terça-feira, 30 de novembro de 2010

Independência ou morte?

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Independente ou morte? A frase cai como luva e deságua nos cantos de todos os centros culturais que participam do E.E.I – Encontro dos Espaços Independes de Cultura que acontece a próxima quarta-feira (01) na Casa da Ribeira em Natal. Desde domingo, 25 espaços independentes de todas as regiões brasileiras – além do Crear Vale de La Pena da Argentina - fazem um intercâmbio e levantam sugestões sobre o cotidiano e o destino de suas atividades.

A ideia principal do Encontro é formar uma rede que possa discutir a existência dos espaços culturais em diferentes esferas, além de tentar compreender melhor as políticas públicas culturais. Para alavancar a discussão e começar a tecer a grande rede, foram lançados temas propostos pelos próprios participantes como “Espaço e Cooperação”, “Minha Sede, Minha Vida: Programa de Sedes Próprias”, “Espaço: Vocação, gestão e sustentabilidade”, “Espaço e Comunidade” e “Que espaço queremos?”. A partir desses temas, sugestões e inquietações surgiram como a profissionalização dos espaços, gestão, vocação, além da necessidade que os grupos sentem de uma melhor articulação política.

Para acompanhar o Encontro e baixar fotos, acesse: http://eeiencontro.wordpress.com/

Negociação nesta quarta-feira na DRT!

O dia mais importante para a campanha salarial dos jornalista é esta quarta-feira. O patronato adiou como pôde as negociações para enfraquecer o movimento. Mostrar abatimento na hora mais importante é atestar a derrota e continuar na mesma.

O mediador da DRT já avisou que rejeita qualquer outro adiamento. Ou seja: amanhã vai ter negociação, propostas, contrapropostas. E a partir do dito na mesa de negociação e da mobilização na rua e à noite, na Assembleia, decidiremos os rumos e o futuro desta campanha.

Se os patrões virem uma rua vazia e uma recepção costumeira, a exemplo dos anos anteriores, vão se sentir encorajados e manter a contraproposta de 3,5% de aumento. E qual a moral teremos para contrapor? Só com a participação da categoria conseguiremos essa força.

Então, galera, amanhã às 10h na DRT. Façam um esforcinho. Muita gente realmente não pode (eu mesmo faltei a última). Mas quem tiver o horário, a pauta flexível, compareça. É importante. De preto. E com o mesmo entusiasmo mostrado na audiência na CMN. Até lá!

Música clássica coreana


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Nesta quarta-feira mais uma atração internacional sobe ao palco da Escola de Música. É a pianista coreana Sin Ae Lee que vem a Natal realizar recital gratuito às 20h. No repertório, peças de Frédéric Chopin e Heitor Villa-Lobos. Sin Ae Lee iniciou seus estudos musicais aos 18 anos. Mudou-se para o Brasil, aonde veio aprofundar-se no piano e obteve seu diploma de bacharel no instrumento. Foi pianista preparadora e cravista convidada na ópera “La Serva Padrona” de Pergolesi, com o Núcleo de Ópera da FASM (atual Grupo Ópera de Risco). Apresentou-se como recitalista da série “Música no MASP”, Theatro São Pedro de Porto Alegre e “Música no MUBE” -Museu Brasileiro da Escultura, em São Paulo, série exclusivamente dedicada a recitais solo de piano. Atualmente Sin Ae Lee é pianista convidada do coro infanto-juvenil da OSESP, e realiza recitais em diversos teatros do país.

Recital da pianista Sin Ae Lee
Auditório Onofre Lopes – Escola de Música da UFRN
Quarta – feira, 01/12 às 20 horas
Entrada Franca.
informações 8805-6686

Notícias da Fenaj

Notícias publicadas hoje no site da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)

Jornalistas potiguares protestam contra baixos salários
Os jornalistas do Rio Grande do Norte realizaram nova manifestação nesta quinta-feira, em Natal, contra os baixos salários e por melhores condições de trabalho. Mas o diálogo com os patrões não avançou e nova rodada de negociação ficou definida para o dia 1º de dezembro. Acompanhe, ainda, informações sobre a campanha salarial da categoria em Sergipe e sobre a entrega do Prêmio Braskem de Jornalismo em Alagoas.

Legislativo do RN aprova contratação apenas para jornalistas diplomados
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte aprovou, no dia 23, projeto de lei que regulamenta a contratação de jornalistas no âmbito da administração estadual apenas para aquelas pessoas que comprovem a formação superior em Jornalismo. O projeto, de autoria do deputado Fernando Mineiro (PT), foi aprovado por unanimidade pelos 19 deputados presentes.

Inscrições prorrogadas do NPD

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O Núcleo de Produção Digital - NPD Natal prorrogou até hoje as inscrições para a Oficina de Preparação de ator para o audiovisual. Esta oficina irá abordar fundamentos específicos do ator na área do audiovisual, preparação do ator, compreensão do roteiro e dos enquadramentos da câmera, desenvolvimento de personagens do documental ao ficcional e a dramaturgia para a câmera.

O ministrante desta oficina é Makários Maia Barbosa. Aator, encenador, dramaturgo, cenógrafo, compositor e pesquisador das artes do espetáculo, Makários possui graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal da Paraíba (1988) e mestrado em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (2005). Atualmente é estudante de pós-graduação a nível de doutorado em convênio da Universidade Federal da Bahia com a Université Paris 10 - Nanterre (Cotutela) e professor assistente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Na Paraíba, Makários participou de diversas produções audiovisuais.

A ficha de inscrição desta oficina pode ser obtida através do site da Fundação José Augusto (www.fja.rn.gov.br), no e-mail npdnatal.rn@gmail.com. O processo seletivo será por análise do currículo e da carta de interesse e, como em todas as oficinas do NPD Natal, será feito pelos membros do Conselho Gestor que forma o NPD Natal: UFRN, UNP, UERN, IFRN, Secretaria Estadual de Educação, Fundação José Augusto, Cineclube Natal e ONG Zoon.

João Pedro Stédile em Natal

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O Programa de Educação Popular em Direitos Humanos "Lições de Cidadania" e o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, MST, em parceria com o Coletivo UFRN de apoio aos Movimentos Sociais e a Assembléia Popular, convidam toda a comunidade interessada a participar do evento "Se o Campo Não Planta, a Cidade Não Janta! Diálogos sobre Justiça Social, Saúde e Meio Ambiente". Para expor o tema, contamos com a especial presença de João Pedro Stédile, economista e membro da coordenação Nacional do MST, sendo um de seus fundadores. O evento acontecerá hoje, às 19h, no Centro de Convivência, na UFRN.

Palumbo 10

A edição de aniversário da Revista Palumbo vai hoje à gráfica. Fechamos na noite de ontem. Aliás, agradeço ao jornalismo potiguar meus três empregos. Com eles eu esqueci do Encontro de Espaços Independentes na Casa da Ribeira pela manhã e fiquei impossibilitado de participar do coquetel de lançamento do Goiamum Audiovisual ontem à noite. Sem contar os três livros pela metade. Nem a situação do meu estimado apErtamento, entre milhões de outras coisas. Tudo por falta de tempo.

A Palumbo 10 (e não a 11, como citei em outro e-mail) tem como destaque matéria de Albimar Furtado sobre o jornal A Ordem, referência no jornalismo independente de Natal na época. Um entrevistão de oito páginas com Luiz Antônio Porpino e histórias muitas de Aluízio Alves e os causos que ele presenciou em Natal e no mundo. Ainda um balanço sobre a Flipipa; e matéria com a última prostituta da Ribeira e a dona do velho Arpege - estas últimas duas, escritas por mim.

Na sessão "5 Histórias Desse Negócio De..." trouxemos o dramaturgo Racine Santos para contar causos de sua extensa carreira teatral. A professora e escritora Ângela Almeida colabora com um ensaio sobre a obra do artista plástico Leopoldo Nelson. A jornalista Gladis Vivane foi a escolhida da sessão "10 Perguntas a...". Alex de Souza escreveu sobre política cultural no Gente que Pensa. E ainda os colunistas Vicente Vitoriano (artes) e Sávio Hackradt (política).

No Menu de livros, destaque para o livro mais recente do advogado e jornalista Eider Furtado. E ainda os lançamentos de Moacy Cirne, Leide Câmara, do cordelista Izaías Gomes e um apanhado das cartas de Cascudo e Mário Andrade. Na sessão "O que eu estou lendo...", o jornalista Alex Medeiros aponta o seu livro de cabeceira do momento. Para fechar, a charge e os quadrinhos de Brito. A revista deve estar nas bancas até o fim da semana ao preço de R$ 8.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Impressões do show O Trem, de Khrystal

Por Yasmine Lemos e Ivan Junior
enviado por e-mail por Zé Dias

Embarcamos. Ficamos em lugares perto das janelas da imaginação.

A maquinista, uma nordestina de voz forte e personalidade a todo vapor.

Vestido de menina, colorido, rodado, que rodava com suas canções.

Cantava amores, dores de amores, alegria do sangue de rapadura, um mel que corre nas suas veias.

Com seu jeito, ela nos ensinava e cobrava de que lado estava nosso preconceito, lembrando que o trem não pode dividir a cidade.

Imaginei as paisagens e eram elas que ditavam na voz forte que vinha lá da frente, que nossa cidade tem estações em preto e branco, outras mais desbotadas e coloridas que nem o tempo acabará, ficarão nas canções. Outros sons da percussão ajudavam a colorir a velocidade e pela janela víamos tudo que ela cantava.

O trem é da estação, o trem é massa, e a bala é Khrystal.

Outras viagens virão.

Encontro de Espaços Independentes - 1º dia


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Encontro reúne 25 espaços culturais independentes da América Latina na Casa da Ribeira

Desenhos, desejos, instalações e olhos atentos para transformar. Isso não é poesia, e sim, um resumo da manhã do primeiro dia do Encontro de Espaços Independentes de Cultura em todo o Brasil e da América Latina. Com palavras e sonhos, a abertura do Encontro reuniu as expectativas dos 25 participantes através de diferentes maneiras de expressões transcritas em cartazes com giz de cera e esperança.

O encontro, inédito, que acontece até a próxima quarta-feira (01) na Casa da Ribeir,a é reflexo do amadurecimento dos gestores da Casa numa busca de construir e implementar uma rede social entre instituições de cultura com perfil independente. “Existem tantos trabalhos importantes e isolados no Brasil que o Encontro é uma forma de dialogar e buscar desembaçar a vista para repensar que independência é essa que temos.”, dispara Henrique Fontes, diretor da Casa da Ribeira.

No primeiro momento do encontro, cada representante apresentou sua realidade e o que espera dos próximos dias. Na visão de Francisco Paulo Pelúcio representante do Espaço Galpão Cine Horto – MG, o Encontro é fundamental para pensar a criação e o funcionamento dos espaços ditos independentes. “Ao mesmo tempo em que a gente pensa em criar independências, pode outros tipos de dependências e sair desse isolamento.

Às vezes tentamos criar a roda sozinho e o colega do lado já criou faz tempo”, disse.
Nas palavras do representante da Funarte, Jorge Césio, “é um marco na existência e na sobrevivência da cultura a abertura de um diálogo entre os espaços desta maneira. E isso muda a realidade, muda a nossa esperança”, ressaltou. Entre todas as palavras ditas nas expectativas, a palavra rede foi a mais forte. Como colocou a representando do Ministério da Cultura (NE) Tarsiana Portela, “de rede em rede a gente se balança”. Para deixar clara a importância de diálogos como este que o Encontro proporcionará. “Precisamos pensar juntos o que nós podemos fazer. Estamos vivos, quicando, atentos. O que não podemos ser é moeda de troca”.

Luiz Melo, ator e criador do espaço Campo das Artes – PR, sentiu a necessidade de criar um espaço dentro de sua cidade natal, Curitiba, na tentativa de recuperar e preencher o vazio que sentia com a falta de uma força cultural na cidade. “Falta público para todas as linguagens artísticas. Às vezes penso que as pessoas têm um pouco de preconceito de consumir a cultura local. Isso é uma preocupação geral. E estamos tentando mudar essa realidade. Por isso, estou encantado em ouvir todas as pessoas. Pois estamos num mesmo barco e é fundamental a criação desta rede e a troca de idéias para fortalecer nosso trabalho, nossos sonhos”, disse.

O encontro continua até a próxima quarta-feira (01), quando o resultado será a construção de um documento para ser distribuído em todas as esferas que têm relação direta com as ditas instituições que produzem arte independente.

- Foto: Jomar Dantas

Um livro no natal

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A campanha “Escritor potiguar: o presente de Natal” será lançada oficialmente nesta terça-feira (30). O Tribunal de Justiça é o mais novo apoiador da ação liderada pelo jornalista Públio José. A solenidade de lançamento acontece a partir das 8h30 no auditório do Tribunal de Justiça, na Praça Sete de Setembro, Cidade Alta. O presidente do TJ/RN, desembargador Rafael Godeiro, e o presidente da União Brasileira de Escritores (UBE/RN), outra incentivadora da campanha, Eduardo Gosson, estarão presentes. A ação também conta com o respaldo da Oficina da Notícia, Farn, Fal e ABC Futebol Clube.

Prestígio que vem de fora

No Diário de Natal
matéria de domingo

Se Natal não consagra nem desconsagra ninguém, segundo a máxima cascudiana, há quem olhe pelos nossos desvalidos talentos potiguares. E vem do estrangeiro, da "gringaiada" estereotipada pelos próprios natalenses, enquanto governantes eleitos com o voto popular renegam até promessas e compromissos. O documentarista e jornalista Paulo Laguardia sabe bem disso. Semana passada, o projeto de documentário Sebo Vermelho, o cantão de Abimael recebeu diploma e trofeu concedido pelo Instituto de Cinema de Cuba e premiação de US$ 800 pela Embaixada da Espanha. O projeto participou do 11º Festival Internacional de Documentários Santiago Alvarez in Memorian.

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Ator Leslie Nilsen morre aos 84 anos


Da Redação do Uol

Conhecido por seus papéis cômicos no cinema, o ator canadense Leslie Nielsen morreu aos 84 anos, na tarde deste domingo (28), nos Estados Unidos.

Segundo informações de seus familiares e de seu agente, John S. Kelly, o ator estava internado há cerca de 12 dias em um hospital de Fort Launderdale, na Flórida, com pneumonia. No momento de sua morte, estava acompanhado pela esposa, Barbaree Earl Nielsen, e por amigos.

Nascido em 11 de fevereiro de 1926 em Regina, no Canadá, Nielsen apareceu em centenas de filmes e programas de televisão ao longo da carreira.

Na década de 80, ficou conhecido por sua atuação no filme “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”, mais tarde eleito pelo American Film Institute como um dos dez filmes mais engraçados já produzidos. Na pele do tenente trapalhão Frank Debrin, protagonizou os diversos filmes da franquia "Corra que a Polícia Vem Aí".

Nos anos 2000, participou de comédias como "2001, Um Maluco Perdido no Espaço", "Todo Mundo em Pânico 3" e "Todo Mundo em Pânico 4". Neste último, o ator aparece como presidente dos Estados Unidos.

domingo, 28 de novembro de 2010

Marcelo Fernandes

Setas para o céu
Artista plástico, Marcelo Fernandes desenvolveu uma técnica original com o uso de giz de cera multicolorido

O irreconhecível ainda causa medo. As formas tradicionais são sempre mais confortáveis. Quebrar o paradigma e investir no imponderável parece arriscado. E o risco é para poucos aventureiros. Um deles permanece mergulhado no abstracionismo há mais de três décadas. Pinta o mundo dos seus sentimentos e intuições sem olhar para o realismo da superfície. Marcelo Fernandes é hoje dos mais conceituados artistas plásticos da cidade. E no pequeno-infinito espaço de seu atelier, colore a alma e as telas acumuladas sem compradores sem medo, disponíveis a enfrentarem a arte abstrata.

Marcelo Fernandes é dos poucos artistas detentores de uma técnica original de pintura. No Rio Grande do Norte merecem lembrança a arte cinética de Abraham Palatnik e o transfigurativismo de Zaíra Caldas. O estilo de Marcelo, nem ele mesmo denomina. Prefere a liberdade da arte abstrata aos limites delimitadores das conceituações. "Minha arte é livre, cara". Além dos gizes multicoloridos já patenteadoscomo criação própria e disseminados pela Europa, os bastões pintados em tela, como se fosse um jardim lúdico surreal, torna inconfundível a obra de Marcelo.

A técnica surgiu por acaso, quase numa brincadeira. Precisou de práticas até o domínio de forças, combinações e estilo. Marcelo explica o processo sem medo da cópia. A intenção é disseminar o conhecimento, a arte. té pede ao repórter uma busca na internet. Para quem também transforma objetos inanimados e lixos em arte, as telas dos computadores cada vez mais vivas assustam. "Não sei mexer. Gostaria de saber se há mais alguém pintando com a mesma técnica. Há alguns anos ensinei para uma turma pequena de alunos na Europa. É possível alguém ter dado continuidade".

De forma básica, a técnica se utiliza de uma superfície de papel, cartaz velho ou outro material branco. Nele, Marcelo preenche de giz. Três ou quatro cores diferentes divididas em espaços próprios. Às vezes, mais de um cartaz, para abrigar mais cores. Depois, o cartaz é posto renteà tela ainda branca. Marcelo, então, fricciona uma borracha na cera concentrada no cartaz e deixa vazar na tela, como um risco. E dessa maneira, o artista preenche de cores a base do quadro e os detalhes, os quais o decano das nossas artes plásticas Dorian Gray Caldas chamou de bastões ou "setas para o céu".

"O abstracionismo não enche barriga"
Alma irrequieta, cheio de tormentas e descontroles emocionais. Assim foi Marcelo Fernandes na juventude. Assim foram os grandes artistas plásticos do mundo. "Num movimento feito no ginásio do CIC, eu pintando lá meu quadro no chão, toda hora pisavam em cima. Fiquei indignado. Chamei os cinegrafistas das TVs que estavam lá e disse que faria uma performance. Peguei a lata de tinta e joguei em cima de mim". As peripécias dele e do colega Assis Marinho em Brasília, quando convidados pelo então diretor do Senado, Agaciel Maia, são próximas das farras regadas a mulheres, drogas e bebidas noticiadas pela imprensa nacional ao que chamaram de "tardes molhadas de Agaciel". E aos 53 anos, confessa: "Hoje tenho outra mente. Não tenho mais idade pra isso".

Marcelo nasceu no segundo dia de carnaval. "Nasci para transmitir alegria, pra somar, ser alguma coisa". Uma adolescência e primeira fase adulta nos campos de areia na Praia dos Artistas e até contrato para jogar em time de futebol. "Mas era preciso disciplina de desportista. Exército não é comigo. Eu tinha de ser artista, autônomo". Marcelo iniciou nas artes com montagem de cenografias, influenciado pelos amigos. "Jaime Lúcio fundou o grupo de teatro Nuvem Verde, o primeiro a encenar Brecht no Rio Grande do Norte. Viajamos pelo Estado, ganhamos prêmios. E comecei a estudar artes plásticas. A convivência em grupo é complicada. Eu queria desenvolver meu protesto sozinho".

Foi o próprio Jaime Lúcio quem convidou Marcelo à TV Univeristária, à época a única do Estado. "Fazia a cenografia dos programas. Fiquei lá 5 anos. Saí por causa de loucura. Fui expulso da TvU". Nesse período na TV, Marcelo conheceu Assis Marinho. Dividiram atelier por uns três anos. "Ele insistiu para que eu continuasse no figuratismo, no realismo. Mas meu negócio sempre foi o abstrato".

Desprestígio
Desempregado, Marcelo juntava o resto dos gizes de Assis no chão. E também por acaso, descobriu outra ferramente artística original e patenteada. "Deixei a cera ao sol e ela derreteu, formou uma massa pastosa. Juntei outras cores e comecei a elaborar o giz multicor. Com giz eu faço um arco-íris com apenas um movimento". A ideia foi patenteada por Marcelo em 1986. "O giz me deu segurança como artista plástico. Me fez ter a certeza que eu queria o abstrato. E já no ano seguinte venci o 1º Salão de Artes Visuais de Natal, a capa da Listel, e tive a opção de viajar a seis países da Europa no centro das artes. Não havia nada parecido".

Marcelo lamenta o pouco interesse pela arte abstrata. "Ninguém encomenda uma tela abstrata". E lamenta: "O abstracionismo não enche barriga, mas preenche minha alma. Mas nesses dias só alma vai caminhar, porque a carne está secando". O valor da arte dele vai além do preços de suas telas acumuladas no atelier localizado na rua Cussy de Almeida, Cidade Alta (327). "É dos nossos bons artistas", carimba Dorian Gray. E completa: "A arte de Marcelo Fernandes ainda será objeto de estudo comparativo e louvores".

Marcelo Fernandes
9942-1348
3222-7727

* Matéria publicada neste domingo no Diário de Natal

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Manifestação dos jornalistas do RN neste sábado

Os jornalistas do RN farão atos públicos às 10h deste sábado em três pontos da cidade. A intenção é levar ao conhecimento da sociedade a atual situação da categoria, detentora do pior piso salarial do país. Queremos mais dignidade em nossa profissão. E a sociedade deve apoiar a causa se deseja uma imprensa mais livre. Estamos em campanha e precisamos do apoio de todos.

Pontos de mobilização:

- Ayrton Senna com av. das Alagoas;
- Rotatória da Via Costeira, em Ponta Negra;
- Midway Mall.

Esso em São Paulo

O cantor/compositor Esso fecha neste sábado uma miniturnê pelo sudeste do Brasil. O potiguar já se apresentou num pocket-show na Livraria Cortez, em Perdizes, na capital de São Paulo. Depois percorreu um circuito de espaços que conta entre eles com a Livraria da Esquina e, amanhã, show no TU Mercado de Arte e Moda, prox a FNAC, em Pinheiros (às 21h).

Esso aproveita a ocasião para dar vazão a uma faceta do seu repertório ainda inédito, com composições mais recentes e que incorporam certos toques regionais aos temas das letras dessas canções, como é o caso de ‘Vício Antigo’ e ‘Waziu’. Há ainda ‘Lambança’, parceria com Pedro Osmar, e uma versão para Frevo Mulher – de Zé Ramalho, cada vez mais referendando a importância da influência da música paraibana dentro de sua criação. “Entre Chico, Caetano e Gil, sou mais Vandré.”

Os shows também marcam na região o lançamento do seu mais recente CD, Alma de Poeta, feito através do Projeto Pixinguinha, onde musicou vários nomes das letras potiguares. E serão feitos ao lado de outros bons músicos, incluindo a participação especial do seu irmão Lula Alencar (acordeon/piano/teclados).

www.sitiodoesso.com

Espaços culturais independentes

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A Casa da Ribeira convida os jornalistas para uma entrevista coletiva sobre I E.E.I. – Encontro de Espaços Culturais Independentes, nesta segunda-feira (29), a partir das 8h30, na sede da Casa da Ribeira – Rua Frei Miguelinho, 52. Junto com representantes de algumas das instituições que participam do evento, Henrique Fontes – um dos coordenadores – irá falar sobre a importância da realização do encontro para o incremento da produção cultural destes espaços.

O I E.E.I. terá a abertura oficial na noite do domingo (28), com um jantar para convidados na Sala Petrobras – Casa da Ribeira. A partir da segunda-feira (29) até a quarta-feira (01), a programação acontecerá sempre das 9h até as 18h, também na Casa.

O evento contará com a participação de 25 instituições de todo o país e da Argentina, como o Crear Vale la Pena - de Buenos Aires, que coordena 70 espaços culturais em 12 países latino americanos. Do Brasil virão nomes igualmente representativos, como o Galpão (Minas Gerais), Capacete (Rio de Janeiro) e Espaço Cubo (Goiás) - responsável pela administração de uma rede com 50 instituições no Brasil. De Natal participarão o Instituto Ludovicus, Centro Cultural DoSol e Projeto Conexão Felipe Camarão, além da Casa da Ribeira, que em convênio com a FUNARTE, criou o E.E.I.

Os Espaços Culturais independentes do Brasil são, reconhecidamente, uma minoria que, apesar de sua raridade, prestam um serviço relevante de acesso à educação e fomento às artes nas cidades onde atuam.

Quem financia o tráfego

Por Alex Medeiros
no twitter (alexmedeiros59)

Sabe aquele carinha fumando baseado e arranhando guitarra? Ele também patrocina o tráfico e estimula a bandidagem. Sabe aquela mocinha, que dá só um tapinha nas raves das coberturas? Ela é cúmplice das quadrilhas que assaltam o povo. Sabe aquele viadinho que cheira coca pra melhor produzir sua arte? É companheiro dos bandidos que roubam aposentados nas saidas de banco.

Lírica periferia, por João da Rua

Rocas redinha
itinerário de nonada
impossível pasárgada?
sacolejos bacolejos despejos
despojos

um rio
entrelugar de terceiras margens
mangue sufocado de tantos detritos
do tercer mundo global

cidade do sol cinzas a mil
de tantas quartas-feiras sem graça
gringolândia depredada por buggies
trogloditas em praias becos ruas
dunas sem nenhum barato

apenas o tráfico a favor da
grana graúda apenas o tráfego
incessante de gente peituda

o hiphop dos guarapes agregados
da mãe luíza
bob conselheiro corisco pop
de uma cultura em convulsão/

será que o expresso 2222 está na contramão
da rua de mão única
das galáxias periféricas?

becos ruas avenidas
encruzilhadas
rotas sem saída

é tão diversa a cor dos que habitam
a cidade violada
qual a saudade que soa
em parnamirim fields

soa um silêncio que não responde
à interpelação do olhar
translúcido à margem do bodum
dos vestigios dos tempos da cidade

(João Batista de Moraes Neto, no livro O Veneno do Silêncio)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sementes e Urubus: o ‘passado’ como espaço estético vivenciável

Por Clarissa Diniz
Revista Tatuí

Se o processo de espacialização do tempo é apontado como uma das características da pós-modernidade, decerto o lugar que o ‘passado’ atualmente ocupa no ‘presente’ é um de seus sintomas, como também o são as possibilidades existenciais instauradas pela alta tecnologia. Mesmo a construção da anterior frase deste texto, apoiada numa concepção de espacialização temporal, evidencia essa mudança – ‘atual lugar do passado no presente’.

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Da vanguarda produtiva

Posto abaixo o editorial que fiz para a última edição da Revista Palumbo, a de outubro. E já convido o leitor à compra da edição número 11. A estimativa é de que próxima semana ela esteja nas bancas. Depois coloco aqui as matérias de destaque da revista. Adianto apenas o balanço da Flipipa, matéria sobre o padre Ibiapina (que teria influenciado padre Cícero Romão), por Filipe Mamede, e o resgate da história do jornal A Ordem, em texto primoroso de Albimar Furtado. O resto é surpresa. E das boas!

Carta do Editor

A vanguarda produtiva difere do falso vanguardismo assimilado pela indústria cultural. A cultura de massa virou perfume de boutique e botecos. Já domina o plano social, político e até religioso – vide campanha eleitoral. Embora reconheça o aroma docemente dissimulado dessa indústria na arte e na comunicação, não é assunto de nosso interesse. Preferimos o “desvio de norma”, para lembrar a expressão de Viktor Chklósvski quando se referiu à verdadeira vanguarda – um movimento de intervenção, estruturado sob uma sociedade crítica.

A quebra de paradigmas em uma “terra em transe” cria novas estéticas, ou extra-estéticas. E nela cabem diferentes formas de criação legitimadas pelo idealismo, mesmo que burguês. A estética é refúgio de idealismo, já disse o ensaísta Moacy Cirne. Que seja. A poesia concreta e experimental comprova o contraditório e a vocação contracultural e vanguardista da estética. Esse desvirtuamento provocado pela estética da vanguarda recai no mundo artístico-intelectual ou se insere na vida e no corpo do indivíduo.

Esta edição da Palumbo está repleta dessas pessoas pouco afeitas ao racionalismo tecnicista e autoras de novas conceituações humanísticas. Gente que um dia caminhou neste encruzilhamento de códigos vanguardistas e modificou o seu tempo ou seu próprio ser. Tanto faz. A matriz construtiva dessa estrada difere de gênero, época e abrangência. Mas todos eles ultrapassaram formalismos, preceitos e promoveram os tais desvios. Se não ao cânone estético, mas à norma social.

Interessante a percepção de que uns construíram movimentos sociais, enquanto outros promoveram revoluções incríveis na alma. E ambos integram o vasto campo da vanguarda. Ou o que dizer de Nísia Floresta e seus tantos adjetivos classificatórios, cada qual arcabouços de lutas, coragens e idealismos antes adormecidos na cama macia da história – uma história, ressalte-se, contada por homens. Nísia abriu fendas na parede de chumbo machista e libertou índios do preconceito cego. Criou uma revolução possível às mulheres e alforrias aos negros.

Jussara Queiroz pertence ao mundo sempre imaginário da contracultura – um mundo próximo do idealismo anárquico de Hebert Marcuse, principiado na beleza e na liberdade. De alma inquieta, Jussara fez do cinema a sua poesia. Foi silenciada pelos voos inesperados do mundo-realidade: um mundo sem sonhos e ilusões, nunca pensado pelo professor hedonista Timothy Leary. Mas os olhos da cineasta ainda miram o mar e colorem as águas de cores psicodélicas quando quer, quando tenta fazer da vida uma imitação da arte libertária.

Da liberdade também buscou o jornalista Jomar Morais. E mergulhou nas funduras abissais da alma para encontrar um remédio caro e sem referência genérica: a paz interior. Entre estantes de livros e uma vila pesqueira perdida nas entrelinhas do tempo, o pesquisador Francisco Fernandes Marinho guarda a história na esperança de abrir milhares de mundos aos aventureiros literários. Longe do mar, a socióloga Tereza Aranha transporta a seca das lembranças infantis às desilusões políticas. E cada um deles faz do seu universo particular um mundo de galáxias. Assim também é a Palumbo: dos muros baixos da província ao pedestal da vanguarda produtiva.

Campanha salarial dos jornalistas invade a Frasqueira


* Foto: Wellington Rocha

Fuga do Rio de Janeiro

Por Gabriel Tavares
em Groovy Nosferatu

Eu me pergunto se uma versão brasileira desse filme não iria engatar. Vejamos: O Rio vira uma prisão a céu aberto depois que os traficantes e milicianos alastram sua área de influência até a zona sul. Policias sendo fuzilados em praça pública, trocas de tiro constantes, batalhões de vinte ou trinta, todos fortemente armados, depredando as lojas e incendiando os carros. Tocado o terror, o Rio agora é deles. Evacuação de cidade? Essa é ótima. Suburbano e favelado tem mais é que se fuder, quem tiver dinheiro escapa sem problema, então tá resolvido. Feito isso, a PM começa a implantar UPPs não mais na porta dos morros, mas sim ao redor da cidade: Via Dutra, Região dos Lagos, Niterói, tudo sob ocupação constante da PM com um auxiliozinho básico do exército brasileiro. Volta e meia rola uma troca de tiros, mas o Brasil vai levando.

Eis que em sua viagem para São Paulo para assistir o jogo do Corinthians, o presidente sofre um atentado de radicais de direita e seu avião cai em plena zona sul do Rio. A PM então descobre que ele foi resgatado/sequestrado pelos criminosos e agora é mantido refém pelo maquiavélico "Rei do Rio". E agora? Como resgatar o presidente a tempo dele ver a final do Timão? Só resta à urubuzada recorrer à ajuda improvável e politicamente incorreta de Snake Nascimento, um ex-oficial do BOPE de uma longa linhagem de picas-grossas da fodeção do crime organizado, condenado injustamente (ou nem tanto) e agora escalado como a única esperança da mãe pátria que o abandonou.

Até que renderia uma boa neo-chanchada trash, com uns tiroteiozinhos maneiros aqui e ali e um argumento social enfiado ali no meio de um forma meio sutil. Bota o Seu Jorge pra fazer o "Rei" e o elenco já tá de bom cabimento. Infelizmente, se esse filme fosse feito hoje ele serviria mais para entreter do que alertar quanto às consequências do que o Rio faz com ele mesmo, o que já é mais ou menos o caso de toda obra de cunho social que sai no Brasil hoje em dia. O mais triste, fora o fato de na vida real a merda continuar indo de encontro às hélices, é que esse filme nunca vai ser feito. A gente vai ter que se contentar com o que passa na Globo ou nos filmes do Padilha, e volta e meia abrir os olhos para o que de fato acontece, mas só para variar um pouco.

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Manoca & Primata

Hitler e Lampião, ou a estética da violência

Por Lívio Oliveira
em O Teorema da Feira

Pergunto: a estética do cangaço defendida por alguns não estaria também na base de uma certa tolerância histórica em torno do cangaço e de seu líder narcisista Lampião?

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1º Festival Gastronômico da Albacora começa hoje

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Vinte e um pratos serão servidos ao público tendo como ingrediente principal a Albacora, no festival que acontece entre 25 e 28 de novembro. E mais shows, degustações, oficinas técnicas e para o público, cinema na praça e muito mais

Bela e entrecortada por uma exuberante natureza ainda inexplorada, Baía Formosa é um refúgio quase intocado pela badalação turística no litoral sul potiguar. Talvez por isso ainda conserve tão bravamente suas belezas naturais, sendo o caminho preferido para ecoturistas e desportistas de várias partes do mundo. Mas agora, Baía Formosa também poderá ser o destino dos gourmets. É que a albacora, peixe nativo daquelas águas, será o prato principal a partir desta quinta até 28 de novembro (domingo), na primeira edição do Festival Gastronômico da Albacora, promovido pela prefeitura de Baía Formosa com produção da Lógica Eventos Culturais. Será uma oportunidade única de saboreá-la como se deve e ao mesmo tempo conhecer o destino praiano, cheio de gratas surpresas também na gastronomia nativa.

Baía Formosa fica só a 90 km de Natal, na estrada para Canguaretama via BR 101. O Festival será montado numa área central, próximo à entrada da cidade e batizada de “Baía da Gastronomia”.

O formato será semelhante aos produzidos pela equipe do Roteiro dos Festival Gastronômicos, tendo a direção de Walde Faraj e produção de Ana Lira, em parceria com a Secretaria de Turismo de Formosa e coordenação gastronômica da chef e diretora-adjunta do curso superior de gastronomia da UnP, Cacau Wanderley. Degustações, oficinas e um extenso cardápio de 21 restaurantes e bares, tanto no local como em seus pontos de origem, formam o menu do evento.

E há mais. No sábado, a partir das 18h, a Baía da Gastronomia abre espaço para a sétima arte, com a primeira mostra de cinema do local. Organizada pela empresária de origem polonesa, Maria Kordecka, a mostra será a cereja do bolo ao trazer para o Rio Grande do Norte a pré estreia nacional de “Carmo”, filme do diretor brasileiro Murilo Pasta. Bastante badalado Brasil à fora, o road movie que mistura ação e humor foi responsável por levar o Brasil a concorrer na mostra principal do Sundance Festival. “Carmo” é uma co-produção entre Brasil, Espanha e Polônia, e sua exibição aqui contará com a presença do produtor Greg Hajdarowicz. Segundo Maria, o produtor visitará pela manhã o curso de cinema da Universidade Potiguar – UnP e à noite estará em Baía Formosa. Na mesma noite será exibido também “O anjo da Cracóvia”, uma produção polonesa.

Na parte musical, shows da Banda Café, Macaxeira Jazz, Rodolfo Amaral, e bandas de chorinho. O festival gastronômico abre na quinta; oficinas, degustações e cinema ocorrem entre sexta e sábado. E no domingo é a regata.

A ALBACORA NA MESA
Albacora é um peixe similar ao atum, pescado especialmente nesta parte da costa potiguar. Os 21 pratos preparados para o festival terão o peixe como ingrediente e custarão R$15 (refeição), R$8 (tira-gostos) e R$ 5,00 (lanches e degustação-show).

Não haverá concurso gastronômico. Em compensação, haverá muito mais a degustar e aprender. Serão servidos pratos como o albacora com crosta de gergelim, do restaurante Chalemar, o talharim com albacora ao vinho branco do Casa Velha, o Luna Bistrô com a Albacora do Luna e a famosa Albacora no Bafo do Castelo Baía. Também participam Bar da Vandete, Gaivota Bar, Bar da Cocota, bolinho surpresa de Zé Pretinho, Cheese Burguer de albacora da Mel (MelBurguers). Participam ainda restaurantes do Porto do Sol, Marisol. De Natal, ainda vão Dona Adalva do Paçoca do Pilão, Ombak (da vizinha Sagi) e Salsa.

As oficinas serão divididas entre as técnicas, restritas aos restaurantes da área, e as abertas ao público, que irão de pães, hambúrgueres e drinks, até brincadeiras para crianças. Entre os chefs participantes, estarão a coordenadora Cacau Wanderley, François Schmitt, Tadeu Lubambo, Sônia Benevides, Thiago Gomes, Cacau Wanderley, e Gabriel Camilo. Na degustação show, cozinha japonesa e sushi bar.

A secretária de turismo do município, Norma Lúcia Maia de Miranda, está integrada à produção do evento. Ela destaca os eventos voltados para para quem já atua em restaurantes, bares, barracas e outros estabelecimentos, como as oficinas técnicas e as consultorias que estão ocorrendo há mais de um mês. Também dentro da programação ela cita apresentações de capoeira, coco de roda, malabares, perna de pau com artistas locais. O prefeito Nivaldo Melo reforça a importância de eventos que tenham como objetivo a integração da população, com lazer, cultura e formação, sendo elas a meta de sua administração.

Atrações Culturais

5ª feira
Oficina com o grupo “tropa-trupe”e recreativa para crianças.
Oficinas de doces com a chefe Cacau Wanderley

6ª feira
Abertura com o Prefeito
Oficina com o grupo “tropa-trupe”
Atração local
Das 20:00 às 22:00h “Banda Café”
Das 22:00 às 24:00h “Regional de Choro”

Sábado
Oficina com o grupo “tropa-trupe”
Lançamento da Mostra de Cinema
Filme: Das 18:30 às 20:00h - “O Anjo Apaixonado”
Das 20:00 às 21:30h - “Carmo”

Atração Local
Das 22:00 às 24:00h “Macaxeira Jazz”
Às 24:00h “Rodolfo Amaral Samba e Chorinho”

Festival Gastronômico da Albacora
DE 25 A 28, em Baía Formosa, litoral
Sul do RN, a 90 km de Natal.
Conheça mais sobre formosa no
www.baiaformosa.com.br
A entrada é franca

1ª Semana de Letras da UFRN

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O Centro Acadêmico de Letras – poeta Jorge Fernandes (CALET-UFRN) dá continuidade nesta quinta e sexta-feira, no Campus Universitário, à 1ª Semana de Letras da UFRN. O evento é organizado pelos alunos e para os alunos e traz como tema Letras e transculturalidades, um mosaico de linguagens.

Da mesa-redonda Jackson e Cascudo: diálogos entre culturas, às 13h do dia 26/11, participarão o biógrafo de Jackson do Pandeiro, Fernando Moura, e Ana Maria Cascudo, filha de Câmara Cascudo. Logo em seguida, a comunidade terá a oportunidade de participar de um bate-papo com a professora Ingedore Koch (UNICAMP), e, encerrando as atividades acadêmicas, o evento contará com mais uma edição do projeto Con-Versa Com Prosa, que trará a professora Valdenides Cabral (CERES-UFRN) para proferir a conferência Poesia Menor.

Serão realizadas muitas outras atividades, como minicursos, oficinas e grupos de trabalho. Encerrando as atividades da I SeLet, às 19h do dia 26/11, será realizada a Festa do ex-aluno, momento festivo dedicado a alunos e ex-alunos do curso, bem como todos os participantes do evento. A 1ª Semana de Letras é uma realização do CALET-UFRN, com o apoio das seguintes unidades: Executiva Potiguar dos Estudantes de Letras, Coordenação do Curso de Letras, Departamento de Letras, Departamento de Línguas e Literaturas Estrangeiras Modernas, Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem, Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PROAE) e UFRN.

Para maiores informações, acesse www.cajfernandes.blogspot.com. Contato: seletufrn@gmail.com

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Goiamum Audiovisual divulga programação

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Começa na próxima segunda-feira (29) e segue até 4 de dezembro, na Pinacoteca do Estado, a quarta edição do Festival Goiamum Audiovisual. A programação completa - com todas as mostras de filmes (oito, no total), oficinas, palestras, encontros e o seminário Memória e Preservação - tema do evento este ano, vai estar disponível a partir desta quinta-feira (25) no site www.goiamumaudiovisual.org.br

COMPETITIVA
Um dos destaques da programação é a primeira edição da mostra competitiva de curtas nacionais (Curta Goiamum), que já começou com 154 filmes inscritos, de 17 estados. Os três melhores receberão premiação em dinheiro. E o grande vencedor, além disso, estará automaticamente inscrito, já com garantia de seleção, para concorrer no 5º Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual, que ocorrerá em janeiro de 2011.

A comissão julgadora é composta, entre outros nomes, por William Hinestrosa, coordenador dos programas brasileiros do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, Hermano Figueiredo, cineasta e cineclubista membro do conselho consultivo do CANNE e coordenador executivo da unidade técnica de gestão do programa Olhar Brasil, e João Batista Pimentel, cineclubista membro do Conselho Nacional de Cineclubes e organizador do Festival Internacional de Atibaia.

DESENTOCA
O Festival Goiamum Audiovisual nasceu, principalmente, da necessidade de fortalecer e dar visibilidade a produção audiovisual potiguar. Com essa ideia, desde a primeira edição o evento abriga a Mostra Desentoca, ação itinerante que possibilita a exibição de produções de curtas-metragens potiguares em praças, escolas, ruas e outros locais públicos de Natal.

O Goiamum Audiovisual tornou-se também um importante polo aglutinador de realizadores independentes de cinema no Nordeste. E tem despertado cada vez mais o interesse de pessoas envolvidas com o audiovisual em outras regiões do Brasil. Silvio Da-Rim (na época, secretário nacional do Audiovisual do Ministério da Cultura) e os cineastas Beto Brant e Pedro Rocha estão entre os nomes que o festival já trouxe a Natal.

4º FESTIVAL GOIAMUM AUDIOVISUAL
Período: 29 de novembro a 4 de dezembro
Local: Pinacoteca do Estado (Praça 7 de Setembro, Cidade Alta)
Informações: Keila Sena, produtora - (84) 9963 2910 | Itaércio Porpino (84 8741 6588) e Anne Caroline (84 8872 8372) - assessoria de imprensa
Tel. 3211 2921 | site: www.goiamumaudiovisual.org.br

Prêmio Hangar - números da premiação

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Do talento do pequeno flautista João Vitor a homenagem ao veterano e lendário Raul do Alcatéia Maldita, o Prêmio Hangar de Música premiou ontem os destaques da música de 2010. Foram 05 premiações especiais e 10 vencedores das categorias competitivas. Do rap ao Instrumental a noite teve como grande vencedora cantora Váleria Oliveira que saiu com os prêmios de Artista do Ano, melhor show e melhor Vídeo Clipe.

O salão Nobre do Teatro Alberto Maranhão ficou lotado pra a cerimônia de Premiação da 9ª edição do Prêmio Hangar de Música.

Ao som de Orswin pianista alemão e do saxofonista Isaque Gurgel a apresentadora Margot Ferreira abriu a noite. O primeiro prêmio entregue foi para o homenageado da noite: Raul e Alcatéia Maldita.A cantora Tânia Soares interpretou Meio de Campo, composição de Gilberto Gil e sucesso na voz de Elis Regina, simbolizando o tema do Prêmio Hangar 2010 Música Esporte Clube. Em seguida foram feitas as premiações especiais e a divulgação e premiação aos vencedores das categorias competitivas.

O Júri Oficial foi formado por 12 convidados entre músicos, produtores culturais e jornalistas.

Não houve empate em nenhuma categoria, mas algumas delas foram decididas por um voto de diferença.

Antônio de Pádua recebeu 10 dos 12 votos na categoria de melhor instrumentista, consolidando com um dos mais importantes do Estado.

A melhor Música "Eu, Eles e Minha Casa" da banda Lunares recebeu 60% dos votos. Mesmo percentual teve o CD MaloKeiro Hight society da banda Du Souto.

Simona Talma foi escolhida pela metade do Júri faturando assim o Prêmio de Melhor intérprete do ano.

Na disputa de Revelação do Ano "MC Priguissa" se deu bem e ficou com a maioria dos votos do Jurados.

As categorias mais apertadas foram as de melhor Banda, Melhor Produtor e Melhor compositor todas foram decididas por um voto de diferença.

Valéria Oliveira ser firma com os prêmios de Melhor Show e de Artista do Ano. A qualidade do seu show com inovação, direção artistica e recursos multimidia que a artista vem apresentando desde 2009 conquistaram a maioria do Juri o que também lhe deu o principal prêmio da Noite o de Artista do Ano.

Nas premiações especiais o projeto Ilha da Música recebeu o prêmio de Ação Social. O pequeno João Vitor, flautista e filho do instrumentita Antônio de Pádua , recebeu o Prêmio Hangar de Talento Infantil. Váleria Oliveira recebeu o Prêmio Hangar especialde Video Clipe com À Segunda Vista, que teve direção de Wilberto Amaral. O Projeto Enconat- encontro de corais da Cidade do Natal foi premiado na categoria Hangar especial de Música Coral. O Grupo de Rap Manifestarte $.A recebeu a premiação de melhor grupo de Hip Hop.

Após a cerimônia de Premiação aconteceu a festa no Cultura Clube por lá apresentaram ao bandas Pedubreu,Lunares,Mokasim,Manifestarte S.A, Snoop Soul, Conexão Mil Graus, O cantor Ivando Monte e o Foxxy Ladies com as cantoras Simona Talma, Clara Pinheiro e Michelle Régis. A supresa da festa ficou com a participação banda de Reggae Jah Live de Brasília-DF que deu uma canja na festa, asapresentações foram intecaladas com discotecagem dos Djs Samir, Zé Pequeno e Pingorá.

O que danado é mascafon?

Por Carito
no Blog do Carito

o que é mascafon? eu não sei. vai ver que eu sou fã. vai ver que eu escrevi errado. vai ver que eu inventei. vai ver que eu sou cascudo, que dizem que inventava. vai ver que é porque ventava. e o vento da pipa me deixou assim. vai ver que é uma criação lexical acronímica. vai ver que eu sou mímica, vai ver que eu sou mia, vai ver que eu sou noll, vai ver que eu sou ensandecido, vai ver que eu sou plínio, grandes inventores voadores e suas palavras maravilhosas. vai ver que eu sou eu mesmo, a esmo, sem dicionário. vai ver que é do meu imaginário. vai ver que não vai ver, porque não tem mais como. vai ver que é de comer. vai ver que é um lagarto, vai ver que eu estou farto, farto da estética do artista não ganhar dinheiro. eu gostei da flipipa. espero que não seja a última flor do dácio. eu gostei da flipipa. vai ver que é porque fui convidado, vai ver que é porque fui comprado, vendido, e não fui vendado.

a flipaut tem um lindo nome, e tem civone, ciclone, que eu adoro. fábio farias me chamou para assistir a um bate-papo sobre as redes sociais na flipaut e eu não pude ir e depois ele me disse que o bate-papo não aconteceu. nem por isso vou sair cuspindo no papo que não comi. já que no único dia que deu para eu ir a flipaut quando eu cheguei na book shop a performance tinha terminado. nem por isso foi uma desgraça. mas perdi a performance de jota, que não é medeiros, mas é mombaça.

agora eu falo, nada com nada, mas na hora da mesa de noll foi nada com tudo, gostei tanto de noll que fiquei mudo. toda mudez será castigada?

viva a flipaut, viva a flipipa, alô alô realengo aquele abraço, o nordeste já meu deu poema processo e cangaço!

Do blogueiro: Não postaria mais nada a respeito da Flipipa para não cansar o leitor, mas Carito provoca como ninguém. Impossível deixar despercebido o texto.

Premiados do Prêmio Hangar 2010

De cá parabenizo a organização do Prêmio Hangar - uma grande festa da música potiguar - e agradeço o convite do produtor Marcelo Veni a participar do júri oficial. Foram 15 vencedores, anunciados no Teatro Alberto Maranhão e festa de comemoração no novo espaço cultural da Ribeira: o Cultura Clube, por trás do Teatro.

Curiosamente à exceção da categoria de Melhor Show (votei em Khrystal, por um show que vi no TAM) e melhor letrista (fiquei entre Gadelha e Ivando Monte) todos os outros premiados receberam meu voto. Vale salientar que os 12 jurados - entre produtores, músicos e jornalistas - votaram em separado. Eu, pelo menos, recebi a lista de votação e reenviei com as respostas por e-mail, na madrugada de terça para quarta.

A lista com os cinco indicados em cada categoria foi publicada aqui na última quinta-feira. Segue a lista dos vencedores:

Melhor instrumentista
- Antônio de Pádua

Revelação musical
- MC Priguissa

Melhor show
- Valéria Oliveira (No Ar)

Melhor letrista
- Luiz Gadelha

Melhor CD
- Malokeiro High Society (DuSouto)

Melhor produtor
- Anderson Foca

Melhor música
- Eu, Eles e Minha Casa (Banda Lunares)

Melhor intérprete
- Simona Talma

Melhor banda
- DuSouto

Artista do ano
- Valéria Oliveira

Clássico e gratuito

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O grupo “Os Bachianos”, formado por alunos do curso Técnico e Bacharelado da Escola de Música da UFRN, realiza sua primeira apresentação hoje às 17 horas na Igreja do Galo.

Os Bachianos é fruto da disciplina Música de Câmara da EMUFRN e tem coordenação dos professores Amandy Bandeira e Camila Meyreles.

Em sua estreia, leva ao público a suíte n. 2 de Johann Sebastian Bach, executada pelos músicos Edyelwys Renné, Flauta Transversal; Diego Araújo,Violino 1; Kelly Cristina, Violino 2; Pedro Zarquel, Viola; Diego Paixão, Cello; Rodolfo Lima, Baixo; Matheus Rocha, Clavinova.

De ultra-modernos e ultra-pensados da Flipipa

Por Carito
em comentário neste blog

que tal a temática da originalidade?

e ela esteve presente nos estudos originais de frederico pernambuco de mello em outra abordagem sobre o cangaço – a estética.

e na linguagem além dos personagens da fricção de joão gilberto noll.

noll que é pós-moderno é cangaceiro urbanóide, corisco correndo o risco, caiu um cisco no olho do furacão! quem foi que não viu não?

leminski disse:

o novo
não me choca mais
nada de novo
sob o sol
apenas o mesmo
ovo de sempre
choca o mesmo novo.

também concordo com fábio quando ele chama atenção para a pouca presença dos jovens escritores do estado na programação. jota mombaça, tiago mesquita, renata mar e ada lima são apenas alguns dos muitos nomes que podem enriquecer ainda mais as próximas feiras e encontros literários do estado.

ou será que já estou ultra-pensado?

Cinco Vezes Favela no Cine Assembleia

terça-feira, 23 de novembro de 2010

De Marcos Silva, sobre a Flipipa

E a despeito do que acabei de comentar abaixo da Flipipa, visito o Substantivo Plural de Tácito e leio esse comentário do historiador e intelectual Marcos Silva. Vai ao encontro do que tentei sugerir:

"Acompanho o festival através do SP. Parece-me legal, com altos e baixos – como todo evento dessa natureza. É bom acontecer, festeja a Literatura. É bom não ser visto como acontecimento messiânico (salvação da pátria literária), melhor situá-lo junto com outras instâncias – blogs, universidades, a produção cotidiana de escritores, a rara imprensa que vale a pena – e manter um espírito crítico que não se confunde com a necessidade de falar mal. Alguns nomes e gêneros não me atraem mas todos são, com certeza, parte do meio. Outros são mesmo muito importantes e é melhor ainda quando essa importância não foi tornada óbvia ou muito duvidosa pelas celebrações do mercado – mídia e editoras dominantes.

Por uma questão de gosto pessoal, prefiro que o tom de colunismo social (cardápios, vestimentas etc) seja evitado – ele tem espaço próprio e até excessivo, considero melhor que seja reconduzido ao espaço privado.

Gostaria que todo dia fosse dia de Literatura (Cinema, Música etc.). Mas é bom que ao menos um fim de semana a comemore".

Ainda a Flipipa


As opiniões a respeito da Flipipa ainda pipocam. Isso é bom. Hoje mesmo li pelo twitter que os livros mais recentes de Laurentino Gomes e Mia Couto - participantes do evento - estão entre os mais vendidos da Siciliano.

Vou colocar mais uma ingrediente no molho a partir da ótica de Fabio Farias e Fernando Monteiro, com os quais concordo em parte. E a principal concordância é quanto à temática, e não ao formato.

Algumas palestras, de fato, soam ultrapassadas. Discutir estética do cangaço quando o mundo passa por tantas transformações confusas e que merecem discussão a partir de obras literárias correlatas, talvez seja realmente ultrapassado.

A fortuna crítica de Cascudo merece matérias de jornal e denúncias na mídia ante o "crime editorial" promovido pela Global com uma das suas principais obras. Não sei se merecia um debate literário a respeito. Houve repetição do já publicado.

Não sei se porque já entrevistei e assisti outras duas palestras de Marçal Aquino, mas ele trouxe as mesmas cantilenas à Flipipa. Ficou repetitivo pra mim. Mas talvez tenha sido proveitoso à maioria.

Tarcísio Gurgel trouxe uma palestra gostosíssima de se ouvir. É sempre bom mergulhar na aura da Belle Époque e aprender mais sobre aqueles tempos. Mas ao final, vem aquela pergunta. "E aí?. E o novo? Continuo sem entender meu tempo!".

Claro, "aprender o passado para entender o futuro". Essa frase feita, pra mim, também é ultrapassada. "O tempo urge" (outra frase feita). Caminhamos na velocidade dos bytes. E muitos sedentários não conseguem acompanhar os novos tempos. Precisamos debater isso.

O formato da Flipipa é demasiado charmoso. A organização é quase perfeita. O clima em volta é aconchegante e propício às discussões literárias informais. Enfim, é gostoso o ambiente criado e aposto que transmite algo à população nativa.

Sem falar nos eventos complementares: oficinas, Pipinha Literária, artesanato e agora a Flipout - surgida em decorrência da Flipipa, é bom lembrar, e com apoio de Dácio, que lá esteve para prestigiar.

A questão única e fácil de resolver, penso, é repensar temáticas; tornar o evento mais contemporâneo e proveitoso. E isso Dácio sabe fazer muito bem. Basta lembrar o conteúdo da Revista Brouhaha.

Sem esquecer dos bons debates de ideias já nesta edição - melhor que a primeira: J.G Noll; João Ubaldo e Geraldo Carneiro; Laurentino Gomes; Mia Couto... Foram palestras disputadas e elogiadas!

E que dizer de Daniel Galera e Rafa Coutinho discutindo quadrinhos e novos formatos literários? - mais contemporâneo, impossível! Ou uma mesa para discutir novas mídias sociais e jornalismo cultural? Ou mesmo Marçal e as formas de elaboração de roteiro e literatura?

Então, são apenas detalhes que prejudicam sim o Festival, mas não retratam o todo. Há outros temas bons para compreendermos esses tempos malucos, ditos pós-modernos. E nada melhor que discutir isso no relax e na brisa da Praia de Pipa.

João da Rua lança livro nesta quarta-feira

Soube só agora pelo twitter do lançamento do livro de poemas de João da Rua. Será amanhã, no IFRN da Cidade Alta (antigo prédio da TVU). Foi editado pelo Sebo Vermelho e se chama O Veneno do Silêncio. A partir das 16h. É só chegar e comprar mais um livro nesse concorrido mercado de lançamentos literários da província. Haja dinheiro e leitor. O de João, aposto, vale à pena, principalmente se a alma for pequena.

O que é um livro eletrônico?

Por Felipe Lindoso
no Portal Cronópios

De repente, livro eletrônico virou moda. O que antes se falava como possibilidade – muitas vezes vinculada à eterna discussão sobre se o livro impresso acabaria ou não – passou para as páginas de atualidade e cultura depois do lançamento do leitor Kindle, pela Amazon, e teve um aumento exponencial de discussão com o lançamento do IPad, da Apple. Muita tinta se gastou sobre o assunto – e muitos bytes também – e muitas vezes de forma confusa. Para benefício de todos, tentemos fazer uma revisão geral do assunto e examinar as perspectivas, a partir da história da indústria editorial brasileira e de seus condicionantes.

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Crepúsculo estruturalista nos trópicos

Por Otávio Frias Filho
na Revista Piauí

Um abismo parece se abrir entre o século XX e nós. A sensação de distância psicológica em relação a uma época ainda tão recente, tema predileto do historiador britânico Tony Judt, talvez tenha se acentuado por causa do advento digital: os anos 80 foram a última década analógica da História. Também foram o decênio que encerrou o brutal ciclo de violência organizada a partir de credos ideológicos que se proclamavam “científicos”, deflagrado no começo do século pelo comunismo e pelo fascismo, origem da carnificina de proporções inéditas que o marcou.

(...)

Ciosos de suas originalidades, Roland Barthes (semiologia, o estudo dos sistemas simbólicos), Jacques Lacan (psicanálise) e Claude Lévi-Strauss (antropologia) foram reticentes quanto ao rótulo de estruturalistas que lhes era atribuído – e Michel Foucault (história social) dificilmente se encaixaria nele. Mas abordaram seus respectivos objetos de estudo como linguagens inconscientes desenvolvidas em função de parâmetros abstratos e invariáveis, inerentes ao espírito humano, que cabia investigar. Não era outro o postulado que os primeiros estruturalistas, os russos Roman Jakobson e Nikolai Trubetzkoy, haviam tomado de empréstimo à linguística para experimentá-lo na teoria literária e na crítica de arte.

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Forró e ópera

Por Jairo Lima
no Papo Furado

Para minha vizinha, tudo o que não é forro é ópera; para mim, tudo o que não é ópera é forró. A ignorância é democrática e generalista.

A vida pobre de um estudante de jornalismo

Por Duda Rangel
em Desilusões Perdidas

A geladeira coletiva da república. O iogurte com nome do dono dentro da geladeira coletiva da república. Os porres de Balalaika de doer a cabeça por uma semana. A cerveja nunca acompanhada por petiscos no bar. Aqueles espetáculos teatrais chatíssimos, mas gratuitos. Filme brasileiro a dois reais na segunda-feira. O Catraca Livre na lista dos favoritos. A privação dos megashows internacionais. As longas horas de leitura nos pufes da livraria bacana. A saída estratégica da livraria bacana sem comprar um único livro. Motel que cobra por hora, que tem TV de tubo de 14 polegadas no teto. A venda de tudo que é bugiganga no Mercado Livre pra levantar uma grana. A venda do vale-transporte do estágio pra levantar uma grana. As aulinhas particulares de Português pra aluno do ensino médio. A venda de pão de mel, de rifa com nome de mulher, Iranilde, Zuleica, Veridiana, nos corredores da faculdade. As moedas catadas pelos bolsos para o hot-dog na barraca da esquina. A fila imensa do restaurante popular. O incentivo à pirataria. A calça jeans que resiste bravamente ao tempo. O trem lotado. O ônibus lotado. A carona filada no carro do amigo do amigo. O maço de cigarro socializado. A vontade de assassinar o desconhecido mala que ajuda a pagar o quarto da pensão. A saudade filho-da-puta da família que mora longe, mas, paciência, a passagem do busão tá sempre muito cara.

O estudante de jornalismo suporta todos estes perrengues, com a certeza de que a miséria tem dia certo pra acabar. É só uma questão de se formar e conseguir um bom emprego. Tolinho.

Flipipa em noites de plenilúnio

Por João da Mata
no Substantivo Plural

A II Festa Literária de Pipa FLIPIPA foi um sucesso de público, participação da comunidade e eventos paralelos, com destaque para a Flipinha e Flipout. A praia bela por natureza ficou mais bela ainda com as cores e nomes da grande literatura. Muitos escritores, poetas, professores, jornalistas e amantes da literatura compartilharam a alegria e magia do fazer literário.

AQUI

Fliporto, Flipipa etc

Por Fernando Monteiro
no Substantivo Plural

Bem, estamos em 2010, quase 2011, e, como diz, o Fábio há qualquer coisa de errado (e bem cansado, eu acrescentaria) com esses formatos saídos, com menos ou mais diferenças locais, da “Flip”.

AQUI

Informe do Sindjorn

Hoje teve mais uma rodada de negociação, o sindicato realizou ato político em frente a DRT. Depois de um atraso de mais de uma hora do negociador do orgão, ocorreu a reunião entre os patrões e o sindicato. Mais uma vez os patrões tergiversaram na reunião ao questionar que o sindicato tinha incluido 3 novas propostas na pauta, sabendo estes que o sindicato já tinha apresentado essas propostas ainda na segunda rodada de negociação.

É preciso saber que ficou acordado na última reunião de negociação que os sindicatos patronais e o sindjorn apresentariam propostas por escrito que relacionaria as propostas consensuais, consensuais parciais e as divergentes.

O Sindjorn na penultima assembleia elaborou junto com os jornalistas uma proposta e aguardava que na reunião de hoje os patrões apresentassem a sua. Mas supreendentemente estes não apresentaram nenhuma proposta e solicitaram que a reuniao fosse adiada.

Diante do impasse foi remarcada para quinta-feira (25/novembro), às 10 horas na DRT uma nova rodada de negociação. Diante dessa realidade o Sindjorn está convocando pra próxima quinta-feira nova atividade na porta da DRT e uma Assembleia Geral para o mesmo dia às 19 horas na sede do Sindicato.

É hora de mais mobilização, os patrões sentiram que nossa campanha está crescendo. Vários sindicatos, ong, movimentos, personalidades, instituições declararam apoio a nossa campanha. Agora precisamos mobilizar mais para conquistarmos respeito e dignidade profissional.

Agenda:
ATO POLÍTICO - EM FRENTE A DRT (RIBEIRA) - QUINTA-FEIRA ÀS 10 HORAS
ASSEMBLEIA GERAL DOS JORNALISTAS - QUINTA-FEIRA ÀS 19 HORAS NO SINDICATO

Paul McCartney no Brasil: impressões de um beatlemaníaco

Por Fábio Araújo
no Diário de Natal

Lenda viva, instituição, ícone do rock. Maior compositor pop vivo. Ídolo de gerações. Superlativos não faltam quando o assunto é Sir James Paul McCartney. E os 64 mil felizardos que lotaram o Morumbi, na noite desse domingo, 21, para o segundo dos três shows da Up and Coming Tour no Brasil, comprovaram in loco que nenhuma hipérbole é suficiente para descrever o impacto de uma apresentação do ex-beatle. Raros são os artistas que podem ostentar história, carisma e um repertório perfeito e atemporal como o velho Macca.

Não foi um simples show. O que o público viu, extasiado, boa parte em lágrimas, foi a trilha sonora de suas vidas invadir olhos e ouvidos de forma avassaladora. Naquele palco imenso, um eternamente jovem senhor de 68 anos despejava - sob o olhar atento de uma enorme lua cheia - uma impressionante seqüência de canções imortais, que ajudaram a moldar a Música (e o mundo) como são hoje. Impossível resistir ao poder de Paul McCartney e, principalmente, da memória dos Beatles, nunca superados enquanto referência sonora. No final, um pequeno susto quando Paul tropeçou numa caixa de som, na hora de deixar o palco em definitivo, e chegou a cair no chão.

AQUI

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Praia da Pipa em revista argentina

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Ontem chegou a praia da Pipa uma equipe de jornalistas da prestigiada revista de viagens “Lonely Planet” para realização de reportagem sobre Pipa para a edição argentina da revista. Esta publicação é uma das melhores revistas no segmento viagens da atualidade, e tem como público alvo amantes de viagens, curiosos e pessoas que procuram lugares que se diferenciam pelo exotismo, cultura, diversidade ambiental e cultural. Esta publicação de propriedade da BBC, destaca-se ainda pela qualidade de imagem, pela abordagem aos destinos e pela qualidade dos textos. Na visita organizada pela Secretaria de Turismo de Tibau do Sul, os jornalistas terão oportunidade de visitar as praias da região em buggy, testar algumas das opções do turismo de aventura, como o passeio de quadriciclo nas dunas e o parque de arvorismo, provar as delicias da gastronomia local, usufruir de momentos de relaxamento em um dos Spas do destino, conhecer a noite de Pipa e até fazer uma aula de surf atendendo a um pedido especial de uma das jornalistas argentinas. Esta reportagem representa ainda, o regresso do fotografo de viagens Nicolas Anguita, que 16 anos depois da primeira viagem a Pipa vem reencontrar-se com o destino e reviver recordações que guarda até hoje na memória.

Quatro cursos gratuitos pelo NPD Natal

Release

O Núcleo de Produção Digital - NPD Natal está com inscrições abertas para quatro oficinas na área do audiovisual a serem realizados entre os dias 26 de novembro a 05 de dezembro de 2010. Elas são: Edição Básica, Preparação de ator para o audiovisual, Direção de Fotografia e Elaboração de projetos culturais para leis de incentivo ao audiovisual. Todas as oficinas têm carga horária de 20 horas e as duas últimas desta lista acontecem em parceria com o Festival Goiamum Audiovisual.

E é justamente para dar oportunidade ao maior número possível de alunos é que cada pessoa só pode se candidatar a um destes quatro cursos. Qualquer inscrição repetida inviabiliza o aluno de participar do processo seletivo de qualquer uma destas oficinas. Assim espera-se oferecer o conhecimento de acordo com uma área de real interesse do aluno, uma vez que cada uma destas oficinas tem um público alvo bastante específico.

A ficha de inscrição destas oficinas pode ser obtida através do site da Fundação José Augusto ( www.fja.rn.gov.br). O processo seletivo será por análise do currículo e da carta de interesse e, como em todas as oficinas do NPD Natal, será feito pelos membros do Conselho Gestor que forma o NPD Natal: UFRN, UNP, UERN, IFRN, Secretaria Estadual de Educação, Fundação José Augusto, Cineclube Natal e ONG Zoon.

Os NPDs – Núcleos de Produção Digital são locais de apoio à produção independente, implantados através de convênios entre o Ministério da Cultura, dentro do Programa Olhar Brasil. As oficinas e cursos realizados pelo NPD são todos gratuitos, aqui no Rio Grande do Norte foram realizados três cursos através do NPD: Linguagem Cinematográfica, Produção para vídeo e cinema e Roteiro de Ficção. Qualquer informação sobre as oficinas podem ser obtidas através do e-mail npdnatal.rn@gmail.com.

O NPD Natal também está com uma mostra de vídeo na programação do Goiamum Audiovisual. No dia 03 de dezembro às 18h30 os potiguares poderão conhecer um pouco do que está sendo produzido por outros NPDs do Brasil que já receberam os equipamentos de gravação e edição. Durante a mostra também acontecerá a palestra “Os NPDs e os objetivos estratégicos do Programa Olha Brasil” com a coordenadora do NPD Natal Mary Land Brito e o coordenador do Programa Olhar Brasil Hermano Figueiredo.

Mais informações para a imprensa: Mary Land Brito – 8743 1104 / 9921 1104

Oficina: Edição Básica
Professora: Fernanda Gurgel
Data: 26 a 28/11 (sexta feira: noite; sábado e domingo: manhã e tarde)
Número de Vagas: Quinze
Pré-Requisito: Preferencialmente ter noções de photoshop e programas básicos de edição
Inscrição: através do e-mail npdnatal.rn@gmail.com entre os dias 18 e 21/11/2010. Ficha de inscrição no site www.fja.rn.gov.br

Oficina: Preparação de ator para o audiovisual
Professor: Makários Maia Barbosa
Data: 03 a 05/12 (sexta feira: noite; sábado e domingo: manhã e tarde)
Número de Vagas: Quinze
Pré-Requisito: Ser ator atuante em qualquer área artística ou diretor audiovisual
Inscrição: através do e-mail npdnatal.rn@gmail.com entre os dias 22 a 26/11/2010. Ficha de inscrição no site www.fja.rn.gov.br

Oficina: Direção de Fotografia para Cinema
Professor: Alexandre Ramos
Data: 29/11 a 03/12 – (tarde)
Número de Vagas: trinta
Pré-Requisito: Ter noções de planos e enquadramento. Preferencialmente ter experiência como cinegrafista, fotógrafo ou diretor de fotografia.
Inscrição: sede da ZooN (edifício 21 de Março, 4º andar, sala 410 - rua Vigário Bartolomeu, 635, Cidade Alta – 3211 2921) até o dia 19/11/2010.
Obs. Curso realizado em parceria com o Goiamum Audiovisual

Oficina: Elaboração de Projetos Culturais para Leis de Incentivo ao Audiovisual
Professor: Izadora Fernandes
Data: 29/11 a 03/12 – (tarde)
Número de Vagas: Vinte e cinco
Pré-Requisito: Preferencialmente ser produtor, roteirista ou diretor audiovisual.
Inscrição: sede da ZooN (edifício 21 de Março, 4º andar, sala 410 - rua Vigário Bartolomeu, 635, Cidade Alta – 3211 2921) até o dia 19/11/2010.
Obs. Curso realizado em parceria com o Goiamum Audiovisual

Há precisos 11 anos morria o poeta Blecaute

Por Moisés de Lima
em Diário do Improviso

Morreu Edgar Borges, o “Blecaute”, o poeta preto, pobre e considerado louco pela sociedade. Vivia andando pelas ruas do centro da Cidade Alta, carregando seus papeis e fumando seus cigarros Belmont, vestido em roupas exóticas. Tinha todos os atributos de um artista maldito e discriminado.

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Flipipa 2010 - impressões e comentários

Por Fábio Farias
na Revista Catorze

Uma das coisas que me perguntei ao acompanhar parte da programação era onde estavam os novos escritores potiguares? Será que eles existem? Ou para que lugar foram levadas as discussões e visões artísticas e também literárias que emergem no RN?

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Bate papo com Laurentino Gomes

No Diário de Natal
matéria de ontem

O jornalista Laurentino Gomes – autor dos Best Sellers 1808 e 1822 – retrucou as críticas do acadêmico Raimundo Pereira Arrais de que as metáforas e anacronismos usados nos livros para contar a história de um Brasil desconhecido à grande massa são “perigosos” ou “equivocados”. “Uso da técnica jornalística para tornar palatável a leitura a todos. Não escrevo para acadêmicos. Por causa do purismo técnico acadêmico, a história do Brasil fica inacessível para muitos. Os historiadores deveriam valorizar meu trabalho porque despertei o gosto pela história em adolescentes, na empregada doméstica que se sentiam intimidados pela leitura burocrática dos livros acadêmicos”, disse o jornalista. E foi com ele que o Diário de Natal conversou ao fim do debate, promovido no primeiro dia do evento – promovido pelo projeto Nação Potiguar, Scriptorin e Fundação Hélio Galvão, com apoio do Governo do Estado.

Entrevista – Laurentino Gomes

Seus livros mostram equívocos de uma história praticamente cristalizada no imaginário brasileiro. Qual a grande mentira da história do Brasil?
Agora você me pegou. São várias mentiras (pensa). Mas acho que em relação à independência há um pensamento de que foi pacífica, negociada. Mas muita gente morreu. E não foi no Rio de Janeiro ou São Paulo; foi no Nordeste, principalmente na Bahia, e por isso os fatos ficaram meio apagados. Esse Império que assumiu como se fosse um pai que a tudo acomodava, apaziguava, nada disso houve. A relação de dom Pedro com o pai, dom João VI foi muito conturbada. E essa idéia de um brasileiro condado, permanece. Houve muita divergência e confusão.

Quando o jornalismo fica mais próximo da história?
O tempo todo. Há a impressão de que são diferentes. O jornalismo testemunha e narra histórias todos os dias. Seja por causa de um acidente de trânsito, pela eleição da Dilma ou descrevendo a Flipipa. A diferença é que são informações mais fugazes, mais sujeitas ao erro. É da natureza da profissão. São fatos muito imediatos. O historiador ganha no aspecto da dimensão de tempo e pesquisa.

O jornalismo está cada vez mais próximo desse formato de contação de história mais extenso, do jornalismo literário, pelo menos nos jornais impressos?
Acredito que o jornalismo esteja em mudança de formato. A linguagem está mudando; o jornalismo, não. Na 2ª Guerra havia um letreiro na Times Square que dizia suscintamente: “O Japão foi bombardeado pelos Estados Unidos”. Não podia ser jornalismo de texto, ali. Agora, também lembramos de Truman Capote, Gay Talese. Hoje temos a Revista Piauí, ou mesmo na internet encontramos textos mais longos, mais densos. Por outro lado, temos a Veja Online com notícias mais rápidas... Então, acredito na mudança de formato e não de linguagem. Os jornais estão guardando as matérias mais trabalhadas para os cadernos de domingo. O jornalismo está sendo e precisa ser repensado.

Natal, a nova rota dos shows

Após o Titãs lotar o Palácio dos Esportes no calor dos anos 80, Lulu Santos danificar o gramado do Juvenal Lamartine em show ao ar livre, ou o Legião Urbana tocar no Papódromo à mercê da chuva na década de 90, o Machadinho assistia a montagem de um palco numa quadra de esportes para receber oito vezes o show de Roberto Carlos e se tornar a opção de abrigo para os melhores shows da cidade. E o que dizer dos ventos, chuvas e imprevistos da Arena do Imirá, da Cervejaria Continental ou do estacionamento do hotel Vila do Mar? Fato é que Natal nunca teve um local apto a receber os grandes espetáculos até a pré-inauguração do Teatro Riachuelo, na última sexta-feira.

Desde a inauguração do Teatro Alberto Maranhão há 106 anos, Natal espera um espaço apto a receber as mega produções nacionais. O Teatro Riachuelo estendeu o tapete vermelho e já anuncia a vinda de Roberto Carlos, Jorge Vercílio, Zizi Possi e Toquinho. Os R$ 1,5 mil lugares representam quase o tripo da capacidade do TAM. Os equipamentos elevam o novo Teatro ao status de melhor do Norte e Nordeste e um dos mais modernos do país. E no rastro do investimento privado, Natal ingressa na rota dos artistas, eventos, feiras e peças teatrais mais prestigiados do país. Mas, cabe espaço ao artista potiguar neste grande teatro? A relação custo x benefício é o maior entrave: lota ou amarga o prejuízo.

Sob essas condições, a maioria esmagadora dos artistas potiguares manterá seus shows em bares e pequenas casas de show. Infelizmente a realidade local impossibilita a lotação de uma casa do tamanho do Teatro Riachuelo. Mesmo no agora mediano TAM, o público espera no saguão do Teatro o início do show nacional, enquanto o talento potiguar toca para poucos. O produtor Zé Dias chama a atenção para outro fator: "No Teatro de Cultura Popular (TCP) ou na Casa da Ribeira, por exemplo, Khrystal (cantora e compositora potiguar) pode fazer temporada de dois ou três shows para divulgar seu trabalho. No Teatro do Midway isso não é possível". Nem no TAM, com pautas comumente lotadas, ou no Teatro Sandoval Wanderley, pequeno e depredado.

Alexandre Maia - o grande dos shows musicais nacionais em Natal - acredita que demore um ano até que o TR se torne conhecido no meio artístico nacional. O produtor aponta uma série de vantagens do novo teatro: estacionamento seguro, confortável e sem cobrança, uma rede com quatro dos melhores restaurantes da cidade na saída do teatro; a área urbana de fácil acesso; e a versatilidade do empreendimento em abrigar shows sentados ou em pé, quando as poltronas são removidas e dão lugar à pista. "Esse teatro vai resgatar pessoas mais idosas que já haviam desistido de ir para shows por dificuldade de acesso ou algum tipo de desconforto", complementa.

Futuro
Até então, o TAM, na Ribeira, e o Boulevard Recepções, em Nova Parnamirim – ou ainda o Centro de Convenções, na Via Costeira –, eram os dois principais palcos da cidade. “O Centro de Convenções foi construído irresponsavelmente com pé direito baixo. Não custaria praticamente nada aumentar de 5m para 9m, que é o mínimo exigido para um grande show. Poderia ser uma boa casa de espetáculos”. A respeito do Boulevard, Alexandre acredita que a Casa cumpriu e ainda cumprirá sua missão.

“Fiz shows com grandes nomes por lá: Ney Matogrosso, Simone... E um fato curioso: três artistas da linha mais popular me ligaram pedindo um lugar na cidade com público mais selecionado. Escolhi o Boulevard e promovi os shows de Leonardo, Roberta Miranda e, mais recente, Amado Batista”. Alexandre cita ainda a vantagem do espaço. “No Boulevard há lugar para 2,5 mil pessoas. Tem mais retorno financeiro para o artista e o produtor. Mas seu pensasse no lado financeiro trabalharia com forró e axé”.

Segundo Alexandre Maia, o trabalho do produtor e do artista muitas vezes é mais reconhecido quando apresenta um bom trabalho. “E essa qualidade nenhuma Casa de Natal oferece melhor que o Teatro do Midway. Às vezes as pessoas me parabenizam ao fim de um bom show. É como se eu tivesse cantado. E o artista sente isso. Quando entro em contato, eu digo: aqui você só vai ganhar tanto, mas o equipamento é esse, e tal. No TR há facilidade na montagem do palco, em luz, em som. E isso é o que compensa”.

* Matéria publicada no Diário de Natal no último domingo

Assembleia do Sindjorn hoje às 19h

Hoje tem Assembleia dos jornalistas na sede do Sindjorn. A partir das 19h. Sábado último ocorreu um ato público da categoria no cruzamento das avenidas Salgado Filho e Bernardo Vieira. Temos que manter o foco e ampliar a mobilização conquistada até agora. A negociação com o patronato ocorre amanhã, às 10h, na DRT. E quero tornar o público a vitória dos jornalistas matogrossenses, que conseguiram aumentar o piso salarial de R$ 1.050,00 para R$ 1.380,00. Lá, houve ameaça de greve.

Galera e Coutinho lançam hoje Cachalote

Quadrinhos reúnem memórias da 2ª Guerra


Release

Conflitos armados não são um tema estranho aos quadrinhos. O gênero ganhou força com na segunda metade da década de 1940, quando os leitores perderam o interesse pelos super-heróis fantasiados. De personagens fictícios ao relato quase jornalístico de conflitos reais, é grande o número de lançamentos de HQs de guerras nas últimas seis décadas.

O que diferencia A Guerra de Alan – As Memórias do Soldado Alan Ingram Cope (Zarabatana Books, 336 páginas, R$ 49) dos demais é que a história não se prende exclusivamente aos conflitos armados, e sim às lembranças reais de um jovem americano convocado para lutar na Segunda Guerra.

A graphic novel mostra a fase de alistamento e treinamento de Alan Cope em bases militares norte-americanas, a vida na caserna, os combates nos últimos meses da guerra na França e Alemanha e a retomada de sua vida, primeiro na América e depois na Europa, no pós-guerra.

A adaptação das lembranças de Cope para HQ são executadas com maestria e sensibilidade pelo desenhista Emmanuel Guibert e, embora os acontecimentos se passem durante um dos momentos mais terríveis da história do século XX, o soldado mantém um estreito contato com as artes (literatura, poesia e música) e com os amigos que vai conquistando pelo caminho.

O relato destas experiências, pessoais e muitas vezes comoventes, foi feito pelo próprio Cope a Guibert depois que os dois se conheceram casualmente na ilha francesa de Ré em 1994, onde Cope vivia sua aposentadoria. As histórias foram publicadas originalmente em capítulos na revista Lapin, da editora francesa de quadrinhos independentes L’Association antes de virarem este livro. Cope faleceu em agosto de 1999, a poucos meses do lançamento da primeira edição de A Guerra de Alan.

A obra fez parte da seleção oficial do festival francês de Angoulême 2010, concorrendo ao prêmio de melhor publicação. Também foi indicada ao Prêmio Eisner de 2009, dos Estados Unidos, como melhor trabalho baseado em acontecimento real, melhor álbum gráfico (publicação nova), melhor edição norte-americana de material estrangeiro e melhor roteirista/artista.

A cultura potiguar que dá certo


Por Anderson Foca
no portal DoSol

Antes de mais nada quero deixar claro que esse editorial é para comemorar vitórias. Como não se empolgar com o que vimos e ouvimos nos últimos vinte dias na cidade? Para começar vamos lamber a própria cria: que edição magistral do Festival Dosol tivemos hein? Foram mais de 8.000 pessoas em todas as atividades, artistas inspirados, shows épicos, ótima estrutura em todos os palcos, novos parceiros, novas amizades e relevância cultural no nível máximo.

64 shows foram oferecidos, mais da metade gratuitos e todos com ótima repercussão. Pium, o nosso palco mais distante, surpreendeu com quase 1.500 pessoas nos dois dias por lá e com a comunidade participando em peso das atividades. Vai ser difícil fazer melhor, mas é uma meta boa a ser batida para as próximas edições.

Nem bem me recuperei da maratona de shows do Festival Dosol e voltei ao palco da Casa da Ribeira para assistir o show “No Ar” de Valéria Oliveira. Por lá só comprovei o que muita gente já sabe: Valéria não só é uma das maiores cantoras potiguares de todos os tempos como é hoje uma das melhores vozes do Brasil. Some-se a isso a extrema competência da sua produtora Monica Mac Dowell, sua equipe técnica, a monstruosidade virtuosa de Rogério Pitomba, Jubileu e Paulo Milton e aos já consagrados Eduardo Pinheiro e Wilberto Amaral (ambos do Megafone) dando show de som e vídeo.

Esse povo junto, concebeu um espetáculo musical irretocável. Realçando o que de melhor os artistas tinham para oferecer e deixando a Casa da Ribeira (lotada) incrédula.

Toca o telefone e um amigo fala do outro lado da linha: – Foca, gostaria muito que vocês viessem ver nossa estréia. Marco França, sublime tecladista e um dos maiores músicos dessa cidade. Lembro muito bem nos idos de 97 a gente brincando no estúdio, ele fazendo graça, usando o teclado para sonorizar a traquinagem. Lembro de ter dito: Marco, vá fazer teatro, você leva jeito. Parecia o prenúncio do que estaria por vir.

É 2010 e aqui estamos. Fiz minha primeira visita ao barracão dos Clowns de Shakespeare, casa de um dos maiores grupos de teatro do Brasil. Maior não só pelo que leva ao palco, mas pela seriedade e luta com que colocam a coisa para funcionar. Expediente diário de 14h às 20h, muito estudo, entendimento do funcionamento das leis de incentivo, editais e do mercado e, principalmente, excelência artística comprovada com a magistral apresentação do seu mais novo espetáculo, uma adaptação livre de Ricardo III.

O que me deixa mais feliz é saber que em algum momento dessa história toda Dosol, Valéria Oliveira e Clowns de Shakespeare se encontram mesmo que por caminhos totalmente diferentes. Nos deparamos com uma admiração mútua, sabendo replicar o que cada um tem de bom e construindo uma estrada sólida para a cultural potiguar. Estamos trilhando caminhos (muitas vezes) virgens, sem deixar que as “daninhas” culturais fechem nossa trilha para que mais gente possa passar. E é bom saber que além de nós, tem muitos outros agentes culturais nesta mesma estrada.

Os governos, fundações e atividades estatatais são importantes e servem para criar um ambiente menos ofensivo para que bons projetos culturais se estabeleçam, mas nunca podemos deixar que o nosso suor e trabalho esteja atrelado aos ventos incertos dos gestores. Façamos a nossa parte, que o resultado (e o reconhecimento) aparecem. Assim como muitas outras, essas são só algumas provas da cultura potiguar que dá certo. Nos vemos por aí.

AQUI
- Foto: Luiz Gadelha

domingo, 21 de novembro de 2010

Sobre a Flipipa? Pergunte a Carito

Galera, o poeta e músico Carito escreveu um apanhado de cada mesa da Flipipa. Vale à pena dar uma olhada no site dele (AQUI). Minhas impressões foram bem resumidas. Na próxima edição da Revista Palumbo, que deve estar nas bancas no fim desta semana ou, no máximo, no início da próxima, virá uma resenha maior.

Primeiras impressões da Flipipa

Por Tácito Costa
no Substantivo Plural

Fiquei satisfeito com o II Festival Literário da Pipa. Acho que as mesas esses anos foram melhores, renderam mais do que no ano passado. Meus destaques: as intervenções de Frederico Pernambucano de Mello, Mia Couto, João Gilberto Noll, Marçal Aquino e Tarcísio Gurgel. O evento se consolidou e se houver um mínimo de bom senso o próximo governo continuará apoiando.

AQUI

Zizi Possi cancelado e Rei Roberto para o público

A apresentação de Zizi Possi, que estava marcada para o próximo dia 11 de dezembro, dentro da programação do Teatro Riachuelo, foi adiada em função de problemas de saúde da cantora. A nova data para o show ainda não foi definida. Se apresenta neste dia outra voz feminina, Roberta Sá. A cantora potiguar sobe ao palco do novo espaço cultural acompanhada do Trio Madeira Brasil e apresenta o show do novo CD, "Quando o Canto é Reza". E na programação conta show de Roberto Carlos no dia 9 de dezembro apenas para convidados e imprensa e a surpresa: no dia seguinte, show para o público no mesmo Teatro Riachuelo. Não foi informado preço de ingressos. O horário é às 21h, mesmo horário de todos os shows, incluindo os de Jorge Vercilio (26 de novembro) e Toquinho (em 17 de dezembro).

Flipipa 2010 - impressões finais

Não visualizei uma única mesa de debate ruim entre as dez travadas nesta segunda edição da Flipipa. Assisti todas. Umas mais concorridas e todas com mais da metade dos assentos preenchidos. O frio exagerado no primeiro dia, reclamado aqui, foi amenizado na sexta e no sábado. Se viu discussões sobre quadrinhos e uma gama de outros vieses a partir da temática central; Cascudo multilado por crimes editoriais; jornalismo x história; cinema x roteiro; João Gilberto Noll em versão "baixo calão" e de uma irreverência pouco vista; João Ubaldo e sua informalidade tradicional, mas desta vez dobrada quando acompanhada por Geraldo Carneiro; um Mia Couto pop, com recorde de público no evento; mídias sociais; a belle époque de Polycarpo Feitosa; e ainda a Flipaut, originária de uma ideia central de transformar a charmosa praia de Pipa em pólo literário. Sem falar nas oficinas de contos, estande de livros, a Pipinha literária e o comércio de artesanato local. E tudo sob baixo custo. Se as palestras receberam públicos mais interessados em literatura, a população nativa soube do evento, conferiu mesmo que rapidamente algumas mesas, viu de perto alguns figurões da alta literatura nacional e internacional e sentiu a aura de um encontro literário. Se deixará essas percepções e sensações tomarem conta das suas vontades, uma enchente de fatores sociais podem explicar. A Flipipa deixou seu recado.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Flipipa 2010 - impressões do primeiro dia

Minha maior surpresa no primeiro dia da Flipipa 2010 foi a tenda abarrotada de gente pra assistir o moçambicano Mia Couto. A fila era extensa no lado de fora. E só conseguiam entrar quando alguém, morrendo de frio, saía. Dácio repete o erro da climatização exagerada no interior da tenda. Já foi reclamação antiga do Encontro Natalense de Escritores. Já na última palestra do dia, com o jornalista Laurentino Gomes, abriram as portas da entrada para meia tenda preenchida e um clima mais agradável, não sei pela grita geral. O público da primeira palestra com Rafael Coutinho e Daniel Galera, mediado por Alex de Souza, quase lotou. A repercussão do Festival tem sido boa. A venda de livros nos estandes vizinhos, também. Muita gente em Pipa, muita movimentação e discussões paralelas em volta. O evento repete o sucesso da primeira edição. Hoje teremos Tarcísio Gurgel, Marçal Aquino e Pablo Capistrano, Frederico Pernambucano de Melo, Honório de Medeiros e Clotilde Tavares. Começa às 17h30. Dá tempo. Se mandem pra cá!

"Escritor é igual a menino e cachorro: gosta de agrado"

Por François Silvestre
em comentário neste blog

Meu caro Sérgio. Recebi ontem, do Escritor e jurista Marcelo Navarro a seguinte mensagem: "Acabei de ler de uma sentada o Remanso da Piracema. Você tá cada vez melhor. Não pare". Olha Sérgio, vindo de Marcelo que sabe ler e escrever, depois dos elogios que fez ao Esmeralda, eu posso me sentir gratificado de escrever no Rio Grande do Norte. Até você tem sido generoso nas resenhas que faz sobre os meus escritos. Quem diz que gosta de ser criticado negativamente é um mentiroso. Gente e escritor é igual a menino e cachorro: gosta de agrado. O resto é hipocrisia. Não sou escritor potiguar. Sou escritor das minhas dores, dos meus amores, dos meus ódios, dos meus afetos, dos meus lamentos, das minhas festas. Sou escritor das pedras que alcançam o meu bodoque. Das palavras que meu silêncio deixa escapar. Da fraqueza e força do medo que rompe minhas crenças. E me faz descrente. Abraço de François Silvestre.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Prêmio Hangar 2010 - indicados

Release

Como o tema Música Esporte Clube e homenageando Raul e Alcatéia Maldita, o Prêmio Hangar 2010 acontecerá na próxima terça dia 23. Com um formato diferente para este ano a premiação foi dividida em dois momentos e em espaços diferentes.

Ás 20h no Salão Nobre do Teatro Alberto Maranhão, com a presença dos artistas indicados e convidados especiais acontecerá a cerimônia de divulgação e premiação dos vencedores da 9ª edição do Hangar. A entrada será apenas para os artistas e músicos indicados e convidados.

A partir das 21he30min acontecerá a festa no Cultura Clube com apresentação de várias bandas que tocarão músicas que falam de futebol e composições autorais. A entrada será gratuita. Haverá apresentação dos grupos PeduBreu, Manifestarte S.A, Lunares, DuSouto, Fluido Natural, Snoop Soul e Conexão Mil Grau, Agregados do Rap, MC Priguissa, Mokasim e a estréia do projeto Foxy Ladies formado pelas cantoras Simona Talma, Clara Pinheiro, Michelle Régis e Paula Ortiz.

A divulgação dos indicados aconteceu durante o Lançamento do Prêmio Hangar de Música 2010 na noite de quarta-feira 17, no Buraco da Catita com apresentação dos shows da Camarones Orquestra Guitarristica, Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz. Um bom público a sua maioria formado por músicos prestigiou o lançamento. Veja a relação dos indicados a 9ª edição do Prêmio Hangar de Música. A comissão de indicação foi formada por Alexandre Gurgel, Cida Campello, Michelle Ferret, Rodrigo Cruz, Rafael Duarte e Marcelo Veni.

RELAÇÃO DOS INDICADOS DA 9ª EDIÇÃO

Prêmio Hangar de Revelação Musical do RN
01- Caio Padilha
02- Calistoga
03- Camila Masiso
04- Clara e a Noite
05- MC Priguissa

Prêmio Hangar de Melhor Banda ou Grupo
01- Camarones Orquestra Guitarristica
02- DuSouto
03- Macaxeira Jazz
04- PeduBreu
05- Rosa de Pedra

Prêmio Hangar de Melhor Intérprete
01- Júlio Lima
02- Khrystal
03- Liz Rosa
04- Simona Talma
05- Valéria Oliveira

Prêmio Hangar de Melhor Música
01- Coração Partido ( Ivando Monte )
02- Disléxico ( Romildo Soares )
03- Eu, Eles e Minha Casa ( Rodrigo Lacerda - Lunares )
04- Segunda Vista ( Luiz Gadelha / Valéria Oliveira )
05- Vem ( Manifestarte S.A )

Prêmio Hangar de Melhor Instrumentista
01- Antônio de Pádua
02- Carlos Zens
03- Darlan Marley
04- Diogo Guanabara
05- Sérgio Mendonça

Prêmio Hangar de Melhor Produtor Musical
01- Anderson Foca
02- Eduardo Pinheiro
03- Eduardo Tawfic
04- Jubileu Filho
05- Sérgio Mendonça

Prêmio Hangar de Melhor Letrista / Compositor
01- Antônio Ronaldo
02- Anna Fernandez
03- Ivando Monte
04- Luiz Gadelha
05- Rodrigo Lacerda

Prêmio Hangar de Melhor CD de artista Potiguar
01- Arapuá no Cabelo – Carlos Zens
02- MaloKeiro High Society – Du Souto
03- No Ar – Valéria Oliveira
04- Um Olho no Peixe e Outro no Gato – Antônio de Pádua
05- Um Toque a Mais – Geraldo Carvalho

Prêmio Hangar de Melhor Show realizado
01- Antônio de Pádua
02- Camarones Orquestra Guitarristica
03- Du Souto
04- Khrystal
05- Váleria Oliveira

Prêmio Hangar de Destaque da Música do RN (Artista do Ano)
01- Antônio de Pádua
02- Camarones Orquestra Guitarristica
03- Du Souto
04- Khrystal
05- Váleria Oliveira

Categorias não competitivas
> Prêmio Hangar Especial de Ação Social
> Prêmio Hangar Especial Talento Infantil
> Prêmio Hangar Especial de Hip Hop
> Prêmio Hangar Especial Música Coral
> Prêmio Hangar Especial Vídeo Clipe

Qualquer semelhança...

Por Marcos Silva
no Substantivo Plural

Amigos e amigas:

Participei hoje de Banca Examinadora de uma Dissertação de Mestrado na PUC/SP. A área de defesa foi História, seu Autor André Luiz Sanches Cezaretto e o título “A vaca vai pra o brejo: Urbanidade e juventude através da revistia ‘Chicletes com banana’ (1985/1990)”.

Trata-se de trabalho muito bom, que destaca, dentre outros temas, os New-Imbecis e a Revolta dos Babacas (contexto da Nova República, referência aos jovens consumidores conservadores, com roupas e trejeitos de vanguarda).

Qualquer semelhança anacrônica dessas categorias com aspectos da política e da cultura recentes em nosso país é mera coincidência.

Abraços:

E hoje tem samba no Bar de Nazaré

A definição de Natal pela quadrinha quase secular “em cada esquina um poeta, em cada rua um jornal” está passível de mudança neste século 21. O que se vê nas cenas cotidianas é a proliferação inusitada de grupos de samba. Em cada esquina um boêmio, em cada bar um cavaquinho malandro e novos rostos na música local. Em terra nordestina afeita ao forró e ao axé, bares natalenses têm dado preferência ao ritmo originado nos morros cariocas – a fórmula ideal de música popular qualificada para públicos variados. Moda? Talvez. Mas essa história teve um começo. E já se vão muitas décadas...

Em fins da década de 70, os bares da Praia do Meio e dos Artistas abriam espaço à música local. Muitos expoentes da MPB potiguar surgiram ali: Pedrinho Mendes, Sueldo Soares, Cleudo Freire, Valéria Oliveira... E no coração da Praia do Meio, nos redores da Praça do Pescador, o sambão do grupo João de Orestes lotava o Bar Sarava, do empresário Dinarte Júnior. Os mais antigos ainda lembram saudosos da época. Foi o primeiro bar em Natal com programação fixa de samba.

Antes de João de Orestes, mestre Lucarino (um dos dois maiores nomes da história do samba no Rio Grande do Norte) acendia um movimento boêmio, mais voltado à seresta e sem “residência fixa”. E se vale a memória, o potiguar precursor da Bossa Nova, Hianto de Almeida, mostra que Natal também tem raízes sambistas. Sua história foi marcada pelo samba e o samba-canção, em parcerias geniais com K-Ximbinho, até trilhar os caminhos bossanovistas a partir dos anos 50.

Após período de ostracismo, embora as rodas de samba tenham se mantido em reuniões informais de amigos, sobretudo nas Rocas, nenhum bar ou grupo mereceu referência nos anos 80 – época ainda gloriosa às agremiações carnavalescas. Residiam neste universo de galpões, figurinos e desfiles os grandes sambistas do momento. Quando a década de 90 apareceu na esquina, o Brasil preparava os ouvidos para a explosão do pagode e de grupos como Raça Negra e Só Pra Contrariar.

O pagode meloso fugidio das tradições do samba incentivou a proliferação de grupos do gênero em Natal. Não demoraria e a primeira casa de show, até hoje lembrada como a maior referência para o samba e o pagode, abria as portas em meados daquela década. O Pagode Madureira reunia os melhores grupos da cidade. Era uma espécie de Cacique de Ramos natalense, salvo proporções. O amplo espaço lotado de fãs de samba e pagode, sobretudo aos domingos, apresentava duas ou três bandas locais na programação e o Pagode Madureira na abertura e encerramento.

Grupos como o Divina Chama despontavam no cenário e lotava a Casa. O filão – empurrado pela onda de grupos nacionais – incentivou boates a também adotarem o estilo. A Hooters foi a primeira: criou ambientação voltada exclusivamente ao estilo e pouco depois abriu um espaço aos sábados para grupos de pagode. Na Zona Sul, casas de show pipocaram à proporção ao surgimento de novos grupos. O Vila Folia incluía atrações de pagode ao forró, na programação e o natalense assumia o som do pandeiro.

O Pagode Madureira fechou quando o pagode cedia espaço às bundas do axé music ou aos agudos das novas duplas sertanejas puxadas por Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo e Zezé de Camargo e Luciano. Os resquícios de samba na cidade, puxados pela febre do pagode, morreu junto. Pelo menos para os adeptos da moda. Nos recantos de origem do gênero na cidade, Cartola, Roberto Ribeiro, Nelson Sargento e outros bambas permaneceram vivos.

De Nazaré à Catita
As cinzas do cavaquinho, espalhadas pela cidade durante quase uma década, se juntaram há cerca de quatro anos. Amigos amantes do samba começaram a se juntar de forma informal no Bar de Nazaré e o Chorinho era tema principal. Camilo Lemos, Carlança, Ronaldo Freire e Marcelo Tinoco receberam o incentivo do médico e produtor cultural Zizinho. E o Bar de Fátima, ali ao lado – por trás da Assembleia Legislativa, adjacência do Beco da Lama – escutava os primeiros acordes do que viria a ser mania em Natal.

O Chorinho no Bar de Fátima reunia produtores, artistas e amantes da boa música. O Centro Histórico recebia um prestígio há muito esquecido. Mas sem infraestrutura de banheiro, de petiscos ou mesmo reconhecimento pela clientela atraída, o grupo preferiu abandonar o Bar e desceu à Ribeira após um ano de instrumental no Centro. Nascia ali, na erma Rua Câmara Cascudo, o Buraco da Catita – talvez o maior responsável pela explosão de grupos de chorinho e samba pela cidade.

Zizinho, Camilo Lemos e Cia fizeram da “Catita” um espaço cultural voltado ao chorinho e ao samba. Sextas-feiras apinhadas de gente no pequeno espaço disseminaram o gênero pela cidade. No Beco da Lama, uma turma de jovens talentos que acompanhavam os “chorosos” nos ensaios no Bar de Fátima, ocuparam o espaço com samba de raiz e reativaram o movimento no local. Eram os meninos do grupo Arquivo Vivo.

Na Ribeira já movimentada, uma dissidência do grupo de instrumentistas da Catita também subiu a ladeira e, novamente sob a batuta de Zizinho, fundaram o projeto Nós do Beco, com o grupo Roda de Bambas – uma seleção de alguns dos mais famosos músicos e compositores de samba da cidade: Debinha, Chumbinho (filho de K-Ximbinho), Damiana, Cabanhas, Pacheco, mestre Silvano e outros da velha guarda das agremiações carnavalescas de Natal.

Do boteco aos bares
O Buraco da Catita hoje é Espaço Cultural Buraco da Catita, com reurbanização bancada pela prefeitura municipal e programação também voltada a diversas manifestações artísticas. O projeto Nós do Beco preenche a Rua Vigário Bartolomeu.de mesas e fãs de samba, sempre às primeiras sextas-feiras do mês. E o grupo Arquivo Vivo migrou ao Bar de Nazaré e também lota o espaço e a Rua Cel. Cascudo nas noites de quinta, a partir das 19h.

O sucesso do quadro do samba e do chorinho desenhado nos botecos entre a Ribeira e o Beco da Lama se espalhou pela cidade, a exemplo da abertura da cidade ao pagode a partir do Pagode Madureira, na Zona Norte. Hoje, pubs como o Taverna cedem espaço ao samba. O grupo Rodas de Bamba é atração certa às terças-feiras por lá. Alguns dos bares e petiscarias mais badalados – Seis em Ponto, Tom Maior... – ou outros mais novos, a exemplo do Lá na Carioca, contratam grupos de samba para reunirem clientela ao som de boa música.

Arquivo Vivo
O Arquivo Vivo é exemplo da ascensão e prestígio recebido pelos novos grupos de samba genuíno da cidade. A maioria dos integrantes cresceu nas rodas de samba das Rocas. Dos ensaios no Bar de Nazaré abriram shows de alguns dos maiores compositores de samba do Brasil: Sombrinha e Almir Guineto, no Sancho Pub, e Neguinho da Beija Flor, no Teatro Alberto Maranhão.

Foi também da repercussão dos ensaios no Bar de Nazaré que chegaram ao Tom Maior sempre aos sábados, a shows no Seis em Ponto e, mais recentemente, às terças-feiras do projeto Praia Shopping Musical. “Rapaz quando ouvi esses meninos eu fiquei doido. São muito bons. Estão lá todas as terças no ‘Praia’, agora”, disse o produtor musical do projeto, Zé Dias.

O Arquivo Vivo já tem projeto de gravação de CD. Sombrinha e Almir Guineto já enviaram músicas autorais, com voz e violão, para compor o álbum. “Será coisa de primeira linha. Khrystal e Ivando Monte também participarão. Jubileu Filho irá produzir. Queremos fazer tudo sem pressa para ser dos grandes CDs lançados em 2011 na cidade”, comemora Marquinhos.

“Abrimos o espaço do Bar para divulgar o trabalho do grupo e desde quando chegaram o movimento aumentou. Não cobramos couvert artístico ou 10%. A música atrai pessoas ao Centro, ainda carente de atrações culturais. E com o movimento maior, melhor segurança, iluminação”, comenta o dono do Bar de Nazaré, Paulo Eduardo, o “Paulinho”.

A história do movimento cultural promovido no Beco da Lama já provocou a primeira notícia do titular da Semsur, Salatiel de Souza, de urbanização da área, tal como foi feito há poucos meses no Buraco da Catita. “Quando se fala em revitalização só se lembra da Ribeira. E o Centro, o Beco da Lama, permanece esquecido pela história, mesmo situado por trás de um órgão tão importante como a Assembleia Legislativa”, reclama Paulinho.

* Matéria publicada no Diário de Natal já faz bem um mês. Mas as quintas-feiras são dedicadas ao samba, com Arquivo Vivo no Bar de Nazaré (Beco da Lama). E hoje, excepcionalmente, tem o grupo Linha de Passe no Bar do Coelho (Cidade Alta).