sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A voz khrystalina da música potiguar


Khrystal amarrou a voz na calda das notas musicais. E com nó cego. Só pode. Com aquele jeito arretado, segue no encalço desse cometa melódico, feito Tom perseguindo Jerry. É uma afinação inseparável entre intérprete e melodia. O xote, o côco, o regionalismo mais puro é que seguem Khrystal. Eles precisam dela. Ora, já morreram Lua Gonzaga, Elino Julião, Jackson do Pandeiro. E a melhor morada para os ritmos do nosso Nordeste musical fincarem novo chão é a voz da nossa potiguar.

Não é coisa de preto. Nem de sulista ou nortista. É música para o Brasil ouvir e cantar. No Praia Shopping, ontem, tinha gringo rebolando, paulista cantando e natalense com a letra de uma composição potiguar na ponta da língua. Dela e de Elino Julião – plateia quase em uníssono cantando Coisa de Preto e Forró da Coréia. Ou ensaiando passos de côco em WWW.Sem ou balançando a cabeça e batendo palma no ritmo dos xotes do novo trabalho, O Trem – canções de melodia gostosa, ritmada.

A energia no palco é imcomparável em centenas de quilômetros. Já disseram que se James Brown estivesse de uma lado do palco, nada adiantaria Beatles, Rolling Stones ou quem fosse. As atenções estariam para o rei do Soul. Vi algo parecido com Tina Turner, em fins da década de 70. Khrystal pulsa nordestinidade. Ela apaga qualquer artista brasileiro que dividir palco com ela. Parece voz política, de contestação de um povo que pede espaço, atenção. Mas é pura música. É "só" música!

A banda é mais entrosada que Pelé e Coutinho. Craques da nossa música. E ainda com bônus das excelentes composições de Ricardo Baia. Zona Norte Zona Sul encaixa perfeita na proposta musical e pessoal de Khrystal. É provocativa, melódica e escancara hipocrisias. Não à toa produziu polêmica no Auto de Natal. E desce Khrystal do palco do Praia e pergunta à plateia, olho no olho: “Onde mora seu preconceito?”. O do sulista do país, lhe digo, mora no Nordeste, ou estenderiam o tapete vermelho a Khrystal.

- Foto: Aurino Neto

Dez mil anos de pileque - a história da bebida

por Texto Bruno Garattoni
na Super Interessante

De uns tempos para cá, a bebida alcoólica virou a grande vilã da sociedade. Vicia, engorda, causa acidentes de trânsito. No mundo moderno, o álcool é meio malvisto. Só que nossos antepassados não pensavam assim: todo mundo enchia a cara (em alguns casos, até as crianças), em quantidades chocantes para os padrões atuais – no século 19, as pessoas bebiam o dobro de hoje. Mais surpreendente ainda é descobrir que esse porre histórico teve um papel fundamental: ajudou a humanidade a superar epidemias, desbravar o planeta, construir impérios, vencer guerras, organizar sociedades democráticas e inventar tecnologias essenciais para o dia-a-dia de todo mundo. As pirâmides do Egito, as Grandes Navegações, os EUA, o feminismo, o leite em caixinha... sem bebida, essas coisas não existiriam (ou seriam muito diferentes). Afinal, o pileque é intrínseco ao ser humano: das frutinhas fermentadas que os primatas ingeriam aos últimos avanços da química orgânica – como o álcool que não dá ressaca –, a evolução e a birita andam de mãos dadas. Trocando as pernas, cambaleando e tropeçando de vez em quando. Mas sempre juntas.

AQUI

Do blogueiro: Claro, publiquei a matéria acima pra vocês, meus leitores amigos que ajudaram este blog a triplicar os acessos neste ano, possam desfrutar de uma farra mais desobrigada nesta virada de ano. De repente, embriagados, vocês podem mudar o mundo!.rs

Um ano que marcou a cultura

Entre desafios e conquistas, 2010 reservou momentos marcantes para a área cultural do Rio Grande do Norte

O ano de 2010 marcou a cultura potiguar. De saltos positivos e até revolucionários ao ápice do desprestígio com a seara responsável por mudanças consistentes à diminuição da desigualdade social e intelectual. Marca ainda o fim de uma gestão na Fundação José Augusto e início de outra sob promessa de criação de uma Secretaria de Cultura. Aliás, o fim do ano mostrou retratos evidentes do que ocorreu em 2010: o descompromisso com a classe artística provocou um movimento independente chamado ironicamente de Baixo de Natal. E o Auto de Natal promovido pela prefeitura – sem qualquer apoio de um Estado falido financeiramente – mostrou a organização institucional esperada em dois anos de inércia, além de parcerias privadas promissoras para 2011.

Se o ano registrou atrasos no pagamento dos cachês do carnaval, são joão, Salão de Artes Visuais e Festival Agosto de Teatro, e as mortes de André da Rabeca, os mestres Elpídio (Boi de Reis de Parnamirim) e Lucas (Congos de São Gonçalo do Amarante), da produtora cultural Janaína Medeiros e da romanceira Militana, também publicou cultura reinventada. O natalense recebeu o Teatro Riachuelo, a casa de show Cultura Clube (na Ribeira), os projetos Beco do Reggae (no Beco da Lama), Picadeiro (Petrópolis), e Cantando & Conversando (em Pium), e a Revista Palumbo – todos projetos privados. E por esforço próprio assistimos a vitória de Khrystal na Rede Globo, de Valéria Oliveira, no Ibirapuera, e de Leno, em sua Natal.

Neste Diário de Natal, publicamos matéria no primeiro semestre mostrando três projetos patrocinados pelo poder público parados: Ribeira das Artes, Poticanto e Som da Mata. E continuam à espera de verba, enquanto a Emproturn e a ABIH firmaram convênio de R$ 1,5 milhão para bandas baianas de axé animarem o “Verão de Todos” no início do ano. Do lado municipal, a Capitania das Artes cortou metade da verba do carnaval pelo segundo ano consecutivo e promoveu o reinado de Momo apenas com artistas potiguares, além de aprovar o Fundo Municipal de Cultura. Do lado estadual, as dívidas acumuladas impediram a promoção de qualquer evento para o ciclo natalino, enquanto o município priorizou o talento potiguar na programação do Natal em Natal.

Se começamos 2010 com o fenômeno mundial Avatar e terminamos com o recorde nacional de bilheteria conquistado por Tropa de Elite 2, o audiovisual potiguar começou o ano com lançamento de edital próprio e terminou sem ver a cor do dinheiro. O Goiamum Audiovisual ganhou independência do poder público e o Festival de Cinema de Natal sobreviveu com a menor verba dos últimos anos. Na UnP, uma luz: a criação de curso superior de Cinema capitaneado pelo cineasta Fábio DeSilva, convidado para co-produção do longa metragem ‘Federal’ – o maior posto conseguido por um potiguar na área.

De bolas cheias e murchas, houve a transição de nomes na Pinacoteca e no Teatro Alberto Maranhão. Saiu Luciano Costa e entrou o colega artista plástico Vatenor. No TAM, saiu Hilneth Correia e assumiu Ivonete Albano. E no Sandoval Wanderley ninguém entrou ou saiu porque o “Teatrinho” permanece fechado. Se o Mada ficou para 2011, o DoSol comemorou oito anos ininterruptos de puro rock. Presenciamos inúmeras homenagens aos 80 anos de Dorian Gray Caldas e nenhuma aos 80 anos de Chico Elion. E nos 100 anos de Noel Rosa, o samba eclodiu pelos bares, pubs e restaurantes da cidade. Grupos como Arquivo Vivo, Roda de Bambas e Linha de Passe surgem como novas promessas do gênero, enquanto o Prêmio Hangar coroou nomes como Simona Talma e Luiz Gadelha.

Se o artista Pedro Costa mandou todos tomarem no terço durante o Salão de Artes Visuais e retomou a polêmica dos limites da arte contemporânea, o município de Santa Cruz também fugiu do convencional e construiu a maior estátua religiosa do Brasil. Se a SBPC 2010 instalou um mundo de cultura na área da UFRN, o Buraco da Catita mostrou um universo poético com o projeto Toque de Colher Poemas. Se o Registro do Patrimônio Vivo idealizado pelo deputado Mineiro concedeu bolsas para mestres e grupos folclóricos, a Lei do Livro, do mesmo parlamentar, continua engavetada.

Se o Encontro de Escritores da Língua Portuguesa inaugurou novo formato de evento literário na cidade, e a UBE/RN conseguiu promover a terceira edição do Encontro Potiguar de Escritores, Natal passou mais um ano sem a Bienal do Livro, prêmios literários ou revistas culturais patrocinadas pelo Estado e Município. E os lançamentos de livros pipocaram por mais um ano, sem a consistência das obras lançadas em 2009. Destaque para os livros O Santuário da Esmeralda (François Silvestre), Dramática Gramática (Carlos Gurgel), O Veneno do Silêncio (João da Rua), História de São Gonçalo do Amarante (Deífilo Gurgel) e, no apagar das luzes de 2010, Iracema Macedo: poemas inéditos e outros escolhidos (Iracema Macedo).

* Publicado hoje no Diário de Natal (AQUI)

Carta de despedida de Juca Ferreira

por Juca Ferreira
enviado via e-mail

Despeço-me do Ministério da Cultura com a certeza do dever cumprido. Aliás, fomos além do dever e das obrigações. Nos dedicamos de corpo e alma. Mas não me iludo, sei que muito ainda se poderia fazer e que muito precisa ser feito pela cultura de nosso país. Por isto não me considero plenamente satisfeito, mas me considero realizado.

Demos os primeiros passos, passos largos, mas ainda os primeiros passos. Creio que posso dizer que estivemos à altura da grandeza histórica do governo Lula: tratando as coisas públicas com o máximo respeito, democratizando as políticas culturais, republicanizando nossas ações e responsabilizando o Estado com os direitos culturais dos brasileiros e com a diversidade cultural do país. Buscamos nos relacionar com todo o corpo simbólico da nação, sem privilégios nem discriminações. Nos relacionamos positivamente com todos os governos municipais e estaduais, independente da coloração política do dirigente e nunca perguntamos a nenhum artista nem produtor cultural em quem ele votava.

Contribuímos para que a cultura fosse incorporada ao projeto de desenvolvimento. A importância que a cultura adquiriu no governo Lula significa que não basta aumentar o poder aquisitivo dos brasileiros. É preciso muitas outras coisas, tais como ambiente saudável, educação de qualidade e acesso pleno à cultura.

A cultura em nosso país, na gestão do governo Lula, passou definitivamente a ser tratada como primeira necessidade de todos, tão importante quanto comida, habitação, saúde etc... Esta foi uma grande vitória. Talvez a maior de todas. Colocamos a cultura no patamar superior das políticas públicas no Brasil. Disto eu tenho certeza. E fomos além. Federalizamos, democratizamos e descentralizamos as ações do Ministério da Cultura. Primamos por um Estado democrático, republicano e responsável com o desenvolvimento cultural do país.

Estou convencido de que nada disto teria sido possível se não representássemos a vontade de uma grande maioria. Esta grande maioria que deu legitimidade ao convite feito pelo presidente Lula para que Gilberto Gil ocupasse a pasta da Cultura. A quem agradeço o convite para a seu lado caminhar boa parte desta jornada que me levou a ser ministro.

Agradeço, muito especialmente, ao presidente Lula a confiança que em mim foi depositada. A todo seu apoio à nossa gestão. Sem a sua compreensão quanto ao papel estratégico que a cultura ocupa para um projeto de nação, dificilmente teríamos chegado onde chegamos.

Despeço-me agradecendo também ao apoio recebido de tantos artistas, produtores culturais, investidores, profissionais e cidadãos. A legitimidade das políticas que implantamos se respalda em uma enorme rede mobilizada por este Ministério, de Norte a Sul deste país. Consolidamos um novo patamar de participação e inclusão na formulação e construção de políticas públicas para a cultura.

Quero também agradecer ao apoio recebido de todos os servidores do Ministério da Cultura, porque sem eles não teríamos sido bem sucedidos.

Por fim, despeço-me desejando muito sucesso à presidente eleita e a nova ministra, me dispondo a colaborar em tudo o que estiver ao meu alcance para que conquistemos o Brasil que queremos, um Brasil de todos.

Brasília, 31 de dezembro de 2010

Juca Ferreira

O melhor de 2010

por Alex Medeiros
no blog Alex Medeiros

Abaixo, publico dez satisfações de cada assunto que considerei o melhor do ano que termina. Evidente que são apenas frutos do gosto do blagueiro, aqui desnudo de prurido técnico ou ideológico na avaliação daquilo que bateu no meu paladar de consumidor, adepto ou fanático. Vamos à lista do que eu avalio como muito bom no ano que termina.

AQUI

Do blogueiro: Divergências, sempre. E válidas. Mas a lista de Alex é, no mínimo, original. Vale uma olhadela!

Entrevista - Khrystal

É porque esta esquina do continente é muito estranha"

Talvez falte uma Linda Baby para ela ser considerada a mais popular intérprete da música potiguar. Mas Khrystal tem outras metas para 2011. Após apresentação memorável no Auto de Natal ao lado de Roberta Sá, ela estará no Canal Brasil a convite do tarimbado crítico musical Tarik de Souza para homenagear Ademilde Fonseca, na primeira semana de janeiro. Será o início de um ano promissor à cantora que um dia dormiu nas ruas do Centro de Natal, neste ano esteve na Rede Globo de Televisão e no próximo pretende "amarrar" shows pelo Sul do país.

Uma autoavaliação de 2010?
Viajamos bastante. Tentei me desvencilhar do primeiro disco e trabalhar o próximo. Não consegui e alternamos os repertórios nos shows. Voltei a Maceió por quatro vezes. Finalizamos o DVD que será lançado assim que o carnaval baixar a crista. E estou sempre na pilha, sonhando com novos projetos, tentando o trânsito entre o Sul e a realidade local.

O Sul é a grande meta?
É, e tem que ter dinheiro, viu bicho? E eu não tenho. Mas tenho garra, e um produtor idem. Então, é paciência. Acredito nesse ritmo de trabalho.

2011 começa com convite de Tarik de Souza. E as expectativas para 2011?
Conhecemos o Tarik e ele ficou amigo nosso. O programa será gravado no Rio. Será uma janela linda. Nem sei a formação que vou levar ainda. E estou me achando em cantar nossa diva Ademilde Fonseca. Vou aproveitar esse convite para amarrar alguns shows no Rio. Depois do carnaval quero fazer mais shows no Sul do que em Natal.

No aniversário da cidade você fez show elogiado junto com Roberta Sá e rendeu polêmica. O que você quis dizer com aquela declaração no fim do show?
Toda vida que faço show com Roberta gera essa deselegância. O produtor dela é João Mário Linhares, uma pessoa linda e tudo. Mas ele mandou o filho dele cuidar de Roberta, um bossal. Geralmente são assim: tratam o artista daqui fazendo bico. E a programação atrasou muito. O Macaxeira Jazz fez um show de apenas 30 minutos. Foi horrível. Como nunca lotei show em Natal em 12 anos de carreira - em outros Estados geralmente loto - era importante essa apresentação pra mim. Tinha um público de mais de 20 mil pessoas e boa parte nunca ouviu o nome de Khrystal. E esse produtor começou a chiar, pedindo pra eu não me estender no show. Aí começou o bate-boca dele com Zé Dias (produtor de Khrystal). Não sei nem se Roberta (Sá) sabe disso. Ela é de uma delicadeza incrível; dessas ricas que não se fazem de ricas, sabe? É como Marina Elali, também maravilhosa. Cara, era eu cantando no palco e olhando pro lado. Fiquei puta. Fechei o show, abri meu papel de recado e fui agradecer à prefeita Micarla porque foi ela quem me levou pra lá. Sou apartidária, não me envolvo com política. Foi um agradecimento a quem me deu a maior força. E a galera deu uma vaia monstruosa. Fiquei até com pena. E ficou aquele mal estar, como se eu tivesse provocado. Num tenho nem cacife pra isso. Sou amiga pessoal de Micarla. Quando terminou o show, ela foi ao meu camarim cantando Zona Norte Zona Sul - uma música que fala de preconceito e que foi a última que eu cantei e que levantou a galera. Ela me entregou um buquê de flores e tudo. Então, não houve nada de provocação.

Quais seus destaques na música potiguar em 2010?
São dois veteranos que pouca gente conhece: Luiz Gadelha e Simona Talma. Compositor aqui tem muito, mas desses casseteiros mesmo, só aqui e acolá. E eles estão na linha de frente. Eles têm um trabalho que eu chamo de Lado Z: falam das dores do cotidiano, com blues, jazz, batidas eletrônicas... Eles venceram o Prêmio Hangar (Simona, melhor intérprete, e Gadelha, melhor compositor) este ano. Na premiação, Simona subiu no palco e disse que não merecia. Eu perguntei o porquê e ela me disse que era porque não tinha carreira, que toca por 400 reais para dividir com a banda. Cara, Simona é quem mais canta nesse elefante. É porque esta esquina do continente é estranha.

E o que é ter sucesso nessa terra estranha chamada Natal? Falta uma Linda Baby para você?
Nem sonhava em cantar e Pedrinho (Mendes) já dava entrevista (pausa). Não sei se sei responder. Sucesso, no latim, quer dizer Realizado. Então, é fazer, botar no mundo. Sucesso comercial é outra história. Em 2007 não ganhei um tostão furado e foi o ano que mais trabalhei na vida. O sucesso do realizar é mais palpável. Fama? Não sei o que diabo é isso.

Faz questão de saber?
Não. O chumbo é grosso. Quando acaba o show o povo pensa que deitamos numa banheira, mas eu volto pra lavar louça. É a vida de todo mundo. A diferença é que você tem dinheiro certo no fim do mês.

* Publicado ontem no Diário de Natal

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Khrystal homenageia Ademilde Fonseca no Canal Brasil

Olha que ano bacana se avizinha para Khrystal. Na primeira metade de janeiro ela estará no Canal Brasil a convite do crítico musical Tarik de Souza para homenagear Ademilde Fonseca, que neste 2011 fará 90 anos.

A "maravilhosa" Khrystal - como classificou Tarik em e-mail enviado para Zé Dias - irá cantar uma música da conterrânea Ademilde no desfecho do programa.

O programa é o MPBambas, cujo propósito é colher na fonte o rico veio cultural da nossa música brasileira. Cada programa abordará, a partir do depoimento do próprio, o universo de um bamba da nossa música popular, aí incluída toda a diversidade e miscigenação de estilos e gêneros cultivados no país.

A ideia é recapitular a trajetória, feitos e fatos do homenageado, dispensado o bolor da arqueologia. Em muitos casos, o programa surpreenderá ao reunir obras de grande porte dispersas pela fragmentação da mídia e dos novos suportes. Em outras, tirará do limbo artistas insuficientemente avaliados - caso da nossa Ademilde Fonseca.

Sempre que possível o programa vai sintonizar o trabalho desse artista já estabelecido com a arte dos recém-chegados com quem conservam afinidades. E dessa maneira, o programa, despretensiosamente, levará o passado da MPB de volta para o futuro.

Ah, esse post tem também um propósito. Ja ja coloco aqui a entrevista que ela me concedeu ontem, falando desse convite, das perspectivas para 2011, da avaliação de 2010 e da música potiguar.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

30 anos de 'Blade Runner'

por Paco Arnau
no site Vermelho

Quando a ficção científica se transforma em realidade. O filme de Riddley Scott se transformou num ícone de um futuro terrível e, hoje, muito do que ele registrou em forma artística passou a fazer parte do cotidiano de uma sociedade globalizada, empobrecida e ameaçadora.

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Artes visuais: ano morno de promessas frustradas

por Camila Molina
No Estadão

A expectativa pela 29.ª Bienal de São Paulo prometia um ano mais vibrante para as artes visuais - pelo menos, na capital paulistana -, mas, afinal, em termos de programação, sem grande impacto viu-se 2010 marcado por mostras institucionais com destaque mais para artistas estrangeiros do que para brasileiros.

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Um boa sorte e paciência para Isaura

por François Silvestre
em comentário neste blog

Aproveito para desejar muita sorte a Isaura. Que ela receba apoio para uma boa gestão. E muita paciência com os invejosos de sempre.

Do blogueiro: Que esse "apoio" seja financeiro. Não posso adiantar muito, mas sábado ela terá uma ideia mais precisa da situação da Afundação Zé Gugu quando ler o DN.

E o nobre François poderia enviar uma foto do mirante para este proletário mal educado que nem agradeceu direito o convite e nem pode comparecer à inauguração (rs).

2º Preveillon da Cidade

O primeiro pré-reveillon em Natal é quase uma confraternização. De ritmos e pessoas. E acontece no maior beco do mundo. De tão grande abarca os sentimentos do mundo – os bons e os ruins. E na boemia mais desgarrada das coleras burguesas encontra o clima para futricas provincianas e debates cosmopolitas. É no Beco da Lama onde acontece hoje o 2º Preveillon da Cidade. A partir das 19h se encontram no Bardallo’s o rock, o pop, o blues, o forró, o hip hop e o soul. E agradando vários estilos, comparecem produtores, jornalistas, bebuns, poetas e toda a sorte de gente que transita no Centro Histórico e boêmio de Natal.

O palco será montado na área externa do Bardallo’s Comida & Arte (Rua Gonçalves Lêdo, Centro), comandado pelo produtor Lula Belmont. A dica é, da avenida Rio Branco, entrar na rua da Igreja do Galo. Quem encontrar dificuldade para achar, pergunta a qualquer transeunte ou siga o som. No setlist, o repertório rock da banda Mobydick, o Forró Namanha, uma das revelações do ano: a Damned Blues. E ainda a pop-rock da banda Gotamas, e o hip hop mesclado ao soul music do trio Snoop Soul e Conexão Mil Graus. As senhas custam R$ 7, compradas no local. Haverá sorteio de uma Cesta Cultural, com livros, CDs e vales para degustar pratos regionais do Beco da Lama e também a tradicional meladinha.

Ainda não é este ano que o palco será montado na rua, em espaço maior e aberto ao público a exemplo dos shows da programação do Natal em Natal. O sonhado patrocínio municipal para o que pretende ser um projeto cultural ficou restrito ao cachê de duas das cinco bandas do evento. O produtor Marcelo Veni explica que o contrato da Funcarte foi firmado com várias bandas locais responsáveis pelos shows nas árvores de natal e demais apresentações do ciclo natalino, incluindo o show do 2º Preveillon da Cidade. “Também não conseguimos fechar a rua em razão de ser dia da semana e a movimentação intensa do fim do ano”.

Sem problema. A área externa do Bardallo’s será local do palco e o formato quase indoor facilita a confraternização, o clima intimista e até uma área para dança. Mas a meta é expandir o evento. Ou melhor: descentralizar a programação montada pela prefeitura no período. “O Preveillon tem características peculiares. O Centro é o coração da cidade. Por lá transitam pessoas de praticamente todos os cantos das cidade. São pessoas de gosto mais apurado, formadores de opinião e produtores que têm a oportunidade de conhecer novos talentos musicais. E para o artista, é o contato mais íntimo com o público e a expectativa de novos convites”, explica Marcelo Veni.

Um exemplo prático lembrado pelo produtor aconteceu no último sábado, quando a banda Lunares (1º lugar no Festival MPBeco na categoria Voto Popular) se apresentou no mesmo palco do Bardallo’s e recebeu elogios de produtores e convites para novas empreitadas em 2011. “É um palco diferenciado, bem frequentado o ano todo e que abre possibilidades para o artista”. Veni ressalta que o valor cobrado será para custear o cachê das outras três bandas e a estrutura montada no evento – pela segunda vez promovido no Bardallo’s (na primeira edição se apresentaram o cantor Iggor Dantas e a banda Azúcar Jeans). “Se a prefeitura promove o natal para a família, seria bom um para a família do Beco”, conclui o produtor.

2º Preveillon da Cidade
Quem: Mobydick, Forró Namanha, Damned Blues, Gotamas, e Snoop Soul e Conexão Mil Graus
Data e hora: hoje, a partir das 19h
Onde: Bardallo’s Comida & Arte (Rua Gonçalves Lêdo, 678)
Senha: R$ 7 (no local)
Contato: 3211-8589 (Bardallo’s) ou 9175-9870 (Marcelo Veni)

* Publicado hoje no Diário de Natal

Lembrança do Debate Cultural

Lembro bem quando a então candidata Rosalba Ciarlini respondeu ser desnecessária a criação de uma Secretaria de Cultura durante o debate entre candidatos promovido pela Revista Catorze e o Núcleo de Jovens Artistas. Está tudo gravado. É só conferir. E lembro porque a pergunta foi minha.

A decisão publicada hoje nos jornais de que a Secretaria será criada é, no mínimo, contraditória. Vejo duas explicações possíveis.

A primeira e mais provável é para driblar o nepotismo contrário à nomeação de Isaura Rosado para o comando da Fundação José Augusto. No caso, ela ocuparia uma "secretaria extraordinária" e ficaria incólume no processo.

A segunda é de que a decisão partiria da própria Isaura, que teria argumentado necessidades e convencido Rosalba da ideia.

Independente das possibilidades, a Secretaria deve mesmo ser criada e, ao contrário de algumas opiniões do meio artístico, acho válida a iniciativa. Principalmente quando a própria Rosalba afirma não acrescentar custo algum à nova máquina administrativa.

Troféu Grande Ponto de Cultura 2010

por Alex Gurgel
no blog Grande Ponto

No seu 5º anos consecutivo, o blog Grande Ponto oferece o “Troféu Grande Ponto de Cultura” para as pessoas que foram destaques em território potiguar, em diferentes áreas da cultura, durante o ano inteiro, tendo forte presença em suas atividades.

AQUI

De Isaura Rosado no twitter

@mineiropt Indicação de Isaura como Sec.Extraordinaria de Cultura é p/driblar a Lei do Nepotismo. Pela Lei, Ñ poderia ser indicada p/ FJA

cinthialopes01 Resta saber se esta nova secretaria extraordinária de cultura será enxuta, se vai ter como sede a própria FJA...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Quem assumirá a Fundação Zé Gugu?

O nome do novo comandante da Fundação Zé Gugu será anunciado hoje, segundo o blog de Anna Ruth Dantas. Coloquei no twitter e repito aqui algumas especulações. Isaura Rosado é a mais cotada, ou comentada. E até pedida. Em curto período fez um bom trabalho à frente da instituição. Apostava nela como secretária de Educação para manipular a Fundação administrada por Gustavo Rosado. Mas Betânia Ramalho foi anunciada à pasta de Educação. Outros nomes cotados são os de Dácio Galvão, Iaperi Araújo e Franklin Jorge.

Não acredito na escolha de nenhum e penso que, se Isaura e Gustavo rejeitarem ou não forem convidados, virá alguma surpresa por aí. E talvez essa surpresa seja o produtor Zé Dias, lembrado pelo jornalista Daniel Dantas. A exemplo de Jean Valério no Jornal de Hoje, quando a mídia rendeu-se a Micarla, Franklin Jorge poderia ser sacado do Novo Jornal para assumir a função. Mas de lá já trouxeram Manoel Pereira para a Administração (e independente dos motivos, ressalto a competência de Jean e Franklin).

Dácio seria um excelente nome. Talvez o mais requisitado. Mas ele deve conhecer a atual situação de penúria da Fundação. Os sinais são claros: telefones cortados, ausência da programação natalina esse ano, cachês atrasados... O que pouca gente sabe é a dívida de mais de R$ 1 milhão do Governo com a Prefeitura decorrente da parceria com o Natal em Natal de 2009. O Governo prometeu R$ 2 milhões. Metade seria pago de imediato. Outra parte em fevereiro e março. Apenas uma quantia que gira em torno de R$ 700 mil e R$ 800 mil foi depositado. E a negociação foi diretamente com o Gabinete Civil de Vagner Araújo.

Herdar a FJA é ter a certeza de, pelo menos, um ano de forte dor de cabeça. A capacidade de investimento é nula. Sem novos editais, sem novos projetos ou condição de promover o básico, quem desejará o cargo? A luz é o prometido 1% de ICMS destinado à FJA - promessa-mor da campanha de Rosalba para a cultura. Serão aproximadamente R$ 30 milhões, quase o dobro do atual orçamento. Mas com a mesma máquina gordurosa presente naqueles muros embolorados da Rua Jundiaí.

E Iaperi Araúujo foi nome que eu levantei a partir de fatos passados. Dei como certo seu nome para a Funcarte de Micarla. Minha fonte era segura. Meses depois perguntei a ele o que houve. Palavras de Iaperi: "Fui convidado. Mas eu iria me queimar com Rosalba?". Ou seja: rejeitou o convite municipal pensando no futuro Governo Rosalba. Portanto, é um nome cotado, embora pouca gente acredite. Enfim, quem vier que se prepare para além dos muitos trabalhos de Hércules.

O auto de todos

No Diário de Natal
matéria de hoje

O menor público registrado – e ainda assim acima do esperado pela Fundação Capitania das Artes – foram as 10 mil pessoas presentes no primeiro show do Auto, protagonizado pelo padre Antônio Maria. “Além de ser uma terça-feira, houve menos divulgação e o padre não era de atrair multidões como Marcelo Rossi. Ainda assim ficamos satisfeitos com o número de pessoas”, disse o presidente. O cachê cobrado pelo padre foi proporcional. Os R$ 30 mil pagos representaram o menor valor entre as quatro atrações nacionais convidadas para o Auto.

A cantora gospel considerada fenômeno de popularidade entre evangélicos, Aline Barros, recebeu R$ 54 mil, em noite de verdadeiro culto com a presença ainda do Coral Jovem da Igreja Adventista e uma média de público de R$ 20 mil pessoas. O cachê mais alto foi pago a Roberta Sá e Fagner. Ambos receberam R$ 80 mil. Segundo Rodrigues Neto, a negociação com Fagner começou em R$ 160 mil e baixou pela metade. “O formato de show aberto ao público, sem bilheteria, sensibiliza alguns artistas”, argumentou Rodrigues Neto.

Se a Cosern e o Midway foram as empresas responsáveis pelo investimento de R$ 1,2 milhão gastos no Auto de Natal (incluindo pagamento dos artistas), o cachê de R$ 200 mil do cantor Daniel para uma multidão de pessoas aglomeradas na área de lazer do Panatis foi custeado pelo grupo Ecocil. Rodrigues Neto desmentiu boato de que o cantor baixou o valor em razão da amizade com a prefeita Micarla de Sousa e a gratidão pelo ex-senador Carlos Alberto de Sousa – o primeiro político que trouxe Daniel a Natal, para show também na Zona Norte.

AQUI

Meu cinema em 2010 ― 1/2

por Wellington Machado
em Digestivo Cultural

Ao percorrer a lista de filmes que aqui chegaram em 2010, separei alguns que mais me chamaram a atenção. Muitos deles chegaram às locadoras sem serem exibidos no cinema. São eles:

Aconteceu em Woodstock (Ang Lee, EUA, 2009) ― Um retrato de como se deu a arquitetura da realização do histórico festival em 1969. Um filme competente do diretor Ang Lee (O tigre e o dragão; O segredo de Brokeback Mountain; Razão e sensibilidade), que faz uma ótima reconstituição de época, fazendo o espectador entrar no clima do festival, sem mostrar uma banda sequer (apenas o som ao fundo). Destaque para uma cena "lisérgica" dentro de uma Kombi, só comparável a uma outra do mesmo estilo, feita em Sem Destino (1969), de Dennis Hopper.

O homem que engarrafava nuvens (Lírio Ferreira, Brasil, 2009) ― Um dos melhores documentários do ano. Para quem pensa que baião é coisa "só" de Luiz Gonzaga, não pode perder este filme. Tão importante quanto o "Gonzagão", o compositor Humberto Teixeira, figura um tanto ofuscada pelo sanfoneiro, tem seu merecido reconhecimento neste documentário. O filme é também uma verdadeira história do baião e uma genealogia da música brasileira, quase toda derivada do ritmo. Lírio Ferreira, diretor de Baile perfumado (1997), Árido movie (2006) e Cartola (2006), fez uma intensa pesquisa em jornais e levantou um raro acervo de imagens de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Com uma montagem ágil, mesclando recortes de jornais, depoimentos de cantores contemporâneos e imagens de arquivo, o filme não é nem um pouco cansativo, apesar de didático. O homem que engarrafava nuvens mostra como o baião incrivelmente, nos anos 50, ganhou o mundo (há um depoimento de David Byrne sobre o ritmo) e influenciou a Bossa Nova. Certamente este documentário integrará a minha lista de melhores documentários brasileiros, juntando-se a Edifício Master, O fim e o princípio e Jogo de Cena (de Eduardo Coutinho), Garapa (José Padilha), Santiago (João Moreira Salles), A alma do osso (Cao Guimarães) e Estamira (Marcos prado).

Onde vivem os monstros (Spike Jonze, EUA, 2009) ― Adaptação do livro de Maurice Sendak lançado em 1963 (que já vendeu mais de 19 milhões de exemplares até hoje). O filme é interessante tanto para crianças como para adultos. A sensacional história de um garoto que foge da cidade para entrar em um mundo fantástico, onde se torna rei diante de animais selvagens, é uma obra-prima do diretor Spike Jonze (Quero ser John Malkovich e Adaptação). O grande mérito do filme é, ao contrário dos 99% dos filmes infanto-juvenis lançados, mostrar que a tristeza é uma realidade, até nos filmes de fantasia. O tom sombrio e lúgubre prende o espectador e o desfecho da história deixa as crianças um tanto decepcionadas ― o que é bom.

Guerra ao terror (Kathryn Bigelow, EUA, 2008) ― O filme chegou com atraso, mas faturou o Oscar em 2010. Assim como o Tropa de elite, mostra a guerra (do Iraque) sob o enfoque da tensão de um grupo de soldados especializado em desativar bombas deixadas pelos nativos resistentes à ocupação americana. Entende-se, diante da complexidade das situações postas ao exército nessa guerra insana, os motivos pelos quais os Estados Unidos têm dificuldades em deixar o país. Sem heroísmos e cenas sensacionalistas, Guerra ao terror é um filme enxuto que nos faz refletir o drama das famílias de americanos que têm seus filhos lutando no Iraque.

O segredo dos seus olhos (Juan José Campanella, Argentina, 2009) ― Sem sombra de dúvidas, o melhor filme de ficção do ano. É um policial (muita gente ignora isto) equilibrado, que mescla drama pessoal, investigação e paixão, com pitadas de humor. O filme aborda a história de um agente do judiciário que se propõe a escrever um livro ao se aposentar. Ele acaba rememorando um crime ocorrido em 1974, do qual participou da investigação. O segredo dos seus olhos representa o ápice do cinema argentino atual. Prova que os nossos vizinhos estão bem superiores ao Brasil no quesito cinema. Campanella e Daniel Burman (sobre quem falarei no próximo texto) são os melhores diretores argentinos em atividade. E o país tem também um dos melhores atores do mundo: Ricardo Darín. Os argentinos têm produzido filmes densos, abordando conflitos familiares, dramas pessoais e psicológicos, sem abrir mão de entreter. Enquanto o cinema argentino emplaca sucessos a cada ano, nós, brasileiros, continuamos achando graça do Tony Ramos depilando as costas...

AQUI

Os Cinco Sentidos

por Raildon Lucena
no Observatório de Cinema

E é essa a temática principal de um filme que não tem aquela preocupação do cinema comercial em mostrar personagens padrões em cenas vendáveis ou com o êxito da sua bilheteria. “Os Cinco Sentidos” é uma experiência lenta, que nos dá tempo para conhecer aquelas pessoas e que aproveita as variáveis oferecidas pela linguagem cinematográfica de forma a provocar um deleite visual e intelectual no expectador, meio que impulsionando os sentidos.

AQUI

Do blogueiro: Esse site do colega Raildon, jornalista residente no município de Janduís, tece críticas cinematográficas sobretudo de filmes em cartaz e, também, de clássicos do cinema, sempre com embasamento interessante.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Uma breve história da curadoria

por Julio Daio Borges
em Digestivo Cultural

Obrist perseguiu cada um de seus ídolos, extraindo deles históricos depoimentos, verdadeiras histórias de vida, de amor, de devoção à arte e – por que não dizer? – aos artistas. Piorou a arte? Pioraram os artistas? Ou pioraram os curadores? Talvez a chave para a mudança esteja numa colocação de Pontus Hultén (um dos entrevistados): “No dia em que alguém chega à conclusão de que 'é tudo muito caro', está tudo acabado”. Lamenta o mesmo Hultén, sobre o seu destino: “Acabei me transformando num arrecadador de fundos”. Walter Hopps (outro dos entrevistados) aconselha que é preciso enfrentar “a tirania da maioria”, coisa que os guardiões da audiência, das sondagens e das pesquisas, atualmente, morrem de medo de fazer. Johannes Cladders (mais um entrevistado) destaca que uma das funções do curador é, precisamente, “contribuir para a definição do termo 'arte'” (ampliando seu alcance). Alfred Barr, lembrado por Hopps, acreditava esperançosamente que “as massas poderiam ser esclarecidas através do novo modernismo”. (Conseguimos?) Cladders, novamente, lamenta que hoje “as instituições apenas saibam celebrar a si mesmas”, “e a seus patrocinadores”. Harald Szeeman (outro dos entrevistados) – voltando a Hultén – sugere que “a grande aventura” ocorre quando “não há muito dinheiro”, “nem muito espaço”. Franz Meyer (mais um dos entrevistados) teme a atual “privatização dos museus”, pois, nesse processo, “curadores se tornam voto vencido diante das opiniões dos círculos de poder financeiro”. “Estar com a arte é tudo que pedimos”, lembra o adágio de Anne D'Harnoncourt (uma das entrevistadas). Para coroar com uma definição de Suzanne Pagé (para a curadoria, lógico): “Não enfatizar a subjetividade e deixar a arte no centro”.

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2010 da arte plástica natalense em um parágrafo

Vimos a galeria mais pop a cidade - a Anjo Azul - falir. Vimos Ivo Maia ser dos poucos artistas plásticos a sobreviver bem da própria arte vendendo seus quadros praticamente no meio da rua, no Beco das Flores. Tivemos os 80 anos de Dorian Gray. E mais um ano de pouco reconhecimento a Marcelo Fernandes e de muita movimentação no 8 de Maio. Um Marcelus Bob recolhido de volta a Mãe Luíza. Vimos exposições multiplicadas em espaços alternativos: bistrôs, restaurantes, lojas, shoppings. Vimos um Salão de Artes Visuais demasiado heterogêneo. E poucas críticas em nossos jornais sobre o tema. E esse parágrafo capenga sobre o assunto.

Retrospectiva 2010 - Artes Visuais

por Walter Sebastião
em Casa da Cultura

Se as galerias reduziram atividades (sob alegação de falta de patrocínio e baixa de vendas), museus e espaços institucionais exibiram vigor, com perfil próprio e atuando em várias frentes: da atenção às pesquisas eletrônicas à arte popular. Chamou a atenção o surgimento de espaços dedicados à memória histórica, caso do Museu das Minas e do Metal.

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Versos fluidos


A eterna busca pelo chão definitivo, pela resposta final que esclareça mistérios da existência. A viagem - existencial ou geográfica -, no sentido mais poético e lúdico da palavra, foi o mote do novo livro de Iracema Macedo (com lançamento hoje na Livraria Siciliano do Midway, às 19h). Em Poemas inéditos e outros escolhidos (Sebo Vermelho Edições, 71 pág, R$ 20), a poetisa recolhe pedaços de cenários distintos e épocas que perpassam da adolescência à fase madura. "Comemoro, implicitamente, meus 40 anos. Este livro foi um presente que Abimael (Silva, editor) me deu".

Na orelha do livro, o romancista e poeta Nei Leandro de Castro escreve: "Revelação de dor ou desencanto, de paixão ou amor vivido ao extremo, a poesia de Iracema só faz crescer em qualidade, desde a sua estreia. O seu verso flui enquanto a alma grita, e ela tem coragem de espalhar tudo aos ventos alísios". E o grito chega a ares distintos. A poesia de Iracema começa em Natal com a publicação do primeiro livro aos 21 anos. Aos 40, recebe o elogio de Nei Leandro: "Estamos diante de uma das melhores poetisas da história literária do RN".

No último livro de poesia, Invenção de Eurídice (2004), a poeta atravessa o campo multicolorido do amor, pintado de paixões escarlates e cinzas existenciais. Após seis anos de hiato, o novo livro marca também a retomada de publicações de Iracema, posto que a poesia nunca encontrou o vazio. "Reinicio uma nova etapa de publicações. Escolhi os poemas que mais gosto e escrevi outros inéditos para este livro. E já tenho outro só com inéditas a caminho", adianta. O novo livro ainda está sem título ou data de publicação, mas traz o olhar do novo chão da poeta.

Iracema Macedo vive hoje no Rio de Janeiro, após morar em Belo Horizonte. "Minha grande inspiração para esse livro é a viagem e os vários momentos dessa jornada em busca de um lugar em que eu possa me encontrar". E nessa trajetória "sem fim", ela encontrou poesia em Natal, Belo Horizonte e Rio de Janeiro: "São ambientes poéticos bastante diferentes: Em Natal a inspiração maior é o mar. Em Minas, as montanhas e a história. E no Rio de Janeiro, o caos e uma certa beleza de cidade grande".

E além dessa viagem interminável de buscas, Nei Leandro complementa outro possível norte para leituras subjetivas e poéticas do livro: "Pode-se perceber às vezes que o amor, que deveria ser recíproco, foge e se esconde nas sombras de um precipício inacessível", por mais que esse amor tenaz esteja mais presente em trabalhos anteriores de Iracema, a exemplo de Lance de dardos (2000) e o último, Invenção de Eurídice (2004). Os estudos da Filosofia também aparecem em linhas sutis em alguns versos ou na própria capa do livro. Da filosofia brotou a última publicação de Iracema, Nietzsche, Wagner e a época trágica dos gregos, pela editora Annablume, de São Paulo.

O livro de Iracema marca um mês produtivo de dezembro à literatura potiguar - considerado aquém da qualidade de obras lançadas em 2010 - pontilhada ainda pelos lançamentos de Carlos Gurgel (DramáticaGramática), Deifilo Gurgel (História de São Gonçalo do Amarante), Dorian Gray Caldas (Carta aberta para a muito amada cidade de Natal) e do próprio Nei Leandro de Castro (Rua da Estrela).

RAÍZES
E me perguntam onde estou
E me perguntam onde moro
Tornaram-se enfim questões delicadas
Estou morando em minhas palavras
Às vezes sede, às vezes navalha
Às vezes também girassóis e asas

PRAIA DE PONTA NEGRA
Nadei tanto, tanto, tanto
Fosse noite ou fosse dia
anfíbio eu era
metade água, outra terra

Sobrevivi porque contei tudo aoa mar
Ele sabe como respiro
Guardei lá meus gritos
E misturei minhas lágrimas a seus sais

Fui queimada por algas
E, alienada pela espuma leve,
dei minha dor às ondas

BURKA
Essa estrangeira sem nome, sem rosto, sem riso
Disfarça, mas me olha, de dentro de seu abismo
Ela viaja comigo: sombra calada, monja
Meio fantasma, meio ferida
Sobrevivente de nada, queimada, ardida
Sob véus calcada, sob véus contida
Me prendendo também
Em sua cripta

Livro: Poemas inéditos e outros escolhidos
Autora: Iracema Macedo
Onde: Livraria Siciliano (Midway)
Data e hora: segunda-feira, às 19h
Quanto: R$ 20

* Publicado hoje no Diário de Natal

Os 100 melhores filmes de todos os tempos

No portal R7
(via @lexdesouza)

O Festival de Toronto, um dos mais prestigiados eventos do cinema mundial, decidiu divulgar uma lista com seus cem filmes essenciais para todos interessados na sétima arte. A relação está sendo elogiada por não se concentrar em produções americanas e por ter filmes de todas as épocas.

Segundo o site do festival, a lista foi "uma tentativa de achar novo sentido na tradicional prática de fazer listas sobre filmes". Eles utilizaram tanto pesquisas com espectadores quanto listas de críticos. O Brasil foi representado entre os 100 por Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.

É um prato cheio para qualquer cinéfilo que vá ter tempo livre neste fim de ano para aumentar sua filmografia. Confira a seguir a lista na íntegra:

1. A Paixão de Joana D'Arc (Carl Theodor Dreyer)
2. Cidadão Kane (Orson Welles)
3. A Aventura (Michelangelo Antonioni)
4. O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola)
5. O Batedor de Carteiras (Robert Bresson)
6. Os Sete Samurais (Akira Kurosawa)
7. Canção da Estrada (Satyajit Ray)
8. Casablanca (Michael Curtiz)
9. Um homem com uma Câmera (Dziga Vertov)
10. Ladrões de Bicicleta (Vittorio de Sica)
11. Ali: Fear Eats The Soul (Rainer Werner Fassbinder)
12. 8 ½ (Federico Fellini)
13. O Encouraçado Potemkin (Sergei Eisenstein)
14. Rashomon (Akira Kurosawa)
15. Tokyo Story (Yasujiro Ozu)
16. Os Incompreendidos (François Truffaut)
17. Contos da Lua Vaga (Kenji Mizoguchi)
18. Acossado (Jean-Luc Godard)
19. O Atalante (Jean Vigo)
20. Cinema Paradiso (Giuseppe Tornatore)
21. A Grande Ilusão (Jean Renoir)
22. Lawrence da Arábia (David Lean)
23. Persona (Ingmar Bergman)
24. E o Vento Levou (Victor Fleming)
25. Aurora (F. W. Murnau)
26. 2001: Uma Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick)
27. Viagem pela Itália (Roberto Rossellini)
28. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Jean-Pierre Jeunet)
29. Luzes da Cidade (Charlie Chaplin)
30. Guerra nas Estrelas: Episódio 4 - Uma Nova Esperança (George Lucas)
31. Sherlock Jr. (Buster Keaton)
32. A Regra do Jogo (Jean Renoir)
33. O Leopardo (Luchino Visconti)
34. A Doce Vida (Federico Fellini)
35. A Chegada do Trem na Estação (Auguste e Louis Lumière)
36. O Mágico de Oz (Victor Fleming)
37. La Jetée (Chris Marker)
38. Um Corpo que Cai (Alfred Hitchcock)
39. Noite e Neblina (Alain Resnais)
40. Pulp Fiction - Tempo de Violência (Quentin Tarantino)
41. Rastros de Ódio (John Ford)
42. Quem Quer Ser Um Milionário? (Danny Boyle)
43. O Conformista (Bernardo Bertolucci)
44. Cidade de Deus (Fernando Meirelles)
45. Taxi Driver (Martin Scorsese)
46. Apocalypse Now (Francis Ford Coppola)
47. Saló - Os 120 Dias de Sodoma (Pier Paolo Pasolini)
48. O Sétimo Selo (Ingmar Bergman)
49. Viagem à Lua (Georges Méliès)
50. Metrópolis (Fritz Lang)
51. A Batalha de Argel (Gillo Pontecorvo)
52. Amor à Flor da Pele (Wong Kar Wai)
53. Viridiana (Luis Buñuel)
54. A Vida É Bela (Roberto Benigni)
55. The Sorrow and the Pity (Marcel Ophüls)
56. O Labirinto do Fauno (Guillermo del Toro)
57. Madame De... (Max Ophüls)
58. Blade Runner - O Caçador de Androides (Ridley Scott)
59. Através das Oliveiras (Abbas Kiarostami)
60. O Boulevard do Crime (Marcel Carné)
61. Levada da Breca (Howard Hawks)
62. Cantando na Chuva (Stanley Donen)
63. Johnny Guitar (Nicholas Ray)
64. Laranja Mecânica (Stanley Kubrick)
65. Memórias do Subdesenvolvimento (Tomás Gutiérrez Alea)
66. M - O Vampiro de Dusseldorf (Fritz Lang)
67. Scorpio Rising (Kenneth Anger)
68. Psicose (Alfred Hitchcock)
69. Dust in the Wind (Hou Hsiao-Hsien)
70. A Lista de Schindler (Steven Spielberg)
71. Nashville (Robert Altman)
72. O Tigre e o Dragão (Ang Lee)
73. Wavelength (Michael Snow)
74. Jules e Jim, Uma Mulher para Dois (François Truffaut)
75. Crônica de um Verão (Edgar Morin e Jean Rouch)
76. A Vida dos Outros (Florian Henckel von Donnersmarck)
77. Greed (Eric von Stroheim)
78. Quanto Mais Quente Melhor (Billy Wilder)
79. Tubarão (Steven Spielberg)
80. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Woody Allen)
81. Nascimento de uma Nação (D. W. Griffith)
82. Amores Expressos (Wong Kar Wai)
83. La Noire De... (Ousmane Sembene)
84. Touro Indomável (Martin Scorsese)
85. Relíquia Macabra (John Huston)
86. Chinatown (Roman Polanski)
87. Andrei Rublev (Andrei Tarkovsky)
88. Asas do Desejo (Wim Wenders)
89. Videodrome - A Síndrome do Vídeo (David Cronenberg)
90. Palavras ao Vento (Douglas Sirk)
91. O Terceiro Homem (Carol Reed)
92. Veludo Azul (David Lynch)
93. Três Homens em Conflito (Sergio Leone)
94. Ondas do Destino (Lars von Trier)
95. À Nos Amours (Maurice Pialat)
96. Cléo de 5 à 7 (Agnès Varda)
97. Tudo Sobre Minha Mãe (Pedro Almodóvar)
98. Terra (Aleksandr Dovzhenko)
99. Oldboy (Chan Wook Park)
100. Tempo de Diversão (Jacques Tati)

Khrystal grava mensagem de fim de ano na TV Brasil

Ataques à Escola de Samba que homenageia nordeste

No blog de Luis Nassif

De acordo com matéria publicada no jornal Diário de S.Paulo deste domingo, a escola de samba Acadêmicos do Tucuruvi, de São Paulo, tem recebido constantes ameaças por e-mails pelo fato de ter definido como samba-enredo de 2011 uma homenagem aos imigrantes nordestinos: 'Oxente, o que seria da gente sem essa gente? São Paulo, a capital do Nordeste' é o enredo que a agremiação levará para a avenida no próximo ano.

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O mercado de bens culturais autênticos em Natal

por Carlos Freitas
em Carta Potiguar

Assim, como dissemos anteriormente, Natal vivencia atualmente uma explosão do mercado de práticas culturais socialmente “distintas”. Alimentada por uma demanda local crescente por experiências intersubjetivas consonantes com o ideal de autenticidade. Nesse sentido, perceber esse fenômeno cada vez mais massificado na nossa cidade impossibilita, de antemão, afirmações preconceituosas e mesmo, ressentidas sobre um certo ar provinciano da cultura local.

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domingo, 26 de dezembro de 2010

Gravação do Camarones no youtube

por Anderson Foca
via e-mail

Olá galera. O Camarones Orquestra Guitarrística (RN) está compondo, arranjando e gravando um novo disco. Vocês vão acompanhar absolutamente todo o processo via vídeos em high definition postados quase que diariamente no Youtube (www.youtube.com/dosoltv). Participem, deixem seus comentários e até pitacos nos arranjos que estamos de portas abertas para sugestões.

Confiram!

GRAVAÇÃO - CAMARONES (HD) - DIA 01
Montando os equipamentos e dando os primeiros acordes...
http://www.youtube.com/watch?v=h6HEbHaKzpY

GRAVAÇÃO - CAMARONES (HD) - DIA 02
Compondo e arrajando Espionagem Industrial e conversando com o designer...
http://www.youtube.com/watch?v=IT2dZS1CyLM

GRAVAÇÃO DO CAMRONES (HD) - DIA 03
Compondo e arranjando "Com a água no pescoço" e comentando o andamento dos trabalhos...
http://www.youtube.com/watch?v=9SO7n5visKs

Bastidores do show de Roberto Carlos

A solidão de David Fincher

por Bruno Yutaka
na Ilustrada no Cinema

Existe solidão mais penosa do que percorrer o ciclo da vida em sentido contrário, como sabe bem o personagem título de "O Curioso Caso de Benjamin Button"?

Ou então os investigadores de "Zodíaco", que têm suas vidas destroçadas de uma forma ou de outra ao se verem na impossibilidade de decifrar um mistério?

Em "O Clube da Luta", o "inimigo" é declarado sem rodeios. É o mundo, de certa forma, que deve ser combatido.

Penso em quem são os solitários de hoje, da vida real.

Mark Zuckerberg, retratado em "A Rede Social", com certeza é um deles (ou ao menos é o que Fincher nos faz crer).

Mas será apenas a solidão ou é uma espécie de mediocridade emocional que faz um sujeito, após terminar com a namorada, postar uma série de baixarias em seu blog na internet?

Fincher não está apenas contando a história do Facebook.

Ele está novamente contando uma história de solidão. Mas uma solidão épica, já que se trata do "mais jovem bilionário do mundo".

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Entre o Bolshoi e os absurdos potiguares

No Diário de Natal
matéria de hoje

Desde o século 18 quando foi fundado, a vocação do Balé Bolshoi é formar, para a arte da dança, meninos e meninas à margem do círculo aristocrático. Passados mais de dois séculos, a maior companhia de teatro do mundo mantém o mesmo conceito. Com uma variante: a histórica sede - tombada como patrimônio da humanidade - abriu uma única filial fora de Moscou em todos esses anos. E foi no Brasil, em Santa Catarina. É lá onde acontece o Festival de Dança de Joinville - o maior do mundo. E por lá, no mais concorrido balé e próximo ao maior festival de dança do planeta, figuram bailarinos natalenses esquecidos pelo poder público.

Josemara Macedo, 17, sente na pele o dia-a-dia de um artista nascido em Natal. Selecionada pelo Bolshoi no ano passado, sobrevive em Joinville graças a uma bolsa patrocinada pelo próprio balé a poucos bailarinos da companhia. É o que lhe garante uma refeição ao dia e material para a atividade da dança. E só. Josemara lamenta quando colegas de balé deoutros estados mostram patrocínios das respectivas prefeituras e governos. Mais raro, de grandes empresas sediadas no estado. E lembra as dificuldades da tia Francisca, a Chica - figura conhecida na Ribeira, batalhadora e com sérias dificuldades financeiras - para manter a sobrinha na custosa Joinville.

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A Madona Sistina

na Revista Piauí

Vassíli Grossman foi um homem de sorte. Era judeu ucraniano, escritor, jornalista, honesto e idealista. Viveu na União Soviética na primeira metade do século XX, um dos piores lugares do mundo para ser judeu, escritor, jornalista, honesto e, principalmente, idealista. É um milagre que tenha morrido de causas naturais aos 58 anos, em Moscou, no ano de 1964.

Grossman nasceu em 1905 em Berdichev, cidade que tinha uma das maiores populações judaicas da Europa Central. Formado em química em 1929, logo abandonou a profissão e passou a viver da literatura. Sua obra mais conhecida, Vida e Destino, é considerada por muitos o maior romance russo do século XX.

(...)

Em 1955, em Moscou, Grossman viu a Madona Sistina de Rafael. Em plena Guerra Fria, depois de Hitler, depois de Hiroshima e Nagasaki, depois de Stálin, ele consegue encontrar no quadro a beleza da experiência humana. Escreve com sinceridade comovente, sem cinismo e sem vergonha de suas emoções.

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O absurdo como meta

por Fabio Silvestre Cardoso
no site Rascunho

Única na literatura brasileira, obra imaginativa de Ignácio de Loyola Brandão une experimento e denúncia sem nunca apelar para o engajamento

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Entrevista - Julian Assange

por Jamil Chade
no Observatório da Imprensa

Julian Assange, fundador do grupo WikiLeaks, tem causado uma série de embaraços a Washington com a divulgação de telegramas secretos da diplomacia americana. Em sua primeira entrevista a um jornal latino-americano desde que foi libertado sob fiança pela Justiça da Grã-Bretanha, no dia 16/12, Assange falou ao Estado, por telefone, sobre a pressão feita pelos EUA.

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Escolhas ponderadas

por Franklin Jorge
no blog O Santo Ofício

A escolha, no caso especifico da Fundação José Augusto, ainda me parece continuar em aberto, apesar de ter eu me apressado semanas atrás a anunciar aqui, como fato consumado, a escolha de Dácio Galvão para o cargo tão disputado, apesar de ser a FJA uma ruína e totalmente desviada de suas funções naturais. Peço desculpas aos leitores desta página pela “barriga”, como se diz no meio jornalistico das informações equivocadas. Mea culpa… Só não pedi desculpas antes para não cometer novo engano. Até agora, alem dos nomes citados, o do escritor Tarcisio Gurgel já está engatilhado, segundo se comenta a boca pequena em alguns setores. Não sei se procede a informação. Como um militante da área e testemunha ocular dessa história malfadada, creio que a escolha mais correta deveria recair em nome alheio à cultura, um administrador de verdade, porém aberto ao dialogo e sem a arrogancia de seus antecessores que sempre quiseram impor politicas fracassadas…

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Década digital

por Ubiratan Brasil
no Estadão

Em dezembro de 2000, uma sofisticada opção de presente de Natal era um aparelho ainda pouco conhecido, chamado MP3 Player, que armazenava digitalmente até meia hora de música gravada. Uma revolução, mas para poucos, pois o preço era salgado. Mais prático era apostar no velho CD, cujo sucesso continuava de vento em popa - além do surgimento de aparelhos que gravavam nos disquinhos o conteúdo do velho bolachão, coleções resgatavam clássicos, como a caixa com 7 CDs que traziam praticamente toda a obra de Dorival Caymmi, o melhor lançamento do momento.

Dez anos depois, uma revolução tecnológica praticamente varreu a forma tradicional de se produzir e escutar música. Surgiram o download ilegal, o comércio virtual, o iTunes, o iPod, o YouTube, o MySpace, o Spotify, o estúdio doméstico dentro de um laptop, democratizando a oferta para o ouvinte e levando a indústria a um questionamento sobre a própria sobrevivência.

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sábado, 25 de dezembro de 2010

Rio Grande napolitano


Se Charles Azvanour, Edith Piaf e outros franceses clássicos embalaram a trilha sonora de 2010 no ano da França no Brasil, a audição de 2011 estará voltada à cultura italiana. Pepino di Capri, Laura Pausini, Eros Ramazzotti e outros mais serão a pedida do ano, capisce? O que poucos sabem é da relação íntima entre os napolitanos e os potiguares. Não só de costumes e até idiomas semelhantes. A história mostra a presença de italianos ilustres e fatos marcantes para ambos acontecidos em terras potiguares. Desde a primeira travessia sem escalas de uma aeronave da Europa ao Brasil ao planejamento urbano de Natal pelas mãos de dois italianos. E tem mais...

Os livros de história do Brasil omitem alguns fatos importantes do período colonial brasileiro. Quando da invasão holandesa, na primeira metade do século 17, a colônia portuguesa, em conjunto com a espanhola, pediu ajuda militar a diversos países europeus para expulsarem os "invasores". Apenas o exército napolitano respondeu. E enviaram quatro naus napolitanas comandadas pelo Sargento-Mor Vincenzo San Felice e compostas por 850 homens de tropa e mais ou menos 50 oficiais. A maioria, veteranos de guerras combatidas no velho Continente. E surge a pergunta: qual teria sido o futuro do Brasil se permanecesse sob domínio holandês?

Na província de Cascudo, muito além das massas e pizzas, a cultura italiana está entranhada nas esquinas da cidade. Já nos primeiros anos do século 20, o napolitano urbanista Antônio Polidrelli organizava a primeira sistematização de cidade para Natal. Três décadas depois, outro italiano, Giácomo Palumbo também faria novo plano urbanístico à cidade. Também na ainda atrasada Natal das primeiras décadas do século passado quando a moda viver a Belle Époque francesa, morava aqui um dos maiores violencelistas do mundo, o italiano Thomaz Babini, que iniciou importante tradição da música instrumental na capital potiguar.

O napolitano Paolo Fiore é estudioso do assunto. Mora em Natal há quatro anos. É um "apaixonado" pela cultura napolitana e nordestina, onde vê semelhanças históricas e culturais. Por aqui, Paolo canta em hoteis de Ponta Negra em show onde mistura a bossa nova brasileira e os clássicos da música italiana, ou a mescla de ambos, em novos arranjos e recriações. O cantor também preside o Centro de Cultura Italiana de Natal e já organiza a programação de 2011. Segundo ele, um protocolo de intenções entre os governos dos estados do Rio Grande do Norte e Nápoles foi assinado com o objetivo de intercâmbio entre as duas delegações para 2011, com viagens agendadas para abril (italianos em Natal) e junho (potiguares em Nápoles).

Paolo guarda uma série de documentos relativos à presença italiana no Brasil. E lembra de outro fato marcante na história de ambos os países. Foi a primeira viagem sem escalas da Europa ao Brasil, em 1920. "Um hidroavião fabricado pela Savoid Marchetti e pilotado pelo general italiano Italo Balbo, partiu da Itália para Natal. A Coluna Capitolina, fincada na Ribeira, foi presente de Mussolini em homenagem à cidade que recebeu esse voo histórico", conta. O fato está relatado no livro Legiões aladas sobre o mar, editado no Brasil pelo Jornal do Brasil, em 1932, e escrito pelo próprio Italo Balbo.

Itália no Brasil
O protocolo de intenções assinado pelos governos potiguar e napolitano também tem a intenção de "geminação". E o que seria? A geminação entre dois estados é quando eles têm algo em comum: folclore, cozinha, ambiente, artesanato, artes e turismo. Em uma palavra: cultura. E a geminação oferece a oportunidade de aprender mais sobre a vida quotidiana dos cidadãos de outros países, para se comunicar com eles, trocar experiências, conhecimentos e desenvolver projetos sobre questões de interesse comum, tais como a integração local, o ambiente e, claro, o desenvolvimento econômico.

Paolo Fiore já organiza o intercâmbio entre músicos. Em abril, ele levará a banda que o acompanha nos shows, a Brasil Bossa Band, para uma série de shows na Itália. Nas apresentações de Paolo no Hotel Esmeralda (às terças-feiras) e Beach Resort (às quintas-feiras) - ambos em Ponta Negra - ele intepreta "músicas italianas com cheiro brasileiro e vice-versa". E conta peculiaridades de cada música - clássicos imortalizados do cancioneiro romântico mundial: Strani Amore, La Solitudine, Roberta, Champagne e outras.

O intérprete procura explicação na paixão pelas duas culturas: "Foi talvez o talento de Amerigo Vespucci, que chegou ao largo da costa do Brasil em 1499, um ano antes da descoberta oficial de Cabral, ou até mesmo o sangue derramado pelos napolitanos em 1625 no combate contra os holandeses, ou mais provavelmente, a tenacidade dos 8 milhões de emigrantes italianos que trabalharam duro contribuindo para a modernização do Brasil. E ainda mais é a afinidade entre Natal e Napoli. Ambas cidades litorâneas habitadas por povos navegadores e mundialmente conhecidas como "cidade do sol", ambas com tradições folclóricas perdidas nos labirintos do tempo, ambos com tradição alimentar e similares culinárias", conclui.

Serviço
Paolo Fiore
(84) 9919-5842
info@paolofiore.com

* Publicado no Diário de Natal de hoje

Feliz natal betaul

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O pé de pau de dezembro

Cometi o pecado do roubo, tão comum na rede interneteira. Furtei todo o post de Graco Medeiros em seu Som do Vialejo (AQUI). Inclusive com a foto com árvore de natal do Grande Ponto, início dos anos 60, também roubada do blog Alma do Beco. Foi o que de mais interessante encontrei na blogos(fera) nesta véspera de perus assombrados ou congelados. Segue, com o mesmo título criativo de Graco. E de cá, meu feliz natal burguês a Graco e a todos os amigos e, porventura, quem se sinta inimigo desta pacífico blogueiro:


POEMEU DE NATAL
Reflorestamento
(Millôr Fernandes)

No Rio a gente sensata
Lutou por uma figueira
Mas não vi um democrata
Sair de sua banheira
Pra ver a causa mortal
Da árvore de Natal.

Dava bolas, não se lembram?
Dava velas multicores
Que iluminavam, na sala,
Uma breve noite sem dores.

Ainda existem, mas poucas;
Foram sendo destruídas
Pelo atrito entre as vidas
Foram sendo desprezadas
Pelas relações iradas.

E além disso, que má fé,
Eram banhadas apenas
Com lágrimas de jacaré.

Embora, entrando pelo tubo,
O povo, a todo momento,
Não lhe poupasse adubo;
Bosta de ressentimento.

Mas será que interessa
Em nome de uns inocentes
Crescer árvores inventadas
Pela imaginação das gentes
Sem utilidade prática
Frutificando presentes
(Que brotavam das raízes)
Só pra pessoas felizes?

Nunca vi martelo ou pua
Ou uma colher de pedreiro
Frutificar nessa árvore
Fosfatada com dinheiro.

Era uma coisa maldita
Pois a praga da aflição
Crescia mais do que ela
E sem darmos atenção
Foram-se acabando as mudas;
Não houve renovação
E cercada de fome e medo
Morreu toda a plantação.

Pode ser, eu não sei não,
Pois há ainda outra versão;
Ante a violência urbana
A árvore ficou tristonha
E como não era humana
Morreu mesmo é de vergonha.

Contudo, sou da esperança,
Do “quem espera sempre alcança”
E por isso deixo aqui
Meu voto de confiança,
O meu apelo final
À árvore de Natal:

Mais popular, mais comum,
Quero ver-te renascer
Para que, em oitenta e um,
Possam os pobres te comer.

Natal desgovernado

Às vésperas do aniversário da cidade e do último show do Auto de Natal, o presidente da Fundação Capitania das Artes (Funcarte), Rodrigues Neto comemora antecipadamente o resultado de público e organização do evento, patrocinado quase na totalidade por investimentos privados e sem a parceria com o governo do estado, visto no anterior. "Sequer no réveillon eles quiseram colaborar", lamentou.

Rodrigues Neto deixa claro que o lamento não é crítica. "Estão no fim do governo e precisam pagar suas contas". Fato é que sequer o auto natalino tradicional dos últimos onze anos foi organizado. O ensaio para o fim foi visto já no ano passado, quando após ensaios e montagem do espetáculo, o governo cancelou o pagamento dos artistas e o auto. Só com protesto dos envolvidos na frente da Governadoria o evento foi retomado.

"Procuramos a Emproturn e o Gabinete Civil. A resposta foi a mesma: de que estão sem dinheiro, pagando contas. Pedimos apoio pelo menos para o réveillon (patrocinado pelo Ministério do Turismo), mas nem isso". A reportagem procurou respostas da Fundação José Augusto. Mas os telefones foram cortados por falta de pagamento e os celulares da assessoria de imprensa e do diretor geral estão desligados desde a última quarta-feira.

A perda da parceria foi amenizada pelos patrocínios privados, responsáveis por 80% dos custos do Natal em Natal, que giram próximos dos R$ 6 milhões (incluindo a iluminação, que custou R$ 3,27 milhões). "É mais ou menos isso. Alguns investimentos foram captados via Lei Rouanet (lei de incentivo cultural federal) e outros foram diretos", explicita Rodrigues Neto.

Segundo o presidente da Funcarte, a programação de quatro dias do Auto de Natal, culminando com o show de amanhã para comemorar o aniversário da cidade, custou R$ 1,2 milhão. Para o desfile temático criado em 2009 ao lado da Praça Pedro Velho (Praça Cívica) foram investidos R$ 500 mil. As duas árvores de natal montadas em Mirassol e Panatis, R$ 100 mil. Os demais custos foram com cachê de bandas e artistas.

"Fomos mais profissionais este ano. Corrigimos falhas do ano passado e oferecemos uma programação mais estruturada, proveitosa e mais barata", comentou Rodrigues Neto. Uma das falhas apontadas foi a divisão da programação do Auto no anfiteatro da UFRN e o aniversário da cidade no Machadão, com o fatídico show do padre Fábio de Melo. "Esse ano aproveitamos a mesma estrutura de palco e matamos dois coelhos numa cajadada só".

A frustração desse ano ficou por conta da homenagem não acontecida à cantora Glorinha Oliveira. A ideia, segundo o presidente da Funcarte, era promover o encontro de gerações entre Glorinha e Roberta Sá, no show de amanhã no Machadão. "Por recomendação médica, Glorinha foi impedida de participar. Ela está muito cansada. É uma pena. Nós queríamos prestar essa homenagem", lamentou.

Outro lamento foi a não captação dos recursos para a promoção do projeto Fábrica de Natal. "Conseguimos aprovação na Lei Rouanet, mas não encontramos empresas para patrocinar os R$ 800 mil previstos. Vamos começar já a redimensionar o projeto e tentar novamente porque a lei ainda vale para 2011".

Rodrigues Neto ressaltou ainda a diversidade da programação dos shows do projeto Cantos de Natal (esse ano duplicado, também com apresentações na área de lazer do Panatis, na Zona Norte) e do Auto de Natal. "A ideia eram shows para a família natalense, menos comercial, de qualidade e que respeitasse o clima natalino e a proposta do Auto de Natal, finalizando com uma atração mais descolada para o aniversário da cidade", disse.

E após apresentação do padre Antônio Maria, do "ícone da música regional" Fagner, e da cantora gospel Aline Barros, a "descolada" Roberta Sá sobe ao palco montado no Machadão para comemorar o aniversário da cidade e uma possível despedida do Estádio, passivo de demolição para montagem da estrutura da Copa de 2014. Abrem o show amanhã a partir das 19h, a banda Macaxeira Jazz e a cantora e compositora Khrystal.

No domingo é a vez do cantor de música sertaneja Daniel fazer show no palco extra, maior, montado na área de lazer do Panatis. "Esse show é patrocínio exclusivo de empresas, via lei - e por isso será gratuito - e também com parcela de recursos diretos", disse Rodrigues. "A ideia de um show no sábado e outro domingo foi não dividir o público. Então, esperamos todos nos shows", conclui.

* Publicado hoje no Diário de Natal

Coppola comenta novo filme

Por Érica Perazza
na Revista Cult

Ele diz que não faz filmes para ficar famoso ou ganhar dinheiro. E que, inclusive, prefere manter sua independência da indústria cinematográfica. Diretor de obras-primas como O Poderoso Chefão e Apocalypse Now, o norte-americano Francis Ford Coppola, 71, conquistou a liberdade de escrever roteiros da maneira que deseja e com a voz que quer dar. “Nos últimos vinte anos tive a sorte que o mundo se interessou por vinhos e assim pude bancar meus filmes”, disse ele em entrevista na FAAP, em São Paulo. Dono de uma vinícola em Nappa Valley, na Califórnia, e ainda de uma rede de hotéis, o cineasta revela que fazer filmes “sem tem que convencer alguém a patrociná-lo” é um sonho. Coppola diz sentir falta de boas idéias: “ultimamente, no cinema comercial, os filmes estão muito semelhantes entre si. E eu gosto de ser surpreendido. Gosto do cinema independente dos irmãos Coen”, confessa o diretor.

AQUI

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Os 5 melhores filmes da década

Da Redação da Bravo!
(via @fabiofariasf)

O problema é que não é fácil identificar as mudanças quando se está dentro delas. No início deste século, coisas surpreendentes podem estar acontecendo sem que recebam o devido crédito. BRAVO! tenta se antecipar e indica, na versão impressa, os dez filmes filmes estrangeiros que poderão ser lembrados pela história. Confira abaixo os cinco primeiros:

Dogville, de Lars Von Trier (2003)
Grace (Nicole Kidman) é uma jovem forasteira que está fugindo de gângsteres e pede abrigo em um vilarejo. Lá, ela é amparada por Tom (Paul Bettany), que resolve convencer o restante dos moradores a fazer o mesmo. A partir de então, Grace começa a cumprir tarefas - que se tornam cada vez mais abusivas - para justificar os riscos a que os moradores estão sendo submetidos ao escondê-la.

Cidade dos Sonhos, de David Lynch (2001)
Após sofrer um acidente de carro, uma mulher sem memória (Laura Harring) se esconde no apartamento onde Betty (Naomi Watts) está hospedada enquanto tenta uma vaga em Hollywood. Situações e personagens, aparentemente desconexos, estabelecem relações que confundem a noção de real e imaginário se confundem.

O Pântano, de Lucrecia Martel (2001)
Durante o verão, duas famílias decidem passar as férias numa cidade próxima a um pântano. Os adultos passam o tempo bebendo, dirigem carros e trocam carícias pelos cantos, enquanto as crianças e adolescentes nadam na lamacenta piscina natural. As relações ambíguas e a convivência forçada fazem surgir tensões que se transformam em conflitos.

Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci (2003)
O jovem americano Matthew (Michael Pitt) vai estudar em Paris, em 1968. Em meio aos protestos que tiraram Henri Laglois da frente da Cinemateca Francesa, ele conhece os irmãos Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel). A relação entre os três se estreita no momento em que Matthew se muda para o apartamento deles. A partir de então, se inicia um triângulo amoroso que testa os limites de cada um com jogos perigosos que envolvem experimentação sexual.

Elefante, de Gus Van Sant (2003)
Com base no massacre de 1999, no qual dois adolescentes mataram 14 alunos e um professor na Columbine High School, nos Estados Unidos, o filme tenta mostrar a realidade cotidiana de uma escola secundária antes de uma chacina. Com um elenco formado por estudantes de uma escola americana e diálogos cheios de improvisação, o longa retrata as dificuldades da adolescência como período de grandes tensões e opressões.

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Do blogueiro: No site da Bravo tem o trailler de todos esses filmes. Aliás, assisti três desses cinco e concordaria apenas com Dogville, apesar de Efefante e Cidade dos Sonhos serem bons filmes.

No celeiro do folclore

Por Maria Betânia Monteiro
na Tribuna do Norte

Um canto de amor à cidade de São Gonçalo do Amarante é como o poeta e folclorista Deífilo Gurgel define o livro “São Gonçalo do Amarante – o país do folclore”. Apesar da declaração poética, o autor diz que todos os algarismos e informações são confiáveis. Eles são o resultado de mais de um ano de pesquisa intensa. “Eu já tinha andado em São Gonçalo na década de 1970, quando trabalhava na Fundação José Augusto e me dedicava ao folclore. Agora eu voltei ao município e descobri muitas coisas”, disse Deífilo em entrevista ao VIVER. O livro será lançado hoje, às 18h, no Teatro Municipal de São Gonçalo do Amarante.

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E no Morro do Alemão...

E durante a ocupação do Morro do Alemão, eis que surge um personagem de Fellini...

Dependente - Érika Machado

Fazer música para adolescente não rima com idiotice ou guitarras falsamente distorcidas sob letras babacas de amor. Os coloridos Restart sentem na cadeira da sala de aula e assistam esse vídeo para aprender como se faz. Aliás, escutem, já que o vídeo é apenas uma imagem. Mas prestem atenção na melancolia da voz, da letra, dos arranjos. É o retrato dos nossos jovens de hoje, sacou coloridinhos? O CD é excelente. Mesmo a produção de John Ulhoa (Pato Fu) e seus brinquedinhos musicais não tiraram a doçura dessa moça e até emprestaram certa originalidade. Érika Machado para uma manhã estranha. Tá valendo.

Peixe underground em Sampa

A cena underground de São Paulo serviu de inspiração para o autor Rafael Moralez dar vida ao protagonista de "Peixe Peludo" (Conrad, 96 págs., R$ 24,90). No livro, o animal intermediário --um mamífero com o sangue-frio dos répteis e que sobrevive fora d'água-- é um trompetista que passa os dias ranzinza e solitário filosofando sobre a sua existência. Capa do livro, que tem uma penugem na fonte e no desenho para simular pêlos...

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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O mar azul do cinema potiguar


No Diário de Natal
matéria de hoje

Após ter seu novo curta-metragem selecionado dentre mais de 400 concorrentes para participar do Festival de Brasília, o cineasta potiguar Aristeu Araújo faz estréia hoje de Naquela Noite Ele Sonhou Com Um Mar Azul, no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel. O filme tem duração de 20 minutos e será exibido às 19h30, sendo debatido em seguida por uma mesa redonda, que também tratará sobre a produção audiovisual no Rio Grande do Norte. O debate contará com a participação, além do próprio Aristeu, do diretor do curso de cinema da UnP, Fábio DeSilva, do presidente do Cineclube Natal, Pedro Fiúza, e do cineasta Buca Dantas.

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- Foto do protagonista do filme, por Sofia Helena

Protesto em frente à Governadoria?

Por Henrique Fontes
no twitter

Passei pela Governadoria entre 8h30 e 9h10 para ver a mobilização do protesto contra a falta de pagamento do Festival Agosto de Teatro. Lá encontrei apenas Ivonete Albano que foi recebida pelo secretáro adjunto Helder Maranhão, que logo disse que não havia orçamento. Ficou claro que não há mesmo diálogo entre FJA e Governo do Estado. Além do que, soube que as 9h30 apenas 7 artistas apareceram. "Protesto?"

Livro resgata história de Estremoz

Editora Sebo Vermelho lança amanhã A História de Estremoz, escrito pela freira Maria Dionice da Silva

Não estranhem a grafia da palavra Estremoz, com “S”. Assim como a etimologia, a história do município vizinho da capital é desconhecida pela maioria dos potiguares. Uma história de sofrimento, abandono e desprezo pelas relíquias culturais do lugar banhado pelas lendas da lagoa.

A antiga aldeia Guajiru já viveu dias tranquilos e de progresso, quando da catequização dos índios, promovida pelos jesuítas. É o que conta o livro A História de Estremoz (Sebo Vermelho Edições, 91 pág.) com lançamento amanhã na Faculdade de Estremoz (próximo à estação de trem), às 17h.

A freira Maria Dionice da Silva registra no livro que no mesmo período – primeira metade do século 17 – índios eram massacrados em outras vilas do Estado. Logo a coroa interrompeu o tratamento “humano” dado aos índios. Foi o Marquês de Pombal quem expulsou as aldeias jesuíticas do Brasil, em 1755.

Os nativos da aldeia do Guajiru acompanharam os jesuítas expulsos em cortejo por quilômetros, entre lágrimas. A coroa portuguesa ocupou o vazio deixado pelos jesuítas e iniciaram reforma na aldeia, a começar pela substituição do nome tupi de Guajiru por Vila Nova de Estremoz – a primeira vila do Rio Grande do Norte, com nome de vila portuguesa.

Quase um século depois, em 1858, o município teve sua sede transferida para Ceará-Mirim, tornando-se mero povoado. Segundo Cascudo, Estremoz esperou 105 anos pela restituição de seus foros municipais, tornando-se distrito em 1911. O primeiro prefeito, Daniel Pinheiro, governou o município entre 1963 e 1968.

Estas e outras curiosidades historiográficas, culturais e sentimentais do município de Estremoz são contados no livro, a exemplo do abandono de seus bens materiais. Um deles, as ruínas da velha morada dos jesuítas, permanecem fincados nos chãos que um dia viram o batizado do índio Felipe Camarão e hoje simbolizam o abandono do município.

Lançamento literário: A História de Estremoz
Autora: freira Maria Dionice da Silva
Onde: Faculdade de Estremoz
Data e hora: amanhã, às 17h

* Matéria publicada hoje no Diário de Natal

Escolha o show de hoje ou vá aos dois

Por Zé Dias
enviado por e-mail

ESCOLHAM: Se voce quiser ver uma HOMENAGEM a um dos MAIORES TRIOS VOCAIS do Brasil e que se ORIGINOU no RN, mais precisamente em SANTA CRUZ DO INHARE - O TRIO IRAKITAN - vá ao NATAL EM NATAL do Praia Shopping Musical e as 20hs teremos o GMP TRIO fazendo este TRIBUTO. Se Voce Quiser ver uma cantora de ALTISSIMO NIVEL, nascida em Natal, junto com um Guitarrista QUASE NATALENSE, que hoje mora na EUROPA onde é respeitadissimo e CUJOS curriculos tem a participação de GENIAL musico GUINGA em suas OBRAS, vá ao INEDITO ENCONTRO MUSICAL de KHRYSTAL E ROBERTO TAUFIC, no ESPAÇO CULTURAL BURACO DA CATITA as 21hs. Natal e o RN, merece os ARTISTAS que tem. Se dê um PRESENTE DE NATAL, ESCOLHA.

Do blogueiro: Com os atrasos do Buraco da Catita, dá pra ir aos dois!

Jean Genet, um anjo nas trevas


por Flávio Viegas Amoreira
no site Cronópios

Imaginem uma criança abandonada no nascimento, entregue a um orfanato e aos 8 adotado por uma família de camponeses; aos 10 anos acusado de furto enviado a reformatório: acaba encarnando o papel que a sociedade o imputa, torna-se ladrão. Cresce em meio a marginais, exilado como um errante pela Europa no entre-guerra, cai na mendicância e no submundo: seu desejo amoroso homossexual era um agravante para uma sociedade ainda não aberta a afetividades incompreendidas. De prostíbulos a prisões, aos 30 anos descobre a literatura em contato com intelectuais encarcerados pelos nazistas; lê Proust e nos calabouços de Paris nasce o maior dramaturgo francês do século XX e um dos maiores romancistas do Ocidente.

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Muito Chomsky no Foucault dos outros

Por Graco Medeiros
em Som do Vialejo

TROCATRILHOS

A tropa do trocadilho
Vê melhores dias a pino
Num processo literotário
Para decodificar, catártico,
Nos Campos de concreto,
O espermaformático fato
Em Coca-Cola do deserto.

Mas logo após a celeuma
O poeta sacode a glande
E saúda os três paideumas
Editores de noigandres.

(Graco Medeiros)

Os 10 melhores vilões do cinema em 2010

por Marcelo Hessel, jornalista e editor do Omelete
Na Superinteressante

Os maiores vilões do cinema em 2010 não são necessariamente os mais odiosos – é normal que a gente se sinta atraído por eles ou que role aquela identificação básica – mas alguns são tão teimosos que carregam o mal até no nome.

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Roberto Carlos no Lá na Carioca

Calote no Festival Agosto de Teatro?

A coordenadora geral do Festival Agosto de Teatro, Ivonete Albano, convoca os artistas participantes do evento para comparecer às 8h em frente à Governadoria para pressionar o governador Iberê Ferreira de Souza a pagar o que deve à classe. Como já se foi falado anteriormente. Tudo foi providenciado e aprovado a tempo, o orçamento existia, o pré empenho foi feito, sinal que o orçamento existia. De repente o orçamento sumiu, as tentativas da Fundação José Augusto de falar com o governador foram muitas, até que ele sinalizou que pagaria. Então a equipe realizou o Festival com sucesso de público durante uma semana no Teatro Alberto Maranhão. Até o presente momento a liberação para pagamento não foi efetivada, e a esta altura o Diretor Geral da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto, sequer é recebido pelo governador.

Do blogueiro: Lembram quando eu disse que o Governo detém a culpa e a Fundação José Gugu é quem paga o pato? Olha um exemplo bem prático aí.

Auto de Natal hoje no Machadão

No Diário de Natal
matéria de hoje

A 12ª encenação do espetáculo Auto de Natal começa hoje no Estádio Machadão com programação musical iniciada às 19h pelo Coral da Petrobras, seguida do cantor de música católica Sandro Menezes. O auto natalino com direção de Diana Fontes, trilha sonora de Danilo Guanais e texto de Edson Soares virá depois. A programação fecha com show do padre Antônio Maria.

Esta será a tônica dos próximos dias no Machadão: uma atração local abre a programação, seguida pela encenação do Auto e fecha com apresentação de cantores nacionais. Fagner, a cantora de música gospel Aline Barros e a potiguar/carioca Roberta Sá serão as outras três atrações do evento, para amanhã, quinta e sábado (sexta-feira não haverá programação).

AQUI

Do blogueiro (E COM DESTAQUE!): AMIGOS LEITORES, PEÇO PERDÃO PELO ERRO GRAVE COMETIDO NESTA MATÉRIA DE HOJE. ACIMA, SEGUE CORRIGIDO, MAS NO IMPRESSO SAIU O LOCAL DA PROGRAMAÇÃO NO ANFITEATRO DA UFRN. TODA A ENCENAÇÃO E SHOWS MUSICAIS SERÃO NO MACHADÃO! PENA QUE ESSA CORREÇÃO NÃO CHEGUE A TODOS. SE CONSEGUIMOS MOVER ALGUMAS MONTANHAS COM O QUE PUBLICAMOS, TAMBÉM SOFREMOS AGRURAS COMO ESSAS.

Romildo Soares quem diz: Nem Todo Mundo é de Ferro

Romildo Soares convoca hoje a galera iluminada pelo espírito natalino e doida pelas trevas provocadas pela boa música à audição de seu mais novo CD Nem Todo Mundo É de Ferro. Será hoje no Bardallo's Comida & Arte, às 19h. O resistente bar multiuso de Lula Belmont fica à rua Gonçalves Lêdo, 678, Centro (do universo do Beco da Lama). Contatos para shows, compra de CDs e venda por atacado: 3211-8589 e 9409-4440.

Jesus a. A.

Por Luiz Lima (Lola)
no blog Uns & Unhas e Outras

Mal-aventurados os que se rendem às verdades absolutas sobre Jesus. Se foi reformador ou revolucionario, fariseu dissidente ou profeta iluminado, nada disso nos contam os Evangelhos. Jesus sabia se esconder bem entre as muralhas e as palavras. Indiscutivel apenas é que sua doutrina tomou o poder no Imperio Romano sem levantar uma espada. Entender suas paràbolas é mergulhar num emaranhado de significados que se multiplicam como os peixes do milagre evangelico. Peixes-simbolo de subversao da ordem vigente.

Ler Jesus é caminhar sobre as aguas incertas que vem com força e quebram em ondas de interpretaçoes. Nas praias, porem, sò existe a certeza de que ele era um superpoeta.

AQUI

Do blogueiro: As palavras acima são de Paulo Leminski

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Dramática Gramática


O barulho quase inaudível do sorriso sarcástico de Bukowski na estante passa despercebido enquanto Carlos Gurgel derrama amarguras. Preso na eternidade dos livros, o poeta alemão ainda ecoa brados de desesperança e ri daqueles tardios descrentes da humanidade. O alerta foi dado há décadas. Seus personagens outsiders, anárquicos e desiludidos eram tão reais quanto os fantasmas interiores de cada um, vestidos de moda contemporânea. E o poeta potiguar amante e marido da arte desde os tempos em que a paz e o amor eram bandeiras hasteadas na Fortaleza dos Reis Magos, sucumbiu à solidão daqueles rodeados de multidões vazias do tempo-hoje.

Quer ler Dramática Gramática? Afaste esse abismo diante de você. Não é frase imperativa. É apenas alerta. Em poucos minutos o perigo estará dissipado. Seus pés estarão pregados no chão, derretidos como uma massa colante. E agora é você com seus traumas e culpas, sem possibilidade de fuga, perdido no campo sombrio dos poemas de um realismo maldito. A gramática acadêmica foi dissipada; cedeu lugar ao submundo descascado do inconsciente coletivo. A camuflada hipocrisia do seu quarteirão está desnuda. É o mundo real, de hoje. E o desespero emana como vulcão em ebulição. Mas já não há mais esconderijos. E vem a vontade do grito contido no corpo asmático.

A sensação da falta de fôlego cresce a cada poema lido. Na mesma proporção da desesperança dos dias de Carlos Gurgel. “Tem horas que fico louco. Escrevo para limpar o real à minha frente”. E o poeta ratifica o que disse Ferreira Gullar: “A poesia existe porque a vida não basta”. Mas nem a poesia basta a Carlos Gurgel. E para extirpar a sua catarse de angústias corrosivas, o poeta também produziu um DVD com oito microfilmes: “Poesia em estúdio é muito bom. Pois que poesia em imagem e vídeo também o é. E os parceiros, todos eles, são exímios poetas. Pois a poesia quando mergulha por sobre voz e imagem, ela se reconhece de outra forma. Ela pula, ressuscita, revigora o verbo”, reconhece.

O pacote multimídia, acrescido ainda de camisa, CD com a letra dos poemas cinematografados em vídeo e mais um pôster-poesia, será lançado às 19h dnesta terça-feira, na pizzaria Bella Napoli, em Tirol (Hermes da Fonseca). O poeta, artista plástico e colega dos tempos lisérgicos da praia do Forte, Eduardo Alexandre, fará a apresentação do amigo. César Ferrário, do Clowns de Shakespeare, e Titina Medeiros, do grupo Carmin recitarão poemas do livro. A noite de lançamento contará ainda com a voz soul de Clara e a Noite. Todo o material (livro, DVD e CD e camisa) recebeu os desenhos gráficos de Dany Boy, e será vendido em separado.

Tóxicos versos
Carlos Gurgel viveu intensamente o movimento cultural na década esfumaçada pela multicolorida psicodelia. E naqueles efervescentes anos 70 de paz, amor e poesia compulsiva, provou de uma liberdade recheada de esperanças e vislumbres de novos mundos. Um mergulho mais profundo nos tóxicos e acordou em um universo cinza, confuso, sem chão. “Me recinto em ter perdido aquelas pessoas, aqueles ídolos”. E mesmo a contracultura do qual vestiu a farda a pregar o não-ídolo, “não tinha como passar em branco por Glauber Rocha, John Lennon. E hoje?”. E cita Macluhan: “O mundo virou um quintal”. E completa com Andy Wahrol: “Tão efêmero quanto os 15 minutos de Wahrol”.

E desse mundo-aldeia-efêmero, Carlos Gurgel extraiu essência, como um gorgulho metido no feijão; um intruso no mundo cuja missão é estragar o status quo mostrando sua verdadeira face. “(...) o ser humano já não se basta, ele já não se aguenta, faz muito temop. Ele explodiu faz tempo. Muita gordura. Ele já não se agüenta em pé. Rasteja fracassos e eclipses. Soletra um vocabulário podre. Sem timing e elegância. É a pura dissimulação da desfaçatez e caretice. Estamos todos comprimidos e morridos”. E como um lagarto preso no casulo, Carlos Gurgel se mantém vivo em Dramática Gramática: um poeta-luz no blackout da cidade, vítima do sarcasmo de Bukowski.

Lançamento: Dramática Gramática
Autor: Carlos Gurgel
Onde: Tratoria Bela Napoli (Av. Hermes da Fonseca, Tirol)
Data e hora: terça-feira, às 19h
Quem: participação de Eduardo Alexandre (apresentação), César Ferrário e Titina Medeiros (recital de poemas) e Clara e a Noite (atração musical).
Quanto:
- Livro: R$ 25
- Camisa: R$ 25
- DVD e CD: R$ 30


LUZIR

paira sobre mim
a superficialidade das coisas
como o suspiro de um sonho
que suporta o peso
dos meus medos

lenta agonia
de um barco
que trafega no rio
coberto de mergulhos
e hiatos

e o que sobra da correnteza
simplesmente é a luz
que da lua vaga
sobre a água sem fim.

LEI DA RUA

sou fuga
abismo de rinhas
e esquecido sonho

vou
como quem reflete
bêbados e selvas

ergo
o arco que dilacera
morros e vestes

e
espelho retorcido
recolho grama
e fumo.

* Matéria publicada no Diário de Natal
- Foto: Sergio Vilar

De Diana Fontes, sobre o Baixo de Natal

"É um movimento interessante, provocado pela classe artística. Só acho que o nome soa provocativo ao Auto. E o Baixo de Natal é feito por pessoas que já participaram do Auto e o Presente de Natal. Falo isso não porque estou no Auto; falo como artista. O formato de protesto independente de gestores públicos é visto em tantas outras iniciativas de cunho privado. Então, não acho que seja um movimento inusitado. Acho bacana, sim, o conjunto, esse energia de querer fazer. Como já disse, só acho que o nome 'Baixo de Natal' faz crítica imerecida, já que o Auto é feito por pessoas de terra, fala da nossa terra, das nossas tradições e é um projeto formativo, inclusive com alunos dos cursos do Cmai (Centro Municipal de Artes Integradas). E falam que eu liberei o elenco do Auto para assistir o espetáculo do Baixo. Apesar de admirar o movimento, foi ocasional; foi uma dispensa sem esse propósito".

Do blogueiro: Conversei com Diana hoje pela manhã, em razão de matéria que será publicada amanhã no Diário, a respeito da programação do Auto de Natal e as novidades nada positivas do espetáculo Um Presente de Natal.

Contos do Mar

O Grupo Clowns de Shakespeare lança hoje o livro Contos do Mar, às 18h, na livraria Poty Livros da Salgado Filho (próxima ao Natal Shopping). O livro contempla dez contos e um cordel criados por alunos de escolas públicas que participaram do concurso de produção de contos promovido pelo projeto Teatro a Bordo e terá seus mil exemplares distribuídos gratuitamente. Os jovens autores estarão presentes no lançamento para uma noite de autógrafos.

Antropologia renovada

por Juvenal Savian Filho e Wilker Sousa
na Revista Cult

“Viveiros de Castro é o fundador de uma nova escola na antropologia. Com ele me sinto em completa harmonia intelectual.” Essas palavras são do antropólogo e pensador francês Claude Lévi-Strauss (1908-2009) a respeito da obra do brasileiro Eduardo Viveiros de Castro. Professor de antropologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele é reconhecido nacional e internacionalmente por seus estudos em etnologia indígena (...).

Mas, desde o século 16, a vida indígena aparece como uma imagem crítica da vida “ocidental”.
Sim, sem dúvida. Há uma frase de um jovem filósofo que eu admiro muito, Patrice Maniglier, um grande especialista em Lévi-Strauss, aliás: “A antropologia nos devolve uma imagem de nós mesmos na qual nós não nos reconhecemos”. É por isso que ela é importante, porque nos devolve algo, ela nos “reflete”. Mas a gente vê essa imagem e não se reconhece nela. “Então nós, humanos, somos assim também? Podemos ser isso? Somos isso, em potência? Temos em nós a capacidade de viver assim? Essa é uma solução de vida ao nosso alcance, como espécie?” Em suma: “É possível ser feliz sem carro, geladeira e televisão?”. Isso nos dá um susto, um susto com valor de conhecimento. Os índios, desde o século 16, desempenharam essa função para a reflexão político-filosófica ocidental (para uma muito pequena parte dela, na verdade). E essa mesma função, mas modernizada, especificada e tornada mais evidente pelo fato de que os índios brasileiros da década 1970 – a década que inicia a ocupação destrutiva em larga escala da Amazônia – eram nossos conterrâneos e nossos contemporâneos, eles nos ensinavam algo não só sobre nós mesmos como sobre nosso projeto de país, o Brasil que queríamos, e que não era certamente o Brasil que tínhamos. Então, foi em torno das sociedades indígenas como diferença emergente que se constituiu a resistência contra o projeto de emancipação: uma resistência contra o projeto de privatização econômica, o branqueamento político e a estupidificação cultural do Brasil.

AQUI