segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A hora dos cafajestes

O título acima é do escritor e jornalista Franklin Jorge, para o texto a seguir, cujas figuras de Nei Leandro de Castro, Xico Sá e até o velhinho Fidel foram criticadas. E vale a mesma indagação-mote deixada pós-palestra de Lobão: Franklin Jorge tem razão?

"Uma organização não-governamental sediada na cidade do México vai denunciar o escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez por fazer a apologia da prostituição infantil, tendo como base da acusação o seu romance “Memórias de Minhas Putas Tristes”, que conta a história de um homem de 90 anos que se concede, como um presente, fazer sexo com uma menina de 14.

Há, nisso, evidente exagero. Garcia Márquez é apenas um escritor, ou melhor, um contador de histórias como o nosso queridíssimo Jorge Amado, que ganhou muito dinheiro explorando em seus livros a xoxota alheia e nunca foi alvo de nenhum processo judicial por pornografia.

Aqui mesmo, nosso pornógrafo de plantão – o Ney Leandro de Castro – nunca foi molestado pelo braço da lei por difundir a pornografia e lesar a literatura com a sua cansada e velhusca retórica pseudo-erotica… No momento, pelo que estou sabendo, está desfrutando a vida, passeando pela Europa e rindo dos babões que frivolamente lhe atribuíram uma importância que ele não tem a não ser em nosso acanhado e bisonho meio cultural.

Ora, depois que os americanos colocaram em circulação o conceito de “politicamente correto”, que contaminou inclusive a produção artistica, tudo serve de pretexto para sandices desse e de outros quilates. Daqui a pouco, vão censurar os clássicos, sob esse argumento fajuto e imperito.

Trata-se, em verdade, duma espécie de policia moral e ética levada ao exagero, como se vê agora neste caso envolvendo o Nobel colombiano, ameaçado de processo por uma instituição que se denomina Coalização Regional Contra o Tráfico de Mulheres e Meninas e combate o tráfico de mulheres e a exploração sexual de jovens na América Latina e no Caribe.

Creio que a presidente dessa organização está misturando as coisas. Não é pelo fato de ter escrito tal romance que Gabriel Garcia Márquez deva ser acusado de pedófilo e apologista da prostituição de crianças e adolescentes, como afirma a senhora Teresa Ulloa em seu libelo. Ele é apenas um escritor, nada mais; alguém, como disse, que ganha a vida escrevendo e contando histórias como esta que provocou esse tremendo mal entendido.

A meu ver, se ele merece alguma punição deveria ser por sua notória e contumaz cumplicidade com o feroz e jurássico ditador de Cuba, conforme disse um internauta que comentou a noticia aqui publicada. Este sim, me parece, o seu verdadeiro crime — um Prêmio Nobel, que deveria representar a defesa dos direitos humanos e da ética, acobertando a tortura e aplaudindo um rebotalho humano que há tantos anos espolia e se compraz com a miséria do seu povo, num dos países mais pobres do planeta.

Por isso, por sua covardia e omissão moral, deveria sim ser condenado a plantar cana de sol a sol na ilha de Cuba e a usar exemplares do Gramma como papel higienico. Ou ter que aturar pelo que lhe resta de vida o papo machista, banalissimo e sem futuro do pseudocronista cearense Xico Sá".

Nenhum comentário:

Postar um comentário