terça-feira, 26 de outubro de 2010

Proposta dos patrões expões jornalistas potiguares ao ridículo

Por Leandro Cunha
no portal Na Boca do Mundo

“Os patrões pensam que os jornalistas são cachorros sarnentos. Essa proposta foi humilhante e vergonhosa”. Foi assim que a presidente do Sindicato dos Jornalistas (Sindjorn), Nelly Carlos, avaliou o término da reunião entre o sindicato da categoria e empresários de mídia do Estado do Rio Grande do Norte na manhã desta terça-feira (26), na Delegacia Regional do Trabalho (DRT).

Pelo motivo dos jornalistas do estado terem o menor piso salarial do país (R$ 900,00), o Sindjorn elaborou 45 cláusulas de reivindicações nas quais três são principais: aumento do piso em 66,6%, o que elevaria o salário para R$ 1.500; auxílio alimentação de R$ 220,00 e a volta do delegado de redação, que faria a intermediação entre sindicato e empresas. Porem, os donos dos veículos apresentaram uma contra-proposta que eleva o salário em apenas 3,5%, ou seja, um aumento salarial de R$ 31,50.

Segundo dados apresentados pelo Sindjorn, os meios impressos brasileiros vêm apresentando crescimento de vendas (7% nacional-4% Nordeste), ao contrário da tendência mundial. A proposta de 3,5% também é menor que a inflação mostrada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

Para o diretor administrativo do jornal Tribuna do Norte, Ricardo Alves, o aumento não significa rentabilidade. “A questão não é salarial, nós temos custos e obrigações sociais”, disse. Idéia que colabora a advogada dos representantes dos jornais e revistas, Adriana Galvão. “Queríamos dar uma ênfase geral e não apenas salarial. Nossa proposta é de retirar o piso, pois acompanhamos várias convenções no Brasil e vimos que cada empresa é livre para negociar o valor que quiser com seu empregado”.

Já Nelly Carlos, esse tipo de proposta é um retrocesso para categoria e que o sindicato não vai sossegar. “Trinta reais não paga nem o lanche dos patrões, eles deveriam ter vergonha do que estão oferecendo”, disparou.

Uma nova rodada de negociação entre as partes está marcada para o dia dez de novembro (quarta-feira).

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