Por Reinaldo Moraes
no Rascunhos
• Nada de B. O.
Atualmente, existe um tipo de literatura se firmando que, acho, é o que está sustentando a chamada literatura de ficção. É esse tipo de literatura em que um cara escreve sobre algo que viveu. Você lê Cidade de Deus, do Paulo Lins, e ali tem muita ficção. Ele próprio já cansou de dizer isso, e só o fato de o autor ter armado aquelas histórias todas dentro de uma narrativa coesa já mostra que aquilo é mesmo uma ficção. A própria linguagem também faz isso. Mesmo que você vá contar algo que supostamente aconteceu, quando você o conta já está ficcionando, porque a linguagem verbal nos obriga a dispor as coisas de uma forma que não é exatamente aquela pela qual aconteceram. Mas, hoje em dia, você lê um livro e fala: "O Paulo Lins veio da Cidade de Deus, teve essa experiência de viver numa comunidade violenta. Estou lendo este livro com interesse por saber que essas histórias foram realmente vistas e vividas, e que o autor está me conduzindo a um universo que não conheço. E por isso o livro é legal". Discordo. Um livro é legal porque é bem escrito, bem narrado. Um livro não é um B. O. Não é um boletim de ocorrência.
• Vale o que está escrito
A Bruna Surfistinha escreveu um livro que não tem nenhum mérito literário, mas vendeu milhões porque as pessoas querem saber como vive uma prostituta. O Drauzio Varella escreveu Carandiru, passou anos e anos convivendo com os detentos, e seu livro vendeu 600 mil exemplares, um recorde no Brasil. As pessoas o compram para saber como é a vida na prisão, naquela espécie de inferno organizado. Esse tipo de literatura vai acabar dominando totalmente a cena literária e aquilo que a gente chamaria de uma "literatura pura" - dentro de milhões de aspas -, na qual o cara não está usando a vivência dele como aval para o que está escrevendo. Quer dizer, ali, vale só o que está escrito. A realidade que esse tipo de ficção instaura só existe entre a capa e quarta-capa dos livros.
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FIART no Centro de Convenções, Stand SPVARN
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Há uma semana
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