Uma radiografia da Lei de Incentivo à Cultura Câmara Cascudo atesta com unanimidade a necessidade de reformulação da lei já com oito anos de vida. Enquanto a reforma é empurrada com a barriga, o ciclo vicioso do benefício restrito aos grandes eventos tem diminuído nos últimos dois anos. O Festival Mada é das maiores vítimas. O motivo é um pacto entre os conselheiros responsáveis pelo direcionamento dos recursos da Lei em diminuir a porcentagem de incentivo aos projetos contemplados há mais de quatro anos.
A Lei CC permanece baseada em desconto de 2% sobre o ICMS das empresas. O teto da renúncia do Estado é de R$ 4 milhões. Um evento como o Mada recebeu durante pelo menos quatro anos entre R$ 400 mil e R$ 500 mil. Dessa quantia, 20% pagos pela empresa patrocinadora, e 80% pelo Estado, por intermédio da renúncia fiscal de ICMS. O Festival alcançou renome nacional. Lançou músicos e bandas do quilate de Pitty e Detonautas. A programação paralela e gratuita leva cultura à comunidades carentes e incentiva novos projetos culturais, a exemplo do Anima Mundi. Mas após 8 anos refém dos recursos da Lei, a Comissão colocou o projeto no processo de “desmame”.
A Comissão é presidida pelo diretor geral da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto e formada por quatro representantes do Governo do Estado, e outros quatro da classe artística. Um dos diretores do Cineclube Natal, Nelson Marques, é um deles. “Firmamos pacto para desligamento paulatino desses projetos (o Mada, por exemplo), com corte de 25% da verba a cada ano para democratizar os recursos e incentivar esses projetos a procura de outros incentivos (a exemplo do Festival DoSol, patrocinado via edital nacional). Já são 8 anos pela Lei Estadual”. Nelson Marques afirmou que a decisão do pacto foi aprovada por unanimidade após várias reuniões. “Hoje não se discute mais. É como se fosse cláusula desse comitê formado há dois anos”, enfatiza.
Entrevista – Crispiniano Neto
Quais os pontos mais urgentes de reforma da Lei Câmara Cascudo?
É limitar o valor de cada projeto e o tempo de financiamento. Alguns projetos são beneficiados há 7 ou 8 anos, sem limite de tempo ou teto. A comissão evita. Estabelecemos um pacto interno de desmame. A Lei Augusto dos Anjos, na Paraíba, patrocina 80 projetos com dois milhões de reais. Aqui, os quatro milhões servem a 20 projetos, quase sempre os mesmos. É uma distribuição pouco democratizada.
O Fundo Estadual de Cultura não resolveria o problema? Por que não foi criado?
Tínhamos o projeto. Houve uma revolta do movimento cultural contra. Depois descobrimos que partiu de pessoas já beneficiadas com a Lei. Na verdade, sentimos pouco interesse dos artistas com o Fundo. Mas é um grande caminho. A Lei, copiada da Bahia, tem visão muito “privatista”.
E quanto ao teto da renúncia e necessidade de captação?
Outro problema: o limite de 2% de ICMS é razoável; é grande. O problema é que quando limita em 2%. Se todas as empresas do Estado financiassem projetos culturais seria ótimo. Mas num universo de 8 a 10 mil empresas, apenas 20 ou 30 patrocinam. Uma empresa que lucra R$ 100 mil ao mês, paga R$ 17 mil de ICMS. Os 2% dessa quantia dá R$ 340. É quase nada. Então, esse limite poderia ser aumentado para 10% para que essas pequenas e médias empresas também possam financiar. Veja que 2% do ICMS da Petrobras, da Cosern é significativo. Mas 2% dessa média empresa, não. E fica nesse vício de projetos aprovados pelas mesmas empresas com condições de patrocinar e que poucos artistas têm acesso.
E por que não houve a reforma na Lei?
Começamos o processo de discussão. Faltou conclusão. Deixaremos bons elementos a quem vier. Assim... é ruim por culpa nos outros. Infelizmente não foi possível. Tentamos, criamos os prêmios com R$ 1 milhão em editais – que seria o embrião do Fundo – e até hoje sofremos para pagar esses prêmios. Mas já estou acostumado: a culpa sempre é do gestor.
Dados da Lei Câmara Cascudo (2007 a 2010)
ANO 2007
PROJETOS APROVADOS: 50
PROJETOS CAPTADOS: 34
VALOR CAPTADO (ICMS): R$ 3.998.264,84
ANO 2008
PROJETOS APROVADOS: 35
PROJETOS CAPTADOS: 19
VALOR CAPTADO (ICMS): R$ 2.331.567,32
ANO 2009
PROJETOS APROVADOS: 41
PROJETOS CAPTADOS: 26
VALOR CAPTADO (ICMS): R$ 2.878.824,40
ANO 2010
PROJETOS APROVADOS: 20
PROJETOS CAPTADOS: 33 (ANÁLISE DOS PROJETOS AINDA NAO CONCLUÍDA)
VALOR CAPTADOS (ICMS): R$ 1.857.127,91 (ATÉ HOJE)
Obs: O número de projetos captados em 2010 excede o número de aprovados em razão dos dois anos de prazo para captação. Nesses 33 projetos captados, portanto, estão inclusos projetos de 2008 e 2009.
Dados da FJA
* Publicado neste domingo no Diário de Natal (AQUI)
FIART no Centro de Convenções, Stand SPVARN
Coordenação da Presidente SPVARN, escritora poeta Adélia Costa, sentada ao
lado do escritor Alexsandro Al...
Há 5 dias
Kakakakakakakaka...Hihihihihihihi...Hahahahahaha...Hohohohohohoh... Abraço de Ticiano Borges.
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