioz.

Mendelssohn - Concerto Para Violino e orquestra em Mi menor, opus 64

I. Allegro molto apassionato
II.Andante
III.Allegreto non troppo

Berlioz- Haroldo na Itália

I. Haroldo na Montanhas: cenas de melancolia, de felicidade e de alegria
II.Procissão dos peregrinos cantando a prece vespertina
III. Serenata de um montanhês dos abruzos cantando a sua amada
IV.Orgia dos salteadores, lembranças das cenas anteriores

Khrystal no Jornal do Brasil



O crítico musical Tarik de Souza, que por sinal deverá ser um dos convidados do Encontro Lusófono de Escritores, rende mais uma vez espaço em sua prestigada coluna do Jornal do Brasil à Khrystal. Errou a inicial do nome, mas está perdoado.

Rodrigues Neto assume a Funcarte

Estou realmente curioso para assistir a coletiva do ex-presidente da Funcarte, César Revoredo. Vai ser amanhã, às 14h, na própria Capitania.

Curioso não pelos motivos da exoneração, que já é sabido. Mas para ver quem estará ao seu lado na coletiva, com cara de feliz ou fingindo tristeza.

E quem assumir em definitivo, seja o jornalista Rodrigues Neto ou outro, se prepare para o bombardeio. Não daqui, mas da imprensa em geral.

Ora, é de se esperar que o novo faça melhor que o velho; que resolva o que não foi resolvido; que faça o que não foi feito; que crie o que não foi criado.

Bem, estamos às vésperas da micareta. Aliás, "micareta" nada tem a ver com Micarla, por favor, hein? Comparações à parte, já é quase carnatal. É tempo de amar e viver. Vamos cobrar depois.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Vídeos da Orquestra Contemporânea de Olinda

Para quem, como eu, não pôde assistir ao show dos 12 integrantes da Orquestra Contemporânea de Olinda, segue três vídeos da rapeizi:

http://www.youtube.com/watch?v=K3zqCX56o7Y

http://www.youtube.com/watch?v=rVZ-Q2xDryI&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=W7T4JP1RGsc&feature=related

Revorêdo será afastado da Funcarte

O presidente da Funcarte, César Revorêdo está em reunião com funcionários da instituição neste momento, sem ninguém do primeiro escalão da prefeitura. E até agora nenhuma ordem foi dada quanto à sua exoneração. Segundo informações, o presidente será apenas afastado enquanto a Capitania passa por uma auditoria.

Há quem diga que o adjunto da Capitania, jornalista Rodrigues Neto, esteja por trás do pedido de exoneração e aproveitou a deixa da matéria-denúncia publicada pelo Diário de Natal semana passada. Para quem não lembra, ele foi um dos grandes cotados para assumir a presidência. Para abrigá-lo na Funcarte, a prefeita Micarla de Sousa criou o cargo de secretário-adjunto. Há que se imaginar o desejo do funcionário da prefeita há 15 anos pelo aumento de patente.

Seja lá quem for que assuma nada mudará. Que se coloque Dácio Galvão ou François Silvestre - dois elogiados gestores. O problema ali nãó é César Revorêdo, é o processo, ou outros mandantes. Não foi César quem adiou o ENE e mudou para ELE; não é ele o responsável pela nova arquitetura carnatalizada do Natal em Natal; nem é culpa dele o atraso do pagamento dos funcionários. Quem assumir herdará tudo isso e algo mais.

Não defendo, com isso, nenhuma competência exarcebada de César Revorêdo. De repente haja outros melhores. Defendo a vontade de fazer a coisa acontecer e encontrar pela frente o freio burocrático. Se houve criatividade para driblar estar muralhas impostas pela máquina do poder público? Não sei. De certo, cansado pela pressão de funcionários insatisfeitos e de outra matéria publicada pelo DN denunciando o atraso no pagamento dos salários, houve a precipitação do pagamento pelo cheque do motorista; o ato ilegal e a consequente balbúrdia, com havia de ser.

Vamos esperar o desenrolar dos acontecimentos que de pouco mudarão a fisionomia caricatural que virou a cultura natalense. E por culpa de outras revoadas...

JH demite 17 de uma vez

O jornalista e empresário Marcos Aurélio de Sá - dono do JH 1ª Edição - demitiu 17 funcionários de uma tacada só na manhã de hoje. Entre eles, jornalistas como o excelente colunista Mário Ivo. Repórteres e editores também engrossaram o bojo dos demitidos. Foram chamados um a um para uma conversa na sala do chefe e saíam exonerados. O clima ainda está tenso no jornal.

domingo, 25 de outubro de 2009

César Revorêdo exonerado da Funcarte

Parece que a jornalista Flávia Urbano derrubou o presidente da Funcarte, César Revorêdo após a matéria-denúncia publicada no Diário de Natal esta semana. Quem disse foi a colunista da Tribuna do Norte, Anna Ruth Dantas neste domingo em seu blog.

Segue a informação passada por Anna Ruth:

"É o 'fim da linha' para o presidente da Fundação Capitania das Artes (Funcarte) César Revoredo. A prefeita de Natal Micarla de Sousa já decidiu que ele será exonerado.

Revoredo deixa o cargo depois do escândalo, veiculado pelo Diário de Natal, de que a Funcarte repassava para uma conta pessoal de um motorista todo valor que seria pago aos demais motoristas.

César Revoredo passou nove meses a frente da instituição e, além desse escândalo, também contabilizou na administração crises internas no órgão".

Quando éramos seis


Por Paulo Nogueira

“Jornalista que não pensa digitalmente é jornalista morto”, escrevi outro dia no twitter. Antes de vir para Londres, minha convicção, compartilhada com os jornalistas com os quais eu trabalhava, era uma divisão de atenções: “um olho no papel, outro na internet”. É uma frase obsoleta, hoje. Mais adequado, agora, em minha opinião, seria: “Um olho no papel, dois na internet”. A Era Digital está aí, gostemos ou não. Como tudo, tem vantagens e desvantagens, tira e dá, e pessoalmente acho que o saldo é favorável.

Mas.

Mas como um legítimo homem de papel, um jornalista que a vida toda se cercou de publicações impressas, revistas e jornais, olho com amor nostálgico, com fascínio juvenil para a Era do Papel. Ao olhar para trás, me ocorre o título magistral de um documentário sobre a historicamente inesperada vitória no Zaire de Muhammad Ali, veterano, sobre George Foreman, um jovem e invicto destruidor de adversários: “Quando Éramos Reis.”

Os grandes jornalistas que vi de longe ou de perto tiveram ou têm, como eu, um amor incondicional pelo papel. Um deles, Antonio Machado de Barros, com quem trabalhei de perto por muitos anos e a quem devo o aprendizado milionário do valor do esforço, cheirava imediatamente cada revista que lhe chegava às mãos, como se ali estivesse o melhor perfume do mundo. Era uma cena que me fez rir algumas vezes, mas que hoje, ao evocá-la, tem para mim um comovente sabor de saudade, um retrato preciso e precioso da Era do Papel, dos dias em que as redações tinham laudas e os textos eram mexidos com canetas por copis capazes de operar milagres em textos pedestres, e entre os quais o maior que vi foi outro jornalista com quem trabalhei alguns anos de perto, JR Guzzo, com sua lendária letra de normalista.

Eram dias em que as redações tinham o frenesi romântico e barulhento das máquinas de escrever, e em que os jornalistas faziam dos bares uma extensão dos jornais e das revistas em que trabalhavam. Uma extensão fatal, em muitos casos. Tarso de Castro, segundo o relato de um jornalista que trabalhou com ele na Folha Ilustrada e no Folhetim, Nei Duclós, saía no meio da tarde e ninguém sabia, na equipe, se estava no bar ou na sala do dono. Tarso era um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro quando eu era estudante. Iconoclasta, absurdamente criativo, corajoso, ares de galã com seus cabelos compridos e traços viris, Tarso era o que todos nós, aspirantes a jornalistas, gostaríamos de ser.

Sobre Paulo Francis, outro modelo glamuroso para jovens jornalistas do final dos anos 70, tinha a vantagem extraordinária do apelo sobre as mulheres. Tivera um papel decisivo no Pasquim, um jornal alternativo carioca que experimentou dias de glória na ditadura militar, e levara depois seu talento para São Paulo, como Paulo Francis, também egresso do Rio. Do mesmo Rio brilharia no jornalismo de São Paulo, também em meados da década de 70, Alberto Dines, que trouxe o primeiro e marcante exercício de autocrítica na mídia brasileira com seu Jornal dos Jornais, aos domingos na Folha. Todos nós, jornalistas, ansiávamos pelo veredito culto de Dines aos domingos, e o tempo mostraria o quanto a crítica pode gerar hostilidades e portas fechadas. Os três, Tarso, Francis e Dines, deram à sisuda imprensa paulistana, então fanática da crença de que jornalista não é notícia, o tempero vivaz e colorido de artigos irreverentes e autorais.

Tarso somava à capacidade profissional a arte da sedução. Era tanto seu charme que ele namorou, sem falar inglês, Candice Bergen, uma das atrizes mais lindas do cinema nos anos 70. Ela tinha vindo passar uns dias no Brasil e, como uma foca que acaba de entrar numa redação e não uma estrela internacional, ficou louca por ele, com quem se comunicava na língua do amor, aquela que destrói barreiras de palavras e em que o silêncio pode ter um significado misterioso e sedutor. Dizia, malandro, que era o “outro cabeludo” de Detalhes, de Roberto Carlos, o que este sempre negou. Tarso morreu de tanto beber aos 49 anos, e acabou se transformando, para uma geração posterior de jornalistas como eu, num exemplo do quanto a bebida pode encurtar uma carreira jornalística e a própria vida, se não for severamente controlada.

REDAÇÕES, COMO QUALQUER OUTRO AMBIENTE, sempre tiveram de tudo: heróis e covardes, religiosos e ateus, nobres e canalhas, trabalhadores e preguiçosos, e toda a vasta gama que existe entre os opostos em tudo aquilo. Hoje, no entanto, há com certeza menos alcoólatras, por força da modernização da mídia como negócio, em parte, mas também pela lembrança dolorosa de gente que se matou pela bebida, como Tarso de Castro e tantos outros. A fumana nervosa, oriunda de múltiplos cigarros nas bocas de homens e (poucas) mulheres, era outra marca sagrada do apogeu da Era do Papel.

Hoje é possível dizer que a Era Digital chegou, quase despercebida, às redações em meados dos anos 80, quando os computadores substituíram as máquinas de escrever. Não foi uma transição fácil para mim, lembro, mesmo não tendo ainda 30 anos. Era editor, e estava acostumado a mexer nos textos das laudas com a caneta. O quanto esse mundo é antigo me foi lembrado outro dia numa conversa com Pedro, meu filho, 22 anos. Falei em lauda e ele perguntou o que era. Transições sempre são difíceis. Durante anos ouvi dizer que alguns editorialistas do Estadão escreviam à mão, as costas convictamente voltadas para as Olivettis que chegaram e partiram das redações. Nunca soube se era verdade ou não. Se era verdade, talvez este conservadorismo pétreo explique parte dos primorosos editoriais que marcaram o Estadão, uma defesa inteligente e determinada do capitalismo. A imagem definitiva que tenho destes tempos é uma foto em branco e preto de meu pai, Continental sem filtro na boca, gravata afrouxada e sem paletó, escrevendo em sua Underwood na redação.

Toda mudança dá e tira. O computador tirou, nas redações, o emprego dos valorosos datilógrafos, os mestres do teclado que passavam a limpo os textos alterados com caneta antes que estes baixassem à gráfica. O trabalho deles era duro, sob intensa pressão, em horários avançados na madrugada quando se tratava de revista semanal de informações. Presenciei um episódio que jamais esqueceria. Um datilógrafo, no afã de entregar antes que fosse tarde demais um texto, deixou escreveu “homen”, no título de uma nota sobre o prêmio de Homem do Ano concedido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Ele era o último reduto antes da gráfica, onde o processo industrial era automático demais para que se fizesse qualquer nova revisão. Quem fora premiado era o dono da empresa, Victor Civita, e previsivelmente para aquele bom datilógrafo não haveria fechamento seguinte. Chega a ser injusto que, entre tantas cenas de abnegação nas madrugadas de homens e mulheres datilografando nossos textos editados, seja exatamente aquela a que mais me tenha marcado.

“Um olho no papel, dois na internet” é a frase que está gravada no meu cérebro neste final de 2009. Não é escolha, é destino, para usar a frase de Fernando Henrique Cardoso sobre a globalização na época em que a oposição petista a tratava como uma maldição, antes que, no poder, a abraçasse alegremente. Mas, no meu coração de jornalista filho de jornalista, os dias do papel reinarão para sempre, aqueles tempos estridentes, tumultuados, sofridos, épicos em que éramos reis.

* Texto enviado pelo colega João Maria Alves

sábado, 24 de outubro de 2009

Orquestra Contemporânea de Olinda hoje na UFRN


Figuras lendárias da música cubana pareciam mortos para a música quando foram descobertos ainda vivos em periferias de Havana em 1996 e reunidos em um show mágico intitulado Buena Vista Social Club. A "ressurreição" de Ibrahin Ferrer, Ruben González, Compay Segundo, Eliades Ochoa e companhia produziram um álbum histórico, premiado pelo Grammy e documentado no cinema pelo talento de Win Wenders. Salsas cubanas, boleros e ritmos originados na ilha de Fidel completam as 14 faixas do Cd. Uma verdadeira orquestração de metais e instrumentos percussivos acompanhados por vozes negras-latinas de veteranos que, após a redescoberta, morreram pouco a pouco, como se esperassem apenas aquele momento.

Em um cenário estranhamente parecido às ruas de paralelepípedo ladeiradas de Havana, de casas históricas e paredes emboloradas, foi originado um grupo de doze integrantes e som originalíssimo, já comparado aos lendários cubanos do Buena Vista Social Club. É a Orquestra Contemporânea de Olinda, indicada ao Grammy Latino 2009 com o Cd homônimo de estreia. Esta revelação da música brasileira estará neste sábado no show de encerramento da Cientec e etapa final do Festival Universitário da Canção, na praça cívica do Campus da UFRN. A programação começa às 18h. E o ingresso - que seria pago se o convite feito à produção do Mada fosse aceito - é gratuito.

Apesar da clara influência da musicalidade pernambucana, a Orquestra embala experimentações sonoras mescladas entre a música regional e o atual cenário da world music. A Orquestra Contemporânea de Olinda é mais do que uma reinvenção musical produzida em Pernambuco pós-Mangue Beat. Representa a vitalidade e inventividade da riqueza cultural brasileira. E como o Buena Vista Social Club, em Cuba, reuniu alguns dos músicos mais célebres do cenário pernambucano. Metade advém do Grêmio Musical Henrique Dias - a primeira escola de formação musical de Pernambuco, com mais de 50 anos de existência - e formam uma verdadeira orquestra de frevo. A outra banda responde pelo esboço criativo de composição e pitadas de cultura popular.

Gilu é percussionista reconhecido no Brasil e estrangeiro. Foi ele o fundador do grupo. Tiné é cantor e compositor natural dos solos férteis de Arcoverde, terra do grupo Cordel do Fogo Encantado. Participou de projetos musicais variados. Uma de suas composições - Cobrinha - foi incluída numa coletânea lançada nos Estados Unidos, pelo selo de David Byrne. O sobrenome do rabequeiro, cantor e compositor Maciel Salú denuncia influências íntimas da cultura popular. Ele é filho de mestre Salustiano e tem no maracatu rural, no cavalo marinho e nas cirandas seu alicerce musical. Juliano Holanda também é compositor, multinstrumentista e produtor cultural atuante na cena pernambucana. O tecladista e baixista Hugo Gila e o baterista Raphael Beltrão fecham o núcleo baixo-percussão-bateria - o "coração" da Orquestra.

Disco recebeu indicação para o Grammy

Juntos, estes músicos diferem da referência imposta pela crítica ao Buena Vista na jovialidade, embora a virtuose naexecução de instrumentos variados também impressione. Se a tradição cubana emerge aos tímpanos a cada agudo vociferado por Ibrahin Ferrer, as rabecas, os grooves latinos ou o sotaque nordestinês também impõe a marca de uma música brasileira vanguardista. Os arranjos modernos unidos ao frevo, completam a salada sonora conceituada pela crítica do jornal O Globo como um dos melhores shows de 2008 ao lado de João Gilberto. Não bastasse, os pernambucanos receberam indicação da crítica especializada do jornal norte-americano New York Times.

As vestes de qualquer rótulo musical ficam apertadas no corpo da Orquestra Contemporânea de Olinda. No mínimo, podem sair malamanhados, com uma cueca pop, uma calça afro beat, uma camisa frevo e, para completar o figurino, um chapéu de estilo cosmopolita para além dos mares de Recife. Com esta sonoridade múltipla, conseguem ingresso em festas promovidas em qualquer parte do mundo e ainda chamam atenção pelo colorido e inventividade. E se alguém reparar melhor no caleidoscópio estilístico-cultural dos caras, notará na figuração metafórica de um rapaz corado pelos mares de Recife e híbrido pelas influências de vanguarda da música mundial, uma sandália de rabicho e uma fitinha amarrada na canela escrito: "salve Chico Science".

10 mil pessoas no Mada

Não tem jeito: a chuva persegue o Mada. E na entrevista mais abaixo o produtor do festival, Jomardo Jomas brincou que o Mada trairia a chuva para outubro. Dito e feito. Tudo bem, foram alguns chuviscos para refrescar a alma já alimentada de música. Ainda assim, segundo a organização do evento, mais de 10 mil pessoas compareceram. Pensei que fossem menos pela quantidade de gente no show de Lenine, na UFRN.

No backstage, Marcelo D2 - uma das atrações de ontem - concedeu entrevista coletiva e disse: "Em Natal os shows sempre são muito especiais. São poucos os lugares do mundo que você pode cantar de frente para o mar em uma noite bonita como esta". O artista ainda falou ter gostado da primeira banda da noite (Carcará na Viagem) e de Mc Priguissa.

Para hoje: Pitty (BA), a Nação Zumbi em show inédito “Da Lama ao Caos Faixa a faixa”, um tributo ao primeiro disco que desencadeou o movimento Manguebeat; e ainda Ana Cañas (SP), Copacabana Club (SP), Lenzi Brothers (SC), Sonic Jr (AL), Tricor (RN), Ganeshas (RJ) e Nublado (PB), afora as atrações da tenda eletrônica.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Manifesto da Tropa Trupe contra a FJA

Diante do abusivo atraso nos pagamentos (sete meses, em alguns casos) dos grupos e artistas que foram selecionados legalmente em editais públicos pela Fundação José Augusto (FJA), no período de 2008 e 2009; da indefinição de datas certas para realização desses depósitos; e do encerramento da planilha orçamentária de 2009 no final deste mês, adiando todos os pagamentos para 2010, convocamos todos os grupos e artistas para participarem do Ato de Ocupação da Fundação José Augusto, nesta segunda-feira (dia 26/10) a partir das 7h30 da manhã.

1- Prêmio "Emanuel Bezerra" de Cultura para a Juventude - 6 grupos;

2- Prêmio “Núbia Lafayete” de Música - 46 grupos e artistas;

3- Prêmio “Lula Medeiros” de Teatro de Rua - 15 grupos;

4- Festival Agosto de Teatro - 20 grupos.

Já temos confirmado a participação no Ato de Ocupação representantes destes editais listados, no entanto a sua participação será fundamental para fortalecer a classe artística, na exigência de nossos direitos enquanto profissionais e cidadãos. Convidamos também a mídia (televisão e jornal) para está presente e cobrar do Sr. presidente da Fundação, Crispiniano Neto, um posicionamento firme referente à concretização dos prêmios.

Diante dessa situação, fica a questão: do que adianta a política de edital para democratizar o acesso aos recursos públicos, se os selecionados não dispõem do benefício conquistado? Vamos esperar mais quanto tempo?

Se seu grupo e você também foram um dos contemplados em algum destes editais, ou mesmo se sensibilizaram com a causa, confirme através do email contato@tropatrupe.com.br a participação no Ato de Ocupação nesta segunda-feira (26/10), a partir 7h30 da manhã, na FJA, e divulguem para outros conhecidos que estejam passando por situação semelhante. Lembremos de nosso papel enquanto questionadores das atitudes paralisantes de nossa sociedade.

AJAMOS ENTÃO!

Tropa Trupe Companhia de Arte

Tuitando com Anderson Foca

FocaDosol: "Rapaz. Nêgo tá armando uma ocupação da Fundação José Augusto na segunda 7h30 da manhã. Motivo, editais que não são pagos! Vai feder geral!!!"

Entrevista - Jomardo Jomas (do Mada)


Se algumas músicas são cheias de gorduras trans e prejudicam a digestão dos tímpanos, outras alimentam a alma por pelo menos um segundo. E não importa se as guitarras são sujas e os sintetizadores causem algum estranhamento. A música é boa ao seu modo e cabe a experimentação. Quem deseja ousar, descobrir novos sons, começa hoje a 11ª edição do festival Música Alimento da Alma (Mada). E pela primeira vez, na versão compacta e mais dinâmica. Serão dois dias musicais entoados pela cadência regueira, pelos tambores viscerais do Mangue Beat, hip hop, pelo rock indie ou o pop in.

Desde a primeira edição no distante ano de 1998 foi assim: uma salada de ritmos e bandas estranhas ao público presente no Largo da Rua Chile, na Ribeira. No bairro histórico ou na Arena mais elitizada do Imirá (Via Costeira), a partir de 2004, a proposta do festival se manteve: abrir espaço para bandas novas. E foi assim que muitos dos partícipes despontaram no cenário nacional anos depois. A montagem do line-up deste ano aposta em algumas promessas de sucesso musical no eixo-maravilha do Sul, a exemplo da baiana Pitty – atração nas primeiras edições do Mada e que mais se tornou figurinha carimbada na MTV.

As apostas para este ano do produtor e idealizador do evento, Jomardo Jomas, inclui uma banda local e outra promessa surgida em Curitiba. Na entrevista a seguir, Jomardo conta alguns porquês da redução de três para dois dias, os motivos da mudança de datas e a redução inédita de orçamento.

Entrevista - Jomardo Jomas

Qual a maior conquista do Mada nestes 11 anos de evento?
Do primeiro ao último ano a ideia foi abrir espaço para novas bandas. Mantemos e manteremos essa proposta. A mudança é que, com o crescimento do festival, agregamos atrações nacionais ao evento e aumento das bandas locais. Ainda assim, 70% das participações são de bandas desconhecidas à maioria do público.

Como foi a logística de produção nas primeiras edições se comparada à de hoje?
O crescimento foi ano a ano e o aumento no orçamento foi considerável. Nas três primeiras edições tiramos dinheiro do nosso bolso. Um dos fatores fundamentais para este crescimento foram as leis de incentivo cultural que facilitaram a captação de recursos junto às empresas.

Outras mudanças como a redução dos dias de evento se deveu à queda no orçamento?
Quando comemoramos os 10 anos do evento já pensamos em um formato mais dinâmico e diminuir para dois dias. Com a redução do orçamento essa mudança foi forçada, mas já pensávamos nisso. Dessa maneira o público fica menos cansado com três dias de evento e comparece mais. E é também mais viável à coordenação do festival.

A captação de recursos pelo Mada através da Lei Câmara Cascudo era das maiores, próximo aos 400 mil? A redução foi de quanto?
A lei foi aprovada este ano com redução de orçamento e dificultou para nós a captação da mesma quantia junto às empresas. No ano anterior o orçamento foi de R$ 440 mil. Este ano reduziu para R$ 310 mil – uma diminuição significativa de quase 30.

Quais suas apostas de bandas participantes do evento deste ano com possibilidade de despontarem no cenário nacional?
A DuSouto (banda local capitaneada por Gustavo Lamartine e com Cd recentemente lançado, intitulado Malokero High Society) e a Copacabana Club (banda de pop-rock do Paraná).

E o porquê da mudança de datas? Houve a primeira quando passou de maio para agosto. Agora será em outubro...
Primeiramente procuramos fugir das chuvas de maio, mas encontramos os ventos de agosto e a possibilidade, mesmo menos, também das chuvas. Acho que outubro é o mês ideal: início do verão, tempo bom. Vamos firmar o evento, nos próximos anos, para este mês. A não ser que o Mada puxe as chuvas para outubro (risos).


Programação:

Hoje
20h30 – Carcará na Viagem (RN)
21h – MC Priguissa (RN)
21h30 – Calistoga (RN)
22h – Sick Life (RN)
22h30 – DuSouto (RN)
23h – Fungos Funk (MG)
23h30 – Chico Antronic Embola Dub (RN/SP)
0h – Natirutz (DF)
1h20 – Marcelo D2 (RJ)

Sábado
20h30 – Nublado (PB)
21h – Ganeshas (RJ)
21h30 – Tricor (RN)
22h – Sonic Júnior (AL)
22h30 – Lenzi Brothers (SC)
23h – Copacabana Club (PR)
23h40 – Ana Cañas (SP)
0h20 – Pitty (BA)
1h40 – Nação Zumbi e Otto (PE)

Festival Música Alimento da alma (Mada 2009)
Quando: Hoje e amanhã
Onde: Arena do Imirá, Via Costeira (Natal)
Ingressos à venda nas lojas Ecológica
Preços:
Individual R$ 20 (estudante) e clientes
da operadora Claro/Sony Ericcson
Temporada R$ 35 (estudante) e clientes Claro

* Entrevista publicada, em parte, nesta sexta-feira no Diário de Natal. Aqui, está na íntegra.

Lenine de graça hoje na Cientec


A qualidade das composições do pernambucano Lenine é inquestionável mesmo sem os apelos comerciais dos refrões fáceis à grande massa. Não é música enlatada ou palatável. Ainda assim, está nas novelas, nas rádios, na mídia. A mescla complexa da música eletrônica e regional aliada ao universo da linguagem pop criou um estilo próprio e faz de Lenine uma exceção à lamentável regra do show business brasileiro, guiada pela mercantilização cultural. O cume desta trajetória de 30 anos cujo meio do caminho estão canções como Hoje eu quero sair só, Dois olhos negros, A ponte e Jack Soul Brasileiro será mostrado nesta sexta-feira no Anfiteatro da UFRN, no encerramento da Cientec.

Lenine volta a Natal com o mais novo trabalho – Labiata – o primeiro álbum de inéditas desde Falange Canibal, de 2002. O astro pop – em meio ao popularesco casting de estrelas nacionais – explica que, ao montar esse espetáculo, levou muito em consideração o desencadear das canções, a dinâmica e o relevo sonoro, e priorizou o novo repertório. Mas também pincela algumas dos discos anteriores. "Esse show teve uma facilidade rara para mim que foi trabalhar um roteiro onde não senti necessidade de tocar canções já conhecidas. É claro que trouxe músicas que não toco há algum tempo, até porque me deu vontade de tocá-las novamente, como é o caso, por exemplo, de Nem o sol, nem a lua, nem eu. No bis, entram canções mais conhecidas", diz.

Além de estar na estrada há um ano com Labiata, Lenine está envolvido, junto com o diretor Rodrigo Pinto, no longa Continuação, que retrata o processo criativo do compositor. Após o show de Natal, Lenine embarca para São Paulo onde o documentário será exibido na 33ª Mostra Internacional de Cinema de SP.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Primeiros nomes do Novo Jornal

Como prometido, seguem os nomes já convidados para o Novo Jornal, com estreia agendada para a segunda quinzena de novembro.

Foram convidados até o momento - e que eu saiba - os jornalistas Franklin Jorge, Moura Neto, Alex de Souza, Alexis Peixoto, Sheyla Azevedo, Ada Lima e Thiago Lopes.

A política da empresa é a de evitar o recrutamento de jornalistas de jornais. Mas, como sabemos, é difícil encontrar profissionais de qualidade e com experiência fora dos principais meios de comunicação e algumas peças de jornais como o Diário de Natal e Jornal de Hoje começam a ser convidadas

Franklin Jorge deverá ir para a editoria de Cultura com a possível desistência de Alex de Souza. Grande sacada do jornal.

Moura Neto será, provavelmente, o editor de Cidades. O jornalista de larga experiência, competência e honestidade, que responde pela equipe de reportagem da Assessoria do Governo do Estado e escreve para o tablóide Nós da Imprensa fica a serviço do Governo até o fim do mês.

Já se sabe que serão convidados dois jornalistas do Diário de Natal, sendo uma jornalista.

Sheyla Azevedo será uma das três chefes de reportagem do jornal, que terá uma chefia das 7h às 12h, outra das 12h às 17h e outra, ainda sem nome para compor, das 17h às 22h.

Outra chefe de reportagem será Ada Lima. De Ada conheço apenas sua excelente poesia e que é filha do poeta Adriano de Sousa, que está montando a equipe do Novo Jornal. O jornalista Tácito Costa também foi convidado, mas não pôde preencher o horário em função de outras atividades.

O jornalista Alexis Peixoto bem poderia ser encaixado na editoria de Cultura. Não sei ainda onde irão aproveitá-lo. Como também o estagiário Thiago Lopes, também muito bom jornalista, hoje repórter do Jornal de Hoje.

Um dos melhores fotógrafos da província, Argemiro Lima, foi convidado para ser editor de fotografia. Mas o cara prefere mesmo ser fotógrafo de rua, o que, penso, deve ter sido aceito pelas chefias do jornal.

Sorte pra essa galera e para o novo jornal que, de certo, irá abrir novas frentes de trabalho.

Som da Mata


O trompetista João Simplício é a atração deste domingo no Som da Mata. João, além de seu trabalho solo, faz parte da Banda Sinfônica de Natal e da Jerimum Jazz Band. Para o concerto que preparou para mostrar este domingo convidou os virtuosos Jubileu Filho com a sua guitarra, Paulo de Oliveira no contrabaixo e Rogério Pitomba na bateria, para executarem clássicos da música brasileira, da Salsa e do Jazz. Os deuses da música já garantiram presença. Ingresso: R$ 1, no Parque das Dunas.

Os primeiros nomes do Novo Jornal

Acredito que ainda hoje à noite publico aqui os primeiros nomes confirmados e outros convidados do chamado Novo Jornal, capitaneado pelo jornalista Cassiano Arruda Câmara, e sob o leme de Carlos Magno Araújo, o grande Charles.

Dudé Viana homenageado no Rio


A Câmara Municipal do Rio de Janeiro rendeu homenagens hoje ao talento do compositor potiguar Dudé Viana, em razão ao dia do compositor. Dudé recebeu o gesto de reconhecimento ao seu trabalho - iniciado desde a década de 70 no Estado carioca - ao lado de colegas compositores e poetas.

83 anos de Deífilo Gurgel


Dia especial. O mestre Deífilo Gurgel - o maior folclorista vivo deste Brasil, afirmo com segurança - completa nesta quinta-feira 83 anos.

Agora, momento coluna social: Deífilhos, como é chamado pelo irmão Tarcísio Gurgel devido à numerosa prole, comemorará seu aniversário próximo sábado com os nove filhos.

Vidas na Tela

O filme de hoje oferecido pelo projeto Vidas na Tela é o documentário A Paixão Segundo Callado, de José Joffily. O filme revela o legado do jornalista e escritor Antonio Callado (1917-1997), autor de Quarup, Reflexos do Baile e Bar Don Juan. Para falar do moço: depoimentos de Carlos Heitor Cony, Fernanda Montenegro, Moacyr Werneck de Castro, Frei Betto, Ferreira Gullar, Ana Arruda Callado e outros. No auditório do Sebrae, às 18h.

Tuitando com... comigo mesmo

Sim, amigo leitor, ingressei no tal microblog. Rendi-me, como ironizou o modernoso Tácito (rs). Na verdade, construi minha jangada de poucos paus para navegar nesta onda (ou marola, sob o ponto de vista lulista) e sentir a utilidade da ferramenta. Eu, um provinciano a espera da cura, quis desbravar estes mares das grande rede já muito navegados. E quer saber? Até o momento, nenhum frisson. Pelo contrário, a pecha de "brontossauro" atribuída à minha pessoa se confirma: demoro a apreender o sentido e recursos dessas coisas. Por hora, estou à deriva. Espero, tão somente, achar uma ilha para, de lá, "urubuservar" o nado de alguns tomando côco e a espera de ajuda. E se querem uma dica, esqueçam o twitter hoje e mergulhem na coluna de Mário Ivo: texto e notas "impagáveis", para citar apenas o adjetivo-clichê.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Orquestra Contemporânea de Olinda

Só uma mostra do que estará no palco do Anfiteatro do Campus da UFRN na noite deste sábado, após o encerramento do Festival Universitário da Canção. Quem quiser saber informações adicionais para além da sonorização, nesta quinta-feira o DN publicará matéria a respeito destes 12 integrantes da Orquestra Contemporânea de Olinda, indicada este ano ao Grammy Latino. A produtora Cida Campello ofereceu o show ao colega Jomardo Jomas, idealizador do Mada. O cara recusou, ou melhor, ofereceu cachê de banda local. Vejam aí o que ele perdeu:

http://www.youtube.com/watch?v=GXMj4VQ3-_E&feature=related

Poetas Elétricos na Cientec hoje


Estava curiosíssimo para assistir a nova formação do Poetas Elétricos hoje na Cientec. Aliás, como já disse, a programação desta quarta-feira está sensacional. Além de Carito e companhia, o Octo Voci traz repertório dos Beatles e dos Anos 80, o grupo de ópera Canto Dell'Arte e seus 30 integrantes levam o lirismo de vários ritmos, mais o Big Band Jerimum Jazz.

O Poetas Elétricos apresentam, creio que pela primeira vez, os novos integrantes. O trio formado por Carito (voz, poesia e alma), Edu Gomez (guitarras, bases eletrônicas e molho cibernético) e Michelle Régis (voz, suavidade e beleza) ganham as companhias de Fabíola Nobre (baixo), Juliana Gonçalves (bateria) e ainda o Vj Júlio Castro.

Quem tiver carta de alforria, disposição e bom gosto, se façam presentes. A programação começa a partir das 17h, no Anfiteatro do Campus da UFRN. O local, aliás, estará bem representado até sábado. Ainda recebe - para citar alguns - Khrystal, Lenine e a Orquestra Contemporânea de Olinda. Quem quiser saber mais deste último, sai matéria amanhã no DN.

O valor do livro e da leitura

Por Jairo Lima

Engraçado. Quando eu era sebista me entrava um cara com uma camisinha de malha Lacoste de 150 mirréis, um tênis de 400 paus, um óculos escuro de 150 reais e pegava um livro de míseros 30 reais para reclamar que era caro. Livro não é caro porra nenhuma. Livro, no Brasil, não tem valor. Isto é outra coisa. Ou seja: livro não serve para comer ninguém, nem para enganar o chefe no trabalho, nem pra dar status na conversinha no bar da esquina e, por isso, não merece qualquer "sacrifício" financeiro. Livro não serve pra nada. Só pra ler, pensa o imbecil e revira os olhos.

Por Carlos de Souza

Arrisco até a dizer que quem fica viciado em leitura dificilmente a substitui por alguma droga fuleira como a cocaína ou o crack. Acho que os problemas das drogas poderiam ser resolvidos com um simples livro. Quem lê muito não abre mão deste prazer por paraísos artificiais por muito tempo. Ler é sempre melhor. O melhor ópio que existe. Melhor que religião. Melhor que álcool. Um pouco menos que sexo. Um pouco menos que música. (texto roubado do Papo Furado, de Jairo)

P.S: Alguém aí pergunta a Carlão qual o melhor: sexo ou música? (rs)

Muitos Carnavais 2009

O Muitos Carnavais fechou a programação para comemorar seus 15 anos de existência em 2009. No sábado, 14 de novembro, fazem a festa a banda Patusco de Olinda a partir das 19h30, Armandinho do trio elétrico Dodô & Osmar às 21h30, além da banda baiana Araketu, às 23h30, e da atração local com show de Sueldo Soaress a partir de 01h30. As vendas começam no dia 28 de outubro, no Shopping Cidade Jardim. A concentração para os shows será no pátio da CBTU e este ano as mudanças acontecem no percurso, com o cordão da folia embalado por orquestras de frevo, Folia de Rua e Pau e Lata, saindo do Memorial Câmara Cascudo, percorrendo algumas ruas do Centro da cidade e dando uma volta no Largo Dom Bosco. Tudo isso com resgate das alegorias dos carnavais passados, conferindo um tom nostálgico ao Muitos Carnavais 2009.

No rastro dos cangaceiros


A história de resistente bravura do sertanejo nordestino recebe hoje mais um relato minucioso. São páginas dedicadas à eterna guerra vivenciada no Nordeste Setentrional. Seja entre seca e dignidade; entre a justiça divina e a social; ou entre as leis impostas pelos cangaceiros e as leis da sobrevivência. Desta vez, o médico, artista plástico e escritor Iaperi Araújo contextualizou de forma cronológica as origens da nordestinidade a partir da morte de el-Rey Dom Sebastião na África – o rei de Portugal de alma guerreira e repleta de senso de justiça, morto em 1578.

No Rastro dos Cangaceiros (Sebo Vermelho, 152 pág, R$ 30) é considerado uma das três publicações mais importantes do cangaço escritas no Rio Grande do Norte; um livro referencial no assunto, como são A Marcha de Lampião, de Aldo Fernandes, e Lampião e o Rio Grande do Norte – A História da Grande Jornada, de Sérgio Dantas. A obra será lançada nesta quarta-feira, logo após a homenagem oferecida pela Câmara Municipal de Natal ao conceder o título de cidadão natalense a Iaperi Araújo, natural de São Vicente, nos arredores da Serra de Santana. A solenidade começa às 18h.

Alexandre Atmarama é o nome


A música potiguar tem escapado da maldição de Cascudo. Mas muito se fala de Khrystal, Valéria Oliveira e mais recentemente, das bandas Rosa de Pedra e Tricor. É bom lembrar que um violonista potiguar tem sido chamado reiteradas vezes de gênio em revistas especializadas e nesta quarta-feira participa da 4ª edição do Festival BNB de Música Instrumental, em Souza (PB) e amanhã em Juazeiro do Norte (CE). É Alexandre Atmarama e sua técnica Imalt, desenvolvida por ele na qual os movimentos dos dedos indicador, médio e anular da mão direita pulsam de baixo para cima e também de cima para baixo, como se os dedos fossem palhetas, funcionando independentes. O nome da técnica se estendeu ao título do seu elogiado CD solo, que é fruto do projeto Difusão Violão Nordestino, patrocinado pelo Programa BNB de Cultura e lançado do segundo semestre de 2008 pela ação cultural Mudernage.

MySpace
http://www.myspace.com/alexandreatmarama

Em vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=33DzI_GEHa8

Poticanto: Silvia Sol interpreta Júlio Lima


O Poticanto desta quarta-feira está imperdível. A voz suave e lírica de Silvia Sol homenageia o vigor e a energia da música de Júlio Lima. Essa contradição deve render uma boa performance. Além do mais, os dois são velhos conhecidos de movimentos musicais de outrora. Interessante, também, que Júlio - um campeão de composições, com mais de 400 - tem uma maneira particular de interpretação de suas canções. Será curioso vê-la na voz de Silvia Sol. O projeto Poticanto - Um Canto 100% Potiguar - é uma parceria entre seu idealizador e produtor Nelson Rebouças e a Fundação José Augusto. O show acontecerá às 20 horas, no teatro de Cultura Popular Chico Daniel (anexo da FJA). A entrada é franca através de senhas antecipadas.
Foto: Kaline Formiga

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Pratodomundo confirmado

Em meio a adiamentos, indecisões e informações imprecisas, uma coisa é certa e pode ser comemorada, apesar dos pesares: o festival gastronômico do Beco da Lama - o Pratodomundo - está confirmadíssimo.

As atrações musicais serão Isaque Galvão, Alphorria, Rosa de Pedra, Bugs e outros mais que não conseguir decorar enquanto dirigia e o presidente da Samba, Lula Augusto, me contava.

O evento será realizado no início de novembro. E se vale mais uma informação, a Funcarte até agora não sinalizou com nenhum verba de patrocínio após anos de parceria.

Revista Ginga permanece!

A Ginga - revista cultural patrocinada pela Funcarte que irá substituir a Brouhaha - permanece com data de lançamento para fins de novembro, como estava agendado. Apenas não será mais durante o ENE, adiado para março.

É que recebi telefonema e e-mails de curiosos e colaboradores da revista desejosos de notícias da revista depois de rebuliço da montagem do Natal em Natal. E também porque acabo de ler no blog de Tácito reclamações da demora para a primeira publicação.

Pois desde sempre o primeiro número da revista está marcado para novembro. Amanhã haverá reunião na Funcarte para definir um dia exato. De certo sairá na segunda quinzena de novembro. E para adiantar: todo o conteúdo textual está pronto e entregue aos diagramadores.

E para ser mais legal ainda, adianto algumas matérias: o entrevistão será com François Silvestre. A coluna de música foi escrita por Alexis Peixoto e a de livros - já que outros cinco convidados recusaram o convite - por mim. O ensaio é do tradutor Chico Moreira Guedes. O conto é de autoria de Pedro Lucas e as poesias, de Ada Lima. O ensaio fotográfico será de Henrique José. Matérias ainda dos jornalistas Moura Neto, Alex Gurgel, Rodrigo Levino, Rafael Duarte, Filipe Mamede, Adriana Amorim e Rodrigo Hammer.

Auto de Natal está mantido

O Auto de Natal está mantido na programação do Natal em Natal. O evento natalino voltará à concha acústica da UFRN, como ocorreu nas primeiras edições até ser relocado ao Estádio Machadão nos últimos dois anos. A data precisa do auto natalino deverá ser definida até sexta-feira, segundo Iraci Azevedo. O texto ainda está em processo de elaboração pela dramaturga e escritora Clotilde Tavares, convidada há apenas 15 dias para escrever o Auto, este ano dirigido por Moacir Góes. Segundo Clotilde, o texto está sendo construído paralelamente à encenação para atender a proposta cênica do diretor – procedimento comum ao estilo do espetáculo. Em 2001, Clotilde também escreveu o texto do Auto e entregou em 12 de dezembro.

ENE só em março

Bem que eu avisei. O Encontro Natalense de Escritores (ENE) foi adiado para março do próximo ano e mudará de nome. A medida é considerada estratégica pela prefeitura para fomentar o turismo de negócios durante o período de baixa estação. O evento estava agendado para acontecer entre 24 e 26 de novembro. Convidados locais, nacionais e até internacionais, como o premiado escritor angolano José Eduardo Agualusa haviam confirmado presença. A logística do evento também foi montada para fins de novembro.

O nome do evento passará a se chamar Encontro Lusófano de Escritores. A intenção da prefeitura é promover um evento de maiores proporções fora da programação já abrangente do Natal em Natal. O caráter internacional dado ao novo evento visa a promoção turística e repercussão na mídia estrangeira. A coordenadora geral do ENE, a dramaturga Cláudia Magalhães disse que irá reconvidar todos os nomes confirmados no evento de novembro para a nova data. Outros nomes serão chamados para incrementar a programação, sobretudo escritores estrangeiros.

Degola no Jornal de Hoje

Depois da série de demissões no Diário de Natal, chegou a vez do JH 1ª Edição. Primeiro foi a diretora de redação Thaísa Galvão. Agora há pouco foi o editor de política Ivo Freire. Os motivos ainda não foram divulgados. Mas dizem que o gesto se assemelha ao processo ocorrido no antigo Dois Pontos - primeiro jornal do empresário Marcos Aurélio de Sá. Os funcionários foram demitidos pouco a pouco até o jornal sumir. Torço realmente que o vislumbre fique na mera comparação. Seria péssimo para os profissionais e para o mercado já ínfimo do jornalismo.

O ENE na corda bamba

Ninguém duvide do que a colunista Flávia Urbano escreveu nesta terça-feira no Diário de Natal. Segundo a jornalista, o chefe do Gabinete Civil da prefeitura, Luciano Barbosa chamou os envolvidos com a preparação do Natal em Natal e comunicou que "dentre os eventos de responsabilidade da prefeitura previstos na programação do Natal em Natal, quase 10 deixarão de ser realizados. Entre eles o Encontro Natalense de Escritores (ENE)".

Desconfiava do fato desde ontem, quando li no blog do jornalista e escritor Cefas Carvalho suspeitas deste absurdo. A desconfiança vem da proximidade de Cefas com a organizadora do evento, a dramaturga Cláudia Magalhães. Liguei para Cláudia. Apesar do silêncio imposto pelo alto escalão da Funcarte, senti uma ponta de amargura em Cláudia. Ela me disse que tudo está organizado: convidados nacionais, internacionais e locais já foram confirmados e a logística já foi montada. Só falta acontecer.

No domingo publiquei o choque de informações entre o coordenador do Natal em Natal, jornalista Rodrigues Neto, e do secretário-chefe do Gabinete Civil do governo, Vagner Araújo. O primeiro disse que o Governo do Estado arcaria com menos da metade do orçamento do Natal em Natal e até agora a prefeitura tinha apenas R$ 1 milhão disponível, proveniente de sobras da Lei Rouanet do ano passado.

O segundo disse que a prefeita Micarla de Sousa solicitou R$ 3 milhões ao governo para dividir igualmente os custos do Natal em Natal entre prefeitura e governo. Vágner disse que a governadora Wilma de Faria disponibilizou R$ 2 milhões e prometeu, junto com a prefeitura, buscar o restante junto à iniciativa privada.

Esses desencontros de informações, o silêncio duradouro da Funcarte, os boatos e agora confirmações de que o ENE e outros projetos como o Auto de Natal poderão cair por terra seriam um verdadeiro desastre para a administração da Funcarte ou mesmo da própria prefeitura. Pior: soaria não apenas como incompetência, mas atitude mesquinha e enciumada pelas conquistas consolidadas da gestão anterior.

Copiar? Pode ser. Melhorar? Sempre! Abolir? Ora, faça-me um favor...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Liberado recursos para Pontos de Cultura

A primeira parcela da grana para a implantação de 53 novos Pontos de Cultura no Rio Grande do Norte, correspondente a R$ 60 mil foi liberada às entidades que estão quites com suas obrigações burocráticas, ou seja, 25 das 53 que foram selecionadas em dezembro de 2008 para integrar o Programa Mais Cultura.

Cada entidade terá direito de receber, ao todo, R$ 180 mil em três parcelas anuais sendo R$ 120 mil de verba federal e R$ 60 mil do governo estadual. As demais entidades receberão a primeira parcela assim que apresentarem devidamente toda a documentação solicitada pela Fundação José Augusto/ Ministério da Cultura. Serão investidos no Rio Grande do Norte quase R$ 10 milhões ao longo de três anos.

Programação cultural da Cientec desta segunda

A programação cultural da Cintec desta segunda-feira começa às 19 horas com a abertura oficial do evento na Reitoria. Para a abertura será promovido o Caleidoscópio Cultural. Consiste numa apresentação artística inspirada no universo cultural da UFRN. Participarão do Caleidoscópio o Coral da Escola Agrícola de Jundiaí, Grupo de Dança Gaya, da UFRN, Roda Viva, Parafolclórico, Grupo de Ópera Canto Dell’Arte, Madrigal, Pau e Lata, Sax em Bach e Telma Romão. A entrada é franca. Amanhã coloco a programação de terça e assim sucessivamente pra evitar bagunça.

domingo, 18 de outubro de 2009

Penso, logo desisto

A partir da montagem do Natal em Natal, penso: o poder público não gosta nem de cultura nem de eventos, gosta é de turismo e de voto.

Tuitando com Marcelo Veni

MVProducoes: "Isaque Galvão, Alphorria, Rosa de Pedra e Bugs confirmados no Festival Gastronômico do Beco da Lama".

Revista Palumbo

A nota alusiva à Revista Palumbo publicada neste domingo na minha coluna do Diário de Natal foi cortada; ficou sem sentido. Publico aqui o texto na íntegra e as demais notas. O texto principal, referente ao Natal em Natal, só por lá:

Esso – O novo Cd do músico Esso Alencar – Alma Poeta – pode escapar ao propósito de uma poesia musical aprofundada. Mas é um trabalho diferenciado. A produção é cuidadosa e os arranjos, aliado à musicalidade das letras, proporciona doces melancolias.

Cientec – A programação cultural da Cientec desta quarta-feira está imperdível. A partir das 19h, Grupo de Chorinho do Sesi, Canto Dell’Arte, o excelente Octo Voci, os internacionais do Big Bang Macaxeira Jazz e a salada sonora/poética/lingüística dos sensacionais Poetas Elétricos. Mais adjetivos a seguir.

Antônio Cândido – “Comparada às grandes, a nossa literatura é pobre e fraca. Mas é ela, e não outra que nos exprime. Se não for amada, não revelará a sua mensagem; e se não a amarmos ninguém o fará por nós. Se não lermos as obras que a compõem, ninguém as tomará do esquecimento, descaso ou incompreensão”.

Marcos Silva – Do professor da USP e potiguar Marcos Silva, acerca da análise do crítico Antônio Cândido: “Com as necessárias adaptações históricas e estéticas, esse raciocínio é também válido para o Cinema Brasileiro”. Marcos lança nesta terça-feira o livro Cenas Brasileiras. São textos analíticos do cinema brasileiro entre 1928 a 1988.

Filosofia – Crônicas de autoria do professor de filosofia Pablo Capistrano estão reunidas no livro Simples Filosofia, lançado pela Rocco esta semana, muitas publicadas neste Diário de Natal. São textos para iniciantes e iniciados na mãe das ciências sociais. Uma filosofia bem digerida sob metáforas do cotidiano. Um trabalho primoroso.

Palumbo – A coluna soltou a notícia semana passada do lançamento próximo da Revista Palumbo e muitas pessoas perguntaram a data da mais nova publicação do mercado editorial potiguar. A estimativa de um dos cinco editores é de que seja lançada na primeira quinzena de novembro.

Ginga – O desbocado escritor Xico Sá, um dos convidados confirmados do Encontro Natalense de Escritores – que a priori não vai mudar de nome nem será cancelado, conforme boatos – foi entrevistado pelo escritor Rodrigo Levino para matéria da Revista Ginga, editada pela Capitania e com lançamento previsto durante o ENE.

Tarantino – O último longa de Quentin Tarantino – Bastardos Inglórios – surtiu recordes de resenhas na província. Para resumir, comentário de Fábio Farias, da Revista Catorze, ao chegar ao cinema: “Previ, ali mesmo, que poderia ser um filme foda. Eu Errei. Foi o melhor longa-metragem que vi em muito tempo”.

O tempo passa, o tempo voa...

Do personagem Nicolau Liêvin, em Ana Karênina, de Tolstoi: "Bem sabes que o capital oprime o trabalhador. Entre nós, os operários e os camponeses suportam todo o peso do trabalho, e as coisas estão feitas de tal maneira que por mais que trabalhem não conseguem passar de bestas de carga. Todos os benefícios, tudo o que permitiria ao trabalhador melhorar a sua condição, ter descanso e por conseguinte tempo para instruir-se, todos esses benefícios os capitalistas lhes roubam. A sociedade está organizada de tal maneira que quanto mais os operários trabalharem tanto mais amealharão os comerciantes e donos de terra, continuando aqueles a ser bestas de carga. É preciso modificar esta ordem de coisas".

Penso, logo desisto

Vendo o resultado da final do campeonato sub-20 de futebol, penso: os jogadores de Gana desaprendem após os 23 anos, morrem de sífilis ou ingressam na guerra civil? A seleção é tetracampeã sub-20 sem nenhum esboço de título na seleção principal.

Som da Mata deste domingo

O Som da Mata apresenta logo mais às 16h30 a união de duas gerações. Dividindo o palco do Anfiteatro Pau-brasil pela primeira vez o violinista Osvaldo D'Amore, argentino de nascimento, mas potiguar por opção, por vinte anos Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte, Cidadão Norteriograndense, e seu filho Ticiano D'Amore, guitarrista profissional há 10 anos, professor da Escola de Música da UFRN e presença indispensável em bandas de sucesso na cidade como o Macaxeira Jazz, Kassava, Experiência Ápius e Banda Café. Contando com a participação mais que especial de Raphael Bender na percussão, o Duo D'Amore promete unir o melhor da música erudita e do tango argentino (influência paterna) com a experiência pop do filho. Quem for ao Parque das Dunas nesse final de tarde de domingo, com certeza vai apreciar um espetáculo único, diferente de tudo que que já foi mostrado nos palcos da cidade. É garantia de alto nível artístico.

Salve o Rio

Parece que os traficantes do Rio de Janeiro andaram assistindo Salve Geral e se inspiraram no filme para protagonizar atos de verdadeiro terrorismo nas favelas e avenidas cariocas. Segundo o Uol, mais de 3 mil policiais reforçam na manhã deste domingo a segurança nos morros do Macaco e São João. Os confrontos entre Poliça e meliantes mataram 12 pessoas e deixaram oito feridos. É o mundo caos.

sábado, 17 de outubro de 2009

Cardápio da coluna de domingo

A versão impressa do Diário do Tempo - publicada no Diário de Natal aos domingos - traz nesta semana informações inéditas da montagem do Natal em Natal. Aliás, informações conflitantes entre a palavra da prefeitura e do governo do estado. E mais notinhas acerca da cena cultural da cidade.

Complexo Cultural ameaçado

Uma das maiores obras de infraestrutura do Governo do Estado e a maior relacionada à cultura está parcialmente sem dinheiro para compra de equipamentos. A secretaria de Infraestrutura mantém a data de entrega da obra física do Complexo Cultural da Zona Norte para 10 de dezembro. Mas o BNB desistiu do financiamento de R$ 2 milhões para compra de equipamentos. A Fundação José Augusto - responsável por esta parte – procura agora novos convênios para assegurar o pleno funcionamento do novo centro cultural da região, orçado em quase R$ 7 milhões. Do contrário, o Governo do Estado precisará arcar com o imprevisível investimento.

O secretário de Infraestrutura, Dâmocles Trinta foi surpreendido com a notícia dada pelo Diário de Natal de que o BNB havia desistido do convênio: “E foi? Vou saber disso agora. De toda maneira, acredito que o Governo possa arcar com o valor caso outra instituição não queira firmar a parceria”. Segundo o titular da SIN, 90% da obra está concluída a espera do acabamento e da escolha das cores. “Falta empregar ainda R$ 1,9 milhão na obra e os recursos já estão garantidos. Tivemos problemas de financiamento devido à crise, é verdade, mas já solucionamos e entregaremos a obra dentro do prazo”, concluiu.

Em solenidade ocorrida no auditório da Governadoria na quinta-feira, de assinatura de convênio com o BNB para construção de um parque eólico, o diretor geral da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto, afirmou que o Governo do Estado estava “sem dinheiro e sem pessoal” para tocar a montagem de equipamentos do Centro Cultural. “Provoque o presidente do BNB. De repente ele se sensibiliza e mantém o convênio com o Governo do Estado”. O presidente do BNB, Roberto Smith, foi enfático: “Uma equipe técnica visitou o local e vimos que o modelo não se adequa às nossas necessidades. Preferimos apoiar as ações culturais do Governo no interior”.

O apoio, no caso, é para financiar os equipamentos de dez Casas de Cultura. Em contrapartida, o Banco instalará unidades de pronto-atendimento para o microcrédito –ação semelhante ao que faria no Centro Cultural da Zona Norte. Sem verba, o complexo proposto pela governadora Wilma de Faria para valorizar a cultura da Zona Norte como um verdadeiro Caldeirão de Cultura – erguido onde funcionava o chamado Caldeirão do Diabo (penitenciária João Chaves) será, provisoriamente ou até a locação de recursos, um esqueleto de concreto. E o projeto de cultura dinâmica e pulsante continuará no sonho dos 300 mil moradores da região.

O projeto do Centro Cultural suprirá carências de lazer e cultura da Zona Norte, ainda desprovida de equipamentos como cinemas, pinacotecas e galerias. No papel, o complexo oferece cine/teatro destinado à montagem de apresentações artístico-culturais com capacidade para 240 pessoas e quatro camarins. Também possuirá galeria/pinacoteca, praça de alimentação, cinco salas para a realização de oficinas de trabalhos manuais, uma sala para inclusão digital, seis lojas de artesanato, quatro lojas para alimentação, dois mini-auditórios com capacidade para 60 pessoas cada, sala de administração, banheiros, quatro salas de música, uma sala de dança e uma passarela que liga o complexo ao prédio da UERN.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Diálogos Criativos

Projeto interessante este proposto pela Livraria Siciliano. Aquela salinha/auditório bem podia ser mesmo melhor aproveitada. Lívio Oliveira havia idealizado alguns encontros literários pra lá. Eu mesmo propus algo parecido à Capitania das Artes. Enfim, segue o release adptado:

Filosofia, literatura, artes plásticas e visuais, ciências humanas e naturais, ecologia, educação, comunicação, atualidade, espiritualidade: dialogar em liberdade sobre as mais diversas temáticas, trocar ideias, experiências, construir coletivamente novos conhecimentos e, acima de tudo, partilhar bons momentos. Esta é a essência dos Diálogos Criativos, um projeto do educador, jornalista e agitador cultural Antonino Condorelli em parceria com a Livraria Siciliano. O projeto estreia hoje no auditório da Siciliano do Midway Mall. A iniciativa promete tornar-se um fervilhante laboratório de ideias e práticas que vai enriquecer o panorama cultural da cidade.

O primeiro encontro dos Diálogos Criativos tem como título “Reemergir sorrindo do fundo do abismo: a resiliência na encruzilhada entre o biológico, o psíquico, o social e o cultural”, onde a incrível capacidade humana de superar traumas e retomar um desenvolvimento sadio, batizada pelas ciências humanas e sociais de resiliência, será abordada em uma perspectiva ampla e transdisciplinar. Mais dois encontros são previstos para outubro. O projeto já conta com intensa programação que agitará o clima cultural de Natal até dezembro, culminando em um diálogo com o biólogo e filósofo francês Henri Afilam, diretor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, no dia 22 de dezembro.

Os encontros estão abertos a todos por meio de inscrição, ao custo de R$ 10, valor destinado a viabilizar a iniciativa. As inscrições poderão ser realizadas na Livraria Siciliano, até atingir a capacidade dos lugares disponíveis no auditório. A programação será divulgada com antecedência no blog do projeto, na revista Saga Cultural da Livraria Siciliano e nos principais meios de comunicação da cidade. Todos os encontros, coordenados pelo jornalista Antonino Condorelli, contarão com a participação de um facilitador convidado que introduzirá a temática do dia de maneira aberta e criativa, misturando diferentes linguagens (exposição oral acompanhada por slides, música, poesia, teatralizações, performances, contação de histórias e outras formas de expressão), e serão totalmente participativos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Cinema e literatura brasileiros são fracos

Do professor da Usp e cabra bom desta plagas, Marcos Silva, lança o livro Cenas Brasileiras numa tarde de sol nesta terça-feira, no auditório da Escola de Enfermagem da UFRN.

O livro reúne uma penca de artigos analíticos sobre o cinema no período de 1928 e 1988, escritos por jornalistas, escritores e pessoas normais. Na apresentação do livro, pesquei esta primeira análise de Marcos, baseado numa afirmativa do crítico Antônio Cândido:

"O critíco literário Antonio Cândido, no ensaio clássico Formação da Literatura Brasileira, assinalou os limites desse campo nacional de produção e estudo, sem diminuir a fundamental importância, para os brasileiros, de melhor conhecê-lo:
'A nossa literatura é galho secundário da portuguesa, por sua vez arbusto de segunda ordem no jardim das Musas. (...) Comparada às grandes, a nossa literatura é pobre e fraca. Mas é ela, e não outra que nos exprime. Se não for amada, não revelará a sua mensagem; e se não a amarmos ninguém o fará por nós. Se não lermos as obras que a compõem, ninguém as tomará do esquecimento, descaso ou incompreensão'.

Com as necessárias adaptações históricas e estéticas, esse raciocínio é também válido para o Cinema Brasileiro".

Simples Filosofia

Recebi hoje - e agradeço o gesto - o livro de Pablo Capistrano. Se chama Simples Filosofia. Mais um editado pela Rocco. E minha inveja do rapaz subiu aos cumes da alma. Não nego: sempre tive inveja de Pablo. Desde que ingressei no curso de Filosofia na UFRN, idos de 1997, e Pablo estava próximo de conclui-lo.

Nessa época e incentivado pela erudição do cara que discutia de igual para igual com os professores, comecei a ler seus artigos no Jornal de Hoje, onde eu mesmo já dava minhas contribuições, também. Acho que somo mais de 30 artigos naquela página estranhamente ainda quadradíssima do jornal.

Folheei agora há pouco o livro. São textos deliciosos. Para os interessados em filosofia ou não. A mãe das ciências sociais é explicada sob metáforas comuns do cotidiano. É livro para iniciantes e iniciados na seara. Ou para entusiastas da boa crônica.

Mas a inveja aumentou mesmo quando li no blog de Mário Ivo a idade de Pablo. Não que ele aparentasse mais que seus 35 anos. Eu é que desejava isso. Gostaria que tivesse pra mais de 50. Seria mais confortável aceitar tamanho conhecimento de uma pessoa mais velha, não com apenas quatro aninhos distantes.

Tudo bem. Quando não consegue vencê-los - como se precisasse - junte-se a eles, diria o aforismo. Pois vou esperar um domingo sem plantões para degustar o livro e lembrar que um dia já me aventurei pelos campos de espinhos e morangos da filosofia e do qual ainda guardo cicatrizes.

Entrevista - Valéria Oliveira


No ar com Valéria Oliveira

Entre confissões, razões e injúrias o ar rarefeito passeia entre notas musicais. Em seus braços, em boa hora ou em madrugadas frias, a voz afinada pelo mel salgado da brisa potiguar invade ouvidos e percorre entranhas da alma. É o poder da música; da arte. Valéria Oliveira se reinventa a cada ano; encontra novas possibilidades sonoras e se acha aqui ou em alhures. É o poder universal da música. A compositora/intérprete alcança os palcos do Japão, as rádios de Brasília ou os festivais de música norte-americanos. Nada mais sugestivo que o título do novo álbum – No ar.

Valéria Oliveira está “no ar” desde as noitadas do Bora Bora, Bar do Buraco... Ligada em 220 voltz, na tomada daqueles fins de anos 80, junto com Pedrinho Mendes, Sueldo Soaress, Cida Lobo, Cleudo Freire... Na noite de hoje, a Casa da Ribeira recebe o ar da graça e de um som mutável, renovado, lapidado em décadas de música. É o lançamento do sétimo álbum de carreira. São 12 faixas autorais, em parceria com velhos e novos amigos; com velhos ritmos conhecidos e novas experimentações. Esta é Valéria Oliveira. Saboreiem com moderação. Próximo ano, tudo pode mudar.

Você vem de uma geração de músicos iniciada numa Natal ainda mais provinciana e presa em suas muralhas. Hoje vemos artistas se projetando no Sul Maravilha ou no estrangeiro. A música potiguar vive seu melhor momento em termos de projeção e qualidade?
Considerando do início dos anos 90, quando comecei a cantar profissionalmente, até hoje, esse é, sem dúvida, o melhor momento. Individualmente podemos citar vários artistas como Khrystal, Rejane Luna, Lis Rosa, e bandas como Rosa de Pedra, Du Souto, Macaxeira Jazz, entre outras fazendo a diferença e gerando frutos, em cidades como Brasília, Rio e São Paulo. O coletivo mais cedo ou mais tarde vai ser beneficiado por esse movimento de abertura de difusão da música potiguar no Brasil e no mundo.

Outra característica do cenário musical atual é o crescimento vertiginoso de espaços para o músico em bares, bistrôs e restaurantes. Antigamente tudo se resumia ao Blackout. É um ponto positivo ou gera um ciclo vicioso de pouca projeção, voltado à elite freqüentadora destes lugares?
Esses espaços são para entretenimento e podem ser ocupados por artistas em início de carreira (como escola), ou por aqueles que optem por esta forma de se expressar musicalmente ou ainda para aqueles que precisam se manter através da música, como uma forma de geração de renda. Acho que para os artistas que buscam outro tipo de movimento para sua música, esses espaços geram pouca projeção e vicia o público frequentador a vê-los apenas atendendo a pedidos. Por outro lado, geram oportunidades de apresentar ao público cativo daquele espaço, um pouco da música potiguar.

Geraldo Carvalho chegou de uma temporada de shows em Brasília e disse ter escutado sua música nas rádios de lá. Aqui, praticamente a Rádio Universitária toca música potiguar. O que falta para popularizar a produção musical jerimum?
Sem dúvida o papel das rádios continua sendo muito importante e fundamental para popularizar nossa música. Acredito que falta aos dirigentes das outras rádios mais conhecimento sobre a qualidade de nossos artistas. É curioso realmente pois minha música está tocando em rádios de várias cidades do país como Mossoró, São Paulo, Salvador, Brasília, Belém e em várias rádios on-line além de algumas rádios dos EUA, da Suíça e do Japão. Hoje (quarta-feira) mesmo uma rádio me ligou para saber porque eu não estava anunciando meu show em sua rádio. Respondi que me baseei na própria avaliação deles de que se seus ouvintes não consumiam minha música, certamente não consumiriam meu show.

As leis de incentivo são instrumentos destes novos tempos capazes de alavancar projetos musicais?
Sem dúvida! São mecanismos de extrema importância. Porém falta ainda uma grande conscientização das empresas sobre a importância de se investir em projetos culturais.

O que achou deste novo formato do Projeto Seis & Meia, montado até o fim do ano? Qual seria sua sugestão? Você já recebeu convite para integrar a atração principal nas próximas semanas?
Já recebi o convite e devemos participar desse movimento pela possibilidade de gerar mudança e fortalecer o artista potiguar. Esperamos um bom planejamento, principalmente em relação à promoção do novo projeto e um envolvimento maior dos artistas. Também gosto muito da idéia de música instrumental no projeto.

O propósito do Projeto Retrovisor foi alcançado com o crescimento individual da carreira artística dos seus cinco integrantes? Foi mais proveitoso para uns do que para outros?
Acredito que foi muito proveitoso para todos de alguma forma. É natural que os aprendizados e conquistas sejam diferentes para cada um pois temos carreiras bastante distintas. No entanto, todos estão na ativa e se você prestar a atenção, cada um adquiriu, uns com os outros, mais experiência, consciência sobre a promoção do seu trabalho, força para abrir espaços fora daqui e, o melhor de tudo, cada um com sua personalidade e suas crenças. E o legal é que continuamos de alguma forma ligados, seja nas parcerias, nos discos, nos shows...

A última turnê, do Cd Leve, Só as Pedras, chegou ao Japão e ao festival de música internacional South by Southwest 2009. O que você espera com este sétimo trabalho? No ar apresenta quais diferenças para o último Cd, já que também é autoral e as parcerias musicais são praticamente as mesmas?
Espero apresentá-lo muitas vezes aqui. Viajar muito com este trabalho. Distribuí-lo onde pudermos e disponibilizá-lo gratuitamente, em pequenas doses, nos nossos sites. Fiquei muito feliz com o resultado do Leve só as pedras. Procurei manter “no ar” o padrão de qualidade, com cuidados nas gravações; procurei manter a sonoridade, semelhante à do Leve..., com praticamente a mesma formação de banda do cd anterior (bateria, baixo, violão e guitarra), inserindo algumas novidades como metais, com arranjos de Gilberto Cabral, em duas músicas, e clarinete em três. Algumas músicas têm percussão. As concepções dos arranjos de base foram pensadas por mim e Luiz Gadelha com colaborações de toda a banda e do co-produtor Eduardo Pinheiro. Tem a participação de Tetsuo Skurai (ex-baixista da banda japonesa Casiopea) e do bandolinista Pedro Amorim. Maravilhosos! “no ar” é mais leve que o leve. Respira mais, é mais apaixonado.

Na mostra das músicas via myspace se percebe uma salada sonora apetitosa. Samba-choro, pop, recheios de bolero e uma pitada de pimenta do bom soul. Os arranjos são moldados conforme a influência das parcerias musicais ou seguem o ritmo das composições?
Os arranjos são guiados pelo fio condutor do som geral do disco. O que desejamos é o que o ouvinte sinta ao final da audição. Apresentamos músicas de ritmos diferentes que se interceptam em um ponto que é a sonoridade geral do cd. Gravamos 16 e escolhemos 12, baseadas na unidade que estávamos querendo em termos de som e temática. Usamos sempre efeitos de guitarra específicos para cada música. A fusão é uma marca registrada do Leve só as pedras e deste também, com uma dose mais leve de experimentalismo.

O repertório do show na Casa da Ribeira será uma mescla destes dois Cds, uma celebração, um show mais intimista ou tudo junto?
Sim. É um show de celebração, com a junção dos dois cds, com momentos bem intimistas, momentos de interação com a plateia, através de algumas músicas que incluímos especialmente para esse início de turnê, músicas que falam de amor, de maturidade, de vida, que se intercalam com momentos fortes, que nos pegaram de jeito durante os ensaios, e pelo resultado que conseguimos na concepção de arranjos. Espero que o público vibre junto conosco. O show também terá algumas surpresas...