Entre desafios e conquistas, 2010 reservou momentos marcantes para a área cultural do Rio Grande do Norte
O ano de 2010 marcou a cultura potiguar. De saltos positivos e até revolucionários ao ápice do desprestígio com a seara responsável por mudanças consistentes à diminuição da desigualdade social e intelectual. Marca ainda o fim de uma gestão na Fundação José Augusto e início de outra sob promessa de criação de uma Secretaria de Cultura. Aliás, o fim do ano mostrou retratos evidentes do que ocorreu em 2010: o descompromisso com a classe artística provocou um movimento independente chamado ironicamente de Baixo de Natal. E o Auto de Natal promovido pela prefeitura – sem qualquer apoio de um Estado falido financeiramente – mostrou a organização institucional esperada em dois anos de inércia, além de parcerias privadas promissoras para 2011.
Se o ano registrou atrasos no pagamento dos cachês do carnaval, são joão, Salão de Artes Visuais e Festival Agosto de Teatro, e as mortes de André da Rabeca, os mestres Elpídio (Boi de Reis de Parnamirim) e Lucas (Congos de São Gonçalo do Amarante), da produtora cultural Janaína Medeiros e da romanceira Militana, também publicou cultura reinventada. O natalense recebeu o Teatro Riachuelo, a casa de show Cultura Clube (na Ribeira), os projetos Beco do Reggae (no Beco da Lama), Picadeiro (Petrópolis), e Cantando & Conversando (em Pium), e a Revista Palumbo – todos projetos privados. E por esforço próprio assistimos a vitória de Khrystal na Rede Globo, de Valéria Oliveira, no Ibirapuera, e de Leno, em sua Natal.
Neste Diário de Natal, publicamos matéria no primeiro semestre mostrando três projetos patrocinados pelo poder público parados: Ribeira das Artes, Poticanto e Som da Mata. E continuam à espera de verba, enquanto a Emproturn e a ABIH firmaram convênio de R$ 1,5 milhão para bandas baianas de axé animarem o “Verão de Todos” no início do ano. Do lado municipal, a Capitania das Artes cortou metade da verba do carnaval pelo segundo ano consecutivo e promoveu o reinado de Momo apenas com artistas potiguares, além de aprovar o Fundo Municipal de Cultura. Do lado estadual, as dívidas acumuladas impediram a promoção de qualquer evento para o ciclo natalino, enquanto o município priorizou o talento potiguar na programação do Natal em Natal.
Se começamos 2010 com o fenômeno mundial Avatar e terminamos com o recorde nacional de bilheteria conquistado por Tropa de Elite 2, o audiovisual potiguar começou o ano com lançamento de edital próprio e terminou sem ver a cor do dinheiro. O Goiamum Audiovisual ganhou independência do poder público e o Festival de Cinema de Natal sobreviveu com a menor verba dos últimos anos. Na UnP, uma luz: a criação de curso superior de Cinema capitaneado pelo cineasta Fábio DeSilva, convidado para co-produção do longa metragem ‘Federal’ – o maior posto conseguido por um potiguar na área.
De bolas cheias e murchas, houve a transição de nomes na Pinacoteca e no Teatro Alberto Maranhão. Saiu Luciano Costa e entrou o colega artista plástico Vatenor. No TAM, saiu Hilneth Correia e assumiu Ivonete Albano. E no Sandoval Wanderley ninguém entrou ou saiu porque o “Teatrinho” permanece fechado. Se o Mada ficou para 2011, o DoSol comemorou oito anos ininterruptos de puro rock. Presenciamos inúmeras homenagens aos 80 anos de Dorian Gray Caldas e nenhuma aos 80 anos de Chico Elion. E nos 100 anos de Noel Rosa, o samba eclodiu pelos bares, pubs e restaurantes da cidade. Grupos como Arquivo Vivo, Roda de Bambas e Linha de Passe surgem como novas promessas do gênero, enquanto o Prêmio Hangar coroou nomes como Simona Talma e Luiz Gadelha.
Se o artista Pedro Costa mandou todos tomarem no terço durante o Salão de Artes Visuais e retomou a polêmica dos limites da arte contemporânea, o município de Santa Cruz também fugiu do convencional e construiu a maior estátua religiosa do Brasil. Se a SBPC 2010 instalou um mundo de cultura na área da UFRN, o Buraco da Catita mostrou um universo poético com o projeto Toque de Colher Poemas. Se o Registro do Patrimônio Vivo idealizado pelo deputado Mineiro concedeu bolsas para mestres e grupos folclóricos, a Lei do Livro, do mesmo parlamentar, continua engavetada.
Se o Encontro de Escritores da Língua Portuguesa inaugurou novo formato de evento literário na cidade, e a UBE/RN conseguiu promover a terceira edição do Encontro Potiguar de Escritores, Natal passou mais um ano sem a Bienal do Livro, prêmios literários ou revistas culturais patrocinadas pelo Estado e Município. E os lançamentos de livros pipocaram por mais um ano, sem a consistência das obras lançadas em 2009. Destaque para os livros O Santuário da Esmeralda (François Silvestre), Dramática Gramática (Carlos Gurgel), O Veneno do Silêncio (João da Rua), História de São Gonçalo do Amarante (Deífilo Gurgel) e, no apagar das luzes de 2010, Iracema Macedo: poemas inéditos e outros escolhidos (Iracema Macedo).
* Publicado hoje no Diário de Natal (AQUI)
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